Calm The Storm
14 Falta de uma mémória
Notas iniciais
Levy Mcgarden
Um dia atrás
Eu me senti sozinha.
Não podia correr pra Juvia e contar o que aconteceu... Não tinha Lucy.
Mas meu estado estava tão... Tão pertubada,que eu não iria conseguir dormir naquela noite.
Gajeel me levou pra casa dele e Natsu apareceu por lá horas depois. Insistiu pra ir embora dizendo não “querer atrapalhar”. Todo mundo devia achar que nós dois tinhamos alguma coisa né... Se fosse uns anos atrás tudo bem.
Natsu acabou ficando afinal eu também tinha que conversar com ele. Esse segredinho sobre a Lucy,sobre o Lyon,ia uma hora ou outra chegar na Juvia e no Gray.
—Não acredito que aquele babaca disse isso... – Gajeel estava sério sentado no tapete, encostado no sofá onde eu estava deitada. Natsu tinha acabado de vir da cozinha com uma garrafa de suco, e chocolate pra mim.
—Pensando bem... – comecei – Acho que todos nós temos um segredinho daquela noite. – olhei pra Natsu – Mas, nós sabemos que não foi sua intenção Natsu...
—É, mas é o que ele pensa.
—O que ele pensa não importa, ele só veio pra atormentar a gente... Que mundo pequeno...
Ficamos um pouco em silêncio...
Nem pra Juvia eu havia contado sobre a minha mãe... No mínimo eu devia estar meio bêbada quando disse aquilo pro Lyon...
Eu meio que concordei com as fotos... Ele queria que eu tirasse...eu precisava de dinheiro pra ajudar minha mãe com os remédios dela. Não foi por minha causa que ela ficou bem, mas eu ajudei ela...Ajudei mentindo que tinha trabalhado num bar e ganhei dinheiro. Eu nunca esperaria que ele se lembrasse daquilo e jogasse na minha cara...
—Tem uma coisa que eu preciso falar... – Natsu interrompeu meus pensamentos. Estava com uma expressão séria olhando pras mãos apoiadas no colo – Gray e o Lyon... eles são irmão.
—Que?! – nós dois nós levantamos. – Natsu... Porque...
—Ele não mora com o Gray faz anos, e de repente ele voltou... Eu, ia falar pra Juvia, juro mas ... ela estava tão feliz!Eu não queria contar que o cunhado dela...
—E se ele aparecer um dia na casa do Gray com ela lá?! Ele não sabe de nada!E ela vai ficar daquele jeito! – comecei a falar sem parar
—E duvido que ela vá contar. – Gajeel disse – Mas ele também, aposto que vai acabar falando uma hora.
—Gray sabe que ela fica... Mal, quando falam dele. Sem contar que, ela pode largar dele por isso.
—Não acho. – cruzei os braços – Ela, não faria isso...
Faria.
Eu não dormi de madrugada por mais que eu tentasse. Gajeel ficou na sala,mesmo depois de eu insistir que dormir lá por mim seria normal. Até melhor do que ficar no quarto dele.
As lembraças da festa me atormentavam agora... E ficar ali me deixava pior.
Tudo ali era Gajeel,cheirava a Gajeel e eu não aguentava aquele sofrimento todo. Sai pra beber água na cozinha fazendo o máximo de silêncio quando passei na sala os dois dormindo profundamente. Aos menos parecia.
Enchi um copo d’agua e me apoiei na pia respirando “ar puro”.
Eu queria achar que estava me preocupando com tudo aquilo à toa. Mas eu não estava... Eram cinco anos tentando fazer ela ficar melhor, tentando fazer ela se aproximar de outras pessoas, e deu certo!Agora estava dando mais que certo... Nós, ela, não precisavamos dele na nossas vidas de novo.
—Vejo que não adiantou você vir dormir aqui.
Respirei sem deixar de conter um sorriso.
—Eu ainda estou sem sono.
—Tem que parar de se preocupar Levy... – Gajeel encostou na pia do meu lado – Sei que é difícil, mas até eu estou tentando acostumar que nós devemos deixar a Juvia...
—Crescer. – completei
—Resolver as coisas sozinha... é, isso ai. Ela uma hora outra vai ter que enfrentar seja o Lyon, seja saber que eles são irmão. Isso incluí... Nós.
