Calm The Storm
28 Atração
Notas iniciais
Levantei cedo naquele dia e fui direto pra academia depois do café da manhã. Pretendia não demorar tanto quanto os outros dias, precisava ir a casa do Gajeel tirar umas dúvidas de umas matérias e um pequeno reforço em história. Já tinha alguns anos que eu não frequentava escola ou se quer estudava. Agora, depois de ter colocado na cabeça que iria fazer a faculdade, um pequeno receio me tomou, já que eu teria que fazer um vestibular de coisas que faziam anos que não via.
Coloquei meus fones de ouvido e comecei minhas sessões, mesmos sem Erza. Ela chegaria daqui a pouco ali, se é que já não estava.
A academia já estava movimentada cedo. Era a semana da luta. Estava tudo sendo organizado, valendo alguns prêmios e etc. Por mais que ela me encorajasse a participar, nunca fora minha praia aprender a bater em alguém, mesmo quando fiz jiu-jitsu quando criança, preferia ficar na minha.
—Está fazendo um progresso rápido hein? – escutei pelo lado que estava sem fone Erza me elogiar dando dois tapinhas na minha barriga. – Apesar que todos os dias vindo aqui, em meses fariam logo diferença.
—Obrigado. – sorri
—Não que você precisasse disso... – ela fingiu uma tosse – Mas pra ocupar a cabeça imagino. — e eu fingi não perceber o que ela tinha dito.
—É... Por isso. – respondi ainda puxando o peso nos braços
—Tem falado com ela? Algum dia? Ou só anda feito um stalker pela escola.
—Não. – soltei o peso desistindo de me concentrar. – Faz uns três dias desde a última conversa. E não tenho ido na escola... pelo menos só uma vez no dia... – fiquei envergonhado e virei a cara pra porta.
—Pelo menos isso. E seu irmão?
—Está bem, muito bem por sinal. Ele tem estado muito feliz esses dias.... chega a ser estranho. – refleti – Disse que falou com a Juvia.
—O que?! – Erza se assustou e depois respirou fundo sentando do meu lado. – Bem... Falei com ela esses dias ela estava bem, então, talvez tenha sido tudo bem pra ela. Só vai saber se perguntar.
—É... – cocei a cabeça.
—Você voltou a comer mas parece que não dorme a dias. – ela pegou meu rosto e olhos as olheiras fundas – Meu Deus Gray, você tá horrível.
—Obrigado.
—Se toda aquela falta de apetite, insônia, irritação é por causa dela porquê não vai simplesmente lá?
—Porque ela quis assim, não se lembra? Ela disse que achava melhor ficarmos afastados por enquanto, então ela devia vir falar comigo quando quisesse.
—Então ela não quer. – Erza se levantou
—Não pode estar falando sério. – ri
—Ué, foi você que disse.
—Não está me ajudando.
—Desculpa. Eu realmente não ajudo em nada, a não ser deixando você vir aqui. – deu de ombros – Natsu me disse que você queria ocupar a cabeça, eu te dei o lugar – ela gesticulou mostrando academia – e Gajeel te ajuda a estudar. Não sou boa em conselhos, mas se você diz que foi ela que pediu isso... Sei lá, é óbvio não?
—Tá. Não precisa me lembrar que talvez ela não queira mais ficar comigo...
—Enfim. Se quiser, estamos fazendo uns amistosos pra passar o tempo entre as lutas...
—Já disse que não luto box. – peguei o peso de volta
—Não é pra lutar é só diversão.
Ela deu as costas e eu suspirei.
Depois de acabar minha sessão fui até o ring só pra olhar o pessoal. Estavam fazendo a maior farra.
Tinha quase certeza que aquele cara me era familiar mas, não fiquei olhando muito pra não parecer estranho. Já ia pro chuveiro quando escutei ela me chamar.
—Vai Gray só uma!
—Não.
—Desfaz essa cara amarrada. Vai se divertir.
—Não me divirto batendo em ninguém. – pensei de novo e corrigi — Melhor apanhando, já disse que não luto boxe.
—Só uma!
—Não. – já ia fechar a porta na cara dela quando ouvi uma proposta irrecusável.
—Se você for uma vez, chamo Juvia pra vir um dia aqui de manhã e vocês vão acabar se esbarrando. Sabe como é.
Cocei a cabeça e a minha barba já ficando grande.
—Sério?
—Digo pra ela assistir uma competição, é claro que ela vem.
Por mais que eu soubesse que Erza tinha feito toda aquela história de ela não quer te ver só pra me levar a essa chantagem... Eu tinha que admitir que acabaria cedendo.
—Droga.
Eu nem sabia o que fazer.
Fiquei de braços cruzados enquanto todo mundo gritava pra começar logo a luta, todos empolgados e eu querendo correr dali. Quando Erza trouxe meu adversário tive a sensação de que o destino conspirava contra mim – ou a favor, naquela hora.
—Ah eu conheço você! – ele exclamou me dando dois tapinhas com a luva no ombro -Você é aquele cara que fica na porta da escola não é?
—Não, você deve...
