Caminhando entre os mortos

53 Capitulo 53 - Indiferença


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capitulo, espero que gostem.

Pov – Daryl

Saímos completamente do nosso plano inicial, perder o carro e dar de cara com aquela horda atrapalhou tudo, agora o que precisamos é seguir em frente, achar um carro e continuar.

A noite cai sobre nós com seu manto negro e assustador, cheia de segredos e perigos, nos deixa lentos e silenciosos, não tem outro jeito é isso que o fim do mundo nos trouxe, Alice caminha calada e por alguma razão com o lenço no rosto, deve ser alguma brincadeira da menininha que se esconde dentro desse corpo perfeito de mulher, esse silencio dela é que está me incomodando, Alice é mulher de palavras, muitas delas, ela preenche o silencio e o tedio com uma infinidade de questões que no momento parecem ter sucumbido ao cansaço e o medo, vez por outra eu olho para ela.

Michonne e Bob caminham lado a lado, Tyresse está cada vez mais introspectivo, não consigo deixar de pensar no quanto ele é forte, eu realmente não sei onde estaria se Alice estivesse no lugar de Karen, nem posso pensar muito sobre isso que já sinto vontade de esmurrar algo.

─Alguém muito cansado ou podemos continuar? Pergunto no início da noite.

─Continuar! Alice diz baixo – Precisamos achar logo um carro.

Tento segurar sua mão, ela se desvencilha, fico em dúvida se foi proposital ou sem querer, Alice está estranha.

─Por que está com esse lenço? Pergunto já cansado daquilo.

─Estou protegendo... a Mich! Ela diz e todos olhamos para ela – É o certo, ela não teve contato com o bloco nem com os doentes, deviam fazer o mesmo.

─Estávamos fechados no carro até agora pouco! Michonne avisa deixando claro que um mísero lenço agora é inútil.

A madrugada se aproxima trazendo uma brisa fria, Alice estremece um pouco e entrego minha jaqueta a ela que aceita sem fazer nenhum comentário.

─Vamos parar um momento! Michonne pede e paramos em formação, escuto o barulho de passos, mais de um com certeza, vindos de direções diferentes, armo a besta, Ty pega seu martelo, Michonne a katana e Bob uma faca, Alice também se prepara a respiração está acelerada, não costumo vê-la com medo, mas parece que está.

Dois zumbis surgem, acerto um com a flecha Michonne pega o outro com a katana, dois vem na direção de Ty, ele sai da formação impaciente acerta os dois e logo mais três se aproximam, Alice acerta seu machado em um, ele fica preso na testa do zumbi, ela empurra o corpo com o pé e solta o machado a tempo de desviar de mais um que Michonne acerta enquanto eu derrubo mais dois, finalmente acaba e respiramos.

Alice se senta no chão, está cansada como se tivesse lutado uma batalha de horas, me aproximo, toco seu ombro e ela logo fica de pé.

─Estou bem! Diz rápido, muito rápido para meu gosto.

Amanhece e encontramos um leito de rio, Alice se lava, bebe água, molha a nuca, os pulsos enquanto Tyresse lava a camisa suja de sangue de zumbi.

Me aproximo de Alice ela sorri, passo seus cabelos para trás da orelha, ela desvia o olhar, me preocupa e movo seu queixo para ela me encarar, quero sondar seus olhos e descobrir que segredos estão me escondendo, me aproximo e mais uma vez ela desvia de mim.

─Onde está a garota que vivia implorando beijos? Tento brincar, seus olho sorriem com certa tristeza.

─Aqui! Ela respondo colocando de volta o lenço – Apenas vamos nos proteger um pouco está bem? Concordo sem muito ânimo e sigo até Michonne precisamos olhar o mapa descobrir onde estamos e decidir para onde seguir, Bob se aproxima de Alice, conversam um pouco, ele passa a mão pela cabeça, faz um ar preocupado ela o segura pela mão, os dois tem uma pequena discussão, depois Alice vem para perto de mim e Bob chama Tyresse para seguirmos em frente.

─O que estava acontecendo ali? Não consigo evitar a pergunta.

─Nada demais! Detesto as evasivas de Alice, mas não acho que seja hora para uma briga, nem acho que podemos nos dar a esse luxo.

Pegamos uma pequena estrada, no meio do caminho achamos uma oficina, um monte de galhos encobria a entrada e talvez escondesse mais alguma coisa, que seja um carro é só o que peço.

