Burning Desire
4 Capítulo 4 – Reflexões e parafraseando John Green.
Capitulo 4 – Reflexões e parafraseando John Green.
Poderia ter interferido 10 minutos atrás, mas o prazer não seria o mesmo, estava sentado assistindo a Naruto chorar de tão bêbado, não compreendia o porque de alguém beber tanto, o gosto de álcool nunca foi seu preferido, mas o comportamento de quem bebia era um passatempo.
Os aspectos antropológicos do assunto eram vastos, e se lembrava claramente nos anos de faculdade observar os tipo variados de comportamento, o seu preferido eram sempre os chorões, era engraçado ver que 5 copos de tequila depois, o sujeito já botava pra fora anos de angustia; no momento o loiro hora chorava, hora falava que Sakura era muito má com ele na época do ensino fundamental, mas ao todo estava chorando.
E os outros não davam bola como se aquilo fosse “típico do Naruto”, não saberia dizer se esse era o caso, mas reações exageradas eram a cara do outro. Se prestasse atenção nenhum dos seus amigos eram contidos, poderia se considerar o “normal” dali, por mais estranho que fosse.
Como se tivesse perdido uma parte da historia estava sozinho, “deveria parar de refletir sozinho”, olhava para os dois lados à procura dos outros, quando o viu dançando,dançando não, pulando ao som de uma música que não reconhecia. Talvez Naruto estivesse tentando ser sexy – o que não estava sendo – mas chamava a atenção de qualquer jeito, chamava a sua atenção de qualquer jeito, “Naruto é um bêbado chorão e lindo”.
Nenhuma borboleta foi detectada, com certeza não havia nenhum sentimento ali que não fosse curiosidade, a curiosidade de saber se o loiro ficaria tão bem na cama dele como pensava.
Braços o puxaram pra fora da pista e pode ver a Haruno o levando pela orelha, como se fosse uma criança, a rosada o olhou e sinalizou com a cabeça, hora de ir embora.
[...]
O celular tocava mais alto que o normal, tateou em volta para acha-lo, mas foi em vão, queria muito abrir os olhos, mas não conseguia “como posso estar de ressaca se praticamente não bebi?”, um copo de cerveja não poderia ser considerado bebida, contou mentalmente até 10 e abriu os olhos, sentiu o aparelho vibrar “ele ainda está no meu bolso”, o nome que leu no visor não o agradava, seu irmão não o ligava muito já que se viam no trabalho, e o motivo de ligar nunca era bom, Itachi queria ajuda na clinica e Sasuke odiava a clinica, atender bebês resfriados e crianças fingindo febre não era sua praia, então sempre que podia evitava com todas as suas forças falar com o irmão mais velho.
Jogou o celular ainda tocando em cima da cama – uma hora ou outra pararia- notou que ainda vestia as mesmas roupas do dia anterior, por algum motivo não as tirou, e pela primeira vez – talvez em semanas- ligou a luz, a contradição se encontrava no quarto também; um cômodo organizado mas não limpo, o resto da casa também era assim, uma sala que servia quando a preguiça não o deixava subir as escadas, uma cozinha inútil, e se lembrava vagamente de ter um segundo quarto do outro lado do corredor, o banheiro possivelmente era o lugar mais usado da casa – depois de seu quarto – “isso é triste” .
Não tinha um hobby, se parasse pra pensar, não se lembrava de ter uma coisa favorita para fazer “só se abrir cabeças alheias e cura-las for um”, nunca acordou um dia e decidiu ser um cirurgião, na verdade nunca acordou um dia e decidiu não ser cirurgião, estava no seu sangue, seu pai o Dr. Uchiha Fugaku, cardiologista e chefe de cirurgia por 20 anos, sua mãe a enfermeira Uchiha Mikoto e seu irmão o apático Dr. Uchiha Itachi; estava no seu DNA, não tinha como fugir, e ele não queria fugir.
Quando chegou a cafeteria estipulada escolheu uma mesa perto da janela, o sol do meio da tarde entrava pela janela e iluminava o local, tinha recebido uma mensagem de Sakura sugerindo que fossem tomar café, e mesmo que não admitisse precisava se relacionar mais com pessoas, pessoas conscientes não às desacordadas deitadas em uma maca. A rosada chegou uns minutos depois, com o uniforme verde claro que coincidentemente ressaltava seus olhos, e um sorriso do rosto, Sasuke sempre pensou que ela era extremista demais, era muito simpática –principalmente com ele – ou muito estressada – com o resto do mundo – mas nunca reclamou, aquela parte egoísta dele sempre apreciou o sentimento exclusivo.
– Então... – a garota o olhava de soslaio, enquanto levava a xícara á boca e assoprava o chá que tomava.
– Então... O quê?
–O que achou de ontem? Até que você se divertiu não é? Não o vi reclamar – os olhos dela brilhavam, ela queria que o amigo se divertisse, queria que se entrosasse.
–Sim, claro, foi divertido– Foi uma afirmação verdadeira, tinha sido um divertimento.
–Hum. – ela sempre iria desconfiar das respostas dele – Foi um divertido que você repetiria ou divertido “quase vomitei na minha própria boca?”.
Não pode evitar sorrir, Haruno tinha um jeito estranho de comparar as coisas, se lembrou de quando era um calouro na faculdade e ela que nem havia terminado o colegial o perseguia pelo campus, um dia quando cansado demais da situação foi rude ao extremo e a insultou dizendo que não a namoraria nem que fosse a última garota da terra, e depois de contar até 10 a única coisa que ela respondeu foi – Não namoraria porque sou chata, ou porque gosta de garotos? – “ela sabia”, e depois daquele dia ele não conseguiu afasta-la, mesmo com sua arrogância e descaso escancarados ela estava lá.
–Tão divertido que eu cogitaria repetir se necessário.
–E Naruto. O que você achou de Naruto? – se suas mãos estivessem livres ela bateria palmas como uma foca adestrada, mas felizmente não estavam.
“Eu acho que ele ficaria melhor de joelhos na minha frente.” – Bom, o achei legal – conseguiu achar um elogio que não envolvesse nenhum dos atributos físicos do loiro.
– Legal pode ser seu amigo ou legal...
–Somente legal Sakura, nada a mais nada a menos. – se isso fosse uma conta nada mais e nada menos seria igual a tudo e mais um pouco, mas seu forte sempre foi anatomia e não matemática.
A Haruno não estava errada, seria bom ter Naruto como amigo, mesmo que fosse só para sonda-lo.
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