Caminhando entre os mortos

7 Capítulo 7 - Passeio de moto


Notas iniciais
Olá pessoas, esse capítulo era para amanhã, mas como vou ter um dia mega corrido como todos eu acho aqui está, espero que gostem.

Pov – Daryl

Essa garota surgiu com uma única função, me deixar maluco, nada além disso, o tempo todo ela me desafia e confunde, e só consigo responder aos estímulos, como se estivesse preso a ela.

De manhã aquela briga ridícula por conta da moto, claro que achei legal ela gostar de motos, mas daí a deixa-la sair por ai com ela é uma outra história, e depois de passar o dia na rua pensando nela chego e lá está a garota, linda com aquela cara de anjo, deitada na minha cama me esperando, isso não pode estar certo, eu sou forte, mas tudo tem limite e ela está testando todos os meus.

Depois simplesmente fala sobre cortinas, é uma garota eu sei, e garotas pensam nessas coisas, acho que pensam nessas coisas mesmo depois do fim do mundo, convivo com Maggie e Beth eu sei como é isso, mas estávamos brigando ou para ela aquilo é só diversão? Não que seja ruim, até que é bom, ela me irrita um pouco, mas me faz rir também.

Alice me confundi tanto que quando vi, estava prometendo leva-la para fazer o maldito passeio que ela tanto quer fazer, sim porque é isso que ela quer, dar uma volta lá fora como se fosse primavera em Paris.

Eu como sozinho, vejo que ela conversa um pouco com Maggie e depois se distância, come sentada na outra extremidade, sozinha e silenciosa, para mim, ficar sozinho é normal e bom, mas ela é tão cheia de vida e acho que adoraria estar conversando e rindo, ela tem mesmo um sorriso bonito.

Alice some para sua cela e eu fico querendo ir atrás dela, me controlo.

−E então, como estão as coisas com a Alice?

−O que? Carol vai mesmo continuar com isso.

−Vamos me diga, está interessado não está?

−Boa noite Carol! Eu me afasto – O mundo acabou, não sei se percebeu, não tem mais lugar para isso! Ela ergue a sobrancelha e me olha com um ar de riso, aponta Maggie e Glenn.

−E o que me diz dos dois?

−Não costumo dizer nada da vida de ninguém! Eu a deixo, eu não tenho planos de me envolver, tenho passado por isso muito bem sozinho, já tenho mil coisas para me preocupar, uma família inteira que surgiu na minha vida, e que não fazia parte dos meus planos, mas que agora preciso manter inteira, não vou me desconcentrar disso, simplesmente não vou.

Enquanto penso a respeito caminho para a cela dos fundos do corredor, onde guardamos as coisas que costumamos usar quando saímos ou entramos fundo na prisão, lá estão as armas, munição e lanternas.

Pego uma lanterna e subo, isso não é nada demais, a garota não dorme bem e não custa ser gentil às vezes, não é como se eu estivesse abrindo espaço para ela porque não estou.

Paro na porta e Alice está na cama deitada olhando para o teto, acendo a lanterna e foco em seu rosto, ela sorri, isso parece provocar algo em mim, uma coisa estranha que me faz sorrir de volta.

−Você se lembrou! Ela se levanta e caminha até mim, estendo a lanterna, mas ela pega minha mão ao invés da lanterna e me puxa para sua cama, se senta e sem escolha me sento a seu lado – Vamos ver como funciona isso.

Alice acende a lanterna e mira na parede a nossa frente, faz movimentos com ela, e ri como se tivesse cinco anos.

−Daryl! Ela me olha como se tivesse tido uma ideia – Já brincou de contar histórias de terror com apenas a lanterna acesa?

−Não!

−Eu brincava assim quando era criança, minha irmã é muito mais velha e sempre me assustava, depois eu não dormia à noite, mesmo assim adorava.

−Ainda gosta de sentir medo? Não sei porque isso me importa.

−Não sei, conhece alguma história de terror?

−Os mortos se levantarem não basta? Eu rio da careta que ela faz, Alice joga a luz em mim, afasto a lanterna – Parece criança! Resmungo.

−Obrigada! Ela me diz quando seu sorriso some – Agora posso ler até apagar e assim não acordo feia!

−Sabe o que quis dizer, ninguém poderia chama-la de feia sem estar mentindo.

−Acho que me elogiou! Ela sorri me dando um empurrãozinho no braço como se fossemos velhos amigos.

