But... I Love You

16 Capítulo 16 - Beijo


Notas iniciais
E finalmente o baile tem início! Eu estava muito ansiosa por isso. Esse é, sem dúvida, um dos meus capítulos favoritos! {Desabafo} Eu comecei essa fic há quase três anos atrás e desde então venho vendo meu progresso. Fico triste comigo mesma por demorar tanto para atualizá-la, mas agora que terminei o ensino médio, tudo está mais fácil para mim. Tenho mais tempo! ^-^ Espero que continuem comigo. Até as notas finais!

Eu adoraria saber de quem foi a ideia desse baile.

Mr. Ly Academy estava com outra cara. Os responsáveis pela decoração provavelmente tiveram trabalho para conseguir tantas armaduras, estandartes e os incríveis tronos no centro do que costumava chamar de pátio e que, no dia do baile, mais parecia um salão de dança. O salão de dança real. Me perguntei quem ocuparia aqueles tronos. Atrás deles ainda havia um retrato em tamanho gigante do Rei Arthur. As luzes do ambiente estavam em um tom alaranjado que se fazia muito presente devido às longas cortinas que cobriam as janelas, e música clássica tocava ao fundo.

Cheguei um pouco cedo, mesmo que tenha me enrolado toda tentando fazer um penteado legal. Fiz um coque despojado com algumas mechas de cabelo soltas, nada muito extravagante. Acordei antes do horário que pretendia por pura ansiedade e não consegui voltar a dormir. Quando cheguei ao baile, a primeira coisa que pensei foi em pegar um bom lugar para sentar e descansar meus pés pouco adaptados aos sapatos que eu estava usando.

Apesar do horário, já havia muita gente. Estavam nos cantos do salão aos pares ou grupos, todos meio tímidos, conversando. Algumas colegas de sala acenaram e eu acenei de volta. Pensei em ir cumprimentá-las e conversar um pouco depois.

Após um tempo sentada, os vi chegar. Théo e Taty chegaram juntos, o que me deixou levemente irritada. Não sei bem o motivo. Eles já estavam me chateando formando um par, tinham que chegar juntos também?

Taty foi a primeira a ser notada por mim e acho que por qualquer um que olhou na direção dos dois. Estava com um vestido tomara-que-caia vinho e dourado. A parte de cima era algo como um espartilho todo vinho. Já a saia era longa, ia até os pés, e muito armada. Esta era dourada com alguns detalhes em vinho, no mesmo tom que a parte de cima. O cabelo estava solto e cacheado. O rosto, com bastante maquiagem. Ela estava exagerada. Exageradamente linda.

Já Théo... Ele estava de terno, como a maioria dos garotos. Acho que roupa medieval masculina é meio difícil de encontrar. Ele usava um terno preto com uma gravata azul-marinha. Seu cabelo continuava o mesmo de sempre: natural. Não há outro modo de definir. Théo mexia a cabeça para lá e para cá a procura de algo, até que me viu. Nossos olhos se encontraram e eu automaticamente abaixei a cabeça. Quando olhei de novo pelo canto do olho, Théo estava corado. Parecia sem graça, mas creio que estava acanhado por causa desse evento tão majestoso. Todos estavam meio deslocados. Inclusive eu.

Os dois atravessaram o salão em direção às mesas. Taty não me viu, e eu não fiquei encarando Théo. Quando olhei na direção dos dois, ambos estavam se sentando nas cadeiras. Théo não puxou a cadeira para Taty; ele simplesmente se sentou, e se espreguiçou logo depois. Não era nada forçado, dava para ver que ambos estavam muito a vontade.

Cerca de 15 minutos se passaram até o baile realmente começar. A música aumentou e os casais se aproximaram mais do centro do salão. Quando Théo e Taty começaram a dançar, me levantei para ir embora.

Mas passando por entre os casais, dei de cara com uma pessoa.

Até agora não sei o que ele estava fazendo lá.

Até agora não sei o que me fez ficar naquele lugar e sair justamente no momento em que ele entrou.

Ronald.

As chances de nos encontrarmos no meio do salão eram mínimas. Havia muita gente dançando. Mas nos encontramos, e ele fez questão de não me deixar passar despercebida:

– Opa, olha só quem eu achei. – Aquele sorriso com o canto do lábio enquanto ele falava fez com que eu não conseguisse me mover. Com que eu não quisesse.