—É claro que é você. Te vejo sempre perto da Juvia. Olhando ela. – ele riu – Você é ex-namorado dela ou coisa assim?Faz o tipo psicótico?
—É... – coçei a cabeça
—Espero que não. – ele riu de novo – Não me leve a mal, mas desde que entrei na escola estou tentando pegar aquela garota então seria legal se você...
Dei um soco tão forte no queixo dele que o fez morder a língua. Por um minuto, comecei a rir do soco e já me posicionava pra dar outro quando o cara levantou e começou a me acertar sem parar.
Fazia o que conseguia me lembrar das aulas há anos atrás, mas nada adiantava.
Eu batia pela raiva, mas ainda conseguia machucar ele e me machucava mais.
As coisas começaram a ficar meio ilegais, e quando eu cuspi sangue Erza começou a pedir pra que parássemos, mas nenhum de nós obedeceu.
Estava acertando uns bons socos quando cai com ele em cima de mim, acertando todo o meu rosto. Percebi que alguns entraram no ring e começaram a nos separar.
Erza brigava comigo me xingando de todos os nomes possíveis enquanto eu só tentava acertar mais o cara e ele fazia o mesmo.
—Gray!!!
Meus braços travaram naquela hora quando um último chute me acertou e eu cai sentado.
Senti toda a multidão se dispersando depois de ouvir aquela voz. Esperava que não fosse a socia da academia pra nos expulsar dali. Mas ela não saberia meu nome...
Seja lá o que fosse, demonstrava respeito.
—Gray!!Solta ele seus idiotas!!
Vi um feixe de uma legging preta passar na minha frente e chutar meu adversário pra longe.
— Gray! – ela estava ajoelhada na minha frente ofegante e suada. – Gray...
Pisquei várias vezes achando que era algum tipo de alucinação.
O que ela estava fazendo ali?
—Gray... – ela balançou a mão na minha frente.
—Seus imbecis! – ouvi Erza gritar – Não sabem nem brigar amistosamente?!!Homens... – ela revirou os olhos.
—Juvia... – levantei minha mão pra coçar meus olhos mas ela me impediu.
—Não faça isso, está sangrando.
—Como... – olhei meio embaçado sua mão na minha – É você mesmo?
O par de olhos azuis e grandes me olharam e ela riu apertando minha mão.
Pelas histórias de erza, com certeza, era alguém que demostrava respeito.
—É claro que sou eu. Vem. – ela começou a me levantar – Vou pegar umas coisa pra fazer um curativo.
Fiquei em completo silêncio deixando ela me erguer e passar meu braço pelo seu ombro.
Logo saímos da bagunça e sentei na enfermaria. Nervoso. Mais tão nervoso que parecia que tremia por dentro.
Escutei ela pedindo pra ficar com a cabeça erguida enquanto a vi mexendo em algumas caixas dentro do armário.
Estava um pouco molhada da natação, algumas gotas do seu cabelo escorriam por ela, e pra dentro da sua roupa apertada. O cabelo não tinha o coque de sempre dessa vez, um presilha prendia a parte de cima dele,deixando o resto do comprimento solto. Bem mais scumprido do que eu tinha visto.
Normalmente pra acordar eu batia minha cabeça, ou me machucava mas pelo estado que estava se fizesse algo além disso seria pior. Me dei um leve beliscão apertando meus olhos com força e grunhi de dor.
É, realmente eu estava acordado.
—Falei pra ficar com a cabeça pra cima. – ela empurrou minha testa fazendo eu bater na parede.
—Ai...
—Por que estava brigando? — senti um algodão ser passado na minha sobrancelha e aquilo começou a arder.
—Por que está aqui? – apertei a mão. Aquilo realmente ardia!
—Ué. – ela piscou rindo – Será que é porque eu faço natação aqui? E malho as vezes.
—Erza disse que você só vem de noite.
—Tenho que sair hoje. – ela continuou limpando meu machucado – Perguntou a ela sobre mim? – vi ela sorrir de leve
—Hm talvez. – senti meu rosto ficar vermelho.
Droga mesmo.
Só ela pra me deixar assim.
—Não respondeu minha pergunta. – ela voltou a falar
—Erza queria que eu participasse, e acabou hm, saindo do controle.
—Ah claro. – ela riu – Estava com tanta raiva guardada assim? – fiz que sim – Sei. Me viu com ele não é na escola?
Engoli seco. Queria afundar minha cara num buraco.
Era melhor eu dizer a verdade de uma vez.
—Vi, mas não bati nele por isso.
—Que pena, devia ter batido mais. Ele é um idiota queria ajudar com a lição e eu cheia de boa vontade pra ajudar uma mentira. – ela revirou os olhos pegando o que parecia ser gaze e colocando acima do meu olho.
Continuei quieto encarrando a visão que eu tinha da cintura fina e dos seios dela na minha frente...
AH QUAL É?
Era melhor do que olhar pro rosto dela me encarando como se soubesse todos os pecados que tinha feito essa semana. E eu sabia que tinha feito mesmo...
