Café, Ciúmes e os Acasos do Amor
12 Mal entendido
Notas iniciais
Capítulo 12 – Mal entendido
Damien não acordou lá muito bem humorado quando Taylor invadiu o seu quarto, puxou o edredom e gritou algo sobre ele precisar levantar porque eles tinham de procurar o filho de John que havia desaparecido. Demorou uns bons cinco minutos para que o ruivo conseguisse acordar de vez e ir se vestir.
Eles saíram andando de carro pela cidade. No caminho Damien ligou para Carl e pediu ajuda; Carl ligou para Camille, e Camille ligou para meio mundo de gente. Em pouco tempo, praticamente meia cidade estava procurando o fujão.
– Se fosse meu filho ia pegar um castigo de um ano pra aprender a não dar esses sustos. – Damien rezingava pelo caminho.
Em certo momento, eles decidiram parar o carro e procurar a pé por uma das praças. Era grande demais e eles cobririam o espaço mais rapidamente se cada um fosse para um lado.
Quando o ruivo voltou para o carro depois da caminhada frustrada, ele viu Taylor encostado ao veículo com uma “bola de pelos” nos braços. Ao se aproximar, Damien cruzou os braços, fixou seus olhos na coisa peluda que Taylor segurava e disse:
– Não! Definitivamente não! Nós saímos para procurar uma criança e isso no seu colo absolutamente não é uma criança! Pode deixar isso aí onde você encontrou.
Taylor apertou o bichinho com mais forças em seus braços. Ele conhecia aquela raça... Era um pomeranian, o Spitz alemão anão. Eram cachorrinhos conhecidos por serem brincalhões, afetuosos, inteligentes e ótimas companhias. E mais, eles eram carinhosos com os enfermos! Era o cão perfeito. Para completar, pareciam ursinhos de pelúcia peludos e Taylor definitivamente não iria largar aquela lindeza novamente naquela praça, abandonado passando frio e fome.
– Não vou não! Ele é uma criança sim, possivelmente deve ter só um ou dois aninhos! – Taylor teimou e entrou no carro, deixando o cachorrinho em seu colo e um Damien com cara de tacho do lado de fora. O bichinho colocou a língua para fora, respirando rápido e o olhando de uma forma que derreteu o médico. Ele era louco por cachorros. Havia tido três quando mais novo, mas todos já haviam falecido pela idade.
– Vou cuidar de você, Fubá. – Já deu um nome para o bichinho, que colocou as patinhas em seu peito e, balançando o rabinho, tentou alcançar seu rosto para lhe dar umas lambidas.
Damien deu a volta e entrou no carro pronto para soltar o verbo em cima do médico, mas o celular de Taylor começou a tocar e o médico prontamente atendeu deixando o ruivo com as palavras na boca. Pelo que Damien entendeu, John e Sam haviam encontrado o menino e Taylor pediu que o levassem para o restaurante da tia Camille para que ele desse uma checada se estava tudo bem.
O cachorro se espichou e tentou lamber o braço do ruivo, mas se encolheu novamente quando Damien praticamente o fuzilou com os olhos.
Taylor foi falando o caminho inteiro no telefone, avisando agora outras pessoas de que tudo estava bem, e não deu chance para que Damien dissesse para ele jogar o cachorro na rua. Não era que o ruivo não gostasse de cachorros, mas eles tinham pelos que caíam pela casa, faziam cocô e xixi em tudo que era canto, latiam no meio da noite e lambiam os outros com a mesma língua que usavam para limpar o fiofó! Ou seja, a opinião do ruivo sobre cachorros era a mesma que ele tinha em relação a crianças: eram bonitinhas e fofinhas, mas bem longe dele e quietinhas com os donos ou pais.
Quando ele estacionou em frente ao restaurante, Taylor já foi descendo. Damien grunhiu, entendendo que o médico estava correndo dele. Ao entrar no restaurante, fechado àquela hora da tarde, o ruivo se sentiu em meio a uma visão do inferno.
“Crianças! Crianças para todos os lados!” pensou desesperado. Para ele, mais de três crianças juntas era algo muito perigoso, um atentado a sanidade mental de qualquer adulto.
Ele adorava os gêmeos, mas os dois eram duas pestes. Além deles, Charlie corria de um lado para o outro, imitando poses do balé aqui e ali, e o filho mais velho de John também estava no restaurante. O mais novo, o fujão, estava sentado no colo de Sam.
De repente Charlie parou de correr, viu Taylor parado na porta do restaurante e deu um berro:
– FILHOTINHO! – E correu até Taylor e a bola de pelos.
Taylor se agachou para deixar Charlie acariciar Fubá. O bichinho se agitou inteiro, latiu e tentou lamber a menina. O médico bem sabia que as crianças iriam adorar o cãozinho. Ele riu internamente quando as outras crianças começaram a se aproximar, todas querendo dar um mimo no cachorrinho. Taylor largou Fubá no chão e o filhote fez a festa, correndo de um lado para o outro, querendo receber carinho e atenção de todos. Era todo energético e afetuoso. Isso, claro, apenas deixou as crianças, principalmente Charlie, totalmente derretidas.
