Calm The Storm

24 Just Forget - Part.3


Notas iniciais
Oiiiii genteee ♥ Quanto tempo hein? Estava com saudades ;-; ♥ Começar dizendo que os capítulos ficaram assim por enquanto provavelmente uma vez por mês, quando der duas vezes. Serei sincera ;-; com vocês Fiquei um pouco chateada pelos capítulos, achei que tinha ficado bom o jeito de contar o passado já que todo mundo desde o começo da fic me perguntava o passado de todo mundo da estória, mas vejo que nem todo mundo curtiu. Vocês estão curiosos pra reação do Gray eu sei, mas também achei q se eu contasse a historia de antes vocês iriam gostar. Mas tudo bem :3 podem me dizer quando for assim é melhor. Demorei pra postar por isso também, fiquei meia desanimada. Mas quanto a reação dele acho que cortei metade das coisas e se tudo der certo só teremos mais um capítulo e meio sobre o passado e prometo que acaba. Esse capítulo foi apenas pra entender uma coisinhas. Então boa leitura ^^

—Acorda... Ei?Filho... Filho acorda por favor.

Lyon estava deitado no chão do quarto. Sentia o abdômen doer, boa parte do seu rosto sangrava e o que não sangrava doía. Sua cabeça era sustentada pelo colo de alguém. Era fofo, aconchegante...

Aquela era a voz da sua mãe.

Ele se lembrava daquele dia, quando ela o achou no quarto torcendo pra ele estivesse bem depois da surra que havia levado por não conseguir abrir garrafas de cerveja para o padrasto.

Aos poucos parecia voltar a sua realidade que também não era muito diferente daquele dia detestável da sua infância. Cada vez mais a voz da sua mãe foi ficando distante, distante...

Lyon abriu os olhos.

Ouvia uma voz distante dele, não era parecida com a de sua mãe, e era masculina. Chamando com um tom de desespero, ele tentava responder sem êxito.

Não se lembrava do que acontecera.

—Acorda...

A voz começou a se aproximar e ele a reconheceu tentando se sentar.

—Ei, cara acorda!

—Sting?

—Vamos sair daqui.

Lyon estava atordoado.

Olhou seu corpo, o lugar, mesmo com a visão turva ele percebeu a cama bagunçada, roupas jogadas, uma garrafa vazia de bebida.

—O que aconteceu?

—Como assim o que aconteceu?! – a voz de Sting era gritante.

—Minha cabeça...

—Você levou a maior surra da sua vida foi isso! – o loiro continuou

Era a cabeça dele ou Sting estava gritando mesmo?

Surra?

Por que?

Não se lembrava de nada.

Lyon dirigiu seu olhar ao amigo, analisando-o percebeu que Sting também não estava nada bem. Seu rosto também estava machucado.

Suas memórias estavam tão confusas!

Colocou a cabeça entre os joelhos e respirou fundo tentando lembrar o que acontecera. Lembrou-se da festa, algumas bebidas... Juvia?

Foi então que teve um colapso mental.

A garota estava agora pouco deitada...

Meu Deus... O que eu fiz?

Se lembrava da voz dela, suas súplicas, as lágrimas...

Não acreditava que aquilo tinha acontecido!

Não.

Ele não fizera aquilo!

Não.

Ele não era como seu pai!

Não era!

—Hisui!Cadê ela? Ela pra ela ter segurado ele, nem pra isso ela serve! – a voz de Sting interrompeu seus pensamentos.

—Hisui?Quem é Hisui?

—Não brinca comigo Lyon.

Não estava brincando.

Sua mente estava uma bagunça. Primeiro achou que tinha voltado ao passado. Jurava até mesmo ter escutado a voz dela.

Ele continuou sentado remoendo o que fizera, sentindo nojo de si mesmo.

Não contaria a ninguém.

Não podia contar.

Diria que ela fez porque gostava dele, que ele não a forçou a nada.

Eles estavam bêbados quem acreditaria nela?!

Ninguém, só estavam eles dois.

Sentiu mais sangue sair do seu nariz, e lembrou que quem o surrara daquele jeito foi Gajeel.

Ele acreditaria nela, obviamente. Eram amigos.

E se tivessem ido na polícia aquela hora?!

Ele iria preso, seu pai o mataria.

Gray nunca mais falaria com ele, afinal prometeu mudar!

Prometeu...

—Lyon, a gente tem que sair daqui, vem.

Sting não esperou ele responder pegou a câmera escondida entre os livros, enfiou na bolsa e saiu do quarto com ele apoiado no seu ombro.

Os convidados tinha ido embora. Ele não fazia ideia que desculpa as garotas, ou sabe-se lá quem, tinha dado, mas agradecia.

Imagina se alguém os encontra ali totalmente arrebentados?

Saíram pelo corredor olhando todos os quartos até acharem Hisui desmaiada.

—Hisui! — Sting começou a tentar acordá-la. — Hisui!Meu Deus... Hisui... – deu dois tapinhas nela.

—Ela tem pulso? – questionou Lyon com a cabeça pra cima tentando impedir o sangue do nariz sair.

—Tem. – Sting suspirou — Carrega ela.Vamos, embora.

—E Cheria?Yuki-

—Elas não tem nada a ver com essa parte. – Sting o interrompeu já voltando a elevar a voz — Pra elas foi só um trabalho normal.

Sting ergueu Hisui do chão segurando a pela cintura e Lyon foi se apoiando nas paredes até descerem pra garagem.

O loiro apalpava os bolsos enquanto deixava a garota apoiada no amigo, ambos sentados no chão.

