Calm The Storm
3 Lembranças
Notas iniciais
Sexta-feira.
Falava com Kinana pelo celular distraidamente sobre o trabalho. Ela iria folgar, portanto o laboratório não iria abrir hoje.
–Não preciso ir? Tem certeza?
–Claro que tenho acha que vou deixar um estagiário tomando conta do laboratório — ela gargalhou alto do outro lado – Ainda mais você?
–Engraçadinha haha. Espero que seu nariz saia pra fora de tanto espirrar.
Esbarrou com alguém quase fazendo o seu celular voar. Esbarrar, não era um dos jeitos, mas legais de conhecer alguém pra ela... A última vez... A ultima vez...
Respirou fundo e cruzou os braços. Um ruivo alto, nem tão forte nem tão magro, segurava um skate nos ombros com uma mochila nas costas sorrindo. Não era um ruivo... Era tipo,rosa. “Estranho,mas familiar...” Ela olhou atentamente sem se preocupar se ele perceberia ou não...
–É eu sei, todo mundo acha estranho. – ele disse tinha uma voz adolescente e brincalhona.
–Disse que era estranho? — cruzou os braços
–Não,mas aposto que pensou. Ela ergueu uma sobrancelha e ele deu espaço pra ela passar.
Do outro lado o ruivo também analisava a garota... mulher? Garota. Tinha aparência bem jovem. Dezenove anos talvez? Tinha os olhos grandes e azuis escuros, a pele caucasiana e grandes cabelos presos numa trança passando do meio das costas e também azuis tingidos. “Azul por todo lado...”
–Ah! Espera. – ele se lembrou do verdadeiro objetivo de estar ali que não fosse para esbarrar com aquela beldade... – Sabe onde fica a sala de química?
“Aquilo fazia química?” Foi a única coisa que a azulada pensou antes de dar um risadinha.
–Primeiro... Está no campus errado.
–Jura?
“Segundo, eu não esperava um skatista, com roupas largadas sem cara de nerd, fazendo química...” Mas esse pensamento ela guardou somente pra ela.
–Vou precisar levar você ou...
–Me agradaria sua companhia. – ele piscou. Ela ergueu de novo as sobrancelhas ficando séria.
“Ok,ela não é fácil...” Pensou desanimado.
Juvia Lockser
Andei com pressa pra me livrar logo do rosadinho. E pelo visto ele adorava conversar. Não perdia tempo em perguntar sobre o curso, onde ficava isso e aquilo, o que eu achava legal até pessoas — desconhecidas que falavam muito já que eu era um horror pra puxar assunto — ou tinha deixado de achar naquele minuto.
–Aqui. – encostei na porta olhando curiosa os alunos do primeiro módulo de química mas logo desviei o olhar quando vi um burburrinho entre os homens da sala – Quimica ,você,você química. Boa aula. – dei as costas
–Natsu. – parei me virando – Natsu Dragneel.
Ok... Seja simpática... Uma vez não mata...
–J-Juvia Lockser.
–Lockser?- ele coçou a cabeça – Espera... Já ouvi esse nome... Certeza que conheço você.
–Ah duvido muito. – disse a maior verdade do dia num tom mais debochado que consegui.
–Seu nome não me é estranho... Lockser... hmm
–Me procure quando descobrir. – disse e dei as costas finalmente saindo.
–Isso é um convite?!
Gargalhei sem responder e desci as escadas.
Tá, ele podia ser legal...
~~
Achei Levy pelo meu campus no fim do intervalo comendo um salgado e a olhei confusa.
–O que faz aqui forasteira de Humanas, vaza!
Eu amava humanas... E gostava de Exatas também... Adorava tudo,mas zuar com a baixinha era a melhor coisa que eu fazia. Menos quando Gajeel chegava porque eu virava a zuada da história.
–Vá se ferrar! Preciso achar minha prima... Ela se matriculou aqui... Não viu ninguém novo?
–Fora um ruivinho que... ai droga! – tomei um susto vendo Natsu vir na minha direção de Levy – Ah não é ele!
–Uuu – ela bateu duas palminhas – Ele é bonito que só hein?Eu te zoaria mais se não soubesse que ia levar uma porrada na cara.
Estava me preparando pra responder quando ele chegou mais rápido do que calculei.
–Te achei finalmente. – ele sorriu
–Eai ... – sorri amarelo
–Gajeel Redfox.
Eu e Levy pulamos. Eu de susto... E Bem ela porque não podia ouvir esse nome mesmo sem ficar toda animadinha... O que aquele ruivo sabia do meu melhor amigo?
