Calm The Storm
4 Aposta
Notas iniciais
Juvia Lockser
Bati na porta do diretor tendo um leve flashback do que acontecera na segunda.
–Entre.
Ele estava de costas lendo uns papéis e se surpreendeu ao me ver dentro da sala.
–Achei que teria de te buscar na sala.
Sentei-me quando ele pediu e continuei quieta.
–Concorda com o que Natsu disse ontem?Algo sobre ele ter te provocado...Verdade?
Pior que era mais ou menos... Ele podia escolher fala disso fora da escola mas.
–Em partes.
–Juvia, eu só queria dizer que só não chamei seus pais porque ele não quis. Mas devo dar uma certa ênfase que você tem um leve histórico de briga na faculdade, no primeiro bimestre não esquece da briga do banheiro com aquela menina – abaixei na cadeira envergonhada – E no terceiro você arrancou um dente daquele garoto – me abaixei mais ainda. Mesmo que ele tenha merecido depois de simplesmente dar um tapa na minha bunda e dizer que se confundiu com uma amiga. — porém,todas dentro do seu atestado de... Depressão e agressividade. Então, eu relevo tudo. Mas os pais dos alunos não. Seu atestado está vencido e acho que isso é até bom, sinal que está bem.
Suspirei.
Deve ser né.
–Mas vamos,tentar evitar esse tipo de coisa,sei que teve seus motivos para tudo. Achei que conseguiríamos fechar o semestre sem nada mas-
–Não vai se repetir. – o interrompi
–Espero, de verdade. Você é uma aluna e tanto,mas seus níveis de estresse realmente...precisam de um reajuste.
Reajuste!!! Respirei fundo...
–Pode deixa.
–E você disse isso tudo da outra vez,posso confiar agora?
Não.
–Sim.
–Okay,pode ir.
Sai quase correndo da sala e desci as escadas indo lavar o rosto no banheiro.
~~
–Uma festa?
–Não é bem uma festa...
Gajeel andava ao meu lado direito da calçada e eu agradecia por isso já que fazia um sol escaldante naquele dia e ele conseguia me fazer sombra.
–Natsu só quer reencontrar uns amigos... Só uma social, vai ser na casa dele e... – ele respirou fundo – Já me certifiquei de que nenhum imbecil vai.
–Mas eles são amigos do Natsu...
–Não mais tão amigos, por isso ele nem se preocupou em chamá-los. Vai ser só nós e alguns amigos da dele de química.
–Tá... Sei.
– Diz que vai pensar...
Suspirei.
–Eu vou vai.
–Ué?Assim tão rápido.
–Sim, faz realmente muito tempo que eu não saio então ultimamente vou topar tudo.
–Hmmmm bom saber parece que a Lucy vai dar uma festa de aniversário... E a festa da semana sem aula...
–Vá devagar ai coisinha...
~~
Assim que cheguei do trabalho, estranhamente, minha mãe já estava em casa, e ainda por cima fazendo o jantar pro Gildarts.
–Oi filha. Como foi o dia?
–Bem... Eu vou tomar banho... é... –respirei – Vai ter uma mini festa na casa do Natsu e eu vou. – disse tão decidida mas quase me caguei.
–Natsu? Quem é Natsu?
–Um amigo da faculdade...
Começou um mini questionário de quem ia,que horas eu voltaria,porque do nada eu decidira sair... e Porque ela não ia deixar...
–Você vai tomar os remédios, eles te dão sono, porque sair?
Respirei fundo e peguei minha bolsa no sofá.
–Vou tomar banho.
Tomei um dos tic-tac e liguei o chuveiro.
Realmente, até a merda dessa balinha me viciava agora... Meu psicológico estava fazendo o certo ate demais.
Sequei os cabelos com a toalha e abri o guarda-roupa. Fazia tanto tempo que eu não saia que nem sabia o que vestir. Peguei uma calça jeans e uma regata e vesti,mas tirei tudo e joguei na cama.
–Fiquei sabendo que vai sair... Hmmm – Cana disse parada na porta.
–É... – cocçei a cabeça jogando as roupas em cima da cama.
–Ajuda?
–Acho que sim.
De todas as roupas que joguei na cama Cana grudou os olhos numa das peças e ficou paralisada na porta.
