Calm The Storm
21 Call The Storm
Notas iniciais
A noite parecia ter ficado mais fria do que já estava. Ainda chovia e a casa continuava silenciosa.
Peguei o desenho nas minhas mãos sentada no chão ao lado da cama.
Observei por um tempo.
Alguns flashbacks começaram a passar pela minha cabeça.
Desde a primeira vez...
O jeito como nós nos conhecemos, quando passei mal por ver o Sting e ele me ajudou mesmo que eu o respondesse grosseiramente. A noite no sítio da Lucy...
Eu ainda lembrava da sensação do frio na barriga de saber que ele estaria lá. A sensação de ficar bêbada depois de tanto tempo. Da tímida mas quente e livre sensação de dançar com ele. O modo como ele cuidou de mim. Eu nunca esqueceria o dia em que nos beijamos, a corrente que ele me deu, os livros...
Acabou... Tudo.
Sem o som das suas risadas. Sem os beijos roubados dele. Sem cócegas. Sem os nossos passeios pela cidade. Sem as mãos deles nas minhas. Sem aquele olhar de carinho e desejo direcionado a mim.
Nada.
Nada.
E foi ai que caiu a ficha.
Comecei a chorar descontroladamente com o desenho amassado no meu peito.
Já me disseram como terminar um relacionamento doía, mas aquilo era muito,muita dor!
E a dor do meu peito só crescia a cada lágrima.
Me sentia sufocada, arrancada, quebrada.
—Juvia?
Lucy me chamou com a voz sonolenta.
Continuei chorando. Não conseguia reunir forças pra responde-la, pra ir chorar em outro lugar pra não incomodá-la. Me sentei ali mesmo no chão e preferi por ali ficar. Parecia ter criado raízes ... Eu não me mexia. Não falava. Nem se querer respirava direito de tanto chorar.
Ela se sentou de frente pra mim e afagou meu braço.
Sentia minhas costas baterem contra a cama.
Eu queria parar de chorar mas não conseguia engolir aquilo.
Não estava acontecendo...
Não estava.
Eu senti tanto medo.
Me cuidei tanto para não me envolver com alguém. Eu sentia medo de sofrer, medo de me apaixonar, medo de tudo. E decidi arriscar. Esqueci por oito meses que existia esse medo em mim. E não pensei que pudesse...acabar.
Eu fui idiota.
Repassei toda a nossa conversa lá embaixo e percebi o quão idiota eu tinha sido. Muito idiota... fora a maior das idiotices!
Achando que ele estava falando sobre confiança...
A verdadeira confiança.
Eu assumo.
Era verdade, fiz uma ideia toda errada sobre o Gray desde o começo. E quando tentava entender algumas coisas dele no começo, ele sempre parecia ter um olhar escondido. Misterioso. Como se eu não pudesse passar dali...
Eu tentava e consegui algumas vezes que ele conversasse comigo.
Agora eu sei que era uma troca. O entenderia por completo se devolvesse deixando ele me entender.
Sentimentalmente, eu já nem sentia o chão. Era como se eu pisasse em cacos. Cada vez que lembrava de um erro meu me cortava. E eram tantos...
Por que?!
Por que eu simplesmente não falei?! Levy me disse tantas vezes... como se ela soubesse, avisasse.
A sensação no chuveiro de precisar fazer algo. Eu vim pra praia com a sensação de precisar cumprir um dever. E eu falhei terrivelmente.
Havia sido idiota, mas não conseguia contar a ele! Eles eram irmãos. Como eu iria fazer isso? Eles iam brigar, feio, talvez pra sempre...
Contar tudo.
Não conseguia digerir a ideia de ficar sem ele.
Não eu não iria conseguir.
Eu sabia.
Já estava tremendo, chorando...
Amassei o desenho e joguei do meu lado.
Vi que Lucy o pegou e tento desamassar, depois o guardou na própria bolsa.
Resumi o que consegui em meios os soluços pra ela o que tinha acontecido.
Ela permaneceu quieta apenas me fazendo carinho.
Senti que ela queria dizer um “nós te avisamos”.
Levy McGarden
Eu podia apenas dizer que as horas seguintes daquela manhã de domingo foram as piores possíveis. Porém, eu já tinha passado por coisas bem piores com a Juvia.
Só estava...
Sabe quando algo vira uma rotina e de repente ela se rompe ficando meses sem fazê-la de novo? Nós esquecemos até como algumas coisas deveriam ser feitas.
E era exatamente assim que eu me sentia.
Depois de achar Juvia deitada no chão do quarto dela abraçando os joelhos e chorando, esqueci tudo que deveria fazer.
Conversei um pouco com ela, o que obviamente não ajudou. Ela só chorava e dizia “isso dói muito”
É dói.
Eu queria gritar que tinha a avisado.
E pensar que na madrugada de ontem cogitei a ideia de ter uma briga mesmo. Só que entre nós duas.
Na madrugada passada eu e Gajeel entramos num acordo de falar com ela de manhã.
E agora isso.
Eu não podia contar a ela que nós íamos ficar juntos com ela agora assim... Igual da ultima vez.
O que aconteceu entre mim e o Gajeel, era pra ser uma coisa colegial.
Um dia eu conheci ele numa junção de duas salas pra aula de biologia. Fizemos duplas juntos o que me deixou constrangida. Algumas amigas minhas diziam que ele me olhava as vezes, mas eu não costumava ligar. Até que um dia antes dessa aula, uma garota loira veio até mim e perguntou meu nome. Questionei o porque e ela apenas disse “Um amigo quer saber”.
Depois nós três nunca mais desgrudamos.
Vivíamos e vivemos inseparáveis.
