Calm The Storm
19 Todo o amor em um desenho - Part.2
Notas iniciais
Eu fui direto pro chuveiro quando voltamos da praia. A areia já começava a coçar, e precisava ficar sozinha pra pensar.
Deixei a água cair com aquela sensação de que eu devia fazer algo, e fazer o mais rápido possível. Por mais que eu soubesse o que era, não tinha coragem suficiente pra fazê-lo...
Eu não queria olhar a expresão do Gray quando eu soltasse toda aquela história. Por mais que Levy fizesse questão de me tranquilizar, que seria o melhor a ser feitro, sentia que ele ia ficar tão... abalado que não sei o que seria de nós depois.
—Para de ser louca! – Levy jogou água gelada em mim por cima do box. – Não vai acontecer nada, pode acontecer pior se você não contar.
—Tipo o que é pior...
—Ele saber por outra pessoa, ele saber pelo Lyon...
Comecei a rir o que deixou Levy confusa.
—Ta achando mesmo que o Lyon iria contar pra ele? – ela fez qeu sim – Ele vai carregar isso pra cova dele com unhas e dentes Levy, ainda mais se for pra contar pro Gray. – desliguei o chuveiro e peguei a toalha e depois outra no cabelo.
—Mesmo assim, ainda acho que você deva contar.
—Eu sei que eu devo tabom! – respirei – Só não consigo Levy, não consigo achar as palavras, o momento certo, não sei...
—Você deixou esse momento passar, quando descobriu que eles eram irmãos. Então, agora espere outro ou simplesmente vá lá e dia que precisa conversar com ele.
Me troquei e sai do banheiro.
Senti um cheiro delicioso de carne e meu estômago roncou. Fui penteando o cabelo com a escova pela escada e vi que Kagura é que estava cozinhando.
O cheiro era delicioso!Cheguei mais perto da panela e cheirei.
—Isso deve tá muito bom...
—Strogonnof!! –
Tinha mais algumas outras panelas e fiquei abrindo elas pra saber o que tinha, até ela me expulsar dizendo que eu poderia derrubar algum cabelo lá.
Gajeel e Erza estavam empenhados numa massa de pizza, dizendo ser nossa sobremesa, enquanto Levy fazia uma calda de chocolate e Lucy cortava uns morangos.
Meu estômago roncava cada vez mais.
Fui pra sala, Natsu jogava alguma coisa no PSP dele e Gray parecia esperar sua vez quando eu cheguei. Me sentei no outro sofá e comecei a tarefa de tentar desembaraçar os meus nós. Ele nunca fora liso de verdade, mas também não era super cacheado. Apesar que minha mãe sempre me disse que era volumoso, cacheado e dava trabalho.
Gray se sentou na parte de cima do sofá que eu estava e me pediu a escova.
—Quer mesmo fazer isso? – dei risada – Ele está num dia difícil... Esqueci o creme em casa.
—Devo ter um na bolsa Juvia. – avisou Kagura.
—Pega lá! – Gray disse – Posso?
—Claro!
Fiquei atenta a tudo o que ele fazia enquanto fingia prestar atenção no celular.
Deixei ele fazer do jeito que quisesse por que eu sabia que ele gostava de cabelos pela Ariane.
Gray tinhas as mãos grandes, mas era tão leves. Ele separou meu cabelo em duas partes e depois uma delas em duas também e começou a pentear. Doia bem mesmo do que eu pentear.
Depois Kagura chegou com o creme e as coisas ficaram bem mais fáceis. Tanto que eu não gostei quando ele disse que acabara porque realmente estava adorando aquelas mãos no meu cabelo.
Mesmo assim eu ainda permanecia ali e ele conversando com o Natsu so bre o tal jogo do PSP enquanto me fazia um carinho.
Kagura finalmente anunciou que estava tudo pronto e foi a unica coisa que me fez pular do sofá.
Certeza que eu nunca tinha comido naquela semana como hoje.
—Kagura... Realmente isso tá muito bom... – Natsu elogiou.
—Ah que nada! – ela riu – Minha mãe sempre quis que eu soubesse cozinhar bem... Vivia dizendo que homens se pegam pelo estômago.
—Igual a minha. – disse
—Não só os homens... – Erza disse achando que seria só pra ela mas todos nós ouvimos.
Eu soltei uma risadinha e olhei pra Gray que mexeu as sobrancelhas querendo rir.
—Fico feliz de saber disso Erza... – Kagura respondeu e agora nós tinhamos duas carinhas de pimentão na mesa.
Tive que segurar a risada até chegar a hora de lavar a louça e eu e ela fomos pra pia.
Eu lavava enquanto ela secava a louça.
—Okay está rolando alguma coisa por aqui.
