Caminhando entre os mortos
54 Capitulo 54 - Voltar para casa
Notas iniciais
Pov – Alice
A estrada de terra faz o carro trepidar e acabo acordando com os pequenos solavancos, mas me mantenho de olhos fechados, estou nos braços de Daryl, descansando em seu peito, ele tem uma mão nos meus cabelos, me faz cafuné, é tão bom que fico ali quieta para não acabar com aquele pequeno prazer.
É meio que como roubar no jogo de cartas, ou apenas blefar, ele pensa que estou dormindo e por isso me faz carinho, se souber que estou acordada vai ficar brigando comigo e me enfiando aquela porcaria de remédio goela abaixo, depois de uns minutos caio no sono mais uma vez, droga de remédio forte.
Acordo mais uma vez e a tarde está chegando ao fim, vejo o solse pondo no horizonte um belo espetáculo, faz parecer que o mundo não acabou, faz pensar que existe um lugar onde as coisas são ainda como antes.
Me sinto bem melhor, minha cabeça dói um pouco, meus olhos ardem incomodados com a luz, mas de resto tudo parece quase normal, me mexo tentando me acomodar mais e então tem vários pares de olhos sobre mim, tento sorrir.
─Oi gente! Digo me ajeitando no banco, adeus cafuné, suspiro – Beleza?
─Como se sente? Daryl me pergunta muito interessado na minha resposta, paro um segundo para pensar, investigar as reações do meu corpo.
─No time dos vivos de novo! Respondo animada.
─Sempre esteve nesse time, está sem febre! Ele me diz tocando minha testa – Bob! Pede a Bob que me examine, reviro os olhos, que coisa mais chata esse negócio de ser toda hora cuidada.
Bob toca minha testa, examina meus olhos, meu pescoço e depois da um meio sorriso.
─Sem dúvida está no time dos vivos!
─Ótimo! Me sento direito entre os dois, Bob remexe a mochila e me lembro de algo como uma briga entre ele e Daryl, mas pode ter sido um sonho, estava tão confusa e fora de mim que mal sei dizer como saímos da faculdade, Michonne e Tyresse estão silenciosos no banco da frente, quando é que não estão.
─Tome Alice, mais uma dose disso e acho que os sintomas finalmente te deixam em paz.
─Bob essa merda é muito ruim! Resmungo – não tem uma dose infantil ai não, remédio de criança sempre tem gosto de chiclete!
─Não Alice e você não é mais criança, então engole e pronto!
Daryl é tão irritável, parece mesmo que tem cem anos, seu humor é zero, aposto que sou capaz de fazer um zumbi rir antes dele.
─Estou morrendo seja gentil comigo! Digo com a voz forçada, um draminha básico para convence-lo.
─Idiota, será que não consegue formar uma frase inteligente? Daryl me pergunta enquanto engulo aquela meleca amarga que deve ter quantidade suficiente para curar Flame.
─Foda-se Daryl Dixon é inteligente o bastante para você? Pergunto fazendo todos inclusive ele rirem.
─Achei genial! Michonne diz concentrada no volante.
─Acho que está oficialmente melhor! Ele diz me puxando para ele, me recosto em seu ombro, não quero voltar a dormir, mas o sono vai me dominando mais uma vez enquanto assisto silenciosa o dia dar lugar a noite escura e sombria, fecho meus olhos e caio de novo na inconsciência, é uma batalha inútil.
Estou caminhando pela floresta, escuto passos a minha volta Daryl não está comigo, ninguém está, zumbis começam a me cercar, procuro por meu machado, eu o deixei cair em algum lugar, estou sozinha, desarmada e sei que acabou para mim, não queria que fosse assim, no meio da noite sozinha e sem poder lutar, sinto uma mão fria me tocar e grito.
Me sento assustada e ainda estamos no carro, foi um pesadelo, estão todos mais uma vez me encarando, pisco engolindo em seco, a testa suada, as mãos geladas.
─Não pode me deixar sozinha nunca! Digo a Daryl que com um pano úmido seca minha testa.
─Foi um sonho, sua febre voltou, estamos chegando, se tudo der certo mais uma hora e estamos na prisão, descanse.
─Então promete! Eu peço a ele, Daryl olha em volta, detesta dar demonstrações de afeto perto das pessoas, problema dele, só descanso depois que arrancar dele essa promessa – Vamos precisa me prometer.
─Prometo!
─Se um dia a gente se perder não vai desistir de mim, vai me caçar como se eu fosse um cervo até me encontrar?
─Prometo Alice, não se preocupe, eu encontro você!
─Por que me ama e me acha uma deli...
─Alice! Ele me corta, indicando as pessoas com um olhar.
─Acha ou não acha? Insisto, ele dá um sorriso de lado.
─Acho! Ele diz rendido.
Me encosto nele e dessa vez não durmo mais, fico apenas encostada em Daryl, o caminho começa a ficar reconhecível, meu coração acelera um pouco, tenho medo do que vamos encontrar, será que perdemos alguém?
