Caminhando entre os mortos
50 Capítulo 5a - Trinta dias sem acidentes
Notas iniciais
Pov – Alice
Acordo cedo, sempre acordo antes de Daryl, decido ficar quieta esperando ele acordar por que todos os dias ele reclama que eu o esmago, me aconchego nele de olhos fechados, coço o nariz, arrumo os cabelos, enrosco meus pés nos dele, meu braço está desajeitado, me arrumo mais.
─Mas que diabos Alice! Daryl resmunga – Parece que tem formiga na cama!
─Quanta ingratidão matutina! Eu reclamo sem me afastar.
─Ingratidão matutina? Ele se vira para mim.
─Claro! Eu respondo admirada – Acordei e fiquei aqui super quietinha para não te acordar!
─Super quietinha! Ele ri me beijando – No momento que abre os olhos começa a se mexer sem parar, nunca durmo mais que um minuto depois de você!
─Como é que sabe se está dormindo?
─Chega Alice estou com preguiça de brigar logo cedo!
─Velho! Eu o beijo.
─Vamos levantar, daqui a pouco é hora de sair.
─Eu vou até a horta ajudar o Carl!
─Dívida de jogo? Ele me pergunta.
─É essa a ideia que faz de mim, que absurdo! Rimos os dois – Foi uma aposta que perdi!
─Só vive encrencada, nem quero saber o que foi!
─Eu não diria de qualquer modo! Provoco, ele me morde o ombro, depois nos levantamos e vou ao encontro de Carl, a maior parte das pessoas ainda está dormindo, Daryl vai primeiro organizar as armas por que temos uma busca no Big Spot.
─Oi! Digo me aproximando de Carl, ele está debruçado nas cercas dos porcos, seu olhar parece preocupado – Que foi? Pergunto e então olho para Violet deitada num canto – O que aconteceu com a Violet?
─Acabo de dizer ao Carl que não era para terem dado nomes, são comida agora! Rick me diz sério, faço careta olhando para Carl que revira os olhos – Não sei se está doente, se só está descansando – Ele sorri – Melhoras Violet! Ele diz para nos tranquilizar e sorrimos todos.
─Vamos trabalhar! Carl caminha em direção a ração dos porcos.
─Perdeu no jogo de novo Alice? Rick me questiona.
─Mas que merda! Eu reclamo – Jogo muito bem, não perdi no jogo coisa nenhuma! Respondo brava – Foi uma aposta! Digo baixo fazendo cara feia mais uma vez Rick ri alto e sigo para o trabalho.
─Que aposta afinal? Rick pergunta quando o ajudo com as plantas.
─Nada demais, jurava que um personagem dos quadrinhos que estamos lendo morreria, Carl garantiu que não, uma merda perdi, mas estou achando que ele me enganou, acha que ele pode ter lido antes?
─Duvido que meu filho te enganaria assim tão descaradamente só para ter ajuda num trabalho que ele ama tanto fazer! Rick ri muito cínico.
Palhaço, me enganou, não acredito que fui passada para trás por um garoto de treze anos, isso é revoltante.
─Carl seu traíra! Largo meus afazeres e sigo até ele que já ria da minha cara.
─Admita, você faria o mesmo!
Dou um tapa no chapéu dele e sigo para prisão, cara de pau.
Daryl está saindo em direção a cozinha que criamos no pátio, as pessoas ficam cumprimentando ele, agora ele é o senhor Dixon, acho divertido, todos gostam dele e isso deixa Daryl completamente confuso e tímido.
Encontramos com Carol, ela me sorri, assim como eu se diverte com a timidez dele.
─Só para você saber primeiramente eu gostei de você! Ela diz a ele que desvia o olhar tímido.
─Olha lá Carol! Brinco com ela, rimos as duas – Eu tenho um anel! Mostro a mão orgulhosa.
─Ele vai ter que se acostumar com todo esse amor! Carol provoca – trazendo sobreviventes, dando a eles um santuário, comida.
─Parem com isso! Daryl adverte incomodado e tímido, fico louca por ele quando fica assim.