—Não, nada.
—Está! E você está com essa cara amarrada desde que chegamos.
—Impressão sua.
—É a Kagura... – sussurrei — Qual é Erza eu vi como você a olhou aquele dia na quadra.
—Ela é bonita e dai?
—Eu te conheço!!
—Ok, ok sua chata! – ela bateu os pés e eu ria da atitude “menininha”dela – Ela pode estar mexendo comigo mas não desse jeito que você pensa.
—Ah claro de que outro jeito seria... Por isso ficou tão nervosa com o sorteio dos quartos não é? Mas porque não quer ficar com ela lá? Vocês podem se conhecerem e se darem bem, como amigas. Ou não também...
—Amigas está ótimo, ela é hétero e eu não quero ninguém me trocando por homem de novo. É difícil pedir uma mulher que goste de mulher! – ela bateu o prato na pia.
—Ah sim... – engoli seco me lembrando da Mira – Me desculpe.
—Não precisa pedir desculpas... – ela suspirou — Mas e você e o Gray? Porque não estão no mesmo quarto?
—Là vem você de novo...
—Era a oportunidade perfeita!
—Tá maluca com a casa cheia de gente! – quase gritei e fui abaixando a voz – Sua doida!
—Uuu então você é do tipo que adora fazer barulho....
—ERZA!!!
Depois que acabamos a louça, fui direto pro quarto. Já sentia o cansaço me tomar depois de uns bocejos. Abri a porta do quarto me espreguiçando. Lucy estava com um livro sentada na cama já coberta.
—Já vai dormir Juvia?
—Sim... – bocejei – Mas pode ler, não se preocupe.
Lucy disse que já estava cansada também então começamos a arrumar as cobertas para dormir. Mesmo na praia, a noite estava fria. Sorte ter trazido meu pijama cumprido. Lucy riu de mim por ele ser azul de ursinhos.
—Adoro ursinhos poxa... – cruzei os braços ouvindo alguém bater na porta.
A abri com Lucy ainda rindo.
Gray estava parado na porta de calça moleom e um regata. Dei uma leve olhada nos braços dele e sorri.
—Oi!
—Eu... É...
Ele estava vermelho e, nervoso?Sua voz estava saindo baixa, e gaguejando.
Por que?
—Eu...Qu-Queria só... Te dar isso aqui.
Olhei nas mãos dele um envelope azul.
—Eu ia dar...Qu-quando nós voltássemos... Mas eu... estava ansioso...
Peguei o envelope da mão dele. Piscando várias vezes ainda sorrindo.
—Obrigada... – agradeci mesmo que eu não soubesse ainda o que era. Mas eu suspeitava depois de vê-lo com um caderno na praia.
—E... Passei uma música é... por mensagem. Escuta depois.
Ele me deu um selinho rápido e deu boa noite a Lucy voltando pro seu quarto.
Mordi os lábios sorridente e encostei na porta fechada.
Eu sabia que Gray não era bom em escrever...
Me suspreenderei se fosse uma carta...
Sabia que ele desenhava como ninguém!Pelos carros que via na oficina e pelos outros modelos que ficavam guardados.
Sempre disse a ele que ele precisava trabalhar naquelas oficinas gigantes que aparecem na TV fechada. O que não faltava era talento. Mas ele adorava ficar com o Silver...
—Ai meu Deus abre isso quero ver também!! – Lucy interrompeu meus pensamentos ajoelhada na cama agarrada ao travesseiro.
Suspirei fundo e me sentei abrindo o envelope.
O papel estava dobrado em quatro, quando percebi o que era meus olhos já começaram a encher de lágrimas até que abri. Lucy deu um gritinho e me abraçou.
Eu ainda estava incrédula olhando o papel. Duas lá grimas caíram e sorri.
—Isso... é lindo...
—Ele realmente está apaixonado! – ela ria – Aposto que ele nunca fez isso pra ninguém.
Pra mim não importava se ele havia dado outros pra alguém. Porém... Eu arriscava 99,9% que não.
Aquilo era a pura perfeição!Lembrei da expressão de dedicação no rosto dele sentado no carro... Eu sabia que todo o empenho, dedicação, carinho e amor dele estavam ali naquele desenho.

Abracei ele contra o peito forte e me levantei abrindo a porta e indo pro quarto da Levy.
Bati duas vezes quando Gajeel abriu.
—Levy está no banho... AH! – agarrei ele e entrei no quarto – O que...
—Olha!! – mostrei o desenho com o maior orgulho saltitante.
Gajeel ficou boquiaberto e quando Levy chegou ela gritou pulando junto comigo pelo quarto.