—Cadê minhas chaves?!

—Eu não sei... – Lyon escondeu seu rosto no pescoço de Hisui — Não grita.

—Foi ele. Maldito Dragneel. Traíra, judas... ele me paga.

Sting tirou sua blusa enrolando-a na mão socou o vidro e nada.

—Se fosse o Gajeel...

—Cala a boca Lyon!

—O que foi... — o branquelo riu – É verdade.

—Aquele desgraçado do Redfox!Você está brisado demais, acho que a surra afetou seu cérebro. – suspirou – Vou achar o Natsu e pegar minhas chaves.

Lyon ficou sentado no chão com Hisui deitada no seu colo.

Sentia pena dela.

Sting era um desgraçado mesmo. Não tinha dó nenhuma das meninas, não gostava de nenhuma, nem como amigo. Pegava qualquer uma delas quando queria e Lyon sentia até nojo por isso.

Como Hisui podia se rebaixar tanto assim?

Ele gostava da garota. Não como uma amante, mas uma amiga. Ela era uma boa garota até achar Sting e ser estragada por ele.

Lembrou-se das palavras dela na festa.

Pessoas como você não se apaixonam.

E pensar que anos atrás ela tentava empurrar Lyon para as meninas que ele gostava. E agora...

Tentava não pensar naquilo. Só queria ir pra casa, tomar banho e dormir...

Dormir pra sempre quem sabe. Não seria uma má ideia agora.

Lyon nunca foi de se preocupar com a vida. Todos que conheciam tinha motivos pra levar a vida, objetivos, sonhos, ele não tinha nada.

Depois da morte de Mica e Ariane ele se viu mais uma vez sem rumo na vida. Não conseguia olhar pra Silver e se lembrar que na hora da raiva ele havia dito que preferia que ele nunca tivesse ido morar com eles.

Ele se esforçara tanto para provar que era diferente do pai, não podia simplesmente estragar tudo agora.

Não conseguia digerir ainda que havia feito aquilo com Juvia.

Encerraria toda essa coisa de site, tudo.

Chega.

—Lyon... — Hisui o chamou.

—Estou aqui.

Ela colocou as mãos no bolso lentamente e tirou um molho de chaves dele.

—Nats, colocou no meu bolso.

—Onde será que ele se meteu?

—Não o achei. –Sting voltara agora — O que estão fazendo com as minhas chaves?!

—Natsu deixou aqui. –

Sting evitou aquela conversa. Quando achasse o rosado acertaria as contas com ele.

Lyon colocou Hisui dentro do carro e entrou no banco da frente. Percebeu que aos poucos a garota dava sinais de estar acordando de vez.

Retirou a camisa usando a pra colocar no seu rosto. Ficou com a cabeça pra cima enquanto Sting dirigia rápido pelas ruas.

Sua cabeça doía tanto, tanto. Parecia que os ossos do rosto estavam sendo prensados.

Balançou um pouco, não podia nem queria dormir. Precisa de alguns cuidados. Diria ao hospital ter levado uma surra de alguém qualquer mas que estava tudo bem...

Não. Não estava nada bem.

Aquela altura eles podiam estar acionando a policia. Era mais do que óbvio...

Apesar que Gajeel tinha tantas coisas erradas que ele estaria mais fugindo do que procurando a policia.

—Pra onde vamos?

Lyon perguntou tossindo algumas vez. Aquilo fazia sua cabeça doer.

Sting riu como se ele perguntasse algo bem óbvio.

—Não é melhor irmos pra casa?

—Já viu sua cara?! – o loiro finalmente falou de novo exaltado.

—Vão perguntar o que aconteceu... E só tem um hospital aqui, eles podem estar lá também.

Sting não pensara nisso.
Realmente, o unico pronto socrro próximo ali da região. Eles poderiam estar lá.

E se os encontrassem?Será que ja teriam falado tudo?A policia estaria lá?

—Que porra... –Reclamou o loiro socando o volante — Tá e agora?!

—Vamos ficar na sua casa. – Lyon respondeu

—Está louco e ela?!

—Ela o que? – Lyon empurrou o loiro ficando nervoso. Como Sting podia agir daquele jeito?Até mesmo Lyon fica cada vez com mais repulsa dele. – Quer simplesmente jogá-la por ai?

—Não vou deixar ela na minha casa.

—Vai descartar ela?!Que doença você tem?! – Lyon respirou fundo sentindo o rosto toda latejar. -Não podemos levar ela pra casa.

—Não vou levar ela pra minha casa, o que meus pais vão pensar?!Eu e você quebrados tudo bem, podemos mentir qualquer coisa, mas e ela?!

Lyon fazia que não várias vezes.

Não podia fazer isso com a garota.

Ele estava preocupado em levá-la machucada pra casa, quando devia se preocupar com todas essa drogas que usava escondido.

—Você é o dono do site chefe... – zombou ele – Faça o que quiser quero ver quando os pais dela ligarem pra você ou pra polícia por que a filha chegou machucada em casa.

—Filho da puta.

Sting estacionou de repente próximo a uma calçada e desligou o carro. Parecia pensar em alguma coisa.

Ele sabia que não podia fazer isso, mas como ia explicar?

Olhou Hisui pelo retrovisor pensando bem, ela devia ter tentando o máximo fazê-lo ficar. Ou não teria apanhado.

Suspirou.

—Ela fica comigo. – disse por fim voltando a dar partida no carro -Vamos dizer que ela caiu bêbada e bateu o rosto, ou qualquer história idiota.