Saíamos sempre juntos. Gajeel não se importava se nós tínhamos tpm, ou demorávamos pra se arrumar. Eu sabia, nós sabíamos que ele gostava de estar ali. Entre nós duas, ouvindo nossas baboseiras, nossos papos sobre os garotos da escola, pegando as respostas das provas, carregando uma ou outra de cavalinho pela escola uma vez ou outra, nos fazendo comprar comida pra ele e o irmão quando Lica estava de plantão no hospital...
Nós éramos e somos, puro e sincera amizade e amor.
É do que somos feitos.
Até que eu percebi que algo tinha ali. Algo crescia ali. Entre nós.
Eu o amava cada dia mais e aquilo não era uma amizade... Era mais. Muito mais! Eu ansiava por ter ele perto de nós, ouvir sua voz, suas broncas, o som do seu coração quando me abraçava...
“As vantagens de ser pequena” ele dizia.
Nós nos beijamos numa sexta feira.
Por que raios eu nunca lembro o dia? Fazia muito frio.
Juvia estava gripada e nós havíamos comprado ingressos pro Guerra Mundial Z.
Acabou que fomos nós dois. Eu nunca vou entender como aconteceu. Apenas nós estávamos nos beijando na porta da minha casa depois daquele dia.
Alguns meses depois ele foi na minha casa fazer lição de biologia, de novo ela estava gripada... E aconteceu.
Eu nunca vou me arrepender do que fizemos naquele dia. Nunca.
Depois descobri que as gripes de Juvia eram só enganação, até hoje não acredito nas gripes dela.
Um mês depois.
Eu e ele pensamos que seria uma boa ideia assumir que estávamos juntos. Que ela ficaria feliz e ela ia! Era tudo que ela queria nós juntos...
E então veio a maldita festa. E a depressão tomou Juvia por completo.
Não se via um traço de Juvia naquele rosto.
Ela não tinha cor. Não falava, não queria comer. Tinha pesadelos, odiava os médico, os psicólogos e nos queria com ela o máximo possível. Me queria com ela.
Decidi que não era o momento pra nós assumirmos um namoro. Fiquei com medo dela se sentir abandonada por nós...
Por mim.
A depressão durou por cinco longos anos e o resto da pra imaginar.
O primeiro ano nós ainda nos víamos, o segundo foi o que nos afastou. Precisei ir pro interior na casa da Lucy por conta de um emprego temporário da minha mãe. Ficaram só eles dois. Eu não queria mentir pra ele, contei que havia ficado com um garoto por mais ou menos seis meses. E depois as coisa não foram as mesmas. Ele ficou chateado mas disse que eu era livre. Ele começou a ficar com várias meninas o que me deixava puta. Eu ficava com raiva, descontava minha raiva na Juvia muitas vezes, ele ficava puto por isso e nós brigávamos.
E eu juro que nesses anos, eu nunca se quer senti meu amor por ele diminuir. Parecia uma criança teimosa, quando mais longe dele ficava mais eu queria, queria ele.
Não conseguia ficar com ninguém sem pensar nele.
No começo desse ano, achamos que Gray e ela finalmente estavam firme.
Ficamos alguns tempos escondidos. E agora... Isso. De novo.
Estava sentada no lado dela tentando acalmá-la. Ela começou a repetir que queria ir embora e tinha que ser agora.
Nada do que eu fizesse a fazia falar mais baixo ou se acalmar.
—Eu.Só.Quero.Ir.Embora.
Com cinco anos de depressão eu sabia os sinais que a Juvia dava antes de surtar.
1.Choro excessivo
2.Querer muito uma coisa naquele minuto.
3.Falar pausadamente.
4.Chutar,gritar e quebrar coisas.
5.Dizer coisas que ela não queria dizer.
—Não dá pra ir embora agora...
—Gajeel me leva por favor.
—Ele não está aqui e ele não vai te levar. – tentei me impor.
—Chama ele.
—Não. – cruzei os braços — Não vai fazer chantagem pra ele...
—Eu quero ir embora! – dei um passo pra trás me assustando — Que droga será que ninguém pode me levar?!
Balancei a cabeça e respirei.
Gajeel entrou no quarto alguns minutos depois.
Ele ficou pacientemente explicando o por que ela não podia ir embora agora. Que ele não iria e voltaria por causa da gasolina, do tempo... Parecia até um pai.
—Mas-mas eu...
—Nós sabemos que é difícil. – ele começou a falar por nós dois por que eu nem sabia o que dizer diante dessa situação. Queria ir mesmo era atrás do Gray tentara entender, porque Juvia não explicava nada direito quando nervosa. – Mas eu realmente não posso te levar.
—Por favor...
A fase de gritar e chutar tudo estava demorando pra vir. O que me assustava.
—Você precisa se acalmar. Chega de chorar. Você está tremendo e está gelada! Vamos por que não vai tomar banho com Levy...
—Não quero.
O olhos dela estavam inchados e roxos de insônia.
—E o que você quer?
—Ir embora.
—Ok, mas você vai tomar banho e comer algo.
—Não Gajeel...
O nervoso dela aumentava a cada vez que ele se colocava contra ela.
Comecei a juntar as coisas dela, arrumar a cama, o quarto... Mesmo que não precisasse.
Lucy permanecia em pé olhando o desenho tentando de qualquer jeito desamassá-lo, ela também tinha marcas de não dormir direito. Senti seu olhar me pedindo pra ter paciência e sorri.
Peguei roupas limpas pra Juvia quando escutei aquilo.
Eu não conseguia acreditar naquilo.
—Juvia tenho uma coisa pra te dizer.
—Não quero ouvir.
—Vai ouvir estou adiando isso a cinco anos.
—Por que todo mundo agora adia alguma coisa pra falar comigo. Também te faço sofrer? – ela perguntou com uma voz de bebê abafada pelos joelhos.
