Caminhando entre os mortos

29 Capítulo 29 - Nasceu para mim


Notas iniciais
Olá pessoas, mais um capítulo.

Pov – Daryl

Os novos membros contam suas histórias, depois seguem para o bloco D onde passariam a viver, das pessoas que chegaram depois, apenas Alice vive no nosso bloco, aqui ficamos apenas nossa família, Tyreese e Sasha, mesmo chegando depois fazem um pouco parte da nossa família e Alice é como se sempre tivesse estado aqui e sei que não sou o único a pensar assim.

A única razão para isso é a proteção de Judith, sua segurança sempre foi nossa prioridade, ninguém que não confiamos plenamente frequenta o bloco.

−Acho que com o que trouxeram vamos ter uns dias de descanso, conseguimos um bom estoque.

Carol diz sentada ao lado de Alice, faço que sim com a cabeça, mas não podemos esquecer do inverno, da neve e o quanto ficamos amarrados em dias assim.

−Temos que pensar na neve! Alice diz como se lê-se meus pensamentos, sorrio de lado.

−Verdade, por mim damos mais umas voltas, acho mais prudente agora do que no meio de uma nevasca, somos tantos agora.

−Sem dúvida, mas estamos cada dia mais preparados, esse lugar foi mesmo um presente! Carol diz tranquila.

−Vocês fizeram um trabalho perfeito! Alice comenta – Se me dissessem eu não acreditaria.

−Foi uma luta de vida e morte, mas vencemos! Carol se lembra.

−Tudo é uma luta de vida ou morte atualmente, fico pensando até quando vamos resistir, quantos ainda estão por ai sozinhos e perdidos! Alice diz melancólica – As duas meninas, nossa quando eu as vi foi tão... Não sei, nem imagino como crianças encaram isso!

−Não vamos pensar nisso Alice! Carol diz e sinto que Sophia ainda é um assunto proibido para ela.

−Tem razão! Ela diz e depois se levanta – Vou aproveitar e dar um beijinho na Judy, ela está cada dia mais linda! Sorri daquele jeito fácil dela – Vem comigo? Me convida seguimos juntos até Beth e Zack, logo a Bravinha estava em meus braços, Alice acaricia seu rostinho, fala com ela que ri alegre, toma o bebê de mim.

Beth aproveita para dar uma volta no pátio com Zack, ficamos ali com o bebê, distraídos os dois.

−Foi difícil não é, a mãe dela gravida, vocês nas ruas, acharam que daria certo?

−Eu sempre sigo em frente, vou fazendo o que é preciso sem pensar muito, essa é a maneira que encontrei.

−Acho que sou assim também! Ela diz beijando Judith – Estranho como gosto dela, uma coisinha!

Rick se aproxima de nós, Carl vem com ele.

−Já quer sua filha é? Alice brinca.

−Sim, amanhã acordamos muito cedo.

Depois de encher o bebê de beijos Alice a entrega ao pai, então subimos os dois, Alice segue para própria cela.

−Onde vai? Pergunto impulsivo.

−Me trocar, que medo de me perder! Ela diz sumindo para dentro da cela.

Alice volta pouco depois usa shorts e camiseta, atira os sapatos para longe, amanhã vai jurar que foram duendes que sumiram com eles, se deita no cantinho como costuma dizer.

−Cansada?

−Não! Ela responde quando me deito a seu lado – Foi um dia bom, fiquei feliz, até a bruxa chegar é claro.

−Nem vou entrar nesse assunto! Respondo sabendo que ela está com ciúme, mas nunca vai admitir.

−Achou ela bonita? Já sei que estou encrencado, só pelo ar suave e despreocupado com que fez a pergunta.

−Essa é uma daquelas perguntas que não tem resposta certa, não é? Pergunto sem esconder a preocupação.

−Como assim? Ela se apoia no cotovelo para poder me olhar.

−Se disser que não reparei nisso, ou que não achei ela bonita vai dizer que estou mentindo, se por outro lado disser que ela é bonita vai ficar brava comigo, ou seja me dou mal de qualquer modo.

−Então seja honesto, isso é conversa de quem achou ela bonita.