Lyon concordou encostando a cabeça no cinto de segurança.

Levou mais quinze minutos até eles chegarem na casa dele. Era grande, uma grande casa de esquina pintada de branco, com dois carros na garagem, jardim bem cuidado, portões automático. Típica casa de jogador de futebol daqueles filmrs americanos de romance.

Lyon revirou os olhos. Morava num cômodo minúsculo.

Ajudou Hisui a sair do carro. Ela começava a acordar mas não estava em plena consciência.

Sting entrou pelos fundos da casa pedindo pra andarem devagar, não queria acordar os pais.

Subiram as escadas indo até o quarto. Lyon colocou Hisui deitada na cama.

—Lyon?... – ela abriu os olhos –Eu não consegui...

—Não fale, esqueça isso okay?

—Minha cabeça doi... – percebeu os olhos dela fechado de novo.

—Você precisa de um banho hein? – ele falava com ela mexendo seu rosto pra um lado e pra outro tentando deixá-la acordada – Hein Hisui? Fique acordada tabom?

—Estou com sono...

—Tome um banho e deixo você dormir.

Ele a ergueu carregando pro banheiro.

Encheu a banheira com água quente e pediu pra Hisui entrar nela.

Ela permaneceu sentada no vaso com a tampa abaixada.

—Hisui.

—Não consigo... –ela riu

Lyon suspirou parecia estar cuidando de um bêbado. É, ela estava um pouco bêbada também.

Ergueu os braços dela e tirou a regata, seu shorts e as peças íntimas. Tocou lhe no braço, estava gelada.

Como vestia roupas assim?Estava tão frio!

—Você é menos ruim que ele sabia... – ela sussurrou quando enfim entrou na banheira e encostou a cabeça na borda dela os cabelos verdes afundando dentro da agua.

—Que ele?

—Sting.

Lyon engoliu seco e não continuou o assunto. Ajudou ela a ficar acordada enquanto ela se lavava.

Deixou ela ficar um pouco na banheira e foi para o quarto.

Sting do outro lado da casa ligava pra um médico conhecido de seus pais. Ele vinha em casa as vezes quando as coisa não eram tão graves.

Explicou rapidamente que precisava de ajuda e cuidados sem seus pais saberem e o médico concordou em vir ajudar.

Sorte sua a casa ser tão grande que seus pais nem daria conta de que ele já tinha chegado, muito menos acompanhado.

Voltou para o quarto encontrando Lyon se olhando no espelho.

Ele fez uma cara feio se olhando, até no seu cabelo tinha sangue. Suspirou.

Sting parou ao lado dele se olhando também. Tinha o olho direito caído e arroxeado. O nariz estava com uma marquinha de sague em horizontal bem em cima do osso.

—Ainda bem que acabou a escola. Não iria querer parecer assim amanhã.

—E o Natsu? – Lyon questionou.

—Não atende, Cheria não o viu também.

—Ele deve estar em casa.

Uma terceira voz entrou no recinto. Hisui estava com um roupão azul. Sting suspirou pesado. Aquele era o roupão era dele.

—Não achei nada pra vestir! – ela se desculpou como se soubesse o que ele pensava.

Ele tratou de procurar um moletom e um shorts qualquer jogando na direção dela.

—Precisamos descer, consegui um médico.

Na garagem o médico limpou os ferimentos dos dois com soro fisiológico e fez alguns curativos.

Não teria muito o que fazer. Por sorte não quebraram nada, estavam apenas feridos.

Deu alguns analgésicos, ensinou como teriam que tirar os curativos pra limpar de novo.

Hisui estava bem. Ficou apenas com um esparadrapo em forma de X no cantinho da boca.

Ela se olhava no espelho depois que subiram.

Quando chegasse assim em casa amanhã...

Apesar que ninguém ligaria, seus pais estavam sempre ocupados demais com a irmã mais nova.

Entrou no quarto. Lyon estava deitado na cama, Sting na outra já num sono pesado.

Pegou uma coberta e se aconchegou na poltrona.

—Vai ficar ai? – Lyon falou baixo.

Ela deu de ombros e deu uma risadinha.

—O que é engraçado?

—Vocês. – se sentou olhando pra ele — Se ferraram, pela primeira vez. E Sting está só com a metade um dente. – ela riu um pouco mais alto fazendo Lyon rir também.

—É, nos ferramos. O que aconteceu no quarto?

Hisui coçou a cabeça.

—Não quero que peça desculpas. – Lyon se sentou na beirada da cama mais parto dela – Só fale.

—Ele desconfiou só isso. – omitiu a parte da carteira. Se eles soubessem que ela costumava roubar alguns trocados deles também, estaria perdida – E não consegui segurá-lo. Tentei, até mesmo brigamos e...

—Brigou com ele?

—Acertei um vaso na cabeça dele.

Lyon arregalou os olhos.

—Sting te pediu pra isso – sussurrou, e ela fez que sim.

—A todo custo. Sabe como ele é. – deu de ombros — E você? – questionou — O que você fez pra ele te bater?

—O que?Eu não fiz nada.

—Não vem com essa Lyon. Você e Juvia? Será que ele tem ciúmes?

—Não. – Lyon bufou – Nós estávamos, bem ela estava um pouco bêbada e transamos mas...

—Ela não faria isso. – Hisui cruzou os braços

—Claro que sim, ela gosta de mim.

—Está escondendo alguma coisa Lyon.

—Hisui. Não estou escondendo foi o que aconteceu. Ela... – Lyon começou a se lembrar – Ela não queria no começo, e depois quis foi isso. Quis sair do quarto, e eu não deixei... – ele parou de falar estava falando demais.