—Olha... – ela admirava o desenho – O Fullbuster que eu conhecia, pegador de garotinhas não é o mesmo que desenhou isso, certeza. – dei risada
—É tão lindo!!
—É claro que é!
—Ele ficou diferente mesmo – Gajeel comentou – Você parece ter mexido com ele mesmo...
—Parem vocês dois – fiquei vermelha
—Oras só estamos dizendo a verdade... Ele ficou menos chato – Levy alfinetou – Talvez até mais carinhoso... A gente nunca via ele com uma garota direito, mesmo quando via ele nunca estavam tão próximos... Sei lá Juvia... Acho que ele ama você.
—Concordo.
Meu coração apertou.
Dobrei o desenho de volta e suspirei.
—Que foi? Não quer ele goste de você?
—Quero só... – coçei a cabeça – Não retribuo isso...
—Você não gosta dele?! – Gajeel perguntou
—Gosto!!Calma, eu gosto...
—Ah tá que... Ufa...
—Eu só... Vocês sabem eu não contei nada pra ele, parece que não confio nele, nunca dei nada pra ele fora aquela corrente... e eu nunca vou desenhar algo tão bom quanto isso!E... E... Nós não... não... –fiquei mexendo os dedos pra ver se um deles entendia – Vocês sabem!
—Coisa materias não provam amor Juvia. – Levy disse – Você não precisa encher ele de mimos pra dizer que gosta dele. Dá pra ver que você se gostam só pelo jeito que andam juntos.
—Porém, se quiser dar algo pra ele... Quer fazer você mesma? — fiz que sim — Pode fazer uma carta... Uma... O que sabe fazer?
—Nada. – suspirei – Não vou saber colocar meus sentimentos na carta...Só sei resolver exercícios químicos... cultivar bactérias... – Levy riu – Doces, bolos, comida... E tricô.
—Tricô?
—É.
—Ta ai!Faça algo de tricô pra ele!
—Estamos no calor! – retruquei
—Não importa, você sabe que elas coisas demoram pra se fazer... Até chegar o frio você já acabou.
—Não tem nada que eu possa fazer antes? – fiz um biquinho
—Contar pra ele sobre o Lyon! – Levy quase gritou
—Vaca! – empurrei a almofada nela com raiva e Gajeel a repreendeu dizendo que eles estavam no quarto ao lado. – Vou embora sua cachorra azul e obrigada Gajeel pela ajuda!!
—Mal agradecida! – Levy atirou a almofada na porta quase me atingindo.
Quando eu e Lucy finalmente coubemos na cama sem ficar terrível uma pra outra. Eu perdi totalmente o sono... E pior era que eu não queria ficar me revirando pra não acordá-la.
Comecei a sussurrar baixinho vários jeitos de conversar com o Gray. Me senti uma doida fazendo isso porque eu sabia que era doida por falar sozinha, mas era só em casa que mal tem!
...
Espero que Lucy não me escutasse.
Como já era de madrugada e perdi totalmente a noite, peguei no sono por volta das 5:30 da manhã.
Kagura Mikazuchi
Bati na porta antes de entrar e vi Erza arrumando as malas dela. Ela ainda estava de biquíni com uma camiseta branca fina em cima. Ela ficava fofa assim!
Fui direto pro banheiro apenas pra escovar os dentes. Tinha tomada banho assim que chegara, só ia vestir meu pijama.
Realmente fiquei um pouco confusa sobre tudo de hoje cedo. Erza estava, estranha?
Nem parecia aquela garota que conversou comigo.
Passou pela minha cabeça que eu possa ter feito alguma coisa. Repassei tudo o que tinha falado, feito... E nada!Eu não tinha feito nada.
Suspirei.
Prendi os cabelos e sai do banheiro. Peguei direto o pijama de dentro da mala e comecei a tirar a roupa. Primeiro minha regata depois do sutiã.
—Kagura...
—Que? – percebi que havia sido seca também.
Continuei me trocando. Guardei o sutiã, vesti só minha blusa, odiava dormir de sutiã.
—Ka-Kagura...
Tirei o shorts.
—Desembucha Erza. – olhei pra ela.
Ela estava totalmente vermelha apontando pra mim.
—O que?Tem algum bicho em mim?! – fechei os olhos por impulso – Ai por favor tira!
—Não tem...
—Então o que foi?
Vesti a parte debaixo do pijama.
—Por que está se trocando na minha frente?
—An... – tossi – Não sabia que tinha problema.
—Ok!OK! – Erza respirou fundo e eu fiquei com medo até – Vamos deixar uams coisas ... claras. Primeiro, você não sabe ou não lembra que eu sou lésbica.
Corei violentamente.