−Vou ser bem honesto, eu não pensei sobre a aparência dela quando encontramos aquelas pessoas, só que eram duas crianças perdidas e a possibilidade de um médico no grupo!

−E agora?

−Agora estou pensando que estamos perdendo tempo com esse assunto e que ela não vale toda essa sua preocupação!

−Sei, não estou certa sobre isso, vou ficar de olho, ela está querendo você, já percebi! Me belisca, seguro sua mão.

−Que mulher ciumenta! Eu me viro, fico sobre Alice e tomo seus lábios num beijo intenso, quem sabe isso faça com que entenda que nenhuma mulher pode me interessar quando a tenho para mim.

−Me acha toda linda? Ela diz delicada, faz um olharzinho suave só para me deixar completamente tonto.

−Acho toda ciumenta, e bonitinha!

−Grosseirão! Ela diz rindo e então estamos de novo envolvidos, me afasto dela mais uma vez só para apreciar seus lindos olhos brilharem – Não merece, mas já que temos cortinas vamos aproveitar! Alice me puxa.

Acordo com Alice me esmagando, mulher irritante é a primeira coisa que penso, acabo rindo.

−Alice!

−Desculpe, eu não queria te acordar! Ela me sorri – Eu prometi ajudar a Maggie hoje cedo.

−Vive prometendo coisas!

−Me quer só para você é isso!

Ela volta para meus braços, me beija carinhosa, se enrola em mim e até que um ciuminho não é de todo mal. Depois deixa a cela correndo e fico ali, pensando no que sinto por ela e que se dissesse a Alice talvez ela ficasse mais segura, acontece que simplesmente não consigo dizer.

Tenho que fazer a guarda no portão e sigo para meu trabalho, vejo Alice passar com Maggie, ela me acena animada respondo com um leve sorriso, é maluca, mas é a minha maluca.

−Oi! A voz com leve sotaque me pega desprevenido, eu apenas aceno com a cabeça, volto minha atenção para as grades, o número de zumbis vem aumentando a cada dia – Queria agradecer pela ajuda.

−Então vá procurar Alice! Respondo sem nem ao menos olhar para ela, não quero problemas, Alice é maluca demais – Foi ela quem decidiu parar e ajudar as duas crianças!

−Entendo! Ela caminha mais para perto de mim – O que posso fazer para ajudar?

−Pergunte a Carol, Sasha, não sei isso também não é comigo! Ela apoia a mão na grade, suspiro −Vai perder um dedo! Eu aviso quando um zumbi caminhava ávido, ela se afasta assustada, me olha envergonhada – A Carol fica lá dentro! É uma dica, quem sabe ela entende, vejo Alice passar ao longe ela me fuzila com o olhar, sabia que acabaria tendo problemas, mereço.

−Vou falar com ela, obrigada! Ela apoia o braço em meu ombro, me afasto teria feito isso se fosse qualquer pessoa, menos Alice, ela percebe, sorri falsamente e me deixa sozinho finalmente.

Não vejo mais Alice até a hora do almoço, estava entrando para o refeitório, aceno para algumas pessoas, vez por outra escuto alguém me cumprimentar e respondo de longe, então ela passa por mim e é como se não me visse, passa direto.

Eu devia simplesmente ignorar isso, deixar que fizesse o que quisesse, mas simplesmente não consigo e sigo Alice.

−O que deu em você? Pergunto segurando seu braço.

−Que susto! Ela diz – Está doido?

−Está me ignorando?

−Não! Ela franze a testa – Que ideia, estou indo buscar a Maggie.

−Tem certeza? Me sinto completamente ridículo fazendo isso.

−Se acha que gostei de te ver de conversinha com a tarada da estrada fique sabendo que não achei nada divertido, mas não estou te ignorando, ainda!

−Está...

−Depois Daryl, agora estou ocupada e você pode ficar lá com a sua amiga!

Ela me deixa falando sozinho, some para o pátio e me sento na escada como todos os dias, Carol se aproxima.

−Alice não vai ficar assistindo a outra te atacar e ficar calada, vai se meter em encrenca.

−Já me meti! Eu respondo – Você como está?

−Bem, essa coisa toda, todas essas pessoas para cuidar, me ocupa a cabeça, isso facilita demais, Alice também está tornando seus dias mais fáceis não está?

