Burning Desire

3 Capítulo 3 – Pra ser clichê tem que ter festa


Notas iniciais
*qualquer erro é de minha responsabilidade então puxem minha orelha tá
beijos

Capitulo 3 – Pra ser clichê tem que ter festa.

– Vocês são um bando de desocupados, sabiam disso? – Sasuke dizia enquanto olhava pra cara de todos os presentes sentado na mesa em forma de U.

– Me desculpe senhor, não somos médicos renomados Dr. Uchiha – eles só estavam na balada há 30 minutos e Kiba já estava bêbado o suficiente para se tornar insolente.

– Sua preocupação com a gente, me comove sabia – A loira estava na ponta da mesa do lado esquerdo e tinha que gritar para o moreno que se encontrava no meio – Mas Sakura e eu só vamos ir trabalhar amanhã à noite. – As duas tinham um horário flexível já que era enfermeiras no “Memorial” um hospital do outro lado da cidade.

– E eu não acho que os cachorros irão reclamar se Kiba chegar atrasado amanhã, não é? – Neji estava na outra ponta da mesa, e cutucava o emburrado Inuzuka ao seu lado, como se estivesse caçoando pelo amigo ser veterinário.

O moreno revirou os olhos, “patéticos”, a única que estava estranhamente quieta era a rosada ao seu lado que bebericava uma bebida verde neon, já que Hinata era naturalmente calada e às vezes sussurrava algo no ouvido do namorado Kiba, algo que Sasuke interpretou como “pare de beber e me envergonhar”.

– O amigo de vocês não vai chegar não? – Tentou não demonstrar a irritação que sentia, já que o motivo de estar lá, não estava – Talvez ele tenha se perdido.

– Ele já morou aqui antes Sasuke. Não o trate como turista, é capaz dele conhecer a cidade melhor que você – Sakura falava calmamente, não o estava repreendendo ou nada do tipo, o que não o impediu de se ofender.

Não imagino como”

–Dez anos é muito tempo querida – Inconscientemente aquela armadura protetora se formava; proteger o orgulho vinha antes de proteger as amizades.

[...]

A luz colorida que piscava no alto fazia a pele pálida de Sasuke alternar entre roxo e azul, e sua camisa grafite de mangas dobradas não tinha uma cor definida, precisava esticar as pernas, essa mesa não favorece em nada um homem com 1,85m de altura.

Pediu licença e foi em direção à saída “talvez lá fora não cheire a suor e álcool”, realmente do lado de fora não tinha o mesmo cheiro, tinha um pior: cigarro, as pessoas estavam em maioria encostadas a alguma superfície, fumando e jogando conversa fora, coisas que não podiam dentro do clube, Sasuke deu alguns passos e encostou as costas na parede sendo iluminado por uma lâmpada de um tom alaranjado.

O dia não tinha sido tão cansativo assim, e a companhia dos amigos era sempre boa, mas o ambiente não era o seu favorito, em seus 28 anos de vida nunca ficou excitado em ir a um lugar fechado; com musica alta e pessoas alcoolizadas que pensavam que pular era dança.

Observava as pessoas, nenhuma lhe chamava a atenção realmente, seus olhos foram para uma figura alta andando em sua direção que vestia um agasalho cinza com o capuz tampando metade do rosto, as mãos procuravam algo nos bolsos da calça jeans azul clara, e quando o moreno prestou atenção viu o que era: um maço de cigarros, o rapaz retirou um de dentro do pacote, guardou o restante no bolso traseiro e parou como se estivesse esperando algo. Sasuke pensou ter escutado uma palavra, mas nada que fizesse sentido, uma voz não muito grave dizia algo como “fogo?”, que diabos isso queria dizer? Prestou atenção a sua frente e viu o rapaz empacado na sua frente, como se estivesse esperando uma réplica.

Oh sim! Fogo, ele queria saber se Sasuke tinha fogo.

Por uma coincidência ele tinha — não que fumasse -, mas tinha um isqueiro daqueles personalizados – um presente de Itachi – com suas iniciais em cobre. Pegou o acendedor no bolso direito da calça preta que usava e estendeu ao desconhecido, que quando esse esticou o braço, pode bem observar a mão — que parecia ser laranja- com varias escoriações nas falanges próximas “interessante”.

No momento seguinte o incógnito estava ao seu lado, quase encostando os ombros nos seus, uma mão segurava o cigarro e a outra repousada na própria coxa fazia movimentos variados como se tivesse um tic nervoso, pensou em alguma frase para começar uma conversa, mas nenhuma ideia encorajadora; queria dizer “Hey estranho tem como abaixar o capuz pra eu poder ver seu rosto e confirmar se você é tão interessante como penso”, mas quando sentia suas narinas arderem pelo cheiro do cigarro, só conseguia se lembrar das próprias palavras quando tinha que alertar alguém sobre os perigos de fumar.

– Fumar mata. Além de inúmeras doenças que pode causar você ainda prejudica quem está ao seu redor sabia? – A fala saiu automaticamente, não esperava que o desconhecido concordasse com ele e decidisse largar o tabaco porque um intrometido qualquer o alertou. Mas não conseguiu evitar, poderia enterrar sua cabeça no concreto se não estivesse curioso com a reação do outro.