−Nunca! Eu brinco com ela, mas ela é realmente muito bonita, os olhos azuis saltam cheios de vida, a pele é delicada e adoraria saber a textura, não, mas que estou dizendo? Eu me condeno, não quero tocar nela, definitivamente não quero ou quero?

−Que horas vamos sair amanhã? Ela me pergunta agora um tanto preocupada – Não mudou de ideia, mudou?

−Não. Vamos pela manhã, quanto mais cedo menos risco de estarmos fora à noite.

−As noites lá fora são aterrorizantes! Ela comenta, e sei como é, passamos um inverno infernal lá fora.

−Por isso o melhor é ir dormir.

Eu me levanto e caminho para porta, ela continua a brincar com a lanterna.

−Boa noite! Me diz quando eu já saia, apenas aceno.

Mal posso dormir, ela realmente fala sozinha, ouço ela falar com a lanterna com o livro e praguejar algo, ela é maluca de um jeito bom.

Com muito esforço e concentração adormeço.

−Rick, eu vou sair com a Alice, volto logo, vamos de moto e... – Paro de falar quando vejo o sorriso cínico dele – O que?

−Nada! Ele se apressa – Vai nessa!

Alice caminha em minha direção, usa calça jeans botas de cano longo e uma camiseta azul que faz seus olho ficarem ainda mais em evidência, desde quando virei especialista em moda? Me condeno mais uma vez.

−Estou pronta senhor Dixon, aguardando suas ordens, obediente como pode notar! Ela faz uma mesura que faz com que todos nos olhem, reviro os olhos, detesto ser o centro das atenções, mas ela parece não ligar a mínima, nem mesmo sei se percebe isso.

−Nesse caso podemos ir! Me recuso a parecer feliz.

−Sim senhor! Eu caminho na frente, um minuto e ela já me irritou, Alice carrega uma mochila nas costas e apenas uma faca e a pistola.

−Acho que devíamos levar mais uma arma, tem uma Ak...

−Não sei usar essas coisas, já foi bem difícil entender como essa pistola funciona, dei uns trinta tiros e não saiu nada, quando o zumbi estava a uns dois centímetros de mim eu milagrosamente descobri a trava.

Me dá arrepios pensar em algo assim, faço um movimento negativo com a cabeça.

−Vai ter que aprender então! Ela sorri – Rick pode ensinar! Ela faz uma careta.

−Você é bem... – Alice se cala e sei que está se controlando, está com medo de eu desistir.

−Isso, seja uma boa menina, sobe! Eu convido depois de me acomodar, ela sobe e passa os braços em meu peito, e então me dou conta que essa foi uma péssima ideia, estamos perto demais, aquilo vai além de todos os meus limites, Alice em contra partida, parece não se incomodar com a proximidade. Saímos e ganhamos a estrada, queria muito me distrair e parar de pensar em como estamos perto e principalmente no quanto isso é bom, mas não consigo, e depois de uns minutos ela encosta a cabeça em minhas costas e gosto, não posso gostar, mas gosto.

Chegamos ao que parece um vilarejo, deve ter sido um dia um lugar tranquilo onde se podia viver em paz, ela faz um gesto e dobro a direita, já passamos por três zumbis, e um acidente de carro, ela bate no meu ombro.

−Aqui! Me diz e paro a moto, ela desce e pega a faca na mão – É essa aqui! Me mostra uma porta de vidro que está pela metade.

−Agora me escuta, fica sempre perto, não faça nenhuma tolice, vamos entrar e sair, apenas isso.

−Sim senhor! Ela bate continência.

Passo na sua frente, um zumbi vira a rua a dois quarteirões eu noto antes de entrar, empurro a porta e ela range, entro com Alice logo atrás de mim, a besta está em punho, está tudo revirado, quase não se vê remédios, mas tem muitos produtos ortopédicos, devia ser especializada nisso, tem todo tipo de próteses, cadeiras de rodas, macas, dobro um corredor e vemos o que afinal viemos buscar.

−Pega! Eu digo enquanto fazia uma varredura com os olhos.

−Qual? Ela me pergunta.

−Como é que vou saber?

−Eu também não sei? Ela sussurra – E tem um zumbi entrando! Ela me diz e me viro para porta – Dois! Ela continua e então enfia uma das próteses na mochila.

−Três! Eu completo acertando o primeiro com uma flecha, ele cai por cima de uma maca que corre para o lado esbarra numa estante cheia de objetos metálicos que então tomba para o lado num estrondo cinematográfico, coisas voam para todos os lados – Maldição!

