CREEPYWORL: O Mundo do Terror
2 Descobertas. Te entendo... O QUÊ?
Notas iniciais
Ela olha para cima e percebe a luz e um apartamento acesa. O apartamento de Bárbara!!! Ela pode até parecer uma menina metida, mas sua moradia é ainda mais simples que a de Ylana. A garota ouve risadinhas vindas da janela e tem uma idéia: aproveita que a portaria está vazia e entra no prédio, indo pelas escadas até o segundo andar, de onde ouviu as risadas. Andando por ali, percebe uma luz por baixo de uma das portas. Abre a porta devagar, para não fazer barulho, e entra. Ouve as risadas mais nitidamente e segue-as até se deparar com a porta fechada do quarto. Encosta a orelha na fechadura para ouvir melhor e se surpreende ao ouvir a conversa:
“BÁRBARA DO CÉU!!! Não acredito que você conseguiu convencer aquele cara a pagar todos os comerciantes e moradores do bairro para desertarem as ruas por um tempo!”
“É mesmo!!! Como você conseguiu, em? Que eu saiba, não é NAAAAADA FÁCIL convencê-lo de alguma coisa!!!”
“Ora, meninas! A resposta é bem simples: dormi com ele noite passada! Além de rico, ele é bem experiente e me fez ir nas ALTURAS com aquela coisa enorme que chamam de...”
“TÁ BEM, TÁ BEM, NÃO PRECISA FALAR MAIS NADA!”
“Então, qual vai ser seu segundo passo pra acabar com a auto-estima daquela esquisita?”
“Eu não sei. Acho que vou precisar de mais algumas noites com o Ricão Armador pra tirar um plano dele.”
“Como assim ‘Ricão Armador’,Bara?”
“Ora essa, você sabe porque chamei ele assim: ele é um idiota pão duro!”
“Mas por que o ‘Armador’?”
“Porque ele se arma pra qualquer uma, se bem que eu sou A qualquer uma”
‘’’ RISADAS ISTÉRICAS’’’
Ylana não precisa escutar mais nada! Sabe que Bárbara é idiota e nunca deixa alguém entrar em seu caminho sem dar um troco. Sai do apartamento e vai para a casa do homem do qual ouviu-as falar: Leo Slinder, ou simplesmente Leo. Sendo um rapaz ambicioso e pão duro em plenos vinte e cinco anos, não é de admirar que cobrou uma noite de sexo com Bárbara para pagar quem quer que fosse. Sempre esperta, Ylana nunca se esquece do celular em casa e sempre o usa para escutar música, nada mais. Porem, ele fora usado como “arma”: quando descobriu do que se tratava a conversa das idiotas no apartamento, gravou tudo o que podia, INCUSIVE Bárbara chamando o rapaz de idiota pão duro que se arma para qualquer uma.
Assim que põe o dedo na campainha, a porta da mansão se abre e aparece lá um rapaz de cabelos castanhos brilhantes e sedosos, com sua pele um pouco bronzeada e seus olhos cinzentos frios a encarando. A garota não se acanha pela frieza de seu olhar, somente retribui mais friamente ainda.
– Eu gostaria de falar com Leo Slinder.
– Sou eu mesmo. Entre.
Ela estranha. Leo não é o tipo de pessoa que deixa os outros entrarem em sua casa de primeira. Entra e se depara com uma sala belamente decorada, com um belo sofá em L e uma TV de umas tantas polegadas na parede.
–O que você quer comigo? Uma noite dos sonhos?- pergunta ele, com um sorriso malicioso.
–Não, obrigada. Não quero ser mais uma vadia com quem você se deita.
A expressão da garota é séria, mostrando sua confiança diante dele, mesmo ele chegando perto com uma cara de poucos amigos depois de ouvir o que ela disse.
–Então por que veio até minha casa? Quer dinheiro? Não vou lhe dar nada sem algo em troca.
–Mesmo seu tempo para ouvir o que a Bárbara diz sobre você pelas costas?-arqueia uma sobrancelha.
Ele se interessa. Não é todo dia que alguém vai a sua casa para lhe contar um babado, muito menos da garota com o qual passou a melhor noite de todas. Ylana sorri de canto, pega o celular e coloca a gravação. O rapaz fica irado com o que ouve.
– Como conseguiu isso? Quando ela falou isso?!? ME RESPONDA!!!