–Que foi? Se quiser emprestado pode pegar. – disse sem saber qual roupa era.
–Vista.
–O que? – olhei pra ela Cana segurava um cropped de zíper azul escuro seus olhos pareciam formar dois corações. -O que... Ah não!
–Vista!
–Não!Eu não...n-n-não me sinto bem pra vestir mais esse tipo de-de coisa!
–Vista agora!
–Não! – gritei
–Então,essa saia? – fiz que não – Esse shorts? – fiz que não de novo – Esse vestido? – não de novo. – Caramba você quer por calça e manga cumpirda?Tá um calor lá fora.
–Vai ficar ridículo ... E não uso-
–Vai voltar a usar! Poxa,esse vestido é tão lindo... – revirei os olhos — É isso ou um dos meu shorts que entram na bunda.
Rosnei e peguei o vestido da mão dela. Entrei no banheiro de novo vestindo ele que ficava um pouco a cima dos meus joelhos. Sua cor de fundo era arroxeada,com várias rosas brancas contrastando com o roxo. Fiz um coque e me olhei no espelho... Fazia tempos que eu não gostava de me vestir assim... Não me sentia bem depois de tudo que havia acontecido...
Mas, que inferno... Eu tinha de admitir. Estava bonito.
–Ok Cana. – abri a porta – Eai... — ela gritou e bateu palminhas
–Você está tão linda Juvia meu Deus!!
–Para... – senti meu rosto esquentar.
–Por favor,vai assim? Por favor...
–N-não quero sair na rua assim.
–Olha aqui. – ela assumiu um tom sério na voz – Você não é mais aquela menininha chorona que tinha medo até da sombra,seja lá o que for que aconteceu Juvia,sei que um dia vai me contar e eu vou entender... Mas enquanto isso não acontece. Eu só sei que agora na minha frente está uma mulher forte e deslumbrante que bate feito um homem. Você mudou muito e devia voltar com seus hábitos... Ta com medo de que?
Na verdade... Nem eu sabia.
~~
–Que horas são?! – disse com o enquanto passava lápis de olho,meu fiel amigo, e um batom rosa. Cana futucava na minha caixa de bijux brincos, colares e quaisquer balangandãs que ela pudesse por em mim.
–Cara você nem precisa de maquiagem,agora vem testar esse brinco...
–Que horas são?! – repeti
–Ai droga são... 8:45
–O que?! – gritei – Eu não sei ir a casa do Natsu disse que ia me encontrar com Levy e Lucy na catraca do metrô.
–Ata!- Cana gargalhou – Até você chegar no metrô de ônibus serão... 9:30... Se Bicks te levar, a não o carro ta ruim... E o da sua mãe?
–Ela não deixaria nem morta!Ela ainda acha que nem vou!
Meu celular tocou. Era Levy.
–Lev-
–Cadê você?!
–Em casa... Me atrasei...
–Eu vi, Juvia você vai demorar uma vida pra chegar.
–Mas eu... Espera, vou atrás do Bicks. Sai do quarto calçando aos pulos minha sapatinha marrom. E bati na porta dele duas vezes, antes de ouvir um entre baixinho.
–Bicks... -Hm. – ele estava em meio a papéis provavelmente estudando... Não que eu gostasse da idéia de tirar ele dos estudos porque não era algo que ela fazia frequentemente, nem raramente,na verdade ele não fazia, mas... A situação exigia.
–Quer o que? – ele fingiu não ter ouvido.
–Que pegue o carro da mãe e me leve no Natsu... Ou no metro. — repeti
–Bem, a mãe não vai dar o carro porque não vai gostar da idéia de você sair.
–Ela não tem que querer! — soltei de repente
Ele piscou duas vezes antes de levantar da mesa.
–É assim que se fala porra!
Não entendi nada...
Só sei que depois daquilo eu estava em pé na sala com a minha bolsa de lado e minha mãe com a cara emburrada no sofá,enquanto Bicks pegava os documentos do carro e vestia uma camiseta.
–Que horas você volta?
–Hmm não sei na verdade...
–Vai voltar com quem?
–É...
–Comigo. – Bicks gritou o quarto.
