Calm The Storm
20 Broken - Part.Final
Notas iniciais
Levy McGarden
Fechei o livro me sentando para desligar o abajur. Gajeel estava deitado de lado, o cabelo caído nas costas de regata e shorts. Ele sempre dormia sem camisa... Até mesmo quando eu e Juvia dormíamos na casa dele. Suspirei. Eu sentia falta de dormir com ele...
Notei que ele ainda estava com os fones de ouvido no último volume. Como ele conseguia dormir assim?
Me pendurei na borda da cama e estiquei o braço devagar pra não acordá-lo até a sua orelha...
—Tô acordado ainda.
—Ah! — gritei caindo com metade do corpo em cima das costas dele. – Que susto Gajeel... – reclamei me ajeitando... nele.
—Já que está ai... Podia dormir aqui em baixo. – sorri
Respirei de leve o cheiro na roupa dele. Era tão cheiroso...
—É eu podia. – concordei.
No começo a ideia de dormir ali era tortura e sinceramente ainda é.
O problema era até engraçado.
Eu sempre acabava triste. Por lembrar de nós pequenos, ficar perto do cheiro dele, perto dele, querer abraçá-lo, beijá-lo... Eu ainda trocaria de quarto só pra não sentir essa sensação. Simplesmente odiava essa nostalgia. Essa sensação de te-lo tão perto sem fazer nada, sem demonstrar todo o meu amor.
Deitei mais pra cima na cama e me aconcheguei debaixo do braço dele, de frente pro seu rosto.
Ele franziu o cenho e sorriu de leve, como se perguntasse “está falando sério?” .
—Estou. – respondi o fazendo rir.
—Quando é que eu vou poder ficar com você de novo? – ele sussurrou sonolento.
Eu amava o jeito que a voz dele ficava enrolada assim.
—Acho que podemos contar pra Juvia amanhã.
—Ela vai ficar bem nervosa por termos escondido.
—Eu sei – disse sentindo um peso no coração – Mas ela vai entender.
—Vai...
Dei um selinho nele demorado e ele me abraçou trazendo pra mais perto.
Fiquei olhando um tempo o rosto dele enquanto dormia. Ele havia mudado tanto.
Antigamente, tínhamos o hábito de nos medir. Até hoje na porta do quarto do Gajeel tem as medidas minhas, dele e da Juvia. Ele crescera dia a após dia, e eu estaquei no 1,60 pra sempre se não era menos.
Fiz um leve carinho na barba rala dele. Antes era uma comemoração quando cresciam alguns pelos, ele sempre quis ter barba. Juvia até havia comprado ampolas de crescimento pra ele e ela usarem. Sorri com a lembrança. Ao menos a academia nunca foi um problema, sua génetica é foi uma dádiva. Nós nunca vimos o pai dele... Mas Lica sempre dizia que ele e Gajeel eram idênticos.
Nós havíamos conhecidos um Gajeel grosso, briguento e chato... Juvia diz que foi eu que o mudei. Já eu acho que foi um pouco de nós duas, percebi isso em como ele nos tratou no dia da festa de formatura.
O vi mudar tanto em tanto tempo, de aparência, de personalidade... Sem nunca deixar de gostar e amar um pedaçinho dele que fosse.
Juvia Lockser
3:45
Ouvi o barulho da mensagem do celular e sorri.
Estava garoando lá fora e me surpreendi de não ter tido nenhum pesadelo. Apesar que nem podia considerar que dormi.
Me mexi o mínimo possível pra não acordar Lucy. Mas ela estava cansada o suficiente pra um pequeno ronco denunciar que a casa podia desabar e ela ainda estaria dormindo.
Respirei um pouco. Coloquei os chinelos e um casaquinho leve abrindo a porta.
Fiquei parada um tempo tentando escutar os barulhos da noite.
Suspirei.
A casa estava finalmente silenciosa, fora alguns roncos baixinhos do quarto do Gajeel e do Natsu.
