O mundo girou. Sim, ele tinha certeza de que tudo estava girando, mas sua mente não sabia exatamente o que estava acontecendo.

A dor chegou com a pancada da roda, seguida pelo corpo que seguiu e caiu sobre ele. Foi quando o mundo girou pela primeira vez, com ele caindo atracado com algo que não conseguia ver direito. Nesse momento sentiu a dor quando seu joelho bateu no chão.

Deitado e confuso, ainda afetado pela bebida, Theo começou a rir. Gargalhou com tanta vontade e divertimento, como se sua vida estivesse dependendo daquilo.

— Theo! Você está bem? — ouviu a voz de Beatriz, mas seu rosto demorou para se focar em sua visão. Sem dúvidas era ela, com aquele seu cabelo de cor chamativa.

— Cara, você foi atropelado — disse Ivana. Sim, devia ter sido isso. Deveria ser a coisa mais óbvia para ele, mas sua mente estava um pouco confusa e voltava aos eixos lentamente.

Havia sido atropelado. Atravessou a rua sem olhar para os lados e, quando viu a bicicleta, era tarde demais para conseguir voltar ou desviar. Foi quando a batida aconteceu. Theo tentou se levantar, mas algo pesado ainda estava sobre ele. Um rosto desconhecido o encarava, parecendo surpreso pelas gargalhadas, ou chocado.

Theo tentou dizer algo, mas não conseguiu. Fez uma careta ao sentir uma dor em alguma parte do seu corpo. Seria o joelho? A perna? Provavelmente algo naquela região. Isso pareceu despertar o desconhecido e fazê-lo levantar de cima dele. De pé, ele estendeu sua mão.

Parecia uma imagem de filme. O sol ao fundo, no ponto certo para ficar atrás daquele ciclista, fazendo-o brilhar enquanto o vento balançava levemente seu cabelo. Se fosse de fato algum clichê de comédia romântica, teria ouvido o canto dos anjos… Mas não podia ser real. Era tudo coisa da sua cabeça. “O álcool faz coisas estranhas”, pensou rindo enquanto aceitava a ajuda para levantar.

— Você está bem? — ouviu-o perguntar.

— Acho que sim — respondeu Theo, tentando sorrir. O desconhecido era mais alto que ele, com uma barba por fazer e uma expressão curiosa, de quem não sabe como reagir. Parecia que não sabia se sorria, ficava preocupado ou se arqueava as sobrancelhas pensando “qual é o problema dele?”.

— Seu idiota! — Bia chegou o empurrando e lhe dando tapas no braço.

— Disse ela, calmamente… — narrou entre risos, deixando-a com ainda mais raiva.

— Você… — Beatriz estava prestes a lhe dar um soco, o que o fez se encolher. Mas a amiga fechou os olhos e respirou fundo, antes de se virar para o ciclista: — Desculpe todo esse… Transtorno. Você está bem?

— Não foi nada, só uma quedinha no chão. E posso dizer que seu namorado acabou amortecendo a queda.

— Namorado? Pelo amor de Deus, não. Não, não. Ele é só o meu melhor amigo — incrédula, ela riu. Estava longe de ser a primeira vez que os dois foram confundidos dessa maneira. — Me chamo Beatriz e ele é o Theo. Essa é minha prima, Ivana.

— Prazer, me chamo Ricardo — ele disse se abaixando e pegando os óculos quebrados de Theo para entregá-lo. — Acho que isso te pertence… Ou pelo menos o que sobrou dele.

— Ah, droga! Tudo bem, obrigado. Tenho um reserva… — Theo tentou dar um passo, mas sentiu sua perna vacilar e teria caído novamente se Ricardo não o segurasse. — em casa… Valeu.

— Podemos ir até um hospital, ver se não quebrou nada e se está tudo bem. Se não me engano, tem algum não muito longe daqui.