–Com o Bicks. – respondi como se ela não tivesse escutado – Eu ligo pra ele vir me buscar.
–Onde fica isso?
–É uma casa, é um bairro depois da faculdade.
–Não me lembro desse Natsu, na verdade não me lembro de ter amigos que não seja o seu irmão e aquele cara grandão cheio de piercing.
–Gajeel. – interrompi.
–Que seja. – contei até dez.
–Ela não pode ter amigos? – Gildarts perguntou da cozinha e me espantei dele estar ... me defendendo?Intrometendo? Ele sempre ficava na dele.
–Ué,cl-claro que pode mas... – ela bufou – Você não entende.
–Não mesmo. – ele deu de ombros.
Bufei de raiva e abri a porta dizendo que esperaria Bicks lá fora.
Gildarts desejou um boa festa e minha mãe ficou quieta. Encostei no carro e minutos depois ele saiu de moletom com as chaves na mão. Assim que chegamos a casa do Natsu agradeci e disse que ligaria quando fosse embora. Não podia ser tão tarde já que Bicks acordaria cedo amanha pra trabalhar.
Pessoas que trabalham no sábado tinha que ir pro céu direto.
O portão estava aberto então entrei, e logo atrás de mim Gajeel surgiu com o capacete na mão. Ele me olhou de cima abaixo.
–É amiga do Natsu também?
–Engraçado Gajeel.
–Não sei quem é você,desculpe. – ele entrou me deixando pra fora.
– Gajeel! – bati o pé
–Brincadeira – ele deu meia volta e abriu o portão me dando passagem — mas você está linda.
–Xiu.
Fomos andando pelo caminho marcado de paralelepípedos do quintal da casa do lado havia dois carros debaixo da garagem. Um senhor veio nos receber, se apresentando como tio dele e disse que eles estavam no quintal dos fundos. Fiquei meio apreensiva de ver os tios dele. Pensei por um minuto o que acharam do machucado dele no primeiro dia.
–Relaxa,que Natsu explicou em partes. Eles não te odeiam.
–Como...Como sabe que eu...
–Está enrolando os dedos um no outro. Está nervosa.
Fiquei levemente impressionada com o modo que Gajeel observava as coisas,em tudo. Mas em questão,eu,devia suspeitar afinal eu já perdera as contas de quanto tempo nos conhecíamos.
O som estava baixo atrás da porta de vidro e pelo ambiente era uma festa calma e suspirei de alivio por isso. Senti cheiro de pizza e meu estômago fez barulho.
–Aaah você veio! – Natsu jogou as mãos pra cima e veio até mim me dando um abraço repentino.
–Achei que estivesse falando de mim... – ouvi Gajeel reclamar de braços cruzados e Natsu riu.
–Ah você eu sabia que viria, mas ela não. Eai? – ele se afastou pra me olhar com um dos braços no meu obro — Cara você está muito bonita.
–An? – pisquei duas vezes – Ah, é... Valeu...
Acho que se eu ouvisse mais um elogio enfiaria a cara num buraco de vergonha. Eu já era branca demais, não merecia ficar com a cara parecendo um pimentão.
Continuamos indo pro fundo da casa e logo eu vi Levy, Lucy e Erza sentadas no chão da varanda forrado por um tapete comendo alguma coisa. Levy acenou pra mim e fui até lá depois de cumprimentar de longe uns amigos do Natsu que deviam ser do curso dele. Ele havia colocado a TV do lado de fora da casa e jogavam algum jogo de luta no Xbox.
–Uaaal hein!
–Calada. – me sentei e cumprimentei Lucy e Erza.
Peguei logo algo pra comer enquanto elas zoavam com a minha cara.
–Gente é só um vestido...
Narrador
A campainha tocou do lado de fora e outros ainda chegaram. Natsu pausou o jogo e foi até a porta de vidro.
–Ei Gray! – abraçou o amigo — Você veio!
–Eai rosado, quanto tempo?
Natsu passou a vez enquanto continuava a conversar com o amigo que foi apenas cumprimentar as pessoas antes de se sentar com Natsu.
Mas espera... Ele tinha certeza que já vira aqueles tons de azuis... Ela estava sentada de pernas cruzadas mordendo um pedaço de pizza puxando o queijo com os dedos e os colocando dentro da boca.