—Eu gosto da Levy, na verdade eu a amo sabia?
—Está meio na cara... – ela fungou.
—Gajeel isso não é hora – comecei a falar mas ele aumentou o tom de voz e continuou.
—Nós namoramos escondido de você, cinco anos atrás e um pouco esse ano também... – ela olhou pra ele como se não acreditasse
—Por que não estão juntos?Por que não me contaram?!
—Porque achamos que você iria ficar pior. Você estava frágil demais...
—Deixou de viver por mim?
—Não é bem isso.
—É!
Ok.
Os gritos começaram. Massageie as têmporas e respirei fundo.
—Como vocês... Por que fizeram isso?!
—Juvia...
—Eu sabia que eu era um fardo esse tempo todo pra vocês, pra minha mãe. Mas vocês não podiam ter feito isso! Não podiam esconder isso de mim!
—Você não é um fardo. – disse.
—Não precisa dizer isso pra me fazer ficar melhor. Na verdade, vocês não vão me fazer bem ao menos que me levem embora! – ela se levantou – Como... Eu não acredito que fizeram isso!Vocês são idiotas.
Fase cinco... Respirei de novo.
—São mesmo!Desperdiçaram cinco anos da vida de vocês!
—Não foi desperdício, nós ficamos com você! – falei um pouco alto – ficamos por você!
—Por isso você estava pelado ontem?
Ela perguntou tão de repente, naquele momento que eu nem consegui dar risada. Mas Lucy riu.
—Não! – gritei – Não aconteceu nada!
—Não me interessa. – ela deu de ombros — Eu preferia que me deixassem lá a fazer isso! Era bem melhor eu ficar com a minha mãe! – voltou a falar — O com qualquer porcaria!Como vocês se deixaram fazer isso?Que droga de amor é esse?!
—Acho que você precisa dormir. – Gajeel disse.
Nós duas fizemos um coro de “não” juntas.
Eu sabia o que ele queria. Mas eu tinha me prometido que chega de remédios.
—Não vou tomar nada.
Agora a discussão era pela droga dos remédios.
Juvia estava nervosa demais pra conversar sobre qualquer coisa, não sei o que o Gajeel queria só piorando a situação. Fui até a porta pensando em pegar alguma água pra me acalmar quando ouvi Lucy e Natsu do lado de fora.
“Acho que é melhor irmos embora...” – ela sussurrava.
“Kagura e Erza já perceberam também.”
“Cadê ele?”
“Foi... Esfriar a cabeça. Arrumei nossas malas desde de madrugada, íamos de ônibus se fosse o caso.”
“Não, sinceramente, já deu essa semana.”
Consegui depois de uma luta fazê-la tomar banho e comer uma maçã.
Ela só chorava... e chorava.
Arrumamos a mala em silêncio, só nós duas no quarto. Até que ela voltou a falar.
—Eu sei que você me avisou pra falar... – fiz que sim – Eu fui idiota? – fiz que sim de novo – Mas eu... ia estragar tudo entre eles sabe? Ontem ele disse que gostava do Lyon e se ele souber?
—Sinceramente, eu não sei. – estralei todos os dedos — Você é bondosa demais.
—Por que?
—Se fosse eu tinha falado, não dou a mínima pro Lyon. Talvez ele merecesse.
—Não fale assim. São irmãos, não quero que eles se odeiem por minha culpa.
—Pediu minha opinião.
—Não tem nada que... Eu possa fazer pra consertar?
Eu sabia que ela perguntaria isso.
—De verdade, Juvia. – respirei – De um tempo a vocês dois. Só por agora sabe? Ele também está mal... Deixa ele pensar.
—Quanto tempo?
—Eu não sei.
Gajeel chegou com um copo de suco de laranja dizendo que se ela não bebesse, não iríamos pra casa.
Estava concentrada em fechar a mala que nem percebi o fundo do copo branco. Aquilo não era açúcar...
Ela odiava suco natural com açúcar...
—Você não fez isso. – disse baixo.
Assim que ela voltou as malas, mentalizei cinco minutos ou mais na minha cabeça até ela começar a chorar de novo. Seus olhos estavam caindo. A cena lembrava uma criança chorando de sono.
—Eu odeio você Gajeel! – ela se apoiou na cama — Eu realmente te odeio!
—Desculpa.
Foi só o que ele disse até ela cair na cama e pegar no sono.
Na volta Juvia ocupou quase todo o espaço das bancos de trás dormindo pesadamente.
Lucy teve que ir no carro com os meninos a pedido e Erza, Kagura foi na frente e eu atrás.
—Esperava por isso? – ela perguntou .
—De verdade... não.
Eu nem tinha pensado na possibilidade deles terminarem.
—Eles vão voltar. – Erza falou com convicção – Você vai ver.
Ela acariciou minha perna como um “vai ficar tudo bem”. Até mesmo Kagura pegou na minha mão pelo banco e eu a apertei forte.
Narrador
A volta da viagem foi silenciosa.
No carro dos meninos Gray ia no banco de trás com os fones de ouvidos altos com Gajeel na outra janela.
Natsu estava ficando preocupado, até as músicas que Gray escutava o preocupava. Como aquilo aconteceu tão de repente? Era só o que ele conseguia pensar.
Gray chorara feito bebê na madrugada passada. O rosado não o via naquelas situações desde...
Desde de que visitaram o túmulo da Mica e Ariane há anos atrás.
Preferiu trocar os caminhos deixando primeiro Gajeel em casa, depois Lucy. Quem sabe a sós ele conversaria mais um pouco.
—Você... – Natsu pigarreou – Quer conversar?Ou...
—Tudo bem Natsu.
O rosado engoliu seco e estacionou o carro.
—Se precisar... Apareça qualquer hora.