Olhando para Damien, Taylor abriu um sorrisinho como quem diz “quero ver você tentar se desfazer desse cachorro agora”.
– Qual o nome dele? – Charlie perguntou.
– É Fubá. Encontramos ele perdido na rua. Damien disse que levaremos ele para nossa casa para cuidar dele. Você pode ir vê-lo sempre que quiser. – Taylor falou na maior cara de pau do mundo e ergueu uma sobrancelha para o ruivo, o desafiando a contestar aquilo na frente da sobrinha já apaixonada pelo cachorrinho.
Dito isso, ele seguiu até onde Sam estava com Davi, que olhava para aquela comoção com olhinhos desejosos, como se também quisesse ir brincar com o cachorrinho, mas fosse tímido demais para isso.
Damien queria torcer o pescoço de Taylor. Lenta e dolorosamente. Como diabos ele podia dizer isso assim para a menina?
Charlie olhou para Damien e saltou nas pernas dele.
– Verdade, padrinho? Posso ir brincar com o Fubá? – Perguntou emocionada.
O ruivo lançou um olhar do tipo “cai morto agora mesmo!” para Taylor, mas o médico estava olhando os joelhos de Davi e nem deu bola.
– Na verdade, Charlote, o Taylor foi decidindo isso sozinho e eu acho melhor devolver o bicho pro lugar de onde ele veio e... – Damien começou a dizer, mas na mesma hora Charlie parou de sorrir e fez bico. Esse era outro motivo pelo qual Damien jurou que nunca teria filhos: crianças conseguiam qualquer coisa dele com aquela carinha chateada.
– Padrinho mau! – Charlie berrou e deu um chute na canela dele.
– Charlie! – Carl foi correndo para o lado dos dois e pegou a filha, que chorava copiosamente, nos braços. – O que você fez, Damien?!
– É... Eu não queria fazê-la chorar, mas... O cachorro... – Ele olhou para Charlie que estava vermelha de tanto chorar. – O cachorro pode ficar. – Disse em um tom derrotado. Como que por mágica, as lágrimas sumiram e Charlie deu um sorriso enquanto lutava para descer do colo do pai e ir brincar com o Fubá.
Em passos pesados, Damien foi até o lado de Taylor e sussurrou de um modo que somente ele ouvisse:
– Você vai me pagar por isso. Com juros!
Depois foi para a cozinha, perdendo a maneira como Taylor, apesar de arrepiado com o sussurro ameaçador do ruivo, sorriu vitorioso.
Damien, em jejum desde que fora chutado da cama pelo médico, precisava comer para aliviar toda aquela frustração.
Já Camille assistia a tudo com um sorriso divertido nos lábios. Ela estava um poço de preocupação por causa do sumiço do menino, mas agora que tudo havia sido resolvido, ela se sentia bem mais tranquila.
Quando Taylor terminou de examinar Davi, falando que aqueles joelhos ralados ficariam bem apenas com higienização já que não havia nenhum dano articular, Sam levou o menino para brincar com Fubá, e Camille se aproximou e cutucou o médico de leve no braço para conseguir a atenção dele.
– Parece que você já descobriu como dobrar o Damien. – Disse bem humorada. – Ele não resiste aos pedidos dos afilhados.
– Ficou tão na cara que praticamente forcei ele a ficar com o cachorro? – Taylor sorriu culpado, passando a mão pela nuca. – Bem... Ninguém resiste a uma menina fofinha como a Charlie chorando. A própria Charlie já percebeu isso e sabe usar a seu favor.
Camille riu.
– Bem, nós meio que já nascemos com esse dom maravilhoso de deixar vocês totalmente sem ação nem palavras. Confesso que adorei ver o Damien todo desarmado e sem coragem de contrariar a menina. Mas... Eu já te disse que ele anda mimando demais essas crianças. – Camille disse enquanto olhava a neta correr de um lado para o outro com Fubá atrás latindo. – Vamos deixar dessa vez porque esse cachorrinho é uma fofura. Até eu quero ir lá apertá-lo. – Ela riu outra vez. – Como estão as coisas entre vocês? Damien tem te tratado direitinho? Aquela zona que ele chama de casa... Ele precisa mandar limpar os outros quartos e consertar os banheiros. Os gêmeos fizeram um estrago na última vez em que foram dormir lá.
– Ah... – Taylor ficou um pouco vermelhinho de repente, mas era uma benção ter aquela pele escura nesses momentos. Apenas um olhar atento perceberia isso. – Ele está me tratando bem sim. – Sorriu com uma risadinha. A cena de domingo pela manhã retornou à sua mente com tudo. Se aquela era a forma de o ruivo tratar os hóspedes... – E aquela casa bem que merecia uma faxina das pesadas. Alguns lugares são totalmente inabitáveis!