Cocei a cabeça.
—Nós é uma palavra difícil. – me desencostei
—É...
Me virei de frente pra ele e encostei a cabeça no seu peito lhe dando um abraço. Era engraçado o fato de eu não conseguir fechar os braços envolta dele quando eu fazia isso.
Ele demorou pra retribuir... Pousou as mãos no meu cabelo e me fez olhar pra ele.
—Se você for querer mesmo... Continuar isso... Tem que parar de se preocupar, e falar pra ela.
—Por que você diz como se eu não quisesse continuar?
Senti ele respirar fundo.
—Porque já faz quatro anos afinal não é...
Me soltei dele.
—Eu... vou dormir.
Simplesmente me virei e subi as escadas. Me enfiei nos cobertores e funguei no travesseiro sentindo que ia começar a chorar.
Narrador
Juvia acordou toda sorridente.
Não se incomodou em acordar cedo mesmo depois de dormir tarde conversando ainda mais com o Gray. Não se incomodou de ver o travesseiro todo borrado de maquiagem que esquecera de tirar antes de dormir.
—Você vai lavar essas fronhas!!
—Vou mãezinha linda,lavo tudo o que você quiser!! — cantarolou na cozinha
—Ah o amor... — Rebecca suspirrou sorridente
Pegou o caminho pra faculdade anotando mentalmente que tinha de procurar Levy para perguntar o que ela queria lhe contar, e lembrar Kagura de mandar o e-mail pra ela com o trabalho para colocar nas formas ABNT.
Juvia não conseguia esconder a felicidade.
Natsu, Gajeel e Levy estavam sentados no banco quando ela chegou dançando uma valsa desengonçada sozinha. Natsu a olhou como quem não entendia nada, e Levy só riu perguntando se ainda estava sobre o efeito do passarinho que a levou pra jantar. Já Gajeel entrou na brincadeira,se levantou,fez uma reverência e pegou na mão da amiga,os dois rodopiando perto da mesa. Os outros alunos já estavam olhando esquisito mas eles nem ligavam. Depois Gajeel a girou sentando-a no banco.
—Estou deveras agredecida desta dança agrádavel senhorita Lockser — a amiga riu — Queira contar ao seu humilde servo o motivo de tanta felicidade.
—Oh! -Natsu sentou perto de Juvia — Princesa do Reino Azul,contemplenos com sua bela voz.
—Eu não vou dizer nada disso. — Levy deu um gole no suco. Natsu lhe deu um peteleco dizendo para respeitar a Princesa – Tabom...Hime-sama diga.
—Vocês são estranhos... – Juvia riu
—Agora diz o que foi? – Natsu pediu
Ela ficava um pouco sem graça de contar,mas entre alguns engasgos e gaguejos...
—Tá vocês sairam...
—Eeee – Levy incentivou
—E... Bem, ah-a gente se beijou...
Levy sem se conter soltou um gritinho e abraçou a amiga até as duas caírem do banco. Gajeel fingiu estar agradeçendo aos céus e Natsu disse que assume ter perdido para o nudista.
—Quase que não sai esse beijo.
—Quantos mil anos? – Levy zombou
—Ué como assim? – Natsu ficou confuso
—Nada!
—Ela não-
—Calada ! – Juvia tapou a boca da amiga com a mão, mas esqueceu de Gajeel.
—Quase cinco anos que ela não beija ninguém,obrigado Jesus...
—Gajeel!
—Ah que que tem é o Natsu...
—Eita porra cinco anos!!!- Natsu quase gritou — Puta merda!Como você aguentou?!Caraca!
—Justamente é o Natsu...
~~
Juvia Lockser
—Levy... Levy! – chamei ela umas duas vezes só na terceira ela se virou – Você não está bem hoje né?
—Nada de mais Juvia... Ah sobre a Kagura... – senti que ela estava mudando de assunto — Nós temos de conversar depois. – ela parou na escada que dava pro campus dela
—Ah é,sobre o que era?
—Bem... Eu... Não quero atrapalhar seu dia feliz.
Levy diz esse tipo de coisa mesmo sabendo que eu fico curiosa.
—Desembuchaaa!! — cantarolou
—Nao se lembra dela? — as duas pararam o caminho para a porta qeu dava acesso ao campus de humanas — Tipo... Bem um ano atrás...