—Você... espera não, ela não queria ficar com você não é?

—Queria, e depois não queria mais.Vamos dormir.

—Não nós não vamos! – ela falou um pouco alto – Eu não sou burra Lyon, se juntar os fatos...

—Não junte então.

—Você a estuprou! – ela se levantou atirando a almofada nele.

—O que?!Não!Tá maluca?! – Lyon a puxou pra fora do quarto – Que pergunta é essa?!

—Não perguntei, afirmei.

—Deixa de ser louca Hisui.

—Você que esta!! – ela o empurrou — Como pode?!

—Agora quer bancar a boa moça?! – ele rebateu

—Lyon, você não está entendendo. Você a estuprou e ponto final!!

—Não. – ele colocou as mãos na cabeça.

Aquela bendita palavra.

As lembranças.

—Ela não é como nós. – Hisui disse com pesar — Eu faço isso por que eu quero. –assumiu — Não devia ter feito isso com ela?!Seu...

—Sabe o quanto ofereciam por ela? – Lyon voltou a olhá-la rebendo um tapa na cara

—Foda-se!Seu monstro, nojento! – a garota deu as costas começando a descer as escadas

—Hisui... – chamou — Não Hisui, volta aqui. Vai acordar o pais dele! – começou a segui-la.

—Monstro. Não acredito que pode...

—Eu não fiz isso okay? – a segurou pelo braço — Não fiz!

—Me solta, vou embora.

—Sabe que horas são?!

—Meu Deus eu odeio você! – ela começou a chorar.

Lyon não entendeu. Tudo isso por causa da garota? Ela nunca gostou dela.

—Hisui...

—Sabe o quanto isso é horrível?!Isso estraga qualquer pessoa?!Como você pode Lyon?!Ela era uma... garotinha. – ela se sentou no sofá chorando de soluçar.

Lyon continuou em pé a encarrando.

Havia agido como seu pai agia com ele.Fazendo alguém de vítima. Mas jurava que não era por querer. As coisas simplesmente fugiram do seu controle. Sempre fugiam.

Ele não se reconhecia...

Sentou se no chão.

—Não é minha culpa Hisui.

—É culpa de quem?!Dela?Por que estava bêbada?Por que achava que gostava de você?!

—Porque está assim de repente?

Ela parou de falar e ele entendeu.

Ela havia sido vítima de alguém um dia.

—Hisui eu sinto muito...

—Não quero sua pena. Não quero nada de você, nem dele. Nunca mais.

—Eu sei, nós vamos parar com isso.

—Não é a primeira vez que escuto isso... – se levantou – Eu não ligo se vocês quiserem mas eu não quero mais, nunca.

—Mas eu vou parar! – ele disse com convicção.

—Não acredito em você.

Lyon fechou os olhos respirando.

Hisui ficou no sofá da sala e ele decidiu subir, arrastando os pés.

Se fossem alguns dias atrás ele não se importaria de ficar sem falar com ela. Mas hoje não. Ele estava perdido. Precisava de ajuda, de um conselho sobre oque deveria fazer agora.

Tinha feito a maior merda da sua vida.

—Pode dormir na cama se quiser. – ofereceu parando no meio da escada.

—Não obrigada.

Ela tentava digerir a ideia. Nunca imaginou que chegariam a esse ponto. De fazer esse tipo de coisa. Se deitou decidida a não mais participar daquilo. Já tinha conseguido seu dinheiro, as coisas que queria como roupas, viajar, mas atenção dos pais não e não seria continuando com isso que conseguiria.

No andar de cima, Lyon não conseguia dormir, se conseguisse sabia que teria pesadelos, mas o efeito dos remedios o fizeram apagar minutos depois dando ao quarto finalmente silêncio.

~~

O crachá balançava de um lado pro outro enquanto ela voltava rapidamente a ala próxima a de emergências.

Ainda se lembrava do primeiro dia que teve de usar aquele estoque abandonado pra fazer algumas levez curativos.

Era tarde da noite, o seu expediente acabaria dali meia hora quando ouviu a porta ser sacudida.

A abriu dando de cara com um garoto de boné, tatuagens pela clavícula e o pescoço amparando outro garoto. Ele tinha uma cicatriz no olho, e ela percebeu que os poucos cabelos que tinha eram ruivos.

—Senhora Redfox?

Ela não precisou de mais nada pra reconhecer aqueles cabelos pretos sujos de terra, os braços adolescentes em formação todo rasgado — pelo que pareciam ser facas — A bermuda quase caia do corpo tendo sangue nela também.

A médica olhou mais de perto vendo as inicias FDP...

—Quem é você? – dirigiu a pergunta a outro garoto.

—Eu sou amigo dele...

—Seu nome?

—Eric.

Puxou os dois para dentro do estoque que estava arrumando e trancou a porta.

—O que aconteceu? – tentou manter a voz calma enquanto o garoto Eric, deixava Gajeel sentado numa cadeira branca apoiando sua cabeça dos costas dela. Ele estava desacordado, com o rosto todo ferido, os olhos inchados e roxos. O pescoço tinha marcas de alguém que quase fora estrangulado.

—O que aconteceu?! – repetiu quase gritando

—A senhora não sabe?! – o menino se afastou – Ele foi fazer um trabalho e o cara estava acompanhado foi isso.

—“Foi isso”!!Do que você está falando?!

Enquanto o garoto explicou.

A raposa vermelha, como ele era chamado por conta do sobrenome.