Era a mesma menina da oficina.
Hoje ele iria descobrir o nome daquela garota
ou não era o Fullbuster.
Fez questão de ir até a mesa e cumprimentou todas as meninas...
Levy... Suspirou.
Havia pedido pra baixinha pra ficar com ela, mas a mesma se recusava, porém era simpática o suficiente e o cumprimentou normalmente. Uma ruiva da qual ele não se lembrava o nome, e uma loira a qual ele não conhecia... Assim que se virou para a azulada seus olhos se encontraram... Ela o mediu de cima a baixo antes de dizer um oi e se virar novamente antes que ele pudesse lhe dar um beijo no rosto.
Nem ligou pra ele...
Ok, a noite só estava começando não? Afinal... Ele era o grande e pegador Fullbuster porque alguém o recusaria? ...
Um dia, até mesmo a baixinha Mcgarden cairia nos seus pés, e ele diria que não pois fora rejeitado uma vez e agora... Uma ova, diria que sim claro... Não resistia a fofura da menina,muito menos as coxas dela,mas que agora estavam em segundo lugar se tratando daquela azulada de vestido.
Se sentou com Natsu no sofá pegando uma garrafa de cerveja.
–Eai a faculdade?
–Por enquanto tudo bem!Preciso mesmo é de um emprego, e a oficina?
–Faturando como sempre, ainda bem.
Conversaram mais um pouco sobre a faculdade e a oficina até que finalmente Natsu chegou no ponto que Gray esperava e pode perguntar.
–Conheci elas há pouco tempo...
–A de cabelo azul... – Gray disse sem deixar de olhá-la
–Ah! – Natsu riu – Tire o olho ela não é pra você Fullbuster.
–Ora está me subestimando assim de repente.
–Se está com algum interesse nela... Eu desistia.
–Há, a única que me disse um não foi a baixinha ali,e um dia... Eu ainda vou saber por quê. – ele cruzou os braços feito criança emburrada.
–Hey Gajeel ! – Natsu chamou e o moreno andou até ele – Tem alguém aqui interessado nela...
Gray olhou pra aquele cara ao lado do Natsu. Não se lembrava dele. Era alto e forte com uma cara de mal encarado com vários piercings.
–Ah sim,antes de tudo Gajeel esse é o Gray. — os dois apertaram as mãos.
–Fullbuster né? – Gajeel deu uma risadinha. – Em quem? A loira? Eu falo com ela...
Natsu torceu as sobrancelhas... Acho que o moreno não entendeu.
–A do cabelo azul...
Por pouco o fio de cerveja que desceu na garganta de Gajeel não o fez se engasgar e cuspir tudo. Tossiu duas vezes antes de rir.
Até parece que Juvia ficaria com um cara cafajeste feito ele. O nome dele vivia da boca das garotas e não devia ser só o nome... Até porque depois de tudo ele duvidava que Juvia ficasse com alguém,além do mais como ele.
–Sinto muito, mas não posso ajudar. – ele riu se sentando do lado do Natsu.
–Ah,e quem disse que preciso de ajuda. – disse em desdém. Gajeel gargalhou.
–Gray você se acha ... – Natsu suspirou
–Não tem culpa se as garotas simplesmente...gostam de mim, Dragneel.
–Te dou trinta reais se conseguir falar com ela mais do que cinco minutos.
O ego de Gray se afetou com aposta feita pelo até alguns minutos atrás desconhecido. Quem ele pensava que Gray era?
–Não vale quer zuar com a minha cara se ela for lésbica.
–Ela não é...
–Ok então grandão. – ele se levantou do sofá – Trinta pilas e você corre de cueca na rua. – Gajeel gargalhou daquele jeito que só seus amigos conheciam.
–Ge-hee, vai separando uma bem bonitinha que quem vai correr é você. – ele provocou e estendeu a mão.
–Eu-eu não aceitaria... – Natsu começou mas Gray logo apertou a mão do outro – É... Tá feito, já né. – deu de ombros – Só boa sorte então...
–Vai precisar. – Gajeel se jogou no sofá.
Gray quase rosnou antes de entornar todo o conteúdo da garrafa na boca.
–Já começou errado... – sussurrou Gajeel pra si mesmo.
