Calm The Storm
31 Um só
Notas iniciais
Juvia Lockser
Assim que entrei em casa, peguei a primeira almofada que vi na frente e dei um grito nela.
Com toda a força que podia.
Escutei os passos da minha mãe descendo as escadas. Tenho certeza que ela ficaria preocupada me vendo naquela situação, mas não conseguia me controlar.
Não podia estar mais feliz.
Senti meu rímel e toda a maquiagem começar a escorrer pelo meu rosto e tirei a almofada do rosto pra não sujar tudo.
Ela estava enrolada no seu robe de braços cruzados na cozinha, me olhando.
—Você está chorando... Por que?
—Eu estou feliz, mãe.
—O que aconteceu? – ela se sentou ao meu lado deitando-me em seu colo e secando minhas lágrimas pretas com a manga da blusa. – Fale logo!
—Eu estou namorando. – dei risada da pressa dela — Com o Gray. De verdade. Ele me pediu. Pediu mesmo... Da pra acreditar?
Olhei em seus olhos me sentando no sofá. Ela piscou várias vezes provavelmente comovida e sorriu pra mim, me abraçando depois.
—Isso é muito bom filha... Muito mesmo. – ela me soltou e consegui ver que ela secava algumas lágrimas – Traga ele aqui. Podemos fazer um almoço o que acha?
—Claro mãe. – sorri.
Ela se pôs a conversar sobre outras coisas do seu dia querendo não se comover mais com o assunto. Fiquei deitada no sofá, só ouvindo ela falar. Fazia tempo que eu, parecia não dar atenção a ela. Nunca parei pra pensar que nós tivéssemos tanta coisa a contar uma pra outra.
Entrei no meu pijama de ursinhos depois de um bom banho quente e me joguei na cama junto com meu notebook.
Contei tudo pra Levy assim que abri meu chat. Imaginei que ela fosse distribuir dez linhas de corações, cinco áudios gritando, e me xingando de idiota ao mesmo tempo feliz por mim.
Claro que eu esperava tudo isso e foi exatamente isso.
Além do dia inteiro com ele, mandei uma mensagem perguntando se ele tinha chegado só pra puxar assunto, o que rendeu até umas duas da madrugada.
Me peguei sorrindo pra tela do aparelho algumas vezes. Era estranho como eu não estava acreditando ainda que nós estávamos mesmo namorando. Mesmo.
Eu podia olhar pra todo o mundo e dizer que tinha um namorado.
E ainda mais que ele era o Gray!!
Fiquei pensando enquanto conversava com Levy em todas as outras garotas que ele já ficara.
Será que eles estariam pensando nesse momento que eu era uma vadia por namorar ele?Por que era esse adjetivo que normalmente se usava para descrever uma garota que roubara um cara de você.
Aquele tipo que quando o cara que você queria começa a namorar, você arranja motivos sem nexo pra odiar a namorada dele.
Sabe? Isso pra mim era realmente, divertido.
Ri sozinha.
Parecia aquelas histórias de filmes. A moça antissocial do colégio que ficou com o garoto popular do time de basquete.
Alguém precisaria escrever uma história dessas um dia.
Nós dois combinamos de retocar meu cabelo na sexta à noite – único dia que ele tirava na semana pra não estudar — quando o expediente dele tivesse acabado.
Eu disse que iria no salão porque não sabia pintar sozinha e não queria atrapalhar Levy com isso. Ele, por outro lado, já disse que seria “super fácil” pintar meu cabelo. Que era só passar a tinta...
Aceitei.
Não podia ficar pior do que eu pintar sozinha.E no domingo, Silver queria que fossemos num jantar de família dele e da parte da Mica. Eles se reuniam pelo menos duas vezes por ano.
A família toda.
Toda.
Meu estômago gelou de pensar, em todas as tias, tios, primos e primas do Gray. E eu sendo apresentada a todos eles.
Ao menos, Meredy ia também com Lyon, o que me deixava mais confortada de sabe que eu não seria a única com vergonha ali.
—E por falar em Meredy e Lyon...— digitei pra ele – Como eles estão?
Sempre tive curiosidade de saber se o Lyon se relacionava... “normalmente” com outras mulheres.Quando soube da Lucy tive certeza que não. Mas no dia da nossa conversa ele tinha dito que não tinha feito isso com nenhuma outra pessoa...
—Estão bem, não saem da amizade.— ele respondeu
Não sabia se era bom ou ruim isso...
—Por que será?
—Hm, acho que Lyon... Não confia em si mesmo ainda e acha que Meredy não gosta dele. Que só o ajuda por que é sua melhor amiga.
—O que você acha?
—Que eles se gostam. Óbvio. E é reciproco. Não sei porque ele tem tanto medo de não ser correspondido ou que ela possa estar ajudando ele por pena, eles se gostavam bem antes de tudo isso.
—Gostavam? – perguntei com minha curiosidade feminina falando mais alta
—Sim, eles se gostam bem antes de todas essa coisas virem à tona. Um ano depois que você saiu daquela escola ele a conheceu, eles eram amigos mas chegaram a ficar juntos e tudo mais uma vez... Tenho certeza que eles se gostam. Certeza.
—Hm eles estão lembrando nós dois. – disse a mim mesmo sem mandar pra ele.Lyon precisava de um empurrãozinho.
Se eu consegui, ele também consegue.
Na segunda, assim que cheguei na escola fui recebida por Natsu e Gajeel gritando em plena 7horas da manhã, jogando confetes em mim.
Sim.
SIM.
Eles realmente estavam jogando confetes em mim.
Gajeel fez questão de estourar um daqueles que fazem um barulho do caramba e você precisa girar pra funcionar.
—Já estamos sabendo de tudooo! – Natsu cantarolou em volta de mim.Tinha confete até dentro do meu sutiã.