Gray respirou fundo e disse um ok baixinho antes de sair do carro.
Abriu o portão ouvindo os sons vindos da oficina e passou reto entrando na cozinha. Queria ir direto pro quarto, mas Silver o viu passar da sala.
—Já chegou?! Achei que só viriam a noite.
—Oi pai. – continuou andando
—O que você tem?
—Nada.
Silver ficou olhando da escada ele subir e bater a porta.
Mas o que tinha acontecido?
Subiu os degraus e abriu a porta encontrando o filho debaixo das cobertas.
—O que você tem? – repetiu
—Nada.
—Gray.
—Só vai embora.
Silver respirou fundo.
Odiava quando ele escondia as coisas!Puxou a coberta de cima dele com força, o que deixou Gray agora mais enfurecido.
—Acha que pode falar assim comigo? Consigo ser um pai chato se eu quiser.
Silêncio.
—Gray.
— Que merda a gente terminou tabom? – ele atirou o travesseiro no chão – Pronto!Agora vai embora pai!
—Está parecendo um adolescente de dezenove anos e não vinte e cinco.
Gray bufou e se deitou de novo.
—Por que? – Silver o cobriu de novo e se sentou na beira da cama – Pode me contar?
Gray sabia que ele não sairia dali sem saber então começou a contar desde a primeira briga, sobre o Lyon, a briga de ontem, tudo.
Silver respirou fundo.
Tentando achar algum conselho que pudesse ao menos diminuir a tristeza. Ele sabia como era horrível. Se lembrava de algumas brigas com a Mika. E como se sentia mal com aquilo.
—Dê um tempo. Precisa pensar um pouco, vocês dois. Acho que ela... Acho que ela deve ter um bom motivo pra não falar filho.
—E por que não me conta o motivo?
—Talvez ela, só queira te proteger.
Aquela frase não fez sentido nenhum na cabeça do Fullbuster a princípio.
—Bem, pensa nisso... Melhor mesmo eu deixar você sozinho, sou horrível com essas coisas. – ele se levantou – Estou aqui se quiser conversar mesmo assim.
—Obrigado.
—Quer alguma coisa?
—Sinceramente... o Lyon.
~~
Juvia foi conseguiu ficar quase acordada pra entrar em casa.
Levy achou melhor ficar com a amiga ao menos até que ela acordasse.
Por mais que Rebecca já tivesse feito ela e Juvia passar boas raivas, ela ainda se surpreendia. Ela parecia ter um sexto sentido.
As duas abriram o portão ela saiu pela porta indo até elas ajudando Juvia a andar.
—Oi mamãe...
Mamãe...?
Rebecca suspirou ela estava mal, e muito mal.
—Me diga que ela esta bêbada Levy. Por favor.
—Eu queria que fosse.
As duas a colocaram na cama, tiraram a roupa e a cobriram. Levy fechou as janelas sabia como Juvia odiava a luz do Sol no rosto se estivesse com sono.
Bicks veio saber se estava tudo bem e preferiu voltar pro quarto.
—Ele não... acredita que esta acontecendo de novo.
—Também não.
—O que... Houve?
Levy deu uma leve resumida sobre o término e o motivo ser ela esconder algumas coisas dele. Ela não podia contar realmente o porque. Rebecca nunca soube o que aconteceu naquela noite. Ela achava que a depressão era algo ocasionado pela escola, faculdade ou até mesmo o tio.
—Ela é boba. – Rebecca soltou surpreendendo Levy
—Deve ser uma coisa realmente forte pra não falar.
—Não sei. – ela suspirou – Talvez... Mas, sinto dizer que ele está certo. Precisa ter confiança.
—É acho que eles vão...
—Voltar. – Rebecca completou – Vai depender dela claro. Eles brigaram por isso já não é? Acho que ele, perdeu a paciência. Só cabe a ela ir resolver, mas estou preocupada com ele.
—Por que?
—Sabe Levy quando garotos como ele se apaixonam é pra valer. Eu sabia da “reputação” dele. Tenho amigas que as filhas... enfim. Fiquei preocupada com ela no começo, mas você sabe eu precisava deixar ela ir. Tive tanto medo dela sofrer e olha agora, ele deve estar muito mal. Só sinto por ele entende?Ele realmente deve gostar dela.
—Entendo, e ele vai precisar esperar ela se decidir.
—É, exato. – Rebecca se levantou – Acho que, eu aguento quando ela acordar.
—Tem certeza?
—Eu me sinto uma mãe cada vez mais fracassada quando você pergunta assim.
—Eu?! – Levy se levantou também- Me desculpe, não queria...
—Não se desculpe. Sem você e o Gajeel, ela teria ficado bem pior. Mas eu preciso tentar não. – Rebecca sorriu – Sem remédios.
—Ela estava bem calma até, Gray ajudou nisso.
—É mas agora não temos ele.
Levy assentiu e saiu pela porta e da casa levando sua mala consigo.
Rebecca continuou no quarto acariciando os cabelos da filha até que se lembrou de uma coisa.
Procurou pela casa toda, todos os remédios que eram da Juvia, todos os calmantes e rumou em direção ao banheiro decidida a acabar com aquilo de vez. Ela podia devolve-los a farmácia, ou dar a quem precisa, eram bem caros. Porém, se os guardasse por mais tempo ficaria tentada a usá-los. Abriu todos os fracos e jogou no vaso sanitários dando descarga.
—Assim vai ser melhor.
Baixou a tampa e jogou os potes em um saco a parte colocando no lixo. Escutou um choro baixinho vindo do quarto de Juvia.
Ela tinha acordado.
—Ok... – respirou – Agora vá até lá e seja uma mãe de verdade ao menos uma vez Rebecca.
~~
Do outro lado de São Paulo agora alguém fazia uma ligação.
