Caminhando entre os mortos

38 Capitulo 38 - Cafuné


Notas iniciais
Olá pessoas, desculpe meu atraso, tive problemas com meu PC, então o capítulo ficou atrasado, mas aqui está, espero que gostem, os sanguinários mais uma vez me desculpem esse está romantico! E queria oferecer esse capitulo a Bonnie Chan, pela delicada recomendação, foi lindo, obrigada. beijos

Pov – Alice

−Vai nevar para sempre, é isso? Eu reclamo fechando meu casaco, detesto ficar aqui, olhando para os mortos de vigia de coisa nenhuma, o tempo custa a passar, principalmente com Daryl de cara fechada sem querer conversar.

−Já deve estar terminando!

−Acha? Ele faz que sim, volta sua atenção para as grades – Não sei como isso pode ser, só neva e neva dia e noite, a uma semana!

−Não gosta de neve? Achei que adorava!

−Gosto, ou gostava antes do apocalipse, agora não sei mais se é bom, fico pensando que tem pessoas nas ruas, além de não podermos sair, acha que temos suprimentos o bastante?

−Acho que sim, falei com a Sasha e a Carol, elas acreditam que dura até a nevasca passar.

−Carol está bem melhor, ela me disse que a mão está quase curada! Eu digo mudando a arma de mão, mecho os dedos, me encolho um pouco.

−Está morrendo de frio, entre eu fico, logo Tyresse vem nos substituir.

−Quero ficar com você! Ele sorri, aperta meu nariz gelado e provavelmente vermelho.

−Está triste hoje! Eu constato, ele dá de ombros.

−Apenas cansado, me sentindo preso.

−Porque será? Eu brinco – Quer sair eu sei, também me sinto um pouco presa.

−Mas no seu caso é melhor ficar presa, solta só se mete em confusão.

Ele ensaia um sorriso, depois se distrai com as grades, nada se move do lado de fora, nem mesmo os mortos, uma chatice.

−Vive me acusando de me meter em encrenca, mas não sou eu que provoco, quando vejo a confusão já me alcançou.

−Se não te conhecesse.

Mostro a língua para ele, Maggie vem em nossa direção, está encolhida por conta do frio, esfrega as mãos uma na outra.

−Vai nevar para sempre é isso? Ela diz me arrancando uma gargalhada.

−Acabo de dizer isso! Eu brinco – O que vai fazer agora?

−Esse frio e esse tédio todo, só me resta ficar com o Glenn, um esquenta o outro! Ela pisca sorrindo – E você?

−Guarda do portão, parece que é para sempre! Eu reclamo.

−Já disse que pode entrar! Daryl diz sem nos olhar.

−O que você tem hoje? Eu me canso e pergunto, Maggie me olha surpresa, ele continua olhando para fora da prisão, me ignora – Daryl? Eu insisto.

−Falamos depois! Maggie diz se afastando, Daryl me olha pensativo, fica silencioso.

−O que você tem, o que o preocupa tanto?

−Nada demais, as preocupações de sempre, os mortos caminhando, as grades, comida.

−Não é o que parece, tenho impressão que tem outra coisa, fiz mais alguma coisa que te irritou?

−Como assim mais alguma coisa? Ele pergunta rindo.

−Sempre faço algo que te irrita! Respondo mudando a arma de mão mais uma vez, ele tira a arma da minha mão.

−Chega Alice, eu cuido disso, vá se aquecer!

−Se prefere fugir de uma conversa por mim tudo bem! Dou as costas a ele, há uma semana ele estava todo preocupado por conta dos acontecimentos com Theresa, agora, parece distante e pensativo.

Entro no bloco de celas e sigo direto para minha cela, foi muito bom sempre ter mantido aquele lugar, ele que se dane, é um grosseirão, idiota e mal-humorado e não ligo a mínima se não quer conversar comigo, me deito na cama e fico quieta, os pensamentos longe, revendo todos os momentos buscando algum fato que me explicasse o comportamento estranho dele nos últimos dias.

Daryl está estranho por algum motivo, é obvio que fui eu a causa, sempre sou, mas não me lembro de nada diferente do normal, nenhuma conversa especial ou coisa do gênero.

Falamos sobre a prisão, nossa vida, o dia a dia, o casamento de Glenn e Maggie, ele morre de medo de eu achar que somos um casal como eles, é só tocar nesse assunto e ele já fica todo tenso, pensa que não percebo, que idiota, ridículo, que se dane, eu que não vou ficar correndo atrás dele.

Nem que fosse o último homem da terra.

−É quase como se fosse! Eu digo em voz alta, depois suspiro abatida e me encolho na cama – Babaca!

Mais de uma hora se passa, então Daryl aparece na porta, se encosta no batente, cruza os braços no peito e me encara, finjo não notar.

−Por que está aqui? Ele finalmente pergunta.

−Fez tanta questão de se ver livre de mim, achei melhor não ir para sua casa.

−Minha? Ele pergunta irritado.

−Na verdade a prisão pertence ao estado da Geórgia! Eu já estou começando a me irritar — Ou era, acho que não existe mais estado, de qualquer modo.