Deixei eles me zoarem, com meu sorriso amarelo, o quando quisessem enquanto eu observava o pátio da escola discretamente.
Parecia que eles não eram os únicos a saberem disso.Impressionante a quantidade de garotas que me encaravam naquela hora. E mais ainda impressionante como Gray fazia sucesso dentro da faculdade sem nem estar nela!
—Festas. – Natsu me explicou em uma palavra na hora do intervalo sentados dentro da quadra assistindo Gajeel servir de parede humana no gol de handebol pro pessoal de educação física. Aposto que eles nunca sofreram tanto pra fazer um gol, ou ponto, se já lá como se chama no hand.
—Festas de faculdade são uma merda ao mesmo nível que são legais. Como você nunca foi a uma em três anos estudando aqui... — ele fingiu tossir e eu soltei um xingamento enquanto comia – Ele sempre ia a quase todas com os garotos do futebol.
—Futebol?
—É de sábado, alguém conhece alguém que conhece o Gray, e o convidou pra jogar futebol, ai ele conheceu todo mundo. Esse todo mundo, ia a festas.
—Minha mãe sempre diz que eu não sou todo mundo.
—Por isso, mas ele é. Ou era. Enfim – ele se ajeitou na arquibancada – As meninas de educação física por exemplo, ele já ficou com umas três, uma delas está olhando pra você.
Dei risada quase me engasgando.
—Engraçado, por que elas não se odeiam também?
Me lembrei da noite em que nós dois conversávamos na praia, que por sinal foi quando brigamos, ele havia me dito que já tinha ficado com 18 meninas. Quinze, se não contar eu, Ultear e melissa. Três da faculdade.
É muita gente...
—Em todos esses anos nessa indústria da minha vida, nunca achei que pudesse ter um complô gigante de garotas me odiando por causa de um garoto.
—É divertido não é? – Natsu falou empolgado — Ainda mais por que elas sabem que é de verdade. Não é só um namoro, é o Fullbuster namorando uma das quatros garotas que tem na sala de engenharia química que não vai a festas, usava manga cumprida com 30°Graus e tem o cabelo azul! Isso é muito engraçado.
—Idiota.
—Céus eu sou linda personal trainer. O que que ele viu naquela nerd de química? – Lucy disse atrás de nós fazendo Natsu rir – Ai meu Deus ela só inteligente e bem mais bonita do que nós! O que ele viu nela? Tenho vontade de xingar elas.
Pelo jeito existiam duas partes.
As garotas que iram me odiar por namorar o Gray e as garotas que seriam odiadas pelas minhas amigas por me odiarem.
Caramba, mais amor ai pessoal, é muito raiva pra um círculo de pessoas só.
—Sem brigas garotas.
—Eu não brigo. – sussurrei
Foi a vez dos dois caírem na gargalhada. Enquanto eu revirava os olhos constantemente se pudesse até ficarem branco num looping infinito.
—Ok senhorita “eu não brigo”. Só soquei a Kagura, ameacei o Lyon, quebrei a fechadura do painel do carro do meu namorado.
—Então não enche se sabe de tudo isso! – empurrei Natsu pra cima da Lucy – Se peguem um pouco ai vai.
—Juvia! – Lucy ficou corada enquanto eu levantava
—Serio, eu vou pegar mais um lanche mesmo – disse pra ela não se sentir culpada – Sem contar que está na cara do Natsu que é isso que ele quer.
—Natsu! – ela o beliscou na bochecha vermelha e eu ri me afastando.
Era incrível como tinham tantos casais ao meu redor e nossa amizade continuava a de sempre.
Mais incrível era eu ver Levy e Kagura conversando no banco do refeitório.
Esperava em Deus que elas não estivessem a ponto de se matar, mas aquilo pareciam risadas, então, tudo bem.
Quando o período acabou, fui a perfumaria antes de ir pra casa pra comprar as tintas e umas ampolas de hidratação e vitaminas que minha mãe mandava eu usar pro meu cabelo não parecer uma palha ambulante.
Pensando bem, só essa era a parte ruim por enquanto.
Passei a ir pra casa sozinha com mais frequência. Kagura ia pro lado aposto que o meu, Lucy e Natsu pro metrô e Gajeel levava Levy de moto as vezes.
Não que eu me importasse de andar sozinha, pelo contrário eu colocava meus fones e entrava em outra dimensão na maioria das vezes. Mas estava acostumada com a presença deles a minha volta.
—São R$50,70. – peguei minha bolsa prestes a pagar pra mulher quando me virei no caixa do lado.
Melissa.
Melissa?
É esse nome mesmo né.
—Oi. – disse quase num sussurro.
—Oi Juvia. – ela sorriu
Fiquei tão surpresa pela recepção que fiquei sem graça de responder.
—Você não apareceu mais na oficina.
—Ah. – fiquei muda de novo – É, foi mesmo. É que... – eu não sei se era certo falar que estávamos brigados e depois nos acertamos. – Eu acho que nem percebi que foi muito tempo.
—Foi. Ele ficou bem deprê.
Gray?
—Ah é... Entendo.
—Só queria dizer que fico feliz por vocês dois. É sério, você faz muito bem pra ele. – ela sorriu de novo.
An?
Hein?
Ahm?!
—Obrigada Melissa. – sorri de volta mas aposto que não saiu nada simpático – Obrigada.
—Então tchau.
Nem respondi ao seu tchau.
Que?!
Por que ela estava sendo legal?
Bati na minha própria testa.
Tanto faz. Não tinha por que ficar pensando nisso.
Mas devo dizer que conversar com uma pessoa que já ficou com o seu namorado não é nada legal. É uma sensação muito... Esquisita.
