Caminhando entre os mortos

25 Capítulo 25 - Mais uma perda


Notas iniciais
Olá pessoas, aqui está mais um capitulo, quero aproveitar para dedicar a Carol Braks, nem sei como agradecer a recomendação, obrigada por acompanhar essa fic e as outras, fico muito feliz, melhor do que escrever é poder dividir com vocês, e quando alguém me faz algo assim carinhoso me deixa muito feliz, adoro escrever e essas coisas torna isso ainda mais perfeito, realmente obrigada!

Pov – Daryl

Quem consegue ficar de repouso com Alice por perto? Eu penso enquanto nos beijamos, estou tudo menos parado, ela tem mesmo uma pele de seda e sabe como me fazer ficar maluco.

Ainda não acredito que justo agora que nos entendemos eu fui tomar essa merda de tiro, quando penso que poderíamos estar bem mais juntos e não estamos por conta desse tiro fico bem irritado.

−Esses beijos são bem bons, fico meio tonta toda vez! Ela me diz quando nos afastamos um pouco – Sabia que com aquele namorado de uma semana não era bom assim?

−Cinco dias!

−Quer dizer que estava prestando atenção na conversa, já estava louco por mim?

−Como você é idiota! Eu a beijo de novo – Não estava propriamente preocupada com quem estava ouvindo, não falou baixo!

−Certo, vou te dar um desconto, mas que não era bom assim isso não era.

−Sou talentoso!

−Agora está sendo é ridículo, eu que sou talentosa! Ela diz com os olhos brilhantes – Vou pedir para o Rick me ensinar a usar melhor as armas!

−Isso é bom, mas eu posso te ensinar quando melhorar.

−Se ficar gritando comigo te mando para o inferno!

−É só não ficar falando bobagens!

−Nem precisei roubar seu travesseiro!

−O que? Ela sempre faz isso, muda de assunto me deixando tonto, sempre estou um passo atrás não importa o quanto me concentre.

−Nossa Daryl você é muito lento! Ela diz entediada a maluca – Se lembra que tinha um plano sinistro de roubar seu travesseiro?

−Lembro!

−Não foi preciso, pelo menos não ainda, mas ele é melhor do que o que tenho na minha cela, quando estiver brava com você e for dormir lá vou levar ele comigo!

−Coisa nenhuma! Reclamo – E quando eu estiver bravo com você onde vai dormir?

−Aqui! Ela diz simplesmente – Se for dormir lá toda vez que fica bravo comigo nunca mais vamos dormir juntos, vive bravo comigo, é muito mal humorado.

−E você nunca faz nada para merecer?

−Claro que não! Alice me beija – Vê como só te agrado, cuido de você, peço beijos, subo na torre sozinha, só para te entregar o que tenho... Tinha de mais puro, sou a melhor coisa da sua vida!

−Nossa Alice, eu nunca achei que encontraria alguém tão cara de pau assim, não fica com vergonha?

−Não! Ela ri – Como a Michonne chegou aqui?

−Achou um cavalo!

−Temos um cavalo? Ela se anima – Caramba, como é egoísta, nem me disse nada, vamos lá ver ele?

−Amanhã! Ela faz bico – Não disse que cuida de mim, não posso descer agora!

−Posso...

−Não, você não vai sair por ai a cavalo de jeito nenhum e ele é da Michonne!

−Eu sou uma prisioneira aqui, eu queria aprender a andar a cavalo!

−Alice, se nem sabe andar para que vai inventar, e se cair e quebrar uma perna?

−Entendi! Ela diz por fim, se mexe na cama e se ajeita para me olhar – Está doendo?

−Não, estou ótimo!

−Então logo vai ficar bom, a Carol sabe mesmo fazer curativos, mas esse está enorme, parece que fez uma cirurgia de tão grande, não é só um buraco de bala?

−Sim, mas ela e o Hershel acham que como não fico muito quieto é melhor assim!

