Broken Wing - Aprendendo A Voar

53 Capítulo 53 - Recomeço


Notas iniciais
Consegui postar! Boa leitura :)

E finalmente, finalmente, eu poderia vê-lo sem culpa, sem restrições. Ah, Sasuke, você já me esperou por tanto tempo, enfim eu poderia encontra-lo e te fazer meu por completo. Finalmente eu poderia me deixar aos seus cuidados, me entregar a você, construir esse estranho relacionamento da maneira certa. Me espere só mais um pouco, Sasuke. Assim que eu sair daqui, irei vê-lo. E quem sabe eu finalmente me permitirei te amar?

Sakura’s POV

Aquele cenário já era nostálgico para mim. Meu quarto, meu único quarto por toda a vida. Aquele pequeno cômodo, onde passei a maior parte da vida. Aquela cama, com o colchão velho e o travesseiro amassado depois de tanto enterrar meu rosto nele. As almofadas no chão, em cima do tapete cuidadosamente bordado para mim por Shizune. Aquelas almofadas que serviam de puff ao invés de ficarem arrumadas no pequeno sofá do outro lado do quarto. A escrivaninha de madeira, com um notebook preto, porta-lápis, folhas desenhadas e rabiscos escritos na madeira, onde eu sempre estudava as lições teóricas ensinadas por Tsunade. A penteadeira, a qual eu quase nunca usava por não ter paciência para arrumar o cabelo; eu só nunca a joguei fora porque Ino a usava por mim. Mas agora nem eu nem Ino iríamos voltar àquele lugar. A janela, que sem eu perceber, acabou ficando fechada a maior parte do tempo. Só agora eu percebi que a vista daquela janela era linda. Conseguia ver árvores verdes empilhadas, levando à floresta, conseguia ver parte do pátio de lazer, onde tantas Wings já haviam passado o curto e precioso tempo livre antes de serem arrastadas a missões cruéis. E finalmente meu guarda-roupa, onde todos os meus pertences ficavam. Roupas que eu havia ganhado de Tsunade ou da família Uchiha, que havia comprado, que havia costurado com Ino. Perfumes, bolsas, bichinhos de pelúcia escondidos, e aquela caixinha de música. Eu deixaria quase tudo para trás. Essa seria minha última vez aqui.

Andei lentamente até a cama, onde me sentei, e naturalmente senti meus olhos ficarem molhados. Isso também acontecia com pessoas normais? Quando se mudavam de casa, quando precisavam abandonar algo que havia feito parte de suas vidas por tanto tempo...? Eu não estava chorando de tristeza, e sim porque a mudança era muito abrupta. Vivendo por tanto tempo em uma zona de conforto, mentindo para mim mesma, isolando-me nesse pequeno espaço, meu lugar favorito no mundo... e agora eu iria abandoná-lo. Não me arrependia disso, lutei muito para esse dia chegar. Mas agora seria para valer, não haveria mais volta, nem quem tentasse me perseguir. E por isso mesmo despedir de meu quarto estava sendo tão difícil. Aquele espaço não seria mais meu para voltar. A partir de agora, era eu e o mundo. Meu quarto seria o céu aberto, minha cama seria a grama e meus pertences estariam espalhados por aí.

O mundo era meu para conquistar, eu sabia daquilo. E haveria alguém me esperando para quando eu saísse daqui. Eu iria me encontrar com ele sem medos e amarras, e permitira que esse relacionamento estranho evoluísse. Eu não tinha dúvidas de que lentamente iria conquistar meu lugar no mundo ao lado dele e por conta própria, e logo teria um lugar só meu de novo, um quarto ainda melhor e mais confortável... eu só estava me sentindo assim agora porque... eu finalmente deixaria esse lugar para nunca mais voltar. Então, já que esse seria meu último contato aqui, pensei em aproveitar os últimos momentos.