Camille percebeu que Taylor ficou sem jeito e que corou um pouco. Ela sorriu internamente. Já havia percebido a forma como Taylor e Damien se olhavam nas vezes em que eles haviam ido almoçar ou jantar ali no restaurante. No começo ela ficou um pouco chocada, mas acabou entendendo. Quem era ela para julgar outras formas de amar? E se Taylor fosse capaz de colocar Damien nos eixos, então ela aceitaria aquele romance e ainda assinaria embaixo.
– Se eu não estivesse tão atolada aqui no restaurante ajudaria. – Ela disse após um suspiro. – Com três crianças não é fácil. Tudo triplicado. Roupas, sapatos, comida... Não que eu esteja reclamando. Só é um pouco difícil. Damien comentou que Dakota engravidou dos gêmeos quando ela e Carl haviam recém terminado a escola? Eles tinham dezoito anos. Eu fiquei louca quando ele me contou. Mas hoje em dia... – Ela olhou para os netos. Agora todas as crianças estavam brincando com o cachorro que estava mais do que feliz com toda aquela atenção. – Hoje em dia eu não trocaria isso por nada. Às vezes acontecem coisas que não esperamos, que não prevemos, e essas coisas são capazes de nos fazer mais feliz do que qualquer outra coisa que um dia tivéssemos planejado para o nosso futuro. Por isso, aproveite, Taylor. Se algo inesperado acontecer, agarre a chance. – Aconselhou com um ar maternal.
Taylor sorriu de leve, de certa forma agradecido. Sua vida realmente estava em um looping que nunca havia planejado antes, com rumos totalmente incertos. Ele nem sabia se havia tomado a decisão certa de ter se mudado daquela forma tão abrupta para aquela cidade pequena. E havia sido um acontecimento tão ruim que o levara até ali... Em parte, se sentia culpado por estar curtindo tanto aquela nova vida e novas oportunidades que surgiam em seu caminho. Era como se uma parte de si insistisse na ideia de que merecia ser infeliz pelo resto da vida, e não merecesse nada daquilo.
– Obrigado, Camille. Pode deixar, eu... Não vou deixar nenhuma oportunidade escapar. – Falou e, pelo sorrisinho de quem sabe mais do que deixava transparecer que Camille abriu, ele se perguntou se estavam falando da mesma coisa.
Depois de deixar Davi brincando com as outras crianças junto com Fubá, Sam seguiu Damien até a cozinha, um sorrisinho implicante permeando seus lábios quando o alcançou, encontrando-o comendo feito um condenado alguns restos que haviam sobrado do horário do meio-dia no restaurante.
– Então você anda se esfregando nu no Taylor durante a noite, safado? – Foi logo falando.
Damien engasgou, começou a tossir e pensou que fosse morrer com um pedaço de carne entalado na garganta. Ele pegou uma garrafa de água que estava em cima da mesa e bebeu direto do bico. A tia Camille o esganaria se o flagrasse fazendo aquilo.
– Vocês já viraram tão amigos a ponto de trocar confidências? – O ruivo perguntou ainda meio vermelho, tossindo. – Ou melhor... Fofocar.
– Pode-se dizer que meus métodos de obtenção de informações são melhores do que torturas. – Sam jogou os cabelos como costumava fazer em seus momentos de exibido e se aproximou da mesa, sentando-se rapidamente à frente de Damien. – Conte-me tudinho. E não me venha com aquela história ridícula de sonambulismo! Você já bebeu horrores antes e nunca teve dessas.
– Eu já tive umas crises de sonambulismo antes e... – O ruivo parou de falar após perceber que Sam não cairia naquela. – Ok, eu fui até o quarto dele consciente. Satisfeito? A culpa é toda sua porque ficou falando daquela porra de gaydar. Eu não consegui parar de reparar nele no final de semana, enquanto estávamos no parque e... Aconteceram umas coisas. Nós nos abraçamos e meio que brigamos e depois fizemos as pazes de novo, ele sorriu pra mim e eu surtei! – Disse tudo de uma forma atropelada antes de enfiar mais uma quantidade generosa de comida na boca. – Aí eu saí na mesma noite, mas ninguém chamava a minha atenção, nem mesmo as mais peitudas. Eu pensei que o meu amigo aqui de baixo estava morto, mas quando cheguei fui até o quarto dele... Merda, Sam, foi a sua boca grande que me fez ver o Taylor desse jeito! Ele não é gay! – Exclamou com convicção.