—Eu, me desculpa... Erza eu não, na verdade não sabia. Desculpe, deve ser... – abraçeio a almofada vendo que a blusa tinha deixado meus mamilos amostra — Ah eu me desculpe ficar se trocando assim, deve ser chato pra você ficar vendo uma menina que não quer ver nua,nua...
—Ei, espera não é por isso. Só perguntei porque realmente preciso deixar claro isso. Não quero que sai pensando que vi você... se trocando e fiquei quieta por que estava me aproveitando.
—Mas eu não iria pensar isso!
—Enfim, é melhor falar.
Ela voltou a ficar em silêncio e eu com vergonha. Procurei algo pra falar e quebrar o silêncio.
—Por isso está tão brava hoje?
—Eu?Não estou brava, não magina... Com você. Não tenho motivos.
—Posso trocar de quarto com a Lucy se...
—Nós fizemos um sorteio,temos que respeitar isso.
—Ta.
—Olha eu... Só não queria que ficasse nervosa ou algo do tipo.
—Eu entendi.
—Se serve de consolo. Quer que eu te conte porque eu estou brava?
Fiz que sim.
Ficamos deitadas na cama enquanto ela me contava sobre uma tal Mirajane, que era ex namorada dela. Senti por algum motivo que aquele não era o real motivo mesmo que ainda fosse, um motivo.
Passei o resto da noite pensando que ela ter me dito que era lésbica, mudou radicalmente meu jeito de vê-la.
Juvia Lockser
Não fazia idéia de que horas eram.
Lucy pelo jeito não estava mais na cama já que eu sentia um espaço enorme comparado ao da noite anterior.Virei-me de bruços e tapei a luz do Sol com o cobertor. Ouvi alguém mexer nas curtinas e a luz começou a entrar pelas frestas da coberta. Reclamei baixinho e coloquei o travesseiro na cabeça.
—Quero dormir... – avisei
Sentia que alguém estava subindo na cama... Se fosse Erza fazendo graça.
—Quem é? – perguntei travando a voz na ultima sílaba quando alguém apertou minha bunda – GRAY! – gritei me levantando vendo ele correr escada abaixo. – Seu... aghr! – rosnei comecando a dar risada.
Eu conhecia aquelas mãos engraçadinho...
Ele ia ver só.
Continuei sentada tentando colocar o cabelo no lugar quando ele colocou a cabeça pra dentro do quarto segurando uma risada.
—Ha-ha! – atirei o traveseeiro
—Você estava vulnerável demais tive que me aproveitar...
—Vou te denunciar por isso espere só. – brinquei e ele se sentou na beirada da cama – Eu amei o desenho... De verdade você desenha muito bem – elogiei vendo ele ficar corado – Lucy disse que você foi bem realista ao desenhar meus peitos... – fui mais perto dele.
—Ah!Quer dizer eu só... – dei risada
—Brincadeira. – lhe dei um beijo estalado na bochecha. – Eu gostei.
—Fico feliz que gostou então... Acho que fiz uns cinco rascunhos antes desse... – ele falou todo sem graça.
—Podia ter me dado os rascunhos também eu ia guarda com o mesmo carinho.
Dei risada de novo da vermelhidão do rosto dele e levantei da cama dizendo que ia me trocar e já descia.
O pessoal parecia estar agitado lá embaixo do quarto eu ouvia o falatório.
Pelo visto o sol estava quente, já dentro do quarto eu conseguia sentir os raios que entravam pela janela quase arderem ao me tocar. Percebi que tinha trazido um unico shorts que agora estava cheio de areia. Deixei ele para ir só a praia e preferi colocar um vestido. Fazia tempo que
não usava vestidos... mas gostava daquele. Era claro, leve, nem tão curto nem tão cumprido.
Todos tomamos café e Lucy sugeriu ir num lugar mais longe da praia. Era perto de algumas rochas, com uma paisagem bontira e ela queria que nós fossemos conhecer.
A tarde Kagura, Erza, Gajeel e Levy foram comprar espetilhos de camarrão e algumas outras cosia pra nós almoçarmos. Eu e Gray aproveitamos pra dar uma volta na cidade atrás daquelas coisinhas fofas de artesanato.
O que me lembrou que...
Natsu e Lucy ficaram... sozinhos.
Lucy Heartfilia
Peguei uma caixa de ferramentas de jardinagem que tinha dentro do escritório abandonado do meu pai. Era só um comodo da casa, mas como meu pai nunca foi de gostar de sol, ele ficava sempre com alguns livro e trazia o notebook.
Normalmente passava boa parte do dia aqui, o que deixava minha mãe puta da vida.
A grama do jardim estava alta, os jardineiros não deviam vir a três meses. Preferi começar pela parte do jardim da frente da casa já que era justamente a frente da casa e estava uma bagunça. Já podia até ouvir o discurso da minha mãe de “você levou seus amigos naquela zona?!”.
