Calm The Storm
23 Adrenalina - Part.2
Notas iniciais
Levy permaneceu dentro do banheiro o quanto pode.
Ela se sentia um lixo.
Estava só com sua parte debaixo com a cabeça encostada no vaso depois de passar mal. Sting segurava o envelope balançando de um lado pra outro.
—Vai desistir então?
—Não consigo fazer isso.
—São.Só.Fotos. – Sting disse pausadamente – Já falei posso tentar não parecer você.
—Não é por isso!Meu Deus Sting, eu tô tão bêbada, não acredito que estou aqui nesse quarto...
—Se está com algum problema em fazer isso com a Cheria, eu estou aqui também. – ele sorriu malicioso. – Por que não para de beber?Disse pra você se soltar não ficar vomitando pelos cantos.
Levy bebeu mais um copo de vodka o contrariando sentindo a cabeça girar.
Faria isso pela sua mãe, ela precisava de ajuda. Ela podia adiantar um pouco das dividas com esse dinheiro e ainda ajudar com o remédio. Pelo menos esse mês. Ou faria pra sempre?
Ela olhou uma ultima vez o envelope pardo na mão do Sting.
—Ok... Vamos continuar. – se levantou voltando pra cama onde Cheria e Yukino continuavam tirando fotos e fazendo coisas a mais...
Levy sentiu o estômago embrulhar por alguns minutos. Balançou a cabeça.
Parecia ter esquecido uma coisa tão importante.
Tirou mais algumas fotos, não sabia nem o que estava fazendo mais.
Agia num completo automático com vontade de chorar crescendo no seu peito a deixando agonizada.
—Sting... – soluçou – Quero sair daqui.
—Mas não foi isso que combinamos achei que iria querer...
—Foi sim. Me deixa sair.
—Ok... – ele abriu o pacote e tirou metade do dinheiro entregando na mão dela.
—O que está fazendo?!
—Dando sua parte? – disse como se fosse óbvio.
Levy contou o dinheiro. Realmente, estava certo.
Ela havia se engano achando que o dinheiro todo era pra ela. Aquela parte pagaria ao menos o convênio. O restante das contas sua mãe teria que pagar com o pagamento.
Ela percebeu que estava só com ele no quarto, as meninas não estavam mais ali. Levy vestiu a parte de cima da sua roupa, estava tão tonta, com tanta dor de cabeça que seu corpo não a respondia como deveria.
Não estava acreditando que tirou aquelas fotos, fez todas aqueles amassos com as meninas — e até com ele — usou droga, pra ganhar aquilo? Finalmente, caíra a ficha de que até droga ela tinha consumido.
Sting estava concentrado no notebook passando seus arquivos pro aparelho em seu colo.
—Meu Deus o que eu fiz... – choramingou – O que foi isso que você me deu?
—Maconha. – Sting disse normalmente – Deve estar passando o efeito – ele riu – Aposto que está arrependida.
—Não me lembro... Não me lembro direito do que eu fiz.
—Bem você bebeu bastante, usou droga e se soltou. – ele riu de novo – Diria que até demais.
—Do que está falando?
Ele virou o notebook na direção de Levy e foi apertando as teclas de passar.
Os olhos dela se arregalaram vendo o quanto ela ficou... Ficou diferente. Era com se não fosse ela.
E ainda mais quando Sting deu play num vídeo onde ele e Levy se beijavam como dois amantes totalmente apaixonados passando a mão pelo seu corpo.
Seu corpo!
Quando sua mãe viesse perguntar como ela conseguira aquele dinheiro... O que ela iria falar?!
Estava mai do que arrependida.
Queria voltar no tempo e n ão ter nem vindo pra aquele lugar.
—Apaga.
—Devolva meu dinheiro.
—Eu... eu beijei você?! – ela quase gritou
—Nem vem com essa Levy-chan, olhe bem você está até sorrindo... em todas as fotos por sinal.
—Essa não sou eu.
—Tem razão talvez seja a pessoa que você realmente é. Só mais uma atrás de dinheiro.
—É por uma boa causa!
—Que seja Levy, do que adianta se culpar agora? – ele riu sarcástico – Volta pra sua festa ou vai pra casa já dei o que você quer.
—Eu não sou assim... – ela repetia pra si mesma várias e várias vezes.
—Tá,tá eu não vou falar pra ninguém tabom? Aliás... – Sting gargalhou – Por acaso Gajeel frequenta esse site?
—O que?Como eu vou saber?!
—Acho que ele não está na lista dos membros, não sei... – o loiro rolava a página procurando o nome — Imagina a cara dele ao ver você tão pura e ingênua como você é com ele, fazendo isso.
Levy por pura raiva e impulso acertou um tapa na cara de Sting.
—Você não entende merda nenhuma Sting! – gritou começando a terminar de se vestir.
O loiro colocou o notebook na mesa pegando Levy pelo braço e sem que ela pudesse pensar em se defender revidou o tapa duas vezes mais forte fazendo a cair.
—Entendo que você ficou com essa bunda sentada sem fazer nada pela sua mãe e ai aparece eu com uma proposta imunda dessas e você aceita!Eu te obriguei em algum momento?Não. Por dentro você é podre Levy e sabe disso. É igual a elas... Cheria, Yukino, Hisui, não tem nada na vida, só pensam em vocês mesmas, em dinheiro, homens, sexo e chegam em casa morrendo de chorar por se sentirem sozinhas e um lixo. Elas eram como você, ingênuas, achando que estavam fazendo um bem maior, “nós precisamos de dinheiro por isso e aquilo” – ele imitou uma voz chorosa e depois gargalhou — Eram só sementes e você é uma. Só está começando. Sei que você vai vir atrás de mim pra fazer tudo de novo.
—Não! – ela gritou começando a chorar desesperadamente.
Sting juntou suas coisas numa bolsa própria pra carregar notebook e saiu do quarto fechando a porta.
Levy chorava feito um bebê, deixando esvair toda a dor de seu corpo.
Nunca se sentira tão humilhada, tão inútil, tão suja...
Ela nem podia dizer que obrigaram ela. Fez tudo por que quis...
Por que estava desesperada o suficiente por qualquer emprego.
Por que esta desesperada o suficiente por qualquer coisa que deixasse sua mãe com ela.