–Ele me contou de você... – Natsu deu uma golada num suco
–O que?! – quase gritei
–Conheço ele de uns tempos... Bastante tempo aliás. Eu sabia que seu nome não me era estranho Lockser. – ele falou um tanto desanimado.
Arregalei os olhos tendo um colapso mental de cinco anos atrás com ele falando meu sobrenome assim pela segunda vez no dia.
“Era a pior semana da minha vida. Depois do ocorrido com Leon eu tinha que aturar ele ainda na minha sala e alguns dos amiguinhos dele cochichando sobre mim. Eu nem queriavir pra escola,mas já havia faltado duas semanas... Já havia sido jogada pra recuperação.
‘Espera até o Gajeel voltar’ Levy sussurrou pra mim ‘ Eles vão se arrepender’-
‘Não fala nada...'
‘Mas Ju!
‘Se quer me fazer vomitar de novo avisa Levy.'
‘Desculpe.'
"Assim que o sinal bateu pra hora da saída me levantei rápido com Levy vindo junto comigo e claro...
‘Lockser!– alguém gritou meu nome – ‘Por favor preciso falar com você’.
‘Não tenho nada pra falar com você. — Segurei um impulso terrível de me fazer vomitar.
‘Eu preciso... preciso pedir desculpas.
‘Não quero suas desculpas! – gritei parando repentinamente de andar fazendo aquele garoto que eu nunca lembrava o nome, pular de susto.
Eu podia não saber o nome... Mas lembrava do rosto infantil, sem espinhas,ingênuo até...Quem dera.
‘Mas eu juro que não foi minha culpa.
‘Você me trancou lá com aquele imundo e nojento!'
Ótimo agora eu chorava.
‘Eu juro, juro que não fui eu Juvia! A chave estava com-
‘Vá a merda , eu odeio você e ele, e sempre vou odiar.'
‘Por favor... Tem que me escutar! – ele implorava pra mim.
Minha vontade era de bater nele com toda a minha fúria. Eu não queria ouvir desculpas... Não queria saber o que tinha acontecido... O que eu sabia, o que me falaram era que fora ele pra mim bastava. Levantei a mão quando Levy passou os braços envolta da minha cintura me puxando corajosamente pra trás. Pedindo pra eu não bater nele.” ...
–Ju?
A voz fraquinha de Levy soou ao meu lado. Ela parecia ter a mesma...mesma memória que eu estampada agora nas nossas caras.
–Eu... –Natsu gaguejou – Eu não te reconheci... Com o cabelo diferente... Toda diferente alías... E como você não reconheceu fiquei com vergonha... Mas Gajeel quase me forçou a vir aqui...
–Nunca mais vou esquecer seu nome Natsu. –
Tudo ficou preto...
Não lembro por quanto tempo...
Olhei pra frente Natsu a camisa cheia de sangue segurando com as duas mãos o nariz. Minhas mãos ardiam...
O que... O que aconteceu...?!
Dois braços que eu conhecia muito bem estavam envoltas da minha cintura me erguendo do chão quando me soltaram repentinamente me fazendo quase cair e me apoiar na parede.
–Gajeel...
–Eu sou mesmo muito burro! – estremeci com a voz dele acompanhada de uma risada grossa e alta o suficiente pra fazer o meu ouvido zunir – Ah claro como se você fosse pacificamente conversar com ele. Agora eu tenho um novato que acabou de levar um soco no nariz de você!
–Mas...
–Sabe que sua mãe vai vir aqui... – ele respirou e se sentou no chão.
–Eu... – olhei minhas mãos tremendo — Não sei o que deu... Eu só...
–Achei que estivesse bem pra você... — ele me interrompeu — Não sei... Sei lá o que eu pensei.
–A culpa não é...
–Não é sim Juvia. Eu sei o quanto isso é ruim pra você, e sei o que realmente aconteceu agora. Eu podia ter simplesmente te contado, mas queria que ele falasse, que você pudesse talvez entender... Que pudesse melhor disso, cumprir a promessa... Ser ter uma crise...
–Não é crise! – andei até ele – Eu to bem! Só não... Esperava que...
–Eu sei que você está bem.
–Se estiver sendo irônico...
–Não!Ei – ele se levantou me fazendo olhar pra cima agora – Não. Eu sei que você está bem daquilo, mas... Traumas são traumas. Só não esperei essa reação...