****

Eu não levaria quase nada dali. A Central de Inteligência iria tomar a responsabilidade da Base das Wings e usaria o local como Base deles. Naruto também se ofereceu para transportar Wings onde elas quisessem ir. Muitas haviam aceitado, e o barulho de helicópteros circundando o local para retirar as Wings de lá estava constante por toda a tarde. Algumas Wings não queriam sair da Base, estavam assustadas ou simplesmente haviam se apegado demais ao local, mas todas já haviam entendido que não teriam mais a mesma vida de antes e não estavam presas àquele lugar. Eu não saí do meu quarto, mas conseguia ouvir despedidas através da porta fechada, choros e promessas de futuros encontros. Algumas Wings passaram em meu quarto para se despedir. Abracei todas, deixei-as chorar, deixei-as me agradecer, assegurei algumas de que não haveria perigo, que elas poderiam ser o que quisessem agora, e que Tsunade não iria mais persegui-las. Algumas mostraram-se preocupadas com a Mestra, mas eu assegurei que ela iria ficar bem sob os cuidados de Kurenai, que havia se oferecido a cuidar da Mestra.

Tomei um último banho ali, usei pela última vez a penteadeira, peguei uma caneta e escrevi meu nome mais uma vez na escrivaninha, abracei meu travesseiro e vesti a roupa mais confortável que encontrei no guarda roupa. Coloquei mais algumas em uma mochila, junto com alguns pertences pessoais e de higiene e comecei a olhar mais uma vez a vista da janela. Ouvi batidas na porta logo depois. Hinata, TenTen e Temari não esperaram ser convidadas para entrar, pois aquilo já havia acontecido tantas vezes que o quarto era tão meu quanto delas.

– Sakura? – ouvi a gentil voz de Hinata, timidamente entrando. Virei-me e notei seus olhos transparentes vermelhos de tanto chorar.

– Hina. – cumprimentei as outras e por um momento ficamos em silêncio.

– Então vai mesmo ser assim, não? – TenTen quebrou o silêncio, sua voz mais restringida do que de costume – Nunca pensei que um dia iríamos sair daqui e cada uma iria seguir seu caminho.

– Está hesitante? – Temari perguntou. TenTen olhou-a determinada.

– Não. Minha vida só está começando. O mundo é meu. Nunca estive mais animada do que agora. É só que... vocês sempre estiveram em minha vida, é estranho pensar em continuar sem vocês ao meu lado.

– Mas não iremos realmente nos separar. – Hinata disse com sua voz fraca, mas forte de esperanças – Eu sei que iremos nos levar aqui. – ela apontou para seu coração – E em nossas jornadas, iremos conhecer tantos lugares e pessoas, somente para contarmos tudo umas às outras da próxima vez que nos encontrarmos. Essa não é uma despedida. É só um “até logo”.

– Hinata está certa. – me ouvi falando – Nós sempre estivemos juntas, não há motivos para nos separarmos agora. Sempre iremos nos contatar, e sempre nos encontraremos para dividir conversas bobas. – eu geralmente não era de falar essas coisas melosas, mas agora não era hora de rotular minha atitudes. Essa era a última vez que eu moraria com essas meninas. Eu sei que iremos nos encontrar novamente, mas eu precisava dizer isso a elas agora.

– Não digam isso, eu não quero chorar. – TenTen de repente disse com a voz embargada. Ela raramente chorava.

– Mas isso realmente foi para o melhor. – Temari entrou na conversa – Desde criança, eu sentia que minha vida estava errada. O abandono de meu pai por eu ser o fruto de uma traição, a oportunidade de Tsunade, uma vida presa nas sombras, sem poder expressar meus verdadeiros sentimentos... foi preciso meu irmão e minha amiga fazerem uma loucura para eu ter coragem de fazer uma também, de me levantar também. E nada disso teria sido possível sem você, Sakura.