Não conseguia nada, nem ao menos uma faxineira, não sabia limpar perfeitamente o quanto que os patrões exigiam. Via a mãe chegar todo dia com dor, cansada, mas sempre sorridente trazendo consigo sempre algum mimo que a filha gostasse. Livros principalmente.
Levy abraçou os joelhos.
Mesmo doente sua mãe nunca se rebaixou a tanto. Ela trabalhava como garçonete, limpava casas depois do expediente, e sempre fazia algum bico mesmo na sua folga.
Quando médico lhe recomendou um repouso absoluto, mesmo assim...
Levy seria sua maior decepção.
Mesmo que ela dissesse que fosse por isso, ela nunca aceitaria.
Mas ela nunca aceitaria ficar sem sua mãe por causa de uma maldita doença.
Gajeel...
Pensou no moreno por um tempo.
Ele também tinha seus problemas, Lica tinha problemas com o pai dele que aparecia pedindo dinheiro, a ameaçava.
Ela vivia fazendo plantão nos hospitais. Chegava sempre cansada, mas as contas estavam em dia.
Ainda sim Levy se lembrava das vezes que Gajeel ajudava alguns “amigos” da favela próxima em troca de algum dinheiro fácil. Enchia a mãe de presentes que ela nem sabia de onde vinha, ajudava Rogue a pagar a faculdade que ele mentia dizendo ser apenas vinte e cinco por cento da mensalidade que ele tinha que pagar, quando era a metade, fora algumas outras despesas com o computador.
Às vezes dava dinheiro pro pai não encher o saco. Oferecia a Levy que sempre disse estar tudo bem,sem precisar de nada.
Ele a odiaria.
Já imaginava o sermão de como ela tinha se deixado levar por isso, como ela teve coragem. Por que não falou com ele, ele arrangaria mais dinheiro pra ela.
Deitou o corpo no chão frio ainda chorando, mais e mais...
Um dia isso vai acabar.
Dizia isso a si mesma todas as noites.
Estava começando a perder a fé naquelas poucas palavras.
~~
Eu não devia estar aqui...
Não mesmo.
O quarto estava escuro, iluminado pela luz fraca da lua. Estava sozinha.
Começou a achar que era algum tipo de pegadinha... Talvez.
Lyon não estava ali quando ela chegou.
Ficava inquieta de ficar ali sozinha, queria sair ir embora da festa e voltar pra sua casa.
Voltar pra ele talvez.
Estava tonta, tonta mesmo. Tinha a sensação de querer vomitar. Havia bebido tanto esperando Lyon, achando que a bebida diminuiria seu nervosismo.
Estou bêbada...
Agora que ele não ia querer mesmo. Beijar alguém com a boca cheia de álcool? Será?
Juvia riu sozinha.
Nunca se imaginou naquela situação.
A porta abriu deixando a imóvel no chão da varanda. Escutou o barulho da porta se trancando, alguns risinhos do lado de fora...
Pode ouvir direitinho a voz de uma garota dizendo : “Natsu tranca eles ai pra ninguém atrapalhar..."
Sentiu a pele se avermelhar. Não faria aquilo nem em pensamento, assim de repente!
Engoliu seco quando Lyon sentou do lado dela.
—Fica tão linda a lua desse jeito não é?
—É, fica. – tentou agir normalmente
Os dois ficaram em silêncio sentados ali.
Juvia largou o copo no canto e olhou ele de rabo de olho.
Estava tão lindo, como sempre...
Dessa vez usava uma camiseta cinza social e gravata. Devia ter saído direto da formatura pensou. A maioria das meninas lá embaixo estavam com vestidos de festa.
Pensou em qualquer coisa pra puxar assunto quando se lembrou dele dizer que teria um amigo a apresentar.
Seria Natsu?
—E então... – ela começou
—Hisui foi falar com você não é? – ele sentou um pouco mais perto — Sinto muito eu sou muito horrível nessas coisas...
Lyon atuava tão bem...
—Digo, é ir até você e pedir, an – coçou a nuca — pra ficar com você.
—Ah! – ela sentiu seu rosto esquentar.
Talvez ele não fosse tão idiota assim
—É, tudo bem...
—Mas acho que nós devemos fazer isso certo não é então... – ele bebeu um gole do copo dela — Do que você gosta de fazer, ou pra onde gosta de sair?
Juvia resumiu algumas coisa que gostava de fazer tentando não revelar seus gostos que obviamente pra ele seriam considerado estranhos como gostar de química,estudar e etc.
Não sabe quanto tempo ficou ali, mas conversou bastante com ele sobre vários assuntos. A conversa era regada a muita vodka o que começou a lhe fazer mal. Percebeu tarde demais que o que bebia era vodka pura.
—Por isso está tão ruim...
—O que disse?
—A vodka... – disse com a voz um pouco embriada – Forte. – deu risada do nada – Acho que estou um pouco bêbada, ou toda bêbada...
—Verdade acho que está... – Lyon colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha segurando seu rosto com a mãe direita – Seu sorriso é lindo sabia?
Juvia sorriu mas ainda se sentindo tonta e envergonhada.
—Não... é, não é...
—Tabom acho que depois desse sorriso eu vou ter que te beijar mesmo...
Ela arregalou os olhos vendo ele segurar sua nuca e lhe dar um beijo.
O coração só faltava saltar pela boca. Sentia seu corpo suar frio, o estômago embrulhar e gelar.
Tentou não ficar nervosa retribuindo o beijo no mesmo ritmo.
Nem conseguia imaginar que ela estava realmente fazendo isso. Tendo esse momento que ela sonhara e fantasiava o ano todo.
O beijo estava urgente e intenso, mas na sua cabeça só passava o quanto ela estava feliz de estar ali.
Nem se deu conta de como as coisas estavam caminhando. Sua mente só voltara a funcionar com juízo quando sentiu as mãos geladas dele apertarem sua bunda por dentro da calça.
Lyon colocou as mãos delas em seus botões e instintivamente ela começou a desabotoa-los parando de repente.
—Ah Lyon... – ela o empurrou tocando em seu peito nu.
—Não precisa ficar nervosa.
—Acho que não posso fazer isso. – ela dizia mas suas ações não correspondiam nenhum um pouco com o que falava. Afagava o tórax do garoto enquanto dizia que não podia fazer aquilo.
