Caminhando entre os mortos
3 Capítulo 3 - Garota nova
Notas iniciais
Pov – Daryl
O dia amanhece claro e um pouco frio, não falta muito para o inverno, saio para o pátio e observo os zumbis se juntarem nas grades como de costume, não mais que uma dúzia, nunca passa muito disso.
As pessoas começam a se movimentar, não sei como vai ser cuidar de todas essas pessoas, a maioria indefesas, velhos, crianças, mulheres despreparadas.
Mas no momento o que importa é que vencemos aquele maldito lunático, ou quase isso, já que provavelmente ele está por ai, quem sabe a nossa espreita, se pusesse minhas mãos nele ele saberia o que é sentir ódio de alguém, Merle me vem à mente, foi a quatro dias e hora parece que acabou de acontecer, hora parece que foi em outra vida.
Meu irmão nunca fez nada assim, nada que fosse grande e certo, que significasse proteger qualquer coisa que não o próprio rabo, mas acontece que finalmente ele fez e acabou morto por isso e acho que sabia que seria assim, fez por mim, quem diria, Melre Dixon se redimindo e me deixando orgulhoso.
Rick caminha em minha direção, estamos todos vivos e bem, mas temos um caminhão de problemas e decisões para tomar, não sei como vamos fazer isso.
−E ai? Ele para do meu lado com uma caneca de café ou algo que um dia pareceu café nas mãos.
−Ele ainda está vivo, está por ai e pode estar perto.
Eu aviso a ele, sabemos que está com apenas dois homens, mas isso pode ser suficiente para uma tentativa de represália, ou apenas uma vingança.
−Eu sei, o que quer fazer?
Maggie caminha com Glenn em nossa direção, os dois param de mãos dadas ao nosso lado, nunca vou entender o que leva uma pessoa a começar uma história como a deles no meio dessa merda toda, sabendo que podem morrer a qualquer momento, mas acho legal como vivem bem juntos.
−Quero dar uma volta por ai, ter certeza que não está nos observando, nada muito longe.
−Certo, mas não sozinho, pode ser perigoso, quem sabe Sasha e Tyreese, eles parecem bem dispostos a ajudar.
Rick diz olhando para os irmãos que estavam ao longe envolvidos em cuidar dos recém chegados.
−Prefiro Maggie e Glenn! Eu os olho e os dois confirmam com a cabeça – Ainda não conheço os outros direito e não quero arriscar, além disso, eles podem ficar aqui e te ajudar com essa gente toda.
−Michonne? Maggie pergunta, as duas parecem ter ficado amigas, mas ela também chegou a pouco e não sei o que faria se desse de cara com o governador, não quero correr riscos.
−Se encaixa na mesma categoria, e depois é bom Rick ter alguém forte caso algo dê errado aqui.
−Podemos ir então, apenas nós três, por mim tudo bem! Glenn avisa.
−Vamos ter que sair em busca de suprimentos em breve, tem muita gente aqui agora, mesmo tendo trazido tudo que encontramos naquele lugar.
−Eu sei Rick, quem sabe um outro dia, já demos uma arrumada no portão, as coisas começam a se acalmar e podemos organizar um grupo depois.
−Não é só isso, temos muito que organizar, mas acho que agora a prioridade é segurança e temos mesmo que ter certeza que aquele maldito não está nos rondando.
O ódio de Glenn pelo governador era tão grande quanto o meu e posso entender, nem gosto muito de pensar que Merle os entregou nas mãos daquele canalha.
Nos separamos para preparar nossa saída, uma volta a pé pela região, pego minha besta, uma arma pesada e encontro os dois nas grades, Carl acena, Rick anda cortando as asas do garoto e sei que ele está bem relutante sobre isso, mas ele é pai deve saber o que faz.
Saímos para floresta atentos a qualquer movimento, os tiros de quatro dias atrás deixou os zumbis bem atentos, e trouxe muitos para essa região, mas então se fez silencio e eles ficaram meio perdidos de novo, caminhamos um bom tempo, não acho nada que me preocupe, cruzamos com dois zumbis, não paramos para matar, nem seria um problema fazer isso, mas nenhum de nós está disposto a se desgastar com isso.
