Calm The Storm
32 Susto
Notas iniciais
Juvia Lockser
Saímos todos juntos de manhã.
Meredy foi na frente e nós três – Gray, Lyon e eu- no banco de trás com Silver dirigindo.
Eu queria que Meredy tivesse vindo do meu lado só pra eu ficar sussurrando o quanto estava nervosa por conhecer a família dele.
Minha mãe ficou me dando conselhos ontem à noite, quando fui na minha casa pegar roupas pra sair e dormir.
Eu sabia que era algo normal, mas estava nervosa do mesmo jeito. Como eles iam me olhar? Se iam gostar de mim?
Gray disse na noite passada que era “impossível alguém não gostar de mim”, mas ele não conta...
Depois de uma viagem de quase duas horas, de brincadeiras como “o que eu estou vendo” “ João roubou pão” e etc., até que o Silver mando todo mundo ficar quieto... Finalmente chegamos.
Desci do carro encantada com o sítio.
Sim, era um sítio!
Gray pegou na minha mão e subimos uma escadaria até chegarmos na grande casa.
As primeiras foram as avós dele. Encantadas comigo e com a Meredy pela cor dos nossos cabelos. Ela cheiravam aqueles perfumes de senhora e os casacos como quando deixamos tempo demais no guarda roupa. Eram uns amores.
Eles tinham duas tias. Uma irmã da Mica e uma do Silver.
Particularmente, gostei mais da irmã do Silver. A outra não falou muito conosco muito menos comigo e Gray.
Lyon disse depois que elas culpam todo mundo pela morte da irmã.... Engoli seco.
Os tios eram legais também. Mesmo que fizessem aquelas piadinhas bestas de família e namoradas não era nada que não pudesse aguentar.
Os primos e primas. Parte difícil.
Tive que perguntar ao Gray qual das primas ele já tinha ficado por que todas me encaravam. Para minha surpresa, ele disse nenhuma e que não era tão tarado assim. Cai na risada.
Os primos dele, na faixa dos vinte e cinco, trinta anos eram todos educados, formados e tinha assuntos tão inteligentes que me senti perdida algumas vezes conversando com eles. Um primo em especial do Gray conseguiu me tirar do sério de tão machista que ele era e cabei soltando umas Pérolas como meu pai diria que o fez perguntar ao Silver mais tarde “ Onde ele achou aquela garota? ”
Os primos mais novos deles, me irritaram também por que não tiravam os olhos das belas pernas da Meredy. Eu senti que Lyon estava ficando impaciente com isso, e não queria um ataque psicológico aqui. Nem dele.
Nem meu.
Nós dois juntos formaríamos uma bela dupla de briguentos pensando bem.
Quando um deles perguntou a Meredy por que ela namorava o Lyon.
Nós dois nos olhamos e eu disse.
—Eu seguro e você bate.
Fiz ele rir alto e aquilo foi realmente, muito bom.
No fim do dia, jogamos um deles na piscina, mas claro que foi tudo sem querer... Ele estava perto demais e acabamos nos esbarrando, foi muito sem querer.
De verdade.
—Juro que foi ideia minha. – assumi quando Gray perguntou o que aconteceu. – Ele importunou a Meredy e ai fingi que tinha um bicho nele e ele se desequilibrou com a ajuda do pé do Lyon.
—Como você é terrível. – ele zombou me dando um beijo estalado na testa.
Depois do café. Fui rodar pela casa de curiosidade.
Eu e Meredy.
De todas as crianças presentes, nós éramos as piores.
Olhamos os quadros antigos tentando adivinhar os membros da família.
—Esse garotinho com certeza é o Lyon! – ela sorriu
—Como sabe? – fiquei virando a foto de ponta cabeça e aproximando do meu rosto umas três vezes pra tentar achar o Lyon ali.
—Os olhos. E esse cicatriz na testa.
Percebi naquele dia que o Lyon tinha uma cicatriz na testa.