–Calma, eu vou te responder.
Ele se senta e aponta para ela fazer o mesmo. Ela se senta logo ao lado dele e começa a falar de como descobriu aquilo logo antes de estar ali. Ele fica mais irritado ainda. COMO uma garota pôde dizer aquilo logo depois de ter uma noite mágica E receber dinheiro? Gritando de raiva, ele taca um vaso que estava ao lado do sofá na parede. A garota fica desnorteada: nem mesmo sua mãe maluca fazia isso quando estava zangada. Ela se levanta e surpreende o rapaz ao segurar-lhe o rosto entre as mãos. Ele recomeça a respirar num ritmo normal... até perceber a distancia de seu rosto e do rosto da bela adolescente e o olhar firme e preocupado que ela ostenta. Ela cora.
Ylana se afasta e diz:
–Eu só vim até aqui para te mostrar isso, não para te ver quebrando tudo! Se quiser, eu fico aqui até se acalmar, caso contrario, eu vou embora e venho te ver amanhã depois da aula.
Ele a olha e pergunta:
–Pode passar a noite aqui?
Ela se espanta.
–Por quê?
–Porque você é a única pessoa que conseguiu me acalmar num ataque de raiva.
Suspirando pesadamente, Ylana concorda.
–Então vou pegar minha mochila em casa. Eu moro perto, então não vou demorar.
Ela sai e, enquanto anda pela rua deserta, se depara com um homem parado em sua frente, com um moletom branco e capuz na cabeça. Prestando atenção, ela nota que ele tem cabelos negros compridos e que sua pele é muito, MUITO pálida. Estranhando, ela tenta passar ao lado dele, mas é segurada pelo braço. Desconfortável, lança um olhar mortal no maior estilo “ME SOLTA SENÃO TE MATO”.
Ele solta uma risada e diz, com uma voz rouca:
–Não se preocupe, não vou lhe fazer mal. Só lhe peço para tomar cuidado com esse rapaz, seu histórico não é lá dos mais atraentes.
Ylana o olha, duvidosa. Como aquele homem sabe que o histórico de Leo não era limpo e cristalino? Ela sabe de todos que moram naquela cidade, todos se conhecem por lá, mas esse cara que segura seu braço firmemente não é conhecido de ninguém. Talvez seja um parente de Leo, talvez tenha morado ali antes de ela se mudar há dois anos. Puxa seu braço e diz:
–Não se preocupe, não vai acontecer nada. Sei me virar sozinha.
O estranho solta uma risadinha e murmura algo como “Sei, sei...”
Ylana vai para casa e, aproveitando a oportunidade, pega seu tablet para, quem sabe, usar o Wii-fi de Leo. Prepara sua escova de dentes, de cabelo, pasta de dentes(sendo do jeito que é, Leo não iria emprestar nada), prendedor de cabelo, creme, desodorante e um hidratante labial. Com tudo pronto, Ylana parte para a casa de Leo, prestando atenção para ver se aquele estranho que lhe abordara anteriormente não está por perto. Chega à casa do Slinder, ouvindo uma de suas bandas favoritas, The Cure. Leo está a esperando na porta, nervoso. Sorri quando a vê se aproximar.
–Você demorou, fiquei preocupado.
–Não se preocupe, foi só um contratempo: um gato entrou na minha casa e foi a maior batalha pra tirá-lo de lá.
–Nossa! E onde você o jogou?
–Sei lá! Mas ele me seguiu até aqui, pelo visto. –diz, olhando para o gato preto que ronronava enquanto rodeava suas pernas.
Leo a olha, surpreso. Ele nunca havia visto aquela garota sorrir dês de que ela havia se mudado para a cidade há dois anos. Ruboriza quando vê que ela sorri radiantemente enquanto acaricia o bichano.
–J-Já notou q-que esse gato é parecido com a tatuagem em seu pescoço?
–Pior que é. O gato em meu pescoço é de uma história de terror que eu adoro. Com o coração cheio de raiva e a alma corrompida pelo ódio, o gato vira o próprio demônio para se vingar do dono que lhe arrancou o olho esquerdo com um garfo.
–IRCK!!! Eu não queria ser esse cara!!! Bem, já está ficando frio e, pelo visto, esse gato não quer sair de perto de você. Pode trazê-lo para dentro, eu não ligo.