As mãos tremiam enquanto seu nome não era anunciado pra entrar na sala.
Não havia muitas pessoas ali, mas preferiu ir até a janela para conversar em paz.
—Alô. – atenderam no terceiro toque. Ele devia estar dormindo... Ou questionando se atenderia mesmo.
—Oi...
—Ah, ainda bem que é você.
—Pensou que fosse quem?
—Deixa pra lá, só não quero falar com uma pessoa.
—Hm.
—Você tem telepatia? – ele voltou a falar antes que pudesse perguntar que pessoa.
—Não que eu saiba. – riu de leve – Precisava de mim também?
—Também?
—Quero falar com você, mas não pode ser por telefone...
—Também quero.
Mais silêncio.
—Eu... Sabe onde eu estou agora? No médico... A sala dele tem uma placa pequena de “Psicólogo”. – respirou fundo — Acho que não consigo fazer isso.
—Ontem eu fiz uma coisa que achava que não conseguiria fazer também. Você consegue.
Lyon sorriu se sentindo emocionado.
Estava meio chorão naquela semana...
—Espero que sim.
—Por que esta fazendo isso?
—Preciso melhorar... Eu, quero ser melhor. Não quero mais fazer isso...
—Verdade você é um saco precisa parar com isso. – Lyon riu de novo -Isso incluí nossa conversa?
—Sim.
—Estou juntando os fatos aqui, não vou gostar disso.
—Não, não vai. – Lyon respirou – Não mesmo. Mas eu preciso dizer, mesmo que signifique nós nunca mais se falarmos ou... etc.
—Vou te odiar por isso.
—É. Vai.
—Ok. Quando eu penso que não consigo fazer algo... Eu penso em qualquer coisa pior que isso que estarei prestes a fazer, então sei que eu preferia fazer isso a passar pela coisa que eu mais acho pior. Vá para a sua consulta acredite não via ser pior que a nossa conversa.
Gray desligou.
Lyon ficou ainda com o celular na orelha.
Estava ocorrendo uma mudança drástica na sua vida. Ele nunca soube se estaria preparado pra aquilo.
Na verdade, não estava.
Ele se sentia uma criança vindo no carro chorando pra ir no médico. Mas Meredy era uma mãe e tanto, o fez ir até lá quase arrastando pela orelha.
Ela apareceu do seu lado e segurou sua mão.
—Acho que é sua vez Lyon.
Ele queria voltar no tempo... Até o dia que viu Mika entrando por aquela porta. Queria não ter deixado a sair com Ariane, queria ter tido a chance de se defender... Talvez até antes, mais ainda no tempo.
Não queria ter aceitado brincar com a Ariane de desfile de moda. Ela ficaria brava. Ele diria que não era brincadeira de meninos. Mas ela ainda estaria aqui...
—Lyon?
—Hm. – ele se virou para Meredy.
—Sua vez.
Lyon respirou e se dirigiu até a porta mas não conseguia pegar na maçaneta.
“você consegue”
“acredite não via ser pior que a nossa conversa...”
Respirou fundo.
Precisava fazer isso por ele mesmo, pelo Gray que merecia a verdade e não merecia um irmão horrível como ele. Ele melhoria pelo bem de todos.
Ele precisava contar.
Empurrou a porta e foi sem dirigir o olhar ao psicólogo se sentando na cadeira.
—Olá! – era uma voz feminina?Mas ele tinha certeza que era um medico – O Doutor Dreyar não pode vir então ficará comigo, tudo bem?
—A-acho que sim...
—Eu me chamo Evergreen e você?
—An – pigarreou — Lyon.
—Olá Lyon e por onde você quer começar? – ela cruzou as pernas com um bloquinhos nas mãos.
Lyon fez pela primeira vez um contato visual com a psicóloga. Ela devia ter trinta e poucos anos, usava um óculos fino com os cabelos cor de mel soltos e bem cumpridos.
—Eu... Não sei.
—Hm.Que tal me falar de você?
—Eu sou... Sou de São Paulo.
Lyon não fazia ideia do que falar mas precisava falar, psicólogos são pra isso!
—Gosto de rock. E, acho que sou um pouco psicopata?
—Uou, nunca me encontrei com um psicopata sabia?! — ela disse um tanto alegre o que fez Lyon sorrir – Como descobriu?
—É só o que as pessoas dizem.
—Por que acha que elas dizem isso?
Ele respirou.
Não conseguia achar palavras pra responder.
De repente Evergreen assumiu uma postura bem menos brincalhona, mas séria e se aproximou um pouco.
—Por que não começa me contando dos seus pais Lyon?
Ele não sabia como ela tinha feito pra deduzir aquilo.
Mas concordou que era o melhor caminho.
Evergreen do outro lado observava cada traço do Lyon enquanto o garoto falava. Contou pelo menos duas cicatrizes a amostra, bastante nervosismo enquanto falava deixando sua fala tremida.
Ele fez uma coisa que ela não esperava muito na primeira consulta de alguém. Assumir o próprio problema. E segundo, detalhou até demais todo o seu convívio com os pais. O que a deixou profundamente irritada, enojada por encontrar pacientes que só reforçavam que ainda existiam pais assim.
Ela não podia deixar transparecer os sentimentos que sentia naquela hora.
Lyon ficou um pouco quieto depois de contar tudo, e ela procurou na cabeça alguma coisa que o fizesse voltar a falar.
—Essa cicatrizes foram ele? – Lyon fez que sim e ainda acrescentou que tinha mais algumas fazendo-a apertar a caneta quase a ponto de quebrar – E como isso afetou ou afeta sua vida Lyon?
—Eu... Faço isso.
—O que?
—O que ele faz.
—E o que exatamente ele fazia?
—Eu disse ele me...
—Psicologicamente.