— Estou um pouco bêbado, não é nada. Senti um pouco de dor por ter batido minha perna, mas não é nada. Viu? Consigo andar tranquilamente — parar provar seu ponto, ele deu alguns passos sem muitos problemas, mas sem conseguir seguir em linha reta. Viu Ivana e Bia juntas, cochichando e dando pequenas risadas, como se estivessem tramando alguma coisa. — Estou ótimo, obrigado.

— Posso confiar mesmo na palavra dele? — perguntou Ricardo, olhando para Beatriz, com as sobrancelhas erguidas.

— Não muito, mas é teimoso como uma mula. Já dá para imaginar…

— Acho que dá para imaginar sim… — o ciclista deu uma volta ao redor de Theo, procurando qualquer ferimento. Como não encontrou, tirou o celular do bolso e o estendeu para Theo. — Me dê pelo menos seu número. Entro em contato quando estiver sóbrio, para ver se está realmente bem.

— Você é estranho… — disse fazendo uma careta e pegando o celular. Isso arrancou uma risada de Ricardo. — Normalmente você deveria ficar com raiva porque entrei na sua frente e te derrubei da bicicleta…

— Não muda que eu te atropelei, não é? Sou parte responsável por ter caído em cima de você.

— Encontrei meu novo trabalho… Airbag — talvez fosse o efeito da bebida, ou uma tentativa de ser engraçado no meio de toda aquela situação. Os dedos digitaram a palavra “airbag” e salvou contato antes de devolver o celular.

Ricardo olhou para a tela, rindo do que estava lendo. Isso deu uma sensação de satisfação para Theo. Como se estivesse provando para si mesmo que podia ser no mínimo sociável quando precisasse, e tudo bem ignorar a dor que fingia não sentir na perna.

Não demorou muito para o ciclista checar que estava tudo bem com sua bicicleta, se despedir deles e voltar a pedalar para longe, até desaparecer na esquina. Foi apenas necessário que ele desaparecesse para ouvir as duas garotas suspirando exageradamente e de modo teatral.

— O que foi? O que vocês têm? — perguntou.

— Você irá esbarrar no amor da sua vida — recitou Beatriz, como se estivesse anunciando uma antiga profecia.

— Nunca imaginei que meus poderes de vidente fossem tão bons e pudessem agir de maneira tão rápida — disse Ivana, orgulhosa de si mesma.

— Por favor… Acham mesmo que isso foi esbarrar no amor da minha vida? Vocês duas estão loucas!

— Você viu a maneira como ele ficou te olhando? Estava tão fofo preocupado com você.

— Sem contar que era um gato. Se eu estivesse jogando desse lado iria querer alguém como ele, com aquelas mãos…— Ivana fechou os olhos e mexeu as mãos, como se estivesse agarrando alguém. — Suando só de pensar.

— Vocês duas são totalmente indecentes!

— E você deveria olhar antes de atravessar a rua! E se acabasse sofrendo um acidente grave? Por sorte foi alguém tão bonito e atencioso como o Ricardo… — disse Beatriz de modo sonhador. — Mas ele não me é estranho. Sinto que já o vi em algum lugar.

— Podemos ir? Estou cansado!

Continuou ouvindo os comentários de Ivana e Bia por todo o caminho. As duas não paravam de tagarelar sobre a possibilidade do que foi visto nas cartas ter se realizado. Theo estava mais preocupado com seus óculos favoritos terem quebrado durante a queda. Se não tivesse sido descuidado, nada daquilo teria acontecido. Sentia-se culpado, mas pelo menos não havia sido de todo ruim. “Quer dizer… Ser atropelado foi ruim. Mas poderia ter sido pior, não é? Poderia ter sido um babaca que me culparia e gritaria comigo”, pensou enquanto respirava fundo, um pouco aliviado. No final tudo parecia ter acabado bem.

Chegando em casa, cumprimentou seu pai e ignorou os comentários da mãe que envolviam frases genéricas do tipo “chegou em casa?”, “isso são horas?”, “te criei para ser assim?”. Apanhou uma muda de roupa em seu quarto e foi ao banheiro, deixando-se relaxar embaixo da água fria do chuveiro. Estava mais gostoso do que esperava. Parecia que tomar um banho depois de tantas horas era a melhor sensação do mundo.