−Uma vez quebrei a perna andando de skate.

−Quantos anos tinha? Eu pergunto tirando uma mecha de seus cabelos do rosto, ela sorri.

−Acho que tinha vinte um, não sei direito.

−Vinte um e estava brincando de skate?

−Com os meninos que moravam lá perto, eles estavam me ensinando, foi uma merda, eu não tinha ninguém para cuidar de mim, quase morri de fome em casa!

−Bem feito! Ela me mostra a língua – Desistiu?

−Que jeito! Alice se deita de novo, me abraça – Faz cafuné?

−Não! Ela me olha.

−É um troglodita de tão delicado, fiquei perdida nas ruas, sendo perseguida por zumbis, sozinha e abandonada, tem que me agradar um pouco!

−Eu tomei um tiro, fiquei inconsciente e quase morri, eu que preciso ser agradado!

−E ficou chamando por mim! Ela me sorri.

−Chamei coisa nenhuma! Rebato, mas sei que possivelmente fiz isso, afinal estava apavorado com a ideia de que ela estava sozinha no meio do ataque.

−Brincava na rua quando era criança?

−Porque muda de assunto assim do nada toda vez?

−Quem mudou de assunto? Ela fica chocada – Não estamos falando de Skate?

−Isso foi a uma eternidade!

−Já disse minha mente trabalha sem parar, sou brilhante! Ela me diz como se fosse uma verdade única – Brincava?

−Quando Merle não estava em casa, mas as coisas eram bem difíceis para mim, acho que não brincava, meio que só fugia.

−Sua mãe não era boa também, eu sei disso, mas nem o Merle?

−Merle vivia encrencado, em reformatórios e sei lá, eu só ficava lá, me virando.

Ela me tira muito, não me importo de falar sobre mim, o que é estranho porque normalmente detesto me lembrar e ninguém sabe muito da minha vida aqui.

−Isso devia ser bem ruim, quer dizer, era só uma criança, ainda não era esse troglodita que é hoje.

−Quanta delicadeza! Ela me beija sabe conseguir o que quer – Não eu era um menino, mas não era nenhum santo acredite, de qualquer modo isso é passado, minha vida foi uma merda, minha mãe era alcoólatra, meu pai não valia nada e o Merle era um desastre de irmão mais velho.

−Mesmo assim virou um cara bem legal, é bom e justo!

−Mas não era antes.

−Não faz diferença, agora a vida que tínhamos antes não tem nenhuma importância, ricos e pobres, quem estudou, quem não estudou, bons, maus, diante desse inferno somos todos iguais, então podemos ser quem a gente quer.

−Pode ser! Ela tem razão, eu decidi ser um cara melhor, lutar por mais que um dia, decidi lutar por pessoas e me sinto bem com isso – O cara que nos atacou, e outros por ai, escolheram a sombra, precisamos de cuidado.

−É eu sei, dei sorte sobre isso, nunca encontrei com gente muito ruim, mas sempre soube que existiam, às vezes gente nova chegava no grupo e contava histórias, tem todo tipo de violência lá fora, mas acho que sempre teve.

−Sempre, eu sei disso, cresci nesse mundo que está falando!

−E não se contaminou! Eu toco o rosto de Alice, faço o contorno de seus traços, ela fica me olhando fixamente, nem pisca, então me dou conta do que estou fazendo e paro.

−Isso que fez agora tem um nome, é carinho, gostou de fazer isso?

−Boba! Eu a puxo para um beijo, ela é tão... Alice me deixa maluco e cada vez de um jeito diferente, nem sei mais que nome dar a isso.

−Queria ficar assim até amanhã, mas acho que tenho que te deixar dormir.

−Você também precisa descansar.

−É bom me ter aqui não é, ficar de repouso sozinho seria muito chato, seja grato!

−Aconteceu isso quando estava na fazenda do Hershel, foi um inferno, e acho que posso concordar que dessa vez pode não ser tão irritante, mas isso depende de você se comportar.