Nós havíamos acabado de deitar. Depois de ir até o lugar que Lucy queria nós mostrar, ainda ficamos comendo e jogando cartas até praticamente agora pouco.
Desci até a cozinha e peguei água.
Sentei na pia da cozinha e bebi metade da garrafa d’agua.
Sem sono algum.
Devia aproveitar pra ensair – mais uma vez! — o jeito que contaria pro Gray sobre o Lyon,mas fiquei com medo dele ouvir, afinal onde ele estava?
Por um tempo me veio ele na cabeça...
Ele, Lyon.
Como ele devia estar? Será que tinha pesadelos como eu tinha?
Balancei a cabeça tentando afastar os pensamentos e voltei a beber da garrafa quando mais outra pessoa apareceu na cozinha. Fiquei esperando ver quem seria quando Gray apareceu abrindo a porta da geladeira, pegando uma garrafa de água e saindo.
Continuei sentada quando ele voltou com as bochechas cheias d’água e a sobrancelha erguida. Provavelmente não tinha me visto, ri.
Seu cabelo estava todo bagunçado deixando ele um tanto... Sexy, se posso dizer isso de alguém que acabou de levantar.
—Recebi a mensagem.
—Achei que aqui não tinha sinal... – ele pousou a garrafa da mesa.
—Ia voltar a dormir?
—Na verdade, tentar. Nem peguei no sono ainda. – ele bebeu mais água e andou até mim. – E você?
—Talvez, eu também voltasse. Mesmo curiosa... — mordi os lábios, ele sorriu olhando pra eles – A propósito, você ouviu eu e a Lucy hoje?
—Vocês?Onde?Nâo.
—Gray...
—Sério!Onde?
—No escritório.
—Não sabia que tinha um escritorio.
—Esta mentindo! – dei risada
—Não,não estou.
Ele se aproximou ficando entre as minhas pernas e automaticamente enlacei o quadril dele de leve com as minhas pernas...
O que?!
Eu fiz isso?!
Até ele mesmo parecia supreso com as sobrancelhas erguidas, mas o sorriso malicioso ainda estava lá.
—E-então? – perguntei
—O que você quer fazer?
Ele não sabia mesmo esconder as coisas.
Eu sabia que ele tinha ouvido!
E mesmo que não soubesse, essa frase ainda denunciava tudo.
—Não sei... Você que queria me mostrar uma coisa.
—Vamos brincar primeiro.– ele guardou a água de volta.
—Brincar?! – questionei.
Que tipo de brincar era aquele?!!
—Sim,verdade e desafio.
— Oi?
Gray me puxou pela mão até a sala dizendo algo como “vai ser nada demais, pego leve com você” dando risada.
Eu esperava que ele pegasse mesmo.
Logo ele se sentou no chão e eu na frente dele.
—É simples. Vamos colocar a regra de que você pode ficar sem responder uma pergunta. Porém... Vai ter que pagar um desafio.
—Tabom — foi só o que respondi.
—Okay.Vamos deixar as polêmicas pro final. Eu começo. – ele pensou — Sente atração por alguém desta casa que não seja eu?
—Primeiro, por que você começa? – ele me mostrou a língua — Segundo, achei que as perguntas polêmicas seriam pro final. Terceiro, eu podia te zoar dizendo que não sinto nadinha por você seu metido, mas mentir é feio... – ele riu alto – Se quer saber, claro que sim, o Natsu tem seu charme... E a Erza... Eu sou basntante curiosa pra saber se é tão bom quanto ela fala que é.
A cara do Gray foi impagável.
Tive que colocar uma almofada na cara porque não queria acordar ninguém de tanto que eu ria.
—Não tudo bem. Pode ser sincera, eu aguento...
—Está com raiva. – ri mais – Sua sobrancelha da uma leve caída e sua boca retorce quando você está nervoso.
—Como sabe disso?!