Deixei que ela cuidasse dos meus ferimentos do rosto e das minhas mãos, e eu continuava a olhando e sentindo de leve o cheiro do perfume dela misturado com agua de piscina.
—Gray.
—Que? – olhei pra cima bem nos olhos dela, que desviou o olhar para baixo.
—É, acabei. Não fico tão bom, mas vai parar de sangrar pelo menos.
—Obrigado.
—Você – ela mexeu a boca provavelmente sem saber o que falar – acho melhor não dirigir.
—Não posso deixar meu carro aqui.
—Eu posso levar você. Se quiser.
Ergui umas das sobrancelhas, pelo jeito indiferente de dizer que iria me deixar em casa, mas sorri.
—Tá, tudo bem pra mim.
Pra minha felicidade, Juvia não dirigia tão bem, o que me rendeu boas risadas enquanto ela andava cinco minutos e o carro dava uma freada brusca.
—Desculpe...
—Tudo bem, — sorri – é legal.
—É legal ver que eu não sei dirigir?
—É legal ficar com você, mesmo que o carro morra duas vezes.
—Foi uma vez só. – ela me corrigiu, sem comentar sobre o que eu tinha falado de “gostar de ficar com ela”. Ela estava sendo muito indiferente em relação à nós e eu comecei a ficar receoso.
—Ok, desculpa. – sorri
—Tenho que voltar as aulas, mas minha mãe ainda não vai poder voltar a pagar e por enquanto não arranjei outro estágio, nem emprego.
—Posso te ensinar um pouco se quiser. – disse meio automático.
—Hm – ela riu – Seria divertido.
Mais dez minutos e chegamos em casa.
Eu a convidei pra entrar e pra minha surpresa ela aceitou. Lyon estava sentado na sala de pijama jogando vídeo game quando chegamos. Dei um leve pigarro.
—Ah oi, já voltou – ele dirigiu o olhar a mim e deu um pulo do sofá – JUVIA?!
—Oii – ela acenou sorrindo.
—Ah, oi... – senti ele meio perdido – Vou lá pra cima. – ele se levantou
—Ah eu vou tomar banho, você espera? — perguntei a ela.
—Tá sem problemas. Posso ficar jogando com o Lyon.
Ele parou no meio do caminho e se virou para nós. Ergui uma sobrancelha pra ele e fiz o olhar mais bravo que eu podia.
Fazia tanta força com aquele olhar tentando mandar a mensagem pra ele mentalmente de “não aceite.”
—Ah tudo bem pra mim. – ele concordou e eu o fuzilei mais ainda.
—Ok! – ela se sentou no sofá pegando o outro controle. – Só me diz mais ou menos o que fazer.
—Ah, qualquer coisa... Estou lá em cima... – fiquei dizendo enquanto os dois sentavam no sofá e Lyon começava a explicar o jogo pra ela.
Quis dizer “qualquer coisa grita” mas achei melhor não.
Narrador
Lyon tentava disfarçar, e sorte dele que funcionava, a tremedeira das mãos mesmo segurando o controle.
Como assim ela tinha aceitado tão facilmente ficar do lado dele?
Na verdade, ele devia ter seguido o olhar de Gray e falado que não iria, mas teimoso...
Juvia não sabia, mas ele estava do mesmo jeito que ela, que também estava nervosa, só não tremia e sim, sentia um pequeno aperto no seu coração.
Conforme as rodadas de jogo foram passando o nervosismo de ambos foi diminuindo, o que não precisou durar muito tempo já que no banho Gray fizera questão de ser o mais rápido possível só pra sair logo e não deixar ela sozinha tanto tempo com ele.
Quando desceu as escadas os dois estavam até mesmo rindo.
Lyon levantou do sofá quando percebeu que Gray descera e disse que ia voltar pro quarto porque iria sair com Meredy mais tarde. Óbvio que era pra deixá-los sozinhos.
Lyon saíra de vista, e Gray pensava em como conversar sem parecer que ele estava nervoso. Acabou que ele ofereceu alguns doces que tinha num potinho e Juvia se empolgou com a sequência do capitão América pedindo pra ele colocar pra assistir.
Não sabia o que falar, dera graças a Deus que ela se empolgara começando a falar do filme até entrarem num debate, já que ele tinha como preferido o capitão América e ela o Batman.
A noite caiu mais rápido do que Juvia esperava, e deitada no colo dele ela observou a hora percebendo que tinha que ir embora já que iria sair com Levy mais tarde.
Mas estar ali deitada em seu colo era tão bom, como antigamente... Ela queria ficar ali.
Levy provavelmente entenderia...
Não, ela não podia se entregar assim tão fácil.
Estava tentando se fazer de difícil se bem lembrava.
—Gray preciso ir. – ela se levantou sentando de frente pra ele – Levy vai ficar brava se eu me atrasar.
—Ah claro! – ele bateu na testa – Eu esqueci... Quer que eu te leve?
—Não, de verdade. Vou de ônibus pra casa dela.
—Tudo bem então.
Eles continuaram se olhando, ela sentada no sofá de pernas cruzadas e ele apoiado nos joelhos. Sentiu que ele se aproximava de pouquinho, mais e mais. Deixou que ele se aproximasse até quase estarem próximos o suficiente pra quase se beijar.