−Melhor a gente ir, tem mais uma meia dúzia vindo! Alice anuncia, quando vejo ela estava a uns dois metros de mim olhando por uma janela, um zumbi se aproximava dela.

Miro minha besta mais uma vez, mas ela o derruba com a faca, um bom golpe, sou obrigado a admitir.

−Melhor a gente ir! Eu me aproximo e realmente alguns zumbis caminhavam em direção a loja, estavam a alguns metros da moto, não sei se conseguimos chegar antes deles, e não quero arriscar machucar Alice.

−Droga! Ela diz quando olha para o outro lado e mais três surgiam – Tem uma saída pelos fundos, podemos dar a volta! Ela me diz e eu a puxo pela mão.

−Vamos! Saímos com cuidado pelos fundos, um zumbi arranhava a porta e quando abro ele cai no chão, tenta nos puxar pelos pés.

−Droga! Ela reclama quando tem que puxar a perna presa por ele e se apoia em mim eu a ajudo e estamos na rua – Esse negócio de não falar palavrão está me irritando!

Caminho na frente pelo meio da rua, vejo pela esquina zumbis caminharem para loja esperamos um pouco.

−Eles são tão burrinhos né? Ela comenta apertando meu braço – Ainda bem!

Os zumbis entravam em sucessão na loja e quando resta não mais que dois viramos a rua em direção a moto, eles ainda nos veem subir na moto, alguns se viram, mas agora é tarde para eles, dou partida e saio o mais rápido que posso.

−Me comportei não foi? Ela grita para ser ouvida.

−Sim! Respondo.

−Podemos sair de novo juntos?

−Um dia! Eu respondo e ela se encosta em mim silenciosa, paro no caminho e descemos.

−O que foi? Ela pergunta.

−Quero ver uma coisa, fica perto! Aviso, depois de uns minutos vejo o que vim procurar, uma fazenda depois de uma linha de pinheiros, eu sabia que tinha algo assim por aqui, vi no mapa.

−Vamos! Eu a chamo para voltar.

−Não vamos até lá saber se tem algo interessante?

−De jeito nenhum, vamos voltar como o combinado, eu venho com o grupo um outro dia.

−E eu não! Ela me diz triste caminhando na minha frente, para diante da moto.

−Porque quer tanto fazer parte disso?

−Um mundo de razões, não gosto de ser sustentada, não gosto de ficar presa, quero ajudar vocês e não saber é horrível.

−Não saber o que?

−Eu não vou responder isso! Ela me diz sem me olhar.

−Quando me responder eu penso a respeito! Subo na moto e ela faz o mesmo, voltamos para casa, a tristeza dela parece passar quando desce da moto e corre a procura de Hershel.

Quando os encontro ela está abraçada a ele, Maggie e Beth estão ao lado de mãos dadas e emocionadas.

−Obrigado! Ele diz carinhoso.

−Não fui eu, foi o Daryl, ele que me levou e cuidou de tudo, eu só enfiei a prótese na mochila.

−E matou um zumbi! Eu a lembro, mas gosto de ver que ela é modesta.

Hershel experimenta a prótese, Maggie e Beth o ajudam a treinar um pouco, Alice está sentada na escada do nosso bloco de celas, Carl está a seu lado e os dois sorriam assistindo os primeiros passos de Hershel, como não pensamos nisso antes ainda é um mistério para mim.

−Ele tem um abraço bom né? Ela diz dando um empurrão gentil em Carl a seu lado, o menino olha para ela confuso – Vai me dizer que nunca abraçou ele?

−Acho que não! Carl responde sorrindo.

−Devia, ele tem um abraço muito aconchegante, gosto de abraços.

−Gosta? Carl sorri – Quem sabe um dia te dou um! Ele brinca e ela pisca para ele.

−Sou boa em roubar abraços também! Alice o ameaça – Quem sabe roubo um de você?

Depois Alice sobe para sua cela, me envolvo no trabalho, combino com o grupo uma visita na fazenda na manhã seguinte, não a vejo mais, só quando subo para dormir vejo a lanterna acesa em seu quarto.

Entro em minha cela e no minuto seguinte lá está a lanterna me iluminando.

−Oi! Ela sorri – Só vim agradecer pelo dia, você foi bem legal hoje!

−Beleza! Eu respondo, não estou acostumado a ser bem legal.

−O que vai fazer?

−Dormir!