– Eh? – de repente, as três me olhavam com gentileza no olhar. Uma gentileza nascida da amizade, de uma vida inteira juntas; uma gentileza nascida do agradecimento. Agradecimento, a mim?

– Sakura-chan – Hinata aproximou-se de mim, segurando minhas mãos nas suas – Graças a você, nós também conseguimos abrir nossos olhos. Desde sua primeira fuga, todas aqui estiveram pensando em seus limites dentro dessa Organização. E sua ferocidade e determinação nos permitiu alcançar a liberdade hoje. Obrigada, Sakura-chan, por nos ajudar a sermos livres, por nos ajudar a voar.

E Hinata me abraçou. Forte, tão forte, que senti meus ossos sendo esmagados. Mas era um dos melhores abraços que eu já havia recebido em toda a minha vida. Cheio de calor, sentimentos, saudade, amor. TenTen e Temari logo se juntaram a ela, e aquilo virou um abraço em grupo. Antes de perceber, silenciosas lágrimas já escorriam por meu rosto. Minha vida havia sido essas meninas. As irmãs de alma que eu amava, que sempre estiveram comigo, mesmo quando brigávamos, mesmo nos momentos difíceis. Essas meninas eram talvez a coisa mais importante da minha vida. E agora, cada uma de nós seguiria seu próprio caminho. Eu estava feliz por nós. Muito feliz.

Ficamos alguns minutos daquele jeito, envolvidas naquele abraço, completamente em silêncio. Palavras não eram mais necessárias, nós sabíamos muito bem o que cada uma estava sentindo.

E sabíamos também que aquela não seria a última vez, então não havia necessidade para dramas desnecessários. Nós simplesmente seríamos livres para voarmos onde nosso coração nos guiasse, e eventualmente nos encontraríamos no céu novamente, para compartilharmos nossos melhores e piores momentos. A amizade não seria abalada por causa disso, pelo contrário, apenas seria fortalecida.

Após quebrar o abraço, sentamos no quarto como já havíamos feito várias vezes, e conversamos por um bom tempo. Eu as ouvi falando sobre o que pretendiam fazer assim que saíssem daquele lugar. Primeiro, ouvi TenTen dizer que iria ser uma das Wings a tentar ganhar uma vaga na Central de Inteligência.

– Eu seria de grande ajuda na hora de prender os criminosos fugitivos! Eles vão ter sorte em me ter! Vou ensinar aqueles detetives inocentes a como manusear kunais, shurikens, e todo tipo de arma. Depois vou encontrar um detetive que goste de ver o pôr-do-sol todos os dias comigo e vou pegá-lo só para mim! – TenTen, sempre otimista, sempre engraçada, sempre despreocupada e esperançosa. Eu iria sentir falta de seu lado criança.

Depois, ouvi Temari falar sobre um interesse seu que eu nunca achei que ela poderia ter.

– Fotografia? – perguntei, curiosa.

– Sim. Já fiz alguns cursos teóricos pela internet, e Tsunade sempre me disse que eu era uma boa observadora. De qualquer forma, eu gosto da tranquilidade que isso me traz. Vou viajar pelo mundo retratando em fotografias tudo o que me chamar atenção. Talvez eu consiga fotografar Ino e Gaara rindo juntos em algum lugar algum dia.

Temari me parecia o tipo de pessoa certa para essa profissão. Detalhista, paciente, perfeccionista. Tenho certeza de que ela iria nos mostrar fotos magníficas na próxima vez que nos encontrássemos.

E depois, ouvi Hinata me dizendo seu simples sonho.

– Pediatra?

– Não sei explicar muito bem, mas eu gosto de crianças. Só quero cuidar delas para que possam ter uma vida saudável. – e essa era Hinata, sempre simples, sempre pensando nos outros, sempre honesta e gentil. Tenho certeza de que as crianças irão amá-la.

– E você, Sakura? – TenTen me perguntou depois de mais uma rodada de sorrisos.

