Notas iniciais
Heeeeeeeeeeeeey o/ Quanto tempo. Não tenho muitas coisas a dizer, só espero que gostem e acompanhem a fic.
Boa leitura. ~o~

O sol brilhava fraco em um típico dia de inverno rigoroso, mas os raios da grande estrela não eram o suficiente para fazer aquecer o interior daquela imensa casa, que há anos não via uma reforma, mas não é como se o dono se importasse com isso.

Na grande biblioteca, o loiro de olhos mel passeava por entre as prateleiras, mas sem realmente procurar algo para ler; seus pensamentos estavam longe de qualquer história que pudesse conter em alguma página amarelada, estavam focados em sua própria história que de fictícia não havia nada, apesar de parecer estupidamente surreal.

Parou em frente a uma das janelas antigas, mirando o jardim que estava logo a diante. O jardim há muito sem vida continuava o mesmo, assim como grande chafariz e os enormes portões de ferro que estranhamente não estavam enferrujados. Mas afinal, o que não era estranho em sua vida? Acompanhou o desenvolvimento de seu país, o viu mudar a forma de vida, entrar em guerra e sofrer com um ataque nuclear, viu como tudo foi tomando forma aos poucos. Até mesmo aquela cidade que havia sido destruída por um terremoto há uns cem anos atrás e estava devastada, havia sido reconstruída, ganhando nova forma, ganhando vida. Mas sua vida continuava a mesma, se é que poderia chamar o que tinha de vida. Perambulava sozinho, e as poucas pessoas que conhecia fazia questão de logo se afastar. Sentia-se um inútil em meio há tantas mudanças.

Kouyou não fazia questão de criar laços, pelo contrário, os evitava o máximo possível. Já sofrera e ainda sofria demais por um laço que fazia questão de manter, fazia questão de lutar para que continuassem firme, mas não havia certeza em suas ações. Naquele dia completavam-se noventa e nove anos desde que o vira pela ultima vez. Desde a última vez o que matara. Passara noventa e nove anos procurando por um maldito livro, aquele maldito livro onde estava escrito seu nome a sangue, seu próprio sangue.

Riria se achasse que houvesse alguma graça em viver por uma busca praticamente impossível. Mas não desistia. A cada dia que passava se apegava cada vez mais à imagem que tinha de Yuu. Aqueles olhos da mesma cor da escuridão, que o fazia estremecer, aquela boca que o fazia querer mergulhar de corpo e alma num amor que sabia, aliás, tinha certeza absoluta de que era verdadeiro e eterno. E isso não lhe soava clichê.

Ainda admirando o grande jardim, viu algo que fez seu coração pular. Era o sinal que tanto havia esperado. Um ponto negro no céu aproximava-se cada vez mais, até pousar na cabeça da estátua que adornava o chafariz. Era Hoku, o grande e vistoso corvo negro trazendo consigo o sinal que esperava de séculos em séculos: ele estava por perto.

Por um momento pensou estar enganado, o pássaro não chegava antes de completar os cem anos, mas assim que Hoku virou em direção a si, e aqueles olhos vermelhos encontraram os seus, teve a certeza de que alguma coisa havia mudado. Só não sabia o que.

Abriu a vidraça, chamando o corvo com um assovio, e assim que o fez, o pássaro bateu as asas negras e voou em sua direção, pousando em seu ombro.

– Nos encontramos mais uma vez, não é mesmo Hoku-chan? Mas você está tão diferente, seu olhar me parece mais profundo.

E em um gorjear que mais parecia um grito estrangulado, o pássaro voou em direção ao horizonte. Mas Kouyou sabia que ele voltaria. Ele sempre voltava afinal. Apesar de não parecer ser o Hoku que conhecera há setecentos anos.

xXx_xXx

A noite se aproximava, a lua crescente ia aparecendo aos poucos, tímida, entre as nuvens. Aquele era o momento do dia que Kouyou mais gostava. Podia sair e caminhar calmamente pela cidade que havia visto ser reconstruída. Aquela cidade havia criado vida, tão diferente da mansão em que morava, onde até mesmo o jardim permanecia sem cor, deveras distinto da primeira vez em que o vira.

