Notas iniciais
(Primeiramente não é citado durante o decorrer da história porém o Ryan tem síndrome de Asperger. E alguns comentários que o Brendon faz e o Ryan não entende se deve ao porque portadores de Asperger: tem dificuldade em compreender as mensagens transmitidas por meio da linguagem corporal; desinteresse; comportamento variável; compreensão de embaraço e passo em falso; ser considerado grosso, rude e ofensivo; interpretar as palavras sempre em sentido denotativo. Só queria esclarecer isso, por tanto uma boa leitura.

Ryan estava sentado sobre a carteira, quando, mas uma bola de papel lhe atingiu na cabeça. O garoto nem se preocupou em olhar para trás, para ver quem tinha acertado. O sinal para saída já havia batido, mas seus olhos estavam presos em seus desenhos.

Um coelho enorme, com uma cartola, segurando um mapa. O garoto havia pensado em atribuir uma garrafa, por entre as mãos dos coelhos. Mas, achou que seria desperdício uma lembrança qualquer de seu papel em Sr. Mercúrio.

Sr. Mercúrio, era o conselheiro e o amigo imaginário de Ryan desde os 5 anos de idade. Ryan não suportava a idéia de ter, pessoas perto de si mesmo. Achava repugnante o fato de como as crianças, pensavam somente em diversão, quando um mundo enorme os esperava lá fora. Achava idiota, as crianças reclamarem sobre seus pais não derem brinquedos para eles, ou, simplesmente não pagar o lanche da cantina.

Seu pai George, nunca se preocupou com ele. Mas, nem por isso ele se dava o trabalho de se importar. Sabia que o pai era um alcoólatra. Contará inúmeras vezes que o pai havia batido em sua mãe, ou, nele mesmo.

Ele não tinha vergonha de esconder, o que sentia. Ele odiava seu pai. Trancava-se no seu quarto e ouvia seu vinil roubado dos “The Beatles — Revolver” da prateleira da loja de discos onde sua tia trabalhava, a vitrola velha que ele havia reconcertado repousava dentro do seu armário, em um lugar escondido.

Aos 13 anos, ele ganhou uma guitarra. A primeira vez, que ele conseguiu tocar uma nota, ele tinha certeza que seria aquilo que estava destinado a fazer. Porém, não era o que sua família queria que o fizesse. De acordo com seu pai, músicos eram drogados, que gastavam todo o seu dinheiro com prostitutas e que morriam mesmo antes dos 28 anos.

Quando Ryan resolveu deixar seu cabelo crescer e começou a usar calças femininas, seu pai o recriminou-o, ele havia pegado uma tesoura de costura e tentando cortar o cabelo de Ryan, o que foi em vão, pois a tesoura acidentalmente havia cortado seu braço – onde até hoje, permanecia à cicatriz – e sua mãe mesma deu os pontos.

Mas, a gota da água foi quando Ryan decidiu que iria arrumar sua casa, assim reordenou todos os objetos, livros, CDs em ordem alfabética. Ele achou que estava fazendo o certo, porem ninguém podia mexer nas bebidas de seu pai exceto ele mesmo. Seu pai havia dado-lhe um soco na boca.

Quando Ryan entrou na sua sala esse ano, uma garota — loira e alta foi em direção a ele. A garota era bonita, porém, Ryan não sabia o que ela queria dizer se referindo a “Dar uma saída?” e saiu de dentro da sala com a garota conversando, o que provocou risada em sua sala toda.

E ele novamente não se importou, já estava acostumado a ter pessoas rindo a suas custas.

“George!” A professora, havia jogado um livro sobre sua carteira o despertando de seus pensamentos. “Já passou da hora, o sinal soou já faz trinta minutos, você precisa sair.”

Com um aceno, ele recolheu todos, os seus materiais com extrema cautela, colocando os ordena mente em sua mochila. E o seu desenho foi depositado em uma pasta preta, que ele sempre carregava consigo mesmo.

Ryan não se sentia desconfortável ao ouvir critica sobre ele, sobre o modo como se vestia, sobre como magro ele era, sobre a forma anormal de pensar ou simplesmente pelo modo como os cabelos longos dele se emaranhavam um nos outros, formando cachos desalinhados.

“Aberração, olhe seu amigo!” Ryan viu que alguns garotos, estavam do lado de fora do colégio, e uma rodinha estava formada, havia um garoto no chão.

Que logo foi puxado pelos cabelos e empurrado com o chute na direção de Ryan, que caiu sobre o chão com o corpo do garoto sobre o seu.