−Nesse casa vou indo! Ela caminha para porta e se volta – Posso ir...

−Não! Eu nem espero que termine, hoje eu fiquei mais nervoso que todas as outras vezes que sai, não a quero comigo, tive muito medo e não gosto disso.

−Grosso! Ela reclama – Detesto como se acha o dono do mundo!

−Eu não me acho....

Ela não estava mais.

−Garota irritante! Digo bem alto para ela ouvir.

Na manhã seguinte antes de sair eu ainda a vejo me olhar raivosa, mas o que sinto é vontade de rir de como ela parece apenas uma menininha birrenta.

Vamos a fazenda em dois carros, Sasha e Michonne vem conosco, além delas eu, Glenn e Maggie, o casal apaixonado vem no carro comigo e Maggie tem aquela mania de conversar que já me acostumei, na maior parte do tempo me desligo e deixo que fale sem parar, mas dessa vez eu fico atento na conversa por que ela fala sobre Alice.

−Alice foi um amor, meu pai não cabe em si de alegria, ela é muito espontânea, temos muito em comum.

−Rick me disse que ela ajudou muito no dia que saímos, trabalhou pesado sem reclamar, além disso parece bem forte! Glenn continua.

−Nem sei como deve ser perder tudo!

−E crianças, isso é horrível, sempre me lembro de quando entramos na cabana, foi um baque! Glenn comenta, ela me irrita tanto que às vezes me esqueço do que passou, me esqueço do que eu passei, ela tem esse dom, com ela eu me esqueço as coisas ruins a minha volta, algo dentro de mim se remexe de novo, como quando entreguei a lanterna para ela e me sorriu, isso é estranho.

Chegamos a fazenda, entramos com todo cuidado, passamos pelo que um dia foi um pasto, nos fundos da casa um estábulo, vazio é claro, e mais além um chiqueiro, para minha surpresa haviam alguns porcos e ficamos todos apenas olhando tudo, confusos.

−O que querem aqui? Um homem com uma espingarda surge na porta da casa principal, aponta a arma em nossa direção, aponto a besta de volta, e eu e Glenn damos um passo à frente de Maggie, gosto de Sasha e Michonne, mas Maggie é mais que isso, somos irmãos.

−Calma, só viemos dar uma olhada, achamos que estava abandonada! Sasha responde – Está sozinho?

−O que isso importa? Ele resmunga – Saiam daqui agora mesmo!

−Está em perigo aqui, temos um lugar seguro! Sasha continua.

−Eu não quero nada disso!

Uma mulher surge atrás dele, é uma senhora, e caminha com dificuldade, ele se distrai olhando para ela, parece preocupado.

−Quem são eles? Ela pergunta.

−São problema! Ele responde – Entre!

−Queremos ajudar, temos segurança e remédios! Sasha insiste.

A mulher se aproxima do homem e o faz abaixar a arma, nos aproximamos e depois de uma conversa de meia hora eles concordam em nos acompanhar, levamos tudo que tinham e os dois seguem conosco, deram sorte de estarem vivos ainda hoje, sozinhos num lugar aberto como esse é evidente que logo estariam mortos.

Quando finalmente recolhemos tudo e partimos o dia chegava ao fim, chegamos a prisão, descarregamos tudo e Carol surge para acomodar os dois, Hershel vai com ela com a intenção de dar uma olhada nas condições deles, Rick se responsabiliza pelos porcos e fico curioso sobre onde estaria Alice, ela não está no pátio e quando entro nada dela no refeitório subo para minha cela.

Assim que entro eu a vejo deitada mais uma vez na minha cama, ela me vê e sorri, quando me dou conta está me abraçando, me lembro que ela disse que roubava abraços, acabo de ser roubado e isso é bom!

−Achei que estávamos brigados! Eu digo a ela sem a menor ideia de como agir, penso em envolve-la, mas eu fico receoso, não sei muito lidar com isso de carinho.

−E estamos! Ela responde já se afastando.

−Trouxemos porcos! Conto a ela porque não sei muito o que dizer, os olhos dela brilham intensamente.

−Sério, porcos? Faço que sim e no segundo seguinte estou sozinho, Alice corria em direção as escadas.

Quero ignorar isso, me deitar na minha cama e esquecer Alice, mas não resisto a ideia de ver como ela vai reagir aos porcos e quando me dou conta já estou saindo atrás dela, isso é um inferno.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Se não conseguir postar antes do natal desejo a todos um Feliz Natal! Beijos