Já foi um trabalho limpar a sujeira que o maldito deixou e ainda acomodar toda aquela gente, felizmente o bloco D estava limpo, fizemos isso para ajudar Axel e Oscar, e graças a isso todos tem um canto para ficar, no nosso bloco apenas Tyresse e Sasha, prefiro assim, sem estranhos entre nós, ao menos até termos certeza de quem são essas pessoas.
Percebo pegadas no chão, um grupo passou por aqui e não eram muitos, diminuo o passo e ficamos alerta, sigo o rastro e damos de cara com dois corpos estendidos no chão, um homem e uma mulher, zumbis ainda os devoravam, não percebem nossa presença por que evitamos nos aproximar.
−Que merda! Glenn lamenta.
−Foi a pouco tempo! Maggie comenta e concordo, faço sinal para seguirmos e continuamos por mais algum tempo, então depois de uns dez minutos de caminhada vejo uma cabana.
−É um bom lugar para se esconder se está numa encrenca, ele pode ter se refugiado ai com seus homens.
Eu digo e os dois me olham, não podemos simplesmente dar as costas a isso, se aquele caolho do inferno está por perto quero acertar minhas contas com ele, Glenn dá de ombros concordando, Maggie resmunga qualquer coisa e seguimos até a cabana.
Na porta eu me preparo para entrar na frente, armo a besta e forço a porta está só encostada e entramos, demoro uns segundo para me acostumar com a pouca luz e então eu vejo uma mulher sentada no chão segurando a mão de uma garotinha que tem uma mordida no ombro, estacamos os três, não estávamos prontos para isso.
A mulher e a menina estavam completamente sujas de barro e sangue, mal dá para ter uma ideia de sua real aparência, instintivamente sei que estão ligadas ao casal que acaba de ser devorado na floresta.
Abaixamos as armas, sinto pena, a menina está agonizando, essa porcaria não perdoa ninguém, a mulher cuida dela com carinho.
Tia Alice, a pequena a chama assim, parece um anjo, mesmo suja lembra um anjo, se pudesse ajudar eu faria, mas não posso, ninguém pode e ficamos em silencio assistindo a terna e dolorida despedida.
Depois a menina fecha os olhos a tia chora, não queria estar ali, já estive e não faz muito tempo, dói, de um jeito revoltante, a mulher se mostra forte, pega a faca e se pudesse eu desviaria os olhos, mas não consigo, estou atento a tudo, Maggie tem os olhos marejados, a mulher faz o que é preciso ser feito e não posso deixar de admira-la, depois se senta e fica ali, olhando para o pequeno anjo caído, acho que poderia ficar ali para sempre.
−Maggie temos que ir, convença ela a nos acompanhar! Eu peço baixinho, acho que será mais fácil para ela se Maggie e não eu ou Glenn nos aproximarmos, Maggie concorda e se aproxima, ela aceita, acho que nem sabe bem o que está fazendo, está em choque acaba de perder uma criança e todos nós sabemos como é isso, é impossível não pensar em Sophia.
Quando ela fica de pé e caminha com Maggie somos apresentados, ela me olha, não dá para ver muito dela, os cabelos estão colados ao corpo e nem saberia dizer que cor tem de tanto barro e sangue, não posso precisar sua idade ou o que quer que seja, apenas posso ver seus olhos, são azuis, mas não como os meus, são muito claros, cheios de algo que não sei explicar, fico calado, estou um tanto confuso sobre ela e apenas deixamos a cabana e a criança morta para trás.
Sigo o tempo todo na frente, ela parece indefesa demais no momento e prefiro garantir nossa segurança enquanto Glenn e Maggie seguem cada um de um lado dela, tomo o cuidado de mudar o caminho, se aquelas pessoas estavam com ela não acho que queira ver o que vimos.
Caminhamos de volta no mais completo silêncio, não sei o que ela acha da prisão, sua expressão ao ver nosso forte, nossa casa, ainda caminho na frente, mas ela nos segue sem relutar, entramos e no minuto seguinte Beth corria em nossa direção.
−Meu Deus o que aconteceu?
−Essa é Alice Beth, vem me ajuda a cuidar dela! Maggie diz e eu assisto as duas partirem para dentro com a garota entre elas.
