Burning Desire
2 Capítulo 2 – Introduções a uma rotina inexistente.
Capitulo 2 – Introduções a uma rotina inexistente.
O sábado se arrastava, lentamente e tortuosamente, o relógio grudado na parede atrás da recepção marcava 06h00min PM, em maioria, os leitos da emergência estavam sendo ocupados por gripados, contundidos e deslocados; nada muito grave, nada que precisasse de atenção exclusiva. A correria só começaria daqui a algumas horas, quando as festas começavam, o número de enfermos dobrava; entre os mais populares se encontravam os em coma alcoólico e os atropelados, e era isso que o moreno esperava: acidentes — não queestivesse agourando vidas alheias — mas sua profissão se devia aos desatentos e irresponsáveis, pagava suas contas graças a isso.
Examinou o ambiente ao seu redor, vendo os médicos apressados e as enfermeiras ocupadas; sua presença não era necessária ali, resolveu ir passar o tempo até a hora do rush, entrando na sala de descanso viu um par de médicas que ele achava que eram pediatras, não tinha certeza, não era o homem mais interessado do planeta, desde jovem seu foco sempre foi à medicina, ela vinha em primeiro lugar; se ajeitou no sofá ficando sentando com a cabeça tombada para trás e o braço direito sobre os olhos tentando bloquear qualquer resquício de luz que pudesse atrapalhar, sua mente vagava, hora lembrava acontecimentos passados hora lembrava-se de pequenas coisas “preciso urgentemente de leite”.
Dos quase quatro anos que estava no hospital, às amizades do Uchiha não tinham evoluído muito, sabia o nome de todos por pura obrigação, conhecia bem meia dúzia de pessoas, e no máximo era amigo de duas, sua vida amorosa, não tinha nada amorosa, tinha tido uns dois relacionamentos longos e a lista de envolvimentos mornos e ocasionais só aumentava.
A pose de rei do gelo e o rosto impassível não ajudavam muito, mas sempre havia as iludidas que pensavam que se conseguissem fazer Sasuke se comprometer, uma nova pessoa calorosa e simpática iria se revelar, iriam se casar e ter lindos bebês com olhos intensos e cabelos espetados; pobres coitadas, mesmo se desconstruíssem o moreno -a não ser que pertencesse a família Uchiha — não iria achar nada além de sarcasmo, egocentrismo e um desinteresse pelos gostos comuns.
O Pager que estava no bolso do jaleco apitou, retirou o aparelho e olhou para o visor, Itachi o estava chamando da emergência; saiu do cômodo o mais rápido que pode e depois de cruzar alguns corredores chegou lá.
– O que foi? – o moreno perguntou enquanto andava para o interno de cabelos castanhos e arrepiados que na maioria das vezes o acompanhava.
–Acidente entre dois veículos, envolvendo três pessoas, o motorista de um dos automóveis foi parar no meio da rua por causa do impacto e não está respondendo a estímulos – o rapaz falou com eficiência e rapidez, o que fez com que Sasuke o encarasse e abaixasse o olhar procurando pelo nome dele.
Antes mesmo que alguém pudesse falar alguma outra palavra, uma maca passou pela entrada do hospital sendo trazida pelos paramédicos que explicavam o estado do paciente e suas informações pessoais, quando Sasuke olhou para o homem inconsciente pode ver o estrago na face do mesmo — Vamos! – falou com alguns enfermeiros que o ajudaram a locomover o acidentado.
Os exames primários revelaram que o homem tinha a maioria dos ossos quebrados e precisaria de um Raio-X para confirmar os estragos – Konohamaru ? – lembrou-se do nome do interno – leva ele pra tirar o raio- x completo e bipe o Dr. Suigetsu, sim?
–Sim doutor – o jovem interno saiu levando o paciente com ele.
[...]
Com os exames em mão analisava as fraturas, visando à lesão no cérebro que com certeza precisaria de uma cirurgia, quando a porta foi aberta revelando Dr.Suigetsu Hozuki, ortopedista e um antigo namorado de Sasuke.
– Olá Sasuke. – A situação não era desconfortável nem constrangedora, era simplesmente normal, profissional como deveria ser – O que temos hoje? – Suigetsu entrelaçou os braços atrás da cabeça e analisava as chapas fixadas.
O assunto foi estritamente sobre o paciente, não tinham tido um romance avassalador, nem nada do tipo, e o termino foi tão pacifico e calmo, como o envolvimento dos dois, sem brigas, nem desentendimentos, mas também sem paixão e sem desejo; só um passatempo.