Lyon arregalou os olhos e soltou uma lufada de ar.
—Deixar as pessoas com medo.
—É isso o que você faz? – concordou – Como?Do mesmo jeito que ele fez com você? – outro aceno de cabeça – Com quem?
—Mulheres.
—Quantas?
—Uma só... Eu – ela sentiu o tom de choro na voz dele – Eu nunca mais quis fazer isso. Eu juro, eu só fiz uma vez e... não deu certo na outra.
—Nunca esteve com outra mulher fora... Elas duas.
—Sim... algumas.
—Por que não fez o mesmo com elas?
—Porque elas não tinham medo de mim.
—Ok. – Evergreen reprimiu um suspiro – Como se sente? Ou se sentiu?
—Na hora... é bom? – ela ergueu as sobrancelhas — Mas depois fica horrível, me sinto tonto, com ânsia, medo...
—Bom quanto?
—Só gosto do medo delas.
—Gosta de sentir medo Lyon?O medo que se seu pai o fazia sentir?
—Não eu...
—Então por que o causa?
Lyon ficou totalmente sem resposta.
Seu coração acelerou que ele podia sentir a blusa se movendo de tão alterado que estava o seu batimento. Seus olhos ameaçaram se encher de lágrimas quando alguém bateu na porta.
—Sinto muito Senhora Ever interromper – era a secretária – Mas já se passaram uma hora.
—Obrigada querida, feche a porta e não mande ninguém entrar até eu mandar.
—Ok... – a secretária saiu novamente.
—Desculpe, eu só – Lyon fungou – pude pagar uma hora.
—Não importa. – ele ameaçou se levantar e sair — Lyon.
—Sim?
—Você aceitaria ter consultas fora daqui? Ou aqui mesmo quando todos estiverem saído.
—Eu não posso pagar...
—Não quero que pague. Quero te ajudar.
Ele não pode evitar agora as outra lágrimas que pareciam ser de emoção e agradecimento, concordando que viria.
Saiu da sala.
Meredy estava sentada com um livro nas mãos quando ele chegou.
—Eai?! Está chorando...
Lyon continuou em silêncio ainda e seguiu para o elevador.
—O que foi?! – ela apertou para as portas fecharem de uma vez impossibilitando qualquer outro de entrar.
—Só foi... Bom. Falei muita coisa.
A rosada suspirou aliviada e o abraçou sentindo o quanto ele queria chorar naquela hora.
—Vai dar tudo certo. Estou aqui tabom?
—Ele disse que vai me odiar...
—Ele vai. Nós sabemos – ela lhe fez um carinho no cabelo ainda abraçados – Mas isso é preciso...
—É preciso eu sofrer?
—Um pouco.
—Eu fiz muitas pessoas sofrerem. – Meredy concordou – Mas não quero ficar sem ele... Eu preciso da ajuda ele e... do meu pai.
—Você vai ter mas precisa ter paciência... Eu te odiei muito também se lembra? – Lyon riu. -E agora...
—E agora o que?
—Nada, só te perdoei não é?
Meredy o soltou se apoiando na outra parede do elevador.
—Meldy...
Lyon começou mas achou melhor não continuar aquela conversa. Observou Meredy do outro lado do elevador com as maçãs coradas, inquieta pra sair logo do elevador. Quando tudo isso passasse talvez, ele tivesse coragem de dizer o quanto gostava dela.
~~
—Está com fome?
Juvia fez que não debaixo das cobertas.
Haviam se passado cinco dias.
Ela ainda estava na cama, com a mesma roupa, sem comer.
—Você pelo menos foi no banheiro ou fez xixi a mesmo?!
—Mãe!
Aquilo foi a única coisa que a fez sorrir nesses cinco dias. Rebecca suspirou e sorriu.
Estava indo bem.
Deixou Gildarts dormindo sozinho ontem.
Ela chorara muito de madrugada e a mãe só pode ficar do lado dela esperando aquilo passar. Nada que ela falasse a fazia para de chorar. Acabou desistindo.
Não a forçou a ir a faculdade também.
Kagura havia ligado dizendo que avisou aos professores que ela pegou uma gripe forte.
O que fez Levy rir e ninguém entendeu.
Rebecca agradeceu disse que tentaria pegar algum atestado com Lica e fazê-la voltar a ir.
—As garotas estão aqui embaixo quer vê-las?
Ela fez que não.
—Ok.
Rebecca desceu e se desculpou com Levy e Kagura que nem ligaram.
—Seria surpreendente se ela nos recebesse.
Fez o almoço agindo como uma mãe “normal” até que escutou a porta do quarto abrir.
Subiu as escadas rápido tentando não parecer preocupada. Juvia estava abrindo o guarda roupa e jogando todas as roupas no chão.
—Vai mesmo fazer essa bagunça?
Sem resposta.
—Ok. Só arrume isso tudo quando acabar.
—Quero sua ajuda. – ela sussurrou uma voz sonolenta. – Quero conversar.
—Claro filha...
Rebecca mesmo sem entender começou então a jogar as roupas todas no chão também. Até que se assustou. Juvia abriu a famosa “outra parte do guarda roupa” e jogou elas no chão também.
—O que vai fazer?
—Preciso... contar uma coisa mãe.
Rebecca esperou por cinco anos esse dia.
Se preparou mentalmente sentando no amontoado de roupas no chão mesmo, esperando a filha começar a falar.
Ela sabia de tudo óbvio.
Naquela noite depois que Juvia voltou da festa, Lica apareceu na sua casa de madrugada e contou tudo. Exatamente tudo.
Foi o dia que ela mais chorou escondida dela, de Gildarts, Cana, o filho...
Ela não suportava a dor de saber que sua filha tinha sido tão... traumatizada, abalada, ficado tão frágil, vulnerável e inocente como naquele dia.