−Boa noite Daryl! Ela diz rindo – Eu não vou me comportar sabe disso!

−Sim, eu sei! E na verdade adoro a ideia.

Dormimos rápido, tomei um analgésico e Alice teve momentos difíceis ainda está se recuperando, meu sono é tranquilo com ela ali, em meus braços, parece mesmo um anjo e se olhar Alice dormindo ninguém diz que é a Hecatombe que é quando acordada.

Sinto ela me esmagar saindo da cama, mas que mulher que acorda cedo, mal amanheceu, custo a abrir os olhos, me viro e ela está sentada no chão amarrando os sapatos.

−Pensei que não iria mais ajudar na horta.

−Vou ver a senhora Adams, quer que traga café para você depois?

−Não eu quero descer.

−Certo, vou na minha cela pegar umas coisas e terminar de me arrumar e depois vou lá no bloco D.

−Te vejo lá em baixo!

−Cuida da minha lanterna! Ela se levanta e deixa minha cela, fico olhando para o teto uns minutos, então algo me desperta totalmente, a velha tinha dado a entender... e se fez mesmo, Alice vai entrar lá e pode dar de cara com ela morta, ou pior.

Me levanto apressado, garota infernal, não posso me descuidar dela um segundo, o ferimento lateja enquanto me calço apressado.

−Alice me espera! Digo em voz alta, sem resposta, pego minha besta e saio o mais apressado que consigo, desço as escadas e Glenn está sentado no refeitório – Viu Alice?

Pergunto antes mesmo de me aproximar dele.

−Acaba de passar! Ele responde.

−Vem comigo Glenn! Eu chamo, ele não pede explicação apenas me segue tão apressado quanto eu.

Chegamos no segundo em que Alice abria a grade da cela.

−Senhora Adams... – Ela diz enquanto puxava a grade para abrir.

−Alice não! Eu grito enquanto armava a besta, é tarde demais, ela abre e o zumbi salta sobre Alice, as duas caem, a cortina entre elas me confundindo a mira.

Alice a segurava pelo pescoço, a cortina finalmente se solta cobre Alice e o zumbi fica na mira atiro minha flecha certeira e o zumbi tomba sobre ela, Glenn corre e tira o corpo de cima de Alice, pessoas surgiam de todos os lados enquanto Alce se arrastava para longe e eu caminhava para ela.

Ela olhava para o corpo no chão, a mulher tinha os pulsos cortados, estava suja de sangue e dá para ver o rastro de sangue vindo da cela.

Ponho Alice de pé, ela se abraça a mim, está chocada demais para falar ou chorar, fica muda olhando para o corpo no chão, Glenn usa a cortina para cobrir a mulher, agradeço por isso.

−Ai meu Deus! Karen se aproxima – Eu sinto muito Alice, não acredito, passei aqui antes de dormir, ela me disse que estava bem.

−Eu... Eu achei que ela... Eu devia...

−Não comece com isso! Digo antes que ela se culpe – Sempre se culpa pelas mortes a sua volta, isso não tem nada a ver com você!

−Todo mundo morre! Ela então cai no choro, apenas a abraço, fico com raiva e pena da mulher ali no chão, ela não podia ter feito isso com Alice, mas ao mesmo tempo o que mais restava para ela?

−Alice, me escute, vou cuidar de tudo abrir uma... Preparar as coisas, vá ficar com a Maggie, depois quando tudo estiver pronto eu...

−Vá com ela Daryl, abro a cova e preparo tudo, chamo vocês para fazer um enterro! Glenn me diz solidário.

−Eu ajudo! Rick surge ao meu lado, não é preciso dizer a ele o que aconteceu, apenas afirmo com a cabeça e começo a caminhar com a Alice para longe dali.

−Vem vamos para casa! É assim que ela chama e ela apenas caminha, passo por Maggie e Beth elas me olham confusas, não perguntam nada.