−Tem sempre alguém perdendo alguém! Glenn diz num tom fatalista, eu concordo com um movimento de cabeça e ele também some para dentro da prisão, espero Rick que caminhava para mim meio tenso.
−Quem é ela, como a encontraram? Está preocupado e curioso.
−Numa cabana, com uma criança mordida, uma menininha, ela morreu, nós trouxemos a garota, não podíamos simplesmente dar as costas a ela, se chama Alice.
−O que descobriram sobre ela, tem um grupo, está sozinha?
−Ela acaba de assistir a sobrinha morrer, não perguntamos nada só trouxemos conosco.
−Não sabem nada sobre ela, acha seguro?
Rick está preocupado e posso entender isso, mas não podemos mais deixar pessoas para trás.
−Calma Rick, é só uma garota perdida, eu acho, nem sei se é uma garota, uma senhora, só dá para ver sangue e barro.
Sigo para dentro, me envolvo no trabalho, limpar, recolher corpos, concertar coisas quebradas, o dia voa e só vejo Maggie na hora que nos reunimos para comer, o que agora é uma grande confusão com toda essa gente que vou ter que aprender a conviver.
−Eu a coloquei numa cela aqui no nosso bloco, achei melhor, ela está um trapo sabe, não perguntei nada mas deve ter passado maus bocados.
−Acho que sim.
−Dei algo para ela comer e acho que devemos deixar que descanse até amanhã.
−Pode ser! Respondo me sentando nos degraus do refeitório, já fiz minha parte, trouxe a garota, o resto é com eles.
Depois de comer vou para minha cela, tive que abrir mão do poleiro, com tudo isso de gente preciso de alguma privacidade.
Assim que subo as escadas escuto um choro, nada alto e chamativo, apenas soluços, só pode ser Alice, e então quando me aproximo descubro que ela está na cela ao lado da minha, está escuro quando passo em frente a sua cela, não vejo nada, apenas um corpo encolhido na cama, sigo para minha própria cama, sou incapaz de consolar alguém.
As horas vão passando e a garota não para de chorar, não consigo dormir, talvez devesse buscar a Maggie ou a Beth para falar com ela, mas não sei bem se ela não vai achar uma invasão, eu acharia.
Perdi a pessoa mais importante da minha vida há quatro dias e sei como é isso, não que tenha deixado a dor me dominar, pelo contrário, afasto aquele momento da mente cada vez que a imagem de Merle transformado surge, jogo aquilo para algum canto esquecido do cérebro e simplesmente não me permito processar, é assim que faço com o que quer que me incomode, nunca lido muito com os meus sentimentos, prefiro ignorar, é mais prático e menos dolorido, esse foi um método desenvolvido ainda na infância.
De repente silencio, acho que pegou no sono esgotada, isso é bom, faço o mesmo, quando saio da minha cela na manhã seguinte me esforço muito para não olhar para sua porta, passo direto e a ideia de que estou pensando nela de novo me irrita um pouco.
Mastigo qualquer coisa que me oferecem, passo por Beth com a bravinha no colo, adoro aquele bebê, nem sabia que tinha jeito com crianças, mas essa família me ensinou muito e descobri que eu e ela nos entendemos, faço um carinho em sua cabeça, ela tem só uns dias de vida e já se envolveu em muita encrenca.
Beth sorri para mim, dou um meio sorriso de volta, não sou um cara de sorriso fácil, eles sabem disso já se acostumaram e o bom dessa minha família é que não se importam, não julgam.
Estou com minha besta e minhas flechas, agora não desgrudo dela, não depois do que aconteceu.
Assim que saio dou uma boa olhada nas grades, seguro felizmente eu constato e me sento para limpar as flechas essa é minha melhor terapia, Maggie e Glenn se aproximam, os dois se sentam comigo, esse é o problema de fazer parte dessa família, são ótimos, mas gostam de viver grudados e sou obrigado a fazer parte disso.
−Bom dia! Maggie me sorri – Sabe se Alice dormiu bem?
−Por que diabos eu vou saber de algo assim?
−Porque sua cela é ao lado da dela? Maggie me diz cínica, dou de ombros.
−Nem reparei! Uma bela mentira para começar o dia, claro que reparei que ela chorou quase toda noite.