De repente, eu não estava mais falando com elas. Aquela pergunta fez um turbilhão começar em minha mente, e eu não sabia encontrar as palavras certas para expressar tudo o que eu estava sentindo naquele momento. E eu? O que eu faria? Eu ainda não tinha sonhos concretos, como elas.

– Eu? Eu só... – abaixando a cabeça, tentei ser sincera, mas senti que meu objetivo não estava aos pés dos delas – Eu ainda não sei bem... tem uma... tem uma pessoa que eu quero encontrar, e quero ficar com ele... acho que se eu estiver com ele, posso ser qualquer coisa.

– Sakura... – ouvi a voz de TenTen.

– É isso mesmo, Sakura-chan. – levantei a cabeça ao ouvir Hinata – Tudo se torna mais fácil quando estamos com uma pessoa que amamos, não importa quem seja. – e ela sorriu daquele jeito que só Hinata sabia sorrir.

– Hm! É verdade! – TenTen fechou os olhos e sorriu também, assim como Temari.

Ah. Eu não deveria ter ficado com vergonha disso. Eu ainda não havia me encontrado na vida, mas essa seria a primeira vez que eu levantaria voo por conta própria. Ainda havia muito tempo para aprender e fazer escolhas. E com Sasuke ao meu lado, não seria tão difícil.

****

Quando o sol foi desaparecendo do horizonte, ficamos cientes de que esse último encontro logo iria acabar. Pegando a única mala que eu levaria dali – uma simples mochila – eu e as meninas saímos do meu quarto, e depois de olhá-lo pela última vez, eu o tranquei, apenas por um simbolismo bobo. E pronto, estava feito. Aquele lugar oficialmente não era mais meu e nunca mais seria.

– Hina, antes que eu me esqueça, Naruto pediu para você procura-lo mais tarde. – falei discreta e calmamente, mas mesmo assim, Hinata corou violentamente. TenTen riu.

– A-a-ah t-tá. Eu vou... vou... vê-lo... depois.

– Ah, quantas pessoas apaixonadas! Ino, Sakurita, até a Hina-chan! Que lindo! – TenTen disse em seu jeito escandaloso. Eu sentiria falta daquilo também.

– TenTen! – Temari a repreendeu para não gritar; eu sentiria falta daquilo também.

– Mas o amor é uma coisa tão linda! Por que não devo comemorar por elas?

Amor? Seria isso mesmo? Eu já sabia o que era o amor fraterno graças a essas meninas, sabia relativamente pouco sobre amor materno graças a Tsunade, mas não sabia quase nada sobre amor romântico. O máximo que chegara disso, e o único que chegara a isso fora Sasuke. E eu já havia aceitado esses estranhos sentimentos de querer ficar com ele, esses sentimentos que me envolviam e não me permitiam pensar em nada além dele. E eu sabia que isso estava seguindo na direção do que as pessoas chamavam de amor. Eu não sabia ao certo se era meu caso, afinal, essa palavra era muito forte e eu não queria subestimá-la.

Mas ao invés de negar que era amor, eu iria testar isso. Ao invés de fugir de novo, de negar com todas as minhas forças o lugar dele no meu coração, eu iria deixa-lo conquistar seu espaço. Eu iria me permitir confiar nele, aos poucos, para que ele me mostrasse se de fato era amor. E eu deixaria esse sentimento crescer, um passo de cada vez. Haveria muito tempo para passarmos juntos, então eu não estava impaciente com isso. Eu só queria ser feliz, e de preferência, ao lado dele.

****

O sol já estava se pondo. A Base já estava quase vazia. Depois de muitas viagens e despedidas, as Wings foram tomando cada uma seu caminho. As crianças e adolescentes ficaram, pois elas ficariam sob os cuidados de oficiais da Central de Inteligência até terem um lar, assim como Wings que queriam uma oportunidade de trabalhar para a Central ou ainda estavam esperando seus voos chegarem. Era muito estranho ver aquele lugar quase sem ninguém. Eu me despedi de todas, direta ou indiretamente. Resolvi ficar por último porque senti que era meu dever. Precisava agradecer a Shikamaru, a Naruto, a Shizune, Kurenai e sim, a Tsunade.