—Ela era da minha sala, o que mais ?
—Não se lembra de mais nada fora isso?Mesmo?
—Não...Não. Deveria?
—É bem normal quando você apaga no meio de uma crise e trava um pouco sua memória,tipo com o Natsu,mas jura que não se lembra que você brigou com ela?
—O que?
—Brigou com ela... No banheiro...Você bateu nela... Tá legal que eu sei que a Kagura é um amorzinho ela não guarda ressentimentos,mas essa aproximação de vocês repetina... me fez se pergunta se você lembrava ou nao...
Levy continuou falando e falando e não conseguia raciocinar o que ela dizia.
Eu sempre estive do outro lado da história. O lado que sofria. Que apanhava. E pensar que uma vez eu causei isso alguém, me deu uma repulsa.
Tirei a mochila e deixei Levy ali me chamando dizendo pra eu voltar.
Precisava achar Kagura. Pedir desculpas... Como eu não consegui me lembrar disso?!
Kagura Mikazuchi
Num dia eu tinha um belo roxo na cara e meus pais estavam querendo que o "atestado de depressão" da Juvia se explodisse. Só queriam que ela ao menos tomasse uma suspensão.
E eu,sinceramente? Não estava nem ai. Sempre observei Juvia de longe ela tinha seus problemas... E naquele dia que algumas garotas resolveram tirar sarro dela no banheiro. Qual é gente?Nós estamos na faculdade,isso é coisa de prezinho...
Mas lá fui eu achando que Juvia era uma inocente precisando de proteção... Me envolvi no meio da confusão e quem acabou levando um murro foi eu.
Meus pais surtaram. Claro. Em vinte anos eu nunca havia brigado na escola. E em plena faculdade lá estava eu chegando em casa com um saco de gelo no queixo.
Eu só não esperava que na semana seguinte ela estaria... Normal. Tipo, “olá mas eu não me lembro que soquei sua cara na sexta.” E por algum motivo,talvez pelo fato de eu saber que ela não era um princesinha azul precisando de ajuda que ela passou a exercer um efeito estranho sobre mim. A maioria das vezes que nós falavamos eu dava um passinho pra traz achando que levaria um murro.
Infantil?Medrosa demais?
Talvez.
Mas leve um murro de alguém que você queria ajudar e essa pessoa faz todos os tipos de luta que você imaginar com a força de 10 cavalos e depois conversamos.
Tá,a parte do cavalo pode ser exagero,mas comparado a eu Juvia tinha músculos pra dar e vender. Só depois que descobri que ela lutava só piorou.
Foi Levy quem me contou mesmo sem querer contar que Juvia era alguém mais problemática que eu podia pensar.
Comecei a tentar enxergar ela diferente,mas sempre tinha ‘o passo atrás”.
Todas... Todas as vezes nós nos falávamos e ela nunca me olhou diferente.
Nunca...nada.
Montei várias teorias na minha cabeça.
Ela podia ter batido a cabeça e perdido a memória. Ela podia estar com vergonha de pedir desculpas. Ela era "superior" demais para pedir desculpas... Aos poucos as teorias foram ficando piores e eu desiti de tentar entender.
O universo me empurrou pro grupo de trabalho dela fim de semestre. Grupo não... Porque nossa sala tinha um problema terrível de desistência e acabou que sobrou nós duas no grupo.
Ir a casa dela por sinal foi normal até... Conseguimos conversar...
Mas eu realmente... Realmente desisti de entender.
Ainda mais agora que ela havia me puxado e me abraçou pedindo desculpas.
—Porque... está fazendo isso?
Eu nem me lembrava mais do passado.
Nao imaginei que aquele pedido era por antes.
—Eu...Não... Me lembrava.
—É quem bate normalmente não lembra né? — dei uma risada tentando animar mas só piorou. Quando dei por mim ela estava chorando baixinho — Ei...Olha,isso foi a um ano atrás. Na boa,está tudo bem. Seja lá qual foi o motivo de você não se lembrar, juro que está bem. Afinal,olha pra mim eu não perdi um dente nem nada.
Ela sorriu por dois segundos e nós nos sentamos no banco da cantina.
—Me desculpa Kagura...
—Tá tudo bem. Você fez minha parte do trabalho tá perdoada.