─Preciso te mostrar uma coisa! Carol convida enquanto Daryl se serve de um pedaço de carne num pote, come com a mão, lambe os dedos, ele pode eu não, nunca vou entender isso – Assume aqui Patrick! Carol pede ao garoto que orgulhoso se aproxima agradecendo Daryl pelo cervo que trouxemos nos últimos dias, oferece a mão, para provoca-lo, Daryl lambe todos os dedos antes de estender a mão com um sorriso cínico, o garoto parece não se importar, aperta a mão feliz por ter essa chance, acho graça quando nos afastamos, seguimos com Carol em direção ao pátio da frente, para ver o que ela quer mostrar, roubo um pedaço de carne de Daryl.
─Isso está bom mesmo! Comento.
─Não sei quanto tempo essas grades vão suportar, não sei se podemos poupar essa gente toda de fugir!
─Isso virou um bom lugar para se ir, com mais gente aqui eles estão chegando cada vez mais! Daryl diz olhando um grupo de zumbis nas grades, alguns fazem o serviço nojento de derruba-los com estacas.
─Tem bem mais que o mês passado! Eu os lembro.
─Sinto muito! Carol diz.
─Vamos Alice, temos muito a fazer lá fora, Zack vai conosco!
─Zack? Eu pergunto – Porque?
─Maggie não vai, além disso as pessoas estão ocupadas derrubando zumbis! Ele aponta as grades, te vejo no portão, vou aprontar o carro.
─Certo! Ele me puxa para seus braços, me fazendo parar de andar, me faz olhar para ele, é o homem mais incrível que conheço – Acho que estou meio apaixonada por você hoje! Aviso e ele fica desconsertado.
─É sério, pare de gracinhas, cuidado!
─Você é o homem mais romântico que conheço, estou meio querendo voltar para casa.
─Alice, precisa estar atenta lá fora.
─Eu sei!
─E me obedecer.
─Eu sei! Agora já estou irritada.
─E principalmente...
─Ai chega! Pelo amor de Deus! Resmungo – Toda vez é isso, vou obedece-lo cegamente!
Eu o beijo, ele sorri quando nos afastamos, estamos evoluindo, afinal corresponder a um beijo na frente de todos é algo que o deixa assustado.
Vou buscar minhas coisas e encontro o grupo próximo ao carro, Beth e Zack estão se despedindo.
─Não é lindo? Pergunto, ele revira os olhos.
─Parece novela! Ganha um tapa no ombro, ri do meu reflexo, Beth me deseja sorte e se afasta, então Bob aparece, me abraça e depois encara Sasha, sinto um clima entre eles, bem podia se envolver, é difícil passar por isso sozinho.
─Eu gostaria de começar a pagar pelo meu peso, acho justo.
─Faz apenas uma semana.
Sasha é ainda mais cautelosa que Daryl, fico calada por que não quero me intrometer nessa confusão, se defende-lo Daryl vai ficar com ciúme e isso é um problema que não estou afim de resolver isso.
─Uma semana com teto e comida, preciso fazer por merecer.
─Quando Daryl te trouxe estava sozinho, trabalhamos em grupo, preciso ter certeza que vai estar pronto.
─Já pertenci a grupos! Ele diz e me olha, me traz mais uma vez lembranças dolorosas.
─Então entenda, não fazemos isso a menos que seja fácil! Daryl ameniza e até eu estranho, acho que faz por mim.
─Ok! Sasha se vê vencida.
─Vem maluca, vamos de moto! Daryl me puxa, pulo em seu pescoço e ele se assusta.
─Amo você!
─Eu dirijo! Claro não estava assim tão esperançosa.
─Babaca!
Daryl diminui a velocidade no portão, Michonne estava parada conversando com Rick, é tão bom tê-la de volta.
─É bom te ver! Daryl gosta mesmo dela, acho bonito, não sinto ciúme ou coisa assim, não dela, sei que eles tem uma relação diferente, que dividem um ódio, acho que no fundo Daryl a admira.
─Não o encontrei! Ela avisa, me recosto em Daryl, é como um afago.
─Tudo bem!
─Pensei em procurar em Macon!
─Quilômetros de zumbis e sobreviventes que não sabe o que esperar, acha que vale à pena?
─Vamos ao Big Spot! Aviso a Rick.
─Espero que pense sobre o que falamos! Daryl pede a Rick, ele não gosta de vê-lo se arriscando desarmado na floresta, Rick desconversa, Mich se oferece para seguir conosco, Carl reclama.