– Ai, você fica tão bonitinho todo nervoso assim! – Sam esticou os braços e apertou as bochechas do ruivo, conseguindo dele uma careta emburrada. Depois se aprumou, cruzando os braços sobre a mesa. – Meu gaydar é in-fa-lí-vel. Te ver nu deixou o Taylor totalmente alterado. Desde segunda tenho achado ele... Estranho. E ele ficou todo coradinho quando contou sobre isso! Ele acha que aquela pele de Deus de Ébano me engana, puff! – Sam riu com superioridade e depois sorriu malicioso para Damien. – Mas quem diria, hum? Damien Van Persen, o mulherengo da cidade, adorador de peitões, interessado em outro homem? A vida não para de me surpreender.
Damien cometeu o erro de colocar mais comida na boca enquanto Sam falava e terminou tendo outro acesso de tosse.
– Sério? Ele ficou nervoso depois de me ver pelado? – Damien piscou ansioso, mas logo fez um som de pigarro com a garganta e se ajeitou na cadeira em que estava sentado. – Eu não sei se estou interessado em outros homens. O negócio é o Taylor, sabe? Eu não consigo parar de pensar no sorriso dele. – Confessou em um murmúrio. – Mas é complicado demais. Eu continuo achando que seu gaydar ‘tá pifado e... Tem muita coisa entre a gente, muita história mal resolvida. – Falou, lembrando-se do irmão que Taylor havia deixado em Ottawa (e que Damien estava tentando encontrar) e de todo o problema do ruivo com médicos, que uma hora ou outra ele teria que contar para Taylor.
– Esqueça as coisas mal resolvidas! Se você está a fim dele, não pode deixar o momento passar. – Sam disse de uma maneira mandona. Damien era teimoso e nesses momentos era necessário um pouco mais de mão firme. – Ok, vamos fazer um teste. Imagine que eu sou o Taylor, ok? Vamos ver se essas coisas mal resolvidas impediriam alguma coisa se Taylor estivesse só de toalha porque recém saiu do banho e se você resistiria aquele corpinho úmido entrando no seu quarto. – Sam pegou as duas mãos de Damien. – Ele estaria sorrindo para você daquela forma que só ele sabe e falaria: Damien, eu cheguei a uma conclusão. Estou louquinho por você desde que dormimos juntos aquela noite. Não consigo nem mais trabalhar direito, só penso em você, dia e noite. Você me quer também?
Ok que todos ali sabiam que Taylor jamais sairia do banheiro seminu e admitiria uma coisa daquelas de tal maneira, mas Sam gostava de criar cenas surreais e cheias de emoção. Ao menos, na cabeça do loiro elas eram emocionantes e quentes, claro.
Damien teve vontade rir pela fala exagerada, mas acabou entrando na brincadeira.
– Eu quero. Quero você mais do que já quis qualquer pessoa. – Disse com um sorriso, mas falando bem sério. Sam achou aquele sorriso bem quente e aprovou. Certamente Taylor ficaria caidinho.
Naquele momento, entretanto, eles ouviram o som de palmas.
Damien soltou as mãos de Sam e olhou para a porta da cozinha.
Era John.
– Que cena "tocante"! – John praticamente cuspiu a palavra. – Você realmente é uma pessoa desprezível. – Disse para Sam com a voz carregada de ódio. – Não consegue se segurar nem por um minuto! Pelo menos deveria respeitar o meu filho e não ficar dando esse tipo de exemplo a ele!
– Olha, John, a gente não quer confusão e... – Damien começou a dizer em um tom cansado enquanto se levantava da cadeira, mas foi imediatamente interrompido pelo moreno.
– Fique calado! – Ele disse entre os dentes. – Isso é entre mim e essa bic...
Damien realmente não queria confusão. A merda do dia havia sido longa e aquela semana estava uma bagunça, então ele só queria ir para casa dormir. Entretanto, ao perceber que John ia ofender Sam mais uma vez, o ruivo não se segurou e acertou um soco muito bem dado na boca daquele imbecil homofóbico.
O problema era que John estava com muita raiva (na verdade estava com MUITO ÓDIO) de Damien naquele momento, então ele revidou e os dois, em questão de segundos, começaram a trocar socos, pontapés, chutes e todos os variantes. De alguma forma, John conseguiu jogar Damien em cima da mesa e tudo que estava lá voou para o chão, gerando um estardalhaço e atraindo a atenção de Camille e toda a tropa. Todos vieram correndo para a cozinha checar o que estava acontecendo. Com muito esforço Carl e os garçons que já haviam chegado para o turno da noite conseguiram separá-los. Damien percebia sangue embaçando a sua visão devido a um corte no supercílio, que latejava fortemente. Mas mesmo assim o ruivo sorriu ao ver que o John não estava muito ileso e certamente teria problemas para comer com aquela boca cortada e inchada.
– Damien! – Camille exclamou furiosa. – O que carambolas você fez, menino? – Certamente ela teria xingado, mas por causa da presença das crianças ela se absteve do palavrão.
– Esse cara que tentou ofender o Sam! – Damien retrucou irado.