Subimos e entramos na minha cela mais uma vez, ela se senta na cama, ainda chorava, não sei como consolar Alice, então só me sento a seu lado lhe dando tempo para chorar.

−Não fica triste!

−Eu não estou triste, estou brava! Ela diz soluçando – Não entendo isso, como alguém pode desistir, é injusto com os que morreram lutando!

Concordo com ela, sempre achei isso, se cair que seja no meio da batalha, mas a mulher estava desiludida.

−Ela perdeu tudo Alice, estava abalada, mas acho que isso foi uma decisão consciente!

−Sei que foi, mas ela... Puxa era bom ter a senhora Adams por perto, mesmo ela querendo me casar com o filho dela e agora odeio cortinas!

Abraço mais Alice, ela é divertida até quando está triste.

−Vamos fazer uma cerimônia para ela, eu sinto que a tenha perdido, mas vamos respeitar sua decisão.

−Eu sei! Ela volta a chorar abraço mais Alice, quis cuidar dela quando chegou aqui, ouvi seu choro uma noite inteira e não fi nada, mas agora é diferente, fico com ela ali, até que suas lágrimas se acabem, ela soluça, seca o rosto com a mão, se encolhe um pouco e então Maggie entra na cela.

−Está tudo pronto! Diz solene, olho para Alice.

−Quer fazer isso?

−Sim, eu quero, acho que ela só tinha eu, vou lá... não sei, apenas vou até lá.

Não tem discurso como quando Dale foi sepultado, apenas uma dúzia de pessoas, reunidas um segundo e acho que estão todos ali por Alice, ela conquista as pessoas.

Depois seguimos de volta ela caminha ao meu lado, os olhos vermelhos pelas lágrimas.

−Obrigada, me salvou!

−Teria dado um jeito!

−Não, eu não teria, nem mesmo cogitei a hipótese de ela ter feito, foi tolice minha, devia ter verificado, nem mesmo estranhei ela ter fechado as grades da cela, acho que foi o jeito que encontrou de proteger as pessoas.

−Sim acho que foi, mas não teve culpa, não dessa vez, não pense sobre isso!

−Certo, acho que é isso, perdemos e depois seguimos em frente, isso dói, não quero me acostumar, mas parece que esse é o único jeito.

Chegamos a minha cela, é meio nossa na verdade, nem sei por que ela deixa as coisas dela na outra já que mal entra lá.

−Porque não vamos ver o cavalo?

−Não quero, agora estou triste, assim ele não vai gostar de mim e quero que ele goste mais de mim que da Michonne, esse eu posso me apegar já que não vamos ter que comer ele, ou vamos?

−Não definitivamente, ele é para montar!

−Que bom! Ela se deita – Fica aqui comigo um pouco?

−Fico, eu não ia a lugar nenhum de qualquer modo!

Me deito com Alice, ela se abraça a mim.

−Lembra daquele negocio que fez ontem aquela palavra nova que aprendeu, carinho, é um bom momento para exercitar!

Eu sorrio para ela, beijo de leve seus lábios e toco seu rosto, ela se aconchega fecha os olhos e realmente gosto disso, de ter Alice assim em meus braços, de acalma-la e protege-la, Alice fica silenciosa, apenas aceitando o cuidado, eu perdi muito, mas ela perdeu ainda mais, me impressiona sua força.

−Você também tem o espirito forte! Eu digo a ela.

−Está indo bem! Alice diz.

−E é toda linda! Quero fazer Alice sorrir, ela me olha, suspira e se encosta de novo em mim – Não vai dizer nada?

−Não, só que gosto quando fica assim, todo bonzinho!

Notas finais
A senhora Adams se foi, mas não se preocupem Alice se refaz rápido e tem o Daryl para consolar, se fosse ela aproveitava e fazia muito drama, só para ele ficar assim bonzinho!rsrsrs beijos