─Acaba de chegar!
─E vou voltar!
Michonne entra no carro, então seguimos para estrada, adoro o vento no rosto a sensação de liberdade, não fosse os zumbis que cruzamos vez ou outra pelo caminho nem me lembraria do apocalipse, chegamos a cidade, paramos atentos, pego meu machado, Daryl me olha, seu olhar é um alerta.
─Não vou ficar de refém, eu juro! Aviso antes de seguirmos em frente.
─Nunca conto muito com isso.
Isso é uma bela de uma merda, não sou eu quem procura a encrenca, é ela que vem em minha direção, só faço me defender e tentar sair dessas confusões inteira.
─O exército veio e levantou essas cercas! Daryl diz diante das cercas agora semi destruídas – Fizeram um lugar para onde as pessoas podiam vir, mas semana passada, quando passamos por aqui estava cheio de zumbis.
─Vamos? Sasha convida.
─Fiquem juntos, agarrem o que puderem e não se arrisquem – Seu olhar cai direto sobre mim – Se valer à pena voltamos amanhã com mais pessoas.
Seguimos pelo que um dia foi estacionamento, e parece ter sido transformado em um acampamento, está todo destruído, macas pelo chão, corpos em decomposição, é estranho como isso já não me assombra mais, vamos caminhando por entre as barracas, é deprimente, dá tanta certeza do fim do mundo, agora, aqui tudo só lembra morte, destruição.
Chegamos diante da porta, os vidros largos dão alguma visão do lado de dentro, nada demais, Daryl dá alguns socos nas vidraças para chamar o que quer que esteja lá entro.
─Me deem um minuto! Ele pede.
Zack se encosta a seu lado, os dois se encaram.
─Ok! Zack diz determinado – Já entendi, você ajuda as pessoas, é membro do conselho, mas ainda mantem esse seu jeito assim, vamos dizer grosseiro! Daryl ergue uma sobrancelha, eu prendo o riso.
─Va em frente! Ele pede.
─Você era um tira da homicídios! Explodo numa gargalhada, nunca conversei muito com ele sobre isso, na verdade nem mesmo me importo com o que ele fazia, só o que interessa é quem ele é agora.
─Do que está rindo, ele está certo! Daryl é o pior mentiroso que já vi só mesmo alguém tolo como Zack para acreditar.
─É sério? Ele fica feliz.
─Vamos lá Zack, ele está blefando!
Zack me olho decepcionado.
─Vou continuar tentando!
─Faça isso! Um zumbi surge no vidro e nos posicionamos, Daryl abre a porta, pegamos os zumbis e seguimos para dentro em formação, o luz é fraca e precisamos de atenção total.
Pego um carrinho, ando devagar, olhando em volta, Daryl logo a minha frente sei que está completamente atento aos meus passos, tantas coisas que um dia foram o sonho de consumo da maioria da população, eletrodomésticos, celular, tvs, quanta tolice inútil, será que teria sido diferente se soubéssemos?
Acho que não, no fim teríamos buscado o mesmo, passo pelo setor de bebidas, rezo para que Bob não o encontre, sigo em frente.
Dobro mais um corredor e então escuto um estrando, me viro Daryl já seguia para lá, faço o mesmo, Bob está exatamente onde achei que acabaria, debaixo de uma estante cercado de garrafas quebradas.
─Estou bem, não me machuquei foi apenas meu pé!
─Vamos erguer isso! Daryl pede.
─Estamos n setor de bebidas! Eu grito para avisar os outros enquanto Tyresse e Daryl ajudam Bob, mas antes que possam retira-lo de lá ouvimos um estrondo e então para minha completa surpresa um zumbi surge pendurado pelas tripas.
─Que porra é essa? Digo surpresa sem acreditar no que vejo, um instante depois um zumbi cai.
─Alice! Daryl me grita, já sei que está preocupado comigo.
─Estou atenta! Digo puxando meu martelo.
Mas tudo sempre pode piorar e é claro piora, zumbis começam a cair a nossa volta de todos os lados, Deus não se cansa nunca de nos provocar, acerto um que caminhava para mim, fica tudo uma loucura, uns gritando com os outros, tentando nos reunir para deixar o lugar, acertando zumbis que viravam corredores sem aviso.