−Fáceis? Eu bufo – Vai me enlouquecer isso sim, é maluca!

−Você adora isso!

Adoro, adoro ser desafiado, adoro que Alice não tenha medo de mim, que me enfrente de igual para igual, que tenha sempre uma resposta na ponta da língua e principalmente que seja sempre alegre, leve e completamente bipolar.

−Chega dessa conversa, vou comer alguma coisa e voltar para o trabalho! Sempre fico assustado com o que meus sentimentos por Alice me provocam.

Alice se aproxima com um prato na mão se senta ao meu lado, Carol sorri enigmática e se afasta.

−Falavam de mim? Pergunta.

−Sim centro do universo! Ela ri e me dá um empurrão – Disse a Carol que me deixa maluco!

−Eu! Ela se espanta – Que absurdo, você que me deixa louca, e agora que está todo amiguinho daquela garota.

−Nem de longe te deixo louca e não fiquei amiguinho de ninguém.

−Claro que me deixa, briga comigo o tempo todo, só quer me dar ordens e está sim amiguinho da... Nem gosto de falar o nome dela.

−Eu brigo por que faz merda e não te dou ordens, até porque não obedeceria, e a mulher só queria agradecer e disse a ela que devia agradecer você.

−Devia mesmo! Ela lambe os dedos.

−Para de fazer isso!

−Que coisa, porque não posso lamber meus dedos? Ela passa a mão na minha blusa – Pronto, não vou mais lamber os dedos, vou limpar em você!

−Não seria a primeira vez, tenho que voltar ao trabalho o que vai fazer agora?

−Nada demais, quer ajuda?

−Não, vamos começar a construir a tal cozinha é trabalho pesado.

−E quer cuidar de mim? Ela diz rindo, aperto seu nariz e me levanto.

−Não é isso que faço o tempo todo?

Sigo de volta para o trabalho, me envolvo na construção, Tyreese, Rick e Glenn me ajudando.

−Hershel se aproximou muito do médico, estão cheios de planos, foi importante trazê-lo! Rick me avisa.

−Não tem mais como ser diferente, se vamos reconstruir precisamos de pessoas! Eu aviso – Mas tem algo mais importante que quero falar com você.

−O que? Eu e Rick levantamos uma viga, Tyreese e seu inseparável martelo fixam a madeira na fundação.

−As armadilhas lá fora, são para os animais não para você, vi que tem ido lá fora desarmado, não sei Rick, é perigoso.

−Levo minha faca, não se preocupe, um revolver não serviria para muito de qualquer modo.

−Não se esqueça que não são só zumbis, ele está por ai.

−Se Phillip tivesse intenção de voltar já teria feito isso, nem sei se está vivo!

−Ok Rick, ninguém vai dizer que não tentei.

−Acha que devemos nos preocupar com Michonne, ela ainda não voltou.

−Não, ela se vira bem sozinha e está obsessiva, mas não vai se arriscar mais do que o necessário, já deve estar voltando.

−Ela nunca vai encontrar o cara, é como procurar uma agulha em um palheiro! Glenn nos diz – Acho até bom, ela faria uma loucura se encontrasse ele agora.

−Faria mesmo! Eu concordo.

−Alice ainda está brava com você? Glenn me pergunta – Por que a Maggie está e nem sei muito bem porquê.

−Alice é sempre maluca, mas acho que não está brava não.

No fim do dia paramos decididos a continuar na manhã seguinte, tomo um banho, Alice está de novo sumida, não está na cela dela nem na minha então sigo sozinho para o pátio, quase todos estavam por lá, aproveitando a noite, logo o frio nos impediria de passar muito tempo do lado de fora.

Alice caminha em minha direção, vem pisando duro, está mesmo muito brava, que merda eu fiz agora penso quando ela se aproxima.

−Sabia que é um grande idiota? Ela para na minha frente os olhos firmes, ergo uma sobrancelha.

−O rei deles, já me disse! Respondo começando a me irritar – Pode me dizer o que fiz?

−Arrancou os fios da moto! Ela grita – Acha que pode mandar em mim? Eu abro a boca para responder, mas ela me impede – Eu disse que não iria sair por ai de moto, mas preferiu destruir a moto, duvidou de mim!