Eles entram. Ylana nunca teve amigos e, quando pegava confiança em alguém, logo a retirava por medo de decepções. A gentileza de Leo a deixa acanhada, pois é a primeira vez que alguém é gentil com ela.
–Ylana, você trouxe pijama?
–DROGA!!! Esqueci de colocar um na mochila!- FACEPALM
–HAHAHAHAHAHAHAHA!!!! Não se preocupe! Deve ter alguns da minha irmã guardados e vocês devem ser do mesmo tamanho.
A garota fica mais vermelha que um tomate. Não bastava ceder seu tempo, sua imagem e um quarto, ainda iria ceder um pijama também? Isso não está certo pára ela!
–Não se preocupe, não precisa! Eu tenho esse moletom e ele pode servir de pijama por esta noite e...
–Que isso! Você ACHA que vou deixar você dormir de moletom? Lá fora pode estar frio, mas aqui dentro é bem quente! Espere aí que vou pegar um Baby-Doll pra você.
Contrariada, Ylana se senta na cama king size e fica imaginando como seria sua vida se ela tivesse amigos. Três curtos minutos depois é mandada de volta a realidade por Leo, que estala os dedos na frente do rosto da garota.
–Terra chamando Ylana!!!
–AH! Desculpe! Viajar na maionese é bem que uma mania que eu tenho.
O rapaz acha graça e ri. Nunca viu uma garota com a cabeça nas nuvens e com uma cara de brisada. Para ele é a coisa mais tonta e diferente do mundo!
–Bem, acho melhor você se trocar.
–Com você olhando?(OLHA O DESDEM!!!)
–KIAKIAKIAKAIKAIAKIA!!! Claro que não! Tem um biombo bem ali, só basta ir lá pra trás dele e se trocar!
–Ta bem...
Vai para trás do biombo e se troca, sentindo certo desconforto por estar usando o pijama de outra pessoa e por não gostar muito de rosa – bebe. Terminando de se trocar, ela sai com suas roupas já dobradas no braço. Vai até a mochila com a intenção de pegar o tablet, porem, sabe que pega mal se Leo a ver com um tablet em mãos.
–Leo...?
–Sim?
–Posso usar sua internet?
–Claro! Aqui está a senha.
Diz ele, pegando um papel do bolso.
–Eu tenho que andar com esse papel o tempo todo! Eu nunca guardo a senha que a minha irmã colocou, então não posso me esquecer disso aqui em casa.
–Por que você simplesmente não muda a senha?
–Porque esse é o nome de um personagem de história de terror, um serial killer. Minha irmã o adorava e eu sempre a pegava no flagra vendo imagens indevidas dele no Google.
–Ta certo... –Lê a senha- MAS É O JEFF THE KILLER!!!
–Conhece esse personagem?
–TÁ BRINCANDO?!?! Ele é de mais! Sempre arranja um jeito de fugir da cena do crime sem ser visto, mata muitos usando somente uma faca, enlouqueceu desse jeito quando tinha treze anos e sua aparência grotesca faz com que seja um dos personagens de creepypastas mais famosos!!!
–Você sabe mais dele do que qualquer um, não é?
–Ler sobre ele, ver o quanto ele sofreu antes de se tornar um assassino, me deixou mais confiante. Ele foi minha fuga depois que meu pai sumiu e minha mãe foi presa.
Inevitavelmente, lagrimas escorrem por suas bochechas. Sua vida era, é e, segundo ela, sempre será uma droga. As circunstancias em que se encontrava na infância não foram nada favoráveis para seu pai, que sempre a ajudava a se acalmar: sempre era pega tentando roubar remédios, alimentos e roupas quando pequena. Só fazia aquilo para poder ajudar a mãe que nunca lhe deu um beijo de boa noite. Seca as lagrimas e se desculpa com Leo por ter dado uma de garotinha dramática.
–Não se preocupe, não acho isso desconfortável. É muito bom desabafar com um choro ou com um soco na cara de algum panaca. Bem, fique a vontade e...
–E...?
–Por favor, se me ouvir gritando ou qualquer coisa, vá até meu quarto. Que eu saiba, a única pessoa que conseguia me acalmar era minha irmã.
–Leo?
Ele a olha.
–O que aconteceu com sua irmã?
–Ela... morreu.