Virei de costas não queria ouvir mais nada.
Só precisava,me desculpar...
–Cadê ele?
–O que?
–Natsu... — disse meio sem gosto
–Na enfermaria oras.
Pelo menos dez por cento dos meus cem de traumas superaria ali e agora.
~~
Abri a porta da enfermaria. O diretor Makarov estava sentado num banquinho do lado de Natsu conversando sobre algo. Fiquei sem entrar esperando que ele saísse.
–Natsu, mas...
–Não, por favor senhor,acredite eu a provoquei. Não tem motivos pra chamar os pais dela aqui.
Senti meu rosto corar e esquentar. Por que estava me ajudando?Eu havia acabado de acertar o nariz dele com toda a força que infelizmente eu tinha. Minutos depois me escondi atrás da porta quando ela abriu e entrei. Ele estava com os olhos fechados com um tipo de canudo de algodão avermelhado pelo sangue nas duas narinas.
–N-Natsu... Ele abriu um dos olhos e riu.
–Confesso que eu mereci.
–Na verdade... Não sei. Não até escutar você explicar. – me sentei ao seu lado – Me desculpe.
Eu não ficava nenhum pouco confortável sozinha com um cara... Mas estava tentando deixar isso de lado afinal... Ele não faria nada depois daquele murro mesmo.
–Eu que devo pedir desculpas... Um perdão Juvia. Aquele dia...
–Sei que quer explicar, mas eu não gosto muito de falar sobre isso Natsu. Eu...
–Eu sei que você passou por muita coisa... Praticamente, estragamos você.
Apertei os dedos uns contra o outro. Meu deus... A gente podia conversar sobre aquilo numa piscina seria bem mais agradável. Vocês não estragaram, acabaram com tudo. Mas eu jurava que ia melhorar e aqui estou. Só não achava que os veria de novo.
Pensei e tive de morder a língua pra não falar aquilo.
–Olha o Gajeel não me deu detalhes de você, claro,você o conhece melhor que ninguém. Mas... Eu prometo não tocar no assunto, em si. Eu – ele suspirou e eu também quase ao mesmo tempo. – Eu só queria dizer que quem trancou você e... Ele, foi umas das garotas da festa... Eu, não faço idéia de quem seja, mas era uma das amigas do Le- dele. – ele tossiu – Levy me viu com a chave porque quando eu fui ao banheiro elas iam jogar no vaso e eu peguei pra... te soltar,mas aposto que foi meio tarde...
–Tá.
Foi a única coisa que consegui soltar depois que parei de morder a boca. Ele ficou em silêncio por alguns minutos.
–Que primeiro dia... – disse por sim tirando os algodões do nariz e trocando-os por novos.
Eu não podia me sentir pior... Odiava a pessoa errada, e ainda por cima batia na errada também. Aquele maldito dia, nunca dera tantas confusões juntas. Pra mim, pra Levy... Pra todos... Ninguém ali saiu em pune daquela festa idiota.
Ouvi o sinal tocar acabando a quarta aula do dia. A porta se abriu de repente e eu pulei de susto saindo do lado de Natsu quando Makarov entrou.
–Ah você... Juvia? – me olhou um tanto bravo e suspirou – Bem, já que está aqui também... Vocês dois estão dispensados.
–Mas é meu primeiro dia! – Natsu cruzou os braços fazendo um beicinho.
–Sinto muito, mas... Dispensados por hoje.
Amém... Nada de suspensões. Nada de advertência... Nada de...
–Juvia amanhã conversamos. – ele disse antes de sair da sala
É...Tava bom né...
Narrador
Saíram juntos pelo portão da escola, agora Natsu sem nada no nariz. Andavam despreocupados pelo corredor silencioso quando o barulho de duas botas correndo chamou a atenção de Juvia. Um vulto amarelo passou no meio dos dois gritando um desculpa afinado.
–Hoje é dia... — Juvia reclamou e olhou pra Natsu paralisado. – Natsu?
Numa fração de segundos, ele olhou a garota loira esbarrar neles apressada e sorridente e sentiu sua alma sair e voltar. Era linda... Não podia dizer nada além de linda. Precisava ver de novo com mais calma... Pra ter certeza.
–Natsu?
–Oi... – e então voltou a si – Oi!
–O que foi?
–Conhece aquela loira?
–Hmm, não... Sei... Não... — ela coçou a cabeça – Ah vem vamos o portão vai abrir.
–Onde?
–Pra casa horas.
–Ah é que você falou vamos... — ele sorriu
Engraçadinho.