−Você sem dúvida tem problemas sérios, caiu de cabeça quando nasceu?

−E você é um troglodita, não confiou em mim, odeio quando faz coisas assim, destruir a moto foi ridículo!

−Eu não destruí coisa nenhuma.

−Já não chega essa porra de apocalipse nos perseguindo, esses mortos de merda a nossa volta, acha que sou imbecil, eu nunca iria me colocar em risco!

−Você é imbecil, e surda também já disse que não destruí nada, de onde tirou isso?

−Quem mais destruiria a moto só para mandar em mim?

−Odeio quando faz isso sabia, é louca e quer me deixar louco também só pode ser isso!

−Se acha que só porque eu amo você vou te obedecer cegamente está errado, seu troglodita, lunático e grosseirão! Ela despeja na minha cara e depois me dá as costas, Alice acaba de dizer que me ama.

−Eu também te amo, sua imbecil, maluca e ridícula! Respondo, ela paralisa um segundo depois continua andando.

−Vá para o inferno! Grita na frente de todo mundo, me deixa plantado no pátio e embora não olhe para ninguém sei que sou o centro das atenções, acabo de dizer a Alice que a amo, e isso é a mais pura verdade, fiz isso aos gritos na frente de todos, qualquer outra mulher se voltaria para mim, talvez a briga acabasse, mas Alice não é nem de longe qualquer mulher e como é completamente incrível me manda para o inferno e só deixa claro que nasceu para mim, sorrio feito um idiota, acho mesmo que se ela tivesse corrido para meus braços teria perdido o encanto.

−Garota infernal! Digo em voz alta seguindo atrás dela.

Sei que nesse momento está na cela dela abraçada a lanterna se fazendo de difícil, queria parar de sorrir para ver se as pessoas paravam de olhar para mim como se eu fosse anormal, mas não consigo, subo as escadas e entro na cela.

Lá está ela abraçada a lanterna olhando para o teto, não me olha.

−O que está fazendo aqui? Pergunto da porta.

−Essa é minha casa! Ela diz de má vontade.

−Não é não! Eu a pego no colo – É no máximo seu guarda roupas! Ergo Alice e caminho com ela para minha cela.

−Quer me colocar no chão seu troglodita, odeio você! Ela se debate, é tudo menos delicada, não me abalo.

−Eu sei, mas também me ama! Coloco Alice na minha cama, ali é seu lugar, principalmente depois de dizer que me ama.

−Amo nada! Ela diz ainda brava, me deito a seu lado – Falei aquilo só para causar impacto!

−Mentira! Eu a abraço, puxo Alice para meus braços – É louca por mim!

Beijo seu pescoço, ela passa os braços por meus ombros, geme com meu toque, então me afasto um pouco.

−Você me deixa completamente louco de todas as maneiras! Ela tem os olhos fixos nos meus toca meu rosto – Não fiz isso, confio em você, vamos descobrir quem destruiu a moto, prometo! Ela concorda – Hecatombe!

−Está certo, agora chega de perder tempo! Ela ri – Da próxima vez que for dizer que me ama pode ser mais romântico?

−Quem sabe, vamos ver se merece, afinal acaba de dizer que não me ama.

−Você sabe que sim! Ela desce as mãos por minhas costas, beijo Alice.

−Sim o que? Eu pergunto, ela ri – Não vai dizer de novo?

−Quando ouvir eu digo! Nosso pequeno embate de sempre, mas dessa vez quero perder a batalha.

−Amo você!

−E sou toda linda?

−Já disse é bonitinha! Ela faz bico, ganha um beijo.

−Amo você! Me diz e consegue despertar cada célula do meu corpo, eu a beijo, é como se fosse a primeira vez, talvez seja, afinal é a primeira vez que beijo a mulher que me ama, a mulher que eu amo, nos esquecemos de tudo.

Pela primeira vez na vida me sinto completo, inteiro, e deixo essa emoção me dominar, meu sangue pulsa junto com as batidas frenéticas do meu coração.

Para o inferno com o apocalipse, Alice me ama e isso é só o que importa hoje.

Notas finais
E então espero comentários, quero saber o que acharam. beijos