Lembrava-se, e como não lembrar, da primeira vez que havia posto os pés naquela casa. Estava fugindo daquele homem que fez da sua vida um inferno em terra. Shibata Matsumoto havia desaparecido naquele mesmo dia, levando consigo o livro que jamais deveria ter sido tocado por Takashima.

O loiro havia decidido ficar naquele lugar, como se ali encontrasse a solução para o problema, ou quem sabe, até mesmo encontrasse o livro em alguma passagem secreta. Queria acreditar que Shibata havia brincado consigo. Mas a verdade, é que se passaram centenas de anos, e mesmo descobrindo passagens que julgava ser impossíveis de existir, jamais encontrara uma pista sequer. Sabia que quando encontrasse o livro, encontraria Shibata, que provavelmente tentaria o impedir de escrever o nome de Yuu ao lado do seu. Não entendia porque um homem carregava tanto ódio consigo, mas sabia bem como era carregar um ódio dentro de si.

Havia procurado o homem em tantos lugares, cidades e países. Kouyou tinha posses. Após a morte de seus pais, havia herdado toda a fortuna por ser filho único, e conseguia fazer aquele dinheiro render. Investia em ações e podia-se dizer que estava por dentro de tudo que acontecia pelo mundo. Apesar de viver dias e dias isolado naquela casa – o que o rendera apelidos pela cidade, o chamavam de “O vampiro da mansão abandonada” -, não perdia nada o que ocorria além daqueles portões de ferro inoxidável. Mas apesar de tudo isso, de tantas buscas mal sucedidas, o loiro sentia que as respostas estavam perto de si. Mas sentia-se tão perdido, e sentia vontade de gritar aos céus para que os deuses lhe enviassem pelo menos alguma pista de como resolver todo aquele enigma.

Os portões da imensa casa já haviam ficado para trás, e caminhando calmamente pelo centro da pequena cidade notara que o frio começava a ficar mais presente, porém não se importava.

Passava calmamente em frente a algumas casas antigas e pequenas que haviam sido as primeiras a serem construídas logo que o governo decidiu que aquela cidade precisava de uma reforma, quando ouviu uma voz que lhe chamou atenção.

– Volte já para cá, Chiyo!

Quando se deu por conta, um gato preto com os olhos amarelos pulou em sua frente, lhe olhando como se pedisse colo, e assim o fez. Pegou o bichano no colo, afagando os pelos negros.

– Mil perdões! Não consegui segurar esse gato mal criado.

Kouyou virou-se para o dono daquela voz, pronto para devolver o bichano, quando tudo ao seu redor parou como se o tempo congelasse, como se só existisse aquele par de olhos negros intensos. Era ele. Era aquele por quem esperou cem anos, aquele que sempre foi o único motivo de sua existência quase milenar.

Sentiu o típico frio na espinha, uma vontade louca de abraça-lo e de dizer que o amava, que estava ali apenas por ele. Mas não podia simplesmente o agarrar no meio da rua e dizer que era o amor de sua vida. Não podia porque corria o risco do outro pensar que era louco, e nunca mais querer o ver. Sabia que teria que ir aos poucos, conhecer aquele novo “eu” do amado e se fazer conhecido. Estranhamente ele havia aparecido mais cedo daquela vez, ainda teria um ano pela frente. Quem sabe em um ano pudesse achar Shibata e o livro, e assim escrever com o próprio sangue de Yuu, o nome ao lado do seu e assim poder ser feliz realmente. Uma pequena chama começava a se acender dentro de si, e algo dizia pra seguir em frente, não desistir.

– Está tudo bem com você? – Foi chamado de volta a realidade notando a preocupação genuína do outro.

– Oh! Sim, sim! Desculpe-me, apenas me distraí com... Chiyo, é esse o nome dele, não é?

– É isso mesmo, o nome desse gato sem vergonha que vive fugindo de mim. – Sorriu pegando o gato nos braços. – Desculpe, mas eu não te conheço de algum lugar?

O coração de Takashima se contraiu. Queria dizer que sim, que se conheciam a centenas de anos, que se amavam e que ainda seriam muito felizes juntos. Mas engoliu toda a vontade de falar que tinha, junto com a vontade de chorar, e apenas lhe lançou um olhar um tanto inseguro e cheio de saudades dizendo:

– Quem sabe já não nos cruzamos por aí, não é mesmo?