–Bem, eu vou ter que esperar o Gajeel e – Juvia começava a enrolar os dedos uns nos outros e Natsu percebeu que fazia aquilo quando estava nervosa – E não da pra falar pra minha mãe que eu fui dispensada ela vai ligar aqui...
– É o mesmo pra mim... – ela sentiu uma pontada de culpa — Está a fim de ficar na lanchonete?
Ela o olhou confusa sentindo as bochechas todas corarem, mas ao mesmo tempo... Não dá pra simplesmente virar amigo dele... Ou dava...?
–Ah... Bem... –Tudo bem se não quiser...
Pelo menos dez por cento dos meus cem de traumas
superaria ali e agora.
Lembrou-se dos próprios pensamentos e respirou fundo.
–Não tudo bem, vamos – sorriu — Tem um sorvete delicioso de chocolate belga ali precisa provar... – ela sorriu de novo e ele devolveu.
Por dentro Juvia agradecia Natsu ser falador daquele jeito. Ela não iria conseguir falar com ele, não ainda. Então, o fato dele falar muito e sobre tudo ajudava.
–Esse sorvete...
–Eu disse que era bom. – ela deu uma colherada grande se deliciando com o chocolate.
–Quero casar com essa taça e ficar apreciando ela o dia todo.
Ela riu alto e concordou com a cabeça pegando mais sorvete. Natsu olhou a garota a sua frente sorridente e tudo aquele dia repassou na sua frente. Ele mal podia acreditar que ela tinha passado tudo o que Leon contara pra ele depois... Ai na sua frente risonha, ele se sentia a pior pessoas do mundo...
–Natsu. Ela mexeu uma mão na frente do rosto dele e riu de novo –Pensando naquela loirinha?
–Na verdade... Eu... Tô pensando no merda que eu fui.
Seu sorriso se desfez e ela relaxou os ombros respirando.
–Não precisamos mais falar disso...
–É, eu sei.
Então ela percebeu que não houvera uma resposta objetiva sobre o que ela fizera... Que ela não havia o desculpado...
–Natsu disse que queria me pedir desculpas não é? – ele a olhou e ela viu os olhos dele avermelhados – Eu... Desculpo. Te perdoou ta? Você foi a única pessoa que se preocupou comigo depois de tudo e todo esse tempo e então... Perdoou você.
Ela achava que não iria conseguir. Mas as palavras fluíram com tanta sinceridade, de dentro do coração e ela pode até sentir como se algo saísse dela. Deixando mais leve. Ele piscou os olhos duas vezes e abaixou a cabeça dizendo um obrigado baixinho.
– Seria muito pedir pra te abraçar seria.
Foi a vez dela piscar várias vezes e então se levantou indo até o lado dele, e abriu os braços devagar mas ele ficou em pé a puxando pra si.
–Obrigado.
Juvia Lockser
Eu nunca havia abraçado um homem assim,fora meu pai. Sim, tinha muitas coisas que eu não fazia com nenhum deles. Nem ao menos quando eu conheci Gildarts, eu cheguei tão próximo dele assim, no máximo lhe dei um beijo na bochecha e pronto. Depois de todas as vezes que não só meu tio... Mas amigos do meus pais e amigos de amigos me abraçavam e ficavam se roçando em mim eu deixei de fazer muitas coisas. Mas Natsu me abraçou devagar me permitindo ficar próxima do seu tórax e não de qualquer outra coisa.
–Agora eu estou bem melhor. – ele me soltou – Prometo que vai confiar em mim de novo. Um dia... Espero... É isso ai.
Sorri e fiz que sim me sentando de novo. Escutei de novo aquele mesmo barulho de botas e olhei pra entrada da lanchonete.
Levy vinha saltitante com uma loira do lado que usava um cuturno e Gajeel andava devagar atrás delas. Olhei pra Natsu tentando não rir da cara dele parando no meio do caminho de levar a colher até a boca vendo o sorvete derreter nela voltando pra taça.
–Natsu seu sorvete...
–Ela... É a mesma menina! – ele enfiou o restante do sorvete na boca – Tá vendo?!! – disse com a boca cheia.
–Tô! – gargalhei – Ela é realmente bonita... Mas o que ela tava fazendo com a Levy?
–Juvia! — a baixinha me abraçou e apoiou o cotovelo no alto da minha cabeça – Essa é a Lucy, Lucy essa é a Juvia minha amiga que te falei.
Cara.