Fui até o Grande Salão, onde sabia que o resto das Wings e eles estariam. Entrei e Shikamaru conversava seriamente com Naruto e Shizune, que deveria estar dizendo a eles sobre as condições particulares de cada uma ali, enquanto as meninas e mulheres sentavam impacientemente nas cadeiras no auditório. Uma voz imediatamente chamou meu nome.

– Sakura! – era Meiko. Ela se levantou de seu assento e correu até estar na minha frente.

– Oi menininha. Você está bem? – eu realmente não sabia lidar com crianças, mas tentei ser gentil com ela.

– Estou confusa. O que vai acontecer com Tsunade?

– Ela vai viver com Kurenai – tentei responder da forma mais simples que consegui.

– Então o que vai acontecer com a gente? O moço de cabelos espetados disse, mas eu não entendi – suspirei tristemente.

– Você e suas amiguinhas vão ser livres agora. Vocês vão viver em um lugar melhor e vão poder viver mais livremente.

– Em um orfanato? – doeu meu coração, mas eu sabia que ela era madura o suficiente para entender.

– Se você não tiver nenhum parente, sim. Desculpe, menininha. – me vi tentando justificar os erros em relação a ela – Depois de tudo pelo que você passou, de já ter estado em um orfanato, estamos te fazendo voltar para lá. Eu sei que pode ser difícil, mas...

– Não estou triste. – ela me cortou de repente – Eu não estava mais feliz aqui. A senhora Tsunade disse que eu poderia ter o que quisesse aqui, mas eu não gostava como ela me tratava. E ela mentiu para mim sobre Sasuke. Disse que ele não queria me ver, mas era ela quem não estava deixando.

– Eu sei, menininha. Mas agora você vai poder voltar a falar com o Sasuke.

– Sim! E não importa onde eu esteja, eu aprendi a ser forte. Se eu sobrevivi nas ruas, eu vou sobreviver no orfanato. – e ela me deu um sorriso inocente, cheio de esperança – Vou fazer muitos amigos lá, vou ajuda-los quando eles chorarem, e juntos vamos crescer pessoas boas!

Eu me surpreendia com o otimismo dessa menina. Ela realmente parecia uma joia preciosa, uma alma pura que com certeza também seria capaz de conquistar o mundo.

– Tenho certeza de que você ficará bem, menininha. – tentei sorrir, e acho que ela me entendeu.

– Sim! Obrigada, Sakura. Por tudo. – os olhos verde claros dela me penetravam com inocência. Antes que eu pudesse responder, ela continuou – Quando você sair daqui, vai ver o Sasuke?

– Ah... acho que sim. – fui pega de surpresa pela pergunta dela.

– Então diga a ele que estou com saudades. Se não fosse por ele, eu não estaria aqui.

– Eu direi, menininha.

– E quando ele puder, bem... – agora ela parecia estar com vergonha de dizer o restante.

– Eu direi a ele para te visitar, não importa onde você esteja – terminei de falar por ela e ela me olhou com um sorriso maior ainda.

– Hum! Vou espera-lo! – e ela me abraçou, assim como Hinata havia feito antes.

O que havia acontecido com todos, para de repente envolverem seus braços em mim e tentarem esmagar meus ossos? E por que essa sensação era tão boa?

Meiko se separou de mim quando Shizune chamou seu nome. Um grupo de crianças estava próximo a ela. Discretamente, fui para perto de Shikamaru.

– Já decidiram um lar para as crianças?

