Caminhando entre os mortos

31 Capítulo 31 - Sozinhos na estrada


Notas iniciais
Olá pessoas!! MIL PERDÕES!!!! Fiquei doente, tive uma virose, fiquei de cama, nem conseguia escrever, tive muita febre por isso não respondi ninguém, na verdade nem entrei, mas aqui está mais um capítulo, prometo caprichar nos próximos.

Pov – Daryl

Deixar Alice dirigir a moto foi uma decisão difícil, quero que ela fique segura, mas quero ainda mais que fique feliz e esconder Alice não funciona, não com alguém que fez as malas aos dezessete anos e abandonou tudo porque nunca soube obedecer a regras admiro isso, então só me resta cuidar dela sem torna-la minha prisioneira.

Alice dirige na velocidade limite, acabo sorrindo sozinho, os olhos grudados na moto a minha frente, ao meu lado Sasha presta tanta atenção na estrada quanto eu.

−Não vamos fazer tolices, só entramos se for completamente seguro! Sasha avisa – E Tess você precisa saber que procuramos ficar juntos em uma formação de proteção, somos realmente muito preocupados com a segurança!

−Aliás o que deu em você Daryl? Glenn me pergunta – Deixar a Alice assim sozinha.

−Alice nunca está sozinha! Eu aviso, não só para ele, quero que Theresa saiba disso, não acho que Alice está de todo errada em suas impressões.

−Não mesmo! Maggie continua, as duas se tornaram grandes amigas e tem em comum uma implicância com a novata.

−Queria que ela ficasse bem, depois do que aconteceu com a moto, mas vamos descobrir quem fez isso.

O tom fica ameaçador, sei disso e gosto que seja, se a mulher tentar fazer algo a Alice ou mesmo ao grupo eu a atiro para os zumbis.

A moto diminui a velocidade, estamos entrando na cidade, fico tenso, Alice segue em frente por dois quarteirões, então para a moto, e faço o mesmo, desço quase correndo, a besta na mão, Alice me abraça mais uma vez.

−Eu sei que estamos em alerta, mas estou tão feliz! Ela me diz sorrindo, sorrio de volta enquanto a afasto, agora mais do que tê-la por perto quero que fique em segurança.

Olhamos para o depósito à nossa frente, não chega a ser grande coisa, a cidade é muito pequena e o lugar parece já ter sido invadido antes.

−Não é grande coisa, mas vamos nos manter atentos e de preferência sem tiros! Glenn insiste, acho que assim como eu, ele fica mais tenso quando Maggie está por perto e hoje posso entender isso muito bem.

Sempre me preocupei com o grupo, com minha família, mas agora é totalmente diferente, simplesmente não posso aceitar a ideia de que algo aconteça a Alice, isso me mataria.

Abro a porta com a ajuda de um pé de cabra que sempre carregamos, a porta range quando abre, nos olhamos ao entrar, primeiro um balcão comprido, algumas caixas pelo chão, um corredor largo se anuncia logo a frente, dos dois lados portas de grades separavam as salas, na primeira a grade estava erguida, não havia nada mais lá dentro, apenas algumas caixas abertas, o mesmo do outro lado ouvimos o barulho costumeiro dos zumbis, as grades começam a tremer sigo na frente Alice logo atrás de mim, minha besta erguida pronta, mas pela quantidade que ouvimos ela seria inútil, mão começam a tentar nos agarrar nas grades seguintes.

Fico preocupado, diminuo a velocidade, olho para trás fazendo sinal para termos cuidado, seguimos em frente, os zumbis começam a sentir nossa presença, conforme vamos passando pelas grades eles começam a força-las cheios de fome, alguém tentou limpar o lugar colocando todos ali, talvez no começo da infecção, talvez depois, numa tentativa de manter a cidade, nunca vamos saber isso, mas são muitos.

−Alice! Ouço a voz urgente de Maggie, me viro assustado, Alice era amparada por Glenn, um segundo antes de cair nas grades onde mãos frenéticas com certeza a agarrariam, não entendo bem o que aconteceu, mas no segundo seguinte ela tinha Theresa presa pelo pescoço. A mão apertando sua garganta com força, fico confuso.

−Desculpe Alice, eu tropecei! Ela diz com a voz rouca pelo aperto firme de Alice.