“Que casal lindo, por que não se beijam?” Um garoto ruivo gritou enquanto, os outros que estavam ao seu redor riam descontroladamente da cena. “Idiotas!”

Ryan sentiu que suas mãos e sua costas estavam molhadas, o sereno da chuva havia deixado a grama molhada.

“Você está bem?” O garoto levantou-se e estendeu a mão para Ryan que ainda estava perplexo, olhando suas mãos sujas de barro.

Os olhos pinicavam, Ryan odiava ficar sujo, odiava brincar, odiava esportes porque o faziam soar e ficar sujo. Ryan odiava tudo que pudesse o deixar cheirando ruim ou com uma aparência ruim.

“Você está chorando?” Novamente o garoto se pronunciou. Ryan finalmente olhou para cima, os lábios estavam inchados, a roupa dele estava em piores condições que de Ryan – mas, isso não justificava o fato de que Ryan se sentia nojento com todos aqueles microorganismos e bactérias, espalhados por seu corpo.

“Está começando a chover” O garoto passou a mãos pelos cabelos em um modo de tentar, transmitir seu nervosismo. “O único lugar que não está fechado é o ginásio... Você não vai falar comigo? Sinceramente fique na chuva, eu não vou ficar me molhando e eu acho que eu estou com a merda de um dente quebrado!”

Ryan estava com os olhos arregalados e sua boca estava aberta formando um O.

O garoto, ia em passos longos ate o ginásio. E não restava outra opção se não segui-lo, pois Ryan, não tinha como ir para casa sem antes a chuva parar.

O ginásio era escuro e grande. As vezes que ele havia entrado ali podiam ser contadas em seus dedos.

O local era grande, porem só tinha uma rede de basquete, e o havia algum cheiro que ele não conseguia identificar ali que estava o nauseando. Os passos ecoavam pelo local e o barulho da chuva, só fica mais audível e mais alto conforme ela aumentava.

Ryan foi em direção ao banheiro masculino, onde havia respingos de urina por todo canto, era repugnante e nojento. Sem outra opção ele, seguiu para o banheiro feminino onde o garoto também estava.

“Por que eles baterem em você?” Ryan disse, seco.

“Porque eu não sou como eles” Ele disse, enquanto tirava a camiseta vermelha, havia vários hematomas na parte de seu tórax. O garoto era quase tão branco, quanto ele mesmo. O garoto tinha uma mancha vermelha, na sua barriga que não se parecia nada como um hematoma.

“Nenhum de nos somos iguais, isso é completamente irrelevante. È quase tão ignorante, eles terem ido lhe bater apenas por isso. Aonde será que essa humanidade vai parar?” Ryan andava de um lado pro outro, gesticulando desesperadamente as mãos. “È óbvio que não somos iguais! Ou eles acham que todos nos temos de ter gen...”

“Eu sou gay” O disse brevemente, enquanto pegava um pedaço de papel e limpava os hematomas.

Ryan ficou quieto apenas observando-o. Não era algo chocante do ponto de vista de Ryan, ele particularmente achava uma grande besteira esse preconceito com pessoas que optam por não seguir, os padrões estimados para eles.

“Agora você vai ficar me olhando, como uma aberração. Ótimo!” O garoto disse abrindo um sorriso sínico.

“Sério que você gosta que as pessoas te chamem de aberração?” Ryan perguntou arqueando, a sobrancelha.

“Você é retardado ao algo do tipo?” Ryan se encolheu, conforme as palavras foram cuspidas da boca do garoto. “Hey! Eu só estou brincando.”

“Eu não gosto de brincadeiras!” Ryan disse, virando-se de costas e procurando por um sabonete, ou qualquer coisa que pudesse eliminar algumas das sujeiras que estavam sobre sua mão.

O silencio predominou o local, deixando que somente os barulhos de seus movimentos ecoassem por entre o local.

“Brendon” O garoto disse quase num sussurro.

“Oi?”

“Meu nome é Brendon. Se vamos passar algumas horas aqui você no mínimo tem que saber meu nome!” Ele disse, vestindo novamente a camiseta.

“Não preciso saber seu nome, se não pretendo ter nenhum laço com você, comunicativo ou afetivo.” Ryan nem levantou o olhar para Brendon.

“Merda, você não consegue ser um pouco menos sujo?” Brendon disse, se exaltando e jogando o seu material que estava apoiado sobre a pia.

“Eu sei que estou sujo e de fato, estou fazendo o possível para remediar essa situação, como você pode observar.” Ryan sorriu, para Brendon.