Me lembro de Glenn e Sasha doentes, as crianças, e tudo que ainda está lá fora, nossas grades estavam repletas de zumbis, Rick e Maggie estavam praticamente sozinhos, apenas Carol e Hershel como ajuda, Beth trancada com a Judy e Carl, aperto a mão de Daryl tento ficar firme.
─Vai dar tempo, já sabemos que funciona, afinal melhorou.
─Tomei os remédios muito antes que todos, os sintomas mal tinham começado, será que vai funcionar igual? Questiono olhando de Daryl para Bob, os dois ficam calados e então a prisão surge, dispara ainda mais meu coração.
Carl abre o portão, assim que paramos Tyresse desce correndo e some para dentro da prisão, fico sentada no carro, olhando em volta sem acreditar no número de corpos de zumbis pelo chão, parece que não foi um dia fácil.
─Que porra é essa? Pergunto a Carl que para do meu lado, ele está suado e sujo, mas parece bem calmo no momento.
─Eles entraram, eu e meu pai demos um jeito! Me avisa.
Bob recolhia junto com Michonne os remédios, os dois entram, enquanto fico no mesmo lugar olhando tudo chocada, Carl dá um passo em minha direção.
─Fica longe Carl, eu fiquei doente.
─Você só se f... Ferra! Ele diz ao olhar para o pai, sorrimos um para o outro e pisco para ele.
─Mais alguém ficou doente?
─Não sei, não entramos mais lá, o Hershel está lá, acho que o doutor S...
Merda! Eu penso baixando meu olhar, suspiro deprimida, passo as mãos pelos cabelos que estão bagunçados e grudentos, queria um banho e roupas limpas, tenho certeza que me sentiria melhor.
─Alice acho que agora o melhor a fazer é ir se deitar lá perto do Hershel, Maggie está lá, ela pode cuidar de você, eu vou ajudar a recolher esses corpos, erguer as grades e vou lá te ver.
─Não quero, eu fico aqui no carro bem quietinha, juro.
─Quando estava bem foi se enfiar lá, agora que precisa não quer ir, acho que seu único objetivo e me enlouquecer! Ele diz irritado, faço cara de coitada, sempre funciona, e desta vez não é diferente, Daryl se acalma – Desculpe, mas ao menos vá ver o Hershel, descansar só um pouquinho, depois vem ficar aqui fora, quando amanhecer.
─Certo, vou ver se precisam de ajuda com os doentes.
─Garota infernal, você é um dos doentes, tem que deitar e descansar!
─Queria te dar um beijo! Eu digo do nada, amo esse mal humorado e grosseirão e quando ele me olha assim todo preocupado e cuidadoso eu amo mais, Daryl pisca meio confuso como se não esperasse por isso, depois toca minha pele, desce as mãos com cuidado até meus cabelos e me olha profundamente.
─Amo você! Me diz e então sem que possa evitar ele me beija, é só um roçar de lábios, mas faz meu coração disparar, depois nos afastamos – vem vou com você até lá, quero saber se posso te deixar lá descansando.
Eu obedeço porque já estou com pena do tanto de preocupação que ando causando a ele, seguimos de mãos dadas até o bloco A.
As pessoas ainda estão tossindo e cuspindo sangue, o cheiro é péssimo e vejo alguns corpos pelo caminho, Daryl usa o lenço no rosto, aperta minha mão, acho que mudou de ideia sobre me deixar aqui.
Com certeza tiveram problemas, chegamos até Hershel, sinto pena de seu ar cansado, ele me sorri, não sei como ainda acha espaço para um sorriso.
─Bob me disse que ficou doente!
─Já estou muito bem, precisa de ajuda?
─Preciso que deite e descanse e que o Daryl recolha os corpos, acho que o Tyresse pode ajudar, vai tomar mais uma dose do remédio e dormir, quando acordar vai estar recuperada.
─Está bem Hershel, detesto que todo mundo manda em mim! Eu reclamo – Vou só ver como o Glenn está, a Sasha eu vi que está com uma cara melhor.
Glenn está deitado, Maggie está com ele, sorrimos uma para outra, seguro a mão dele que dorme muito abatido, nunca imaginei que veria esse coreano tão abatido.
─Ele vai ficar bom! Maggie garante, faço que sim e deixo a cela, sentamos eu e Daryl em uma cela vazia.
─Vou te deixar deitada aqui com a grade fechada, venho te ver logo, só vou recolher os corpos e ajudar nas cercas.
─Ainda não vi a Carol!
─Se eu encontra-la aviso que quer vê-la, agora dorme!
Eu me deito, me enrolo e acabo dormindo antes de Daryl deixar a cela.
Acordo quando o dia estava alto, devo ter dormido por horas sem fim, me sento na cama a grade está fechada, sorrio, me espreguiço e deixo a cela, ajudo uma senhora a se deitar sigo procurando por meus amigos Sasha está de pé, me sorri.
─Foi um susto em? Ela diz e concordo com um movimento de cabeça.
─Vou ver o Glenn! Passo por Lizzie e Luke em uma cela fechados, aceno para eles que me sorriem, acho que as crianças são mais fortes porque nenhuma delas ficou realmente mal.