—Está tentando me beijar...? – ela sussurrou
—Estou...
Ela estava com vergonha por dentro, mas não queria mais se sentir assim. Queria deixa aquela timidez de lado. Se aproximou dele, encostando o nariz no dele quase juntando suas bocas e se levantou de repente.
—Preciso ir. Me leve até a porta?
—Mas...mas...
Juvia lhe deu uma piscadela e riu.
—Ok... – Gray coçou a cabeça sem graça e foi andando até a porta atrás dela.
Ela estava zuando com a sua cara, certeza.
Ele ria de si mesmo, sentindo seu rosto quente. Envergonhado... Claro por que só ela fazia isso.
—Juvia.
—Hm? – ela se virou
—Quer sair comigo?
—Hm... – ela sorriu
—An, é que esses dias passei em frente da sorveteria e lembrei de você.
—Estava na porta da faculdade não é?
—Estava... – ele corou fortemente e coçou a cabeça –
—Claro que quero. Sinto falta de ir lá... – ela sorriu – Vamos sim. Você me liga.
Uma afirmação.
Não uma pergunta.
Gray pigarreou, se ela o queria fazer se sentir não importante, desprezando um pouquinho que seja, e o deixar sem graça...
Estava conseguindo.
—Claro. Ligo.
—Tchau! – ela se virou descendo as escadas dando um tchau ao Silver e saindo pelo portão da oficina antes de fechar.
Juvia ficou parada no ponto do ônibus com um sorriso de orelha.
Se sentia tão boba de fazer aquilo com ele. Mas a suas reações eram impagáveis.
Não que ela quisesse humilhá-lo, longe disso.
Mas só queria por alguns dias, tentar deixá-lo sem graça e que ele não pensasse que seria fácil assim. Ela o queria, óbvio, e também que ele desse tudo de si por ela.
—MAAIS?!! – Levy praticamente gritou do lado de fora do quarto – Quer que ele demonstre mais?! Você é mesmo ruim.
—Não sou! – Juvia gritou de dentro do box onde tomava banho.
—Ele ficou sem comer, sem trabalhar, sem dormir, te perseguindo e você quer que ele sofra mais?!
—Não é isso! – ela gritou de novo e suspirou – Quer parar de jogar na minha cara que fiz ele passar por tudo isso! É só que...
—É só que você quer se sentir poderosa é?!
—Para Levy!
—Não sou a favor disso.
—Não estou fazendo ele sofrer, eu só quero que ele saiba que não vai simplesmente me dar um beijo e eu vou correndo pra ele! Mesmo que seja isso que eu queira...
—Se você quer então por que?
Juvia desligou o chuveiro e se enrolou na toalha, prendendo seu cabelo pra não pingar no chão do quarto.
—É só que cansei de pensarem que eu sou a garota tímida e chorona da história. Quero, quero que ele fique comigo de verdade, diga com todas as letras que quer ficar comigo e não como antes que nem sabíamos se namorávamos ou não. Eu quero ser levada a sério dessa vez, ele gosta de mim e eu gosto dele, mas...
—Tá entendi você só quer que ele peça pra namorar com você.
—É, pode ser...
—Hm só cuidado. – Levy deu uma risada um tanto esquisita – Só não esqueça que você está tentando ser a palhaça e ele é o dono circo. Não esqueça que ele já foi ruim um dia.
Os olhos se Juvia deram um leve saltada como se desse conta daquele detalhe só agora. Levy sorria vitoriosa.
—Ótimo! Agora se troca e vamos sair!
Era a inauguração de um bar rock bem no sul da cidade e a amiga não via a hora de conhecer o lugar. Além de tocar as suas músicas preferidas fazia tempo que as duas não saiam juntas apenas elas.
O espaço era fechado por fora com uma pequena porta de entrada. Dentro era espaçoso, as cadeiras de couro vermelha, bem iluminado, com alguns discos de bandas pendurados na parede e pôster e com pequena pista de dança. Era a primeira vez que Juvia entrava num bar rock e se encantou a primeira vista pela decoração do lugar.
Escolheram uma mesa próxima ao bar e se sentaram. Juvia percebeu todos os olhares masculinos pra Levy, o que foram muitos e passou a encarrar todo mundo.
—Gajeel sabe que está aqui?
—Sabe ué.
—Achei que... – ela coçou a cabeça. Será que falava aquilo?
—Que ele fosse ficar com ciúmes agora que estamos namorando? Não. Sabe que ele não é assim. Eu amo ele porque faria alguma coisa dessas?
Por que Levy sempre tinha que saber tudo o que ela pensava?!!
—N-n-não quis dizer que você o t-trairia, longe de mim! — Juvia já começava a se desculpar.
—Eu sei boba! – ela gargalhou – Estou só dizendo. Afinal por quem eu trocaria o Gajeel? Só o Brad Pitt. – ela brincou — Ou o Leonardo Di Caprio...
—O que seria bem impossível.