A favela próxima tinha um ponto de drogas bem alto, onde as vendas eram concentradas mais para os playboys da cidade. Mesmo sendo ricos, alguns sempre atrasavam o pagamento deixando-os irritados. Mas os negócios eram tantos que não tinham como cobrar todos.

Até o moreno aparecer. Eles precisam de alguém que não tivesse cara de favelado para andar sem problemas pelo “bairro rico”, e ele de dinheiro.

Utíl ao agradável.

Ele passeava pelo bairro da classe alta vezes ou outra cobrando os playboys quando estavam saindo da escola, ou qualquer oportunidade que aparecesse. Dava uma chance.

A segunda era sempre acompanhada de muita surra até pagarem pra ele.

Na terça feira era só mais um dia comum. Seu terceiro trabalho, começava a pegar o jeito!

Ia saltitante até a casa de um drogado riquinho girando o canivete nos dedos.

—Acho que vou começar a andar com um bastão de beisebol. – pensou alto – Talvez seja mais eficaz.

Ao contrário dos outros da rua, aquele cara o recusava a pagar mesmo depois de duas surras. E ele não sabia porquê.

Bateu na porta e nada.

Ouviu alguns sons vindo do lado da casa e pulou a varanda.

—Feliz em me ver! – ergueu os braços numa pose bem irônica. Não deu nem tempo de se defender quando viu aquele pedaço de madeira lhe atingindo tão rápido — que pareceu apenas um vulto — seu estômago fazendo o engasgar.

O moreno caiu sentado sem respirar.

Um chute lhe foi desferido do lado do rosto fazendo o bater a cabeça no chão.

—Feliz Gajeel. Muito feliz.

Leo era o loirinho que ele precisava cobrar. Hoje estava acompanhado de mais dois caras.

“Quatro olhos desgraçado...”

Gajeel se sentou tentando olhar pra cima quando mais um soco acertou seu rosto fazendo o cuspir sangue.

—Nunca se perguntou porque eu não te pagava?Sou rico, posso achar dinheiro agora. – o loiro derramou várias notas de cinquenta no colo no moreno – Mas precisava de um dia perfeito... Sabe por que está apanhando?

Gajeel ficou sem resposta.

Leo fez um sinal com os dedos.

As duas barras de madeira lhe acertaram nas costas, no estômago várias vezes até parar.

Sua cabeça girava...

Ele já pensava que iria morrer ali mesmo.

Não podia, tinha um show pra ir semana que vem com Juvia e talvez Levy a menina que ele estava interessado.

—Queremos que leve esse aviso a sua adorável mamãe, Metalicana.

Ouvir aquele nome o fez levantar acertando um soco no estômago do Leo. Mas logo começou a apanhar de novo, nem sabia de onde vinha tantos socos, e chutes, pareciam ser mais de duas pessoas.

—Seu pai. Diz pra ela não demorar com o dinheiro entendeu?

—Não... Não vou dizer.

Outro estalar de dedos e mais e mais chutes acertaram sua costela.

—Prefere ir morto ou só ferido?Melhor ainda? – Leo ergueu seu rosto machucado fazendo-o olhar pra ele – E se sua mãe chegasse em casa assim?

Gajeel junto a pouco força que tinha e lhe acerou uma cabeçada no nariz, cuspindo na cara dele depois.

—Fique longe dela!

—Eu estou! – o loiro limpou o sangue — Mas seu pai não, então faça logo o que ele manda.

—Ela não vai mais aceitar os subornos dele...

—Ele sabe por isso manda o recado...

Gajeel começou a sentir uma coisa pontiaguda furando o seu braço. Começou a gritar mais um pedaço de pano foi colocado na sua boca enquanto rasgavam o seu braço esquerdo. As lágrimas começaram a sair quando Leo mandou que parassem.

—Já está bonito assim.

—Gajeel! – ouviu alguém gritar.

Conhecia aquela voz.

Leo desapareceu da suas vista em segundos junto com os outros caras.

Eric surgiu na sua frente olhando seu braço. Sem muitas perguntas o ergueu do chão a caminho do pronto-socorro.

Lica secou mais algumas lágrimas enquanto continuava a fechar com alguns pontos o machucado que abrira no estômago do filho.

—Mãe...

—Não quero falar com você.

—Me desculpe...

Mesmo machucado ela lhe deu uma bofetada no rosto.

—Por que se meteu com essa gente?!Porque está fazendo isso?

—Queria te ajudar...

—Já disse que não precisa!Estamos bem.

—Mas mãe, ele quer...

—E dai?Eu não venho pagando esses tempos todos!Pare de querer bancar o machão e se meter nessa coisas por dinheiro está me ouvindo?! – pegou o rosto dele – Olha pra você!Olha só, eu... Para Gajeel. Por favor, não faça mais isso. Acha que eu gosto de lhe fazer curativos!Acha que eu quero isso?Ver meu filho sangrando por minha culpa!

—Não é sua culpa mãe...

—Não quero saber. Não quero ouvir você. Você vai parar com essas coisas, me prometa!Vamos... Promete.

—Não...

Lica arregalou os olhos soltando a agulha.

—Não posso mãe...

—Pode!!E você vai!Eu estou mandando, não quero.... – Lica começou a chorar e o abraçou – Não quero te ver assim de novo, me prometa Gajeel...

Lica abriu a porta e olhou a situação.

Gajeel estava sentado na cadeira, com Rogue em pé do seu lado.

Levy estava na outra e Juvia na maca dormindo.

—Achei que nunca mais usaria essa sala de novo.