John abriu a boca para falar, mas parou ao ver Davi perto da porta, segurando a mão de Teo com força com uma expressão de choro e decepção no rosto. Ele fez com que as pessoas que o seguravam o soltassem e foi em direção aos filhos.
– Vamos embora. – Disse a eles e puxou os dois pelas mãos antes que alguém tentasse impedi-lo de ir.
Sam, paralisado durante toda a briga entre os dois, conseguiu recuperar seus sentidos apenas após John sair dali com os filhos. Ele foi até o ruivo e o abraçou forte, segurando a vontade de chorar. Por que John tinha de agir assim? Ser mais amigável em um momento, e em outro agir como um completo trasgo?
– Obrigado, Damien. – Sussurrou ao amigo. – Obrigado por sempre me proteger.
– Você sabe que eu não deixaria aquele idiota fazer mal a você. – Damien sussurrou um pouco sem jeito. Sua maldita língua presa que o impedia de ser totalmente franco acerca do que sentia e não o ajudava a consolá-lo melhor.
Os funcionários do restaurante estavam começando a arrumar a bagunça, tia Camille andava de um lado para o outro resmungando e contando os pratos quebrados, as crianças já haviam voltado para o salão para brincar com o cachorro e Taylor os observava um pouco afastado.
– Vou comprar um presente bem grande pra você! – Damien disse bem humorado. – O que você quer?
– Um carro! – Sam disse prontamente, soltando-o. – Você tem vários!
Damien bufou.
– São meus bebês! – Resmungou, mas não estava zangado. Ficou mais aliviado ao ver que Sam pareceu um pouco mais alegre e essa era sua intenção. Não conseguia se expressar e os presentes falavam por ele. – Mas, tudo bem, eu deixo você pegar um. Se você prometer que não vai quebrá-lo, arranhá-lo nem batê-lo. Tá vendo, né? Eu só faço isso porque é você.
Taylor, que olhava a cena de longe, não conseguiu continuar a vê-la. Afastou-se e voltou para onde as crianças estavam com Fubá. Ele escutou um dos garçons cochichando com outro que o motivo da briga havia sido por conta de Samson, algo sobre John ter flagrado os dois se declarando. Isso significava que Damien, em realidade, era apaixonado por Sam? E Sam por ele? Taylor estava tão confuso... Ele achava que Sam visse o ruivo apenas como amigo, e que Damien fosse heterossexual. Mas talvez Sam houvesse percebido o cara legal e maravilhoso que Damien era, e vice-versa.
“O que eu estou pensando?” Taylor apertou a mão contra o peito. “Eu estou feliz pelos dois, se eles estão juntos.” Disse a si mesmo, tentando ignorar a maneira como seu peito ardia.
Damien percebeu quando Taylor saiu da cozinha. Ele disse para tia Camille mandar a conta do prejuízo que ele iria reembolsá-la por tudo.
– Vou falar com o Taylor. – disse ao Sam. Ele esfregou o olho tentando tirar o sangue que estava embaçando a sua visão. – Não liga pra esse idiota. Ele não merece. Você encontrou o filho dele, caramba, e olha o tipo de agradecimento dele! – Resmungou irritado, mas logo sua expressão suavizou. – Depois passa lá em casa pra pegar o carro. – Sorriu e deu um beijo no topo da cabeça do loiro. – E obrigado pelo que você falou mais cedo. Mas ainda acho que o seu gaydar pifou. – Disse em um sussurro.
Sam viu o ruivo sair da cozinha e suspirou. Bem, o melhor era deixar Damien descobrir sozinho que seu gaydar nunca falhava.
Taylor pegou um pano com um dos garçons ao ver Damien se aproximando com aquele supercílio escorrendo sangue. Assim que o ruivo parou à sua frente, colocou o pano contra o machucado.
– Vamos logo para casa. O melhor é suturar isso daí. – Falou em um murmúrio. – Vou pegar o Fubá. – Se afastou indo pegar o cachorrinho. Teve de prometer a Charlie que iria trazê-lo ao restaurante no dia seguinte, só assim para ela não acabar chorando.
Quando eles alcançaram a rua, Damien estendeu a chave do carro.
– Não consigo dirigir. Tô meio cego do olho direito. – Falou. – O mesmo que eu falei para o Sam vale para você: não arranhe, bata ou quebre!
Taylor aceitou a chave.
– Foi um presente muito generoso. – Comentou casualmente. – Vocês são mesmo muito próximos. – Falou já dentro do carro, colocando o Fubá no colo de Damien. “Não toque nesse assunto!” se repreendeu. Se estivesse certo, Damien deveria estar recém descobrindo-se atraído por um homem e esses assuntos eram delicados no início.
Damien fez uma careta quando Taylor largou a bola de pelo no seu colo.
