Broken Wing - Aprendendo A Voar

54 Capítulo 54 - Levantando Voo


Notas iniciais
ATENÇÃO! ESSE NÃO É O ÚLTIMO CAPÍTULO. Tem mais um XD Boa leitura.

Sasuke, a espera acabou. Eu finalmente estou indo para o seu lado. Eu finalmente poderei ser sua, e você, meu. E isso, tenho certeza, é algo que nunca mudará.

Novembro havia chegado sem muitos alardes. O clima começava a ficar cada vez mais frio, e os ventos também ficavam mais fortes, mas todos já estavam acostumados com aquilo. Sasuke acordou naquela manhã de domingo sentindo-se mais cansado do que quando fora dormir. Domingo parecia ser o pior dia da semana depois da segunda-feira; algo sobre esse dia deixava o moreno se sentindo ansioso e solitário. O comércio não funcionava, as pessoas não saíam de casa, não havia nada para fazer, tudo ficava quieto demais.

O silêncio nunca incomodou Sasuke, ele na verdade gostava de ficar sozinho, com seus próprios pensamentos, sem ninguém falando sobre coisas que ele não estava interessado em ouvir. Mas devido aos acontecimentos dos últimos anos, mais precisamente, desde que conhecera Sakura, não gostava mais tanto de ficar sozinho como antes. Parecia que faltava algo ao seu lado. Sem ela ali, tudo parecia mais solitário, mais chato. Sua vida não tinha graça sem a loucura que ela trazia.

E depois de ter se acostumado a viver com Ino e Gaara na casa, aquele espaço parecia muito silencioso para ele. Como se ele estivesse sozinho em um local muito maior, e não houvesse ninguém para tirá-lo de lá e fazê-lo companhia. E aquela era só mais uma manhã de domingo na qual ele acordava sem vontade de fazer nada. Seus pais estavam viajando, então não haveria almoço em família, como era de costume, seu irmão estava ocupado com Konan e sua gravidez, e ele simplesmente não tinha mais vontade de sair com seus amigos. Aos poucos, veio a perceber que eram arrogantes e mesquinhos, e se perguntou se tinha o direito de pensar isso deles se ele mesmo era igual. Mas será que só percebera isso porque mudara? Sakura o fizera mudar. Meiko o ajudara a amadurecer. Ele sentia que já não era mais o mesmo Sasuke de um ano atrás, aquele que virava a noite em festas, bebidas e mulheres, aquele que não queria nada com a vida, que não se importava com a família nem com o futuro.

Será que tudo isso era feito de Sakura? E como ela conseguira afetá-lo tanto? Ela também não era exatamente o que a sociedade considerava um bom exemplo de moça, ela já havia feito muitas coisas erradas em sua vida como Wing. Mas o coração dela era feroz e sincero. A paixão queimava dentro dela de forma que ele nunca vira. Ela fora a pessoa que mais o atraíra e o deixara confortável o suficiente para confiar nela, mais do que já confiara em qualquer outra pessoa. Ela sabia como lidar com ele, não tinha medo nem hesitava em repreendê-lo, e ela sempre lhe impôs limites, limites os quais ele precisava, e estava grato por isso. Sakura de fato ajudara-o a enxergar ao mundo e a si mesmo de forma diferente. E agora cada dia sem ela era sem graça e vazio. No último encontro entre eles, ela prometeu que voltaria logo. Mas ele não sabia quando isso seria. Achava-se um idiota por contar os dias desde aquela noite, por acordar esperançoso de que ela iria bater em sua porta só para no final do dia ir dormir sozinho de novo.

Talvez realmente seja isso o que chamam de amor.

Levantou-se lentamente, espreguiçando-se, notando que o despertador marcava 8h30min. Sentia vontade de voltar a se afundar na cama e só levantar quando fosse noite, mas se fizesse isso, se arrependeria depois. Não queria se sentir ainda mais solitário. Pelo menos faria alguma coisa, nem que fosse limpar a casa ou sair pela cidade vazia.