—Seria, pensando em pessoas normais, ninguém tem o cabelo que eu gosto só ele. Gosto do cabelo dele, e o cheiro dele é único também – Levy ficou avermelhada já percebendo que Juvia já iria tirar sarro dela, então foi rápida mudando usas feições pra tentar reverter a situação — E óbvio que, ninguém me deixaria mais excitada do que ele.
—LEVY!!! – corou engasgando com o refrigerante de limão. – Não preciso saber disso!
—Precisa!!Somos melhores amigas!
—Aaah deixa isso só com você!!!
—Nãão quero te contar tudo!!
—Tudo?!
—Tudo.
—Deus do céu...
Levy desatou a falar numa gargalhada quase chorando de rir, enquanto Juvia virava a cara olhando pras pessoas ao redor e sussurrando que não conhecia aquela doida.
Depois que o garçom trouxe uma bandeja com uma garrafa de vodca e outra de schweppes, Juvia percebeu que a ideia de Levy era beber tudo aquilo.
Mas era só hoje não é mesmo?
—Hoje não vamos falar de trabalhos, nem de faculdade ok? – Levy encheu o copo misturando as duas bebidas e entregou um a Juvia. – Nada, só vamos rir.
—Tabom. – a azulada concordou – E o que você quer tanto me falar?
—O que? — Levy ficou confusa
—Ué você não disse que ia falar do Gajeel o que era?
Claro que ela ia retomar o assunto. Precisa mesmo saber qualquer coisa sobre isso, afinal não sabia nada! E se um dia ela precisa, por acaso, fazer isso...com uma certa pessoa...
—Aaaaaaa então você quer mesmo saber!!!!
—Não! E-eu só achei que você estava mesmo querendo dizer algo... Nada a ver. – Juvia deu um gole no sua bebida percebendo que descia rasgando um pouco sua garganta.
—Obvio que estava! – Levy gargalhou – Eu nunca conto da minha intimidade, claro só pra você porque é minha melhor amiga e se quiser saber.
—Hm. – Juvia corou sem saber se ela por ser privilegiada ou por estar curiosa de saber.
—Hmm isso significa que você quer saber mesmo?
—N-n-não é que eu queria.... – desistiu de falar preferindo beber quase até a metade do copo – Só quero saber como funciona...
Levy segurou a risada até onde pode e não conseguiu. Começou outra crise de riso, sendo repreendida por uma Juvia cheia de raiva e vergonhosa.
—Idiota. — bufou
—É que é engraçado, desculpa. – Levy respirou fundo parando de rir — Olha Ju, não tem essa de como funciona, só vai amiga.
—Só vai. Só vai... Fácil pra você falar!
—É uma coisa sua. Você tem que se descobrir, saber do que gosta de fazer, não fazer o que não quer. É por isso que se chama “primeira vez” deeeerrrr
—Idiota. – Juvia riu
—Por que está pensando nisso?
—Porque eu quero.
—Hein?!!! – Levy se engasgou – Com quem? Quem é esse? Não permito que ninguém toque em você!
—É lógico que o Gray...
—A bebida ta subindo bem rápido pra você...
—Queria fazer isso com ele óbvio, quem mais seria.
Aquela verdade dita assim em voz alto pela primeira vez fez Juvia se sentir até melhor. Guardar aquilo pra si parecia ir apunhalando dia a dia. Ela tinha começado a ter esses pensamentos, só não queria contar a ninguém.
Mas confiava nela. Era Levy, claro que confiava.
—Revelações... – Levy tomou um gole – Vá com calma ai agora eu fiquei preocupada.
—Porque?
—Ah Ju, sei lá... –suspirou – Parece uma filha, a gente sabe que um dia vai acontecer mas tem medo. Eu só não quero que você se machuque de novo.
—É o Gray.
—Tem certeza?
—Como assim? Certeza?
—Sei lá, só pensei que...
—Se eu não ficar com ele, não vou querer outro, você diz?
—É, tipo isso...
—Oi meninas!
Juvia olhou por cima do copo um grupo de rapazes que se aproximaram delas. Eram três, e começaram a falar com Levy, sobre poder sentar com elas. Ela lançou um olhar de “tira eles cara daqui” que Levy já conhecia. Ela tentou disfarçar dizendo que estavam esperando alguém que se juntaria a elas daqui a pouco.
—Mas vocês estão aqui a um tempão. – um deles falou
—É, tem razão... – Levy coçou a cabeça e olhou pra Juvia – Nós... – ela ainda olhava pra Juvia buscando qualquer apoio.
—É... – Juvia não fazia ideia do que dizer – Nós vamos dançar! – ela se se levantou entornando todo o conteúdo do copo na garganta sentindo usa cabeça girar. – Vem Levy!
—Isso!
—Okay nós estaremos aqui perto quando voltarem. – o loiro alto sorridente se sentou onde elas estavam.
Juvia e Levy deram as mãos e foram pra o mais longe da pista possível.
Graças a deus tocava uma música dançante então a desculpa delas dera certo.
—Isso é Muse? – Levy se questionou ouvindo a música
—E agora?!