– Ronald? Fiquei sabendo que não viria.

– Meu compromisso foi cancelado. E a senhorita? Por onde anda seu par?

– Ele... Não veio. – Menti. – Acho que algo aconteceu.

– Que bom que eu vim então. Não poderia perder a chance de ter uma dança contigo. Então – ele estendeu a mão e se curvou –, me concederia a honra?

Ronald estava usando um smoking cinza com uma gravata borboleta prateada. Com gel no cabelo e barba feita, ele possuía uma beleza descomunal. Naquele momento eu parei e pensei “sem dúvida, foi para isso que eu vim”.

O resto do baile desapareceu enquanto dançávamos. Para mim, éramos só Ronald e eu. Estávamos muito próximos e em perfeita sintonia. Eu podia sentir os músculos de seus ombros enquanto sentia suas mãos ao redor da minha cintura. O ritmo nos possuíra, e por um momento que se eternizaria em minha mente, eu tinha aquele sorriso só pra mim.

– Você está linda. – Ele disse.

– Obrigada. – Sorri.

– E ao som de quê estamos dançando? Bethoveen? Mozart?

– Eu não entendo nada de música clássica. – Me senti uma idiota.

– Bom, somos dois. – Ele riu. – Só puxei assunto mesmo. Você curte algum tipo de música específico?

– Ouço de tudo um pouco, não tenho uma preferência... E você?

– Eu gosto muito de eletrônica. Muito mesmo.

– Legal. – Eu não sabia o que responder.

Nós continuamos dançando em silêncio depois disso. Ele olhou em volta e eu também. E ambos vimos o mesmo casal. Taty nos olhava descaradamente, enquanto Théo tentava disfarçar, mas acabava deixando evidente que nos olhava com certa curiosidade.

– Você... Quer ir um pouco lá fora? – Ronald, assim como eu, se sentiu incomodado com aquilo. Eu assenti e saímos juntos.

Não me preocupei com o fato de eu e Ronald sairmos juntos do salão. Taty provavelmente pensou algo errado em relação a isso, mas até aquele momento ela não tinha medido seus atos. Ela roubara meu par por medo de ficar sozinha, e para se consolar por ter perdido a chance de dançar com Ronald. Ela estava dançando com alguém que ela tanto disse gostar de mim.

Sei que eu não deveria ter ficado tão sentida com isso. Mas sentimentos são bichinhos engraçados, não é mesmo? São tão rebeldes.

Com exceção dos postes de luz, estava escuro lá fora. Uma brisa leve afastou as mechas soltas de cabelo do meu rosto enquanto Ronald me levava para os bancos que ficavam na parte de fora da escola.

– Eu gosto muito daqui. – Ele disse. Eu já havia pensado sobre esse lugar antes. Era calmo e pouco frequentado pelos alunos. Bem arejado devido à grande presença de verde. Bem iluminado e com muitos bancos. Era a parte mais “zen” da Mr. Ly Academy. Os alunos que iam pra lá esperam encontrar tranquilidade.

– É realmente muito bonito.

Ele sorriu.

– Bom, onde estávamos? – Ele me estendeu a mão. Fiz cara de quem não compreendeu e ele continuou – Você não quer mais dançar?

– ... Aqui?

– Eu só quero continuar dançando com você. Onde é o que menos importa.

Com isso, aceitei. No exato momento em que toquei sua mão outra música começou a tocar. Não era nada clássico, era algo mais atual e extremamente romântico. Senti meu rosto corar, mas não hesitei.

Dessa vez realmente só havia nós dois ali em todo o espaço visível. Estávamos mais próximos e a escuridão da noite tornava tudo mais bonito. Eu sabia exatamente pra qual lado ir, seguia a melodia com a alma, e sentia Ronald fazendo o mesmo. Em algum momento a letra da música me invadiu a mente.

“E talvez um dia nós nos encontremos. Talvez possamos conversar e não só falar.”

Nesse momento Ronald e eu estávamos cada vez mais próximos. Ronald encostou sua testa na minha e ambos fechamos os olhos. Ficamos assim por um tempo.

– Mel... Algumas meninas me convidaram para o baile, sabia?

– Ah, é? – Nesse momento não pude deixar de pensar em Taty. E por que ele estava falando aquilo naquele momento?