Revirei os olhos e sentei no ponto de ônibus.
Gray ficaria assim se visse Rogue? É bem impossível já que ele a essa hora, deve estar curtindo toda a neve deliciosa do Canadá.
Mas aposto que seria... assim.
Gray Fullbuster
A oficina estava a todo o vapor hoje. Não parei um minuto do dia. Nem ao menos pra olhar o celular, mas pelo que via em cima da mesa que tinha mensagens dela. Assim que atendi o último cliente, Melissa voltou da hora de almoço dela e eu finalmente pude tirar a minha.
—Acho que temos de contratar mais gente. – ela se sentou e atendeu um telefonema e logo depois tocou novamente. Sem anotar nada do que eles disseram, ela passou tudo pro nosso caderno de pedidos. Como ela se lembrava de tudo eu nunca iria saber mas ela era realmente boa em “ser secretária”. Nunca tivemos problemas quanto a isso. Assim que os dois desligaram ela se voltou pra mim – Não pode concertar, lavar, vistoriar, pintar todos os carros sozinho e ainda estudar.
Suspirei cansado limpando a testa de graxa que acabei sujando mais.
Sabia que se desse a ideia pro meu pai, ele não ia pensar duas vezes em chamar Sting.
E eu realmente não estava afim de brigar de novo.
Preferia fazer tudo sozinho.
Eu preferia mil vezes o Lyon. E nós havíamos pensado nisso, mas ele voltou pra área dele de Designer Gráfico e estava ganhando bem o suficiente pra preferir a empresa a oficina.
Estava feliz por isso. Ele estava voltando aos cursos de especialização que tinha abandonado, estava trabalhando, indo as consultas e tudo o que o médico pedia. Inclusive alguns remédios, que pra nossa felicidade, não eram tão fortes, nem os deixava dopado.
Era só pra controlar o lado fraco dele, digamos assim. Lyon agora, chorava com muita frequência, se sentia inseguro a maior parte do tempo.
Um completo oposto do que eu passava com a agressividade da Juvia a tempos atrás.
E confesso que preferia a agressividade.
Os médicos disseram que a raiva podia ser acalmada como ela fazia, alguns hobbys.
Agora o choro, a insegurança, a sensação de não ser nada, e de estar sempre atrapalhando como ele achava que fazia, levava a quase sempre a depressão profunda, quando não suicídio.
—Gray? Gray?
—Que? – olhei Melissa
—Você não ouviu nada do que eu disse. – ela riu e eu concordei dizendo desculpas – Tire umas duas horas de almoço, sério. Acho que ele pode dar um jeitinho por enquanto. – ela se referia aos outro funcionário da oficina — Silver já vai chegar.
—Acha que podemos contratar mais... dois?
—Acho que você deveria ficar só na pintura, e contratar mais um pra parte mecânica e deixar dois na lavagem. Sinceramente, acho que estamos ficando é com pouco espaço.
Melissa tinha razão.
Isso nos deixava feliz.
Ver o reconhecimento da oficina por toda a cidade.
Mas realmente, não sabia onde enfiar mais tanta coisa.
Abrir uma filial quem sabe? E um lava rápido urgente.
—Jesus vai comer, você está ficando branco de preocupação. – ela advertiu e me virei entrando na cozinha.
Assim que abri a porta dei graças a Deus.
Meredy estava em casa hoje e tinha feito um almoço que eu não sei o que era, mas cheirava muito bem.
—Quero comer esse cheiro. – disse me sentando. Ela riu alto e abaixou o som da música enquanto me segurava pra não dançar uma das minha “músicas escondidas” – Vou abaixar já que você não gosta.
—Na verdade pode deixa é até legal. – menti na cara dura. Pow aquela música era muito boa!
—Nós temos arroz, estrogonofe de frango, batata assada e salada.
—Aah – batia cabeça na mesa – Quero comer por favor.
—Com essa mãos sujas nem pensar!
—Ok mãe. – desci da cadeira indo lavar no banheiro debaixo.
Credo eu estava sujo mesmo.
Nem Juvia ia falar agora que aquele cheiro era bom.
Comecei a lavar mão enchendo a pia branquinha de graxa. Por falar nisso, será que seria uma boa ideia chamá-la pra jantar hoje?
Ou era muito pra eles dois?
Voltei pra cozinha com Meredy servindo comida pra mim e pra ela. Peguei o saco de laranjas da geladeira e comecei a fazer um suco.
—O que acha de chamar a Juvia pra jantar aqui? Um dia desses... – comentei
—Hm, é uma boa. Por que a hesitação?
Meredy devia ser psicóloga...
—Ah Lyon, sabe como é.
—Bem, não podemos passar o resto da vida evitando os dois sabe? Uma hora ou outra vai dar muito certo. Ou muito ruim.
—Eu espero que seja bom. – espremi a última laranja e comecei a encher de água gelada. – E você dois?
—O que? – ela arregalou os olhos – Nós dois?
—É.
—Eu não... – ela bufou – Sabe que não tem dois.
—Você não me engana Meredy. – ri da cara dela. Ela se virou e começou a comer. — Gosta dele também, não é?
—Fico com medo dele achar que tenho pena dele. Mas eu gosto dele de verdade, ah eu sempre gostei. Todos sabiam. Ele você, meu ex...
—É... — coloquei comida na boca – No tempo certo, acho que ele vai entender que é de verdade.
—Mas eu sei que ele vai entender, é só que eu nunca disse.
Pisquei várias vezes.
—Então diga ué.
—Não. Não... Não agora eu acho. Deixa ele um pouco se recuperar e tudo mais, acho que é o certo.
Assenti e continuamos a comer entrando em outro assunto.