Todos continuaram em silêncio.

Ela olhou para Gajeel sentado na cadeira com o ombro ainda saindo um pouco de sangue.

Pegou algodões, pinças e outras coisas que precisava pra limpar e cuidar dos curativos.

—O que aconteceu dessa vez? – perguntou tirando alguns cacos do seu rosto colocando num suporte metálico.

—Brigamos na festa.

—Por que motivo?

—Não foi isso que está pensando mãe... – ele grunhiu quando ela mexeu no seu ombro – Isso doí.

—O que aconteceu com Juvia?

A garota era quem mais preocupava L ica.

Estava sem roupas, com a maquiagem borrada, alguns filetes de sangue pareciam ter escorrido da sua perna pois a mesma estava machada.

—Eu... acho que...

—Ela foi estuprada.

Levy disse com tamanha naturalidade fazendo Lica se retrair de susto.

Havia escutado isso mesmo?

Rogue tentava segurar a raiva desde que a vira caída no colo do irmão. Mas aquela hipotese não havia passado pela sua cabeçça em nenhum momento.

Tão frágil, tão inocente...

Juvia sempre fora tão calma, sempre na dela.

Ninguém merecia isso, mas por que?Por que ela?!!

—Está falando sério Levy? – Lica questionou – Juro por Deus que não é hora de brincadeiras.

—Foi o que aconteceu! – Levy chorava agora – Ela, ela estava com ele. Ela não faria isso, ele... deve ter a forçado... tem sangue...

—Vou acionar a policia.

—Não...

Uma voz sonolenta sussurrou fazendo Lica interromper o caminho até a porta.

—Não?! – Rogue questionou

—Não... – Juvia se sentou devagar na maca. – Por favor Lica. Não faça isso.

—Juvia, sabe que isso é um crime e eu...

—Não... – ela começou a chorar – Eu não quero, não quero isso.

—Façamos assim, vou cuidar do Gajeel e depois conversamos ok?

Lica odiava aquela sala.

Odiava aquelas situações.

Era médica, sabia o que tinha de ser feito. Levá-los para o devido local onde seriam cuidados, acionariam a policia, chamariam a mãe das meninas...

Mas aquele lugar sempre ia contra todas aquelas regras.

Nunca pode chamar a policia pois sabia que levariam o Gajeel, uma segunda vez.

Ele quase fora preso uma vez, mas por conta do advogado ele foi inocentado como legítima defesa.

E agora isso?

Como ela acobertaria um estupro?

Não podia fazer aquilo.

Seria presa por isso ela sabia. Mas felizmente nunca souberam o que aconteciam lá dentro. Tinha medo de perder a profissão,mas o que ela podia fazer?

Terminou de limpar a ferida e deu alguns pontos no machucado do filho, também analgésicos e colocou um pequeno curativo no queixo de Levy, pedindo em seguida que ela e os filhos ficassem na outra sala.

Chegou próximo de Juvia e sentou na maca ao seu lado.

O coração dela pesava.

Juvia estava murcha, com os olhos inchados de chorar, a maquiagem preta perfeita minutos antes de sair de casa, agora escorria pelo seu rosto deixando o rosto pálido cheio de riscos pretos.

O batom estava borrado, estava sem um dos lindos brincos que usara e com uma marca arroxeada no pulso. Lica engoliu seco ao ver aquela marca, provavelmente comprovando o que Levy falara.

—Sabe Juvia, muitas pessoas que passam por isso sentem medo de contar pra alguém, ir as autoridades, mas não precisa disso. Nós estamos aqui com você, vamos te apoiar.

—Não...

Lica suspirou.

—Por que?

—Não quero.

—Mas Juvia...

—Eu não quero! – ela bateu as mãos na maca – Não quero. Não quero que ninguém saiba, não quero que minha mãe saiba disso, não quero ter que passar por aqueles exames todos que as pessoas dizem, não quero que olhem pra mim e digam que eu estava bêbada, ou que eu gostava dele, então não foi estupro porque eu gostava dele. Não quero que a escola inteira me aponte como uma vagabunda que mentiu ser estuprada porque era santa demais!Não quero ter que ir a julgamento e ver ele ser livre porque óbvio que todo mundo vai concordar que eu bebi demais!Não quero que o Gajeel seja preso por agressão, de novo, ainda por minha culpa de novo! – ela soluçava de chorar – Eu não quero, eu só quero ir embora, tomar banho e chorar...

Lica secou uma tímida lágrima e desceu da maca.

—Sabe que aquela vez não foi sua culpa Juvia. Não mesmo, Gajeel ele estava no automático, com todas aquelas... – Lica suspirou — aquelas coisas que ele fazia...

—Ele reagiu ao assalto por que eu tentei chamar a polícia se eu não tivesse chamado, o ladrão não teria apontado a faca pra mim...

—Juvia...

—E ele não teria batido nele...

—Juvia!Está tudo bem! – Lica a abraçou – Já passou. Está tudo bem. Isso já foi.

—Eu não quero prestar queixa, só quero ir pra casa.

—Mas...

—Lica por favor. Sei que você faz o certo e quer o certo, mas eu não quero... Se forem a policia, eu vou negar.

Lica lhe soltou do abraço.

Não acreditava estar passando por isso.

—Tem um banheiro dos funcionário,você pode usar. – disse com a voz séria e profundamente irritada – Buscarei uma roupa também. Vai ter que tomar um coquetel para prevenir alguma doença.

—Obrigada...

Juvia nem terminou de falar e Lica já tinha saído batendo a porta.