−Me empurrou para as grades! Alice diz furiosa, ninguém parece querer se envolver naquele embate, se ela fez mesmo isso quero que vá para o inferno e eu mesmo posso providenciar isso.

−Não, eu quase cai me apoiei em você!

−Nunca mais tropece ou vai entrar para o time dos mortos! Alice diz firme, os olhos fixos em Theresa que parece assustada – Mais uma dessas e te atiro para os zumbis e acredite, ninguém aqui vai me impedir!

Alice a solta ela tosse não esconde o alivio, eu olho para ela preocupado, mas então as grades estão começando a ceder, tudo fica tenso.

−Vamos sair daqui! Digo e no segundo seguinte a grade de uma das salas cede e os zumbis começam a sair, puxo Alice pela mão e ficamos separados de todos, vejo nosso grupo voltar em direção a saída, de costas eu e Alice vamos caminhando para dentro, ela força uma porta, zumbis caminham em nossa direção enquanto outros seguem atrás do resto do grupo.

−Vão! Grito para eles antes de entrar para dentro da sala com Alice, assim que fecho a porta percebo que estamos em outro corredor, sigo na frente com Alice logo atrás de mim, nada de zumbis, apenas algumas portas que não abrimos e no fim uma escada, subimos apressados, em cima apenas mais uma porta, abrimos e estamos num terraço.

Mais uma vez fecho a porta atrás de mim, quando me viro Alice derrubava um zumbi com seu machado, outro se precipita em sua direção ela desvia e eu acerto minha besta em sua cabeça o zumbi cai e o sangue espirra para todos os lados.

−Que merda! Alice diz seguindo até a beira do terraço, olhamos para baixo, a rua estava cheia de zumbis que caminhavam, um deles nos vê e eles caminham em nossa direção ficamos olhando enquanto se aglomeram logo abaixo tentando feito idiotas arranhar as paredes para nos alcançar, nos afastamos.

−Maldição! Eu olho em volta, a única maneira de sair é voltando pelo caminho que viemos, no momento isso é uma péssima ideia, felizmente a porta é de aço e está segura, nos sentamos completamente encurralados.

−Vamos esperar que voltem para nos resgatar?

−Não, eram muitos, não tem como nos resgatarem agora, estávamos sem armas suficiente para isso, mas vão tentar, de qualquer modo vamos esperar, assim que acharmos um jeito saímos daqui.

Ela suspira resignada, é o que mais fazemos nos resignamos ao que nos cerca.

−Detesto isso! Ela diz encostando em mim, passo meu braço por seu ombro – O quanto estamos expostos e não poder fazer escolhas.

−Eu sei, mas agora é esse o mundo que temos e vamos lutar!

−Com certeza! Ela sorri, mesmo no meio de toda essa confusão, Alice ainda pode sorrir.

O lugar tem menos de três metros, ficamos encostados na parede, as armas próximas para o caso da porta ceder.

−E esses comedores de tripas? Ela aponta os dois zumbis estirados a nossa frente -Vamos atira-los lá em baixo? Acho a ideia boa, me levanto e apalpo os bolsos do primeiro, não tem nada eu o atiro por sobre os zumbis que gruem logo abaixo, faço o mesmo com o segundo, encontro cigarros e um isqueiro.

Atiro o zumbi logo abaixo e quando me viro Alice pegava um cigarro.

−Que está fazendo? Me sento a seu lado, ela ri.

−Vou fumar! Me diz naturalmente.

−Você fuma? Pergunto confuso, eu mesmo não sou um fumante, vez por outro fumo um cigarro e já era assim antes, mas nunca vi Alice sequer falar sobre isso.

−Não, nunca fumei um cigarro na vida!

−Então me dá isso! Tento tirar da mão dela, Alice ri e impede.

−Deixa de ser ridículo! Ela reclama – Vou fumar um cigarro, e se a gente morrer aqui? Pelo menos eu fumei uma vez na vida!

−Como você é ridícula!

Ela acende o cigarro, dá uma tragada e tem uma crise sem fim de tosse.

−Bem feito idiota! Acabo rindo — Me dá isso.

Alice puxa a mão, tosse e ri ao mesmo tempo, traga mais uma vez e então mais um acesso de tosse.