No final do expediente finalmente consegui ligar pra Juvia pra conversar um pouco. Ela estava com Kagura na hora que liguei, então preferi não ocupar muito o tempo dela. Apesar da minha vontade ser ficar ouvindo o resto da noite ela falar sobre o trabalho e o dia.
Eu achava engraçado o jeito como Juvia sempre me contava sem nem hesitar. Tudo o que ela tinha feito, até se algum cara desse em cima dela, ela falava.
Quando acontecia eu fingia não ligar muito, claro.
Hoje como a conversa era curta ela me contara pouca coisa.
—Ah é eu encontrei com a Ultear na perfumaria e... Já ouvi Kagura, mais cinco minutos!
—Ultear?! – engasguei me levantando da cama
—É mas... Nada demais né?
—O que ela disse?
—Hm. Sente sua falta.
—Que?!!!
—Não com essas palavras, mas sei que foi isso.
—O que exatamente ela disse.
—Que queria rever você.
—Hm.
Fiquei em silêncio. Por que raios ela ainda estava aqui? Achei que morava em outro lugar.
E por que me ver? Revirei os olhos.
—Não está... brava?
—Hm, não. – ela riu – Na verdade, não tem por que. É engraçado esse tipo de coisa pra mim. Sei que vocês não tem contato mais então, tanto faz.
—Ainda bem, que sabe disso. – suspirei aliviado.
—E você? Como foi hoje?
—Hm, corrido. Muito. Acho que vamos precisar contratar mais gente. Estou tendo que trabalhar a noite depois de fechar em alguns carros. Está difícil.
—E os estudos?
—Ah, tem bem uns dias que não estudo. A prova daqui três meses... Está tão longe, e eu já estou nervoso.
—Imagino que esteja, mas vai dar tudo certo. Você se esforçou muito, é só continuar assim. A minha classificação não foi tão boa sabia, e eu estou aqui, chorando pra acabar esse trabalho.
Ri de leve.
—Vou deixar você acabar. Percebo a impaciência da Kagura daqui.
—Dê oi Kagura! – ouvi Juvia dizer – “Oi Gray! – ela falou toda animada depois logo mudou o tom — Agora deixa ela estudar.” Kagura! Ah não liga pra ela.
—Volte pra ela. Eu posso esperar. – sorri
Nos despedimos e voltei a cair na cama.
Meu corpo inteiro doía, principalmente minhas costas de tanto ficar curvado dentro dos carros e não conseguia relaxá-las de jeito algum. Tanto pela dor, quanto pela ansiedade que eu queria acabar logo tudo aquilo. Saber que amanhã podia ter mais alguma coisa pra fazer e acumular trabalho, me agoniava.
Desci depois de dez minutos deitado sem sucesso de descansar ou parar minhas dores.
Tomaria um dipirona como Meredy tinha praticamente mandado, depois ia dar uma olhadinha nas coisas.
Comecei a mexer em um carro que o problema fora uma batida bem feia na frente. Arrumar lanternas, checar o interior e ainda fazer uma revisão simples.
Não sei quanto tempo se passou. Pelo jeito foi o suficiente pro meu pai descobrir que eu já tinha fugido lá pra baixo de novo.
—Vejo que temos muito trabalho por aqui. – ouvi a voz dele na oficina e bati a cabeça no capô do carro de susto. Mesmo sabendo que a porta tinha aberto eu ainda tinha me assustado... – E alguém está aéreo. Ou muito concentrado.
—Oi pai... – disse ainda mexendo no carro.
—O que tem?
—Problema no alternador, batida, precisa desamassar e retocar a pintura, lanternas novas... – mexi a mão como se fosse muita coisa pra continuar falando.
—E os outros?
—Problemas no freio, um motor fundido, deficiência de lubrificação do motor e coisa básicas como troca óleo e pneus.
Meu pai assoviou olhando pela oficina.
Agora falando pra ele, parecia que o trabalho dobrara.
—Deve ser só uma temporada. Melissa falou que deveríamos contratar mais gente.
—Hm, é. Também acho. Nem que... — machuquei o dedo num parafuso – Droga...
—Acho que só estamos sobrecarregados este mês, não costuma ser assim. Devíamos investir num espaço maior isso sim.
—Não pode achar que eu e você conseguimos fazer tudo. Tudo. Não só os carros, toda a administração e rh também. E limpar. — comentei com mais raiva.
—Hm, quer mais uma pessoa...
—Mais duas talvez.
—Duas?!
—Eu preciso estudar — bati o capô quebrado — Quero ir pra faculdade, e não vou conseguir ajudar muito aqui se passar no vestibular. – ele cruzou os braços com aquele veia tensa na testa dele de nervoso.- Vai precisar de mais gente e alguém pro meu lugar. Quatro pessoas pra ficar aqui, posso ficar na administração junto com a Melissa. Aumentamos o salário dela.
—Decidiu o que fazer?
—Arquitetura... – sussurrei cansado.
Meu pai tinha os braços cruzados olhando pro chão. Eu sabia que ele achava que ficaria aqui pra sempre, mas tinha entrado de cabeça nessa nova ideia e era o que eu queria. Não ia voltar atrás agora.
Pelo silêncio ele ia ficar quieto pelo menos pelos próximos cinco minutos.
—Vou acabar isso e entrar. — avisei voltando pro carro.
Foi bem mais que cinco minutos.
Lyon chegou uma hora depois.
Eu estava no meu quarto com uma lata de redbull do lado e o capítulo seis do livro de matemática. Era incrível como aquela droga de todos os pais da sociologia e filosofia não entrava na minha cabeça.
Estudar tudo e parecia certo do que sabia, mas no outro dia se alguém me perguntasse o que Kalr Marx fez nem sabia do que estavam falando. Era tanta coisa que eu misturava até as matérias.