−Quanta ironia! Ele diz muito mais irônico que eu.

−O que quer Daryl? Eu me levanto, fico de frente com ele – O que espera de mim, está com medo é isso, quer se livrar de mim e não sabe como?

−Eu sempre soube que tinha um certo atraso mental, mas hoje está demais! Ele reclama, depois pega minha mão – Vamos! Tenta me puxar, continuo imóvel.

−As coisas não são assim, eu não posso viver desse jeito, as coisas para mim tem que ser claras!

−O que diabos quer esclarecer? Ele grita, me deixa bem irritada.

−Está estranho comigo, ficou me mandando entrar como se não quisesse minha presença.

−Estava cuidando de você sua ridícula, porque diabos iria querer me ver livre de você?

Eu não devia dizer, de modo algum devia tocar nesse assunto, mas nunca faço o que devo, então vou logo dizer a verdade.

−Deve estar morrendo de medo de eu pedir você em casamento!

−O que? Ele me olha surpreso.

−Isso mesmo, toda vez que o casamento de Glenn e Maggie é pauta você fica estranho, e o pior é que é sempre você que puxa esse assunto, não eu.

Daryl fica paralisado na minha frente, mudo, me olhando sem dizer nada, me deixa tensa e curiosa, detesto quando não sei o que está passando por aquela cabeça grande e oca!

−Perdeu a língua?

−Vai começar a agir como se tivesse cinco anos?

−Vai mudar de assunto? Eu rebato, ele suspira cansado.

Passo por ele em direção a porta, vejo o olhar incrédulo de Daryl, pro inferno, se não quer conversar que me deixe em paz, sigo para o refeitório e depois sumo para o bloco D, encontro Carol saindo do bloco.

−O que veio fazer aqui? Ela pergunta estranhando meu ar perdido.

−Não sei, só queria mesmo fugir! Eu respondo impaciente, Carol pega minha mão e me puxa para sentar com ela.

Nos sentamos em uma mesa afastada, o refeitório do bloco d está absolutamente vazio, ela tem um sorriso indecifrável, acho que na verdade sou eu que não estou conseguindo ler ninguém.

−O que ele fez? Ela me pergunta – Ou você, no caso de vocês nunca tem um inocente.

−Obrigada! Digo irritada.

−Vamos Alice me diga, o que aconteceu? Eu reviro os olhos, não vou conseguir guardar segredo mesmo, Emma sempre dizia que eu tinha boca grande.

−Você gosta mais dele que de mim, vai ficar do lado dele! Ela ri com gosto.

−Justamente por realmente gostar mais dele que quero ajudar, seja justa, me conte os fatos e eu decido de que lado fico! Suspiro agoniada, ela tem razão.

−O Daryl está muito estranho comigo, volta e meia o relacionamento da Maggie e do Glenn vem à tona, essa história de que agora são casados, na verdade é sempre ele que fala nisso, fica todo estranho, já falei que não quero nada, não cobro nada dele.

−Ele que puxa o assunto? Ela pergunta sorrindo.

−É e fica todo sério, me estudando, testando minhas reações.

−E não entendeu ainda? Carol aperta minha mão.

−O que?

−Talvez Daryl queira estabelecer um relacionamento mais sério.

−O que pode ser mais sério do que meu amor por ele?

−Homens são diferentes, já pensou que ele pode simplesmente ter medo de perder você?

−Que ridículo, ele é tudo que me importa, nunca saberia viver sem ele, amo o Daryl, custei a aceitar, depois demorei a ter coragem de dizer e quando disse era porque não suportava mais ficar sem ele, dizer foi como selar nossa união.

−Para você que é toda moderninha, nem parece que nasceu na Virginia! Carol ride mim.

−Eu sei, ele tem esse jeito sulista, todo antiquado!

−Exato, o mundo pode não ser mais como era antes, mas isso não altera as convicções dele, talvez Daryl queira assumir um compromisso e não sabe como.

Eu fico pensativa, encarando a mesa a minha frente, encosto a testa no metal gelado de novo, adoro fazer isso, escuto a risada da Carol, mas estou de olhos fechados, tentando organizar as ideias.

−Vou te deixar ai, nessa posição ridícula pensando em tudo, depois falamos, pense antes de brigar com ele.

−Chata! Digo em voz alta quando escuto seus passo pelo refeitório, ainda ouço sua risada antes de me sentir realmente sozinha, dou um braço como ela está indo falar com ele.

Me deixo apenas ficar ali, mais uma vez repassando as conversar que tivemos, tentando ver alguma coerência nas palavras de Carol, se é isso porque não me pede? Eu ficaria tão feliz, não me importo com rótulos, mas isso não significa que não quero um pedido.

−Droga! Reclamo comigo mesma – Agora eu que vou ter que ir atrás daquele cabeça dura?

−Ou pode esperar o cabeça dura vir atrás de você! Daryl me diz fazendo meu coração saltar, ergo a cabeça e ele está parado logo ao meu lado, fico um segundo hipnotizada, pisco tentando me situar, ele é tão perfeito, perfeito para mim, cada detalhe dele, o modo como é, como pensa, as coisas malucas que me faz dizer e fazer – Que foi? Ele sorri ao notar minha completa tensão.