—Por que não?
Ela nunca pensou numa maneira de perder a virgindade, mas também não podia deixar de admitir que se pegava fantasiando as vezes que fosse com ele. Só não bêbada.
Não numa casa estranha.
Com gente estranha.
Podendo entrar naquele quarto estranho a qualquer hora.
Mas porque era difícil dizer não?
Via tudo que sempre quis parado aqui na sua frente. E dai que seria uma noite?!
Sua boca chegava a salivar...
—Não. – ela se sentou puxando sua própria blusa que nem percebera que tinha sido tirada de seu corpo — Não Lyon... – colocou um das mãos no seu tórax impedindo de se aproximar enquanto a outra segurava a blusa de manga cumprida. Estava tão quente e era bonito assim – Não, não mesmo! – retirou sua mão — Sério, eu... me deixa sair.
—Não, não deixo. – ele riu
—Não dê risada. Eu realmente, não posso fazer isso.
—Não me disse por que ainda.
—Porque não! — Juvia levou as mãos ao rosto.
—Você está tremendo. – ele se aproximou pegando suas mãos.
—Estou nervosa.
—Por que?
—Porque não quero ficar no quarto escuro, pelada com um estranho.
—Você nem está pelada. Ainda.
Lyon puxou a pelo cós da sua calça descendo a mesma até os joelhos,voltando a beijá-la com fervor fazendo sua cabeça perder qualquer senso de raciocínio...
Ou não.
Não era mesmo desse jeito que ela queria.
Que fosse com outra pessoa então. Não ligava pra isso.
Nunca se sentiu como algumas amigas da Levy que pareciam estar doidas pra perderem a virgindade como se fosse uma competição de quem perdia primeiro.
Podiam caçoar dela, que se dane.
Ela fantasiava o momento perfeito, com alguém que realmente a quisesse, que realmente gostasse dela. E não só a quisesse por alguns minutos.
Juvia encerou o beijo rodopiando pelo quarto.
—Cadê...
—O que?
—Minha blusa, a outra... – disse percebendo que segurava uma. Pegou sua calça do chão e sentou-se na cama tentando vesti-la.
—Você está muito nervosa Juvia, não precisa se preocupar, não vou te machucar.
—Não vai mesmo porque nós não vamos fazer isso.
—Você está com medo?
—Não é isso! Ai meu Deus – quase gritou sentindo tudo o seu redor girar,tinha impressão de que ia cair a qualquer momento – Cadê a Levy? – fez menção de se virar e abrir a porta quando ele segurou seu pulso.
—Achei que gostasse de mim.
—Eu gosto. – engoliu seco — Mas eu não quero fazer isso Lyon. Sério, não quero... não quero fazer sexo com você assim, isso é importante...
—Ah é você é virgem... – ele falou como se aquilo fosse um empecilho.
—Sou. – disse ficando nervosa com o tom que ele usara — Agora por favor me deixa sair.
—Você... – ele ainda a segurando olhou no fundo dos seus olhos...
Não qualquer olho... Aqueles olhos. O olho que eu sempre quis que tivesse a expressão de medo um dia.
Lindos olhos azuis enomes.
Lyon ficou diferente. Juvia percebeu pelo seu olhar. Ficara fechado, sério, sem emoção.
Como se não fosse ele.
—Tá com medo de mim Juvia?
—Não!! — ela o empurrou escondendo sua nudez — Eu só quero sair!
—Fica mais bonita assim com essa cara chorona e medrosa...
—Está realmente me assustando agora.
—Você não vai sair.
—Que?!
O que aconteceu depois foi tão repentino que ela mal pode pensar.
Num segundo eles estavam deitados novamente e ela pode perceber que agora ele estava sem roupa.
Totalmente.
Ela começou a ficar assustada, tentando levantar, empurrá-lo, qualquer coisa pra sair dali..
Lyon sussurrou retidas vezes que ela queria aquilo tanto quanto ele e só estava sendo manhosa. Que beberia mais e logo mudaria de ideia.
Mas não era.
Agora ainda mais.
Ela queria parar, queria sair dali, procurar Levy e Gajeel e ir embora.
Mesmo que ele a beijasse ou lhe fizesse qualquer afeto, o seu nervosismo só aumentava.
Não era pra ser assim. Ao menos ela não queria que fosse.
E dai que ela gostava dele , ela não queria fazer isso!!
Estava se sentindo forçada, como se...
Como se...
—Sobrinha posso entrar?
—Já saio.
—Estou realmente apertado.
Juvia bufou saindo do box do banheiro e abrindo a porta do banheiro.
Ela quase voltou no seu rosto com toda a força que John tinha colocado ao abrir a porta.
Juvia sentiu as mãos dele irem diretamente pra suas nádegas e soltou um grito assustada quando sua mão tocou-lhe bem no seu íntimo lugar.
Bicks gritou do outro cômodo se Juvia estava bem, já que escutara um grito. Ele saiu rapidamente do banheiro assim que Bicks apareceu.
—O que esta fazendo com a porta aberta? – dirigiu a pergunta a irmã,mas quem respondeu foi ele.
—Acredita, ela esqeuceu de trancar, acho que não ouvi o chuveiro.. Que susto foi esse menina ?– John riu alto – Só vim pegar uns contonetes.
Juvia fechou a porta assim que Bicks saiu sentindo os olhos encherem de lágrimas.
—Qual é Juvia? – a voz de Lyon sussurrou no seu ouvido, mas não lhe causou arrepios ou qualquer sensação prazerosa como, talvez, devesse ser. Pelo contrário, um total desconforto lhe tomou e até um pouco de medo.
—Para... – a voz saiu rasgada, suplicante. – Para agora Lyon...
—Você agüenta mais um pouco vai...
Apertou com força o lençol abaixo de si sentindo aquilo lhe rasgar e abrir empurrando onde não tinha espaço.
Só desejava que aquilo acabasse, parasse.
Era horrível.
Como as pessoas podiam achar aquilo bom?
Percebeu que seu corpo estava sendo segurado, os pulsos a cima da sua cabeça, de um jeito dominador, forçado.
Algumas lágrimas rolaram pelo seu rosto sem ela nem perceber.
Aquela dor aguda e constante só aumentando.
Que merda ela tinha se metido?