—E agora nada, nós ficaremos aqui e quando quisermos voltar, vamos pra lá. É só não dar conversa pra eles.
Juntas elas começaram a dançar no meio da pista com o aglomerado de pessoas em volta delas, todas se divertindo. Aquilo era uma boa sensação. Juvia logo esqueceu alguns dos caras se envolvendo na dança. Depois Levy a puxou pra tomarem e comerem alguma coisa.
—Que tal um shot de tequila pras garotas? – o barman sorriu
—Que bonito... – Levy sussurrou
—Sim... – Juvia concordou até que o coitado do barman ficou tão sem graça que virou o rosto rindo – Ah! Desculpa. E o que é tequila? – Levy riu e se virou para o barman.
—Uma bebida forte. Você quer experimentar?
—Quero.
—Acho melhor comer alguma coisa você está com o estômago vazio...
—Não, quero agora. – ela cutucou o barman — Nós vamos querer.
Alguns minutos depois ele veio com dois copinhos e sal e um limão para acompanhar. Juvia observou Levy abrir o sal e colocar na sua mão e pegar o limão, encorajando a fazer o mesmo. Juvia mesmo sem saber o fez e no três ela repetiu os movimentos de Levy de lamber o sal, beber a tequila e chupar o limão..
—Uhuuul! – Levy soltou empolgada – Faz anos que não faço isso, o que achou?
—Forte. – Juvia piscou duas vezes sentindo tudo ao seu redor girar... e girar.
—É gostoso até! –riu e observou a amiga um pouco tonta — Você está bem né? Quer ir embora?
—Não! – Juvia balançou a cabeça – Vamos ficar. Quero dançar mais! E quero outra dessa aqui por favor! – pediu ao barman
Aos poucos o lugar foi preenchido por alguns rocks bem mais dançantes e barulhentos e as duas se jogaram na pista. Juvia até mesmo dançou com uma garota que nem conhecia pra depois se perder de Levy no meio de todo mundo.
A sua cabeça girava um pouco, mas nada que ela não pudesse aguentar. Tinha virado umas duas vezes aquela tal de tequila.
Seu celular vibrou várias vezes no seu bolso e ela resolveu que era melhor ver o que era.
Uma mensagem do Gajeel perguntando como estavam as coisas. Uma da sua mãe fazendo a mesma pergunta de um jeito mais desesperador.
Por algum motivo, ela achou que umas delas pudesse ser o Gray, o que a deixou chateada quando viu que não era.
Ela se sentou no degrau de uma escada que provavelmente dava para área vip do lugar. Teria observado com mais clareza se ao menos pudesse erguer sua cabeça.
Cara isso é forte... Ela pensou se referindo as coisas que tomou. Olhou na sua mão, uma garrafa de cerveja? Como aquilo tinha parado ali?
Cadê a Levy...
Olhou um pouco ao redor mas tudo que via era alguns borrões coloridos se mexendo e dançando.
—Ei você não é a garota de antes?
—Que? – ela se virou pra voz vendo o loiro a encarrar.
—Ah com certeza é você. Não esqueci seu cabelo azul...
Um das mãos dele foi parar na sua nuca e ela sentiu sua espinha gelar naquela hora. A voz foi parar no seu ouvido.
—Cadê sua amiga? Um amigo meu queria ficar com ela...
—Eu não sei. Mas ela namora.
—Ah tudo bem – o loiro riu – ele não tem ciúmes. – ela sentiu ele se aproximar – E nem eu. Você namora também né?
—Não... – ela virou o rosto afastando ele — Vou procurar ela pra você. — Juvia ameaçou levantar e quase caiu no chão de tontura se não tivesse se apoiado no corrimão da escada e o loiro a tivesse amparado do outro lado.
—Acho que você está bem bêbada... Por que não vamos pra um lugar menos movimentado, vazio aqui está meio aglomerado.
—Não, vou esperar ela aqui.
—Ah deixa disso – a voz estava no seu ouvido de novo. – Vem comigo.
—Não. – ela se soltou dele com firmeza. – Por que não saia daqui?
Quando deu por si o cara lhe virara as costas e saira pela pista.
Ela soltou todo o ar de seus pulmões. Como alguns caras sabiam realmente como ser chatos.
Ao mesmo tempo confusa, estava feliz de não ter ficado com medo daquela situação.
Realmente as coisas estavam mudando.
—Acheei você! – Juvia ouviu a voz estridente do seu lado direito e se levantou na hora – Tava fazendo o que ai?
—Perdida.
—Vem, vou te levar pra fora.
Os pés de Juvia pareciam estar trocados quando ela tentou andar de novo. Os braços de Levy a abraçavam dos dois lados a dirigindo pra fora do local.
Juvia não sabia que caminho tomara, mas estava de repente pisando em asfalto. Uma garota ao seu lado vomitava sendo ajudada por outra garota e logo Juvia sentiu vontade de vomitar também.
—Ele mexeu com você?
Então Levy vira a cena.
—Não... Não ele não fez nada.
—Bom mesmo. – suspirou – Desculpe eu fiquei te procurando por todo canto como foi parar naquela escada?