−Vai Daryl, acende um ai, vamos fumar juntos.

−Você não tem limites! Eu acendo um cigarro, Alice traga e mais tosse, ela ri e pega uma garrafa de água na mochila, toma uns goles.

−Esse negócio de limites nunca foi comigo, gosto de ser feliz! Ela me beija – Vamos ficar horas aqui até esses zumbis de merda nos deixarem sair.

−Mas vamos esperar, nada de riscos!

−Você me ama muito! Ela brinca – E me acha uma delícia!

−Alice vamos nos concentrar em ficar vivos!

−Acho que preciso parar de fumar! Ela diz depois de mais uma crise de tosse – Podemos sair!

−Alice!

−Daryl, não podemos ficar aqui para sempre, vamos enfrentar esses idiotas!

−Não ainda!

Eu não posso arriscar, não sei quantos ainda podem ter lá em baixo, me encosto na parede, o som dos zumbis me irritando, olho para Alice e ela sorri.

−Como pode sorrir numa hora dessas?

−É o fim do mundo, não tem amanhã, chegamos até aqui e eu não pretendo desistir, mas fui muito mais longe do que sequer sonhei quando tudo isso começou, e vi muita gente morrer, pessoas que eu amava, outras que mal conhecia, de qualquer modo não tenho medo de morrer, a vida me deu muito quando me trouxe você.

Meu coração salta, ainda acho estranho quando ela diz algo assim, mexe comigo e só queria estar em casa para beijar Alice e carrega-la para nossa cama.

−Eu também não esperava mais nada, então me puxou pela mão quando fui te entregar a lanterna e mudou tudo!

−Vê porque não abro mão da minha lanterna? Ela me diz se encostando em mim, dá a última tragada, tem o último acesso de tosse e atira o cigarro em direção aos zumbis – Podíamos pôr fogo neles!

−É isso?

−Pôr fogo neles?

−Sempre quis saber porque era tão ligada a lanterna, por fogo neles não seria má ideia.

−Não gosto de mentir, por isso não contava porque gostava tanto de ficar com ela, mas não temos gasolina.

−Achei que era só uma dessas suas loucuras, talvez agente encontre outra coisa que seja inflamável.

−Não, a lanterna me lembra você! Ela sorri – Que mais é inflamável?

−Também me lembra você! Eu digo fazendo Alice sorrir – Não sei o que mais é inflamável aqui, temos que pensar.

Ficamos em silêncio, não tem outro jeito de sair sem ser enfrentar os zumbis no corredor, logo vai anoitecer, não quero passar a noite aqui, preso nesse cubículo sem água e comida.

−Está com saudades de mim? Alice me tira dos meus devaneios.

−Ahm? Ela é meio maluca.

−Saudades, não está? Ela pergunta como se sua frase fizesse todo sentido – Eu estou morrendo de saudade de você!

−Alice é meio difícil acompanhar seu raciocínio as vezes!

−Daryl é uma pergunta simples, você é muito lento!

−E você idiota! Eu a amo, mas ela ainda me irrita – Como posso sentir saudades se está aqui comigo?

−Você é muito simplista! Ela me critica – Estou me referindo as coisas que fazemos, você sabe, se a gente morrer já era!

−Isso! Ela me faz rir, sempre faz isso.

−Nossa! Ela diz me dando um susto, nem espera eu responder o comentário anterior – E aquela bruxa vadia me empurrando?

−Podemos terminar o assunto anterior antes de entrarmos nesse?

−Não, esse a gente termina em casa! Ela diz piscando sensual, me arranca um sorriso, só Alice me arranca sorrisos – Vamos falar da vadia.

−Tem certeza que ela te empurrou?

−Claro que não, ela está viva não está, se tivesse certeza tinha grudado ela naquelas grades!

−Tinha nada! Ela me faz uma careta – Vamos conversar com os outros quando voltarmos e decidir o que fazer.

−Perfeito! Alice se levanta, está impaciente, assim como eu não consegue ficar presa e sem controle sobre suas escolhas – Mas se ela fez o que vamos fazer?

−Mandar embora, no mínimo, embora a ideia de gruda-la nas grades não seja tão ruim, senta aqui! Eu a convido, ela se nega, vai olhar para baixo.