Realmente um carro está sob os galhos, retiramos tudo e entro para fazer ligação direta, nada, com certeza vamos precisar de baterias novas.

─Vamos limpar um pouco a entrada e sejam cuidadosos não sabemos o que tem ai atrás.

─Eu vou só me sentar um pouco! Alice se senta no chão alguns metros à nossa frente, a respiração mais uma vez acelerada, então ela se deita e tudo faz sentido.

─Está doente? Grito quando me aproximo, ela me olha sem se mexer do lugar, noto as olheiras profundas e o ar abatido – Responde Alice, ficou doente e não disse nada?

─Pode gritar baixo! Ela pede e só me deixa mais furioso, olho em volto, todos me encaravam, inclusive Bob.

─Sabia disso? Interrogo o imbecil, era isso que discutiam, ele sabia e não disse nada.

─Percebi, pedi que contasse, podíamos ter arrumado um lugar seguro, vocês dois podiam esperar até que fossemos a faculdade, mas ela recusou!

─Deixou que ela mesmo doente tomasse a maldita decisão que devia ser sua? Minha ira se volta para Bob, ele não diz nada, apenas me olha.

Então Alice toca meu ombro me viro e lá está a mulher que amo, os olhos fundos a respiração alterada e um ar cansado, se essa merda de doença acha que pode me tirar o que nem o apocalipse conseguiu está enganada.

─Bob não tem culpa, não queria dizer por que temos que completar a missão.

─Missão? Eu ando de um lado para outro, feito bicho enjaulado, é como me sinto, preso nessa merda de apocalipse que coloca tudo que amo em risco – Manter você viva é minha missão, não podia ter vindo! Não é boa ideia gritar, eu sei, apenas não consigo me controlar e a culpa é completamente dela.

─Eu não sabia que estava doente, descobri ontem à noite!

─Ontem, caminhou uma maldita noite inteira?

─Daryl podemos apenas...

─Não, não podemos nada! Eu respondo ainda caminhando de um lado para outro – Tinha que estar no isolamento, recebendo os cuidados do doutor S, em segurança, não aqui, correndo risco, gastando energia!

─Eu não quero, nunca ficaria naquele maldito isolamento, eu não vou morrer deitada choramingando! Ela me diz agora chorando – Se tiver que morrer que seja assim, respirando, lutando contra essa merda, salvando a porra da vida de alguém, o que acha que o doutor poderia fazer por mim? Ela grita comigo – Ele estava morrendo quando fui até lá, todos estavam.

─Foi até lá? Agora ela passou de todos os limites – Teve a coragem de entrar lá?

─Tive, e faria de novo, ele me expulsou, mas queria ajudar, essa droga toda que fazemos, correr e correr, matar zumbis e buscar comida de que serve tudo isso se não for para salvar alguém, não vê que só andamos em círculos, que qualquer caminho nos leva ao mesmo lugar?

─Alice...

─Vamos morrer Daryl, eu, você, aqueles doentes, as crianças! Ela seca as lágrimas mas é inútil elas voltam a cair – Todos os caminhos levam a morte e tudo bem, eu não ligo, desde que esteja de pé e desde que esteja com você eu não me importo, mas não me peça para deitar e esperar porque não posso, é minha natureza.

Alice começa a tossir, dou um passo para ela que ergue a mão me impedindo, Bob se aproxima com uma garrafa de água.

─Tome uns goles de água, respire e se acalme, está indo bem! Bob diz entregando a garrafa, Alice dá uns goles na água, parece se acalmar a tosse passa.

─Desculpe! Ela me diz ainda chorando, não acho que ela seja culpada, mas isso não diminui a minha raiva.

─Deita um pouco! Digo sério – Vamos achar logo essa bateria e sair daqui! Dou as costas a Alice por que só quero toma-la nos braços e arrancar dela essa droga de doença, se não posso fazer isso então não sirvo para nada.

Me junto aos outros, começamos a tirar as folhas, agora estou mais cuidadoso ainda, mas Ty quer problemas, está caçando um modo de descontar sua raiva e vai arrancando as folhas sem medo do que vem depois.

No meio da confusão zumbis começam a surgir de dentro dos galhos, deviam estar dentro da loja, Ty luta com um, os dois caem, eu puxo o corpo e Bob dispara em sua cabeça.