Essas manias... De te falei... Falou o que?!
Lancei um olhar como se estivesse fuzilando Levy e depois virei pra Lucy.
–Oi Lucy. – tentei devolver na mesma intensidade o Oi sorridente dela. Cara ela era realmente muito bonita... – Ah! Esse é o Natsu – disse fazendo-o engasgar – Amigo meu. – pisquei pra ele. E foi a vez de Levy me olhar como quem não entedia nada.
–Ah oi... é Luce.
–Lucy, Natsu – Levy corrigiu
–Ué e o que foi que eu disse? A loira riu e deu oi pra ele também.
–Quero sorvete. – Levy cantarolou.
O cosmos conspirava naquele dia. As duas únicas cadeiras vazias Gajeel sentou do lado de Levy e Lucy do lado de Natsu. Tentei não rir enquanto pedia um lanche.
Nem percebi a hora do tempo que ficamos conversando e rindo na lanchonete, só fui me dar conta quando o celular tocou.
–Oi Bicks – disse sorridente. Do outro lado da linha alguém berrou alguma coisa e eu afastei o celular do ouvido vendo todo mundo olhar pra mim – Já volto...
Fiquei na calçada escutando mais algumas coisas gritantes que eu não entendia no celular.
– Bicks... Fala normal... Não te entendo.
–Onde você está?!
–Fui seqüestrada por uma máfia russa, agora estou em Moscou vão vender meu corpo virgem pra um árabe e você como está?
–Não brinca com isso!
–Não estou brincando,super sério aqui,vou valer bilhões...
–Quem está ai?!
–To com Gajeel.
–Ah ta, então ta.
Palavras mágicas...
–Onde você ta?
–Mas meu Deus! – meu celular escapou da minha mão.
–Eai Bicks? – Gajeel piscou pra mim – A gente está numa lanchonete na frente na faculd... Rússia! – ele gargalhou – Ela nem é virgem...
–Ei!?! — abri a boca ofendida — Olha aqui, isso não é da sua conta seu... seu puto!
Só ele conseguia falar daquele jeito sem querer me fazer vomitar. Ou me deixar brava.
–Mas confesso que ela valeria muito hein... O que acha ficaríamos ricos!Tá, ta Bicks, eu estou de moto deixo ela ai... Inteira não dá mais.
–Gajeel seu... -rosnei de raiva — Me dá meu celular Gajeel! – tentei pegar e ele me empurrou pela testa.
–Tá... Ei – começou a falar comigo – Disse pra você estar em casa as quatro porque ele quer companhia pra ir em algum lugar...Uma oficina.
–Tá.
–Ok, ela vai... Como se eu já não cuidasse?Ta bom Bicks tchau, eu adoraria conversar mais. Amanhã matamos a saudades então compre lubrificante tchau tchau. Ele desligou enquanto Bicks ainda falava e estendeu o celular pra mim.
–Que é essa de lubrificante?!
Ele gargalhou.
–É brincadeira...
–Eu sei não é como se eu achasse que você é gay, mas... – dei risada alto dando de ombros – Nunca se sabe.
–Engraçadinha.
Ficamos mais uma hora na lanchonete até que eu tive que ir. No fim acabou que Bicks passou na frente da lanchonete pra me pegar de carro. Superprotetor...
Mesmo que eu quisesse tomar banho não ir pra casa sempre era bom. Levy já ia embora quando vi Gajeel estender o capacete pra ela.
–Levo você. – ele sorriu
–Ah... er...n-n-não...
–Eu insisto, vem sobe.
Olhei pra ela fuzilando com o olhar dizendo “vai agora!” sem fazer som com a boca. Me segurei ao máximo pra não ter um ataque fangirl e pular feito doida quando vi ela colocar o capacete e abraçar a cintura dele.
Narrador
–Natsu.
O garoto tirou os fones virando pra trás procurando a voz que o chamara achando a loira sorridente a sua frente.
–Luce... Ela riu de leve com ele a chamando do “jeito errado” de novo, mas tinha achado fofo.
–É...Você vai de metrô?
–Vou...
–Posso te acompanhar é que...
–Claro! – ele respondeu de prontidão tirando os fones.
E pela primeira vez ele não tinha assunto nenhum tomado pela vergonha que a loira o causava, mas sorte dele agora ela ser a falante.
~~
Ok.
Levy admitiria estar se aproveitando da situação... Mas só percebeu o quanto se aproveitara quando se pegou fazendo um carinho de leve naquele tanqu- ... barriga, de que ela sentia tanta falta. Sentiu suas bochechas corarem ao pensar naquilo e agradeceu estar de capacete.