−Cheio deles ainda, é nosso cheiro! Avisa então olha para o lado – Daryl vamos pelo peitoral, acho que dá para chegar até a esquina!

Vou até onde está, realmente poderíamos tentar nos esgueirar pela parede e ao menos descobrir o que tem na esquina, mas se cair a morte é certa.

−Nem pensar! Fico indignado.

−Vamos sim, eu não vou morrer aqui, vamos passar, dá para pular, e chegar a moto!

−Se cair no meio deles... – Não consigo terminar, não consigo nem pensar a respeito disso – Vem sentar Alice.

−Não, eu vou sair daqui, cansei e você também, vem! Ela passa por cima da amurada.

Chego a sentir um formigamento nos pés, mas ela é impossível de ser controlada, depois de passar se encosta na parede, o peitoral tem a largura de seus pés, ela olha para baixo.

−Que alto né?

−Alice volta!

−Vem, vai dar certo! Ela começa a caminhar para o lado, vai bem devagar e eu sou obrigado a segui-la, passo para o outro lado e vamos juntos caminhando.

−Não olha para baixo! Peço, ela faz exatamente o oposto, mulher infernal – É surda! Quase grito, ela me ignora continua a andar.

Os zumbis continuam onde estavam e seguimos nosso caminho, a cada passo andamos mais confiantes, e então ela chega na esquina.

Com cuidado Alice olha para o lado, depois mais uma vez encara o chão.

−Vamos fazer a curva, acho que dá e depois pulamos, a rua lateral está limpa.

−Já estamos aqui mesmo sua estupida, agora vamos continuar.

−É um príncipe até num momento como esse! Ela resmunga passando para o outro lado, fico um segundo sem poder vê-la e meu coração bate tenso, também passo e então seguimos mais uns metros.

−Acho que agora podemos pular! Ela me diz.

−Eu vou primeiro e te pego lá em baixo! Aviso preocupado.

−Certo! Ela diz e no minuto seguinte está lá em baixo, reviro os olhos, odeio Alice, penso quando pulo.

−Odeio você! Eu aviso assim que me equilibro no chão – Se machucou?

−Não! Ela diz me puxando, seguimos os dois pelo meio da rua – Detesto me lembrar daquele dia que fiquei sozinha, sem saber o que te aconteceu! Ela me diz e então um zumbi se aproxima, depois outro, apressamos o passo, chegamos finalmente em nosso destino, a moto está lá, no mesmo lugar.

−Foco em chegar na moto! Aviso, tem meia dúzia de zumbis caminhando, vejo alguns caídos, o grupo teve que lutar para sair, andamos apressados.

Subo na moto, um zumbi se aproxima, Alice o acerta e depois sobe na moto enquanto eu dava partida, deixamos a porcaria da cidade.

No meio da estrada mais zumbis, sou obrigado a desviar e com isso ficamos afastados da prisão, pego outra estrada, depois de dirigir um tempo paramos na estrada.

−Que foi? Alice me pergunta assim que desce da moto, eu olho em volta, estamos seguros.

−Temos que pensar, vamos demorar para chegar, está anoitecendo, acho melhor ter certeza se temos combustível, vou até aquele carro.

−Tem razão, eu te espero, fico de olho!

O carro está no acostamento, tem sangue por todo ele, me aproximo com a besta armada, não tem ninguém nele, apenas sangue e sinais de luta, marcas de uma mão ensanguentada no painel, um mundo de morte e sangue, eu penso abrindo o capô do carro e depois o porta malas.

Como todo carro de fuga, uma mangueira e um galão estão jogados no porta malas, eu recolho o combustível e volto para o encontro de Alice, ela está atenta a tudo a nossa volta, no horizonte a noite vinha dominando o ambiente, completo o tanque.

−Essa gasolina teria sido muito útil mais cedo! Alice diz quando se senta atrás de mim na moto, começo a me acalmar.

−Vamos para casa sua maluca! Digo quando ela me envolve se encostando em mim e mais uma vez pego a estrada, só rezo para chegarmos logo em casa, tudo que quero é Alice segura.

−Vamos seu idiota, fui uma heroína hoje, praticamente a mulher maravilha!

−Cala a boca!

Notas finais
Mais uma vez desculpem a demora, foi a primeira vez que isso aconteceu e prometo sempre que possível avisar. beijos