—Eu sou bem observadora... — corei percebendo o quanto eu o observava — E eu estou brincando, esse negócio de atração não é comigo. – revirei os olhos – Eu acho as pessoas bonitas, lindas... Poxa foi mal, mas não dá pra conviver com o Gajeel sem dar uma olhadinha naquelas costas de vez em quando... – provoquei de novo – Poooooorém, se você diz atração sexual, querido eu nem sei o que é isso.
—Eu ainda estou me acostumando com as horas que você brinca e fala sério. Então – ele coçou o queixo pensativo – Você brincou sobre Natsu e a Erza, mas falou sério sobre o Gajeel... e como assim você não sente atração Juvia Lockser? – ele riu – É...
—Impossível?! – completei — E as pessoas assexuadas?! Diga isso pra elas.
—Então você é?
Pisquei duas vezes.
—Não.Não!Ora eu... Me dê uma situação.
—Tabom. – ele pensou — Imagine um cara. Do seu gosto, que eu sei que é: alto, forte, com mãos grandes...
—Como soube das mãos grandes?! – abri a boca indignada
—Eee, um bom gosto musical.Uma voz rouca...
—Tô gostando desse verdade desafio.
Logicamente que eu imaginava ele! Mas ele não precisava saber...
—Tá, agora ele sem roupa.
—Que?! – corei violentamente, mas dei risada.
Eu já tinha visto ele sem camisa algumas vezes e a lembrança ainda me dava calor.
—Tá, okay você tem razão. Em resposta a sua pergunta de início... Não então.
Qual é?Eu realmente não ficava assim com mais ninguém, era beeem diferente.
—É minha vez de perguntar!!
Eu não fazia idéia do que perguntar pro Gray. Então minhas perguntas foram as mais bobas possíveis. Enquanto ele parecia ter o dom de me deixar sem graça com aquelas perguntas, eu realmente não sabia de que polêmicas ele falava se eu já estava feito um pimentão na terceira.
Perguntei coisas que eu realmente queria saber o qeu acabou na relação dele com o Lyon.
—Ele é filho da minha madrinha... Ela se chamava Pepper, na verdade o “nome fantasia” dela. Ele devia ter uns cinco anos quando ela o deixou lá em casa pra minha mãe cuidar dele por um tempo... E ai, ela nunca mais voltou.
Arregalei os olhos.
—Porque?
—Eu não entendi na época, mas certeza que era por causa daquele padrastro dele... O pai do Lyon mesmo... – Gray coçou a cabeça — Bem, vou te contar tudo . Pepper era uma prostistuta porque os pais dela não tinha dinheiro pra se manter. Então ela ganhava a vida assim e também era cabeleleira mas o dinheiro nunca dava já que ela precisava ajudar eles.Ela tinha um “cliente fixo” que fazia questão de ficar só com ela. Minha mãe disse que ele era apaixonado por ela, até que por um acidente ou milagre, sinceramente ninguém sabe como isso aconteceu, porque ela tinha sérios problemas pra engravidar devido aos abortos que ela fizera antigamente. Ela engravidou dele, e ele não queria que ela tirasse a criança, então ele deu um certo dinheiro pra ela fugir e se manter por um tempo... – ele suspirou – Resumindo, mandaram matar o pai dele porque queriam saber onde ela estava. É estranho como o cara arriscou a vida dele por ela... Talvez ele realmente gostasse dela. Ela teve o Lyon quando fugiu de Portugal pra cá e conheceu minha mãe cortando o cabelo dela e o meu.
“A gente ficava junto no mesmo berço enquanto elas ficavam no salão se embelezando... Ela começou a namorar um cara esquisito e aos poucos minha mãe e ela perderam contato porque ele era um saco e não queria que minha mãe frequentasse a casa deles. A gente ficou sabendo um tempo depois que ele batia nela e no Lyon, talvez algumas coisas piores. Eu não sei o que houve depois, ela só apareceu lá um dia e pediu pra minha mãe ficar de olho nele pra ela ir no mercado... Foi ai que ela nunca mais voltou e nós cuidamos dele.”