Então ergo meu olhar e me surpreendo com o que vejo, de dentro do nosso bloco de celas uma mulher saía, era simplesmente a mulher mais linda que já vi na vida, antes e depois do apocalipse.
Cabelos dourados, compridos que balançavam conforme ela caminhava leve em minha direção, a boca bem feita e o corpo na medida certa, o nariz era delicado, e fico pensando que se sorrisse para mim eu podia cometer uma loucura.
Usava calça jeans, botas e camiseta, o que todo mundo usava na verdade, mas acontece que nela parecia diferente.
Não pode ser ela, a garota que salvei ontem? Como posso não ter notado que era perfeita?
−Cuidado para não babar? A voz de Maggie chega aos meus ouvidos e pisco tentando voltar a realidade, devo estar com cara de imbecil, me sinto um imbecil para ser honesto.
−Cala a boca! Respondo de mal humor quando me refaço do choque, ela se aproxima finalmente, estou sentado no chão, Maggie e Glenn sentados do meu lado e ela ali de pé me olhando de cima e me deixando meio sem reação.
Já sei que vou ter problemas, e decido mantê-la o mais longe possível, quer dizer, talvez nem tão longe, uma distância segura apenas, no máximo uma amizade leve, ou... depois penso nisso, eu decido.
−Eu queria agradecer! Ela diz com os olhos fixos nos meus, aqueles olhos azuis são de tirar o folego e te deixar... Não vou pensar nisso – Obrigada aos três!
−Bobagem! Maggie diz se levantando, Glenn também se levanta sorrindo.
−Não fizemos nada demais! Ele diz e Maggie me olha, reviro os olhos mas me levanto, descrição não era um dos talentos de Maggie e prefiro não criar espaço para seus comentários.
Rick se aproxima eu sei que está louco para encher a garota de perguntas, ela olha para ele depois para mim.
−Você é o líder? Me pergunta.
−Eu? Ela concorda com a cabeça – Não ele é! Aponto Rick que me ergue uma sobrancelha – Ah! Me esqueci, somos de novo uma democracia, não temos um líder! Anuncio e ela me olha um segundo, depois olha para os outros.
−Gosto de democracia! Me sinto preso em seus olhos, acho sua voz envolvente e detesto pensar nisso.
−Sou Rick! Ele diz estendendo a mão que ela aperta firme.
−Alice.
−Mesmo não sendo líder, gostaria de fazer umas perguntas! Rick diz e ela apenas o olha.
−Tem um grupo?
−Não, não mais, estão todos mortos.
−Sinto muito! Ele diz e ela apenas concorda – Já matou? Ela olha para as grades zumbis gemendo e caminhando de um lado para outro.
−Se considera mandar essas coisas de volta para o inferno, sim, eu já matei, mais do que um dia achei que poderia, bem menos do que gostaria.
−Isso é bom, e quanto aos vivos?
−Meu cunhado, umas trinta vezes por dia, em pensamento! Ela responde e gosto do seu humor – Isso conta?
−Não!
−Acho que os zumbis já estão matando todos os vivos, não acho que precisem da minha ajuda! Seus olhos ficam tristes e sei que está pensando em todos que perdeu.
−Nem sempre, nem todos! Glenn comenta.
−Foram atacados? Ela pergunta olhando a torre destruída.
−Sim, por um maluco, mas felizmente vencemos e ele fugiu, essas pessoas viviam com ele, foram deixadas para traz e nós as recebemos.
Maggie conta a ela que não esconde a surpresa.
−Pessoas boas! Ela diz.
−Já enfrentou algo assim ou o tempo todo foram só zumbis?
−Apenas os mortos, os vivos que encontrei pelo caminho estavam quase sempre perdidos e assustados demais para lutar.
−Quem sabe nos conta um pouco sobre como foi para você?
Rick ainda está testando a garota, não acho necessário, mas deixo que exerça seu instinto policial.
−Quando começou minha irmã veio me encontrar com o marido, o meu cunhado assassinado mentalmente! Ela diz, não sorri nem nada, nem mesmo acho que é uma piada, mas ainda assim é divertido – E meus dois sobrinhos, ficamos juntos, passamos por muitos grupos que caiam a cada burrice do Cooper e então acabamos sozinhos e... eu os perdi! Ela responde desviando o olhar, acho que quer esconder as lágrimas.