Gajeel fazia tudo parecer muito fácil quando explicava história e português pra mim. Natsu e a matemática eram coisa que nunca iria entender, ele não tinha tanta paciência de me explicar como Gajeel tinha, mas eu entendia, assim como química.
Me joguei na cama afastando os livros e me cobrindo até a cabeça.
Não aguentava mais estudar, nem nada disso.
Mas aposto que se Juvia entrasse por aquela porta eu estaria disposto a fazer qualquer coisa.
Pelas minhas contas hoje já era sábado. E meu pai tinha me dado folga da oficina, e pretendia dormir até tarde. Por causa de algumas vozes do lado de fora eu não estava em total sono profundo desde de manhã quando abria a oficina.
Ouvi minha porta do quarto abrir.
Lyon ia fazer alguma coisa pra me pegar de surpresa.
Abri os olhos deitado de bruscos esperando alguma coisa...
Ouvi barulho dele subindo na cama, tentando não fazer barulho.
Um corpo caiu sobre mim educadamente.
Não era pesado, era fofo.
Vi uma mão do meu lado com unhas um pouco cumpridas e de cor vermelha e suspirei aliviado que não era Lyon.
—Oi...
—Achei que tivesse dormindo... — Juvia falou apoiada nas minhas costas, o suspiro da sua voz fazendo arrepiar minha nuca.
—Achei que fosse o Lyon então fiquei atento.
Me virei pra abraçá-la.
—Eu ia esperar, mas você não me respondeu e nem atendeu, ai achei melhor vim aqui.
—Me ligou?
—Sim, combinamos de pintar meu cabelo. – ela sorriu
—Eu sei, mas ... – olhei no relógio e sim já eram 15hr. – Nossa... Eu fiquei até tarde estudando.
—Estudando...
—Juro. – dei risada – Não joguei nada, juro mesmo.
Ela sorriu e se sentou na cama ao meu lado.
Avisei que ia tomar um banho e que podíamos comer algo depois começar a pintar o cabelo.
Onde fui me enfiar...
Confesso que vi uns vídeos no Youtube de como pintar um cabelo não sabia nada disso, mas queria um motivo pra ela vir aqui e ficar juntos.
Consegui. Só esperava agora que desse certo, ambas os desejos.
Assim que tomei banho enquanto ela ficava do lado de fora do quarto, infelizmente. Sai secando o cabelo perguntando se ela estava com fome quando a vi esconder o celular rapidamente.
—Que foi?
—O que? – ela piscou
Franzi a sobrancelha. Não ia falar nada.
Mas claro que aquilo ia me cutucar um pouquinho de nada. Mas não era meu direito ficar querendo saber o que ela fazia ou deixava de fazer.
Comia uma maçã enquanto Juvia trocava de blusa no banheiro pra não sujar a outra de tinta. Ela me explicou até como preparava as coisas misturando no potinho de tinta até virar um creme.
Peguei um banquinho da cozinha e coloquei no banheiro pra ela sentar.
Com o pincel na mão e o potinho na outra sem saber o que fazer comecei a passa a tinta em tudo tomando cuidado pra não pegar na testa ou na relha dela.
Fui percebendo que ela tinha mais fios loiros do que eu pensava. E que eles eram mais bonitos do que eu pensava também.
Estava na metade do cabelo quando ela disse, olhando pra baixo, enquanto eu pintava perto da nuca.
—Estou começando a me arrepender.
—Está ficando tão ruim assim?
—Não – ela riu – Não é isso. É que eu tô ficando toda bagunçada e descabelada você não devia me ver assim.
—Ah para. Você foi me acordar, estamos quites. – ela riu envergonhada.
Depois de alguns minutos acabei. Juvia deu uns últimos retoques e ficou com mais vergonha ainda com o cabelo preso todo melecado de tinta.
Enquanto assistíamos uma série que combinamos de ver juntos, os fios iam ficando cada vez mais azuis, e mais escuros. Estava feliz que não tinha dado nada errado.
Estávamos no terceiro episódio quando ela disse que já estava na hora de lavar.
—Jura que não vai me molhar né? — ela perguntou pela segunda vez
—Juro. – menti segurando o chuveirinho desligado na mão. – Põe a cabeça ai.
—Se me molhar...
—Deixo você me bater.
Ela suspirou e se curvou jogando o cabelo cheio de tinta pra frente e eu liguei o chuveirinho segurando a risada.
Comecei a lavar o cabelo dela, vendo minha mão ficar toda azul também.
O chão se encheu de azul assim como cabelo.
—Ops. – mirei o chuveirinho de propósito na suas costas molhando a blusa dela deixando o tecido claro grudado na pele.
—Gray! – ela gritou puxando minha mão virando o chuveiro na minha cara.
A agua entrou no meu nariz e fui pra atrás sentindo arder, mas ainda mirando o chuveiro nela.
—Sorte sua essa blusa ser velha por que estou toda azul agora!
Passei a mão nos olhos e a olhei com o tecido grudado no corpo, mostrando o sutiã preto por baixo.
Engoli seco ainda a fitando quando ela jogou mais água em mim.
—Agora vai pra fora que eu vou lavar sozinha já que me molhei toda já.
—Não! — dei risada – Eu ajudo prometo, agora é sério.
—Sai logo! – ela tirou a blusa e jogou na minha cara rindo.
Olhei pelas frestas do pano o sutiã em contraste com a pela alva.
—Não fique me espiando é culpa sua eu estar toda molhada agora. – ela tirou a calça e jogou em mim também.
Eu sabia que ela falava da água, mas veio outros sentidos na minha cabeça.
—Ta fazendo de propósito. – afirmei.
—Talvez. – ela fechou o box – Vou precisa de um roupa sua.
Sai do banheiro com o coração pulsando rápido e forte direto pra lavanderia.