—Ela... Ela morreu... – pensei alto – Ele está vivo?Padrasto dele?
—Eu não sei.
—Okay, acho que... Eu vou fazer uma pergunta mais feliz da próxima vez.
—Eu não me importo.
—Achei que não gostasse de falar dele...Ou que não gostasse dele. – Gray riu
—Eu gosto tá ai o problema. Lyon é cheio dos defeitos, mas não consigo por mais que eu queria negar que ele é meu irmão e que gosto dele.
Mais um motivo pra eu não contar.
Sinceramente isso não seria possível.
—Próxima!! Minha vez... – ele pensou – Tá okay. Hm... Você é virgem?
—Eu sabia que mais cedo ou mais tarde essa pergunta viria. Isso é coisa que se pergunte a uma dama?! – brinquei
—Desculpa, mas sério, eu realmente fiquei curioso sobre isso...
—Não faz mal. Pode perguntar estamos num verdade desafio essas coisas acontecem. – respirei fundo e fechei os olhos — Não.
—Não o que?
—Não sou.
Gray piscou um par de vezes e eu tentei não rir da cara dele.
—Isso é sério?
—Olha aqui! – dei um peteleco na testa dele – Por que é tão dificil de acreditar nisso?!
—Não, não, n-não se sinta ofendida! Não foi isso que eu quis dizer!
—Então foi o que?
—É que você... Parece... ter um... – ele começou a gaguejar se embarralhando todo – Certo receio disso achei q-que-que fosse por isso.
—Hm. – fingi estar brava – Você tem razão, eu tenho. Mas não é só por isso... Ha-Ha! Achou que eu fosse um dama indefesa e pura, se enganou! — brinquei
—Pura você é... Mal consegue falar sobre sexo!Eu aposto que você nem fala essa palavra!
—O que?!! – fiquei vermelha
—Anda diga.
—Não! Eu eu – balancei a cabeça – Vou dizer nada.
—Viu você não consegue...
—Está me propondo o desafio Fullbuster?!
—Fazia tempos que eu não escutava você me chamando assim – ele gargalhou – Não meu desafio ainda está guardado...
—Sexo. – pronto.
—Tá parecendo um pimentão. – ele riu
—Ao mesmo eu falei!
—Okay agora diga transar,gozar, boqu-
—Não! – tapei os ouvidos enquanto ele dizia cada palavra que eu nem sabia que existiam nem ou o que significava! – Seu poluído! – acusei tentando tapar mais ainda os ouvidos.
—Parei, parei eu juro! – ele parou de rir e tirou a mão dos meus ouvidos.
—Você diz tudo isso mesmo?!
—Na verdade não. São palavras que a gente escuta quando adolescentes, mas não costumo usá-las.
—Sei... – fui pra trás um pouco
—Olha aqui eu não sou esse pevertido poluído que você imagina.
—Hmm.
—Não sou. – ele cruzou os braços – Mas, se quiser que eu seja...
Empurrei a almofoda na cara dele fazendo o cair no chão comigo em cima.
—E quem disse que eu quero algo?! – ri de novo – Já disse que você se acha não já? – continuei a empurrar até que ele me jogou pro lado prendendo as minhas mãos – Não pense nisso.
—Não sabe o que eu estou pensando.
—Sei, você vai atacar meu pescoço com da ultima vez e eu vou ter que gritar! – tentei acertar um chute nele, mas ele tinha prendido minha perna.
—Você não é unica que alguma coisa de luta aqui guria.
—Ok pode me prender só deixe essa... – “Boca maravilhosa...” – Essa boca longe do meu pescoço!
—Tabom, então nos seus... peitos pode?
—O que?!!
Gritei tão alto quando ele tentou se aproximar que ele teve que tapar minha boca e parar o caminho até eles.
—Vão achar que eu estou te atecando aqui embaixo!
