Caminhando entre os mortos
30 Capítulo 30 - Ele me ama
Notas iniciais
Pov – Alice
Eu disse a ele, sabia que faria isso, Maggie deve estar morrendo de rir de mim, eu e essa minha boca grande, mas que se dane, afinal ele também disse e depois me roubou para ele nem acredito em como foi perfeito!
Como isso foi acontecer bem no meio de um apocalipse?
Penso em Emma e nas coisas que me dizia, no quanto me conhecia, talvez melhor que eu, Daryl é exatamente do jeitinho que ela me descreveu que seria, foi tudo do jeito que ela me disse que seria e acho que se estivesse aqui ficaria contente por mim, me mandaria ter mais juízo para não estragar tudo, me daria mil conselhos sobre pensar antes de falar e focar mais nas coisas, mas não sou assim e nem quero aprender a ser.
Ele se meche dormindo, mas não se afasta de mim, me aperta mais a ele, deixo escapar um suspiro, não quero mais sair daqui, nunca mais, e aquela bruxa tarada da estrada que se meta comigo.
Me lembro da moto, porque alguém faria isso? Está claro que pensaria que foi ele e acabaria brigando, felizmente estamos acostumados a brigar e acabamos nos entendendo sempre no final, na verdade acho que as brigas nunca vão acabar por que ele é mandão e não sei obedecer ordens.
Vou fazer uma investigação e descobrir quem ganharia com uma briga nossa, de qualquer modo não deu certo, e foi muito bem feito.
−Sem compromissos logo cedo? Daryl me pergunta e sorrio sentindo a barba dele no ombro.
−Cancelei tudo só para ficar aqui com você! Digo me virando, nos arrumamos e fico deitada em seu peito, adoro ficar assim, enroscar minhas pernas nas dele e deixar o tempo passar.
−Nossa quanta honra.
−Eu preciso te contar uma coisa! Ele me olha esperando o que vou dizer – Ontem um cara ficou gritando no meio do pátio que me ama, acho que tem o direito de saber.
−Ficou é? Gritando, puxa que coisa, o que disse a ele? Daryl está mais lindo que nunca, se ele não fosse ficar todo se achando eu bem que diria a ele.
−Mandei ele para o inferno!
−Fez bem, ele foi?
−Correndo! Ele ri.
−Sabe que o mesmo aconteceu comigo?
−Uma garota gritou que te ama? Não sei se acredito! Brinco com ele.
−Pode perguntar a quem quiser, todo mundo ouviu.
−E o que você fez? Ele aperta meu nariz é o mais próximo que chega de um carinho.
−Corri atrás dela.
Fico derretida e assustada, preciso ser honesta sobre isso, não é uma brincadeira e o mundo está acabado e não há lugar para sentimentos como esse.
−Temos que começar a investigação.
−O que estamos investigando? Ele me pergunta.
−Devia falar com o Hershel sobre essa sua falta de memória! Ele revira os olhos – Sobre quem destruiu a moto.
−Não faço ideia de quem fez isso nem porque, mas prometo arrumar sua moto.
−Minha?
−Sejamos honestos, nenhum dos dois levou muito a sério aquela história de que a moto iria para o lixo, nunca achei que abriria mão dela, nem você pretendia fazer isso.
−Me deixa livre e vou te amar para sempre! Aviso Daryl ele sorri abertamente meu coração descompassa.
−Você é livre, mas eu vou te atormentar do mesmo jeito, não consigo evitar, mesmo sabendo que nunca me dá ouvidos, é louca.
−Me ama, mas só me critica!
−Vamos voltar a investigação agente secreta infiltrada!
−Se disser o que acho vai me ouvir?
−Eu sei o que acha – Ele me diz – Acha que foi a mulher que chegou, aquela que não gosta nem de dizer o nome.
−Acho.
−Ela chegou depois de você quase me matar do coração chegando com aquela merda de moto.
−Eu sei, é isso que falta eu entender, mas chego lá!
−Certo, agora vamos levantar, a prisão já está a todo vapor.
−É eu sei, quando vamos sair de novo?
−Minha ideia é sair amanhã, o que acha?
−Bom! Me espreguiço, Daryl resmunga e nos levantamos – Vou lá no meu guarda-roupa! Ele balança a cabeça em negação – Você que disse, e a minha lanterna acabou ficando lá, dá próxima vez que me roubar tem que trazer ela junto.