−É bem vinda aqui Alice! Maggie diz segurando sua mão — Nós cuidamos uns dos outros.
−Obrigada! Ela responde respirando fundo, acho que não quer chorar – Eu posso ajudar nas buscas, missões, ou sei lá como chamam aqui, em cada lugar um nome diferente é usado.
−Isso é com o Daryl, do portão para fora as decisões são dele! Rick avisa e ela me olha, nego com um movimento de cabeça.
−Não, acaba de chegar e não pretendo te levar em algo assim.
−Democracia aqui dentro, ditadura do portão para fora! Ela diz atrevida, me irrito, todo mundo sabe que não sou o tipo calmo, primeiro tenho um ataque depois converso.
−Olha em volta garota, tenho muita gente para alimentar e não vou arriscar isso levando alguém que não possa se defender, não saio lá fora para ficar de babá de ninguém! Ela não pode me chamar de ditador e achar que vou ficar calado.
−Ah claro, deve estar pensando porque eu levaria alguém que deixa uma menininha de oito anos ser mordida? Ela me responde magoada – Acha que se não a protegi não posso ajudar em nada.
−Se acha que vai me convencer só porque derramou umas lágrimas está errada, não vai sair lá fora e pronto!
−Entendi! Ela me olha magoada, não gosto muito de ser olhado assim por ela, mas não vou voltar atrás, se algo acontecer com ela vou me sentir culpado e não quero – São fortes, corajosos e eu sou só uma garota que vive deixando todo mundo morrer! Ela me dá as costas e volta para dentro, estão todos me olhando, Maggie está me fuzilando para ser mais exato.
−Você parece um elefante de tão sutil!
Ela me acusa e fico chocado, estou protegendo a garota e ainda tenho que ouvir isso?
−Qual é? Reclamo, Maggie olha em direção ao bloco C – Nem pensar, se está achando que vou atrás da garota pedir desculpas está muito enganada.
Pego minhas flechas e deixo os três, sigo para dentro, passo por Carl e Judith, Beth e Carol que me olhava sorrindo e subo para minha cela, quando passo pela dela não resisto a um olhar, ela estava sentada na cama, olhando fixamente para lugar nenhum, eu paro, nem me dou conta que parei ali até ela me chamar atenção.
−Não tenho nada, tudo que eu tinha ficou para trás, tudo, só queria sair e conseguir roupas e...
−Maggie e Michonne podem resolver isso.
−Então o problema não é eu ser uma garota, mas sim eu ser... Eu?
−Sim! Respondo sem saber bem o que ela quis dizer com aquela frase sem sentido, mas decido que era bom ela se acostumar com isso.
−Certo! Ela responde sem me olhar – Faça como quiser então.
−Sempre faço! Ela está de braços cruzados, os olhos baixos e me sinto um idiota pelo que vou fazer, mas não consigo evitar – Desculpe se fui grosso, abri mão de muitas coisas por essas pessoas, isso não é um jogo, não quero arriscar nada!
−Está desculpado Daryl! Ela respondo sem me olhar, gosto de ouvir meu nome saindo de seus lábios.
−Obrigado Alice! Eu respondo – Agora pode parar de se comportar como uma menininha teimosa e desfazer o bico.
−E você pode parar de se comportar como um velho resmungão e me deixar fazer bico o quanto eu quiser!
Acabo rindo e depois eu a deixo sozinha, que garota maluca, não acredito que pedi desculpas feito um babaca e ainda fui chamado de velho resmungão!
Sabia que ela era encrenca, assim que a vi hoje pela manhã eu sabia que ela era uma bela de uma encrenca, e agora ela está a dez passos de mim e se não me controlar vou lá mostrar a ela quem é o velho resmungão. Ando de um lado para outro da cela de repente me sinto um velho resmungão, acabo rindo e me sentando na cama, pego minhas flechas e recomeço a limpa-las, isso sempre me relaxa.
Não está funcionando, eu me dou conta, a garota nova não sai da minha cabeça, ela parece uma fada, é linda de um jeito que nunca vi, e atrevida e teimosa e... Preciso parar de pensar nela, é um apocalipse e eu não sou o Glenn, definitivamente não sou.
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