Quando chegou em casa após aquele exaustivo, subiu as escadas e entrou na ultima porta do corredor mal iluminado, precisava de um banho quente, abriu a torneira e deixou a banheira enchendo, fez o caminho contrario do corredor e entrou em seu quarto, retirou sua roupa e metodicamente as guardou dentro de suas respectivas gavetas, voltou para o banheiro só de cueca e quando viu que já tinha água suficiente, desligou a torneira; se livrou da ultima peça que faltava e sentou na banheira.
Já estava há alguns minutos só apreciando o momento e de olhos fechados, quando escutou uma musica que parecia vir de longe “meu celular” , poderia ser qualquer um, já que todos que o conheciam sabiam que ele não tinha horário definido. Deixaria tocar, se fosse importante ligariam de novo, o barulho cessou, esperou uns segundo pra ver se tocaria de novo, mas o silencio prevaleceu.
Viu que estava a tempo demais devaneando esticou o braço e alcançou sua toalha, antes de voltar para o quarto desceu as escadas para pegar o celular que havia ficado no sofá, pegou o aparelho em mãos e viu que tinha uma mensagem de voz:
– Sasuke- chan, porque você não me atende? Hein? Você ‘tá no hospital? – Sakura gritava, tentando se fazer ouvida naquela barulheira – Porque não pode me atender um minuto e ser um bom amigo, seu maldito desprezível! – Com certeza ela estava bêbada – Kiba segura ele direito, e Naruto porque não consegue manter suas calças no lugar?
A mensagem acabava do nada, Sasuke continuava estático olhando pro visor como se assim conseguisse respostas, viu a hora que a mensagem foi deixada 23h45min, depois de dois dias que tinha se comunicado com sua amiga; depois daquela mensagem vaga, essa era o único contato que tivera, e não fazia sentido nenhum.
Discou o numero da amiga, mas caiu na caixa postal, “se ela tivesse deixado um endereço eu poderia ajudar, mas não, e ainda por cima não sou a babá de ninguém” pensou não dando muita importância; obviamente ela estava alterada, estavam em alguma festa; kiba estava junto e Naruto – ainda um desconhecido – não conseguia manter suas calças no lugar, seja lá o que isso significava.
Não precisava desse drama adolescente em sua vida, e com esse pensamento resolveu ir dormir, amanhã tinha que passar cedo no hospital e checar seus pacientes.
{...}
Ao meio dia de domingo, já andava pelos corredores com os prontuários nos braços; passava no quarto de cada paciente, vendo como estavam e checando pra ver se tinham melhorado – incluindo o paciente do dia anterior que teve traumatismo craniano e se encontrava em coma — escutou seu nome ser anunciado pelo alto falante pedindo parar se dirigir a recepção, deu meia volta e foi em direção do elevador, o mesmo se encontrava no mesmo andar então Sasuke entrou e apertou o T.
Quando chegava perto da entrada avistou os cabelos rosa e escorridos que iam até o meio das costas e sorriu, Sakura estava apoiada no balcão conversando com a recepcionista, como se soubesse que ele estava chegando se virou , e o moreno pode ver as olheiras abaixo dos olhos verdes cansados “ressaca”. Chegou mais perto da rosada e disparou:
– Boa tarde realeza! – Sasuke usou o tom mais sarcástico me podia – A que eu um maldito desprezível devo a honra de sua presença?
A garota soltou um riso sincero – Me desculpa pela ligação – ela soltou em um suspiro – Mas ontem a gente: eu, Kiba e Naruto; resolvemos sair pra beber, mas os dois bakas não sabem se comportar em lugar nenhum e se meteram em uma briga – Sakura falava como se estivesse dando explicações.
–Briga? – Sasuke arqueava uma sobrancelha, sabia do temperamento do Inuzuka e se Naruto era parecido com ele como diziam isso não era nada impossível.
–É briga. Mas eu não vim aqui pra isso de qualquer jeito. - A garota se endireitou.
–E veio para? — Ele perguntou.
–Você vai sair hoje à noite com a gente – o sorriso de Sakura mal cabia no rosto, interpretando a careta que o Uchiha fez, voltou a se explicar – Ino, Hinata, Kiba, Naruto e até Neji irão à abertura de uma nova balada no centro, e você vai com a gente.
Sasuke franziu a testa, juntando as sobrancelhas; colocou os papeis que ainda estavam em suas mãos sob o balcão, cruzou os braços e inclinou a cabeça pro lado esquerdo:
– Eu iria por que...?
–Porque você é um excluído nato, e ainda não conheceu o Naruto, como ele vai passar um bom tempo por aqui, achei que seria uma boa oportunidade de vocês se conhecerem. – nesse ponto sakura já falava com a convicção de que já havia ganhado, inclinou a cabeça pra frente deu um beijinho na ponta do nariz de Sasuke, acenou com a mão e foi embora.
Simples assim, Sasuke tinha um compromisso que nem tinha concordado em ir.
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