—Eu não costumo me lembrar de muitas coisas quando tenho crise... E juro que eu pensei que não foi em você que eu bati.
Crise? Me perguntei mentalmente.
Juvia explicou de um jeito desajeitado algo sobre depressão,esquecer de tomar remédio e ficar agressiva.
Não precisei que ela entrasse em detalhes pra entender o que acontecia. Sorri e lhe dei um abraço apertado.
—Me avise quando estiver nervosa um dia desses.
Ela riu e se levantou do banco nós duas voltando pra sala.
Juvia Lockser
Os fones abafavam qualquer barulho a minha volta.
Não tinha esperado Levy nem ninguém pra ir embora.
Dei play no minha playlist com as músicas que a bateria mais fazia barulho e o vocalista rasgava a garganta de tanto gritar e fui a primeira a sair pelo portão.
Atravessei a rua soltando um fone e abracei ele soltando um suspiro.
—Dia ruim? — mesmo com a barulhera do outro fone eu ouvi a voz dele me perguntar. Fiz que sim.
Gray ficou mais um tempo que eu não sei quanto foi ali abraçado comigo fazendo um carinho nas minhas costas e eu agradeci que ele pudesse ter ido me ver naquela hora. Ele pegou meu outro fone e retorceu as sobrancelhas ouvindo a música.
—Aposto que você não gosta... — arrisquei
—Isso é Heaven Shall Burn? — ele questionou surpreso. Fiz que sim mais surpresa ainda — Bem, digamos que eu goste... Mas costumo guardar para os meus dias que a gente só quer quebrar muito alguma coisa... — dei risada — Você está triste e escuta isso?
—É né...
—Imagino que faça uns pactos com o satanás quando está nervosa então...
Gargalhei me soltando do abraço dele.
Gray avisou que tinha uns trabalho pra terminar e eu não queria atrapalhar. Mesmo assim ele insistiu em me acompanhar em casa. Fomos de ônibus sentados nos bancos do fundo contei a ele sobre Kagura. Ele ficou ouvindo em silêncio fazendo carinho no meu cabelo ... e me senti mais do que acolhida ali.
Ainda mais dentro de um ônibus balançando pra lá e pra cá, se sentir acolhida não é uma coisa que acontece todo dia.
—É estranho... Eu sempre estive do outro lado que sofre e que é fraco e agora eu estou na situação que eu provoquei isso em alguém sabe? — expliquei depois de contar a história da briga
" Acho que sei como o Natsu se sentiu..." Acrescentei mentalmente.
—Eu não posso dizer como se sente porque não sei se passei por isso na vida sabe. Não sei se causei esse tipo de coisa em alguém, mas como você disse eu também sempre fui do lado fraco, mas sabe de uma coisa? — Gray finalmente falou quando descemos do ônibus — talvez você possa pensar que é o lado fraco da história. As pessoas que tem traumas ou depressões são o lado fraco. Mas sabe que não? — ele me olhou e eu ainda estava confusa sobre o que ele estava dizendo — Você passou por muita coisa, não precisa me contar, está estampado no seu rosto. Passou por mais coisa que eu ainda, é mais experiente pra falar... E mesmo assim você está aqui. Kagura está aqui, Levy... E ainda acha que é o lado fraco?
Pisquei duas vezes entendendo o que ele queria falar.
—Pra mim o lado fraco são eles, que querem cutucar as pessoas pra se lembrar que são alguma coisa mas na verdade não são nada. Vocês são fortes,vocês aguentaram e aguentam a porrada, os sentimentos dentro de vocês todos os dias, dizendo que não vão conseguir que não vai melhorar. Esse é o lado forte.
Mordi o lábio sentindo que estava emocionada.
—Quanto a Kagura, — ele continuou — ela é forte o suficiente pra conviver com você,digo, depois do que ela passou,não que você seja alguém difícil que conviver...
—Por mais que eu seja — sussurrei e sequei uma lágrima e ele me beliscou — Ai!
—Ela foi forte de aceitar suas desculpas. Imagina alguém...que te fez algo muito ruim?
Eu não queria mesmo imaginar mas na minha cabeça já passou as imagens.
—Imagina ter que olhar pra essa pessoa todo dia,que não se lembra do que fez com você... ou... ter que aceitar um pedido de desculpas dela.