Quem ela pensa que é pra fazer isso comigo?!!!
Me sentia um tarado, se é que essa era a definição certa pra isso.
Mas sei que nenhuma mulher tinha me deixado de todos os jeitos que me senti com ela. Agora mesmo deitado no chão do quarto com meus pés apoiados na cama e a cabeça vendo a tv de cabeça pra baixo eu imaginava ela tomando banho.
Passei a mão pelo meu cabelo com força, mas estava sorrindo.
Coloquei as roupas no varal pra secar e voltei pro quarto correndo até meu guarda roupa pegando uma blusa de maga cumprida que com certeza ficaria do tamanho certinho nela.
Fiquei sentado na cama olhando pra porta do banheiro com mil perguntas passando pela minha cabeça.
Será que ela estava... pensando...
—Não.
Eu não podia pensar assim.
Nem deixar ela perceber que eu estivesse pensando assim. Podia parecer qu estava apressando as coisas ou obrigando-a a fazer algo.
E não queria isso, lógico.
O tempo no banho pareceu uma eternidade.
Quando a porta abriu meu coração voltou a bater com força e ela saiu com a minha blusa, os cabelos secos completamente azuis mais fortes caindo sobre o tecido alaranjado que serviu pra lhe cobrir até um pouco nas cochas, quase nada...
Suspirei.
—Serviu direitinho. – ironizei.
—Também achei. – ela sorriu colocando as mãos na cintura fazendo o tecido subir ainda mais. Engoli seco.
Percebi as maçãs do seu rosto já rosadas de vergonha. Apesar que as minhas também deveriam estar.
O silêncio entrou no meio e eu simplesmente travei. E aposto que ela também se sentia assim, por que eu conhecia aquela carinha de perdida.
—Ah... – pigarreei tomando coragem – Vem aqui.
~~
Juvia hesitou por alguns segundos e caminhou até ele parando na sua frente para acariciar os cabelos dele meio úmidos pela brincadeira de antes. Ele pousou as mãos do lado do corpo dela no seu quadril a olhando.
—Usei um secador que estava ali. – ela avisou já que não sabia mais o que dizer. – E...Temos um almoço pra amanhã?
—Sim, na verdade eu já tinha esquecido. – os dedos dele faziam círculos sobre o lado da coxa dela.
—E todos a sua família vai estar lá? – ela fingiu não perceber os carinhos, mas falou sorrindo.
—Sim, mas não precisa ter vergonha, eles são... normais.
—Hmm mesmo assim ainda vou ficar. Nunca conheci a família de um namorado então.
—Eu também nunca apresentei uma namorada a minha família. – ele sorriu de orelha a orelha com o essas pequenas palavras. Chamá-la de namorada era mais importante do que tudo.
—Isso é divertido.
—O que? – ele ficou confusa
—Nunca achei que um dos meus compromisso seria conhecer a família do meu namorado. — ela comentou com o coração acelerado e ele sorriu se levantando da cama segurando o rosto dela nas mãos a beijando nos lábios sendo surpreendido pela retribuição imediata dela.
Juvia desde o “dia da verdade” como ela começara a chamar, não conseguia parar de pensar na sua sensação constante de liberdade, mas sentia-se como se a sua liberdade não fosse completa. Quando saia com Levy sentia ela se permitindo novos acontecimentos e sensações. E ainda mais quando estava com ele também.
Eram coisas que ela queria fazer, mas que lhe faltavam coragem.
Gray separou as bocas poucos centímetros para dizer que ela poderia dormir ali hoje se quisesse para o almoço amanhã.
—Eu não trouxe roupa pra trocar... – ela sussurrou
—Se apenas isso for o motivo não me importaria de buscar na sua casa mais tarde... – ele sussurrou de volta – Você quer ficar?
Respirou fundo.
—Quero...
Ele voltou a beijá-la intensamente abraçando sua cintura, descendo suas mãos para os quadris, enquanto ela enrolava suas mãos nos cabelos dele trazendo-o pra mais perto.
Ela sorriu arrepiada ao sentir as mãos calejadas acariciarem as suas coxas e sua nádega.
Gray sentia nas suas mãos a maciez da pele misturada a renda da calcinha.
Juvia deu um leve passo pra frente fazendo ele se sentar na cama novamente e sentou-se no seu colo com as pernas do lado do corpo dele, o que foi suficiente para o Fullbuster soltar um suspiro entre os beijos que davam.
Ele sempre beijava o pescoço dela nessas horas. Ela queria fazer isso também...
Mordiscou os lábios dele e desceu os seus para o seu queixo e depois seu pescoço, dando leves mordidas e beijos molhados pela extensão. Gray fechou os olhos e apertou as coxas dela ao seu lado e retribuiu os mesmo beijos no pescoço e na clavícula, colocando a mão por dentro da blusa sentindo as costas nuas, somente pelo fecho do sutiã.
Juvia fez a mesma coisa sentindo seu abdômen definido e malhado por aquele tempo gasto na academia na academia.
—Pensando bem essa blusa não ficou boa em você... – ele sussurrou antes de lhe morder no pescoço arrancando um suspiro alto da garota que o empurrou o delicadamente fazendo-o se deitar na cama.
Gray sentiu sua barriga gelar naquela hora, excitado. E provavelmente ela sentia isso.
—Ah não? – ela sorriu
—Não, acho que deveria ficar sem.
Ela respirou fundo.
Não sabia se conseguia fazer aquilo. Mesmo depois de um tempo ainda tinha vergonha. Não sabia se conseguia fazer isso.
Gray percebeu que ela ficara quieta de repente e se sentou novamente abraçando sua cintura.
—Acho que ainda tenho vergonha... – ela sussurrou
Ele segurou suas mãos que estavam meio geladas.