Ele andou devagar esperando alguma situação dela ficar sozinha. E ela veio. Ela se levantou graciosamente indo até a mesa pegar um copo como refrigerante. Ele percebeu um vestido de alças finas e um decote comportado que o fez reparar nos seios robustos delas. Sorriu internamente.
Era,mais do que linda. E todo aquele mistério só fazia ele querer conhecer ela mais ainda.
Aproveitou a sorte de ter visto a na oficina dias atrás e respirou fundo finalmente indo pro lado da mesa.
–Me corriga se estiver errado... Mas você estava na minha oficina dias atrás sim?
Juvia ouviu uma voz grossa... Parecia familiar. Se virou para o lado esquerdo e encontrou o moreno alto de dias atrás. Espera, ele a cumprimentou antes não? Coçou a cabeça. “nem me lembrava.”
–Hm, sim eu estava. – resistiu ao impulso de fingir que nem o conhecia.
Voltou a se concentrar em encher os dois de copo de refri.
–Nem tivemos a chance de se apresentarmos... Sou Gray Fullbuster.
Ela levantou uma sobrancelha. “Por favor,diga que não está tentando me paquerar...” Respirou o hábito de cerveja que vinha dele e mais uma vez se resistiu a outro impulso,agora o de revirar os olhos. Odiava o cheiro de cerveja ou qualquer coisa alcoólica.
–Oi. – ela sorriu e se virou os dois copos em mãos. Ele processou a situação e tratou de ir atrás dela... Não... Não seria ele que correria nu.
–Ei, é... – tossiu.
Qual é cara? Você é você e simplesmente fugiu os assuntos?
Pensa, pensa...
–Era seu namorado?
Que porra é essa Gray?
–O que?
–A-aquela d-dia na oficina.
Porque caralhos você esta gaguejando? Ela riu de leve. Uma risada tão... Simples... Mas tão leve.
–Ah,na verdade... Estamos pensando nisso ainda. – mentiu
–Ah,claro... É... – engoliu em seco.
Aquele grandão o faria pagar por não ter dito que ela tinha alguém. Ela continuou ali parada, o olhando como se tivesse se divertindo com ele. Gray fechou a cara na hora.
– Eu não tenho ciúmes. – sorriu.
E foi ai... Que ele se fodeu... Azulada fechou a cara na hora.
–Ah não tem?E o que te faz pensar que eu ligo se você sente ciúmes ou não? Pra sua informação, ele é meu irmão e...
–Então está solteira... – disse parecendo só ter escutado aquela parte.
–Estou, mas não pense que vou ter qualquer tipo de-de... contato com você ou qualquer coisa do tipo.
Mas o que?
–Faço você mudar de idéia.
–Coitado.
Ah não... Mas não mesmo.
–O que?!
–Coitado. – ela repetiu normalmente.
–Acho que eu não te ouvi direito...
–Acho que você é surdo... – ele abriu a boca pra falar mas ela logo continuou – Não se acha tanto assim... É... – fingiu esquecer seu nome o que só o deixou mais puto – Gray! – estalou a língua — Você é aquele típico cara que acha que é feito de mel não?
– Olha aqui...
–Pois deixa eu te falar – ela se aproximou e ele se sentiu até um tanto intimidado – Eu não vou cair nos seus papinhos,muito menos no seu colo. Então, caça outra.
Ela deu as costas.
Mas que...Que desaforada! Que abusada! Ah mas ninguém falava daquele jeito com ele.
Parecia ter uma maré de azar com a cor azul.
Primeiro a baixinha revoltada dera um fora nele. Agora uma nervosinha!Gostosa por sinal... Demais... Mas grossa!
Agora ele estava puto e só conseguia pensar na raiva.Rosnou de verdade e voltou ao sofá marchando de raiva.
–3:37... – Gajeel olhou no relógio – Sinto muito, mas alguém vai andar de cueca na avenida...
–Eu não vou andar nada!
–Ué,ta nervosinho porque perdeu a aposta ?
–Ela é... – rosnou de novo. Gajeel suspirou.
–Cuidado com o que vai continuar nessa frase...
–Foda-se.
–É assim que vocês raça de pegadores se sentem quando rejeitados.