—Só queria sentar um pouco.
Levy guiou Juvia até ela se sentar no chão sem cair direto e se sentou ao seu lado. Lá fora estava bem melhor, mais arejado e refrescante do que lá dentro.
Juvia se deitou na grama e mais uma vez sua cabeça girou tanto que ela achou que estivesse caindo.
—Acho que a tequila não te fez bem, devia ser muito forte e você bebeu mais que uma. Desculpe te deixar ruim.
—Sua besta, você não me deixou ruim. Eu bebi porque quis. Só estou tonta.
—Quer ir pra casa?
—Quero ficar deitada um pouco aqui. Acho que não consigo pegar ônibus assim. -Levy assentiu se deitando também – Que horas são?
—São... 1h30. – Levy disse sem graça
—Heeein?! Não tem mais ônibus Levy!
—É, esqueci desse detalhe. Desculpe de novo. Mas nós estamos perto do Natsu, quem sabe ele poderia nos levar de carro. Mas seria errado acordá-lo só pra buscar a gente. Gajeel tem moto! Ah não só cabe uma. Então podemos chamar um táxi.
—Ou podemos ficar até o amanhecer aqui. – Juvia apontou o céu – Está bem estrelado hoje.
—Ficar aqui não dá. Tem uma lanchonete que abre de madrugada, vende doces lá, já te ajudar a melhorar.
—Tá... me levanta.
Levy puxou os braços apoiando Juvia nos seus pequenos ombros e tentando não demonstrar que a amiga estava pesada. Ela já devia estar ficando com sono pois seu corpo parecia que ia cair se Levy a soltasse.
Tive que sentar ela de novo enquanto ia pagar a conta do balcão do bar.
Juvia mantinha a cabeça entre os joelhos e pegou o celular do bolso, tentando digitar o mais correto possível.
Tá não, tô bêbada, mas Levy cuidou de mim.
Mandou a Gajeel.
Está tudo bem mom.
Mandou a sua mãe.
O celular de repente começou a tocar constantemente, era uma ligação, de quem ela não sabia já que não enxergava tão bem o nome do contato. Provavelmente sua mensagem saíra toda errada também.
—Alô...
—Juvia?
—Quem?... – ela arregalou os olhos reconhecendo claramente a voz — Gray?!
—Eu mesmo. – ele riu — Você está bem?
Esta tudo bem horrível.
Uma grande ânsia de vômito, tontura, mas com certeza tinha passado agora.
—É... claro. – soluçou – E você? – ele riu do outro lado da linha
—Estou, mas fiquei preocupado agora. A sua mãe ligou pro meu pai e-
—E o que ela acha? Que eu tenho quantos anos?!!! – Juvia gritou e tapou a boca – Desculpe.
—Tudo bem, — Gray riu alto — ela só queria saber se você estava aqui ou onde estava, porque você disse que chegava meia noite e bem, são... 1h45 agora.
—Droga...
—Tive que dizer a ela que estava com você. Achei que ela fosse começar a chorar no telefone então... – ela percebeu a confusão na voz dele — Não sei se fiz bem, é só que ela parecia desesperada e-
—Obrigada Gray. Ela é mesmo. Obrigada por acalmá-la.
—Ah. De nada. – ele riu aliviado do outro lado da linha — É... Bem, mas... Onde você está?
—Eu? – Juvia olhou ao redor – Sentada numa almofada esperando a Levy.
—Ah. Na casa dela?
—Não, na balada rock que abriu aqui. – ela disse fazendo parecer que não tinha importância nenhuma.
—Ah... sei.
—Mas eu estou bem só bebi três tequila e um treco com refrigerante.
—Hm.
—Onde você está?
—Em casa.
—Jogando?
—É.
Por que de repente ele parecia nervoso?
Ela queria mesmo dizer “obrigada pela ajuda” e tchau.
Mas não conseguia fingir que não se importava.
Nem tinha um dia que tentava se fazer de difícil e já estava falhando.
Era...
Parecia impossível.
—Por que esta monossílaba?
—Eu? Não to não.
—Está sim. – ouviu ele respirar do outro lado – Bravo porque eu estou numa balada?
—Claro que não.
—Ta sim. – ela retrucou
—Estou só preocupado de você essa hora ai fora.
—Aqui fora na rua, numa balada rock, lotada, cheio de homens esquisito e bebida alcoólica?
—Me preocupe mais, agradeço.
—Mais? Hm. – ela começou a pensar — Eu estou bêbada e a Levy parece que sumiu de novo. Ah e estou de saia então acho que minha calcinha ta aparecendo. – do outro lado da linha Gray deu uma risada que confortou um pouco Juvia, ele parecia não estar mais tão bravo. – mas estou num lugar seguro.
—Ah então você está de saia? Nunca te vi de saia. É até o joelho?
—Hmm não. É bem mais curta que isso. – ela olhou pra suas pernas. Era mesmo.
—Fiquei com ciúmes, mas adoraria te ver de mini saia.
—Estou usando calcinhas também. – Gray riu alto de novo – Você também nunca as viu...