Depois vou para cima, Maggie está conversando com o Glenn que está acordado, ele me sorri, tenta se sentar, Maggie o impede.
─Fica quieto estou cuidando de você! Ela diz empurrando ele de volta para cama.
─Essa foi por pouco em Glenn? Brinco ele ergue uma sobrancelha.
─O que está fazendo de pé o Daryl não te amarrou na cama?
─Quase, mas ele está ocupado cuidando dos mortos, e eu nem fiquei tão mal, tomei os remédios no caminho para cá, já estou em perfeitas condições.
─Não parece Alice! Maggie me diz e faço uma careta.
─Tão mal assim? Pergunto de má vontade.
─Péssima! Ela diz.
─Vou tomar um banho procurar a Carol e saber da Beth! Maggie desvia o olhar, sinto que algo está errado – Que foi?
─Nada, vai descansar depois nos falamos e vê se não fica por ai, pode se sentir mal.
Concordo apenas por educação e depois deixo o bloco, passo sorrateira em direção ao bloco D, sei que não tem mais ninguém lá que os doentes estão no bloco A e os não doentes presos nos escritórios em outro prédio, então entro em silencio pego roupas e sigo para o banho, depois de um banho frio que Daryl me mataria se soubesse que tomei me sinto ótima, escovo os dentes, penteio os cabelos e faço uma trança, volto para a cela só quero pegar minhas armas e seguir para fora, respirar um pouco e ver se posso ser útil, saia da minha cela quando vejo Rick parado diante de Daryl os dois se olham.
─O que quer me dizer Rick? Daryl pergunta.
─Carol, foi ela quem matou e colocou fogo em Karen e David! Meu coração quase para e me aproximo dos dois que me olham e depois voltam a se encarar.
─Droga, tem certeza?
─Ela me disse, Daryl eu... Eu mandei Carol embora, não podia ficar com ela aqui depois disso.
─Você o que? Ele grita atordoado, eu me encosto na parede sem saber bem o que pensar, no fundo acho que sempre soube que ela faria algo assim.
─Tyresse iria matá-la, viu como ele reagiu!
─Eu podia cuidar disso! Daryl responde furioso, andando de um lado para outro, eu ainda me mantenho encostada na parede, perplexa e triste.
─Ele sabe se virar, estava com um carro suprimentos, combustível e armas, vai sobreviver.
─Pare de agir como se acreditasse nisso! Ele responde, se apoia na grade da escada, me olha e depois encara Rick.
─Preciso contar ao Ty, não sei como ele vai reagir.
Rick avisa e Daryl me olha sério, acho que Rick foi precipitado, mas também acho que Carol não podia ter feito algo assim, poderia ser eu, ou Glenn acho que do modo como ela vinha encarando as coisas teria feito com qualquer um, então não sei bem o que pensar, suspiro cansada.
─Vamos descobrir! Daryl diz pegando a besta – Você... Depois falamos, fica longe de encrenca um pouco! Ele me pede e concordo, recolho minhas armas e sigo ao encontro de Beth, quero falar com ela pela porta, dizer que estou bem e que logo tudo isso acaba e vamos recomeçar.
Chego a sala e bato de leve na porta me sento no chão, escuto os passos de Beth dentro da sala.
─Maggie?
─Sou eu Beth.
─Que bom Alice, então está melhor? Fico com uma saudade dela, de Zack e Carl, das nossas horas jogando cartas e apostando tolices, abro um sorriso melancólico.
─Sim, eu estou muito bem, e a Judy? Deve ser ruim ficar ali, presa com um bebê sem notícias e com medo.
─Aqui em meus braços, está quietinha, como estão as coisas, Carl me disse que as grades cederam?
─Sim, mas já está tudo bem, estão limpando lá fora, soube da Carol?
─Maggie me disse, não sei o que pensar, acho que o Rick fez o certo, mas e você, gostava muito dela, como está sobre isso?
─Bem, Carol está por perto, quando a poeira baixar ela volta, estou apostando nisso.
─Pode ser, viu meu pai?
─Vi, ele parece que foi dar uma volta com a MIchonne, ela foi queimar os corpos e ele foi junto tomar um ar, seu pai pelo que sei foi um herói.
─Eu sabia que ele faria o que fosse preciso, o Tyresse já sabe?
─Deve estar descobrindo agora, Rick e o Tyresse foram contar a ele, mas...
Um estrondo faz todo prédio tremer, me ponho de pé no susto, que merda foi isso? O que está acontecendo?
─Foi uma explosão?
─Acho que sim Beth, melhor pegar a Judy e sair daí, precisamos descobrir o que está acontecendo – Tiro meu martelo da cintura, Beth abre a porta, não quero deixa-la sozinha com o bebê, ela sai e me olha, Judy está na cadeirinha.
─Vamos! Ela diz e seguimos para fora, vejo Beth entregar Judy a Mika, pedir para a menina ficar no bloco com ela, e então corremos todos, vejo a torre pegando fogo, e quando olho para fora um homem está de pé sobre um tanque de guerra, tem carros e homens a sua volta, pisco confusa, quem é esse cara e o que afinal ele quer?
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