Descendo as escadas descalço, pensou em fazer café. Sentia-se ainda sonolento, e sem grandes expectativas para o dia, o café demorou mais do que o costume para ficar pronto. Mal teve tempo de tocar os lábios no líquido (queimando-os, para melhorar a situação) e o interfone tocou. Xingando mentalmente quem quer que o resolvesse atrapalhar a essa hora da manhã de um domingo – sério mesmo? – foi atender, reconhecendo a voz de Ito-san, o porteiro do luxuoso condomínio onde vivia.

– Sasuke-san, bom dia. – o porteiro tentou cumprimenta-lo da melhor forma. Ele também não devia estar acostumado a receber pessoas tão cedo de domingo.

– ‘Dia. – Sasuke resmungou qualquer coisa só para parecer educado, enquanto soprava o café para esfriá-lo, tentando dar outro gole em seguida.

– A mesma mulher do outro dia está aqui para visita-lo. Sakura-san, se me lembro corretamente.

Sasuke não se engasgou com o café, mas foi quase. Seus olhos, antes cansados, se arregalaram e ele se sentira mais acordado do que nunca. Apertou os dedos ao redor da xícara de café, e tentou fazer qualquer som sair de sua boca.

– Diga para... ela... entrar. – foi tudo o que conseguiu em um sussurro, desligando o interfone logo em seguida.

Sakura estava ali. Lavou o rosto várias vezes para se certificar de que não era um sonho, mas de fato era real. Ele não a esperava tão cedo depois do último encontro, não falara com ela por todos esses dias, não sabia como estava a situação onde ela morava, com suas amigas, com Tsunade. Sabia que ela estava perturbada, triste e solitária, e a única coisa na qual se apoiara foram suas palavras de que ela viria vê-lo novamente. Mas não esperava ser tão cedo. Esperava que fosse demorar muito tempo até Sakura conseguir se libertar das correntes que a prendiam, e por isso seus dias se arrastavam com o pensamento de que ainda demoraria muito para poder vê-la novamente.

Mas Sakura, como sempre, excedera todas as suas expectativas. Ali estava ela, em uma manhã de domingo, convidando-se a sua casa, sem nenhum aviso prévio, sem nenhuma cerimônia. E Sasuke não sabia por quanto tempo ela poderia ficar. Será que havia fugido também ou essa era outra escapada rápida que ela dava depois de uma missão qualquer? Será que somente planejava insultá-lo, dizer-lhe que tudo antes fora uma mentira e eles nunca mais poderiam se ver? Não, não poderia ter esses pensamentos insanos naquela hora. A coisa mais importante naquele momento era escovar os dentes.

Toda a sonolência de antes parecera ter desaparecido enquanto Sasuke subia as escadas para tentar trocar os trapos que usava para dormir por algo decente. Não sabia por que estava tão nervoso dessa vez. Talvez seja porque agora sentia que Sakura realmente queria ficar com ele, e era um pensamento engraçado, mas o deixava se sentindo inseguro. Sasuke Uchiha? Inseguro? Somente a rosada para fazê-lo sentir uma emoção que nunca havia sentido. Sakura era a única que conseguira abalar seus suportes, e desmentir a imagem que ele sempre construiu de si mesmo. E agora ele estava agindo como um adolescente no primeiro encontro com uma garota.

Ouviu a campainha tocando, e ainda não tinha terminado de se vestir. Da última vez que deixara a rosada esperando, ela invadira sua casa e o pegara em um estado vergonhoso. Lembrar daquilo era comicamente nostálgico, mas não queria que aquela cena se repetisse. Vestiu apenas um moletom por cima da camiseta branca e só percebeu que ainda estava descalço quando abriu a porta da frente e seus pés tocaram o gelado piso da varanda. Ele poderia simplesmente ter aberto o portão de dentro da casa, mas o gesto de recebe-la pessoalmente também foi automático. Com os olhos focados no chão, abriu o portão automaticamente, dando a ela passagem para entrar. Fechou o portão e só então seus olhares se cruzaram.