Assim que desço Maggie e Beth estavam sentadas juntas, as duas riam de mim, me aproximo séria.
−Daryl acabou de passar por aqui, estava com uma ótima aparência!
−Estou ficando bem boa em fazer coisas! Rimos as três, Beth cora um pouco – Você ouviu que ele me ama?
−Sim, sua boca aberta! Maggie diz contente − Devia ter feito como você e apostado.
−Ele é muito turrão, nunca confessaria, mas não foi de propósito, eu estava puta da vida e saiu!
−Sabemos disso! Beth me confessa.
−Quem vocês acham que me sacaneou? Eu pergunto, elas se olham – Alguém fez isso de propósito, só para ver o circo pegar fogo.
−Tenho meu palpite! Maggie me diz e sei que pensa como eu.
−Se estão falando da Tess acho um exagero!
−Vai achar isso até ela cair em cima do seu homem! Maggie comenta e Beth faz um ar enfadonho – Aposto que foi ela.
−Como ela saberia e porque faria isso? Beth a advogada do diabo pergunta.
−Porque quer o Daryl! Digo com simplicidade – Agora como não faço ideia, quer dizer seria fácil fazer isso, se soubesse que eu ficar brava e que acusaria ele, mas como ela saberia?
−Eu sei! Maggie comemora – Ontem passamos a manhã juntas eu e você, ficamos quase uma hora na biblioteca e falamos sobre isso, falamos sobre sua chegada de moto, as ameaças dele, conversamos essas coisas e quando estávamos saindo ela estava entrando, quem garante que não estava ouvindo?
−Contente Beth? Eu digo brava – Está claro que foi ela, mas nunca vamos poder provar! Eu fico deprimida com a ideia.
−Mas podemos ficar em alerta com ela, se faz uma coisa assim só para se dar bem pode fazer qualquer coisa! Maggie avisa.
−Vamos fazer isso, nós duas ao menos vamos! Saio para o pátio decidida a não falar sobre isso com ninguém, sei perfeitamente que vai parecer ciúme.
Me envolvo nos trabalhos comuns a prisão, um número razoável de zumbis se junta mais uma vez nas grades, me junto ao grupo para matar alguns, sempre acho matar uma redundância, mas não sei que nome dar a isso.
Depois é hora de almoçar, Daryl se senta na escada como de costume, eu estava pegando minha comida quando Theresa entra no nosso refeitório, a cozinha estava separada a dias, as pessoas não comiam mais conosco, não sei o veio fazer, mas ela caminha sensual em direção a Daryl, meu sangue ferve.
Pego minha comida e sigo para meu lugar de todos os dias ao lado de Daryl.
−Oi Theresa! Eu digo antes de ela abrir a boca, ela me olha, responde o cumprimento apenas com um movimento de cabeça.
−Podemos falar Daryl? Ela pergunta.
−Estou ouvindo! Ele responde meio incomodado, sei bem que está morrendo de medo de ser de novo o centro das atenções.
−Eu quero sair nas buscas com vocês! Ela diz determinada.
−Como quiser! Ele dá de ombros, ela se espanta, acho que assim como eu esperava ouvir um sonoro não.
−E também quero saber se não poderia quem sabe me mudar para esse bloco.
−Não! Eu respondo, antes que ele dissesse alguma coisa que me tirasse do sério.
−Como é mesmo seu nome? Ela me pergunta, só quer me provocar, isso é visível.
−Alice! Eu respondo com meu melhor sorriso.
−Certo Alice, eu divido uma cela com uma mulher que nunca vi na vida, não gosto de dormir assim, quero ter uma cela só minha, aposto que tem a sua, que dorme bem à vontade.
−Acertou, tenho minha cela, durmo bem à vontade, mas não sozinha! Passo o braço pelo de Daryl e abro meu melhor sorriso, ela ergue uma sobrancelha.
−Entendo! Ela desvia o olhar – Mesmo assim quero um espaço meu, vou trabalhar pelo grupo e mereço.
−Claro Theresa, vai ter sua cela, mas lá no seu bloco, quanto a merecer ainda vamos descobrir isso! Aviso e ela fica sem saber o que dizer, o silencio reina por um segundo e então ela nos deixa.
−Porque...
−Porque desde que vi você tive vontade de te proteger, por isso não queria que saísse nas missões! Ele me diz sabendo o que iria perguntar.
