Brown Snow Mountains
3 Broken Nose - Arco 1 - The Beginning
Notas iniciais
A tarde estava chuvosa em 24 de julho de 1998.
Em uma simples casa de modelo clássico norte-americano localizada no bairro de Montrose, em Houston, vivia Dylan Aldrin. Dylan era um adolescente de 17 anos, média estatura, levemente obeso, com um cavanhaque, cabelos negros, curtos e encaracolados de um jeito que formava um topete.
Ele estava em seu quarto, assistindo um programa de notícias deitado na sua cama apenas de cueca e camisa enquanto lia um jornal. A matéria do jornal tinha como assunto principal o colégio de ensino médio que foi estabelecido em um ponto desconfortável, na área das Brown Snow Mountains. Em 4 dias, ele iria pra esse colégio.
– Puta merda... Faltam só quatro dias...
Disse ele, para si mesmo, enquanto mascava um chiclete.
O seu telefone, que estava em cima da cômoda, ao lado de sua cama, começou á tocar. Dylan pegou e atendeu.
– Alô?
Disse ele.
– Oi, filho. Só te liguei para avisar que eu e o seu pai não vamos passar por aí por uns dias. Não esquece que daqui a quarto dias você tem que sair cedo e ir na rodoviária pra ir pras montanhas. Não esqueça de colocar cuecas na mala, viu? Beijos, tchau!
Disse a mãe de Dylan, sem pausas e sem deixar ele falar. Ele conheceu ela na primeira frase, e ia perguntar o motivo de ela ficar mais dias fora, mas não pôde, pois ela desligou após concluir tal frase.
– Espero que não façam nenhum outro filho...
Disse ele para si mesmo novamente, e assim cuspiu o chiclete na lixeira, que ficava próxima a cama.
Dylan era uma pessoa carismática e espontânea, mas também muito infantil. Ele não tinha muito contato com os pais, que estavam sempre viajando para negócios juntos.
Ele ouve a campainha tocar. Com uma certa dificuldade, ele se levanta da cama e sai do quarto, atravessando o corredor que existia entre os quartos da casa e chegando na porta. Lembrou que estava sem cuecas, mas era meio tarde para voltar e pega-las. Após esse pensamento rápido, suspirou e entre-abriu a porta.
Era Daves, o seu melhor amigo.
– Oi, cara. E aí, tudo beleza?
Disse Dylan, tranquilo. No entanto, a reação de Daves não foi nada parecida: ele forçou a porta, abrindo-a completamente, e agarrou as mãos na camisa de Dylan, o empurrando um pouco.
– Beleza? Beleza?! Tu tá indo lá pro cu do Colorado e pergunta pra mim se tá tudo beleza?
Gritou ele, agressivo. Não estava contente com o fato de Dylan ficar dois anos fora.
– Relaxa aí, pô... Tu vai fazer outros amigos.
Respondeu Dylan, um pouco menos tranquilo.
– Outros amigos? Talvez você tenha esquecido, mas todo mundo aqui pensa que eu sou um drogado só por que eu vendi uns bagulhos.
Disse ele, ainda gritando.
Dylan o empurrou, tirando as mãos dele de sua gola.
– Então foda-se, tá? Se tu não tivesse vendido pó naquela época, ninguém pensaria assim. A culpa não é minha. Eu sei que somos amigos, mas tu tem que aceitar a minha falta.
Houve um breve silêncio.
– Dylan, você quer mesmo perder um ami--
– Para.
Interrompeu ele.
– Dy--
– Para.
Interrompeu ele novamente.
– Dylan, eu vou embora e--
– Para, cara... Dois anos é pouco tempo.
Interrompeu ele, pela última vez.
Irritado de ser interrompido, Daves deu um soco no nariz de Dylan, que colocou a mão no nariz imediatamente.
– Adeus, filho da puta.
Disse Daves, e foi embora.
Dylan continuou ali, com o nariz sangrando e só de cueca em frente a porta aberta por mais uns segundos.
Passou a mão no nariz, para ver se estava sangrando. Estava.
Fechou a porta e então se virou e foi até o banheiro. Olhou seu reflexo no espelho que havia em cima da pia e em seguida para baixo, um pouco triste. Refletiu um pouco sobre a briga com Daves, e questionou se estava realmente pronto para enfrentar uma nova vida com novas pessoas nas Brown Snow Mountains. Talvez ele não conseguisse fazer amigos por ser muito infantil. Será? Talvez.
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