Meredy disse que ele bateu a cabeça contra a banheira da casa antiga, antes de morar com a Mica.
Por algum motivo, achei que aquilo não era uma cicatriz acidental e sim proposital.
Achamos uma gaveta de foto no quarto.
Muitas fotos.
A maioria ali não conseguíamos identificar quem era. A outra parte era Silver e Mica adolescentes. Gray, Lyon e Ariane com um bolo cantando parabéns com uma vela de 4 anos rosa. Uma mulher linda, aparência extremamente juvenil, pele quase translucida e pelo que parecia loira tão natural que chegava a ser branco, com um bebe no colo.
Só podia ser ela.
Pepper.
—A mãe dele. – Meredy disse – Acha que ela está viva?
—Ah... Bem. Eu... não sei direito sobre isso. Só sabemos que ela sumiu não é?
—Acho que ela está viva sabia.
—Com tanta convicção assim? – questionei
—Com certeza. Não sei eu só acho. Lyon não quer procurá-la. Ele acha que é em vão.
—Acha que ela está morta. — afirmei e ela concordou
—Às vezes eu jogo o nome “Vastia” na internet sabia... não aparece nada. Mas pense Ju. Você doa seu filho e vai embora. Para onde iria?
—Eu... iria pra um lugar bem longe. Pra esquecer.
—Portugal.
—Sim, voltaria pra lá. Mas não iria parar de pensar nele um dia se quer.
—E se ela soube que Mica morreu?
—E se ela nem soube? – cocei a cabeça
—Parece impossível... Se fossemos procurá-la... Não faço ideia por onde começar.
—Talvez não seja a coisa certa a se fazer. Já se passaram anos, acho que dez anos. Quando eu conheci Lyon, já fazia dez anos que Ariane e Mica morreram.
—Onde conheceu Lyon?
—Na escola pública quase no interior. Onde todos nós morávamos antes. Ele morava numa pensão, um velho cuidava do lugar.
—Acha que esse cara pode saber e algo?
—Meredy... – me acendeu uma luz na minha mente – Meu padrasto trabalha no cartório e conhece muita gente. E se pedirmos pra ele buscar nos registro o nome dela.
—Que no caso é? Pepper?Esqueceu que não sabemos.
—Ele sabe. Lyon sabe.
—Ele nunca me disse!
—Tenho certeza que se esforçar ele pode se lembrar. Qualquer coisa ligada a “vastia”
—Não sabemos nem se é o nome da mãe ou do pai.
—Já é alguma coisa!! – suspirei – Eai ? Quer tentar ou não.
Meredy batia os dedos ritmados na foto encarrando a mãe e o bebe da foto sorridentes.
Pegou a foto e guardou dentro do seu sutiã.
—Okay. Fica entre nós duas.
Quando descemos fui direto na cozinha pegar uma garrafa de champanhe que planejava beber sozinha porque aquela conversa já ia ficar na minha mente o resto da noite.
E se ela estivesse viva?
E se tudo essa reconciliação repentina dele fosse um sinal?
Por que foi do nada.
Muito do nada.
Estava tudo muito calmo pra ser verdade.
Pior ainda era como a Meredy conseguia deixar as pessoas com tanta pulga atrás da orelha como eu estava agora.
Enchi um copo normal daquela bebida que com certeza não deixaria ninguém bêbedo e fui para os fundos da casa.
Precisar me dar uns tapas e voltar antes que Gray aparecesse com a carinha de interrogatório dele e perguntasse o que eu tinha.
Minha vontade era de ir atrás do Gildarts agora e mandar ele procurar qualquer coisa sobre essa mulher ou o pai do Lyon. O verdadeiro.
Pensando bem nós também nunca sabemos se aquele monstro morreu também...
Respirei fundo e entornei o copo de uma vez na garganta.
Fomos embora meia hora depois.