Ajoelhei e comecei a arrancar a grama com a mão e com a tesoura. Fazia anos que não cuidava dele sozinha, mas esperava que eu não ferisse as coitadas das plantas e retirasse aquelas coisinhas que estavam crescendo.
Gajeel e as meninas haviam saido e nem sabia pra onde, eles até tinha me chamado, mas até que queria ficar sozinha.
Eu e as flores.
Provavelmente Natsu tinha ido junto.
Aproveitar aquele pequeno momento comigo mesma. Tinha tantas coisas pra pensar, achava que minha cabeça poderia explodir mas eu precisava pensar naquilo. Mesmo que Levy me orientasse a só esquecer isso eu ainda martelava na minha cabeça. Talvez fosse um jeito de me fazer não pensar...
Tá isso não faz sentido.
Ultimamente, tenho pensando muito no Lyon. Queria saber pra onde ele tinha ido.
Ele não havia me afetado tanto quanto afetou a J uvia...
É até estranho dizer que eu não pensava nele com medo, pelo menos não mais, e sim como alguém que precisa de ajuda. Porém, mesmo que eu quisesse saber sobre ele, achei melhor não perguntar ao Gray.
O primeiro dia aqui, tinha sido tranquilo...
Sinceramente, imaginava que ficar aqui com o Natsu seria terrível e até insuportável. E na verdade, estava sendo como se ele nem tivesse aqui.
Por mais que não quisesse que fosse assim.
Eu realmente amava a amizade dele, o jeito dele de me fazer rir, as graçinhas, até as que me tiravam do sério, as nossas conversas no metrô, que foram muitas.
—Que droga hein Lucy.
Era a pior coisa pra mim.
Perder uma amizade, um amigo. Sem contar aquele sentimento idiota de ter gostado dele!
Eu preferia nem ao menos ter dado aquele selinho nele... Não ter sentido por um segundo que a boca dele era quente...
—Idiota...Idiota...
—Você fala com as flores Lucy?
Travei.
Dei um pigarro e pensei no que responder. Qual é ele não tinha saído?
Me virei na direção da voz. Ele estava sentado no banco de plástico branco um pouco atrás de mim.
O que dera na cabeça dele agora?!
—Eu... Acho que falo. – respondi
Agora eu estava nervosa.
Achei que ele nunca mais olharia na minha cara e agora ele tem que encontrar falando sozinha com as flores.
Ele andou até onde eu estava e observou as flores por cima de mim. Voltei a arrancar as gramas, percebendo que meu coração batia forte e acelerado.
Que droga!
Natsu se baixou também e começo a arrancar as gramas com as mãos mesmo, até olhar a caixa de ferramentas do meu lado. Ele pegou uma faquinha e começou a arrancar.
Eu tinha vontade de dizer
“Não deixei você mexer nas minhas coisas!”
Ou
“Você nem me pediu”
Ou
“Não preciso da sua ajdua!”
...
Mas, fiquei quieta.
Cada vez mais nervosa cada segundo que passava.
Nervosa pela presença dele aqui, nervosa pelo silêncio gritante que estava entre nós, nervosa por ele arrancar gramas mais rápido do que eu!
—Desde quando gosta de cuidar de plantas?!
Tentei não parecer grossa. Só que o tom da minha voz saiu totalmente aposto ao que eu queria e me arrependi na hora de abrir a boca.
Ele ficou quieto, até pensei que não tivesse escutado.
Ótimo! Dei um suspiro de alívio quando ele resolveu falar...
—Minha mãe tinha uma floricultura.
Ta ai uma coisa que eu nunca soube. Cadê os pais do Natsu?
—Minha mãe sempre gostou de flores e horta. – disse sem querer.
Me controlei pra ficar quieta.
Acabei minha parte da grama depois de ver que ele limpava mais rápido que eu, terminei em menos de cinco minutos. Dei atenção a alguns galhos que insistiam em perfurar as coitadas das flores.
Nós dois, ainda em silêncio.
Quando me dei conta nós havíamos acabado a parte da frente do jardim. Que eu agora preferi chamar o canto esquerdo de “canto do Natsu”.
Juro que faria uma linha se tivesse como.
Andei até o outro lado e ajoelhei começando as mesmas coisas na outra perta. Eu não estava nem um pouco cansada – e teria mais partes limpas que ele, certeza.
Não senti Natsu me seguindo então olhei de leve pra trás e peguei ele falando com as flores. Acho que estava gostando dele de novo, no sentido puro da palavra.
Dei risada e voltei a minha parte do jardim que por sinal era minha preferida. As rosas da minha mãe.