Ela segurava o choro enquanto voltava para o hospital.

Juvia ficou olhando para seus joelhos. Até mesmo erguer a cabeça naquele momento exigia força demais, coisa que ela não tinha.

As imagens ainda estavam dançando pela sua mente.

Todas elas.

Todas as sensações.

O jeito como tudo fugiu do seu controle.

Nunca mais beberia na vida, nunca mais iria a uma festa.

Nunca mesmo.

Parecia ainda sentir aquela dor. Doía ainda mais agora, dentro dela. Se sentia tão suja, tão imunda!Queria apagar essa noite, apagar aquela dor que agora além de deixá-la mal psicologicamente, fisicamente fazia questão de arder aquele local fazendo a chorar ainda mais.

Rogue tinha ficado na porta escutando tudo.

Não conseguia se conformar, e engolir aquilo.

Não queria prestar queixa.

E como sempre se preocupava mais com que pensariam dela do que nela mesmo.

Ele abriu a porta e a fitou sentada na maca, chorando.

Andou devagar até lá parando um pouco antes de chegar próximo dela realmente.

—Não quero que me veja. – ela secou as lágrimas

—Por que?

—Porque não. Estou me sentindo tão... tão suja... tão...

Rogue a abraçou sentindo a apertar forte seus braços envolta dele e chorar forte.

Preferiu não falar nada. Só deixá-lá chorar, e chorar um pouco no ombro dela.

Não conseguia aguentar ver ela daquele jeito sem ele poder fazer nada. Precisa desabafar também.

Na outra sala, Levy desabou num choro infantil, daqueles de criança. Gajeel a tranquilizou nos seus braços. A azulada se recusava a aceitar que a amiga fora tão, tão abusada, tão traumatizada.

Se recusava a aceitar que tinha feito aquelas fotos. Ainda sentia o gosto da droga na boca, o peso do envelope de dinheiro tão tentador.

—Gajeel... – ela escondia seu rosto no pescoço dele. – Preciso contar uma coisa...

—Tudo bem, não precisa dizer.

—Mas você não sabe...

—Eu imaginei.

Ela ficara surpresa. Não sabia como reagir.

Como assim ele sabia?Sabia como?

Sentia as mãos dele ainda lhe fazendo carinhos nas costas.

—Hisui me deu umas dicas.Está tudo bem... – ele lhe beijou na bochecha – Está tudo bem, de verdade. Só vamos esquecer essa noite.

A baixinha se apertou mais ainda nele tomando cuidado para não apertar seu ombro e continuou a chorar baixinho.

Queria voltar pra casa e abraçar a mãe.

~~

Juvia ficou quase uma hora no banho. Fato que deixou Lica com os cabelos em pé.

Não queria pensar o pior.

Então foi de cinco em cinco minutos olhar se ela estava bem e viva.

Juvia ficou um tempo só deixando a água cair em si. Só sentindo a água quente escorrer pelo seu corpo até começar a se ensaboar.

Esfregou com tanta força a bucha em seu pescoço e nas suas coxas que sentia arder de tanta força. Mas queria arrancar aquilo, como se conseguisse apagar com água e sabão todos os vestígios daquela noite, daqueles gestos, das palavras dele no seu ouvido...

Queria chorar.

Mas não tinha mais lágrimas, sentia desidratada, cansada, com fome e com sono.

Algumas roupas limpas foram colocadas na pia e quando ela saiu, as vestiu e saiu do banheiro. Nada demais, uma calça branca e uma blusa de mangas cumpridas cinza.

Rogue estava de saída com as meninas depois de algumas orientações a elas e ele, Lica os deixou ir sentindo como se “tivesse cometendo mais um crime”. Gajeel estava parado ao lado do carro, com os olhos distantes. Rogue pediu pras duas sentarem e foi até lá, ficando do lado dele.

—Me sinto o pior filho do mundo. – o menor desabafou

—E me sinto o pior irmão.

—Mas você não é.

—Você também não é o pior filho.

—Mas Rogue...

—Qual é? — riu nervoso sentindo os olhos encherem de lágrimas – Por que não eu?Por que eu não escolhi ficar em casa, sem estudar, sem faculdade, só trabalhando, ajudando ela?Por que eu que não estou indo até aquela favela arriscando minha vida pra pegar alguns dinheiro e cuidar de vocês?Por que não eu?Por que essa coisas acontecem com pessoas boas?Que se foda tabom, eu sou seu irmão mais velho e... –Gajeel o abraçou forte – e eu vou dar um jeito... Vai ficar tudo bem. Você não vai fazer isso nunca mais... E nós vamos cuidar delas.

Gajeel não conseguia responder.

Só queria ir para casa.

Todos só queriam ir pra casa.

~~

Levy foi a primeira a ser deixada em casa.Eram quatro horas da manhã quando ela abriu a porta.

Rose, sua mãe estava deitada no sofá com um balde pipocas no colo.

—Levy! – exclamou tirando os olhos da TV.

—Oi mãe – ela permaneceu escondida na sombra. Tentara esconder a marca no rosto com um pouco de maquiagem mas não obtivera tanto sucesso – Falei pra não me esperar acordada. Você não precisa trabalhar amanhã?

—Na verdade não, me deram folga! – ela comentou sorridente – Vem pra cá.

Levy jogou um pedaço do cabelo no rosto e foi se sentando do lado dela.

—Como foi?

—Legal.

—Que legal mais fraco filha!Foi chato?

—Na verdade um pouco, tinha muitas pessoas indesejadas.