Me esforcei para não ficar calada o tempo todo, e junto com Meredy responder algumas perguntas do Silver sobre o dia.
Era 19 horas quando eles me deixaram em casa e eu comecei a me despedir quando Gray desceu junto do carro e disse que iria depois.
Me encostei no portão e ele do lado.
—Aconteceu algo?
—Não, — menti – por que a pergunta?
—Está... diferente. Parece que algo a aborreceu no dia.
—Nada de mais... – respirei fundo – Na verdade eu e Meredy estávamos vendo umas fotos antigas, sim a gente bisbilhotou o sítio da sua avó. Ai acabamos falando do Lyon e da família biológica dele. Agora estou com o assunto na cabeça. Mais precisamente porque nós duas achamos que a mãe dele pode estar viva.
—Nossa. – Gray respirou também – Já faz anos. Se ela esta viva por que não o procurou?
—Não sei. Foi só uma coisa que pensamos. Era pra ter ficado entre nós duas, mas...
—Tudo bem. – ele sorriu – Vai continuar. Não vou falar nada sobre e finjo que nada aconteceu ok? Só, cuidado.
—Ta. – o abracei apertado.
Eu já estava de pijama debaixo das cobertas quando escutei minha mãe dizer que Gildarts já ia embora.
Pulei da cama vestindo meu moletom e corri escada a baixo até a porta.
—Posso falar com você? – perguntei quase o perdendo de vista no portão pra fora.
—Ah? – ele se virou e fechou o portão – Claro... acho.
—Hmm Será que... pode procurar algo sobre um nome pra mim? No cartório, fórum... esses lugares que você anda.
—Pra que?
—Pode ou não? -revirei os olhos
—Não. – ele virou de costas.
—Ah mas!- bufei – Eu só quero saber se a mãe de um amigo morreu. Ele não a conheceu só isso.
Amigo...
Chamar Lyon de amigo em voz alta saiu como se algo estivesse sendo desentalado da minha garganta.
—Ah, entendi. – ele coçou a barba – Posso tentar. Tem muitos sobrenome iguais por ai.
—Vastia. Naturalidade, Portugal. – sussurrei e ele anotou nas costas da sua mão com a caneta que ficava no bolso da sua camisa social. – ok.
Esperei ele entrar no carro e sair.
Talvez agora eu pudesse tentar ficar com ele aqui em casa normalmente.
Sei como minha mãe deve se sentir mal de não poder estar morando com a pessoa que gosta por minha causa.
Não consegui pregar o olho naquela noite. Como já devia esperar.
Pior mesmo era ter guarda segredo.
Eu queria muito poder contar a minha ideia maluca a Gajeel ou Levy, ou os dois.
Sempre contava tudo a eles.
Mas não podia.
O resto do dia foi aula de cálculo o que me fez ficar totalmente concentrada e esquecer todo o outro assunto.
No fim do período de aulas. Gray estava parado do outro lado da rua em um carro que eu não conhecia.
—Me espionando... de novo – brinquei lhe dando um beijo na bochecha.
—Talvez esteja... – dei risada alto – Tem algo pra fazer agora?
—Ah, não na verdade. Só ir pra casa. Por que?
Gray sorriu de orelha a orelha e me beijo na bochecha com força.
—Queria ficar com você só...
Eu sabia exatamente o que ele queria.
~~
Uma semana depois foi a prova do vestibular do Gray.
Eu estava em casa tentando digitar oficialmente meu tcc pela décima vez, enquanto meu pensamento estava nele e nas prova.
Dali duas semanas já entraria as férias do meio do ano.
Kagura e eu estávamos mais felizes impossível. Havíamos adiantado praticamente 80% do nosso trabalho. Todas as pesquisas feitas, só falta passar a limpo e ensaiar nossa apresentação.
Passaríamos as férias sem qualquer preocupação.
