Caminhando entre os mortos

14 Capítulo 14 - Não quero ter limites!


Notas iniciais
Olá pessoas queridas, mais um capítulo, não sei se vai dar tempo de postar mais um antes do Ano Novo, então desde já desejo a todos um ano incrível cheio de coisas boas e muito sucesso. Boa sorte!!!!

Pov – Alice

Me entrego ao beijo de Daryl como me entreguei a todos os outros, simplesmente por que ele me deixa completamente envolvida e só quero que dure para sempre, eu sei que isso pode um dia me ferir, mas que se dane, hoje me faz feliz.

Estamos na cela, ele me beija longamente, tem tanto sentimento que não acredito que seja só físico para nenhum dos dois, seus lábios se afastam dos meus e sinto falta, mas ele mais uma vez os desce por meu pescoço, me deixando tonta com o que aquilo me provoca e só consigo reagir, me colo mais a ele, estou quase em seu colo, minhas mãos saem de seus cabelos e descem por seu peito, ele faz o caminho de volta e de novo nos beijamos.

A mão dele desce por minha perna, aposto que agora está agradecendo o shorts, eu pelo menos estou, gosto de sentir suas mãos me tocando, me causando arrepios.

−Está me deixando maluco! A voz dele está ainda mais rouca e meu coração salta só pela ideia, ele volta a me beijar, a tocar meu corpo e eu apenas me deixo entregue, sem medo de onde estou indo, mas então ele se afasta um pouco – Aqui não Alice, temos que parar! Ele diz e acho mesmo que ele tem razão, apenas não consigo obedecer minha mente.

−Eu sei! Eu respondo, mas então o puxo para mais um beijo, ele corresponde, as coisas não são muito delicadas, tem algo de selvagem nesses momentos, nos afastamos um pouco, não consigo desgrudar meus olhos dos dele, não consigo me mover para longe, ficamos assim um pouco, nos olhando, meio enroscados um no outro, eu quase no seu colo, ele me apoiando para eu não cair e isso é bom porque não controlo muito meu corpo nesse momento.

Uma de suas mãos ainda descansam em minha coxa e eu sinto minha pele queimar.

−Diga, obrigado Alice por colocar esse short curtinho e me permitir tocar sua pele de seda! Eu brinco, não resisto a isso, a fazê-lo sorrir.

−Cala a boca Alice você só fala bobagem!

−Quando me beija eu fico calada, melhor tentar esse método!

−É um bom método! Ele volta a me beijar, depois nos afastamos.

−Estamos na minha casa ou na sua? Estou meio perdida.

−Na minha! Ele responde rindo com gosto, mas seu sorriso some, seu olhar muda, algo passo por ele e me dá medo – Sobre o que está acontecendo...

−Não quero falar sobre o que está acontecendo! Eu o corto decidida, tenho medo que ele fuja de mim – Quero viver o que está acontecendo.

−Tem certeza sobre isso?

−Claro que não, eu nunca tenho certeza sobre coisa alguma! Ele me beija de leve, só um toque em meus lábios e é tão bom quanto seus beijos ávidos – O que sei é que gosto muito de estar aqui.

Ele fica me olhando, acho que Daryl está um pouco perdido, ele não sabe dar carinho, ser delicado, e tem medo, tenho certeza que é tudo culpa da vida que teve, que ele não conta, mas sei que foi difícil, não me importo, posso ensinar a ele, ou não, o que tenho agora está perfeito.

−É sua deixa! Eu digo e ele franze o cenho – Tem que dizer que também gosta que eu esteja aqui.

−AH! Isso? Ele sorri pensativo.

−Pode mentir, não me importo! Ele ri.

−Gosto que esteja aqui e não é uma mentira!

Me sento direito, arrumo minha blusa toda desgrenhada e passo a mão pelo cabelo em desalinho, ele fica só me olhando, os olhos brilham um pouco e me dá medo do que sinto por ele.

−Vou dormir, viu minha lanterna – Eu procuro pela cama e a luz me leva até ela, que tinha caído e rolado para debaixo do beliche – Achei, você fica me agarrando e a pobre foi parar longe.

−Você não tem limites! Ele brinca.

−Não quero ter limites, quero ser feliz!

−Já notei isso! Eu volto até ele, agora com a lanterna na mão, minha vontade era nunca mais sair de perto dele e penso que se Emma estivesse aqui ela poderia me dizer porque me sinto assim, mas ela não está e só me resta seguir a vida, beijo Daryl, ele me puxa de volta para seus braços acabo no seu colo, onde na verdade queria estar desde o começo, estamos de novo envolvidos, nos beijando nos sentindo, mas de novo é ele quem nos afasta, agora estou completamente fora do ar, aquilo vai me enlouquecer, não pode ser sempre assim, preciso de respostas sobre isso, vou falar com Maggie.