—Ele não pediria desculpa. — disse automático.
Gray fingiu não ter notado que eu disse ele.
Pensei em Natsu, e em como ele estava nervoso, ansioso,e chorão quando veio me pedir desculpas.
—Imagina...
Natsu e eu tínhamos virados amigos tão facilmente que chegava a estranhar... Mas pensar... nele. Nele... Vê-lo todos os dias... Eu não suportei nem na festa...
Suspirei.
—É,difícil demais...
—Com certeza.
Gray Fullbuster
No fundo, metade de mim sabia que "ele" era o Lyon. Ainda estava esperando o momento de dizer que ele era meu irmão só pra ver a reação dela. Porque sinceramente é uma coisa que eu não gosto de lembrar, então porque lembrar ela dele também?
Mas a curiosidade falava alto. Mesmo que ela não me contasse nada ver a reação dela seria uma prova maior de que algo aconteceu.
Deixei ela na porta de casa e lhe roubei um beijo antes de ir embora. O engraçado de estar juntos... era não estar. A gente se encontrava demos dois beijos até agora,mas eu não tinha proposto nada de namoro e nem ela. E pensava que podia deixar assim... Ela não parecia o tipo de garota que se preocuparia com isso... Mesmo que eu já a considerasse minha...
Mas!
Isso não vem ao caso...
Voltei pra oficina. Perguntei a Melissa se tinha chegado algo,algum serviço. Ela batia a caneta no caderno o que denunciava que ela estava nervosa.
—Que foi? — perguntei olhando por cima da cabeça dela o computador já que ela não tinha respondido se tinha algo ou não.
—Seu pai... ele está... com Lyon no escritório.
—Que?!
Fiquei na cozinha igual criança tentando ouvir alguma coisa.
Mas nada.
Tomei água,lavei a louça,comecei a varrer o chão e nada.Nada de escutar nada.
Peguei na maçaneta com destino ao estoque. Ocupar a cabeça bagunçando as peças e colocando no lugar de novo.
Lyon abriu a porta antes de mim e sorriu quando me viu. Aquele sorriso filho da puta sabe?
—Eai? — ele passou por mim. Não vi meu pai por perto.
—Que está fazendo aqui? — ele encheu um copo d'água me olhando confuso — Não devia estar no interior?
—Estou passando um meses aqui.
—Fazendo...?
—Sempre curioso. — ele riu e tomou a água — To pensando em volta a morar aqui... Vou ficar procurando emprego já que seu lindo e maravilhoso pai não me aceita nem como faxineiro nessa merda de oficina.
Suspirei.
—E ele tem razão... Sem contar que você não presta nem pra limpar.
Lyon já ia responder quando meu pai chegou.
—Já estão se alfinetando que beleza...Vai ficar pra almoçar?
Respirei fundo.
—Claro. — Lyon deu um sorriso amarelo.
Meu pai e sua gentileza que fazia eu querer mandar ele tomar num lugar ai...
~~
Sentei com meu prato no sofá da sala.
—Gray...
—Quero ver esse filme que tá passando.
—Você nem sabe o nome do filme. — meu pai riu — vem comer aqui.
Até Melissa estava no almoço aquele dia.
—Quero ver o filme. — disse de novo ouvindo ele resmungar.
—Eai — Lyon abriu a boca e eu já me preparei mentalmente pra ouvir do sofá o que era — Você e ele?
Beleza.
Fingi não ter escutado. Era com a Melissa que ele falava agora.
—Não temos nada.
—Ah?!Ué,achei que vocês...
—Não mais, ele acho que namora uma garota ai.
Engasguei com o suco.
—Que ótimo falar da minha vida sem eu por perto!
—Conta ai Gray quem é.
—Eles foram até jantar... — meu pai sussurrou e foi a vez de Melissa se engasgar.
—Já disse pra não falarem da minha vida.
—Cheio de segredinhos... — Lyon deu uma garfada na comida — Acho que a gente merece saber se é loira ou morena..Ou ruiva.
—Verdade. — meu pai fez que sim — Ainda acredito que ela não exista.
—Nenhuma das três opções. — disse e percebi que sorri.
—Com licença. — Melissa se levantou e saiu pela porta.
Suspirei.
"Obrigado,Lyon."
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