Chegava a época das festas juninas e julinas. Coisa que eu nunca fui muito fã, mas ia sempre por causa deles. E esse ano, teria uma festa enorme na faculdade e outra que o pessoal do bairro do Gajeel sempre organizava.
Confesso que era até divertido.
—Desisto. – joguei o teclado em cima da mesa.
Me sentia como se eu estivesse passando por aquela prova.
Chamei Levy pra minha casa pra me fazer companhia, conversar com ela sempre me tirava o estresse.
—Levy.
Disse seu nome tão sério que até eu me surpreendi.
Nós olhávamos para o teto comendo um saco de Rufles quando me dei conta que não havia contado pra ela que... acontecera.
Aquilo.
Ela ia me matar.
—Levy. — disse de novo.
—Fala. – ela disse com a boca cheia.
—Eu... Tenho que te contar uma coisa.
—Conta. — a boca ainda cheia.
—É que eu... – senti meu rosto queimar – Bem, eu... Fiz aquilo com o Gray. Nós dois. No dia que eu pintei meu cabelo. Tipo faz quase um mês mas... Nós dois – mordia a língua – fizemos...sexo... – sussurrei a segunda palavra – e antes de ontem também. O que foi um pouco estranho. – refleti
—An? – Levy se sentou me encarrando – Você.... Você. VOCÊ O QUE????!!!!!!
—Desculpa não ter contado na tes-
—Como pode?!!!
—Eu esqueci!!!!
—Esqueceu da sua melhor amiga?!!!!!!!FAZ QUASE DOIS MESES!
—DESCULPA!!!! – abracei ela derrubando a no chão
—Não desculpo! E me solte sua cadela, eu não quero saber!
Continuei a abraçando forte até que ela desistiu de usar sua mini forçar contra a minha.
—Você não é mais virgem...
—Eu já não era. – sussurrei tentando descontrair mas recebi um soco na bunda que era onde ela podia me alcançar agora
—Você entendeu... – fiz que sim – Oh céus...
A soltei percebendo que sua raiva tinha passado para dar lugar ao choque da notícia.
—COMO?! – ela jogou o travesseiro em mim – Conta tudo!
—Como assim tudo??
—É sua obrigação! Depois de ter esquecido de mim.... Melhor desembuchar!
—O que quer que eu diga?
—Como se sentiu?!!Doeu? Foi bom? Esquisito? Usou camisinha pela amor de Deus?!!!
—Me senti muito bem, doeu, sim mesmo doendo, esquisito é que eu não me acostumo com a camisinha acho e não. Não usei.
—QUE?!
—Só na segunda vez... – escondi meu rosto na almofada.
—Vou matá-lo.
—Eu não estou gravida.
—Foda-se ele já comeu metade de São Paulo e não usa camisinha com você?!!!Vou ter que matá-lo. – Levy riu nervosa e me assustei até.
—Calma... Não é como se ele tivesse aids!!!
—VOCÊ NÃO SABE!!!!
—Ah vai a merda! – joguei o travesseiro nela de novo – Quer me deixa paranoica e não vai conseguir! Não hoje! Hoje eu já tô louca!!!
—Hm, droga.
—ESTAVA TENTANDO ISSO O TEMPO TODO?!!
—Olha. – ela pegou umas seis batatas e enfiou na boca tudo de uma vez – Se está esquisito, não está bom certo? Precisa falar pra ele.
—O que?! Que mané falar.
—Juvia! Essas coisas são conversadas sabia? Vocês são um casal. É isso que um casal faz, com-ver-sa.
—Como vou dizer a ele que não está bom?!Quer dizer, que está, mas que me incomoda aquela coisa... plastificada.
—Você deve ter alergia.
—Já não basta ser toda fodida na vida, eu tenho que ter alergia a camisinha ta falando sério?
—Não é o fim do mundo. Pode ser só a marca que vocês usaram.
—Ai ai...
—Já teve um orgasmo?
—O que é isso.
—Hm, isso quer dizer não.