─Que merda de confusão! Alice reclama de pé ao meu lado com o machado na mão.

─Deita Alice! Eu exijo.

─Já disse que não vou morrer deitada!

─Você não vai morrer idiota! Eu grito mais uma vez – Vem comigo Bob, Ty e Michonne vão liberando o carro e você... – Dou um passo até ela que se afasta – Não se afaste de mim! Digo num tom mais duro do que pretendia, não suporto que me rejeite por qualquer que seja o motivo – Deita um pouco Alice, tem muito pela frente ainda, por favor! Toco seu rosto, ela não se esquiva.

─Vai Daryl eu vou ficar bem! Ela se senta e entro com Bob na oficina.

Enquanto caminhamos me dou conta que os caras tentaram sair juntos, com certeza se mataram, bando de idiotas, detesto quem desiste, para mim é inaceitável, Bob discorda, acha que as pessoas podem escolher.

─Por isso não me avisou que Alice está doente?

─Fiz porque ela me pediu e a vida ainda é dela, são poucas as escolhas que ainda temos, quis respeitar isso.

─Alice é voluntariosa! Eu digo e Bob ri – O que foi? Pergunto quando finalmente acho a bateria.

─Alice não é voluntariosa, ela é teimosa, casca grossa e o par perfeito para você, ninguém manda em Alice, ninguém nunca tem controle sobre ela, mas voluntariosa é adjetivo de quem quer abrandar a verdade.

─Certo! Admito, ele não tinha muito o que fazer mesmo, Alice só faz o que quer, recolhemos tudo e deixamos o lugar, Alice está sentada com Ty e Mich, sorri quando me vê, tão linda, vou para perto do carro, não devolvo o sorriso por que ainda estou furioso e não vai ser fácil deixar de ficar.

A fúria vem do medo de perde-la e mesmo sabendo que não devia trata-la assim justo agora não consigo ser diferente, mas esse sou eu e ela me conhece.

Bob me fala sobre o grupo antigo, me conta a culpa que sente sobre a morte de Zack, besteira, se formos carregar todo esse peso então o melhor é mesmo desistir.

Ensino como ligar os fios quando finalmente meu trabalho está terminado, o motor ronca e me sinto tão aliviado que poderia agradecer a Deus se acreditasse nele.

─Vamos? Digo me aproximando de Alice, ela me olha abatida.

─Está falando comigo?

─Já disse que essa coisa de ficar de mal não é para adultos!

─Não estou muito adulta hoje?

─Já esteve alguma vez? Estendo a mão para ajudá-la a ficar de pé, ela me olha pensativa – Deixa de ser boba! Com um suspiro resignado me estende a mão e eu a coloco de pé, abraço Alice, no começo ela fica imóvel, depois corresponde, se aperta a mim um instante, mas então se afasta.

─Vamos de uma vez! Não é preciso olhar para ela para saber que está chorando.

Seguimos viagem, Alice adormece no banco ao meu lado, estamos com as janelas abertas, ela usa o lenço, sua um pouco na testa, dirijo o tempo todo tenso, olho para ela a cada cinco segundos, Alice não pode morrer, quando chegarmos lá vamos encontrar os remédios e Bob vai medica-la, antes de chegarmos de volta Alice vai estar recuperada.

Preciso acreditar nisso, é a única maneira de não me entregar, então ela tem uma crise de tosse, acorda e se senta, toma mais uns goles de água, limpa o suor.

Bob pega um pano, umedece e entrega a ela que coloca na testa e volta a se recostar no banco.

─Morrer cansa! Ela resmunga.

─Cala boca Alice! Dizemos eu e Michonne juntos, ela ri, só Alice aliás, mais ninguém acha graça.

─Humor é sinal de inteligência sabiam? Ninguém responde – Me ignorem então! Ela diz voltando a ficar em silencio, pego sua mão trago para mim e beijo, nem me importo que estamos na frente de todos, ela sorri sem abrir os olhos e então finalmente avisto a tal faculdade.

─Talvez seja bom você ficar no carro, quem sabe a Mich...

─Nem pensar, não sabemos o que tem ai dentro, nada de separação, ainda posso andar e quase nem tenho febre, vamos todos ficar juntos.

A febre está alta, por mais que tente me enganar, a piora é tão visível e rápida que está me deixando apavorado.

