Burning Desire
7 Capítulo 7-Não se substitui o que não lhe pertence
Capitulo 7 – Não se substitui o que não lhe pertence.
Os movimentos bruscos fazia com que a cama simples se agitasse e fosse de encontro à parede fazendo um barulho oco, seus joelhos se friccionavam no lençol de linho tornando o local ardente, o corpo sob o seu seguia no mesmo ritmo sempre obedecendo à velocidade imposta e acatando os pedidos mudos; seu quadril já fazia o movimento de vai e vem há alguns minutos, mas o alivio não chegava nunca. Não importava o quão forte e rápido fosse, a sensação prazerosa não era alcançada. A mão esquerda segurava forte a cintura do outro, fazendo a pele pálida ficar marcada com a forma de seus dedos e mão direita puxava cruelmente o cabelo loiro desbotado para trás, era um babaca –sabia disso- estava punindo um desconhecido por sua própria ineficácia; ineficácia em agir e tomar uma atitude máscula; ineficácia que o frustrava a noite o fazendo fantasiar com um loiro alto e ficar refém de seus hormônios.
Já havia negado os beijos do homem de quatro embaixo de si varias vezes, não por achar intimo demais, nada disso, mas não podia se distrair com o acalento de um beijo agora, precisava de alivio, rápido, só precisava de uma foda satisfatória e nada mais, o peso da insatisfação acumulada há dias precisava ser tirado de seus ombros e uma noite de prazer com um desconhecido pego em um bar era o suficiente “por agora”.
Não havia passado por sua cabeça dar atenção ao membro esquecido do parceiro, ele que se virasse depois, ou se aliviasse sozinho, suas necessidades vinham em primeiro, sempre assim. Aumentava a velocidade das estocadas desesperadamente, os gemidos agudos do outro preenchiam seus ouvidos, o ato sexual em si era bom, mas sua mente lhe pregava peças comparando a figura presente com o outro loiro, o loiro que deveria estar ali, o loiro que tinha a voz mais grave que aquela, que tinha a coloração do cabelo mais bonita e a pele mais acentuada, o loiro que lhe perturbava, “Ele nunca gritaria desse jeito”. Mesmo não tendo como comparar – já que praticamente não havia tocado no melhor loiro – ele sabia, no fundo dele ele sabia, ou esperava, que quando possuísse Naruto –porque ele iria — simplesmente fluiria, não teria que se esforçar tanto por uma maldita gozada; com o corpo do Uzumaki e sua língua esperta ninguém teria dificuldade em se excitar.
Entrava cada vez mais fundo e sentia o corpo que segurava estremecer, o látex da camisinha o incomodava –sempre o incomodava – mas não era desculpa pra se descuidar, precisou de um estimulo a mais, espremeu os olhos e se forçou a imaginar ele, se se esforçasse o bastante era Naruto que estava lá, movendo os quadris contrariamente só pra lhe afrontar, se forçando a virar a cabeça e mostrar um de seus sorrisos sacanas, lhe ignorando e pedindo mais. O incentivo funcionou, a energia acumulada em sua pélvis foi liberada em um orgasmo poderoso, pela primeira vez na noite se permitiu fazer algum barulho mesmo que baixo, largou o corpo de qualquer jeito sobre a cama, ergueu a cabeça em busca de ar; precisava respirar; e retirou a camisinha dando um nó e jogando em um canto “Não será novidade nenhuma para uma faxineira de motel”. Embora a vontade fosse de vestir suas roupas e ir pra casa, se sentia exausto e tombou o corpo para frente se juntando ao não tão loiro homem que estava ali. Não conseguiu dormir, mas estava relaxado, um frio subiu sua espinha quando sentiu dedos percorrer-lhe as costas, não precisava de carinho, não agora.
–Não. – A ordem simples e o tapa na mão serviram pra constranger o já vermelho desconhecido.
[...]
As folgas eram raras, e não gostava de desperdiça-las em casa, então a maioria das vezes sempre marcava algo com Sakura, mas como a amiga estava ocupada seu irmão lhe serviria por hora. Apreciava os gostos requintados do irmão e sempre o agradava escolhendo um restaurante estrangeiro de boa qualidade, o de hoje era culinária francesa.
Já esperava Itachi há quase 20 minutos, e nada do moreno mais velho chegar, odiava atrasos, sempre odiou, se lembrava de ser repreendido pela mãe diversas vezes quando se tornava insuportavelmente rude com relação aos retardamentos. A mesa redonda em que se encontrava só havia dois assentos – que foram reservados com antecedência- de estofado champanhe, e combinavam perfeitamente com a toalha da mesa da mesma cor; escolheu a cadeira que o deixava virado para a entrada do restaurante a fim de poder enxergar quando o irmão relapso chegar.
Só quando o esperava há exatos 40 minutos, viu o impecável Uchiha mais velho entrar, em seu terno azul marinho, com a gravata vermelha e os cabelos irritantemente lisos presos a um rabo de cabelo baixo. O sorriso que o mesmo lhe lançou era uma provocação e ele sabia disso, poderia ter se levantado como a etiqueta mandava, mas o gosto amargo já estava em sua boca e ser grosso em um ambiente daqueles estava fora de cogitação.