—Eu vou saber. E ainda...doi. Acho que ele se esqueceu disso.
—Você precisa falar sua cabeça oca! Deixa eu te dizer umas coisas. 1º Não é o fim do mundo se você tiver alergia. 2º Vai começar a tomar remédio por que é sempre bom. 3º Precisa conversar com ele por que 4º Doi até a quarta, quinta vez por ai.
—Mas já foi a quinta vez.
—Que nível de dor?
—Pouco, mas...
—Então é realmente a camisinha. Vai ter que dizer a ele.
—Não posso. Isso é complexo!
—Desembucha tudo!
—Aaaah eu sinto ardência e uma dorzinha chata e eu disse que doía e ele ficou mais carinhoso que o normal, o que é bom. Ele deve ter pensado que era culpa dele! Só que as vezes está tudo calmo demais e que queria que ele fosse mais agressivo, mas isso é uma palavra forte então pode trocar por menos calmo, mas ai se começar a doer de novo como eu vou dizer pra ele para se eu pedir pra ele não paraaaaar TA ME ENTENDENDO... EU NÃO SEI!!!!! – gritei na almofada.
Aquilo era muito pra minha cabeça inexperiente nessas coisas.
—Então, você quer levar uns tapa?
—Por que você cala a boca!!! – Levy gargalhada
—Você que curte uns 50 tons de cinza e a culpa é minha?!
—EU NÃO CURTO NADA!
—Ta bom ta bom, eu entendi o que você quis dizer. Sério, acho que todo mundo passa por isso criança. Eu também passei. Todo mundo.
—Ta e o que eu faço adulta? – caçoei e ela me mostrou a língua
—E ficou pensando no que? Vai evitar ele pro resto da vida? – fiz que sim – Ah Juvia não pode fazer isso! Ele vai achar que fez algo de errado, e não é culpa dele é sua! Você precisa conversar.
—Tenho vergonha.
—Conversa sem olhar pra ele então.
—Ah?
—Serio.
—Ah eu não sei não! Chega desse assunto.
—É uma coisa nova, é normal ficar assim.
—Lá lá lá...
—E se você sentir vontades de fazer algo diferente? Não vai falar pra ele?
Eu já tinha pensado nisso. E a resposta era óbvia.
—Claro que não.
—Cabeça oca mesmo. Não pode ser assim. Não sabe o que tá perdendo!! – Levy quase arrancou os cabelos da cabeça – A final de contas, é o Gray Fullbuster então... Deve ser né, muuuuito bom... Quero dizer, pelos que as garotas se matavam por ele. E... Você me entendeu!
—Antigamente você o achava nojentinho e olha só agora!! – ri alto
—Ah, o jeito dele depois que conhece melhor compensa a galinhagem vai.
~~
Eram nove horas da noite.
Já havia deixado três ligações perdidas no celular do Gray e nada.
Ele devia estar muito exausto da prova.
A minha cabeça começava a se embaralhar tudo de novo.
Mas agora era diferente. Estava sentindo uma espécie de aperto do coração.
Como se estivesse, ou tivesse acontecido alguma coisa.
~~
Gray Fullbuster
Sai da prova no horário máximo. Fiz questão de revisar as questões e preencher tudo com calma no gabarito.
Coloquei meus fones e fui dentro do ônibus capotado de sono.
Não sei como não perdi o ponto, mas acordei exatamente um antes de descer.
Eu estava exausto, demais.
Dobrei a esquina da rua e caminhei devagar até a frente da oficina.
Melissa estava se preparando pra baixar a porta de correr quando vi alguém entrar correndo por ela.
Não...
Meu coração congelou.
Comecei a orar pra que não fosse um assaltante enquanto corria em direção a porta.
Depois de ouvir tudo o que acontecera com Juvia, eu sentia uma aflição gigantesca de pensar que isso pode acontecer com outras pessoas.
Melissa estava sozinha na oficina...