Escutou o que se parecia com um resmungo ou uma palavra estranha e no outro segundo o estranho esticou o braço mostrando o verso da caixinha que continha uma imagem de um pulmão completamente destruído e os dizeres “FUMAR MATA” – Eu sei ler, senhor sabichão. – Com uma única oração Sasuke se desconcertou, a voz tinha um tom aveludado “acolhedor” e ao mesmo tempo determinado, a combinação mais estranha que já ouvira.

–Eu... Não... Eu não tinha... – O coração do moreno batia tão rápido que ele sentia o pulsar em sua garganta — “Não sei como responder” – a voz falhou e não podia acreditar no que seu corpo fazia “Eu realmente não sei como responder”. A pessoa a sua frente começou a se contorcer no que parecia ser a risada mais espalhafatosa e infantil do mundo, “dava risada de seu desconforto”, o movimento repetido que a cabeça fazia fez o capuz escorregar e revelar o cabelo loiro até demais que parecia um redemoinho de tão bagunçado, abaixou o olhar e pode ver as contusões roxas pelo rosto e um corte superficial no supercílio que só significava uma coisa: briga.

Sabia que a provável impressão que passava agora deveria ser horrível, estava estático encarando alguém com uma cara que poderia ser interpretada como “fascinação e/ou prazer”, como se uma onda elétrica acabasse de passar pelo seu corpo, ele sabia exatamente quem estava a sua frente.

–Uzumaki Naruto!–sussurrou, agora entendia o que os outros viam nele, entendeu claramente quando disseram que alguém como ele não passava despercebido e se arrependeu instantaneamente por não tê-lo conhecido antes – Você é Uzumaki Naruto.– afirmou com a voz alta e viu a feições do loiro mudar na mesma hora, os olhos arregalaram e Sasuke viu o quão azul eram, tinha adotado uma postura de defesa que o moreno não captou.

– Oh! Olha aqui asshole, se foi o idiota de ontem que te mandou aqui, saiba que eu já briguei demais, recado dado, eu já entendi; mas não comi namorada de ninguém. – E pela segunda vez em menos de 10 minutos ele não sabia o que dizer, uma única pessoa o fez perder a fala duas vezes no mesmo dia e a mensagem deixada em seu celular fazia sentido “Naruto não sabia manter as calças no lugar– E olha pra minha cara, nem de mulher eu gosto.– O loiro continuava a se explicar, tentando evitar o que ele achava que seria uma briga.

– Eu não... A gente não... – A frase não saia, “Ele não gosta de mulher; eu não sou mulher” a constatação obvia dos pensamentos constrangedores faziam seu rosto queimar, queria se explicar e apaziguar o clima que em segundos se tornou tenso, forçou a garganta tentando obrigar as palavras a sair. – Sou Uchiha Sasuke, amigo da Haruno. – O peso invisível que o Uzumaki tinha sob os ombros desapareceu, deu um longo suspiro conjunto de um largo sorriso, o loiro que só estava a alguns passos longe diminuiu a distancia e prendeu os braços do moreno em um abraço forte.

–Cara, não me assusta desse jeito. Pensei que ia apanhar de novo – a vontade que o moreno sentiu de rir era enorme, mas não maior que o desconforto do abraço que limitava seus movimentos – Desculpa. – E como se tivesse lido sua mente o aperto foi desfeito, rápido demais.

{...}

Entraram calados, o moreno ia à frente guiando para mostrar onde os amigos se encontravam , quando estavam próximos, recebeu um olhar questionador de Sakura, sacudiu a cabeça, não queria falar sobre o assunto, Naruto cumprimentou os presentes e logo todos estavam sentados, conversando e bebendo como bons amigos.

Não conversava muito, deu risada em alguns momentos, e escutou o dialogo descontraído dos amigos já alterados; se concentrou quando os assuntos eram sobre Naruto, tentando descobrir mais coisas sobre o loiro.

–Eu acho que sou o único que não sei por que esta de volta ao Japão Naruto. – decidiu deixar a pose educada de lado, sua parte curiosa tomava conta e o fato de ser o único que não sabia sobre a vida do loiro o perturbava.

Um pigarreio veio de alguém, e como se tivessem recebido um convite mudo todas as garotas presentes saíram, foram dançar ou outra coisa, já sabiam o motivo do loiro estar de volta ao Japão mesmo, escutar aquele papo de novo seria tortura.

A voz do Uzumaki tomou conta do ambiente, demorava a falar visivelmente escolhendo as palavras a serem usadas, estava sozinho de um lado da mesa sendo observado por três pares de olhos, dois que vinham do lado contrario e o mais curioso de todos confortavelmente ao centro esperando.

Tentava escuta-lo atentamente, admirava como a língua do loiro enrolava ao falar a palavra “University”, e fez um quase sorriso quando reparou que Naruto inflava o peito quando falava sobre Jiraya-san, não se interessou por todos os detalhes, mas resumidamente compreendeu: por algum motivo bizarro a universidade que o outro estudava teve um incêndio que arrasou boa parte da estrutura, Jiraya-san –seu tutor – não queria que ele ficasse desocupado enquanto a escola estava devastada, porque do jeito que era inquieto arranjaria problemas, e Miami já era uma bagunça e não precisava de mais um loiro pra piorar – palavras de Jiraya-san – então o mandou pra cidade natal onde poderia se ocupar.

A obra provavelmente demoraria uns três meses, o pensamento fez o Uchiha dar um sorriso perverso mostrando os dentes, três meses na companhia daquele loiro não seriam um problema.