—Eu com certeza iria adorar ver.
Juvia sentiu suas maçãs do rosto se avermelharem.
—O que mais está vestindo? – ele pediu e Juvia sentiu um leve toque aveludado na sua voz como se estivesse sussurrando e aquilo lhe causou arrepios nas pernas.
—Hm, uma bota até o joelho, uma blusa de manga cumprida com um decote... E meu sutiã é preto de rendinha. – disse involuntariamente passando a mão pelos seus seios ouvindo ele rir – Acho que você iria gostar.
—Com certeza eu iria...
—E você?
—Eu?! – ele tossiu
—É, você está como?
—Hm, é... uma calça moletom e sem camisa.
—Gosto de você de calça moletom. – ela fechou os olhos se lembrando da última vez que o viu assim — Fiquei com calor de repente.
—Também fiquei... – ele suspirou – Acho que você me deixou excitado.
Juvia arregalou os olhos e mordeu os lábios pra não rir.
Ela não fazia ideia que podia fazer aquilo pelo telefone, muito menos deixar Gray assim. Sempre fora muito tímida e inexperiente pra pensar em como fazer isso. Mas não estava nem um pouco tímida agora, pelo contrário estava gostando de falar todas aquelas bobagens e ouvir a voz dele sussurrando com certeza, a deixava com calor.
—Deixei? – ela disse logo antes que ele pudesse pensar que falou algo que não devia.
—É, deixou.
—Se ficar com calor e suando é ficar assim, então eu também estou. – Gray riu do outro lado da linha e falou alguma coisa que ela não conseguiu entender. –
“Não faça isso comigo Juvia”
—Bem, ficar excitado é uma sensação de euforia e calor. E tesão.
—Estou suando agora. – ela sussurrou – Então isso que é tesão? Hm, finalmente entendi. E como você vai resolver isso agora?
Do outro lado da linha Gray sentia vontade de bater sua cabeça contra parede. Como iria responder!
Queria tanto poder ir até lá agora buscá-la da onde estivesse e fazer o que queria fazer agora. Estava adorando aquela situação ao mesmo tempo se torturando com ela.
—Eu gostaria de estar ai agora.
—E o que você faria? – ela voltou a perguntar
—Te beijaria. – disse “educadamente” — Muito. Em todos os lugares.
—Me diga um lugar. – ela mordeu a língua de curiosidade
—Seus seios, com certeza.
Juvia riu abafado com o rosto queimando de vergonha.
Como ela conseguia ficar daquele jeito
Toda quente.
Atraída.
Como se ele tivesse controle sobre ela.
—Eu quero isso.
—Isso é perigoso... — ele sussurrou, mas dessa vez ela escutou muito bem.
—Por que é perigoso?
—Ficar pensando em você assim... não é justo. – ela sorriu
—Não é justo pra mim também. – ela se deixou escapar.
—Ah é? – ele riu.
Precisava mudar de assunto.
Não queria entrar naquele assunto.
— Ainda não marcamos de sair
-Verdade...- ele suspirou -Você... Quer sair comigo na quarta?
—Sorveteria. – ela afirmou – Quarta... Eu estudo com a Kagura... Domingo seria legal...
—Domingo não abre – ele riu – Quando você pode?
—Amanhã.
—Amanhã você quer dizer, hoje?
—É.
—Okay, te pego as 14h.
—Me pega? – ela riu e depois entendeu que era na casa dela – Ah tá claro, é você me pega... em casa, pra gente sair isso, é óbvio...
Gray soltou uma risada alta e ela só pensava que queria afundar sua cara num buraco.
—As 14h.
—Nos falamos depois, achei a Levy. – ela disse de repente quando olhou pro lado vendo Levy andar até a sua direção apressada.
—O que?
—Sonhe comigo Gray. – ela desligou e estendeu a mão para a amiga a levantar.
—Estava falando com quem?
—Nada, era o Gray disse que minha mãe ligou pra ele só isso.
—Só isso...
—Só.
—Seu pescoço tá suado...
—É... -Juvia passou a mão secando ele — Tá quente aqui agora vamos.
—Chamei um táxi, vai dormir lá em casa.
Juvia ria de orelha a orelha e nem escutara o que Levy dissera, então a amiga só pegou o celular do seu bolso e guardou na sua bolsa e segurou a dela no outro ombro, com medo de Juvia perder a mesma.
As duas saíram finalmente do lugar, dobrando a esquina da avenida o táxi estava parado esperando. Elas entraram e enquanto Levy explicava o endereço, Juvia se aconchegou no banco encostando a cabeça na janela. Não tirava a conversa de agora pouco da sua cabeça. Sentia mais vontade ainda de ver ele depois de agora. Ele criava sensações totalmente diferentes nela, como sempre fizera, e ela sempre queria mais o que agora estava sendo difícil. Pensou no que Levy dissera antes na casa dela, sobre ela querer “brincar com situação” sendo que ele sempre fez isso.
—Talvez fosse divertido.
—O que Juvia?
—Nada... – ela fechou os olhos e deitou no colo da amiga adormecendo ali mesmo no banco do táxi.
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