Tentou uma última vez pedir pra ele parasse, que aquilo não estava nenhum um pouco bom, mas foi como se falasse com as paredes.
Chorava de dor.
Arrependimento.
Raiva.
Chorava por não poder voltar no tempo e ter escutado Rogue quando lhe pediu carinhosamente que ficasse em casa.
~~
O coque de Gajeel começou a se desfazer conforme Hisui entrelaçava seus dedos neles beijando-o ferozmente.
Ele caiu sentado na poltrona com ela em seu colo mordendo lhe o pescoço e distribuindo chupões por toda sua extensão.
Gajeel estava em todo êxtase, sentindo-se com o ego todo inflado com o modo que ela o beijava e dizia que queria logo chegar nas melhores partes.
Porém, se tinha uma única coisa que seu pai lhe havia ensinado, que prestava era “Não seja troxa Gajeel. Sempre disconfie de tudo e todos”.
Obviamente que ele parecia nascer com o sexto sentido que Lica dizia que a mãe de Juvia tinha. Pois ele sempre sabia em quem realmente confiar.
Fingia tão bem prestar total atenção em Hisui, mas também atento aos movimentos secundários dela. Percebeu na hora as mãos dela entrando e saindo do seu bolso com a sua carteira.
Vagabunda...
Por que estava fazendo isso?
Aquela noite estava ficando cada vez mais esquisita.
—Hisui... – chamou.
—Hm? – ela respondeu com o rosto ainda no seu pescoço.
—Er... Onde está a Juvia você a viu?
—Por que está tão preocupado com a sua irmazinha justo agora... – mordiscou sua orelha fazendo o moreno se arrepiar.
—Justamente por ela ser minha irmã. – disse com convicção. Hisui suspirou ficando de frente pra ele.
—Ela estava ficando com o Lyon quando a vi. Estão se divertindo. Devia seguir o exemplo deles. — eio mais uma vez na direção de seus lábios.
—E Levy? – ele a impediu de lhe beijar.
—Te traindo com o Sting.
—Traindo?Não, nós não temos nada. – disse com pesar.
—Então ela só esta com o Sting, mas alguma pergunta?
—Estou pensando... – sorriu o mais carinhoso e convincente possível.
Hisui passou a mão por dentro da calça de Gajeel. Fazendo-o se obrigar a pensar em qualquer coisa pra não perder o foco que era conseguir sua carteira e dar o fora dali.
O sexto sentindo gritando pra ele saísse e fosse atrás delas.
Pôneis cor rosa Gajeel...
Gilo, você odeia giló...
Giló é verde,igual a Hisui!
—Você é um bastante avantajado pra quem tem dezessete aninhos sabia?Por que não pergunta se eu posso te chupar?
—Preciso pegar minha camisinha... na carteira. – a afastou delicadamente usando a desculpa para olhar a carteira.
Hisui arregalou os olhos como se visse um fantasma.
Gajeel foi colocando a mão lentamente no bolso enquanto via o olhar dela fixamente pra ali.
—Estranho. – ele se segurou pra não sorrir – Não está aqui...
—Você p-perdeu? – ela gaguejou
—Não ela estava aqui tenho certeza.
—Procuramos depois, não se preocupe. – ela riu nervosa — Eu tomo remédio.
—Não.
—Não seja cafona seu certinho, não tenho doenças.
Gajeel a impediu de se aproximar mais uma vez.
Enfiou a mão por dentro do monte de cabelos, pegando pela nuca acariciando os fios esverdeados, e quando ela tombou a cabeça pro lado com os olhos fechados de deleite, ele os puxou com toda força jogando a contra o sofá.
—Por que roubou minha carteira Hisui?
—Está me machucando. – ela segurou seus braços.
Tentou ser o homem malvado, mas seu interior não deixava. Afroxou o aperto, mas sem perder a pose de marrento.
—Responda.
—Acha que eu sou o que?Eu não pe-
—Uma puta. – ela abriu a boca indignada — Se quisesse que eu te pagasse era só pedir garota. – a soltou por completo – Devolve.
—Mas eu...
—De-vol-ve.
Ele estendeu a mão pra ela sentada no chão, encostada no sofá, agora com as madeixas todas bagunçadas, ele queria até rir disso.
Hisui não conseguia pensar em nada, não podia deixá-lo sair dali. Ele iria procurar as outras duas e estragaria tudo!
Tirou a carteira de dentro da calça e devolveu a ele.
Gajeel a abriu e contou o dinheiro que estava ali, colocando a devolta na calça, encarrando a garota de propósito.
—Você me broxou sabia?- zombou dela amarrando os cabelos caídos que estavam até o ombro em um novo coque.
Deu as costas pra sair quando ela se levantou tão rápido passando na sua frente, ficando na frente da porta.
—Não.
—Por que não quer que eu saia? – perguntou ainda “paciente”.
Gajeel só estranhava mais o comportamento dela.
Sentia aquela mesma sensação da vez que deixou Juvia no portão de casa e ela não queria entrar...
Uma agonia, um peso no coração.
—Não é isso... – olhou pra todos os lados do quarto até fixar os olhos num vaso com flores de plástico sem água ao seu lado. — Eu faço qualquer coisa!Fica aqui comigo.
—Apaixonou de repente?
—É só... – ela mordeu os lábios. Não tinha mais desculpas. A não ser bancar a louca apaixonada.
—Sai da frente da porta Hisui.
—Para de estragar tudo!
—Está tramando alguma coisa. Voces três...
—Não, óbvio que não!Está estragando minha noite!
—Quem roubou a carteira foi você e eu que estou acabando com a noite!
Gajeel já estava ficando farto daquilo.
Revirou os olhos ouvindo Hisui começar um discurso de donzela apaixonada. Não acreditava que estava passando por isso.
Bem que Natsu dizia que ela era doida.
Natsu...
O rosado veio de repente a sua mente. Uma conversa importante que tiveram.
Por que isso agora? pensou
Lembrou-se quando Sting veio lhe perguntar quanto ele cobraria pra apavorar num cara.
—Por que está perguntando isso?
—Fiquei sabendo por más línguas que você faz uns trabalhinhos... – Sting não teve tempo de continuar a frase sendo agarrado pelo colarinho da blusa – Calma ae Gajeel.
—Que trabalho?
—Você sabe... “O segurança” Cobrador... Sei lá, como chama isso que você faz?