─Ela está certa, podemos proteger melhor Alice se estivermos juntos! Michonne concorda e acabo aceitando.

O carro pode ser cercado, coisas podem acontecer lá dentro, termos que achar uma nova rota de fuga, é melhor garantir que esteja ao meu lado, não sei se mais alguém morreria por ela como eu.

Achar o prédio é razoavelmente fácil, o que não me deixa menos preocupado, vejo Alice se esforçando para não tossir, ela fica entre mim e Michonne, o tempo todo segura seu machado firme, vejo os nós dos dedos dela ficarem brancos, eu sei que ela está fraca demais para uma luta corporal com um zumbi, mas mesmo assim é bom manter a arma em punho.

Achamos a farmácia, Hershel desenhou direitinho, começamos a recolher tudo que está na lista, só quero que Bob prepare logo alguma coisa para Alice, enchemos as mochilas, é uma lista grande e felizmente conseguimos tudo.

─Pegaram tudo? Pergunto me aproximando de Bob e Michonne, eles confirmam – Então vamos! Chamo e me viro para olhar Alice.

Alice está encostada numa das grandes mesas, segura firme na madeira, os olhos estão fechados e ela procura manter a respiração.

─Está ficando difícil! Ela diz quando a amparo – Daryl eu...

Alice fraqueja, está com o lábio completamente branco, molhada de suor e agora queima de febre, passo o braço por sua cintura.

─Vem eu carrego você!

─Não, precisa estar pronto para lutar, eu consigo andar! Ela diz e detesto ter que concordar com ela – Sinto muito! Ela diz com os olhos marejados – Amor eu... se não der tempo, preciso...

─Não faz isso Alice, não se despede, vamos embora daqui! Sinto uma raiva que não sentia a muito tempo, é de novo aquele ódio que tinha do mundo, que me afastava das pessoas e me deixava sempre sozinho.

Começamos a caminhar para fora, pegamos um corredor e então um grupo de zumbis surgem em uma sala, passamos apressados e silenciosos pelo corredor, mas somos seguidos por eles, entramos em uma sala, Alice anda com dificuldade, mas ainda está consciente e atenta, a sala está escura, a porta quebrada, achamos outra saída, mas zumbis tentam passar, é um empasse.

─Vamos de uma vez, Alice não pode esperar! Arrombo a corrente e três zumbis invadem a sala enquanto outros vindos do corredor se aproximam derrubamos todos e seguimos pelo corredor, os zumbis nos seguem todos infectados pelo vírus que agora sim ameaça me tirar tudo que tenho, não vou deixar isso acontecer com ela, subimos uma escada e ficamos encurralados.

─A janela! Eu digo quebrando o vidro, saltamos todos para o outro lado, um pequeno telhado que provavelmente formava um corredor coberto para os jovens estudantes.

Alice se senta no chão, então Mich e Ty estão gritando com Bob que tem sua mochila presa pelos zumbis lá em baixo, corremos todos porque ele não desiste dela.

─Solta Bob! Eu peço e então a mochila voa cai próxima de Alice e quando chego perto uma garrafa se insinuava para fora, fico lívido, minha Alice está ardendo em febre, corremos sem descanso em busca de uma chance para ela e os outros e tudo que ele carrega é uma garrafa?

─É só isso que está levando? Pergunto me aproximando dele – Uma maldita garrafa?

Bob fica me encarando, devia sentir pena de sua fraqueza, em outro momento talvez eu sentisse, mas agora não consigo, não com a vida de Alice em risco.

Ameaço jogar a garrafa, ele põe a mão na arma, faz por puro instinto, meu sangue ferve, pego Bob pelo colarinho se pudesse eu o atiraria aos zumbis abaixo de nós, mas não posso, preciso de Bob e de qualquer modo nunca faria algo assim.

─Você devia ter continuado andando naquele dia! Ele baixa o olhar, entrego a garrafa a ele, indeciso sobre o que fazer, então a tosse de Alice me desperta e corro até ela, a crise é a maior que já teve, ela luta buscando ar, estremece, e engasga então tem um espasmo expele sangue, continua tossindo.

─Alice! Grito assustado, me ajoelho ao seu lado – Bob! Grito desesperado – Bob faz alguma coisa! Imploro, ele corre até mim, se ajoelha também.