Corri o máximo que pude.
Passei por debaixo da porta e a escutei dizer pra ele ir embora.
Nenhum sinal de gritaria ou agitação.
—Sting? – questionei ofegante.
Ele se virou na direção da minha voz.
Pálido.
Os olhos fundo com olheiras roxas, lábios ressecados. Magro.
—Gray! – ele estava exaltado.
—Usando drogas de novo? –
—Sabe que não sou disso. – ele riu alto irônico
—O que quer?
—Emprego. Vim atrás da Melissa. – ele a puxou num abraço forçado dando um beijo no lado da cabeça dela – Fiquei sabendo que ela manda aqui agora não é... Gostosa.
Larguei a mochila no chão dei um empurrão nele o fazendo cair em cima das ferramentas jogadas pelo chão.
Melissa soltou toda o ar que segurava de medo.
—Entra. – mandei
—Gray...
—Vai.
Meu pai não estava lá. E não sabia se Lyon já tinha chegado.
Esperava que não. Ele não podia passar por isso agora.
—Essa doeu. — ele riu de novo se levantando. – Por que está tão violento? Desculpe se mexi com a sua namoradinha...
Por um minuto eu não sabia se ele se referia a Melissa ou Juvia. A confusão me deixou travado sem resposta.
—Não sabe nem de quem estou falando não é? Ela te contou tudo?
—Como sabe?
—Fui atrás do seu pai semana passada. Não me chamaram pra nenhum almoço esse começo de ano. Ele disse que já sabia de tudo e preferia que eu apenas sumisse da frente dele pra não causar problemas.
Droga...
—E você devia ter feito isso. – avisei – Se já sabe que não vamos te empregar aqui ou seja lá o que for... Por que veio?
—Por que...Isso não é justo.
—Sting...
—Você o acolheu? E a mim?!
—Ele é meu irmão! – gritei — É totalmente diferente!
—Eu também sou.
—Não... Você foi.
—Você perdoou!
—Não quero perdoar você. Vai embora. Onde estão seus pais?
—Em casa.
—Então, volte pra eles.
—Não me trate como uma criança! Isso não é justo e ponto final!
—Você está chapado.
—Foda-se! Como pode acreditar que ele mudou tão rápido hein? Não pode fazer isso comigo Gray! Eu estive aqui quando ele nunca esteve! Nós saíamos juntos, baladas, festas, tantas garotas, um rio de garotas! E olha pra você agora?!Estudando, namorando aquela garota toda amorzinho...
—Se eu soubesse da verdade preferia ter ficado sozinho, sem você. – ignorei o resto que ele disse.
—Eu não armei tudo aquilo sozinho! Ele ajudou! Por que não pode simplesmente me aceitar também?
—Ele mudou e eu estou vendo isso. Você continua sendo assim como está agora. Você não mudou nada. – percebi um movimento na mão de Sting e vi que ele segurava uma chave de boca grande na mão. – Ta vendo só. É disso que eu estou falando. – disse sem tirar os olhos da chave — Melhor você parar com isso.
—Por que? Eu não me arrependo de nada mesmo! – ele mudou totalmente de garoto dramático pra revoltado. Eu tinha mais pessoas problemáticas a minha volta do que eu imaginava – Não! Nenhum pouco sabia! Todo dinheiro que ganhei, acredita se disser que tenho um pouco dele ainda sabia... Acumulando. Nada de arrependimento. Eu faria tudo de novo Gray! – ele gritou e fechei minhas mãos em punhos, por que eu sabia exatamente que frase viria depois dessa...
—Faria tudo de novo e ainda pior! Eu mesmo pegaria a sua-
Acertei um soco no nariz dele antes que terminasse. Caído no chão tentei tirar a chave da mão dele, mas levei a golpe com a chave bem na sobrancelha e tudo ficou preto por alguns segundos. Gritei de dor.