—Nada. – ele o soltou – Como soube?
—Não importa, só queria saber se pode cobrar uma pessoa pra mim. É um dos alunos daqui, ele me deve duzentas pratas... – Sting fez que não com a cabeça – Já tentei ser gentil... Fiquei sabendo que tem métodos bem peculiares. Sabe como é?Sou apenas um playboy, filhinho de papai, essas mãos nem acertam um soco. Já você... – Sting bateu nas costas do moreno – sua mãe sabe disso?
—Não fala da minha mãe Sting.
—Só perguntei – ele tirou as mãos – Enfim, a delinquencia corre por suas veias caro “Redfox” . – ele usou as áspas e Gajeel agora entendia onde ele tinha descobrido sobre seu trabalho — Só cobre ele tabom?
Sting apertou sua mãos lhe passando uma nota de cinquenta no aperto e saiu de vista com Yukino do lado.
O moreno olhou o garoto que ele dissera. Era um dos jogadores da escola. Um aluno normal aos olhos dele se não, por aquele cabelo exótico.
Respirou fundo.
Os jogadores saiam da quadra e o garoto apanhava as chuteiras colocando-as por cima do ombro com a bola debaixo braço.
—Essa bola é sua?- Gajeel questinou.
—É... – o garoto olhou – Por que?
Parecia uma criança minha nossa.
Um bebê de cabelos rosas.
—Garotinho, é... –Gajeel nem sabia como começar. Aquela pessoa tinha quanos anos doze?!! — Você deve uma coisa, a alguém.
Tentou uma abordagem mais calma.
—E você é o que um cobrador? – o garoto riu
—Pode ser.
—Hm. Legal.
O rosado começou a andar novamente.
Gajeel suspirou pegando seu canivete do bolso dando a volta na mureta.
Agarrou o rosado pela gola de trás da blusa empurrando o em direção ao chão.
Assim que o garoto caiu pegou a bola de futebol prensando contra seu peito fincando o canivete na mesma escutando a murchar.
—Seu...Seu!
—Posso furar outras bolas se quiser.
—Não!Eu – o rosado ficou desesperado – Tá, tá eu vou pagar meu Deus do céu.
Pra surpresa do moreno, ele tirou duas notas de cem do bolso e o entregou tremendo.
—Eu só estava chantagiando ele...
—Por que devia pra ele?
Gajeel não podia deixar de admitir que tinha ficado curioso sobre aquilo. Sting era um cara estranho e seu nome vivia na boca dos mesmo traficantes que ele ajudava, alguma coisa tinha.
—Não posso falar.
—É melhor falar.
—Não, eu não...
A lâmina do canivete passou raspando na clavícula do rosado abrindo um daqueles cortes finos que não são tão graves mas deixam a pele irritada.
—Seu louco!
—Fala de uma vez cabeça de fósforo.
—Fósforo?!
—Seu cabelo... – Gajeel lhe fez um carinho sarcástico — Gosta dele?
—S-sim... Não por favor!! – já pedia quando Gajeel o colocou no chão puxando uma das madeixas pra cortar – Tá espera!Espera!
Ficou sentado como se fosse normal em cima da barriga do rosado enquanto o mesmo tentava acalmar a respiração.
—Tabom!Ok... Olha, ele tem um site que vende coisas é isso.
—Que coisas...
—Por que está tão curioso?!O que vai ganhar com isso?!Me deixa ir...
—Só quero saber. Quero conhecer meu cliente... – ele deu de ombros — Sabe como é um dia ele pode estar no seu lugar.
—Embaixo de você e no meio das suas pernas?
—Olha aqui engraçadinho... – mais um puxão no cabelo
—Ok!Ok! Espera, ele vende... pornografia. É isso é um site, um grupo... Ele é o criador do site.
—E?
—E... Ele cobra pra vermos as coisas, as pornografias, as garotas...
—E?
—E o que?!
—Então você um punheteiro de merda?
—Não! — o menino ficou da cor do seu cabelo – Eu... Pedi dinheiro emprestado, e não devolvi. Agora ele está desesperado por que precisa pagar uma garota antes que...
—Continua.
—Antes que ela conte pra alguém.
—Como você está contando?
—É...
—E o que acontece?Ele te mata?
—Talvez, dizem que ele tem umas más companhias,sei lá se é verdade – Natsu engoliu seco — Ninguém quer arriscar não é mesmo?Ele é rico pode se safar do que quiser.
—Se ele é rico por que tem o site?
—Doença, loucura, hobby...Chame do que quiser.
—Tem mais algo que eu deva saber?
—As garotas são sempre da escola, eles fazem votações pra isso.
Gajeel se lembrou vagamente de algumas votações entre seus amigos mas nunca pode saber do que se tratava.
—Que requisitos?
—Sei lá, só seja mulher.
—Expecifique rosinha,você é inteligente vamos.
—Eu não sei!Eu não frequento o site, só ajudo com as garotas, faço os esquemas...
—Vou te perguntar algo estranho. E você não vai abrir o bico pra ninguém sobre essa pergunta.
—Por que eu faria isso?
—Porque eu sou a pior má companhia que aquele viado pode ter então. – apertou o pescoço do rosada que fez que sim com a cabeça — Conhece Levy Mcgarden?Sabe? – ele fez que sim – Ótimo, e a Juvia então?Elas andam juntas – outro sim – A probalidade delas cairem nisso?
—Grande. Eles gostam de garotas reservadas... – Gajeel soltou seu pescoço — Mas por que?Quer que elas participem?
—Obvio que não seu burro. Só quero... – respirou fundo — Vai me fazer um favor rosinha.
—Por que eu faria?! –Natsu questionou de novo.
Qual é esse garoto queria morrer ou o que?
—Porque eu tenho um canivete e você, acredito eu, tem bolas, sabe como é?- Gajeel girou o canivete nos dedos — Vai deixar as duas longe dessas votações.
—Mas...
—Se vira.
—Tabom.
Gajeel se ergueu e estendeu a mão pro garoto que o olhou espantado.
—Como é seu nome?
—N-Natsu Dragneel.
Filhos da puta...
Rezou pra que acontece tudo mesmo aquilo.
Elas estariam fazendo por querer?
Nunca!
Não, ela nunca fariam isso.
Ainda mais Juvia...