—Não fique nervosa.
—Não estou. – ela mentiu
—Está.
—Eu sei desculpe... – voltou a abraçá-lo.
Gray suspirou procurando palavras que pudessem a deixar confortável.
Sabia que era difícil. Sempre soube.
—Se não quiser Ju...
—Não. Eu quero. – ela lhe lançou um olhar de determinação. –Eu só... preciso perder a vergonha.
Gray sorriu e começa a beijá-la novamente levantando a camisa até tirá-la do seu corpo, mas não totalmente.
A usou para cobrir as costas de Juvia continuando a beijá-la.
Abaixou as alças do sutiã ainda úmido pela brincadeira no chuveiro e beijou a volta dos seus seios fartos, segurando os com a sua mão carinhosamente.
Juvia gemeu baixinho segurando seus ombros com as unhas, sentindo o voltar os beijos para o seu pescoço enquanto o sutiã escorregava pelo seus braços saindo de seu corpo.
Ela então tira a blusa dele também deixando-a cair da cama.
Juvia começava a suar e sentia vontade de suspirar alto, mas mordia os lábios para não sair sons deles. Ela sentia tudo começar a ficar quente, mais quente que de todas as outras vezes.
Gray a deitou na cama fazendo seus corpos entrarem mais ainda em contato. Os seios delas no seu tórax, provocava-lhe cócegas e excitação em meio aos beijos ansiosos que davam.
Ele desceu seus beijos pelo pescoço até chegar novamente em seus seios aproveitando para beijar com vontade aquele lugar, descendo até suas coxas grossas e macias. Juvia sentia um pouco de vergonha de receber aqueles beijos e mordidas em seus seios, porém não conseguia ser maior do que o prazer que aquilo lhe causava.
Uma parte dele ainda não acreditava que estava naquele momento com ela e sabia que queria aproveitar o máximo possível.
Juvia sentia seu corpo quente e suado contra o colchão, os lábios dele pela sua coxa e por toda a extensão da sua pele a fazia se arrepiar. Algo que nunca tinha sentido antes.
Nunca.
Era completamente diferente.
Algo que não imaginava que um dia tivesse pronta para fazer com carinho e amor de verdade, estava acontecendo.
Gray tirou as roupas que lhe faltava e as dela, voltando a beijá-la com um lençol fino por cima dos seus corpos que continuavam a se tocar e beijar sem interrupções.
Ele a olhou nos olhos vendo as maçãs coradas do rosto dela que sorria.
Carinhosamente ele a tocou na intimidade com a sua ereção, ouvindo a suspirar alto e agarrar-se aos seus ombros.
Sem nenhuma pressa.
Não queria que aquilo lhe causasse dor ou fosse ruim para ela.
Queria que fosse uma lembrança boa, diferente da que ela um dia viveu.
Até estar dentro dela seus movimentos eram calmos e delicados, e se intensificaram alguns minutos depois.
Pareciam estar dentro de uma bolha de calor. Os corpos suados se tocavam e se beijavam.
Juvia já não tinha mais vergonha se da sua garganta saiam gemidos.
Estavam ambos em completo prazer e entregue aquele momento único.
Gray sentiu seu corpo começar a fraquejar e manteve seu rosto encostado no pescoço dela respirando forte, ouvindo seus tímidos sons bem próximo ao seu ouvido. Passado um tempo logo seu corpo relaxou gozando, sentindo as pernas de Juvia se apertarem ao seu quadril.
Fora completamente diferente de todas as outras vezes que ele fez isso. Muito mais intenso e amoroso.
Ficaram um tempo ainda conectados um ao outro, apenas respirando e acalmando os seus batimentos cardíacos e respirações. Esperando cair a ficha de que realmente acontecera. Que realmente tinham virado um só.
~~
Juvia só percebeu que havia pegado no sono quando Gray a cobriu com um lençol e se deitou ao seu lado abraçando-a.
Ela sorria de orelha a orelha. Se sentia mais feliz impossível.
Era algo muito diferente em sua vida agora.
Se virou de lado para deitar olhando para ele, admirando seu rosto corado e com mínimas gotículas de suor.
Juvia riu disso também. Gostava da expressão envergonhada dele que via tão poucas vezes. Dedilhou a testa suada com a ponta de seus dedos. Ele se aproximou dando um leve beijo na sua boca.
—Tudo bem?
—Não podia estar melhor. – ela sorriu
—Mesmo? – ela fez que sim
Gray queria fazer tantas perguntas, mas precisava se segurar agora.
Ele não sabia, mas Juvia também tinha mil perguntas em sua mente que queria fazer.
—Ainda com vergonha?
—Hmm... Acho que não.
—Que bom. Por que eu estava louco pra dizer umas coisa, mas achei que ainda pudesse estar envergonhada. – ele falou atropelando as palavras sem conseguir segurar sua curiosidade.
—Coisas? – Juvia se preocupou — Que coisas?
—Tipo, an... Que você tem uma bunda muito bonita sabia?
—Ah não! – ela empurrou sua mão na boca dele o jogando contra o travesseiro. – Não começa!!
Ele puxou suas mãos as segurando e continuou a falar enquanto ela tentava não ouvir ficando envergonhada.
—E que essa tatuagem te deixa sexy pra porra. Sério. Eu queria te morder ai.
—Não! Gray! – ela enfiou a cara no travesseiro – Para com isso!
As cócegas vieram logo em seguida fazendo Juvia gargalhar.
Ela conseguiu o empurrar pra fora da cama e se levantou correndo enrolada no lençol.
—Agora com certeza eu estou com vergonha. – ela ria procurando suas roupas pelo quarto.
Gray levantou de repente com o travesseiro bem naquela parte sorrindo.