“Desisto!” Brendon, disse socando a pia.

“O quê?” Ryan, olhou para ele ainda com um sorriso estampado em seu rosto.

“De tentar ser legal com você! Merda! Você é tão chato e arrogante.” Brendon virou-se e já estava abrindo a porta do banheiro, quando Ryan puxou-o pela mão.

“Seu dente está quebrado.” Ele disse, colocando a mão sobre os lábios de Brendon.

“Mas que mer...” Brendon percebeu que os olhos de Ryan, estavam fixos em seus olhos.

As mãos de Ryan que estavam sobre, os lábios de Brendon agora traçavam um caminho ate á mão dele. Estavam frias e um pouco sujas, as unhas não estavam cortadas, provavelmente assim como Ryan, Brendon também tocasse algum instrumento havia calos na ponta dos dedos dele.

Brendon sorriu e levou a mão até os cabelos de Ryan e repousou em sua cintura fina, que estava desnuda. A única coisa que agora envolvia o garoto era a mão fria de Brendon, que causavam arrepios em toda a extensão do corpo de Ryan.

Ryan se aproximou de Brendon, podia sentir o hálito que cheirava a menta bater em sua face, um hálito quente, o que contrastava com sua mão gelada em sua cintura. Os arrepios agora passaram por uma forte queimação, dentre suas pernas.

A testa soada de Brendon, agora estava junta da dele, os olhos escuros do garoto brilhavam em malicia. Bastou apenas, um movimento e pode sentir o lábio sobre o seu. Ryan nunca havia beijado alguém na sua vida. Por isso não sabia o que exatamente fazer. Mas, quando sentiu a língua quente pedir passagem, ele não hesitou. A língua dele brincava, dentre sua boca, outrora seus dentes puxavam seus lábios.

As mãos de Brendon desciam levemente conforme ele chegava mais perto de Ryan, a mão agora apalpava qualquer canto que pudesse.

“Pare!” Ryan disse gritando, sem fôlego. Os cabelos estavam bagunçados e os lábios inchados. Brendon o olhava incrédulo, achando que de uma forma Ryan estava tentando o provocar. Brendon seguiu para frente, enlaçando-o novamente.

Porem, com a aproximação repentina Ryan fechou os pulsos e imediatamente deu-lhe um soco no nariz.

“Que merda, Ross!” Brendon disse colocando a mão sobre o nariz.

“Eu mandei você parar!” Ryan disse, elevando a voz conforme o garoto ia em direção – novamente – a pia, para limpar os vestígios de sangue de sua face. “E outro fato meramente irrelevante, porem que está me deixando extremamente curioso. Como você sabe meu nome e sobrenome?”

“Eu estou na sua sala, seu imbecil. E já faz três anos” Brendon agora olhava seu nariz, arrebitando-o em frente o espelho.

“Então é você que vive jogando bolas de papel, na minha cabeça?” Ele arqueou a sobrancelha.

“Se talvez, você olhasse pra trás. Você saberia! Merda, você socou meu nariz” Ele disse. Se isso fosse um desenho animado, lasers estariam saindo dos olhos de Brendon.

“Desculpe-me, eu não queria fazer isso” Ryan disse, levantando-se e indo em direção de Brendon. Colocando a mão sobre seu ombro.

“Como? Você disse que queria parar? Por favor, Ross você socou a merda do meu nariz!” Ele disse, mexendo seu ombro, tentando retirar a mão de Ryan de cima dele.

“Eu não sei, eu simplesmente... Olha, por favor, Brendon não foi minha atenção.” O garoto disse, em um tom magoado. Brendon viu que realmente, ele não queria fazer aquilo.

O que era estranho, porem Brendon decidiu não falar nada, apenas acenou com a cabeça demonstrando concordância, e voltou a olhar seu nariz no espelho.

“Eu acho que parou de chover, Brendon” Ryan disse, sentando-se sobre a pia.

“Foda-se” Brendon disse em um sussurro.

“Você sabe, você foi a primeira pessoa que eu já beijei na minha vida” Ryan disse, enquanto procurava algo dentro de sua bolsa “E foi legal.”

“Isso significa que...?” Brendon, arqueou a sobrancelha.

“Podemos fazer isto, mais vezes” Ryan pulou da pia “Mas, mesmo assim isso não significa que preciso saber seu nome, se não pretendo ter nenhum laço com você, comunicativo ou afetivo.”

“Tem certeza?” Brendon perguntou puxando Ryan, pela fivela de seu cinto.

“Não.”