Levy?
Ficara realmente com um pé atrás quando a vira saindo com Sting, se não era isso ela estava mesmo transando com ele a essas horas.
Odiava se apaixonar. Sentiu o peso da tristeza no coração, de ser trocado.
—Hisui.
—Não – ela empurrou seu tórax com força.
Gajeel forçou seu peso e ela ainda o empurrava com toda a força.
—Hisui.
—Para!
—Sai da frente da porta, estou avisando.
—Gajeel.
—Eu juro que se você tiver acobertando qualquer merda que envolva elas! – ele gritou espalmando as mãos do lado dela fazendo a gritar de susto – Eu acabo com vocês três. Entendeu?
Ele passou a mão na maçaneta quando sentiu seu rosto ser atingido por algo duro, muito duro! Sentiu cortes se abrirem no lado esquerdo do rosto. Seu ouvido surdou por alguns segundos. Não ouviu nada com aquele lado, a não ser por um leve zumbido invadindo sua cabeça.
A dor, o som, o deixando desorientado.
Os cacos de vidro caíram no chão fazendo um braulho horrível.
A visão turva o fez cair no chão de lado abraçando a cabeça, sentia o rosto arder pelos pequenos cortes, a dor do impacto preenchendo sua cabeça..
—Ai meu Deus... – Hisui levou as mãos até o rosto entrando em pânico — Matei ele... – foi se aproximando devagar, abaixnado ao seu lado — Meu Deus... Gaj-
Ele a empurrou fazendo a bater a cabeça na parede.
Gajeel levantou rápido querendo a qualquer custo sair do quarto. Foi tomado pela tontura, vendo tudo turvo e preto por algum tempo, até se firmar apoiando na mesa. Tentou pegar na maçaneta, pegando no nada.
Hisui olhava pra todos os lados pensando em qualquer coisa. Qualquer coisa que o impedisse.
Achou um caco de vidro.
O segurou forte querendo mirar na nuca do moreno, mas o mesmo se virou sacudindo a cabeça, tentando fazer a visão voltar ao normal quando ela cravou o objeto no seu ombro.
Gajeel gritou de dor caindo de joelhos.
Era profundo, sentia seus musculos sendo cortados, separados a medida que ela empurrava ainda mais o caco grosso de vidro no seu ombro.
Apoiou a cabeça na parede levando automaticamente a mão até o machucado sentindo as lascas do vidro pinicarem os lados dos seus dedos.
Sentia tanta raiva.
Muita raiva.
Eles estavam com elas...
Com as duas!Fazendo sabe se lá Deus o que!E ela fora emcubida de distraílo de ocupá-lo. Pensaram em tudo.
Gajeel se sentia como uma das suas vítimas, pego desprevenido, com alguém sob todo o controle dele. Mas ele tinha algo que a maioria daqueles viciados que ele cobrava não tinha.
Alguém.
Alguém que o fizesse levantar e revidar.
Ele acharia as duas, torcendo pra estivesse tudo bem.
Mesmo que elas fizessem por querer, ele as perdoaria. Claro!Não tinha onde mais se apoiar, onde mais esfriar a cabeça que não fosse com elas.
Sentia o corpo formigar, uma sensação conhecida...
A mesma sensação que ele sentia quando brigava dentro da favela com alguns dos ladrões.
A sensação de queimação, de raiva... de força. Como se cada centimetro do seu corpo corresse um fogo que o deixasse mais viril, forte, mesmo todo arrbentado.
Adrenalina.
Se levantou com a mão tentando estancar o sangue no ombro esquerdo.
—Você... – gargalhou — Faz de tudo por ele não é. Lyon. Coitada Hisui tenho tanta pena de você.
—Não morra! – ela gritou — Não vou presa por sua culpa.
—Muita pena de você.
—Cala a boca. – ela segurou mais um caco ficando de pé.
—Vai fazer o que? Terminar de me matar? Vai enfrente Hisui.
—Cala a boca!!
—Faz isso logo porquê eu vo sair daqui e...
Ela dirigiu a mão no seu estômago.
Gajeel podia ver a força com que aquele vidro atingiria seu estômago provocando um ferimento bem pior que o do ombro. Sem pensar duas vezes, contrariando os ensinamentos da sua adorada mãe, retirou a mão direita seu ombro e a acertou com toda a força que pode no rosto fazendo a cair no chão batendo a cabeça.
Hisui se virou olhando pra cima, vi dois dele agora em pé ao seu lado.
Sentia a boca sangrar quando mais uma bofetada a fez apagar de vez.
—Desculpa mãe... Prometo que ela foi a unica. – disse a si mesma abrindo a porta.
Gajeel andava pelo corredor abrindo as portas pedindo desculpas aos casais que se pegavam fechando as portas novamente, mas não antes de ter certeza que não era elas.
Passou por outra porta tão automático de ver as outras abertas que nem notou a mesma fechada.
Voltou dois passos testando a porta.
Trancada.
Bateu forte forçando mais uma vez.
—Gajeel!
Estava louco?
Não, era realmente ouvira.
Deu espaço e chutou a maçaneta duas, três vezes até a mesma ceder.
A porta abriu sozinha no terceiro chute e ele entrou, ficando abismado.
Lyon vestia uma calça moletom rapidamente.
Ele teve de ser rápido e raciocinar se os dois estavam mesmo ocupados, ou...
Nem precisou.
Olhou no fundo do quarto, entre um livro e outro.
Uma luz vermelha piscando, piscando...
Uma câmera.
~~
Um estrondo se fez dentro do quarto fazendo-a se assustar — se tinha como mais.
De repente Lyon não estava mais em cima dela, o que causou mais dor quando saiu do que antes. Ela nem pode ver o que aconteceu só se levantou começando a chorar, cobrindo sua nudez. Finalmente olhou pra frente seus olhos arregalaram-se.
—Gaje. – Lyon abriu a boca pra falar mas foi impedido pelo soco direto nos dentes fazendo o bater na cômoda atrás dele.
O segundo soco foi proposital mirando meio pra baixo, fazendo Lyon cair de joelhos ganhando um chute na boca do estômago.
Ela não contou quantos socos Lyon levou depois, mas sabe que foram muitos.
Não fazia idéia de como sabia que era ele lá fora. Mas sabia.