– Se esse bicho resolver fazer xixi em mim... – Começou a resmungar, mas acabou deixando pra lá. Não adiantava ficar tentando lutar com o cachorro. Charlie chorando era muito assustador e ele não queria repetir a experiência. – Eu ‘tô tão puto com o idiota do John! Sabe o que ele fez? Disse que o Sam não se aguenta e que deveria respeitar o filho e não dar esse tipo de exemplo pra ele. Que exemplo? Nós só estávamos conversando! Aquele demente! Depois do que o Sam fez por ele. Sam é especial e não vou deixar o John ou qualquer um tratá-lo mal! E o carro é o de menos... Eu só queria fazê-lo sorrir e deu certo porque ele esqueceu pelo menos por um momento o que tinha acontecido.
Taylor assentiu e sorriu, mas desejou que esse sorriso fosse menos melancólico. Se sentia um monstro por estar sentindo inveja de Sam por Damien tratá-lo daquela forma protetora e considerá-lo especial. Droga, Sam era sim extremamente especial e Taylor queria o melhor para ele. E o melhor para ele era Damien.
Ele, Taylor, não merecia alguém como Damien.
“E desde quanto estou cogitando merecer o Damien?!” Se perguntou rápido e frustrado. “Ah, estou enlouquecendo...” Cogitou.
– Sim, você consegue arrancar sorrisos lindos do Sam. – Acabou falando sem pensar muito.
– Não é difícil fazer o Sam sorrir, mas o seu sorriso é mais bonito que o dele. – Damien confessou sem pensar e encostou a cabeça na janela. Do restaurante até a sua casa não era muito longe então já estavam chegando. – Estou cansado. – A adrenalina começou a diminuir e o ruivo sentia os olhos pesarem. Talvez por isso nem tivesse percebido o elogio que havia feito ao médico.
Taylor olhou de esguelha para Damien, seus olhos arregalados alguns milímetros. John deveria ter batido forte na cabeça do ruivo para que ele soltasse aquilo. Ainda mais falando que seu sorriso era mais bonito do que a pessoa que ele amava. Certamente Damien estava delirante por alguma pancada e pelo sono. Taylor suspirou; mesmo pensando assim, seu coração estava batendo acelerado contra suas costelas. Mas ele evitou pensar muito nisso, ou sua confusão apenas aumentaria.
– Chegamos. – Avisou após estacionar o carro na garagem, desligando-o. – Eu vou pegar uns materiais de sutura que deixei no meu quarto para eventualidades. – Pegou um Fubá quase adormecido do colo de Damien e saiu rápido do carro, preocupado com o quanto aquele corte no supercílio do ruivo estava sangrando.
Damien o seguiu em passos lentos, mas acabou desabando no sofá. Taylor retornou à sala após passar na cozinha e pegar alguma coisa para Fubá comer e depois no quarto, onde largou o cachorrinho numa caminha improvisada. Fubá comeu, deitou e capotou, exausto como estava. Depois de lavar as mãos e pegar os materiais, Taylor viu o ruivo estirado de qualquer jeito no sofá, o que lhe rendeu um suspiro.
– Você vai sujar o estofado de sangue. – Repreendeu, ligando o abajur próximo do sofá para aumentar a luminosidade. Ele calçou as luvas e pegou várias gazes, usando-as para limpar e estancar, inicialmente, o sangue. Depois pegou o soro fisiológico para limpar melhor e, por fim, passou o antibiótico para evitar infecções. Só então preparou o campo de sutura, trocou as luvas sujas para luvas estéreis e preparou a seringa com anestesia.
Damien, sonolento e meio grogue, percebeu Taylor cuidando de seu machucado, mas o sono estava vencendo-o e ele mal dava conta do que exatamente Taylor fazia em sua testa.
– Taylor... – Murmurou já meio adormecido. – Café... – Sorriu.
Taylor fez uma careta. Por um momento havia achado que Damien estava sussurrando seu nome em meio aos delírios iniciais do sono! Mas não, tudo que era queria era o seu café. Bem, Taylor daria outra coisa a ele. Sem muita dó, o médico aplicou a anestesia, com duas picadas precisas sob a pele.
Isso fez Damien perder todo o sono.
– Que merda! – Xingou irado, abrindo os olhos num rompante. – Eu fui o herói hoje! Me trate com mais cortesia! Na verdade, deixa pra lá... Vou pra o meu quarto. – Tentou levantar, mas não conseguiu sair do lugar. Taylor o impediu, subindo sem pensar em seu colo e, com o peso de seu corpo, obrigando Damien a voltar a deitar.
– Ah não vai não! Eu preciso suturar esse corte! – Falou e, ao ver a expressão embasbacada do ruivo, percebeu a posição em que se encontrava. Havia feito isso porque estava com luvas estéreis, as últimas que tinha em casa, e não podia encostá-las em nada que não nos materiais sobre o campo estéril que havia preparado. Bem, agora era tarde para voltar atrás. Inspirou fundo, ignorando o friozinho nas entranhas, e inclinou-se sobre Damien. – Fique paradinho aí. – Pediu num sussurro, aproximando as mãos que seguravam a pinça e o porta-agulhas da testa do ruivo.
