Burning Desire
6 Capítulo 6 - Frustrações pra uma vida inteira.
Notas iniciais
Capitulo 6 — Frustrações pra uma vida inteira.
A perna do loiro pressionava a sua, e o pé forçava o seu a pisar fundo no acelerador, o primeiro ímpeto foi de largar o volante, mas já havia perdido o controle da velocidade, não queria perder o controle da direção também. O corpo ao seu lado meio inclinado para alcançar os pedais parecia não se conter de felicidade, uma felicidade macabra, que fazia Sasuke se perguntar que tipo de problemas mentais ele teria.
A paisagem do lado de fora se movendo rapidamente denunciava a que velocidade estava, e o couro do volante sofria sendo marcado por mãos que transpiravam devido ao nervosismo do moreno.
A primeira tentativa de chamar a atenção de Naruto foi falha, remexia as pernas tentando se livrar da opressão, o que fazia o Uzumaki lhe lançar um olhar desafiador e inconsequente, como se fosse uma criança que por mais que soubesse que era errado continuava. Repetia o nome do loiro como se este fosse um cachorrinho desobediente e precisasse ser repreendido, e a palavra pare também era pronunciada bastante por ele, se sentia como uma garotinha submissa e se perguntava se realmente estava odiando tudo aquilo, porque se a resposta fosse sim, já teria que ter parado aquilo minutos atrás, não era como se fosse um invalido ou um fraco, tinha forças para nocautear o loiro, mas as ações permissivas passavam a mensagem errada.
Soltou uma das mãos do volante e empurrou a perna de Naruto com força de volta ao lugar – Naruto! Para agora! – e pela primeira vez via o outro sucumbir à vontade de alguém, a força extra desapareceu e estava no controle do veiculo – e de suas emoções – novamente.
–Fine ¹– o loiro amuado estava em sua posição inicial, mas não se mostrava arrependido, só encarava a janela acompanhando a velocidade do carro diminuir.
E aquela simples palavra despreocupada foi o que disparou o gatilho da ira contida de Sasuke. Quem visse a careta que seu rosto mostrava não o reconheceria sendo o indiferente Uchiha Sasuke, aquele que não levantava a voz e não se exaltava nunca, a figura apática e imparcial dona de um humor ácido e atitudes controversas.
– Mas que droga! Qual o problema com você garoto? Quer nos matar? Que tipo de retardado você é? Tinha que ser loiro quem mais aceleraria desse jeito? Você não vê as consequências dos seus atos? –Gesticulava e berrava, e fez menção de bater no loiro algumas vezes, enquanto o Uzumaki sentado ao seu lado também murmurava coisas ininteligíveis, mas em um tom moderado, as duas vozes se fundiam tornando o ambiente pesado – Mas que porra, eu só tentei ser gentil e olha a merda que você faz! – dessa vez a voz saia mais baixa como uma lamuria.
Vendo que o loiro não ia se desculpar Sasuke voltou sua atenção completa à estrada e seguiram o caminho, a ira foi se esvaindo e o rosto voltava à coloração normal “Maldito miserável pensando que meu carro é brinquedo, ele tem sorte de ser bonito porque quebraria a cara desse bastardo”.
Tendo passado alguns minutos de puro silencio desconfortável, o volvo s60 estacionava em uma rua deserta na frente de um prédio simples sem muitos atrativos, o Uchiha já tinha se acalmado pela brincadeira de mau gosto do loiro, e esperava pacientemente o mesmo se levantar e sair de seu carro. Vendo o tempo passar e nenhuma movimentação ser feita, virou sua cabeça e se espantou por ver o os olhos safiras lhe encarando intensamente, uma mão foi pousada em seu ombro e cabeça de Naruto pendia para o lado direito.
–Cara, você precisa relaxar... – E sem explicações abriu a porta do carro e saiu, foi contornando o carro não sem antes dar um tapa no capo chamando a atenção do moreno, acenou e abriu o sorriso desafiador – Thanks for the ride².