– Sim. – ele simplesmente respondeu – Há alguns orfanatos especializados em receber crianças com traumas, Naruto e outros detetives já contataram os responsáveis por eles. Eles estarão prontos para receber todas as meninas amanhã de manhã. Shizune as ajudará a fazer as malas e depois de passarem uma noite sob os cuidados da Central de Inteligência, elas seguirão para esses orfanatos. Está preocupada com elas? – Shikamaru olhou para mim, curioso.

– Ah... um pouco. Mas eu sei que todas elas conseguirão juntar forças para passar pelas dificuldades.

– Com certeza. – ele respondeu – Está escrito no rosto de cada uma. – depois de uma pausa, ele voltou a falar – E você, o que ainda está fazendo aqui?

– Ah. Eu queria agradecer. – ele me olhou ainda mais curioso – Obrigada por me ajudar a ser livre, Shikamaru. Nunca me esquecerei disso. – dizendo isso, fiz uma profunda reverência, e eu não me importava que ele ficasse sem graça com isso.

– Não fiz nada demais. Você fez muito mais, Sakura.

Sorri brevemente, antes de deseja-lo bom trabalho e seguir para onde Shizune estava.

– Boa sorte em sua nova vida, Sakura. Se precisar de qualquer coisa, já sabe onde me encontrar. – foram suas últimas palavras antes de eu abraça-la e também deseja-la um bom trabalho com as crianças.

Consegui alcançar Naruto antes de ele se encontrar com Hinata. Agradeci-o rapidamente por sua ajuda, e sem graça e sempre sorrindo, ele agradeceu pela minha.

– Cuide da Hinata. – eu disse depois de me erguer de outra reverência.

– Ah, com certeza. Nós vamos nos cuidar muito bem. – mostrando os dentes em um sorriso caloroso, eu me despedi dele, sabendo que ele e Hinata seriam muito felizes juntos.

E finalmente, encontrei Kurenai em um dos helicópteros da Central de Inteligência, vigiado por alguns detetives.

– Sakura, bom trabalho até aqui. – ela me cumprimentou quando me aproximei.

– Igualmente, Kurenai-san. Sem a sua ajuda, nada disso teria sido possível.

– Demorei muito para tomar uma atitude quanto a isso. Agora, eu, você, e todas as outras poderemos ser livres. – acenei a cabeça em uma pequena reverência.

– E... Tsunade? – perguntei relutante.

– Está dentro do helicóptero. Ela passará a noite em uma prisão da Central de Inteligência e depois será liberada.

– Kurenai-san... tem certeza de que quer viver com ela?

– Sim, sinto que é minha responsabilidade. Tsunade já fez muitas coisas erradas, e eu fui sua cúmplice por muito tempo, mais do que qualquer uma de vocês. É meu dever garantir que ela não tentará fazer mais nada de errado, e eu também não poderia abandoná-la depois de tudo. Afinal, nem tudo o que ela fez foi errado.

Kurenai me deixou entrar no helicóptero para dizer um rápido adeus à Tsunade. Ela estava cochilando quando entrei, mas logo abriu os olhos, encarando-me confusa e com ressentimentos.

– Depois de tudo o que eu fiz por você, Sakura...

– Já conversamos sobre isso, Tsunade. – eu não tinha mais por que usar o “-sama”, nem tinha mais motivos para chama-la de Mestra – Essa foi a coisa certa a se fazer.

– Eu sempre soube que você era rebelde. Mesmo antes de fugir pela primeira vez, mesmo antes de desenvolver completamente suas habilidades. Eu tinha tantas esperanças em você... é irônico pensar que foi por sua causa que eu perdi tudo.

– Você não perdeu tudo, Tsunade. Está apenas começando de novo, assim como todas as meninas e mulheres que você salvou. Fique feliz por elas, e permita-se amar de novo. Permita-se enxergar o mundo de forma diferente. Obrigada por me salvar e por cuidar de mim. Desejo-lhe tudo de bom, Tsunade. Que você possa encontrar alegria em dias pacíficos.