Não comentou nada com Juvia. Queria que ela falasse, mas ela nunca falou. Nem mesmo quando achou o teste de gravidez no lixo da cozinha, ela disse que era da Levy. Até que Rebecca acreditou a principio, até descobrir que Levy não namorava com ninguém, nem nada.
Ela iniciou a fase mãe super protetora. Não queria pensar na ideia que aquilo poderia acontecer de novo. Se antes que ela cuidava tanto, protegia tanto, mesmo assim... Ainda assim!Aconteceu.
—Mamãe... desculpa...
Juvia chorava deitada com cabeça no colo da mãe com todas as roupas em cima.
Rebecca secou uma lágrima. Assumiu que desconfiava de tudo. Não podia entregar a mãe do Gajeel. Nunca. Eram amigas e era isso que amigas faziam.
Juvia ficou por um bom tempo se desculpando e chorando ainda mais.
—Isso não foi sua culpa, sabe disso não é?
—Sim mas...
—Sem mais Juvia. Nada justifica isso entendeu bem?Nem suas roupas, nem você gostar dele, você não queria e não é não, entendeu?
—Entendi...
—Não sei da onde vem tanta água... –Rebecca secou as lágrimas dela tentando entreter a si mesma da raiva que sentia – Você deve ser uma mulher água.
—Será?... — fungou
—Eu acho que é hein?
—Não está brava?Por eu não ter contado antes?
—Não. – suspirou – Eu entendo... Fui uma mãe protetora demais, acabei fazendo você ter medo de mim. Mas, o que nós prometemos a tempos atrás?
—Que iríamos mudar...
—Então nós vamos. – Rebecca sorriu – Acho que entendo porque não contou ao Gray. Mesmo assim, acho que ele precisa saber. Como eu precisei, entende? – Juvia fez que sim –Eu já vi esse tal Lyon? – fez que não – Ótimo, assim não vou querer matá-lo quando eu ver.
—Gajeel quase fez isso.
—Lhe darei os parabéns mais tarde. Agora – coçou a cabeça – Por que diabos você jogou todas as roupas no chão?!
—Quero me desfazer de algumas, tenho tantas e...algumas nem uso mais.
—Ok... Se quer isso. Cana vai adorar esse top vermelho sangue. Podia dar pra ela.
Rebecca desceu buscando algumas sacolas pra colocar as roupas a serem doadas e chamou cana no outro quarto para separar junto com elas.
—Meu Deus!Quero essa! – Rebecca ouvia – E essa também!
—Por que não vende? – ajudou – Isso tudo foi muito caro vai simplesmente dar pra Cana!
—Ei!É claro que ela vai.
—Já sei porque não montamos um brechó?!
—Vocês são empolgadas hein... – Juvia sorriu pro crooped azul celeste de alças finas. – Esse não. – Depois um vestido estampado de mangas curtas, saia rodada e bem curto– Esse também não.
—Você nunca vai usar esse vestido!Você só usa calças!
—Claro que vou. – disse com convicção guardando o na outra parte do guarda roupa. – E esse também, e esse...
Rebecca segurou o riso.
Teriam poucas roupas pra serem vendidas no brechó.
Toda a arrumação de roupas, sapatos, acessórios e maquiagem demorou mais de horas.
Cana pegou e pagou por metade das roupas e maquiagens. Se soubesse antes que Juvia tinha tudo aquilo provavelmente teria usado tudo já.
O quarto foi arrumado também, limpo e finalmente... Aberto as janelas e cortinas.
—Quantos dias se passaram? – Juvia questionou.
—Cinco.
—Fiquei cinco dias sem tomar banho e comer?!
—E ir a faculdade... – sua mãe acrescentou — Não é muito já ficou uma semana!
Juvia olhou a rua. Estava um dia tão bonito. E ela perdera tudo com as cortinas e janelas fechadas, mas ainda conseguira pegar o pôr do sol...
Pôr do sol
Quase contara pra ele...
Lembrou-se automaticamente da praia, do desenho que a essa altura devia estar na mala de Lucy, da música...
Música?
—Música! – Juvia se assustou – Mãe!!
—O que menina!
—Dá meu celular? Cadê!!
Juvia começou a correr pelo quarto atrás do aparelho achando o debaixo da cama.
Ligou e esperou todas as mensagens atualizarem.
Havia várias, nenhuma dele depois do que acontecera. Porém, não importava agora.
Abriu a conversa deles e viu o áudio que fora enviado. Esperou carregar o que pareceu uma eternidade...
Finalmente ela conectou os fones de ouvido e deu play ainda ouvindo o restante das mensagens
É difícil acreditar que há tantos anos se passaram
Então muitas lições ouvidas e como algumas coisas nunca duram
(I's hard to believe so many years have passed
So many lessons heard and how some things never last)
—O que?!
Ela continuou ouvindo música depois correu pro computador querendo acompanhar a tradução já que seu inglês estava bem enferrujado.
Todas as páginas que você virou e como eu nunca aprendi
Bem, eu acho que algumas coisas nunca duram
(All the pages you turned and how I never learned
Well I guess some things never last)
Ela não sabia se aquela música era pra ele ou pra ela.
As lágrimas saiam enquanto ela lia tentando entender...
Enxugar as lágrimas e nunca me deixe ir
Ser a esperança quando o mundo está esmagando
(Wipe away the tears and never let me go
Be the hope when the world is crushing down)
Venha envolver seus braços em volta de mim
Acalmar a tempestade dentro do meu coração
(Come wrap your arms around me
Calm the storm inside my heart)
Eu preciso sentir você perto de mim
Ser a esperança quando o mundo está esmagando
(I need to feel you standing close to me
Be the hope when the world is crushing down)
O mundo dele iria desmoronar quando ele soubesse, mas ela era a única esperança dele.