E antes que o outro pudesse responder, o mais alto deu as costas e começou a andar em direção a sua casa, deixando algumas lágrimas marcarem seu rosto alvo pelo caminho.

Como queria correr de volta e se jogar nos braços do outro. Dizer-lhe que era apenas uma questão de tempo para poderem ficar juntos sem nada para atrapalhar. Como queria sentir o gosto daqueles lábios mais uma vez, dizer que estava com saudades e que o esperou tanto tempo por aquele momento. Mas simplesmente iria colocar tudo a perder, e tudo o que menos queria, era perder mais uma vez.

Nem se deu conta que já estava em frente à sua grande e antiga moradia. Adentrou o vasto jardim em direção à entrada de sua casa, mas algo o fez parar onde estava, e se perguntar o que raios alguém estaria fazendo ali àquela hora.

Sentado no velho chafariz, olhando para o mais alto estava um garoto de estatura baixa, olhos fundos e cabelos mais escuros que os de Kouyou. As roupas brancas cobriam totalmente seu corpo, exceto por um rasgo na camiseta, que deixava um pouco da pele do abdômen a mostra. Era lindo, sem dúvidas, e tinha uma aura diferente.

O maior aproximou-se do outro, como se estivesse próximo a um felino prestes a fugir. Mas ao encarar a face serena, porém cansada do mais baixo, algo lhe disse que ele não iria fugir, muito pelo contrário.

– Esse jardim uma vez já esteve tão lindo e cheio de vida. Não é mesmo Kouyou?

Os olhos chocolates abriram-se levemente, com certo espanto. Como ele poderia saber que aquele jardim, hoje tão morto, um dia já foi encantador? E como ele sabia seu nome, e sequer o pronunciou de modo formal?

– A casa também mudou bastante. – o intruso continuou – Não tinha esse ar tão sombrio. Ela era tão bem cuidada, sempre com detalhes tão exuberantes, hoje está tão abandonada.

– Eu... – Takashima tentou começar uma frase, mas ela morreu assim que o estranho pareceu ler seus pensamentos.

– Eu não culpo você, Kouyou. Você já sofreu tanto, se apegou a essa casa como se ela pudesse tirar você da areia movediça, mas ela lhe afundou mais ainda, não? Ela retrata por fora, exatamente como você está por dentro.

Então os olhos de ambos se encontraram, e uma corrente elétrica percorreu o corpo de Kouyou, que sentia como se tivesse encontrado uma parte do passado dentro daqueles olhos escuros e brilhantes, que pareciam ter vivido tanto quanto ele mesmo.

– Quem é você? De onde é, e... Quantos anos você tem?

– Me chame de Ruki, por favor. Tenho tantos anos quanto você. Quanto de onde eu sou... Isso é uma história meio longa, sabe?

– Você já sabe meu nome, mas pode me chamar de Uruha se quiser. Quanto a sua história, eu adoraria ouvi-la.

– Será que podemos entrar, então? Está realmente frio aqui fora.

E então se deu conta de que a roupa que Ruki usava era realmente leve, e não deveria fornecer calor algum ao pequeno corpo. Acenou positivamente com a cabeça, sendo acompanhado pelo mais baixo até o interior da casa, mais precisamente a biblioteca. Gostava de estar ali, era o cômodo que mais gostava.

Sabia que a conversa seria longa, e algo dentro de si dizia que aquele baixinho tinha algo a ver com o seu passado e quem sabe, seu futuro.

Sentou-se em uma das confortáveis cadeiras que havia ali, vendo Ruki fazer o mesmo que fazia há horas atrás: olhar para o jardim através da janela.

Imaginou que o outro estava tentando pensar em um ponto de partida para começar aquela conversa e resolveu dar esse tempo a ele. Pôs-se de pé e ao lado do mais baixo olhando além das vidraças.

Estranhamente, Hoku não estava no chafariz.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo, e espero que deixem pelo menos uma review dizendo se está bom, ruim ou péssimo. A opinião de vocês é muito importante pra mim, pra que eu possa continuar escrevendo. :3
~ Reforçando o fato de que Uruha NÃO é um vampiro, okay?
Então é isso, até o próximo capítulo. ♥