─Calma Alice, não pode ficar ansiosa, respira! Pede a ele que faz sinal demonstrando que está melhor, uso o lenço em seu pescoço para limpar o sangue no queixo – Só temo que cuidar para ela não engasgar e nem deixar de respirar, vamos para o carro.

─Está melhor? Eu pergunto a ela, que apenas afirma – Ty me ajuda a descer com ela.

Ty salta primeiro precisa derrubar um zumbi, então Michonne e Bob descem eu entrego Alice para Tyresse e depois desço, seguimos para o carro, agora eles vão me dando cobertura enquanto a carrego em meus braços, ela tem dificuldade de ficar de olhos abertos, coloco Alice no banco enquanto Bob apressado remexia nos remédios, Alice respirava fracamente, estava esgotada e completamente abatida, acho que usou todas as forças para conseguirmos e então se rendeu quando se deu conta que estávamos com os remédios que podíamos finalmente voltar para casa.

─Vai ficar tudo bem meu amor, não desiste por favor!

─Indiferença! Ela me diz – Indiferença! Repete e então engole com dificuldade, puxa o ar, se esforça para falar.

─Não precisa falar apenas descanse.

─Indiferença Daryl, não sei viver assim, eu tenho lutado contra isso, por isso fui até o doutor, está sempre dizendo que nunca mudo, que todos mudam menos eu mas não quero, não quero ficar indiferente!

─Eu sei Alice, não se preocupe eu sei que não pode.

─A pessoa que matou Karen e... E David, ela achou – Alice tem dificuldade para falar, aperta minha mão com o que resta de suas forças – A pessoa que fez isso achou que estava fazendo o certo, protegendo o grupo, mas não isso é indiferença, não quero perder minha esperança, minha humanidade, não quero o bem maior, quero cada vida, com a mesma força, não posso ser diferente e por isso fui ao isolamento, precisava ir, desculpe.

─Não precisa me explicar nada! Mas ela insiste em falar.

─Preciso, não quero fingir que não é culpa minha, eu fui até lá, mas precisava ajudar, me perdoa.

─Eu não tenho nada para perdoar! Ela fica de olhos fechados a respiração ainda acelerada, Bob está demorando com essa mistura, penso olhando para ele e Ty um pouco mais a frente, Michonne está do meu lado, nem quero imaginar por que, ninguém vai tocar nela, absolutamente ninguém.

Ela tem outra crise de tosse, Bob então se aproxima do carro, oferece a ela uma dose de qualquer coisa que tenha preparado.

─Talvez não tenha calculado direito, nem preparado como devia, mas é apenas até chegarmos a prisão, Bebe Alice.

Alice obedece, depois mais uma vez se recosta em mim, eu a envolvo e todos me olham tensos.

─De agora em diante vou ficar Daryl, não preciso mais caçar ninguém! Michonne me diz – Pode cuidar da Alice, eu vou estar por perto para ajudar com o que for preciso!

Isso é bom, não tenho forças para resolver as coisas que vem pela frente, não sei o que vamos encontrar na prisão e preciso de Michonne por perto, aceno em gratidão, ela agora dirige com Ty a seu lado, vou atrás com Alice e Bob, quero ele bem perto para o caso de ela precisar de alguma coisa, serão quatro a cinco horas de viagem, se tudo der certo chegamos à noite na prisão.

─Ficar de olhos fechados me faz sentir segura! Ela me diz – Parece que estou onde devia estar.

─E onde devia estar?

─No mundo dos vivos! Ela tem outra crise de tosse, expele de novo algumas gotas de sangue, mas dessa vez Bob está preparado, tem o que ele chama de aspirador para intubá-la caso seja preciso e remédios, não vou perder Alice.

Fico calado observando Alice, minha cabeça cheia de serpentes, investigando meus crimes em busca de perdão, não sei se mereço, o cara egoísta, grosseiro, distante, o briguento perdido e sem futuro, o pessimista arrogante que nunca acreditou em nada, estou sendo punido, não quero que seja assim dessa vez.

Preciso me perdoar dessa vez porque quero que seja diferente, não quero mais perder, não dessa vez, dessa vez vou ter fé e fazer diferente, eu posso mudar, eu mudei por ela.

Trago Alice adormecida para mais perto, ainda tem tanta estrada pela frente, ainda tem tantos perigos pelo caminho.

Notas finais
E então o que acharam? Aguardo a opinião de vocês. Beijos