Ao terminar, foi para seu quarto se deitar. Precisava dormir urgentemente depois de passar uma noite em claro. Antes, pegou o celular e viu que tinha uma mensagem de Beatriz.

“Se divertiu?”

Pensou um pouco antes de responder. Foi diferente do que estava acostumado, mas não de todo ruim. Ser enganado e participar de um encontro às cegas foi o ponto baixo da noite, principalmente ter que ouvi-lo falar sem parar de coisas das quais ele não tinha o mínimo de interesse… Ou se forçar a beijar alguém apenas para fazê-lo calar a boca. Olhando para essas coisas, a noite parecia ter sido horrível. Mas não havia sido. Tinha se divertido ao dançar, ouvir músicas que não ouvia há tempos, até mesmo beber e esquecer um pouco das questões e dos problemas.

Pegou o celular e, com um pequeno sorriso de canto de boca, respondeu:

“É, foi legal!”

Guardou o celular em cima da cabeceira, fechou os olhos e ficou quieto até finalmente cair no sono.

***

— Alguma novidade? — perguntou Beatriz, com as pernas encolhidas no sofá.

— Ressaca é alguma novidade? — questionou Theo tentando prestar atenção no filme.

Ele coçou a cabeça, apertando os olhos. Fazia bastante tempo desde sua última vez bebendo daquela maneira. Estava se odiando por ter tomado aquela decisão tão ruim para sua vida. Como as pessoas aguentavam fazer aquilo com tanta frequência? Theo levou a xícara de café até seu nariz, torcendo para que o cheiro de alguma forma o ajudasse com uma cura milagrosa.

Os dois estavam na casa de Beatriz. A dor de cabeça que estava sentindo não o permitia aturar os acessos da mãe com o pai, por isso resolveu sair para conseguir descansar melhor e acabou indo até a casa da amiga. Theo tentava assistir ao filme que ela havia colocado para assistirem, mas sua cabeça parecia longe demais para conseguir entender o que acontecia.

— Não perguntei sobre isso! O celular! Alguma mensagem nova? Ricardo mandou algo? — questionou com mais afinco. Ela parecia muito animada com a questão, como se ganhasse na loteria e fosse receber o prêmio a qualquer momento.

— Ricardo? Quem é esse?

— Muito engraçado! Agora vai fingir que estava bêbado demais para se lembrar do que aconteceu? Ou conhecer um garoto lindo depois dele te atropelar mexeu com suas memórias?

— Ah, não sei se posso dizer que fui atropelado. Ele caiu em cima de mim, não foi? — retrucou pegando seu celular. Não havia nenhuma mensagem nova, apenas promoção de pizza. — Ele vai ter coisas mais importantes para fazer do que perguntar se estou bem ou não. Afinal, nem nos conhecemos!

— Ainda! Lembra o que Ivana disse? Você vai esbarrar no amor da sua vida e aconteceu.

— Ah, francamente… Esbarrar é diferente de ser atropelado. E como você pode acreditar em uma coisa dessas? — ele balançou a cabeça, rindo. Toda a história da leitura de cartas era um grande absurdo e uma pequena coincidência não mudaria isso. — Você deveria se preocupar mais. Imagine se fosse verdade mesmo e o seu sofrimento futuro fosse garantido — ele bebericou um pouco do café antes de acrescentar: — Não está preocupada em receber mensagem do Alex? Vocês dois não estavam saindo?

— Não! De jeito nenhum. Esqueceu que o mandei pastar? Te levei para uma balada e o deixei beber daquele jeito. Não iria te abandonar quando precisasse de mim, ainda mais por causa de homem.

— E, depois de me colocar para conhecer alguém como aquele amigo dele, você está me devendo uma maratona de “O Hobbit”.

— Não tem nenhuma tortura melhor do que essa em mente?

— Isso ou então “Piratas do Caribe”.

— Vou ficar com os anões peludos.