−Já me conhece! Respondo.
−Sim Alice, agora acho que pode simplesmente superar isso, se vamos todos estar lá fora não quero que fique em risco por conta de uma estranha.
−Está todo maduro! Resmungo — Não quero superar nada, quero dar um soco naquela... Posso xingar?
−Melhor não! Ele ri de mim.
−Que merda, a porra do mundo acabou e nem posso xingar alguém!
−Alice, não me prometeu que vai se controlar, quero que fique segura.
−Já sei disso, vou ficar longe, na verdade, vamos ficar longe, plural!
−Combinado.
−Ótimo, se lembre das coisinhas que andei aprendendo, não quer que me faça de difícil quer?
−Cala boca! Adoro que ele fica sem graça, nem parece o matador de zumbi que vive por ai com uma besta nas costas e uma cara de mal.
Daryl aperta meu nariz e depois me deixa, aproveito que ele está de costas para lamber os dedos, minha pequena vingança.
Fico perambulando pela prisão, os homens estão terminando a construção da nova cozinha e o trabalho mais pesado é sempre pela manhã, além disso como vamos sair amanhã ficamos todos meio de folga, menos Daryl é claro ele não consegue.
Eu fico observando seu trabalho, é meio fetiche vê-lo ali, carregando peso, um tanto suado e a ideia de que depois vamos ficar juntos me diverte, nunca me vi assim, acho divertido, acabo rindo sozinha e então ele caminha para mim.
−Que foi?
−Eu estava aqui te dando mole, acho que hoje vai se dar bem, gostei de te ver trabalhando.
−Você não é mesmo muito normal!
−Ainda bem, é chato ser normal, e não fique me olhando como se fosse muito equilibrado! Ele ri e se senta do meu lado.
Mentalmente tomo uma decisão, vou ensinar Daryl a ser mais solto, quero me sentir à vontade para poder abraçar e beijar ele quando quiser, onde quiser.
−Nem quero saber o que tem nessa cabeça no momento! Ele diz e faço um olhar sexy, de novo ele ri de mim, já entendi que não levo jeito para isso.
−Foi aquela mulher que sabotou minha ex futura moto.
−Alice porque ela faria isso?
−Ela me ouviu conversar com a Maggie, queria que nós dois brigássemos, ela só não sabia que brigar é como respirar para nós!
−Nós não, você!
−Isso porque acha que ela quer que eu fique com ela?
−Não é você, é quem você é!
−Quem eu sou?
−Olhe o Patrick! Aponto o garoto que andava pelo pátio com Carl – Vê como ele parece bem aqui?
−E...
−Você proporciona isso a ele, já reparou como ele te idolatra, como todos te adoram e respeitam? Daryl ri de mim, não acredita que seja assim tão importante para o grupo.
−Eu?
−Sim, essas pessoas sabem que é você quem lidera o grupo lá fora, que se arrisca, que trás as pessoas que encontra na rua.
−Certo e acha que ela quer o que com isso?
Eu suspiro, sei bem o que ela quer, a posição que ele ocupa, as facilidades que isso pode oferecer.
−Cassete Daryl como você é lento!
−Oh boca!
−Oh ouvidos! Respondo – Ela quer a sua posição, quer proteção e facilidades!
−Entendi sua teoria, não faz sentido para mim.
−Ok, vamos deixar isso para depois, quero me concentrar na nossa missão, onde vamos, quem vai.
A noite é perfeita, como todas as outras, pela manhã estamos prontos, vamos o grupo de sempre, Maggie e Glenn, eu e Daryl, Sasha e a novata idiota.
Um carro seria suficiente, me aproximo do grupo mais tensa que todas as outras vezes, é ruim ter alguém que não confio no grupo, me dá medo de colocar em risco as pessoas que amo.
−Onde vai? Daryl me pergunta quando caminhava para o carro, olho para ele sem entender.
−Entrar no carro! Respondo.
−Você vai na frente, de moto! Ele me avisa – Acho que meu irmão adoraria te ver por ai com a moto dele! Corro para seus braços, ele sorri me envolvendo, estou tão feliz por sua atitude que não resta outra opção a ele se não retribuir ao meu abraço de gratidão – Confio em você, vai sozinha e voltamos juntos!
−Eu te amo sabia?
−Ouvi dizer! Ele responde entrando no carro, subo na moto e quase me esqueço da sensação ruim que me acompanha desde cedo.
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