Tentei falar que era isso mesmo que ele estava fazendo mas pela boca tampada não saiu nada. Só alguns barulhos oque o fez rir.
—Sua vez de perguntar. – ele apoiou as mãos do meulado.
—Quantas garotas você já beijou e quantas já... – não consegui terminar a frase.
—Já... Sabia que você não falava besteiras! – ele se sentou
—Argh! – me sentei – Quantas você já foi pra cama? Há, falei.
—Vou considerar. – ele pensou – Acho que 18.
—Achei que ia falar 50 por ai. – brinquei
—Olha. Eu não sou esses garotos de playcenter. Realmente, você tem uma ideia totalmente pevertida sobre mim.
—Claro, são quase 4 da manhã e alguém quer pegar meus peitos, obviamente você é um pevertido. Responda a outra.
—17.
—Ué, como você beija dezoito meninas e... Quem foi a única?
Gray olhou pra mim com os braços cruzados como se fosse super óbvio!
—Fala. –cutuquei ele
—Você.
—Eu?! – comecei a pensar, na verdade fazia sentido.
—Claro que é, mas isso não vem ao caso, minha vez de perguntar.
Fiquei pensando sobre aquilo enquanto ele perguntava:
—Quem foi?
—Quem o que?
—Seu... primeiro.
Não.
Não.
Nããão!
Respirei fundo e começei a enrolar os dedos morder a boca e tudo que eu fazia quando ficava nervosa.
Agora?!
Era a hora certa?
Será?
Não como eu ia falar do Lyon pra ele acabando de escutar que por mais que tudo ele ainda gostava do irmão! Qual é, o que eu era agora?
Destruindo lares vai lá Juvia sua idiota!
—Desafio. – respondi.
—Eu sabia! Deixa eu pensar...
Eu sei que ele fez aquela pergunta proposital. Só esperava que meu desafio não fosse “responda a pergunta”.
Fiquei inquieta enquanto ele pensava.
Pensei como o Gray conseguia ficar realmente com todas as garotas que ele queria...
Que ele tinha sim,ouvido nossa conversa e esolveu fazer essa brincadeira... Se não o que ele iria fazer?
E claro que a pergunta era proposital por dois motivos me fazer falar sobre isso, ou algum desafio doido que estava ate com medo do que seria.
—Na verdade eu que vou fazer, você só tem que aceitar como ja aceitou.
—E o que vai fazer?
—Beijo.
—Ah – fiquei aliviada- mas isso...
—Num lugar que não é a boca. – ele continuou
—Oi?!
Que raio de lugar?!
Dei uma risadinha nervosa e encostei no sofá ainda no chão.
—Eu só tenho que ficar aqui?
—Só.
Fiquei parada olhado pro chão, provavelmente vermelha de vergonha enquanto o sentia se aproximar. Fechei os olhos de leve e suas mãos ergueram meu rosto me beijando na boca mesmo, devagar. Retribui pensando que ele dissera que não era ali, mas achei melhor me deixar levar. Percebi só depois conforme minhas mãos agarraram a nuca dele que de calmo o beijo ficou mais urgente, mais... intenso e necessitado. Senti cada centímetro da minha boca sendo explorado e eu fazia o mesmo quando o ar me faltou escapando pelos espaços da boca fazendo um barulhinho leve. Gray puxou meu lábios inferior e deu uma leve mordida no meu queixo, depois no maxilar, indo mais pra frente, descendo... Percebi o real destino dele e deitei quase que automático a cabeça um pouco para o lado esquerdo deixando o se aproximar mais de mim no sofá e as mãos sustentram minha cabeça me puxando pra mais perto.
Arrepiei até o último fio de cabelo quando a língua dele tocou meu pescoço no final no maxilar, perto da orelha. Outra vez, e eu mordi os lábios de olhos fechados. Fiquei com frio na barriga, mas estava, tão bom! Sua boca desceu ainda mais um pouco até ele ter espaço suficiente pra dar a volta no meu pescoço e ir para o outro lado, fazendo a mesma coisa.