Mesmo depois de passar boa parte do dia dormindo, o sono voltou a alcança-lo enquanto tentava assistir ao filme. Aos poucos foi perdendo os sentidos e entrando em um sonho estranho envolvendo seu antigo trabalho.

Havia voltado para trabalhar como em um dia normal, mas tudo estava deserto. Não havia ninguém na rua, no trabalho, ou em qualquer lugar. Estava preso em uma cidade fantasma e totalmente sozinho. Em determinada parte do sonho, todas as vezes que cruzava uma porta, acabava indo parar em uma sala com outras portas, e assim em diante. Estava preso em um labirinto desesperador e sem qualquer sinal de que conseguiria se salvar. Estava sozinho. Totalmente sozinho… E ninguém o ouviria chorar.

Acordou no susto, olhando para os lados, como se ainda buscasse uma saída. Sentiu-se aliviado ao ver Beatriz roncando de boca aberta ao seu lado. O filme já havia acabado e aparecia sugestões de próximos filmes para assistir.

Theo pegou seu celular para ver a hora e ficou surpreso por ter recebido uma mensagem de um número desconhecido. Esfregou os olhos para dispensar o sono e conseguir ler melhor o que estava escrito.

“É aqui que posso contratar um airbag?”

Ele leu novamente e sorriu. Não precisou verificar a foto de perfil para saber de quem se tratava. Depois de sua pequena brincadeira enquanto bêbado, apenas uma pessoa poderia chamá-lo daquela maneira.

Theo respirou fundo e pensou um pouco antes de responder. A ideia de que ele pudesse ser o amor de sua vida ainda era ridícula e totalmente absurda, mas Ricardo havia sido legal o bastante para se preocupar com ele e mandar mensagem. Deveria retribuir sendo legal e não sendo “seco” como Beatriz dizia que ele era nas mensagens. Entrar na brincadeira poderia ser a melhor forma de continuar.

“Depende do tipo que você gostaria.”

Theo releu a mensagem enviada para ter certeza de que estava em um tom agradável. Parecia que sim. Não iria acordar Bia apenas para ter certeza, ainda mais sabendo como ela reagiria com a mensagem.

Em pouco tempo, o celular vibrou com mais uma mensagem:

Ricardo:

“Baixo, magro e de óculos, de preferência. Talvez um par de óculos novos, imagino?”

Theo:

“Mandou mensagem para a oficina errada.

Essa fica no final da rua, mas precisa estar de bicicleta pra encontrar!“

Ricardo:

“Então acho que estou no caminho certo! E Então?

Alguma cicatriz ou hematoma? Gostaria de saber antes de ser processado ou algo assim.”

Theo:

“Só danos à minha dignidade, mas já deixei ela de lado.

Eu estou bem! Não foi nada demais, apenas um pequeno tombo.”

Ricardo:

“Se foi um pequeno tombo, então eu praticamente voei!

Agora sou a prova viva de que gatos nem sempre caem de pé.”

Theo:

“Isso é a autoestima falando ou bateu com a cabeça muito forte e o capacete não ajudou?”

Ricardo:

“Só a autoestima em dia. Você amorteceu a queda o suficiente para não causar nenhum dano. Já sei quem chamarei quando estiver caindo de um lugar alto!”

Theo não soube como responder àquilo. Tentava pensar em algum tipo de piada ou graça para fazer, quando percebeu que estava de pé e andando de um lado para o outro ao redor do sofá. “Será que deveria pedir ajuda para Bia?”, pensou olhando para a amiga dormindo. Por que ficar tão nervoso com uma conversa comum? Por que tanta ansiedade? O celular vibrou novamente, o tirando de seus pensamentos:

Ricardo:

“Desculpe não ter mandado mensagem antes. Tive um dia corrido.”

Theo:

“Não precisa pedir desculpa, foi legal da sua parte.

Mas como está? Tudo bem? Se machucou?”

Ricardo:

“Não, não. Estou perfeitamente bem. Acredite, sofrer esse acidente foi a melhor parte do meu dia. Almoço em família foi um pesadelo.”

Theo:

“Imagino. Fico feliz que minha desgraça tenha sido tão boa para você.”