Quando vinhamos com mais frequencia aqui eram sempre bem cuidadas, os jardineiros sempre as deixavam lindas quando ficavamos a semana fora.
Agora, nós nem saímos juntos mais...
Retirei as caídas, murchas, comidas, cada uma delas colocando no saco preto...
—Posso pegar uma muda?
Até furar o dedo no espinho de susto.
—Claro. – coloquei o dedo na boca sentindo o gosto de ferrugem.
Procurei algum band aid dentro da caixa. Como sempre eu me furava, sempre tinha algum ali.
—Furou o dedo?
—Sim. – respondi com o dedo na boca. Podia ser impressão minha mas, ele estava puxando assunto?E eu, claramente estava sendo grossa. — Sabe eu sempre furo o dedo quando mexo nas rosas, sempre mesmo e normalmente tem um band aid aqui... Talvez eu tenha usado todos.Achei!
—Deixa que eu ponho.
—Ah?
Ele pegou o band aid e retirou da embalagem esperando eu estender o dedo.
Senti minhas bochehcas queimarem de vergonha, mesmo que ele não fizesse contato visual comigo, sentia o peso do seu olhar em mim e concentrei no pingente da sua corrente só pra não olhá-lo.
Estendi o dedo de uma vez e logo o curativo estancou o sangue.
Eu devia estar louca demais, apaixonada demais... Porque ele era quente o suficiente pra fazer aquele calor chegar ate mim. O curativo era colocado no meu dedo, mas era o meu corpo todo que era tocado.
Foram os dois segundos mais longos daquele dia... E eu jurava que esse sentimento tinha morrido com aquela conversa na porta da casa dele.
—Me lembra da... da... – e minha cabeça ficou branca de repente.
—Flores? Ah, a muda! Claro que vou lembrar minha avó adora rosas.
—O que... – balancei a cabeça tentando reformular a pergunta – Por que não mora com seus pais?
—Porque passei na faculdade aqui. – ele disse como se fosse óbvio e comecei a não gostar dele de novo.
Voltei as minhas rosas e ele voltou a falar.
—Meus pais nasceram aqui, e agora moram no Sul, e preferi ficar nessa faculdade. Pretendo ir pra lá. Só talvez, gosto daqui.
—Ah... Entendi.
Não sabia mais nada pra dizer.
Fiquei com receio do silêncio gritante voltar e acabei desistindo de limpar o resto.
Tentei limpar as mãos na bermuda e só acabei piorando a situação da roupa. Juntei todas as ferramentas de novo na caixa depois da bagunça que tinha feito atrás do band aid.
Levantei abraçando a caixa porque não confiava nem um pingo naquela alça vermelha.
—Lucy?
—Hm? – virei de volta.
Agora eu tinha olhado nos olhos dlee.
Droga !Eu estava quase conseguindo.
Pra minha supresa eles ainda tinha o mesmo efeito abobalhado que sempre tivera.
Respirei fundo quando senti o frio na barriga. Ele ainda me olhava, encarava... Até que ele ficou fortemente corado e disse que não era nada.
Pisquei duas vezes e dei meia volta aindo pela escada de pedras tão rápido que só torcia pra não cair de novo.
Abri o escritório e me tranquei lá dentro, e não saíria até mais alguém chegar.
Juvia Lockser
Nós estavamos debaixo da árvore de um parque. Algumas crianças brincavam alegremente e barulheiramente se posso colocar assim, na fonte do parque.
Estava deitada do lado contrário ao dele deixando o Sol esquentar meu rosto. Ele estava um pouco menos agressivo agora do jeito que eu gostava.
Nós dois estávamos montando várias situações que poderiam ter acontecido com Natsu e Lucy.
—Acho que eles conversaram só. – Gray disse
—Será que se beijaram?
—Natsu e Lucy?! Não, certeza que ele acharia que ela lhe daria um tapa de novo... Se! Se, eles cheragam ao menos a conversar.
—Acho que devemos demorar mais... – me sentei no chão olhando ele deitado de olhos fechados. Fui engatinhando até chegar perto dele o mais cuidadosa possível pra ele não perceber...
—Dá pra sentir seu cheiro sabia? – ele sussurrou
—Droga. Você é tipo um vampiro agora, ou... um lobisomen? – ele riu ainda de olhos fechados, me aproximei mais apoiando os braços no seu tórax e o queixo nos meus braços.
—Qual dos dois você prefere?
—Lobisomens é claro! Mais um lobisomem de verdade!
—Okay, sou um lobisomem então... – ele se apoiou no cotovelos e me deu um beijo.
—Não podemos nos beijar com as crianças olhando. – sussurrei entre o beijo.
—Ei casal! – Ouvi a voz de Erza.
—Okay agora que não vamos mesmo. – ele sussurrou também.