Arfei sentindo os dentes dele provavelmente marcarem meu pescoço com uma mordida e puxei um pouco os cabelos dele mesmo sem querer.
Meu corpo cada vez mais ia pro lado até ele passar o braço pela minhas costas e me deitar no tapete por cima de mim. Ainda no meu pescoço, ele desceu devagar até minha clavícula e fez uma trilha de beijos até o outro lado.
Comecei a sentir calor, muito... muito calor. Puxei seu rosto procurando a boca dele e o beijei, ela estava quente também.
Eu não consiga para de beijá-lo... Queria que ele me beijasse mais, que beijasse de novo no pescoço.
Um desconforto repentino surgiu no meu estômago, passando a me pinicar, me empurrando de dentro pra fora. Minhas pernas fraquejaram de um jeito ruim, senti minha espinha gelar e meu suor ficar frio...
Era como se tivesse várias agulhas na minha barriga, cada vez mais forte conforme as mãos dele se aproximavam do meu quadril, um desconforto imensurável começou a se exercer sobre mim, como se eu.. de repente não quisesse mais aquilo, ou tivesse medo.
Parei de beijá-lo e coloquei minha mãe entre nós.
—Gray...
—O que sente?
—Como assim? – sussurrei de olhos fechados
Gray pareceu pensar num jeito de reformular a perguta.
—Você parou de repente. – sua voz estava calma e séria... Não estava brava como eu talvez achei que estaria — O que te faz parar? Sente... medo?
—Medo... – pensei – De você?
—Pode ser.
—De você não... – abri os olhos — Talvez da situação, eu não sei. Só sinto um descoforto. Eu não sei...
—Você sabe que é uma coisa que você tem que fazer quando se sentir bem. Eu... Só estava te testando – ele assumiu ficando um pouco corado –Queria te entender mais...
—Nem eu me entendo...
—Sobre... Aquela pergunta que te fiz, de ter tanto receio disso... – ele suspirou – Só diga sim ou não ok? – fiz que sim –Te forçaram a fazer isso?
Os músculos do meu rosto pareciam ter paralisado. Eu sabia a resposta, mas fui pega de surpresa. Um pouco das memórias começaram a querer voltar e um trovão soou lá fora me deixando mais nervosa.
—Sim.
Gray assentiu e passou a mão pelos cabelos se sentando.
—Acho que estou começando a entender.
Gray Fullbuster
Fiquei sentado ali mesmo olhando pela janela as gotas da chuva batendo no vidro e sendo levadas pelo vento, formando até rabiscos no vidro.
Tentei por um tempo organizar nem que fosse um pouco o turbilhão de pensamentos que começaram a passar pela minha cabeça. Acho que eu não podia adiar mais ainda aquela conversa.
Faz semanas que tento enteder se tem algo errado comigo. Algo que fiz ou faço, que faz ela ficar tão distante sentimentalmente.
Juvia não me contava nada. Ela era toda uma caixa reforçada que eu não tinha a chave, ou tinha sem saber usar. Ela sempre e sempre está me escondendo algo.
Essa coisa, esse segredo que até agora eu não sei. Algo que todos sabem... Por que eu sinto que todos sabem menos eu.
A noite da festa de aniversário da Lucy foi onde eu pude ter ao menos uma dica do que era. E era o Lyon. Quando eu contei sobre ele, sabia que tinha algo a ver. Ela tinha ficado tão assustada, tão nervosa e até mesmo cogitou que nós não ficaríamos juntos por isso. Apenas confirmou mais que tinha algo a ver com ele.
Achei que naquela hora tudo se esclareceria. Não.
Lá estava ela de novo se escondendo.
Eu não sabia mais o que fazer e esse era o problema.
A primeira vez que nós vimos deu tudo errado. E mesmo assim ainda não queria desistir...
Nós viramos amigos e percebi que estava começando a gostar dela, de verdade.
