Brown Snow Mountains
2 Cornflakes - Arco 1 - The Beginning
Notas iniciais
Ainda em 26 de julho de 1998.
Em uma casa média de Chicago, mais precisamente no bairro de Uptown, um adolescente de 17 anos, bonitão, com cabelos loiros e topetudos e de estatura média acordava em uma manhã quente. Seu nome era Jeff Burton, e em dois dias ele estaria em um ônibus, rumo as montanhas Brown Snow. Ele não sabia o que pensar de lá. Gostava de ir á lugares novos, mas nunca achou que teria que ficar em um, principalmente pra estudar por dois anos seguidos.
Ele se levantou da cama, vestiu suas calças, saiu do quarto e desceu as escadas do apartamento. Caminhou até a cozinha, e viu um bilhete na geladeira.
''Fui fazer compras. Volto logo!
Juliet''
Juliet era sua mãe. Provavelmente deixou o bilhete só pra ele ler, pois seu pai, Ronald, saia bem cedo de casa para trabalhar. A relação de seus pais era ótima, e talvez isso se deva ao fato de Jeff ser o único filho deles.
Jeff se virou e olhou pro relógio. Eram sete da manhã. Sem mais demora, abriu a geladeira e pegou uma embalagem meio cheia de Jack Milk, leite produzido pela Jack Industries. ''O leite número um do Colorado!'', estava escrito no verso da embalagem. Colocou a embalagem do leite na mesinha da cozinha, então abriu o armário e pegou uma embalagem de cereal junto com uma tigela de plástico. Despejou leite na tigela e virou a embalagem de cereal em cima da tigela, mas não caiu nem um grão. A embalagem estava vazia.
– Então é por isso que ela foi fazer compras...
Sussurrou ele, para si mesmo.
Jeff suspirou, jogou a embalagem vazia no lixo e se sentou na mesa, em frente a tigela, que só tinha leite. Então, a porta da sua casa se abriu: Era sua mãe chegando. Ele, que estava olhando pra tigela, levou um susto rápido. Sua mãe chegou na cozinha com algumas sacolas em mão e colocou-as nas bancadas perto do fogão.
– Eu trouxe cereal!
Disse a mãe de Jeff, logo ao notar a tigela só com leite.
– Ótimo...
Respondeu ele, um pouco sorridente. Pegou o pacote novo de cereal de uma das sacolas, o abriu e despejou uma boa quantidade na tigela, acima do leite. Começou á comer.
– Você parece quieto. Aconteceu alguma coisa?
Perguntou ela, tirando as coisas das sacolas e as colocando nos armários.
– Você ainda não me respondeu uma coisa: por que eu tenho que ir pras Brown Snow?
Perguntou ele, sem hesitar. Disse isso de um jeito meio distorcido, para mostrar que a ideia de passar dois anos estudando perto de montanhas não o agradava.
– Por que é melhor pra você.
Disse ela, como se quisesse esconder algo.
– E por que é melhor pra mim?
Disse ele, agora com uma voz mais clara.
Ela fez uma pausa. Parou de arrumar as compras e se sentou em frente a Jeff, que ainda comia o cereal dele, mas continuava com olhos fixos nela.
– Olha, Jeff... Eu e o seu pai estamos subindo nas nossas carreiras. E sabemos como você é tímido na escola. Eu falei com o diretor esses dias e ele me disse que você tem sido meio... anti-social.
Jeff era uma pessoa calma e as vezes calada. Cresceu com poucos amigos, e isso influenciou que ele ficasse agressivo quando ouvisse mentiras ou coisas do tipo.
Ele soltou a colher que estava usando para comer de uma forma brusca e a interrompeu, agressivo:
– Que porra ele disse, hein? Que eu não falo com ninguém e que por isso minhas notas são ruins? Ele pensa que eu sou a porra de um drogado e fumo maconha atrás do colégio por que não fico com nenhuma garota? É isso?
Ela encarou ele um pouco. Não sabia o que dizer.
– É, ele disse isso. E ele passou a impressão de quem pensa assim de você. De qualquer forma, ir pras Brown Snow vai ajudar você. Você consegue seus amigos e nós não teremos problemas com o trabalho. O que me diz?
Ela disse isso meio hesitante, e nas últimas frases ditas, colocou sua mão lentamente em cima da de Jeff, que ficou alguns segundos olhando pra ela.
Ele tirou a mão dele debaixo da dela e se levantou, como se tivesse ouvido a pior proposta do mundo.
– E se acontecer algo comigo lá? E se eu não conseguir amigos? E se algo acontecer com vocês aqui?
Após ouvir isso, ela perdeu a cabeça.
– Se algo acontecer, você se vira.
Ela disse isso praticamente gritando. Não queria falar tal coisa, mas já estava dito. Ele ficou encarando ela, com uma expressão que misturava tristeza com raiva.
Logo, ele se levantou e disse, lentamente:
– Eu posso ir pra lá, sem problemas. Mas se algo acontecer, a culpa é de vocês.
Ele pegou a tigela de cereal, a única razão para aquela conversa ter acontecido, e subiu as escadas, indo pro quarto dele. Sua mãe continuou sentada, encarando a mesa, com a cabeça baixa.
No seu quarto, Jeff ficou sentado em sua cama, com a TV ligada. Estava vendo um programa de notícias. Começou a encarar a janela, olhando o dia lindo que se formava lá fora. Seriam os próximos dois anos tão ruins? Talvez não.
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