—Um lugar só nós dois quem sabe. — brinquei
—Tabom. – ele sorriu... Daquele jeito me deixando com vergonha. Ouvi as vozes das meninas se aproximando fazendo piadinhas com a gente. – Só nós dois. Hoje a noite.
—Onde? — fiquei mais vermelha.
—Na garagem da Lucy. Se chover – ele olhou pro céu — Na sala.
—Fazer o que?
—Te mostro depois.— ele sussurrou no canto da minha orelha.
Se levantou levando me junto.
Erza perguntou se já estávamos voltando pra casa e deixar pra ele responder enquanto esfregava minhas bochechas pra sair a vermelhidão.
~~
Quando chegamos em casa de novo. Fui discretamente atrás da Lucy pra saber se tinha “ido tudo bem...”
Natsu estava no sofá da sala jogando e parecia normal. Percebi que ela arrumara o jardim, estava bem mais bonito.
—Lucy?
Abri uma por uma as portas dos quartos, dos banheiros e até da dispensa. E não a achei.
“Ok Natsu escondeu o corpo dela?Rolou algum tipo de briga?!”
Eu só não tinha olhado em uma porta. Mas... Nem sabia que ela ficava aberta.
Tentei girar a maçaneta e ela abriu.
Coloquei a cabeça pra dentro de leve. Estava escuro.
A única luz era a luz do sol ali entrava da janela.
—Lucy?!
Ela estava sentada num monte de caixas, sujas de terra e com um band aid no dedo.
—Eu sabia que ele ia tentar te enterrar viva... — brinquei – O que está fazendo aqui?
—Não queria sair com ele lá fora. – ela disse com a voz abafada pelo joelho.
—Que aconteceu?
—Ele falou comigo.
—Isso devia ser bom. – me sentei ao lado dela.
—Não!Vou voltar a gostar dele!
—Você nunca parou. – dei de ombros
—Obrigada. – ela fez um joinha.
—Mas é verdade.
Nós ficamos em silêncio quando ouvimos as vozes das meninas subindo as escadas conversando. Esperamos elas saírem pra voltar a falar.
Sabia que Lucy não iria querer todas as garotas falando sobre aquilo. Sem contar que nós não falaríamos baixo todas juntas. Nunca...
—Só não quero gostar dele e ser amiga – ela sussurrou — e ver ele ficando com outras garotas, e falando delas pra mim, não quero isso. Não quero sofrer por amar o meu amigo e ter que vê-lo feliz com outra, eu sou egóista?Sou, quero ele feliz, mas queria comigo... Eu não quero amar alguém que só pode me dar a metade dele, não quero a metade de ninguém Juvia, quero Natsu por inteiro e se ele quiser eu estou aqui. E isso tudo é horrível porque eu... — me surpreendi quando ela começou a chorar – Eu fico uma merda sem ser amiga dele, porque eu odeio sentir falta dele...
Abracei Lucy e deixei ela chorar no meu ombro por um bom tempo.
Por sorte ninguém descobriu nós duas ali, ou se descobriram resolveram não atrapalhar.
—Você precisava chorar... – comecei quando nós duas nos deitamos em cima das caixas olhando pela janela – Mas, não acha que sofre por antecipação... Natsu pode ter se aproximado de você justamente pra ficarem juntos.
—Acho que não. – ela fungou
—O que te faz pensar que não?
— O jeito que ele falou comigo na casa dele... Você... Você precisava ver ele foi seco e simplesmente disse que não queria mais me ver.
—Natsu gostava muito de você... Não pode simplesmente acabar tudo assim... Sério Lucy, meu Deus ele gostava muito!
—Gostava.
Suspirei.
—Sinceramente, se eu consegui gostar do Gray vocês dois ficam juntos. – ela riu – Ele era um chato, queria matar ele toda vez que a gente se encontrava... Se lembra a primeira vez? – ela gargalhou.
—Que ele levou uma super bota.
—Sim, uma super bota... E mesmo assim, nós nos falamos depois... Eu odiava ele, ele me odiava... Pra ele, eu era uma grossa, chata. Pra mim ele era um babaca que pegava várias. E ele me melhorou. Eu sou menos chata agora sem deixar de ser chata. E ele é mais carinhoso com todo mundo, até com as outras garotas, ele se importa agora e sinceramente eu nem consigo ao menos sentir ciume disso porque sei que foi preciso. Ele precisava aprender a ser... melhor. Você precisa aprender a parar de ser boba — dei um peteleco nela – Qual é, a gente sofre? Sofre...Muito. Mas Lucy você é linda ele não vai ser o primeiro cara que vai te magoar, mesmo que você ame ele... Acho que nem todas as pessoas se casam com o amor da sua vida, sabe quando as nossas mães falam... “Eu tive um garoto no colégio ele era o amor da sua vida” pode ter certeza, não é seu pai. A vida dá dessas – dei de ombros – Natsu precisa aprender a ser menos orgulhoso. Ele vai sofrer muito assim... – suspirei — Eu sei que ele é orgulhoso até quando está errado. Mas ele pede desculpas um dia... Demorou anos pra gente finalmente se entender e agora. Somos tão amigos que Gajeel tem ciúmes. Não só ele... – cocei a cabeça me lembrando do Gray – Talvez vocês dois só precisem de um tempo... precisa organizar suas cabeça. – me levantei – Eu estou aqui se precisar.