Estava pedindo a horas e horas pra que alguém aparecesse ali. E quando a porta foi forçada na maçaneta pela primeira vez, ela intintivamente gritou por ele a tempo de Lyon tapar sua boca saindo de cima da cama.
Até que ouvira o estrondo.
Um cheiro de sangue subia pelas suas narinas.
Olhou pra baixo e vi um filete de sangue, um vermelho vivo escorrendo nas suas pernas.
Continuou paralisada, sentindo o cheiro aumentar. Aumentar.
—Juvia?!
Quando Gajeel se aproximou ofegante, ela guiou os olhos vendo da onde vinha o cheiro. O ombro dele tinha fincado um caco de vidro grosso. A jaqueta estava manchada do líquido deixando a mais escura e pegajosa.
—Gaj...
—Voce está sangrando...
Ela olhou pro corpo nu antes dele terminar a frase, estava nua, completamente. Sentiu uma vergonha absurda e deixou as lágrimas escorrerem sem controle pelo rosto.
—Não me olha! –gritou com umas das mãos cobrindo seus seios sem um verdadeiro êxito nisso já que eles escapavam no seu braço.
—Sério que numa hora dessa tá com vergonha de eu tiver nua?!
Gajeel gritou de volta tirando a jaqueta com pressa sentindo a metade do vidro que ficara de fora bater na sua roupa cutucando o machucado. Mesmo com dor tirou-a o mais rápido que pode.
Gemeu colocando a mão em cima do ombro sentindo que o caco afudara mais.
Ótimo...
Juvia via a camisa azul dele ficar roxa a medida que o sangue saia do ombro preenchendo a peça.
Olhou por um breve segundo suas mãos. Estavam com as juntas machucadas.
Nem se atreveu a olhar o rosto de Lyon.
—Gajeel... Voce também está sangrando... – colocou sua mão em cima da dele no seu ombro — Meu Deus você está sangrando muito! – olhou o sangue rapidamente consumir sua mão pálida.
—Veste. – ele ordenou tirando a mão dela de si.
Juvia iria gritar pra avisar, mas foi um pouco tarde demais.
Sting entrou no quarto tentando acertar Gajeel por trás com o que parecia uma garrafa.
Ele estava com a adrenalina a toda pelo corpo. O loiro nem pode raciocinar quando ele se virou acertando uma cotovelada nos dentes do loiro sentindo que quebrara um deles derrubando o no chão.
—Seu filho da...
Outro soco.
Outro soco.
—Cadê a Levy?
A voz de Gajeel saiu naturalmente.
Sem gritar, sem estar com raiva, o que deixou Juvia assustada.
Chegava a não reconhcer o amigo...
Ele estava igual naquele dia.
Vestiu a jaqueta pensando em pedir pra ele parar, mas tinha medo de se aproximar.
O passo que conseguiu dar viu o rosto de Lyon desacordado caido no tapete.
Seu nariz estava todo vermelho, ensanguentado. Os dois olhos fechados, um muito machucado mesmo; a sobracelha tinha aberto um corte.
Ela virou a cara vomitando no chão do quarto.
—Eu não sei!!! – ouviu Sting gritar.
Outro soco.
—Cadê?!
Ouviu alguns choros, e mais um barulho de soco.
—No ultimo quarto.
Gajeel se ergueu do chão pegando Juvia pela mão, ela estava gelada.
Puxou-a do lugar mas ela estava estática. Olhou a jaqueta certificando de que a mesma conseguiria cobrir suas nudez.
Juvia até hesitou em pegar na mão dele, estava tão assustada. Olhou aquela mão machucada, cortada e encarrou os olhos de Gajeel. Jurava que eles estavam até escuros de raiva.
Engoliu seco, ele era o único que ela podia contar naquela hora.
—Gajeel eu não consigo... – apertou sua mão sentindo ele devolver na mesma intensidade. – Andar...
—O que?
—Andar! – ela gritou – Minhas pernas eu...
Juvia tremia e tremia.
—Droga.
Pegou a no colo sentindo suas mãos tocarem no sangue das suas pernas e saiu do quarto. Ouviu os passos dos convidados subindo as escadas. Natsu e algumas meninas pareciam tentar conter os convidados – que obviamente devia ter escutado o barulho da porta – dando alguma desculpa idiota, mas ele não ficou pra ouvir.
Aquilo daria a maior merda da história das merdas da vida dele.
Abriu o último quarto.
Levy chorava agarrada a um envelope grosso, seu rosto tinha uma marca roxa.
—O que aconteceu com você?
—Eu explico depois. – ela se levantou secando aslágrimas
Ela estava totalmente diferente.
Roupas diferentes da que veio, maquiagem borrada, tudo.
—O que você fez?
—Explico depois.
—Levy...
—Eu explico depois Gajeel! – ela gritou cobrindo a boca como se arrependesse do ato — Só vamos embora por favor. – finalmente dirigiu os olhos ao companheiro e viu a amiga no seus braços. — O que aconteceu Juvia! Por que você está...
—Não fala disso. –Gajeel a cortou
—Como nós vamos embora? – ouviu Juvia sussurrar
—Eu não sei só vamos sair logo daqui antes que qualquer coisa piore.
Gajeel nem queria pensar na possibilidade deles estarem com algum tipo de arma ou qualquer coisa.
Não se surpreenderia com mais nada.
Levy só pegou seu moletom e seu envelope saindo do quarto.
Desceram as escadas dos fundo o mais rápido que podiam.
Gajeel sentia os braços ficarem dormentes, lutando contra ele mesmo pra não derrubar Juvia no chão. Segurava Levy pela mão entrelaçada e Juvia no outro braço sentindo as lagrimas dela escorrerem pela sua blusa.
Eles não tinham um plano, não tinham nada.
Carro.
Roubaria um, era o jeito.
Virando pra garagem os três pararam.
Natsu estava parado com as mãos em punho.
“Não seja troxa Gajeel. Sempre disconfie de tudo e todos”.
Colocou Levy atrás dele.
—O que você quer?
—Ajudar.
—Por que?Sabe o que você é Natsu, um filho da puta!É isso que você é!
Ele jogou a chave do carro na direção de Gajeel que a pegou.
—É o carro do Sting, usa.
—Por que quer me ajudar depois dessa merda toda?
—Não foi minha culpa!Por favor acredita em mim.