Damien parou de lutar para levantar e ficou um pouco tenso. Não. Ele ficou MUITO TENSO MESMO. Ele encarou o corpo de Taylor sobre o seu enquanto a joça da anestesia que o médico aplicou parava de arder como que por mágica. Taylor estava com os olhos fixos em seu machucado, concentrado em costurar o ferimento e provavelmente não percebia que a respiração do ruivo tornara-se rasa. O ar estava faltando naquele momento. Damien podia sentir as nádegas do médico sobre o seu abdômen e começou a ficar excitado ao imaginar Taylor nu em cima dele enquanto se movia sobre o seu pênis, apoiando as mãos em seu peitoral, jogando a cabeça para trás enquanto Damien estocava fundo...
“Merda...” Damien gemeu ao perceber que estava malditamente excitado. Ele começou a pedir mentalmente para que Taylor não percebesse isso, senão ele começaria a pensar que Damien era um maluco que ganhava uma ereção ao ser costurado.
– Só mais um ponto. – Taylor falou após alguns segundos. Ele era habilidoso naquilo e, rapidamente, inverteu a agulha no porta-agulhas e passou-a pelo machucado, suturando o que restava de carne aberta. Damien sentia a agulha entrando e saindo, mas não havia dor alguma. – Terá de ficar uma semana no mínimo com os pontos, aí poderei tirá-los. – Falou enquanto cortava o fio e finalizava o fechamento. Ainda largou os materiais, pegou mais gaze com soro fisiológico e limpou o excesso de sangue ao redor antes de colocar um curativo. – Pronto.
Taylor se levantou como se não tivesse feito nada de anormal ao sentar no colo do ruivo daquela forma, mas por dentro estava morrendo de vergonha. Que tipo de médico fazia isso, diabos? Taylor queria achar um buraco bem fundo para se enfiar. Por isso, ele recolheu rapidamente todos aqueles materiais sujos e escapuliu da sala antes que Damien comentasse alguma coisa, ou percebesse, mesmo através de sua pele negra, a vermelhidão em suas bochechas.
O ruivo levantou e foi para o quarto. Ele precisava de um banho. Gelado! E foi o que ele fez. Nem se preocupou em arrancar a roupa. Se jogou embaixo do chuveiro com roupa e tudo e só durante o banho foi se livrando da blusa, da calça e da cueca. Ele nem sentia incômodo algum na ferida costurada. Com certeza era por causa da anestesia, mas Damien também achava que era por causa da ereção dolorosa que estava tirando sua atenção de qualquer outra coisa. Nem a água gelada estava dando um jeito.
Então, ele não aguentou. Tinha que dar um jeito naquilo ou acabaria escalando as paredes.
Fechou os olhos enquanto levava a mão até a ereção. Ele gemeu enquanto deslizava a mão pelo pênis. Estava se masturbando pensando em outro homem. Isso ainda o deixava um pouco nervoso, mas não o fez recuar. O ruivo imaginou que Taylor estava no banho com ele, ajoelhado à sua frente usando aquela boca que tanto o enlouquecia, lambendo toda a extensão do membro e fazendo Damien quase dobrar os joelhos pelo prazer que sentia. Porém, antes que gozasse, Taylor afastou a boca e virou-se de costas, expondo as nádegas firmes. Com um olhar silencioso, ele deu permissão para que Damien fizesse o que bem entendesse com ele. O ruivo, claro, não se fez de rogado e o penetrou com força, iniciando um movimento de vai-e-vem intenso embaixo do chuveiro. Os gemidos preencheram o banheiro, misturando-se ao som da água caindo sobre os corpos molhados; Damien levava o médico ao puro êxtase e o fazia gemer alto enquanto o próprio ruivo gozava sussurrando repetidamente o nome de Taylor na orelha dele.
O Damien real gemeu e gozou nas próprias mãos. Ofegante, abriu os olhos e frustrou-se por saber que nada daquilo jamais aconteceria porque Taylor não era gay e nunca o deixaria encostar nele daquele jeito. E Damien não arriscaria um passo tão ousado que poderia assustar o médico e fazê-lo ir embora de casa. Talvez provocá-lo um pouco para ter certeza de que o gaydar de Sam estava pifado, mas agarrá-lo como imaginou durante o banho... Não, ele não teria essa coragem.
Quando terminou o banho, Damien pegou uma toalha, envolveu em volta da cintura e saiu do quarto. Ele ia em direção ao armário quando Taylor entrou no quarto de repente. Damien ficou tenso dando graças aos céus por ter passado o sabonete mais duas vezes depois de se masturbar. O que raios Taylor pensaria se sentisse algum cheiro “estranho” depois da cena na sala?