–Você está atrasado. – Levantou o olhar para encarar o irmão ainda em pé a sua frente.
–Eu sei. – o irmão não demonstrou o mínimo de arrependimento em sua voz, enquanto se sentava.
–Eu já estava indo embora.
–Mas não foi. – O tom cínico na voz do mais velho era palpável.
–Mas poderia...
–É poderia...
O cardápio for posto a frente dos dois, os distraindo. Cada um fez seu pedido sendo o de Sasuke Coq au Vin e o de Itachi cassoulet. Comiam em silencio, sempre faziam assim, na hora de comer não deveria ter conversas paralelas ou brincadeiras –aprendeu isso muito novo – e qualquer que fosse o assunto deveria esperar o momento certo para isso.
–Eu não acho que você deveria estar tão mergulhado na neurocirurgia irmãozinho – o tom que Itachi usava era estritamente protetor e por mais que quisesse xinga-lo por se meter em seus assuntos, devia respeito a seu irmão.
–Eu não sei por que diz isso. – nenhum dos dois comiam os pratos já haviam sidos retirados e a hora era realmente propensa para conversas.
– Ainda falta praticamente um ano pra você se formar, e já age como se fosse o seu destino ser neurocirurgião, não é muito tarde, você poderia muito bem se aventurar em outras especializações, Kakashi ficaria feliz em ser seu mentor, só não escolha isso pelo Fugaku ok? – Hatake Kakashi era o chefe geral da cirurgia e amigo de ambos, tinha conseguido o cargo anos atrás tendo passado a frente de Itachi.
–Não seja estúpido, nosso pai não tem nada com isso, pode ser que no começo tenha sido para agrada-lo, mas a essa altura é de meu gosto fazer isso... – E pelo menos nisso Sasuke era verdadeira, a carreira era obvia e de sua preferência, o patriarca dos dois não tinha mais nada haver com isso. – E Konan como está?– Precisava mudar o foco da conversa.
–Oh, Konan, ela está sendo a mulher...– o mais velho parecia escolher cuidadosamente a palavra -... Abençoada, que é na casa dos pais dela.
O Uchiha mais novo sorriu com a escolha de palavra do mais velho, Itachi e Konan já namoravam a mais de 10 anos, e o primogênito não esboçava nenhum interesse em pedir a mulher em casamento, ela é uma mulher pacifica e sabia domar o dono de cabelos longos facilmente, as brigas nunca foram um problema muito grande, Sasuke só se lembrou de uma discussão muito séria anos atrás; mas ele nunca soube o motivo e nem pretendia saber.
–Você deveria pedi-la em casamento Itachi.
–Não me venha com essa otouto, já não basta a Dona Mikoto me importunar com essa historia, eu estou feliz assim. – O mais velho deu esse assunto como encerrado, mas como havia tocado no assunto dos pais, tentaria persuadir o mais novo. – Você deveria ligar para a nossa mãe sabe? Eles estão em Oxford se não me engano, ela ficaria feliz.
Sasuke nada respondeu apenas se ajeitou na cadeira de estofado macio e arrumou os óculos de armações quadradas sobre os olhos. Ligar para seus pais não era uma má ideia, só não gostava da insistência de sua mãe em lhe apresentar homens assim que ela descobria que eles eram gays “Como seu caçula”. Sua sexualidade não era mistério para sua família, mas não deixava de ainda ser desconfortável ver como os pais fingiam aceitar essa situação.
–E como está Naruto? – Se Sasuke estivesse bebendo algo, poderia ter protagonizado aquela cena cômica de cuspir o liquido na cara do irmão, tamanha era sua surpresa “Como assim como está Naruto? O que raios têm com isso?”.
–Como eu vou saber. – O moreno fingia indignação quando na verdade a curiosidade era o que lhe consumia.
–Vocês têm amizades com o mesmo tipo de... Pessoa não é? Só pensei que a essa altura já seriam mais próximos – tentou não dar atenção à conotação que o irmão mais velho deu a ultima palavra, logo seu irmão que vivia grudado no loiro, e que provavelmente sabia que não eram tão próximos.
–Eu não sei aonde quer chegar com isso Itachi.
–Konohamaru passou na prova e já pode atuar como residente... – Sasuke ainda não entendia aonde aquilo ia dar, e lendo sua mente Itachi prosseguiu- Nenhum outro interno quer ficar com você irmãozinho, segundo eles você não os ensina e eles não tocam em nenhum paciente quando estão sob sua tutela... Se você só precisa de alguém para atualizar seus prontuários e checar seus pacientes, o Uzumaki poderia lhe ser útil.
O Uchiha precisou de alguns segundos para entender a situação, piscou os olhos incessantemente, como se um cisco o tivesse incomodando, se havia entendido bem seu irmão o estava oferecendo um “assistente”, ele estava oferecendo Uzumaki Naruto, dono de um corpo escultural e voz irresistível; para trabalhar com ele? E dessa vez o sorriso foi perverso até para ele. Essa era a oportunidade perfeita, o caminho que levaria o loiro direto para sua cama estava sendo construído. No final das contas era um maldito sortudo.
–Tudo bem. – Respondeu sem tirar o sorriso do rosto.
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