−Eu sei que é difícil, mas precisa me deixar ir! Eu provoco, ele me solta e quase caio, ele me segura de novo e rimos os dois feito idiotas, eu roubo um beijo dele e me levanto – Até amanhã! Minha bateria está acabando, detesto escuro se ficar no escuro a culpa é sua.

−Leva a minha! Ele aponta a pia.

−Já disse que gosto dessa! Eu fujo de sua cela porque não quero contar a ele que ela é importante para mim, uma marca do que ele representa para mim, de como o simples gesto de se lembrar de mim e trazer a lanterna naquela noite fez toda diferença para mim e que agora estar com ela é estar um pouco com ele e por isso consigo dormir.

Pela manhã acordo completamente feliz, não tenho a menor ideia de como eu e Daryl vamos lidar com o que está acontecendo, mas que se dane, eu estou muito feliz, acho que se fosse bem honesta comigo assumiria que eu estou... Não eu não sou bem honesta comigo, não ainda.

Desço saltitante como uma garotinha e tropeço em Rick, literalmente tropeço em Rick que me sorri me segurando pelo braço para que eu não terminasse no chão.

−Bom dia Alice! Ele cumprimenta.

−Desculpe Rick, estava distraída, bom dia!

−Tudo bem? Ele pergunta enquanto caminhávamos juntos em direção ao pátio.

−Muito bem, e você?

−Vivendo um dia de cada vez!

−Parece uma boa ideia.

Passamos pelo refeitório, eu faço uma busca rápida com o olhar, nada dele.

−Está lá fora, ajudando a consertar sei lá o que.

−Não sou muito discreta né?

−Ele também já foi mais reservado! Rick brinca – Alice queria agradecer pelo que tem feito pelo meu filho.

−Não faço nada, temos idades mentais parecidas! Brinco e ele ri despreocupado, chegamos ao pátio.

−É sério, ele está encantado com você e está sendo mais fácil para ele aceitar minhas decisões.

−Que bom que estou ajudando, essa não era minha intenção... Quer dizer, eu não fiz nada demais, claro que quero ajudar, mas não sabia que estava ajudando, entende? Faço uma careta confusa e ele ri.

−Por mais estranho que pareça eu entendo!

−Você é um bom pai, quer dizer ele está vivo né, esse mundo, as crianças não tem muita chance eu acho! Me lembro dos meus dois anjinhos, meu coração entristece.

−Sinto por suas perdas.

−Todos nós perdemos, você também perdeu, eu sei disso.

−Foi mesmo, mas agora tenho que trabalhar, só queria agradecer mesmo e dizer que é bem-vinda!

−Obrigada! Ele segue para sua horta, ou o que um dia ela seria, agora só vejo mesmo terra, Maggie vem em minha direção descia da torre com Glenn e apressamos o passo para nos encontrarmos, vejo Daryl de longe ele me olha parado com Glenn mais atrás.

−Maggie podemos conversar?

−Quando quiser! Ela me diz sorrindo.

−Agora? Ela concorda – Pode ser lá na torre queria ver como é lá em cima.

−Vamos!

Caminhamos as duas em direção a torre, passamos por Daryl e Glenn.

−Oi! Eu digo aos dois, nenhum dos dois responde apenas balançam a cabeça.

−Onde vão? Daryl pergunta.

−Na torre! Eu respondo sorrindo para ele por que só posso pensar nos momentos mágicos que passei em seus braços.

−Duas garotas? Glenn nos olha – Quer dizer minha garota, o que vão fazer lá?

−Vou pegar sua garota Glenn, o que mais poderia ser, deixe de ser egoísta!

Maggie ri animada, os dois se olham rápido, meio confusos.

−Vamos só conversar um pouco! Maggie os tranquiliza.

−Tem reunião do conselho.

−Eu sei Daryl, vou estar lá e depois vamos caçar esquilos.

Acho a vista linda, é claro que se ignorar o fato que logo abaixo uma dúzia de zumbis desejam devorar minhas entranhas.

−Vai me dizer o que está acontecendo ou só quer mesmo olhar a vista?

−Eu e o Daryl, nós... Bom está rolando um clima, nos beijamos e ontem foi mais que um beijo, sabe foi especial e quente.

−Isso é bom ou ruim?

−Esperava que você me dissesse! Eu brinco.

−Eu acho bom, ele é um bom homem, meio fechado, mas acho que a vida dele foi um tanto complicada, mas se está tão apaixonada, só posso dizer para lutar por ele.