Juvia olhou e ficou com os olhos vidrados ali de curiosidade e inocência ao mesmo tempo.
—Ah está curiosa?
—Não! – ela desviou o olhar
—Não é nada que não tenha visto, hoje.
—Não! Quero dizer, eu não olhei. Eu fiquei com vergonha...
—Ta pode olhar então.
O travesseiro caiu.
Juvia deu um gritinho e tapou os olhos com uma mão só para não deixar o lençol escapar e caiu na gargalhada de novo enquanto ele abraçava por cima do lençol. Ela conseguia sentir...
Aquilo
A tocando!
—Gray para com isso!!
—Não sou eu!
—Então mande ele parar!
—Não posso é involuntário!
Do lado direito do quarto a porta abriu de repente e voz de Silver soou pelo quarto.
—Gray você poderia...
—Aaah! – Juvia gritou se escondendo atrás de Gray que se virou escondendo sua parte intima com as mãos.
—PAI!!
—Ah! Deus! Eu... Desculpe eu não sabia!!
—Feche a porta!!!
—Você nunca traz meninas no seu quarto!! Desculpe.
Silver bateu a porta tão rápido que ela abriu de novo e ele teve que voltar mais uma vez para fechá-la direito.
Agora, Gray estava com vergonha.
Muita.
Em todos os seus anos de vida nunca tinha passado por aquela situação tão constrangedora.
—Ah nossa... – suspirou – Ele... Bem... Ah... Acho que calculei errado que ele não viria pra cá agora. É...Desculpe...
—Aaaaah! Isso é muito legal! – ela o abraçou saltitante – Tudo bem!!
—O que? Sério.
—Serio, eu achei que nunca aconteceria isso comigo então estou feliz. De verdade.
~~
Gray desceu na cozinha de bermuda de moletom e regata.
—Pai?
—Cozinha.
Silver bebia cerveja esperando o motoboy chegar com a pizza.
—Não cozinhei nada. Não sabia que Juvia vinha jantar aqui.
—Não se preocupe. Qualquer coisa eu faço lanches.
—Pedi pizza também.
—Ah então tudo bem, ela gosta pai. Sério, não precisa se preocupar.
—Okay então.
Silêncio
—Desculpe por antes.
Gray bateu a mão na cara voltando a ficar envergonhado.
—Isso nunca aconteceu.
Silver riu alto.
—Porque você não traz garotas aqui. Na verdade, para o seu quarto. Mas eu entrei sem bater desculpe. Achei que a barulheira era a tv...
—Tudo bem pai
—E ela? Está com vergonha?
—Na verdade não, explico depois.
A pizza chegou dez minutos depois.
Gray subiu com um prato com 4 pedaços e copo gigante de refrigerante e entrou no quarto. Vendo Juvia sentada nas pernas tentando ligar o cabo para assistirem filme.
Ela tinha voltado a usar a camisa gigante e suas peças intimas.
—Vamos voltar aquele nosso jogo de perguntas. – ela disse quando acabou o seu primeiro pedaço de pizza. – Eu começo.
—Ok. – Gray concordou de prontidão por que também queria logo fazer as próprias perguntas.
—Sou a primeira menina que traz no seu quarto? – ele fez que sim — Por que?
—Eu nunca me senti a vontade de trazer nenhuma delas aqui. Um dia Melissa subiu aqui, mas fiquei muito incomodado com ela aqui. Costumava ficar... por ai com elas. Tinha vergonha do meu pai me ver com todas elas. Ele sabia mas sei lá, só não queria. É meu quarto, não queria pessoas estranhas mexendo nas minhas coisas nem nada do tipo.
—Elas eram consideradas estranhas?
—Sim.
—Então por que ficava com elas?
Gray nunca tinha parado pra pensar por esse lado.
—Porque... Era fácil. – ele olhou para ela sentindo vergonha de si mesmo por aquela resposta. Juvia sorriu e lhe deu um beijo na testa.
—E foi bom comigo também? – as bochechas dela ruborizaram – Agora...?
Gray a olhou nos fundos daqueles enormes olhos e lhe deu um peteleco na testa.
Como ela podia perguntar algo tão óbvio?! Ela fez um beicinho com a mão onde ele tinha lhe acertado.
—Foi muito bom porque é com você.
Ela sorriu ainda rosada de timidez sem saber o que responder.
—Faça sua pergunta. – mudou de assunto.
—Estou curioso de muitas coisas.
—Imaginei. Gray sabe que pode me perguntar qualquer coisa. Mesmo que eu vá morrer de vergonha.
—É que é sua primeira vez. Eu queria saber como você está se sentindo ou como se sentiu. É que nunca fiz isso.
—Isso...?
—Ser a primeira pessoa de alguém. – ele disse de boca cheia tentando esconder a timidez na voz.
—Estou me sentindo ótima, de verdade. – ela sorriu para surpresa dele — Sério, estou muito feliz. E fisicamente, só está meio estranho as coisas aqui...
—Estranho como?
—Digamos que... arde.
—Isso... deve ser ruim...
—Ah, não fique com essa cara. Não é nada demais. Se quer saber eu já senti dores piores.
Ele sabia que sim.
—Algo mais?
—Foi... bom pra você também?
Juvia corou fortemente e apenas fez que sim repetidas vezes com a cabeça dando um leve sorriso.
Gray ainda a olhava comer, com os cabelos azuis escuros soltos até as costas, a blusa que não lhe servia nem um pouco bem, mas a deixava extremamente sexy sem ser vulgar.
—Gray... – ele ainda a olhava e ela prosseguiu — E... Obrigada por tudo isso. Tudo mesmo. Você sabe que mudou minha vida e eu amo você. – Juvia deu um beijo na bochecha dele e viu seus olhos marejarem de felicidade ao ouvir que também era amado por ela.
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