O sangue escorria sangue do meu supercílio esquerdo. Eu enxergava de um olho só mas vi quando ele tentou se erguer pra me acertar novamente quando Melissa tacou uma garrafa na cabeça dele.
As sirenas soaram pelo quarteirão e pararam na porta da garagem.
—Gray! – ela me olhou – Ai meu Deus...
—Você chama a polícia depois atira uma garrafa nele?
—Fiquei perdida.
—Percebi. Está tudo bem. – segurei sua mão.
Escutei quando os policiais entraram pela garagem, mas não via mais nada;
A luz forte me cegou no momento que abri os olhos.
Queria abri-los para entender onde estava, mas não conseguia.
Algo me fez sombra e chamou meu nome.
Abri-os devagar e vi Juvia com os olhos vermelhos de chorar me encarrando.
—Oi amor. – sussurrei sorrindo.
—Idiota! – ela me abraçou – Ta rindo do que?
—Você. Está chorando.
—Lógico. – ela secou as lágrimas sentada na mesma maca que eu. – Melissa está lá fora com uns policiais. Eles esperaram você acorda. Ela foi corajosa e doida. Como eu seria.
—Ela é uma boa pessoa.
—Sim eu sei. E você?! – senti um beliscão no braço, mas a dor da minha cabeça era maior então nem doeu.... — Por que reagiu?
—Reagi... Não é como se fosse um assaltante.
—Mas é um maluco!
—Ah ele me tirou do sério. – a lembrança já me deixou com raiva.
—Gray. Você precisar para de ser como eu era. – dei risada e minha cabeça latejou – Ai.
—Não ria. – ela me fez um carinho na bochecha.
Quando realmente acordei de novo. Eram por voltas das 23h da noite.
Juvia estava sentada na poltrona dormindo. E Lyon estava aos pés dela encostado na poltrona também.
Fiquei olhando aquela cena.
Imaginando em quantos anos aquilo seria possível acontecer.
Peguei o celular que estava em cima da cabeceira do lado e tirei uma foto. O barulho do flash fez Lyon pular de susto.
—Você! – já estava preparado pra negar que não tinha feito nada – Está bem? – ele veio até mim desesperado – Melhor? Ainda dói?
—Bem, bem. – me espreguicei. – Estou bem.
—O médico disse que foi uma pancada feia. Ficamos todos assustados.
—Todos?
—Sim Gajeel e Natsu estavam indo pra casa pra ver como você se saíra na prova quando viram a ambulância. Estão lá fora.
—E papai? – tampei a boca. Saiu tão espontâneo. Esqueci de como era a sensação. Só chamava meu pai assim quando estava com Lyon por que costumávamos fazer ciúmes um para o outro quando crianças.
—Papai. – ele riu alto – Está lá fora. Puto da cara. Quase brigou com os policiais. Quer matar Sting agora. Sabe como ele é. Teve a quem puxar.
—Ah ... – cocei a cabeça. – Onde ele está?
—Em outro quarto. Mas ninguém pode vê-lo. Só os pais. E os pais... Não vem. A policia disse que já prendeu ele algumas vezes, mas o pai paga fiança.
—Drogas?
—Drogas e agressão.
—Isso é falta de surra, provavelmente era o Silver diria...
A porta abriu e Lyon segurou a risada.
Meu pai entrou pela porta, vermelho de raiva e apoiou as mãos em mim.
—Filho, nossa – olhou meu machucado.
—Não foi nada.
—Oh céus. Claro que não foi, se fosse eu nem estaria aqui. Estaria preso. Eu teria....
—Ta tudo bem pai. De verdade.
—Vamos pra casa. Hm. – ele afagou nossos cabelos – Levo a Juvia em casa.
Eu queria muito poder ter chego em casa e ainda ter pique pra conversar com todo mundo no nosso chat de voz sobre como foi a prova. Mas eu simplesmente apaguei. Como se tivesse levado mais uma paulada na cabeça.
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