−Não disse que estou apaixonada! De onde ela tirou isso? Eu me pergunto.

−Não precisa, dá para ver, mas ele disse alguma coisa é um relacionamento?

−Ele queria falar sobre isso, mas não deixei, fiquei com medo de ele fugir de mim, não sei de nada, mas o que queria saber é se sempre que beija o Glenn, é assim quente, explosivo, sei lá, parece que saio do ar quando estou em seus braços.

−Eu amo o Glenn, e ele me ama e nossa relação está bem clara, então sim, tem momentos e eles são muitos, que é como descreveu, mas também tem muitos outros e são tão bom quanto, que é apenas terno e carinhoso.

−Acho que Daryl não sabe muito fazer isso, mas o que quero saber é se... eu nunca... Acho que quero que seja ele, na verdade tenho certeza, você se abriria se estivesse no meu lugar?

Eu não sou muito de guardar nada, mas ele é tão fechado, e na verdade eu nunca estive em um relacionamento de verdade, não quero fazer nenhuma tolice.

−Foi isso que eu fiz, na verdade sempre fui eu a dar o primeiro passo com o Glenn, mas cada um é de um jeito.

−Certo, depois falamos mais, acho que só queria desabafar mesmo, obrigada Maggie. Tenho que ir para reunião do conselho, mas podemos falar mais sobre isso, quando eu estiver mais certa do que estou sentindo?

−Quando quiser! Ela sorri – Adoro ser informada das relações românticas!

Sigo para reunião, quando chego estavam todos reunidos, me sento ao lado de Daryl.

−Atrasei? Pergunto.

−Acabamos de nos reunir! Carol me tranquiliza – Acho que podemos começar pelas refeições, não está fácil prepara toda essa comida, tem muitas pessoas e para ser honesta os membros de Woodbury viviam mais independentes lá, não podemos nos manter como antes de todos chegarem.

−Era mesmo mais fácil antes, apenas nossa família, mas está certa agora são muitos, quem sabe podemos dividir a comida e cada um cozinha em seu bloco?

Hershel comenta, eu fico bem calada, não cozinho, nunca cozinhei e seria uma péssima influencia já que quero os porcos vivos.

−Aprovo a ideia — Carol responde — Mas meu medo é que com isso o grupo fique muito dividido.

−Acho que isso pode ser bom também, as pessoas querem um pouco de privacidade.

Daryl me olha e sei que está pensando na cortina, sorrio para ele, adoro a cor dos seus olhos, nos perdemos um pouco um no outro, Glenn me cutuca e volto a realidade.

−Nesse caso assunto resolvido, próximo item! Eu comento me desgrudando de seu olhar.

−Sua ideia para a agua está funcionando super bem! Glenn me avisa – Os novos chuveiros já estão prontos e acho que conseguimos deixar a prisão mais segura.

−Os novos portões estão quase prontos e ai sim vai estar tudo bem protegido – Daryl comunica – Agora precisamos de um estoque de suprimentos, acho que vamos precisar organizar mais saídas.

−Podemos cuidar disso! Sasha diz e todos concordam.

Depois a conversa se desvia um pouco, todos conversam amenidades, rimos de uma questão ou outra, Sasha fala sobre as cortinas, Carol diz que vai organizar um grupo de mulheres para montar mais e pendurar nas celas e Daryl me lança um olhar de aviso, acabo rindo, nunca faria a bobagem de dizer que ele podia ser o cara certo para pendura-las, afinal ainda tenho medo de ser estrangulada.

Uma hora depois de começar a reunião chega ao fim e saímos todos da sala, sigo ao lado dele.

−Vamos agora? Eu pergunto assim que ficamos sozinhos.

−Sim, mas tem que prometer se comportar, nada de ficar falando sem parar e nem ter dó dos animais e muito menos sair de perto de mim.

−Entendi, você é muito chato, parece que tem cem anos! Ele pode ser lindo, e eu posso estar meio interessada nele ou muito interessada, mas ele sabe ser bem chato quando quer.

−E você parece que tem cinco!

−Vamos de uma vez?

−Não é assim, tenho que pegar umas coisas, vá buscar sua pistola e seu machado, eu vou pegar água, e algo para comermos e...

−Vamos passar a noite na floresta?

−Essa não é a ideia inicial, mas quero estar pronto para qualquer coisa.

−Oi Alice! Paul se aproxima sorrindo, Daryl tinha dado um passo para se afastar, mas acho que decide ficar e ele pode negar quanto quiser, mas sente ciúme sim.