Taylor parou à entrada do quarto com um copo de água em uma mão e um comprimido para dor em outra. Quando o efeito da anestesia passasse, era bom que o ruivo estivesse já sob efeito de um analgésico. No entanto, seu coração quase saltou pela boca ao ver Damien apenas de toalha. Ok, já o havia visto completamente nu, então por que aquele ruivo definido, de pele branca e músculos bem-demarcados, estava causando um impacto ainda maior em seu próprio corpo?
– É... É melhor você tomar. É só um analgésico. – Entrou no quarto, tentando fingir que Damien apenas de toalha na cintura não era lá grandes coisas, e largou o copo e o comprimido sobre o criado-mudo ao lado da cama. – Evite entrar em brigas dessa forma na próxima vez. Sei que foi para defender o Sam, mas... Violência não resolve nada, por melhor que sejam as intenções. – Falou o que sempre acreditou, principalmente por já ter sofrido preconceitos antes na vida, mas naquele momento se perguntou se não havia ciúmes por trás de suas palavras, por Damien ter protegido Sam de forma tão intensa. Isso deixou Taylor muito mal, fazendo-o se sentir um mau caráter.
– Se você ouvisse o que o John falou, não teria conseguido ficar quieto também. – Damien resmungou enquanto dirigia-se, a passos lentos, até o médico. Não era cego e percebeu que Taylor ficara momentaneamente sem ação ao vê-lo apenas de toalha. – Enquanto eu tomava banho, senti minha boca arder. Acho que tá machucado aqui também. – Disse em um tom inocente, querendo que Taylor chegasse mais perto.
Taylor sentiu arrepios quando Damien parou tão próximo a suas costas. Por um momento quis dizer que não devia ser nada de mais e dar o fora dali o mais rápido possível, mas seu lado médico falou mais alto e ele se virou determinado a olhar o corte de maneira profissional; porém, puxou o ar pela boca ao dar de cara com o peitoral do ruivo. Nisso, ele percebeu a diferença de altura de maneira ainda mais marcante.
Ergueu o queixo para que seus olhos encontrassem os de Damien. Seu corpo inteiro esquentou pela proximidade e, com as mãos um pouco trêmulas, tocou o lábio inferior do maior, empurrando-o lentamente para baixo, a fim de encontrar o corte. Não conseguiu deixar de pensar em como a boca do ruivo era sensual. “Pare com isso! Não pode ficar pensando essas coisas do cara que o Sam ama e vice-versa!” Se recriminou, inspirando fundo. Havia um corte muito leve ali, que apenas deixara a região interna do lábio mais avermelhada e um pouquinho inchada.
– Não é nada de mais. Amanhã pela manhã não vai sentir coisa alguma. – Informou, satisfeito por ao menos sua voz sair normal. Depois cometeu o erro de retornar seu olhar aos orbes castanho-claros de Damien, momentaneamente se sentindo meio hipnotizado por eles.
Damien sabia que deveria manter as mãos para si, mas não conseguiu impedir que seus braços rodeassem a cintura de Taylor para trazê-lo para mais perto. Taylor estava quente e Damien frio por causa do banho. Foi um contraste gostoso de sentir.
– Tem certeza? Estava doendo muito. – Damien sussurrou com a voz rouca. – Talvez você precise olhar mais de perto. – Começou a aproximar seu rosto do dele, com a intenção de roubar um beijo.
Taylor espalmou as mãos no peito de Damien, sentindo a pele arrepiar onde houve o contato com o corpo do ruivo. Ele puxou o ar, ficando com a respiração pesada. O que raios Damien estava fazendo? Taylor nem conseguiu pensar em uma explicação lógica. Seus cílios longos chegaram a tremular, querendo fechar, mas então a imagem mental de Sam chorando e o chamando de traidor dissimulado ofuscou todo o resto e Taylor, num ato reflexivo, segurou um tanto forte demais o lábio inferior de Damien, fazendo o ruivo parar de se aproximar e gemer de dor.
– É, tenho certeza. Tudo parece ótimo. Tome o remédio e a dor irá diminuir. – Assegurou num tom profissional e, de alguma forma, conseguiu sair daquele abraço e escapulir do quarto. Correu para o próprio quarto quando chegou ao corredor e, nervoso, pegou Fubá no colo e o abraçou. – Estou enlouquecendo, Fubá. – Confessou, andando de um lado para o outro. – Acho que estou gostando de quem eu não deveria gostar.
Taylor acabou indo deitar junto com o cachorrinho, que tentou lhe dar umas lambidas antes de cair novamente no sono, exausto como estava, o pobre bichinho. Taylor, por outro lado, ainda ficou um bom tempo acordado, com os pensamentos cheios de conflitos.
No quarto ao lado, Damien voltou para mais um banho gelado e depois passaria a noite escrevendo. Sua mente estava borbulhando com ideias e ele não conseguiria dormir depois de tudo aquilo. Todo o sono que sentiu mais cedo foi para o espaço.
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