But... I Love You

15 Capítulo 15 - Elegância


– Isso não está certo!

– Lógico que está, filha.

– Está fora do lugar, parece torto. – Eu disse, frustrada.

– O modelo é assim... – Minha mãe suspirou.

Contei para minha mãe sobre o baile medieval. Ela insistiu para que eu provasse o vestido que minha avó deu para ela quando estava no colegial, para usar em seu baile de formatura, mas... Vovó nunca foi boa com presentes.

– Não me sinto bem, mãe. – A verdade é que eu estava prestes a desabafar com a minha mãe, mas quando falei a palavra “baile” ela automaticamente parou de prestar atenção no que eu falei depois. No fim, eu não queria ir, mas minha mãe se empolgou tanto que pensei em fazer um esforço para ao menos marcar presença e ir embora logo depois.

Afinal, o que eu faria lá, sem par, além de marcar presença?

– Tudo bem, tire então. Vamos comprar um novo. Arrume-se, te espero no carro.

– Vamos hoje? – Não tive aula no dia anterior. Reunião do corpo docente. Entretanto, naquele dia eu pretendia ir para a escola.

– Não, Mel. Dia 31 de fevereiro. – Ela me olhou com sarcasmo. – Amanhã a escola vai ser decorada para o baile, não é? Sem aula na quarta e na sexta... Acha mesmo que alguém vai hoje?

– Tem razão. Além disso, faltar um dia não faz mal a ninguém. – Confesso que não queria mesmo ir naquele dia. Estava evitando meus amigos desde o último acontecido.

– Geralmente eu te diria isso, mas como você já disse... Ótimo avanço! Agora avance para o carro.

No caminho para a loja pensei em quando combinei com Taty que iríamos comprar os nossos vestidos juntas. Acabamos não procurando uma a outra para falar disso, e esse combinado não se manteve.

Minha mãe costuma ser exagerada sempre que aparece alguma oportunidade. Ela escolheu a maior loja de vestidos da cidade. Deu para ver o quanto ela estava animada com essa ideia. Eu esperava que ela não me fizesse provar todos os modelos.

A loja era espaçosa, organizada e muito elegante. Paredes em tons de creme com um piso branco cintilante que realçavam a decoração. Manequins muito bem arrumados exibiam o que pareciam ser os melhores modelos da loja. Uma música ambiente deixava o lugar agradável e convidativo.

Minha mãe escolheu alguns modelos, eu vez ou outra eu escolhia algum também. Como o provador só permitia um determinado número de peças por vez, descartei algumas que minha mãe escolheu e eu não gostei e dividimos as peças restantes em dois montes, para que eu só precisasse ir ao provador duas vezes.

Quando eu estava na quinta ou sexta peça, me peguei olhando o espelho e pensando no que Théo pensaria caso me visse assim. Logo após pensar nele, pensei a mesma coisa quanto ao Ronald. Todavia, Ronald é meio previsível. Ele provavelmente abriria um largo sorriso e diria algo como “você está incrível”. Mas Théo... Ele riria? Ele estranharia? Talvez, já que nunca me viu assim. Mas desde que ele começou a agir de maneira estranha, não sei mais as possíveis reações dele. Ele se tornou uma incógnita, uma caixinha de surpresas, e isso despertou minha curiosidade, está chamando minha atenção mais do que eu gostaria que chamasse.

– Esse está demorando, Mel. Quer ajuda? – A voz da minha mãe vindo de fora do provador me tirou do transe.

– Não precisa, já acabei. – Respondi, abrindo a cortina. – Gostei desse.

Era um modelo não muito sofisticado. Ninguém sabia dizer de que cor era, se era creme, areia ou até mesmo salmão. Tinha uma manga só, era bem acinturado e com uma saia não muito armada. Era simples, mas atraente. Era um modelo fácil de entender, mas ao mesmo tempo peculiarmente intrigante. Como Théo no momento.

Droga, por que eu estava ligando tanto pra ele? E daí se ele não quis mais ir ao baile comigo? E daí se ele não gostava de mim?

Vou pra esse baile, e vou feliz, mesmo sozinha. Mesmo que Ronald não vá – eu até queria que ele me visse assim – vou curtir, me divertir. Talvez eu até conheça alguém legal por lá. Afinal, aquela escola é enorme. Vou pela minha mãe. Vou por mim. Vou pela minha confiança.

– Você está... Esplêndida! – Minha mãe sorriu orgulhosa. Apesar da temática do baile, poucos iriam realmente no estilo medieval. – Vai ser esse, então?

– Sim, vai. – Sorri de volta.

Estávamos voltando para casa quando minha mãe fez A pergunta:

– E o seu par?

Eu estava quase dormindo encostada na janela do carro.

– Meu pai? O que tem ele?

Minha mãe riu e abaixou o volume do rádio.

– Seu par! Você tem um, não tem? Quem é?

– Mãe, eu... – Eu não sabia como dizer. E se ela ficasse com raiva por ter comprado um vestido para a filha dela ir com o vento para o baile?

– Ei, pode me contar tranquilamente, filha. Você sabe disso. – Ela sorriu com ternura.

– É que... Ahn...

– Tuuuudo bem, não vou te obrigar. Só quero que se divirta. Me conte como foi depois, ok?

– Certo... – Respondi, incerta.

Imaginei-me contando, posteriormente, como foi o baile. “Foi muito bom. Meus melhores amigos estavam dançando juntos enquanto eu bebia um delicioso ponche, sozinha. Minha amiga sempre disse que nosso amigo era a fim de mim, mas não percebeu que talvez eu quisesse ir com ele para o baile.”

Talvez eu... Quisesse ir com ele? Melody! O que está acontecendo? Você só foi trocada, esqueça isso!

Será que é só por isso mesmo que fiquei tão encucada?

Notas finais
O baile finalmente está chegando! Pretendo postá-lo na próxima semana. Ainda não estou de férias (;-;) mas só até a semana que vem mesmo. E então, quais os palpites e expectativas para a tão esperada celebração?