−OI! Eu respondo um tanto sem graça, não quero estragar nada com Daryl e muito menos criar esperanças em Paul, antes eu acha que era só coisa da cabeça da mãe dele, mas agora estava meio na dúvida.

−Passei na sua cela hoje cedo, mas já tinha saído, foi fácil achar qual era a sua porque vi a cortina, ficou boa.

−Ficou, agradeça sua mãe de novo por mim.

−Ela me pediu na verdade para te convidar para quem sabe passar um tempo com ela mais tarde, o que acha?

−Estamos de saída! Daryl responde por mim – Vamos caçar!

−Entendo! Ele me olha e depois para Daryl sorri um tanto sem jeito – Bem eu digo a ela.

Assisto Paul se afastar, me viro para Daryl e pretendia dizer a ele que é um idiota, abro a boca.

−Nem uma palavra! Ele me dá as costas, é um idiota, eu penso – Te vejo no portão em cinco minutos! Um idiota mandão.

Chego no portão e ele já estava a minha espera.

−Mais cinco minutos e te deixava aqui!

−Deixava nada, iria morrer de medo de eu ir atrás de você!

−Iria? Ele me pergunta quando passamos pela grade.

−Com certeza! Eu respondo e então estamos caminhando em direção a floresta, me lembro do lugar onde acertei Chase, estamos indo na mesma direção – Podemos?

−Sim, sem problemas! Ele desvia um pouco para o lado.

Caminhamos uns minutos em silencio, apenas apreciando o ar agora mais frio da floresta, mil coisas passam por minha cabeça, adoraria dividir todas elas com ele, mas decido ficar calada.

−Está muito calada, algo errado?

−Me mandou fazer silencio! Eu reclamo.

−Nunca me obedece, não achei que seria a primeira vez!

−Vai me contar como aprendeu a caçar?

−Precisava comer é só! Ele se esquiva – Quer aprender a usar a besta?

−Não! Eu respondo e ele me olha curioso – Não vou caçar animais com ela, e depois acho que seria pesada demais para mim, prefiro meu machado e a pistola, quem sabe a faca, vez ou outra.

Desviamos de um zumbi que surge no nosso caminho, era uma mulher, faltava um braço, fico um pouco arrepiada, me dá medo acabar assim, ele nota.

−Está com medo?

−Não da floresta, nem de estar aqui com você, mas de um dia me tornar um zumbi.

−Sei como é esse medo, todos temos.

−Acha que dói, que sentimos, fico pensando nisso, não sei como deve ser, morremos e então acabou, ou sentimos a transformação, como pode ser esse momento, será que resta alguma memória?

−Não gosto de pensar nisso! Ele me diz parando de repente, arma a besta e me faz um movimento fico em silencio, acompanho seu olhar, um esquilo subia em uma arvore e então lá está ele grudado no tronco preso por uma daquelas flechas, penso nas crianças que temos agora apenas para não ficar triste e continuamos.

Depois de duas horas tínhamos cinco esquilos, dois coelhos e uma marmota, nos sentamos um pouco num tronco de árvore caído, quero mesmo descansar um pouco, ele me entrega a garrafa de água que trouxe.

−Dormiu bem? Me pergunta.

−Muito, mas demorei um pouco, é claustrofóbico, me deixa... Me sinto sozinha!

Daryl toca meus cabelos, acho que ele queria fazer um carinho em mim, acho mesmo que faria se soubesse como, mas ele não gosto de mostrar muito dele, mas eu não me importo de me mostrar para ele, de demonstrar e então eu o beijo, apenas encosto meus lábios nos dele, acho que ele fica surpreso, mas então ele me puxa para mais perto dele e me beija.

−Gosto quando faz isso, me beija.

−Parece que eu também gosto.

Ele me beija mais uma vez, ficamos nos olhando um tempo, toco seu rosto, sua barba por fazer.

−Daryl tem uma coisa que precisa saber! Digo muito séria, ele me olha interessado, está atento, me demoro um pouco em dizer – Meu beijo é ótimo e eu sei que está me paquerando! Ele revira os olhos.

−Vamos continuar! Ele me puxa para ficar de pé.

−Gosto mais de beijar que de caçar!

−Eu também!

−Então vamos continuar beijando e deixando os animaizinhos da floresta saltitarem por ai!

−Pare de me tentar garota infernal! Ele sai na frente, de novo atento nos sons da floresta faço bico e o sigo, ninguém pode me acusar de não ter tentado salvar a floresta.

Notas finais
Espero que tenham gostado, eles estão se entendendo aos poucos, ainda não estão muito certos do que sentem, mas já começam a admitir que sentem!rsrsrs