Achei até... bom. Eu não gostava de alguém daquele jeito à anos. E por gostar tanto... tanto!
Aos poucos, discretamente comecei a sofrer.
Ela ainda estava deitada.
Respirei fundo... Precisava dar um jeito agora. Eu podia esperar até amanhã de manhã?Podia.
Mas eu adie isso tanto que não me importava mais o lugar e a hora. Eu iria falar.
Sempre que caíamos nesse assunto, eu olhava pro fundo dos olhos dele e era como se eu não conseguisse enxergar...
O enxergar por completo.
Ele sempre estava pensativo e eu nunca conseguia decifrar se quer uma fração do que ele pensava, nem fazia ideia sobre o que ele pensava.
Dentro de mim parecia ter uma faixa de controle de batimento cardíaco.
Aumentando.
Aumentando.
Cada vez que eu pensava que precisava contar ao Gray sobre o Lyon, mais eu ficava nervosa, mais aquilo parecia que precisava ser feito logo. Eu sentia que aquilo precisava ser feito!
E eu simplesmente não conseguia!
Não conseguia!
—Eu realmente não entendo o que eu faço de errado. – disse por fim
—O que? – ela se sentou – Do que você...
—Realmente o que eu preciso fazer pra você confiar em mim?
—Mas Gray...
—Não minta pra mim Juvia.
Me surpreendi com o quão sério eu estava agora.
O que automaticamente a deixava séria. E brava.
—Eu não minto pra você!
—Mente. Olha – respirei – Sinceramente acho que essa conversa não pode ser adiada e não tem momento melhor que esse.
—Que conversa... – sua voz começou a falhar.
Me concentrei pra não ficar vulnerável ao tom da voz dela.
Puta merda Gray do que você está falando...
Aquelas palavras eram as ultimas que eu queria ouvir...
—Eu estou cansado disso. – engoli seco.
Parecia que desabafar essa frase me fez ter vontade de continuar.
—Fui paciente com você, nunca te cobrei me contar nada, nem fazer nada – dei enfase nessa parte – e parece que nada do que faço adianta.
—Gray...
—Sabe a quanto tempo estamos nessa? – olhei pra ela no mais fundo dos olhos que eu conseguia – A mais de sete meses... ou oito, quem está contando. – bufei – Eu nunca entendi o porque de você ser tão fechada,tão... retraída comigo. Nunca escondi nada de você. Nem no dia daquela festa que você me perguntou “você sai com a Melissa” eu não menti. Fiz questão de dizer tudo pra você!Você sabe sobre mim, a minha família... – suspirei — O dia que eu te contei sobre o Lyon no mínimo eu esperava que você contasse de uma vez que merda vocês dois tem junto. Qual é?Se vocês namoraram, sei lá. Eu só acho que eu merecia saber!
Apertei minhã mão com raiva e respirei. Estava realmente, nervoso.
—Você quer minha confiança pra ir pra cama com você é isso?
A voz dela saiu tão seca e nervosa, como a minha.
Mas o tom não importava.
Aquilo só me deixou mais puto da vida.
Não, eu não podia ter escutado isso.
—Não acredito que você está me perguntando isso. – disse de olhos fechados
—Você escutou o que você disse?! “Eu fui paciente com você, nunca te cobrei me contar nada, nem fazer e parece que nada do que eu faço adianta.Sabe a quanto tempo estamos nessa” –repetiu exatamente o que eu disse. – Ouviu o que você disse?!
—E você ouviu o que disse na hora do sorteio?! “Não é só um cara. É você” Então me explica o que eu faço de tão ruim pra você que nem ao menos ficar comigo em um quarto você quer mesmo que...
—Eu não sou obrigada a ficar com você porque estamos juntos! – ela me interrompeu
—Eu não quero te obrigar a nada! Juvia você não está entendendo o que eu quero dizer... – ri nervosamente.
—Estou sim, estou entendendo até demais Gray.