De tudo se ajeitar, pra todos.
Assim como o dela já tinha caído a muito tempo, e ele era a sua esperança de...
Venha envolver seus braços em volta de mim
Acalmar a tempestade dentro do meu coração
(Come wrap your arms around me
Calm the storm inside my heart)
—Acalmar a tempestade... – ela sussurrou pra si mesma.
Gray vivia assim. numa tremenda tempestade com seus próprios sentimentos, sem saber o que sentir sobre seu irmão, precisando de ajudava para entender, entender a si mesmo.
“Ele merece saber”
“Acho que ele merece saber... Pode contar aos poucos”
Agora ela entendia...
Agora entendia!
“Como... Você não me contou isso antes?!
Eu fiquei pensando em como você ia reagir, Juvia...”
Mesmo assim ele contou que era irmão dele...
Mesmo assim.
Eu gosto tá ai o problema. Lyon é cheio dos defeitos, mas não consigo por mais que eu queria negar que ele é meu irmão e que gosto dele.
—Preciso contar. – sussurrou
—O que foi? Rebecca perguntou
—Vou sair mãe.
—O que?!
Você é a esperança que eu preciso quando você está aqui ao meu lado
(You are the hope I need when you're here by my side)
Juvia correu pro banheiro pegando sua tolha.
—Essa recuperação foi rápida... – Rebecca sussurrou pra si mesma.
Ela tomou um bom banho lavou os cabelos, passou cremes, se arrumou até ficar apresentável comparado a antes, colocando uma manga cumprida já que começava a ventar lá fora, e uma calça jeans, um pouco de lápis preto nos olhos pra disfarçar todas aquelas olheiras.
—Não pode sair sem comer! –Rebecca avisou.
—Prometo que como na volta. – ela disse enquanto calçava o all star preferido. – prometo mesmo.
—Sei... a onde vai?
Rebecca estava apreensiva.
Ela mal havia se alimentado direito e de repente queria sair?!
—Olha eu preciso saber e se você tiver um piripaque...
—No Gray.
—O que?!Mas, o que você?
—Vou... – respirou – Vou contar. Tudo.
Rebecca a deixou passar ainda incrédula.
—Qualquer coisa liga! – gritou mas ela já tinha saído.
Venha envolver seus braços em volta de mim
Acalmar a tempestade dentro do meu coração
(Come wrap your arms around me
Calm the storm inside my heart)
O por do sol já se fora.
A casa dele era um pouco longe, mas Juvia foi andando do mesmo jeito. Não tinha paciência pra esperar o ônibus.
Andou o mais rápido que pode relembrando os ensaios na praia, de como falar...
Nada aquilo parecia fazer sentido agora.
Ela falaria o que viesse na cabeça do jeito que tinha que ser! Ainda ouvia a música com os fones de ouvido quando chegou ofegante.
Estava agora do outro lado da calçada de frente pra oficina.
Do lado de fora viu Silver conversando com Melissa.
O farol abriu e ela atravessou a rua indo pro outro lado da casa.
Bateu na porta forte duas vezes.
Nada.
Suspirou.
“Por favor...Por favor...
Essa coragem não vai voltar depois.”
Mais duas batidas.
Mais duas.
—Oi! – Silver abriu a porta e piscou duas vezes –Ju..Juvia?
—Oi. Eu preciso... posso falar com o Gray?
Silver sabia que ele não iria querer receber ninguém. Ele falou que não queria ninguém...
—Entra ai. – disse determinado.
Ela entrou e ficou na sala inquieta.
—Eu... vou chamar ele.
Era até melhor.
Um Gray no mundo da lua só fazia besteiras.
Ele já havia quebrado duas peças na oficina, escutado o telefone tocar e não atendido várias e várias vezes, brigado com todos...
—Gray... – Silver o chamou entrando no escritório percebendo que tocava uma música no ambiente que rapidamente chegou aos ouvidos de Juvia.
—Que?
(Say you'll never let me go
Say you'll never leave me here alone)
Diga que você nunca vai me deixar ir
Diga que você nunca vai me deixar aqui sozinho
(Calm the storm inside my heart)
Acalmar a tempestade dentro do meu coração
Ele estava sentado de frente pro computador fazendo quadrados na área de trabalho.
—Tem uma pessoa na sala.
—Não quero ver.
—Acho melhor você ir lá...
—Pai,eu disse...
—Gray. Só vá lá na sala ok?
Ele se levantou nervoso resmungando baixo. Abriu a porta da cozinha com toda a força que tinha e todo o nervosismo foi embora.
Suas mãos fraquejaram na maçaneta e um arrepio correu sua espinha o fazendo engolir seco.
(Say you'll never let me go
Say you'll never leave me here alone)
Diga que você nunca vai me deixar ir
Diga que você nunca vai me deixar aqui sozinho
—Oi. – Juvia parou de cantarolar a música – Eu, ouvi. Nós... – ela respirou — Pode me ouvir?
Sem resposta.
—É... — coçou a cabeça – Tudo bem se... – ela já pensava na possibilidade dele pedir pra ela ir embora.
—Tá. – ele respondeu e andou devagar pela cozinha.
Abriu a porta pela qual ela havia entrado e foi até o gramado se sentando na escada de madeira, pedindo pra ela se sentar também.
Juvia segurava a manga da blusa e sentou-se. Não tão perto... Infelizmente. Queria muito puxá-lo num abraço, pedir desculpas, chorar de novo.
—O que foi?
—Preciso te contar uma coisa. Não significa que nós vamos... – ela mordeu os lábios – voltar. Eu só quero que... Eu acho que você precisa saber e eu preciso contar...
—Okay... Eu sou todo ouvidos.
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