Agora quem começa a chorar é Leo, surpreendendo Ylana. Ela vai até ele e o abraça, sentindo que ele a aperta e a chega mais perto.
–Você sabe que coisas assim acontecem, não é? Não adianta mais chorar por ela. Olhe pelo lado bom.
–QUE LADO BOM? QUE ELA ESTÁ MORTA E QUE EU NUNCA MAIS VOU PODER VÊ-LA, TOCÁ-LA OU OUVI-LA NOVAMENTE?
–Não. O lado bom é que ela não está mais sofrendo e que ninguém mais vai fazê-la chorar.
Ela o afasta e seca suas lágrimas, dando-lhe um beijo na testa logo em seguida.
–Sabia que você é a primeira pessoa que é gentil comigo? Nem minha mãe fez isso por mim. Ela NUNCA nem cozinhou pra mim. Você é, sinceramente, meu primeiro amigo.
Ele sorri e lhe agradece, saindo do quarto logo em seguida. Ylana pega o tablet, conecta-o e vai ler suas amadas creepypastas. Acha fascinante como Jeff foi irresponsável e cruel a ponto de matar os pais de Jane e, depois, deixá-la a beira da morte, amarrada em uma mesa.
Ela dorme um sono profundo, com sonhos loucos e totalmente fora da realidade. Acorda de repente ao ouvir um barulho, vindo da janela, seguido de passos lentos e calmos indo a sua direção. Aperta os olhos e enfia o rosto no travesseiro, esperando o momento do golpe fatal... Que nunca vem! Prende a respiração ao sentir alguém lhe afagando a cabeça com carinho. Vira-se lentamente e abre os olhos, vendo um homem, aparentemente, com a pele tão pálida quanto a de um albino. Seus cabelos negros caem sobre os ombros e seus olhos, arregalados, estão serenos. Sua boca tem os cantos cortados, fazendo com que sorria eternamente. Ylana o reconhece imediatamente: Jeff, the Killer!
–O que faz aqui?
–Protejo você.
–De quê?
Ele dá uma risada seca.
–De tudo.
Ela o olha mais atentamente. Não pode negar que, apesar de ter uma aparência macabra, Jeff the Killer tem um certo charme. Ela cora assim que percebe que pensou isso em voz alta e puxa suas cobertas para a cabeça.
–Bem, obrigado. Na verdade, não estou aqui somente para lhe proteger. Estou aqui para lhe fazer uma proposta.
–Diga.
–Não até você tirar a coberta da cabeça.
Hesitante, ela descobre a cabeça lentamente, deixando com que seu rosto fique a mostra.
–Já tirei a coberta da cabeça. Agora diga!
–O.K., então. Zalgo, a creepypasta mais poderosa de todas, lhe oferece uma oportunidade única: Virar uma de nós.
–Não vou ter que me mutilar, vou?
–Se quiser, pode, se não quiser, não tem problema. Só que tem uma condição.
–E qual seria?- Pergunta a garota, se sentando. Jeff ola para seus seios fartos e cora.- VAI FICAR OLHANDO MEUS PEITOS OU VAI ME FALAR?
–AH!!! D-D-DES-DESCULPE! Bem, a condição seria... Você morrer.
–MORRER?!?!?
–Não me olhe assim! Essa condição foi imposta a todas as creepypastas, então é melhor me agradecer por eu não te forçar a virar uma!
Ela sua frio. Sabe que será um sacrifício enorme, mas não gosta tanto de creepypastas? Não queria experimentar o prazer de matar alguém lenta e dolorosamente, se deliciando com seus gritos?
–Eu... Preciso pensar nisso. É muita coisa pra processar de uma vez, estou com o receio que não vai ser tão agradável assim.
–Pode ter certeza de que vai acontecer de alguma forma, caso aceite. Tem um prazo de 24h para me responder.
–Obrigada.
Ouve passos apressados no corredor.
–YLANA! QUEM ESTÁ AÍ COM VOCÊ?
–Leo...
Aporta se abre rapidamente com o chute de Leo e, num piscar de olhos, Jeff sai pela janela, gargalhando loucamente e sumindo na noite.
–Quem era aquele maluco? O que ele queria com você?
–Ele era...
–ERA...?
Ylana o olha, com um brilho estranho, INSANO, nos olhos.
–JEFF THE KILLER!
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