Ricardo:

“É como um amigo meu costuma dizer: a fé move montanhas,

mas dinamite abre caminhos.”

Theo:

“E o que isso deveria significar?”

Ricardo:

“Não faço ideia! Esperava que você talvez entendesse! Bem… Tenho que ir agora. Foi legal ter te conhecido hoje. E sinto muito por ter te atropelado!”

Theo:

“Está tudo bem! Eu tive a maior culpa nisso. Mas obrigado por ter se preocupado! Boa noite.”

“Noite.”

Theo guardou o celular lentamente, como se esperasse que mais uma vez ele fosse vibrar e notificar mais uma mensagem de Ricardo. Até que havia sido legal conversar um pouco com ele naquele momento.

Voltou a se sentar e começou a passar pelo catálogo de filmes e séries sem procurar nada específico. A ressaca já não o atingia como antes. Sentia-se melhor e mais disposto, e o sono também desaparecera. O estado de paz momentânea foi bem recebido por ele. Nem mesmo os roncos de Beatriz o incomodavam, e nem mesmo percebeu quando eles pararam.

— Eu dormi? — perguntou da maneira óbvia, espreguiçando-se. — Detesto esse filme. Acho tão chato… E já é de noite!

— Eu também dormi, então não posso te julgar — respondeu Theo com um pequeno sorriso nos lábios. — Nem sei se seus avós já voltaram.

— Ah, só voltarão amanhã. Ficaram de passar o final de semana inteiro lá… Pelo menos a minha tia gosta bastante deles e os trata muito bem. Fico aliviada — Beatriz pegou seus celular para verificar as mensagens ou alguma rede social. — Quando estiver velha, espero ter alguém para cuidar de mim. Senão, prefiro nem chegar nessa idade.

— Ainda não planeja ter filhos?

— Está bem longe de ser uma opção — respondeu a amiga fazendo uma careta. Beatriz sempre mostrou um certo receito com crianças, principalmente à ideia de ser mãe. Parecia deixá-la apavorada, mesmo que nunca fosse admitir tal coisa. — Enfim… E o seu crush? Alguma novidade sobre ele? Deu sinal de vida? Mandou sinal de fumaça?

— Na verdade… Sim… — Theo, um pouco tímido, puxou o celular do bolso. A amiga se ajeitou, aproximando-se com grande interesse. — Ele me mandou mensagem perguntando como eu estava.

— Meu Deus, Theo! — ela exclamava enquanto lia as mensagens trocadas. Em alguns momentos, soltava risadas que poderiam ser confundidas com “sentindo vergonha alheia”, ou um pequeno ataque de pânico. — Olha como foram fofos juntos! Não creio nisso!

— Para, não foi nada. Esse é o tipo de conversa normal que pessoas tem, não? Eu implico com você por mensagem…

— Se quiser continuar mentindo para si mesmo…

— E se você quiser continuar sendo emocionada…

— Só estou feliz por você, tudo bem? — retrucou voltando a se afundar no sofá e com a cara no celular. — Nunca o vi apaixonado ou namorando. Apenas desejo que encontre alguém e seja feliz! E se ele puder te fazer feliz, qual é o problema?

— Não é nenhum problema. Só acho um exagero toda essa história de “amor da minha vida” e cartas de tarot dizendo meu futuro — Theo soltou um suspiro. — Quer dizer… Um dia vai acontecer de eu conhecer alguém. Não precisamos forçar nada.

— Ai… Droga…

Beatriz se ajeitou melhor no sofá, sem tirar os olhos do celular. Continuou dando cliques fervorosos antes de voltar seus olhos para Theo. Sua expressão de choque estava o deixando preocupado e ansioso, principalmente com os sussurros de “não pode ser”.

— O que foi? Você está bem?

— Eu comentei que achava o Ricardo familiar, não foi? Agora entendi… — ela virou o celular para o amigo, mostrando uma foto de várias pessoas e, entre elas, estava Ricardo. — Ele é namorado de uma garota com quem estudamos.