Lucy começou a chorar de novo e começei a pedir desculpas se tinha falado algo errado quando ela me abraçou e sussurrou um obrigada.
—Não precisa me agradecer. Na verdade! – soltei ela.
—Ok você quer o meu famoso chessecake, eu sei estou te devendo.
—Tá isso também, mas... Podia me deixar um pouco calma?
—E por que está nervosa?
—Ansiosa talvez seja a palavra... Já que Gray disse que vai me encotrar a noite na sua garagem e eu perguntei o que nós íamos fazer e ele disse te mostro depois. – falei sem parar e precisei respirar — Mostrar!!!!
—Na minha gagaragem!Que absurdo... – ela balançou a cabeça negativamente e depois riu – Alguém vai dar uns beijinhos hoje...
—Não!Lucy!
—Apenas. Não faça nada que você não queira.
—Eu já ouvi isso uma vez acredite não funcionou.
—Estamos falando do Gray querida! – foi a minha vez de levar um peteleco – Eu acredito fielmente que ele não vai fazer nada. Que você não queria claro, não chamei ele de frouxo ou coisas do tipo.
—Eu sei. – dei risada
—Hm bom saber disso vou deixar uma coberta pra vocês lá como quem não quer nada...
—Lucy!Ora, não deixe nada entendeu? – puxei ela da caixa – Vamos lá pra fora pelo cheiro alguém está cozinhando...
Assim que pegamos na maçaneta da porta vimos dois vultos correndo um pra cada lado . Abri a porta e vi de leve um vulto rosa correr pro quarto.
—Alguém ouviu... tudo. – disse tentando não rir.
—Meu Deus... Natsu.
—É. E o segundo vulto... – olhei a direção – Deve ser o Gray lógico.
—Mas o quarto dele é desse lado – ela apontou a direita pra onde Natsu tinha ido.
—Dez reais que ele está com Gajeel.
Andamos pro outro lado e eu abri a porta.
—Aha! – gritei falhando a voz no final.
Gajeel estava... totalmente e completamente nu com uma toalha na cabeça. Não sei quem mas, alguém gritou e eu fechei ios olhos gritando mil desculpas até que um travesseiro me acertou.
—Juvia!
—F-f-f-foi sem qu-erer
—Lucy!
—Não vi nada eu juro! – descobri pelo tom fino que Lucy tinha gritado. Abri um dos dedos pra saber se estava segurou olhar agora...
—Por que ainda estão ai?! – ok não estava — Feche a porta?
—OK! –gritei e fechei a porta. Finalmente abri os olhos. Lucy era toda um pimentão. Toda vermelha de vergonha. Comecei a rir sem parar. Rir mesmo. Sentei no chão e senti as lágrimas saindo de tanta risada.
—Eu... Eu não sei o que sentir. – ela disse e começou a rir também
—Sorte que a Levy não estava aqui.
—Com certeza ela nós mataria por ver ele pelado – ela tapou a boca –
—Meu deus eu... A gente viu mesmo! –comecei a rir de novo
—Aaaaaaaaaah!Quero apagar este dia da minha vida!
—Olha aqui ! – Gajeel abriu a porta assustando nós duas – Não precisa acabar comigo também né!
—Não estou acabando com você. – Lucy riu de novo. – Só queria não desejar toda vez que te ver agora, lembrar que vi você pelado!
—É só não lembrar!
—Como?!
—Sou tão impactante assim? – ele riu maliciosamente
Comecei a rir de novo da cara de vergonhs da L ucy.
—Óbvio que não eu só... Só, só, aah!
—Tabom. – levantei tentando tirá-la da situação — Nós só queriamos saber se o Gray está ai?
—Não tá não.
—Não?!Mas...
—Não, não está.
—Dez reais!! – Lucy comemorou.
Gajeel entrou de novo no quarto e eu e Lucy descemos pra cozinha.
—Ok. Pode sair agora.
Gray saiu de debaixo da cama do Gajeel e suspirou.
—Valeu.
—Dez pratas.
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