–Eu não fui rejeitado,ela...Ela é uma grossa.
–Ah claro,aposto que você foi com um papinho imbecil de "eu sou foda" e ela riu da sua cara.
–Eu não vou andar pelado...
–Aposta são apostas garotinho. Sorte sua que estamos no verão.
Juvia quase jogou os dois copos de refri na mesa fazendo Levy pular pro lado com medo de manchar o vestido branco.
–Ai Juvia! – ela reclamou mas logo se acalmou olhando a cara de raiva da amiga. Podia sentir as trevas massageando os ombros de Juvia — Que aconteceu?
–E porque aquele cara estava com você? – Lucy perguntou
–Que cara?! – Erza cruzou os braços – Vou lá agora!
–Um imbecil ai.
–Que imbecil? – Levy virava a cabeça pra todos os lados até que Lucy apontou com o queixo do outro lado do quintal um moreno conversando com Gajeel. – Fullbuster?!O que aquele coiso falou pra você?!
–Conhece ele?! – Juvia bateu na mesa fazendo Erza e Lucy segurarem os copos.
–Ele é um idiota que se acha o pegador... Na verdade ele é. Pode ter certeza que todas as garotas que você ver por perto da cidade ele já pegou. Menos Erza, porque é lésbica e Lucy porque chegou agora... Mas já se prepara loira daqui a pouco ele caiu em você também.
–Tô fora, obrigada. – Lucy deu um gole no refrigerante
–E você?
–Eu sou eu minha filha, não perco meu tempo com esses cara. Eu disse não e ponto. Maaas, pela cara dele, você disse bem mais do que um não hein...
–É,foi.
–É assim mesmo! — Erza comemorou – Diga que você é minha ele vai entender.
–Eu não vou dizer nada, ele vai entender que eu não sou essas burras que ele pega e que ele não é esse doce todo. – rosnou.
“ Acho que esperava mais de você Fullbuster...” Pensou.
Parecia tão... Não-idiota na oficina.
Idiota...Idiota... Ela batia os pés ritmadamente no chão, olhando para o sofá até que Gajeel se levantou, e ela também.
–Vai a onde mulher?! – Erza perguntou mas ela já marchava em direção a ele.
Por empurrãozinho dos cosmos ou do universo, Gray olhou bem na hora que ela o mediu de cima a baixo e revirou os olhos.
Gajeel se concentrou na mesa de sinuca pra atingir a bola preta ...
–Achei que a festa estava limpa de imbecis! Acertou a bola forte demais com o susto e errou.
–Aaaaah! – reclamou com ela – O que quer?!
–Imbecil.
–Que eu fiz?!
–Você não, ele!
–Ele... – Gajeel olhou por cima da cabeça dela e bufou – Ah! Eai,como foi a tentativa?
–O que?! – acertou um murro certeiro no ombro dele fazendo o largar o taco e cruzar os braços – Sabia que ele ia falar comigo?!
–Ah... – piscou – Na verdade... É,eu...
–Gajeel...
–Ué, ele só perguntou se eu conheci você, que ia lá falar com você e pronto.
–Porque não falou que não!
–Eu falei, mas ele é um cara insistente devo admitir.
–Ele não parecia ser imbecil quando eu o vi na oficina...
–O que?
–Nada.
Se virou emburrada dando de cara com o mesmo sentado no sofá com uma garrafa de cerveja nas mãos. Natsu falava alguma coisa que ele parecia não estar ouvindo bem. Ele levantou os olhos encontrando os dela... Como se uma linha reta os ligasse ali mesmo, uma coisa que nenhum deles esperava acontecer... Se fez... As bochechas de Gray se avermelharam olhando mesmo que de longe aquele grandes olhos azuis, e o estômago de Juvia se remexeu de um jeito estranho.
Logo virou o rosto voltando a suas amigas e ele se virou pra Natsu.
Imbecil... Pensou ela
Grossa... Pensou ele ...
Naquela madrugada...
–Vamos Gray! – gritou Gajeel seguidos das gargalhadas de Natsu. Fried um dos amigos químicos de Natsu segurava uma câmera segurando um risada.
–Que droga!! — Gray amaldiçoou em pensamento aquela gost — , grossa e respirou fundo.