Gajeel não podia estar achando melhor. Ter aquelas mãozinhas pequenas passando por ele, se agarrando enquanto ele fazia algumas curvas fechadas. Suspirou de desanimo quando enfim chegou na casa da baixinha e ela desceu com dificuldade lhe entregando o capacete.
–Obrigada. – sorriu
–Sempre ás ordens.
~~
Bicks dirigia devagar enquanto Juvia olhava pela janela. A oficina pelo jeito era próximo a empresa onde ela estagiava. Era bem grande com uma placa branca com o nome “Silver's Car” .
Desceram do carro e entraram. Alguns dos funcionários homens mexiam num carro concentrados no trabalho. Então Bicks se dirigiu a uma recepcionista que falava ao telefone. Ela pediu pra eles se sentarem enquanto terminava ao telefone.
Bicks ficou em pé e Juvia se sentou numa poltrona. Ela sentia alguns pares de olhos analisando-a , mas não se importou em olhar quem era,até porque aquilo só a irritava.
O lugar tinha cheiro de graxa pura… E... mesmo que achasse estranho ela tinha que admitir… A deixava confortável… Cheiro de lugares diferentes. Precisava disso.
Logo a mulher desocupou o telefone e Bicks começou a explicar alguns probleminhas no carro e a pintura.
–Ah então fora isso tem a pintura vocês fazem?
–Claro, vou ver se o responsável não esta ocupado ele te mostra os tons de azul.
Azul…
Por minha causa de Juvia, claro.
Olhou de relance um cara se aproximar e o cumprimentar trazendo um caderno com o que era as escolhas de cores. Ela não era com certeza a pessoa mais experiente em homens, mas não quer dizer que não podia achá-los bonitos.
Ele era alto, um tanto forte com as costas definidas e braços sarados, tinha cabelo grande meio bagunçado lembrava o Natsu, porém pretos. Vestia uma calça largada e uma camisa social preta. Tinha um sorriso simpático que a fizera sorrir também mesmo que ele não tivesse visto.
Ué! Por que ela sorrira?
Tirou imediatamente o sorriso do rosto virando a cara.
–Precisa de Algo? — ouviu alguém perguntar
–Não estou com ele. — apontei Bicks e na mesma hora dos dois se viraram.
Juvia podia não saber mas desde que o homem a sua frente havia saído da sala ele já tinha prendido seus olhos nela... Discretamente olhou medindo cada detalhe...
Um all star surrado cano alto, coxas torneadas marcadas pela calça jeans cintura alta,uma regata comportada,porém mostrando o decote dos seios grandes deixando cair o pingente de um colar por dentro dela onde ele adoraria dar um espiadinha... Boca carnuda, grandes olhos azuis... E um cabelo estonteante que ele teve de respirar fundo pra conseguir desviar o olhar deles. O tom de azul mas perfeito que já vira... Sempre achou cabelos coloridos interessantes, mas aquele era mais do que interessante... E agora virado diretamente pra ele se permitiu olhar mais um pouco os detalhes.
Juvia Lockser
Seja lá quem era ele seus olhos se prenderam nos meus por pelo menos uns cinco segundos até ele sorrir. Dois pares de olhos quase negros de tão escuros que tive de me esforçar pra parar de olhar. Virei o rosto e percebi o quão mal educada eu fora.
–Trago amanhã! — ouvi Bicks dizer — Vem mana.
Me levantei ajeitando a roupa e dei uma última olhada. Ele sorria de leve, e dessa vez, eu sorri.
Entramos no carro e Bicks deu a partida. Coloquei o cinto.
–Do que ta rindo?
–O que? – me virei pra Bicks que conectava o pen drive no rádio do carro escolhendo uma música.
–Você. Rindo aí,sozinha…
Pisquei duas vezes antes de processar o que ele acabara de falar.
Assim que voltamos pra casa,minha mãe ainda não tinha chegado. Respirem fundo entrando na sala, não tinha cheiro de graxa, mas jurava que aquilo ainda estava impregnado no meu nariz. Subi as escadas indo pro quarto. Precisava de um banho. Tirei a roupa e me enrolei na toalha indo para o banheiro.
Na escrivaninha do corredor,Bicks deixara as chaves do carro e um cartão. Peguei o mesmo nos dedos e sorri lendo a caligrafia fofa até, de caneta azul...
Gray Fullbuster...
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