—Eu não vou acreditar em você...
Jogou as chaves na direção dele de volta.
Sabia que precisa delas, mas não correria o risco de ser preso – de novo — por roubar o carro do cara que acabara de surrar. Quem acreditaria?
—Não preciso disso também.
—Gajeel! – Levy o repreendeu — Como nós vamos embora sem...
—Pega o celular. Liga pro Rogue.
—Mas ele...
—Faz o que eu to mandando droga!
Levy segurou o choro discando os números enquanto ele voltava a discutir com Natsu ainda com Juvia aninhada nele como uma criança.
Ele nunca gritava com ela e aquilo despedaçou seu coração.
Porém, não era hora pra aquilo.
—Rogue...
—Levy?!Está bebada – riu – Que voz é essa?
—Me ajuda. Nos ajude por favor.
—O que?
—Busca a gente.
—Mas como?! – ela sentiu a voz dele se alterar desesperada – Cadê meu irmão?
—Agora, Rogue por favor...
—Eu não tenho carro merda. O que aconteceu?!
—Gajeel ele não está com o carro esqueceu.
Gajeel respirou fundo.
Era o único jeito.
—Diz pra ele passa na boca.
—O que?!
—Diz.
Levy repetiu as palavras formando o silêncio do outro lado da linha.
—Rogue?
—Chego em meia hora.
~~
Não era confiável ficar ali.
Natsu mostrou um caminho pra eles que não precisariam passar pelo portão da frente.
Gajeel foi obrigado a confiar.
Tinha uma mulher sangrando em seu colo, não era hora pra orgulho.
Surpreendentemente, Natsu falara a verdade. Eles saíram do outro lado da rua.
—E se eles aparecerem aqui?
—Não vão matar vocês, nada do tipo. –Foi Natsu que respondeu – Até eles acordarem.
—Melhor você voltar. Vão dar por sua falta.
—Nao importa.
—Importa!Quer que eles descubram que você...
—Foda-se!Eu fiz muita merda Gajeel e não vou te dar as costas! Não posso fazer isso. É o único meio de me redimir.
—Me disse que Sting tinha contatos...
—Vou ficar bem.
O rosado sentou-se no meio fio.
Gajeel estava a ponto de pirar.
Teria que cuidar de Natsu agora também?
Seus braços ameaçaram ceder com o peso de Juvia. Ele se sentou no banco da praça relaxando um pouco os braços.
Olhou o rosto da amiga.
Os olhos estavam caídos chorando sem parar.
—Você vai ficar bem. – ele sussurrou – Ouviu?Nós, vamos... – não sabia a onde iam — Vamos pro hospital, pra policia...
—Não me solta. – foi só o que ela disse.
—Não vou soltar.
Um carro preto virou a esquina tão rápido que o pneu arrastava no asfalto fazendo aquele barulho agudo.
Levy logo se assustou e Natsu já colocava as mãos na cabeça.
As coisas realmente podiam piorar?
—É o Rogue. – Gajeel se levantou de novo arrumando Juvia.
O carro parou na frente deles abrindo a porta do motorista.
Era todo preto, rebaixado com os vidros filmados.
— O que vocês...
—Não da pra explicar. – Levy abriu a porta e com ajuda de Natsu, Gajeel deitou Juvia no banco de trás saindo do carro.
—Gajeel. – Juvia segurou sua mão.
—Não posso ir.
—O que?! – Levy gritou
Gajeel olhou Natsu.
—Pode ir. – o rosado deu de ombros.
—Mas Natsu...
—Vai merda, eu vou ficar bem.
O moreno engoliu seco e se sentou no espaçinho que sobrara do lado de Juvia.
Não queria deixar ele, mas se a deixasse agora ela iria ter um outro ataque de choro.
Levy entrou pelo banco da frente e fechou a porta.
Gajeel olhou pra trás vendo Natsu se distanciar.
E a mesma sensação de preocupação o tomou novamente.
~~
—Que merda tá contecendo?
Rogue exigia uma explicação enquanto estavam num pequeno transito a caminho do hospital.
Gajeel tentava explicar que nem ele sabia o que acontecera. Apenas que tinha batido em alguns caras, numa garota, porque eles haviam mexido com Levy e Juvia.
—Isso está mal contado.
—Eu sei... É que eu realmente ainda estou tentando organizar o que aconteceu...
Rogue desabou a seguir a pose de irmão mais velho começando um sermão que Gajeel nem prestara atenção. Seus olhos estavam apenas vidrados na marca roxa no rosto de Levy. Depois tirou alguns fios de cabelo do rosto de Juvia. Ela tinha pegado no sono.
Suspirou.
Olhou as mãos tão machucadas, inchadas, cortadas...
O rosto ardia, sentia alguns cacos grudados nele.
Finalmente relaxara...
A adrenalina se foi e a dor veio.
Tudo doia, o ombro latejava pulsava sangue, a cabeça pesava pro lado que havia sido acertada. As mãos pulsavam, sangravam;o braço ameaçava a dormir por ter segurado Juvia tanto tempo.
Colocou a cabeça nas costas do banco e começou a chorar.
Prometeu tanto, tanto pra sua mãe que isso nunca mais isso aconteceria.
Ela iria saber que ele ainda ajudava aqueles caras.
Que ele tinha brigado de novo.
Ouvir Gajeel chorar daquele jeito quebrou os sentimentos de Levy que teve que tapar a boca pra não ouvirem que ela também chorava.
Rogue não aguentava mais aquela tensão.
Cortou um caminho pelo posto de gasolina e acelerou o quanto podia até o hospital.
Entrou na ala da emergência parando ao lado de ambulância.
—Temos que ir a policia... –Levy pediu –A Juvia foi...
—Sabe que não podemos ir a polícia.Você mais do que eu sabe Levy. – ele fungou – Vamos pensar primeiro.
—O que estamos fazendo aqui então?!
—Mãe. – Rogue disse do lado de fora quando a porta se abriu.
O crachá pendurado no bolso, se mexia pela respiração acelerada.
Lica colocou a mão na boca quando viu a quantidade de sangue que manchava as roupas do seu filho. Olhou o carro, que não era deles.
Vi o rosto das meninas e engoliu o choro.
O que era dessa vez?
Usaria mais uma vez a ala escondida do hospital.
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