–Vamos desfile pra nós! – Natsu gritou
Bela aposta... Estava de Box preta com direito a uma gravatinha vermelha no pescoço. O combinado era andar a rua mais movimentada a noite... Que lindeza.
–Gray você vá querer que eu te busque... Nesse beco... Escuro... – Natsu desatou numa gargalhada e Fried teve de acompanhar. – Hein graçinha?
–Cala a boca! – gritou – Mais que bosta!
Finalmente virou a esquina e começou o correr o mais rápido que pode.
Ouvia os assovios, as risadas das mulheres e algumas vozes masculinas o provocando. Fried filmava tudo sem perder um segundo se quer e Gajeel quase rolava no chão de tanto rir.
Um flash veio do outro lado da rua.
–Ei! – Natsu gritou e atravessou a rua – Apaga.
–Ué cara...
–Ninguém chamou vocês. Apaga.
O outro deu ombros e apagou a foto. Felizmente fora o único,ao que pareceu.
Assim que acabou a avenida Gray dobrou a esquina ofegante.
Gajeel , Natsu e Fried vieram depois também correndo.
–Filhos da puta...
–Ah para de ser nervosinho, — Natsu apertou-lhe as bochechas.
–Nudista,nudista ! – Gajeel e Fried começaram a cantarolar.
–Idiota! – ele se levantou saindo pela rua .
–Ué não vai se vestir?!
–Acostumou a andar pelado! – Gajeel gargalhou
–Droga...
–Nudista!Nudista!
~~
Pra eles ainda era cedo pra voltar pra casa. Foram os três no carro de Gray e Gajeel de moto até de volta a casa do Natsu.
Voltaram a beber e comer as pizzas do lado de fora para não acordar os tios do rosado que já dormiam. Fried e Natsu lutavam concentrados no Xbox uma partida enquanto Gajeel comia um pedaço de pizza. Gray nem comia nem bebia. Além da raiva de andar semi nu... a garota não sai da sua cabeça, e ele não sabia o motivo. E além do mais,se lembrou que nem conseguira saber o nome dela.
Bufou indo para o lado de Gajeel oferecendo ma cerveja.
–Não minha cota já deu,vou voltar de moto ainda.
–Ok...
–Chateado pela brincadeira ainda nudista?
–Não...
–Então o que é?
Ele pensou bem antes de quase dizer a resposta automaticamente.
Porque estava se importando tanto?Quando Levy lhe deu um fora, ele reagiu numa boa mas... Desde o primeiro instante,ela remexeu alguma coisa nele... Mesmo que mínima. Não que ele quisesse ficar com ela a todo custo,mas mesmo como pessoa, a pose séria e o charme impecável da azulada atraíra sua atenção mesmo que para bons amigos.
Mas que ela era uma grossa...
–Gray? Gajeel chamou fazendo voltar a atenção para o amigo.
–Me fala dela...
–Juvia? – Gajeel deduziu fácil.
Então esse era o nome...
– Bem – coçou a cabeça – Ela é uma pessoa maravilhosa que teve uma vida difícil. Gray ouviu com atenção e se aproximou querendo saber mais. -Ela é a pessoa mais difícil de se conseguir uma amizade ou qualquer coisa do tipo.
–Porque? ...
–Digamos que ela não era assim, a vida fez ela ficar assim – a voz dele assumiu um tom sério – Várias coisas deixaram ela assim.
–Que tipo de coisas?
– São coisas dela e somente dela Gray, ela não conta isso pra ninguém com facilidade, duas pessoas conhecem ela com a palma da mão, fora a família.
–Ela parece tão... interessante... Não sei, ela... me , ah. – ele parou de falar – Acho que nunca mais vamos nos ver mesmo.
–Bem,nós temos amigos em comum...festas... Então, se por um acaso,estiver disposto a mesmo que seja ser amigo,ou...com muita sorte – Gajeel deu bastante ênfase fazendo Gray rir — algo a mais, vale a pena.
Ele relaxou os ombros. Gray adorava desafios e mistérios. E o que ele tinha a diante eram as duas coisas, o chamando para se aventurar nas mesmas. E ele não podia deixar de considerar que estava mais do que empolgado pra abraçar essa curiosidade.
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