—Mas se divertiu?Juvia foi com vocês? – Levy já ia responder quando a mãe dela voltou a falar – Ah!E por sinal você dormiu na casa do Gajeel... hmmm

—Não, mãe! – Levy riu corando nervosamente – Não nós não fizemos nada disso.

—Ah, seria bem normal já que você disse que vocês já tinham...

—Ai mãe é estranho falar disso com você!

—Ora, por que?!Sou sua mãe.

—Por isso mesmo!

—Tabom então, então conte da festa.

Levy teve de contar algumas coisas e inventar outras enquanto sua mãe escutava atenta como fora a “festa” de formatura.

Até que ela se mexeu no sofá sentindo o envelope embaixo de si.

Precisava guardá-lo sem ela ver.

—E você? – escondeu o debaixo da almofada – Como foi aqui em casa?

—Tudo bem... Ah!É mesmo, tenho uma ótima notícia.

—Qual?

—Semana passada um dos médicos do hospital começou a suspeitar que o tumor não era maligno, depois que não era tumor, foi uma correria só. Mas a boa notícia é que eles descobriram que ele não cresceu mais, que eu posso fazer a cirurgia e retirar depois fazer uma plástica.

—Mãe... –Levy coçou a cabeça – Você me disse, mas também disse que a cirurgia era cara...

—Essa é a boa notícia boba!Aquele rapaz que se separou da noiva e mora sozinho?

—O que você lava até as cuecas e eu acho que gosta de você?

—Ele é um garoto Levy deixa de bobagem! – ela deu um tapinha na perna na filha — O pai dele vai pagar a cirurgia!

—O que?

—Não é bom! Isso! – Rose tinha os olhos cheios de lágrimas – Ele tem convênio e tudo mais, são bem de vida. Fiquei tão feliz!Até a plástica imagina posso deixar eles maiores se eu quiser! –Rose riu e seco uma lágrima – Eu disse, por mais que tudo estivesse difícil nós tínhamos que acreditar até o último, e finalmente veio. Por que está chorando tanto?!

Levy a abraçou soluçando.

—Isso é muito bom mãe!Eu só estou feliz só...

—É que está chorando tanto.

Apertou mais ainda ela sentindo o peso no seu coração daquelas malditas fotos.

Quantas vezes ouvira sua mãe falar cheia de convicção e fé que tudo daria certo. Que as coisa iriam mudar, podia demorar pra juntar o dinheiro da cirurgia mas ela iria fazer.

Rose colocou a filha no colo acariciando os cabelos dela.

—Desculpe.

—Tudo bem anjo, pode chorar.

Aquele não era um desculpe do choro.

~~

Juvia abriu a porta devagar. Nem se quisesse andar rápido conseguia. O semblante ainda estava caído e triste, e ficaria assim por sabe se lá quanto tempo.

Trancou a porta e foi descalça na ponta dos pés pela escada.

—Juvia?

A voz de Rebecca lhe gelou a espinha como se fosse uma assombração.

A menina olhou pra suas roupas e já começou a pensar num jeito de explicar.

Não contaria nunca o que acontecera.

—Oi mãe.

—Que susto – Rebecca bocejou — você disse que só voltava amanhã.

—A festa estava chata...

—Mas, a Lica não estava de plantão? Quem te trouxe?

Juvia engoliu seco apertando os dedos uns nos outros, sentia a mão formigar.

—Ah mãe... Será que podemos falar amanhã? – começou a se dirigir para o quarto.

—Está tudo bem?Cadê suas roupas?!

Droga...

Juvia agora mordia os lábios de nervoso, pegando a própria pele da boca por dentro e puxando até doer.

As roupas?

As roupas?!!

—Eu fui jogada na piscina.

Rebecca deu um risada que fez Juvia se aliviar um pouco.

—No meu tempo não tinha piscina, deve ser divertido!Mas bem,veio com o Rogue então?

—Foi... – entrou no quarto.

—Estava tão chata ou você saiu por que te jogaram na piscina? –Juvia coçou a cabeça indo responder quando Rebeca estalou a língua como se lembrasse de algo — Ah é mesmo!O garoto?

—O que?!

—O menininho que você me disse, que você gostava!Ele estava lá?

Seu peito parecia inchar.

Doía.

Queimava.

Por alguns segundos ela sentiu a sensação de estar prestes a desmaiar quando sentiu as lágrimas rolarem e rolarem silenciosas.

—Filha o que foi?!Vem cá.

Rebecca a abraçou e sentou se na cama fazendo carinhos nos cabelos da filha.

“Estão secos, nem parece que ficaram molhados” ela pensou.

—Quer me contar?

—Ah mãe... – Juvia não podia contar, explicar, não queria fazer isso. – Foi horrível, ele é um imbecil!Ele ficou com outra menina depois de ficar comigo...

Omitiu a história.

Por que não podia ter sido daquele jeito mesmo?

—Ah filha, não fiquei assim. Não se preocupe... Ele que está perdendo. Você é linda!Inteligente, ele é só um garoto, você vai conhecer muitos meu amor, não fique assim...

—Eu não quero mais conhecer nenhum.

—A gente sempre fica assim no primeira decepção — Rebecca suspirou – mas quero você de cabeça erguida. Aconteça o que acontecer, você é forte o suficiente pra passar por isso ok?

Não mãe...

Não sou.

Notas finais
Não irei pedir desculpa pela demora porque acontecerá de novo. Estou no ultimo semestre (amém) então está corrido mesmo. Obrigada pelos favoritos e comentários !!! nunca tive tantos >< Até o próximo ♥