Sasuke continuou parado esperando, e só quando viu o loiro entrar no prédio que deu partida fazendo o caminho inverso para voltar para casa. Já não sabia as horas e pra ser sincero não se importava, seu corpo vibrava ainda pelo choque repentino de adrenalina e respirava ritmadamente com intenção de abaixar a frequência cardíaca, todas as malditas sensações que se privou sentir na presença do outro voltavam, não tinha se dado ao luxo de demonstrar os efeitos na frente de Naruto por puro orgulho, ele que nunca havia ultrapassado 100 km/h, como iria explicar que tinha se excitado só pelo perigo? Perigo nunca experimentado na sua vida milimetricamente planejada.
[...]
A frequência com que via Naruto não podia ser explicada, se antes nunca nem sequer haviam ficados sozinhos, depois da carona dada há uns dias atrás se viam praticamente a cada minuto, quando andava pelos corredores lá estava ele movendo algum paciente de quarto; se precisava de resultados de exames quem estava no laboratório? Sim o loiro demônio – como o havia apelidado – estava lá; o pior acontecia quando precisava falar com seu irmão, parecia que os dois não se desgrudavam e o Uzumaki sempre estava grudado no Uchiha mais velho com um dos seus sorrisinhos fáceis e sacanas. Estava cada vez mais distante, não era como se tivesse um manual de “Como levar Uzumaki Naruto para a sua cama”, e do mesmo jeito que era atraído pelo físico e charme era repelido pela personalidade arisca e atitudes despreocupadas. Tudo o que naturalmente o irritava.
Estava sentado em uma das salas destinada aos médicos, atualizando os prontuários, quando escutou a porta se abrir, não se deu o trabalho de levantar a cabeça; poderia ser qualquer um, mas não era; aquele tilintar que os dedos faziam quando se encostavam a alguma parte metálica da calça era inconfundível, ele estava lá lhe encarando “de novo”, retirando os óculos e esfregando os olhos ele retribuiu o olhar e preferiu não tê-lo feito, o homem a sua frente poderia ser descrito como “divino”, não estava com o uniforme azul claro típico, trajava uma calça escura e uma camisa de longas mangas brancas que acentuava a coloração mais amarelada³ de sua pele,os cabelos naquele bagunçado rotineiro, mas o rosto estava diferente; a expressão calma lhe caia muito bem, deixava seu rosto “limpo” e destacava os olhos safiras, mas nada disso justificava o porquê do loiro estar ali.
– Posso ajudar? – Tentou não soar grosso, mas falhou, parecer legal era difícil.
–Me desculpa... – O loiro encarava um ponto invisível no teto, e uma das mãos coçava a insistentemente a parte de trás da nuca. – Eu não deveria mostrar o meu pior lado a uma pessoa que mal conheço e fazer coisas imprudentes com carros alheios.
Naruto mais parecia um papagaio do que uma pessoa arrependida estava claro que aquelas palavras não vinham dele e não eram nem um pouco verdadeiras,
–Porque isso parece um texto ensaiado? – Sasuke retirou os papeis que estavam em seu colo e os colocou na mesinha a sua frente, sua atenção estava voltada completamente ao homem na sua frente.
–A Sakura-chan... – o loiro sentou-se ao seu lado no sofá, esticou as pernas apoiando-as na mesa e entrelaçou os braços sobre o peito. – ela foi uma verdadeira chata comigo, ela tem regras claras sobre o que eu posso ou não dizer ou fazer com o precioso Sasuke-Kun dela.
–Sério? – dessa vez o interesse era realmente genuíno, o Uchiha via a oportunidade perfeita pra aprofundar um contato sem parecer forçado.
–Sério. Ela disse e eu repito “Não é porque vocês vão trabalhar no mesmo lugar que você pode se aproveitar e chatear o Sasuke-Kun, e não seja abusado baka”– O Uzumaki esganiçava a voz, tentando imitar a voz da amiga ausente. – Mas tudo bem sabe? Não fazia parte dos meus planos perturbar ninguém.
“Oh, claro como se perturbar meus pensamentos não fosse o bastante”
Naruto já encontrava em pé saindo pela porta, quando se virou deu uma piscadela e se despediu. – Até, Dr. Uchiha – e saiu porta afora.
Sasuke estava cansado e frustrado, odiava aquelas chegadas rápidas e as saídas instantâneas, odiava não se sentir no poder.
Notas finais
2= Obrigado pela carona
3= o Naruto não é moreno gente, fico ferrada quando descrevem ele sendo moreno, ele não é aquele palido, mas não chega a ser moreno (ainda é japonês)
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