Fazendo uma breve reverência, agradeci à minha ex-Mestra. Tsunade abaixou a cabeça levemente, respondendo ao meu agradecimento, e em seguida falou.

– Não me decepcione então.

– Nunca. – deixando um pequeno sorriso escapar, dei adeus à Tsunade e saí do helicóptero.

Acenei adeus à Kurenai também. Eu não queria me demorar demais naquele encontro. Tsunade já era parte de meu passado. Agora eu precisava olhar para frente e para os desafios que viriam a seguir. Sem nunca me esquecer de tudo o que já aprendi, eu levantaria a cabeça e seguiria em frente.

****

O sol já não brilhava mais. A lua e as estrelas tomaram seu lugar, e a noite estava fria, típica do mês de novembro. As crianças já haviam deixado a Base com Shizune, e de manhã estariam em novos lares. Naruto e Shikamaru permaneciam ali, transportando as últimas Wings. TenTen entrou em um helicóptero com outras Wings com o objetivo de trabalharem honestamente como detetives da Central. Acenamos adeus, segurando o choro e sorrindo. Temari também se fora, e seu primeiro destino seria o País dos Redemoinhos.

– Ouvi dizer que há muitas paisagens lindas lá, e lugares turísticos famosos! – ela me disse antes de embarcar.

Hinata permanecia ali, ao lado de Naruto, tímida, mas visivelmente feliz. Despedi-me uma última vez dela, de Shikamaru e de Naruto, desejando-lhe felicidades.

Combinamos de nos encontrar daqui a quatro meses, em um lugar especial cuja existência somente nós quatro (cinco, contando com Ino) sabíamos. Tenho certeza de que todas teríamos muitas histórias para contar nesse dia. Sim, esse não era o fim de nosso contato, de nossa amizade. Era só o começo de tudo. Voltaríamos a esse lugar cheias de esperanças, sonhos realizados e ainda mais na fila, esperando a chance de também serem concretizados.

E agora, eu finalmente me via livre para ir embora. Depois de passar minha vida toda nesse lugar, eu finalmente diria adeus, romperia as correntes dos meus pés e levantaria voo. E eu iria aonde quer que meu coração quisesse me guiar. O mundo era meu para conquistar, e eu faria exatamente isso. Eu não estava mais com medo.

E tenho certeza de que todas as mulheres ali sentiam o mesmo. Agora eu não poderia mais chama-las de Wings. Eu também não usaria mais esse nome para me referir a mim mesma. As Wings eram passado. Eu havia aprendido com ele, e agora era hora de seguirmos em frente, mas não mais como Wings. Agora seguiríamos em frente como nós mesmas, como quem quiséssemos ser. Seguiríamos em frente livres.

E a primeira coisa que eu iria fazer com minha liberdade era ir vê-lo. Eu já não aguentava mais essa ânsia, esse calor no peito. Eu sabia o que eu queria, e eu queria abraça-lo da mesma forma que Hinata e Meiko haviam me abraçado. Eu envolveria meus braços ao redor dele e não o soltaria por nada nesse mundo. Eu o deixaria entrar em minha vida e em minha mente. E eu me permitira entrar na mente dele também.

Sasuke, a espera acabou. Eu finalmente estou indo para o seu lado. Eu finalmente poderei ser sua, e você, meu. E isso, tenho certeza, é algo que nunca mudará.

Oh baby, baby, it’s a wild world

It’s hard to get by just upon a smile

Oh baby, baby, it’s a wild world

And I’ll always remember you like a child, girl

Oh baby, baby, esse é um mundo selvagem

É difícil sobreviver com apenas um sorriso

Oh baby, baby, esse é um mundo selvagem

E eu sempre me lembrarei de você como uma criança, garota

Cat Stevens – Wild World

Notas finais
Achei bom incluir esse pequeno capítulo de transição. Espero que tenham gostado e até o próximo, que se tudo der certo, planejo postar em menos de uma semana!