—Não é sobre sexo.
—É!
Dei um murro no sofá e me levantei.
Andei de um lado pro outro tentando acalmar nem que fosse dez por cento do que eu sentia agora. Não queria acordar ninguém também.
—Viu como você não presta atenção.
—Mas...
—Não. Agora você vai me ouvir. Quando eu disse sobre você ser paciente com você, não te cobrar nada, nem te obrigar a fazer nada, fazer nada. Não. Era.Sobre.Sexo. Era sobre confiança!Sabe?Essa palavra, confiar Juvia. Pra qualquer coisa!Você simplesmente não confia em mim!Não adianta tentar me falar que confia, você não confia!Sempre acho que estamos indo bem quando começamos a conversar sobre qualquer coisa! Sobre seu problemas com seu tio, sua mãe, a história da Kagura... E sempre, sempre tem uma parte que você corta. E não quer falar mais sobre o assunto. Por que? – ela ficou em silêncio – Porque você esconde alguma coisa de mim. Eu só queria sua confiança... Não dá pra perceber né, mas eu realmente sofro com isso.
—Eu... Entendi errado. – ela parecia falar consigo mesmo — Sofrer?
—Sim.
—Eu te faço sofrer. – ela sussurrava. Me sentei no sofá. – Eu lembro de ter avisado pelo menos cinco vezes que não era pra...
—Eu gostar de você. — completei
—Eu gostar de você. Eu!!
—Você vai só fugir?A vida toda disso!Se envolver com alguém?
—Estava funcionando...
—Até eu aparecer né. Acho que já entendi. – dei de ombros
—Eu não sei como consegui magoar alguém...
—Conseguiu. Você sabe como é só apenas querer que alguem confie em você?Apenas por confiar... Como um amigo. Você mesma disse “antes de tudo sou sua amiga”. Se lembra?Pensa que eu esqueci!
Olhei pra ela.
Seus olhos estavam cheios de lágrimas, e acho que os meus também.
—Eu tentei por todo esse tempo. Eu tentei, não pode negar isso. Nós brigamos por isso e não faz muito tempo se lembra?Aquele dia no carro.
—Gray...
—Não quero esperar mais pra você decidir o dia que vai confiar em mim. Não tem como duas pessoas ficarem juntas assim.
Ela ergueu a cabeça com um olhar assustado. As lágrimas começaram a sair e eu me amaldiçoei por ser eu o motivo daquilo. Me sentia um lixo por fazê-la chorar, por brigar, pro estar fazendo aquilo, mas ainda mais lixo me sentia cada vez que eu sentia aquela distância entre nós.
—Entendeu? – perguntei
—Não pode fazer isso comigo.
—E você pode fazer isso comigo?
—Quando nós brigamos você disse a mesma coisa! – escutei ela chorar alto – E eu te escutei, fiquei com você...
Tentei disfarçar meu choro na voz. – Nós conversamos não é? E agora? O que vai fazer pra concertar isso então?
—Vou deixar você ir. – ela fungou e secou as lágrimas – Não vai mais sofrer assim. Acabou de dizer que duas pessoas sem confiança não dã ocerto não é?
Pisquei duas vezes seguidas.
—Aca... – não consegui terminar a frase.
—É... O melhor.
Eu jurava que não esperava que aquilo fosse acontecer.
Pensei num final totalmente diferente.
Pensei que nós íriamos....ficar bem. E juntos.
Eu estava diante da garota que me fez virar outra pessoa. Que me fez ficar melhor, não podia simplesmente perder tudo isso...
Levantei do sofá dando a volta na sala.
Segui sem olhar pra trás pro quarto e abri a porta a fechando. Achei que tinha feito Natsu acordar mas ele estava sentado na cama.
—Eu sabia. – foi só o que ele disse fazendo sinal pra eu me sentar.
Minha visão embaçava a cada passo que eu dava pra sentar perto dele.
Eram lágrimas.
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