−Nada! Digo rápido – Já estava indo atrás de você, vim me acalmar um pouco.

−Não precisa se explicar.

−Eu não estou me explicando! Digo muito na defensiva – Eu só estou comentando, não preciso me explicar, falo o que quiser!

−Quando fizer seis anos vou dar um vestidinho novo para sua boneca!

−Quando fizer cento e um te dou uma bengala! Rebato ficando de pé, era para deixa-lo bravo, mas só consigo que Daryl ria alto da minha cara.

−Vem maluca, vamos conversar em casa! Eu o sigo obediente.

Passamos pelo pátio, os zumbis se espremendo nas grades, agora menos espalhados que antigamente, por algum motivo eles ficam sempre juntos, isso fica cada vez mais claro.

−Você me faz esquecer o apocalipse! Ele diz e eu sorrio feliz – Não é um elogio, o que digo é que me deixa tão irritado que nem me dou conta de que os zumbis são nosso real problema!

Fecho a cara, adoraria mostrar a língua para ele, dar um beliscão ou dizer um belo e libertador palavrão, mas ele vai reforçar a ideia do vestidinho de boneca e como não quero ser acusada de infantil me calo.

Chegamos em nossa cela, não sei que tipo de conversa vamos ter, me dá um pouco de medo pensar nisso, fico um tanto confusa, meio tímida pela primeira vez, meus olhos correm pelo ambiente e vejo minha lanterna, ela me lembra tantas coisas, tantos momentos delicados e marcantes, sigo até ela, acendo e apago, repito o gesto, uma, duas, três vezes, então ergo meu olhar e quando o encaro, Daryl tinha um belo sorriso, amplo e honesto, desses que ele dá sem aviso e que me deixam sempre de pernas bambas.

−Boas recordações! Ele me diz sem desfazer o sorriso – Me deixava tão tonto e confuso, com tanto medo.

−Medo? Eu pergunto.

−Sim, muito, não sabia lidar com você, com tudo que provocava em mim, tinha medo de você ir embora, de você ficar.

−Comigo não é diferente, mas o fato é que você, o desafio de decifrar você, o que me provocava e ainda provoca, foi isso que me manteve de pé quando nada mais restou, o que quer que aconteça aqui, eu preciso te agradecer por isso.

Minha voz embarga um pouco, não sei se posso sobreviver a uma rejeição, de todo modo preciso deixar que ele faça o que for melhor para ele.

−O que quer que aconteça aqui? Ele franze a testa – O que acha que vai acontecer?

Fico muda, dou de ombros, desvio meu olhar com medo de que Daryl note minha tristeza, ele dá um passo em minha direção, me obriga a olhar para ele, afasta com cuidado meus cabelos do rosto, coloca atrás da orelha.

−Eu amo você Alice, nada mudou.

−Não sei se posso acreditar, está diferente, me deixa assustada e insegura, não gosto de me sentir assim, os mortos estão lá fora, eles querem nossa carne, não resta muito para nenhum de nós, então quando as coisas ficam assim entre nós fico com medo.

−Acho que está indo longe demais com isso, não brigamos nem nada.

−Então o que está acontecendo?

−Se lembra quando foi que te disse pela primeira vez que eu te amo?

−Claro, gritou na frente de todo mundo!

−Vê, é difícil para mim, eu só disse no meio de uma crise dessas que só você pode provocar, por que sim Alice, você é uma hecatombe e me deixa maluco e sem rumo, e isso me assusta e me prende e então eu fico assim todo confuso e não sei como lidar com o que sinto.

−Queria tanto saber onde quer chegar! Eu digo entre ansiosa e emocionada, meu coração bate alucinado, Daryl nunca esteve tão romântico e não sei como responder a isso.

−O mundo realmente acabou, mas eu amo você e mesmo sem casamento, sem essa coisa oficial você sabe, bom, eu pensei que talvez, quem sabe, eu e você, sobre o cafuné...

Meu Deus do céu o que deu nesse homem, eu realmente não estou conseguindo acompanhar a linha de raciocínio dele, achei que ele estava falando sobre casamento e então do nada estamos falando do meu insistente pedido de cafuné?

−Cafuné? Pergunto surpresa – Do que estamos falando?

−Que se quer mesmo um cafuné eu sei como conseguir! Ele me diz com um sorriso lindo e tímido no rosto, os olhos brilhando, fico ali olhando para ele sem conseguir formular uma frase que seja – Não quer saber o que tem que fazer?

−Ahm? Pergunto sem conseguir desgrudar meus olhos dele – Cafuné, sei, o que tenho que fazer.

Ele engole em seco, passa a mão pelo cabelo, as palavras travam um pouco, quase me faz rir do quanto o que quer que ele tenha para me dizer é difícil de ser dito.

−Quero que seja minha para sempre, casa comigo e nunca mais me recuso a fazer cafuné em você!

Notas finais
Espero que tenham gostado, é hoje que TWD está de volta, muito feliz, não vejo a hora. beijos