Ouço os pedidos de socorro de Bob que ainda está preso, vejo Daryl sobre caixas de bebida cercado por zumbis, esqueço todo o resto tentando chegar até ele, sinto a mão gelada de um zumbi agarrar meu braço e quando me viro sua cabeça voa espirrando sangue para todo lado, então vejo Michonne naquela posição de luta com sua espada ensanguentada, não dá tempo de agradecer, saco a pistola e corro para Daryl, acerto algumas cabeças.
─Vamos! Eu grito e então paralisamos olhando para o teto que começava a ceder, um helicóptero estava pendurado, então essa era a razão da chuva de zumbis –Daryl! Eu grito.
─Alice! Ele diz saltando e me puxando, ouvimos os pedidos de Bob, voltamos e um zumbi estava se arrastando em sua direção, Daryl o puxa pisa em sua cabeça e Zack ergue a estante enquanto Daryl retira Bob, o teto começa a cair e nos viramos para sair, um grito chama atenção, me viro e Zack está caído um zumbi mordia seu pescoço.
─Zack! Grito, não ele, é só um menino, é meu amigo, namorado de Beth, não posso deixa-lo – Não! Corro em sua direção, mas Daryl é uma muralha me arrastando para longe.
Conscientemente sei que não a nada a ser feito, mas não consigo deixa-lo para trás, entre lagrimas sou carregada para fora enquanto o teto desabava sobre Zack e seus sonhos de garoto que achou que podia vencer o apocalipse, ninguém pode, é só uma questão de tempo.
Só paramos de correr quando chegamos na moto, o barulho de tiros e do teto desabando vai chamar zumbis de todos os cantos.
Fico colada em Daryl durante todo caminho de volta, com medo de um dia perde-lo, acho que simplesmente não teria forças de seguir se algo assim acontecesse, na prisão Daryl segue para contar a Beth, acho que se sente um pouco responsável por isso, afinal deixou Zack nos acompanhar, Sasha fica contando o acontecido ao conselho, Glenn segue correndo para Maggie e eu vou para minha casa, me deito na cama, antes pego minha lanterna me abraço a ela e fico olhando para o teto, o dia chegando ao fim, sinto um nó na garganta, Zack me vem a mente, sentado no chão da cela com suas cartas de baralho e seu sorriso despreocupado, Beth não se despediu, ela não gosta disso, sabe como as coisas são, uma lagrima grossa rola.
─OI! Daryl diz encostado na grade, me olha triste, queria me entregar as lágrimas, mas acho que agora ele precisa de mim, seco o rosto.
─Vem! Convido me encolhendo no canto ele se deita e me recosto em seu peito – Está tudo bem com Beth?
─Ela não chorou, disse que apenas está grata por ter podido conhece-lo.
─Faz sentido, foi o modo que ela encontrou de passar por isso, trancou os sentimentos em algum lugar e isso é o que a mantem de pé, temos que aceitar isso.
─E você? Ele me pergunta enquanto sem se dar conta me faz cafuné.
─Enquanto estiver aqui eu estarei de pé! Aviso – Amo você é a única coisa que sei, Deus pode brincar o quanto quiser, rir de mim, não me importo, se está aqui então eu estou inteira.
─Te amo! Ele me diz, me beija de leve e depois volta mais uma vez sua atenção ao teto, como se ali, naquela parede velha, suja e úmida estivesse a resposta, não está lá, não está em lugar nenhum, nem mesmo existe uma pergunta, é apenas a vida que segue, a nova vida, mais curta, doida e intensa, a vida que temos e ainda assim, não quero abrir mão.
─Está fazendo cafuné e nem pedi, acho que está me paquerando! Tento acalma-lo, ele sorri de lado, os olhos brilham um pouco, gosto disso.
─Idiota! Ele brinca parando de fazer o carinho.
─Troglodita! Eu respondo fechando os olhos, estou cansada, meu corpo todo dói, saímos da segurança de nossas grades apenas para entregar um menino a morte, não trouxemos nada que fizesse valer a pena, nem mesmo sei se existe algo que faça valer a pena ultrapassar esses portões.
─Trinta dias sem acidentes! Ele diz e eu o olho, meu olhar diz que não entendo o que está dizendo – O calendário da Beth, olhei para ele e marcava trinta dias sem acidentes.
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