– É, é sim. Mas eu disse a todas que não viria, porque quando esse baile foi anunciado a primeira pessoa que me veio à mente foi você. – A respiração dele estava lenta e pesada, como se ele estivesse tentando controlá-la. Como se ele estivesse tentando se controlar.

“Não cobre as promessas, pois não há promessas que eu cumpra. Minhas reflexões me incomodam.”

Senti seus olhos se abrindo e abri os meus, mas não afastamos nossos rostos.

– Olha Mel, eu não tenho dúvida de que sinto algo estrondosamente grande pela Taty. Mas não posso mais esconder que é sempre você em quem eu penso primeiro. Não importa o assunto. Não importa nem se tem um assunto, às vezes eu simplesmente me pego pensando em você.

“Eu não estou pedindo uma segunda chance... Estou gritando com toda a minha voz.”

– Ronald, eu...

– Eu não quero que você diga nada, apenas que me escute. Eu sei que não sabemos praticamente nada além do nome um do outro. Sei que estamos confusos quanto ao que sentimos. Mas no meio dessa confusão, concluí que sentimos algo parecido. Eu tenho certeza disso.

“Me dê razão, mas não me dê escolha. Porque vou apenas cometer....”

Aos poucos nosso abraço se tornou mais apertado. Meus braços se enroscaram em volta de seu pescoço enquanto fechávamos nossos olhos novamente. Aos poucos fomos parando de dançar.

– Não se esconda. – Ele sussurrou. Nossos narizes se encostaram.

“... o mesmo erro...”

E então aconteceu. Nos beijamos.

“... de novo.”

Foi um beijo lento, duradouro. Tinha emoção. Eu estava tão feliz que queria chorar. Mas não consegui não pensar em Taty. Aquilo não estava certo.

Paramos de nos beijar, mas continuamos abraçados. Minha cabeça estava em seu ombro e ele acariciava minha nuca.

“Olhe para as estrelas. Olhe para as estrelas caindo.”

Juntos, olhamos para o céu estrelado.

“E eu me pergunto... Onde foi que eu errei?”

Quando a música acabou e nossos olhares se encontraram, tive certeza de que pensamos na mesma pessoa.

– Talvez seja melhor que esse momento fique só entre a gente. – Ele disse.

Eu estava pensando se conseguiria mesmo esconder algo desse porte de uma amiga tão próxima minha – seria eu cruel a esse ponto? – quando meu olhar fez minha mente mudar de rumo.

Théo.

Ele estava ali, nos vendo, meio distante. Mas desde quando?

Uma sensação de pânico tomou conta de mim. Taty estivera ali também?

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Théo voltou para o salão. Ele ia contar para ela?

Eu não podia sair correndo atrás dele e deixar Ronald ali. Além disso, se eu entrasse no salão correndo atrás de Théo, tudo se complicaria. Os outros criariam uma imagem errada daquilo, e pior seria se Taty percebesse que eu estava tentando evitar algo. Ela sabia que eu estava aqui fora com Ronald. Ela provavelmente já estava com raiva de mim. Só não tinha certeza do que estávamos fazendo.

Ronald sentou-se num banco próximo. Inclinou a cabeça como se me chamasse, e eu fui. Não sei se ele também viu o Théo.

Tentei relaxar. Eu queria muito curtir aquele momento. Mas minha cabeça estava entrando em colapso e a última coisa que consegui foi relaxar. Ronald também parecia apreensivo.

E abraçada a ele, com a cabeça apoiada em seu peito, eu chorei.

Notas finais
E então? Quem gosta de ver Ronald e Melody juntos deve ter curtido esse capítulo. Mas calma lá, pessoal! Ainda tem coisa por vir! Como vocês viram, havia a presença de uma música ali. A música citada foi "Same Mistake" do James Blunt. Recomendo que ouçam a música enquanto leem o capítulo. Essa música me emociona muito e contei com ela para tornar a cena do baile impactante. Espero que eu tenha conseguido o efeito esperado! Essa é uma cena em que os dois pensam na possibilidade de ficar juntos momentaneamente, mas ao mesmo tempo deixam evidente seus corações divididos. Melody não se entrega por completo por estar errando com a amiga. É um momento triste, mas que não deixa de ser lindo. Obrigada por continuarem me acompanhando e até o próximo capítulo! ❤