Ela estava diferente, mas não fisicamente. Seus cabelos ainda continuavam rosa, caídos nos ombros, e a faixa vermelha que ela usava na cabeça só ressaltava a cor clara daquelas mechas. Seu rosto continuava delicado, e seus olhos, verdes e ferozes. Mas de alguma forma, ela estava diferente. Parecia mais leve, mais solta, mais... livre. E só agora notou, ela tinha uma mochila nas costas.

– Bom dia. – ela cumprimentou, tímida. Seu tom também estava diferente.

– Bom dia. – respondeu automaticamente – Quer entrar? – apontou desajeitadamente para dentro de sua casa, e ela acenou divertidamente com a cabeça, como se achasse aquela cena engraçada.

Ela andou calmamente até estar dentro do sobrado, onde o vento frio não bagunçava seus cabelos nem a fazia estremecer levemente. Sasuke a seguiu e fechou a porta atrás de si, ficando os dois no hall de entrada. Sakura começou a percorrer os olhos pela casa, e Sasuke estranhou aquilo; afinal, ela já conhecia sua casa.

– Desculpe aparecer assim de repente, tão cedo. – ela disse, de costas – Mas eu precisava te ver. – ela se virou e trancou seu olhar no dele. Aqueles verdes hipnotizantes o trouxeram de volta à realidade.

– Estou feliz por ter vindo. – foi tudo o que conseguiu dizer. Sakura então olhou-o da cabeça aos pés, elevando o canto dos lábios em um sorriso.

– Estava dormindo? – perguntou em um tom zombeteiro.

– Na verdade, não. Eu só sou lento de manhã. – Sasuke sabia que sua aparência estava deplorável, mas pelo menos tinha conseguido escovar os dentes.

– Hum.... – Sakura sorriu com os lábios fechados, e agora ele percebia que realmente havia algo de diferente nela.

– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou.

– Aconteceram muitas coisas, Sasuke. – a forma como ela dizia seu nome era excitante – Com o tempo, talvez eu possa lhe contar sobre todas elas. Agora, tudo o que você precisa saber é...

– É...? – ela parecia estar tendo dificuldade com as palavras, como se temesse fala-las, ou temesse a reação dele. Ela engoliu em seco antes de olhá-lo com determinação.

– Eu estou livre. – e ela não conseguiu conter o sorriso de orelha a orelha que surgiu em seu rosto delicado. Ele sabia que aquilo deveria significar muito para ela.

– Livre? – aos poucos, a ficha foi caindo – Você quer dizer...

– Sim, eu estou livre. Livre de Tsunade, livre das Wings, livre de tudo o que me prendia antes. – a cada palavra, ela se aproximava dele, esperando uma resposta. Quando seus rostos estavam bem próximos, ela abaixou o volume da voz – Eu não sou mais uma Wing. E eu estou aqui agora, Sasuke.

E lentamente, delicadamente, ela o abraçou. Sasuke não conseguiu descrever aquele gesto tão estranho a ele e a ela. Não estava acostumado a abraçar, nem a receber abraços, pelo menos não de forma tão aconchegante e desesperada. Assim que percebeu que ele não a afastaria, Sakura envolveu seus braços nas costas dele e o apertou com força, como se para garantir que ele não escapasse. Descansou a cabeça em seu ombro, e Sasuke, estranhando aquele gesto, fez um movimento automático de abraça-la de volta. Desajeitadamente envolveu-a com os braços, enquanto ela o apertava cada vez mais, como se ele fosse um ursinho de pelúcia.

– Sakura...?

– Cale a boca e me abrace. – ela o apertou ainda mais – Só mais um pouco...

Ficaram daquele jeito, em silêncio, por mais alguns minutos. Sakura nunca o havia tocado daquela forma tão inocente. Sentir o calor do corpo dele contra o dela era uma sensação aconchegante. Sentia que poderia ficar assim para sempre, exalando o cheiro dele. Mas ainda lhe devia explicações, por isso, relutantemente se afastou e encarou profundamente aqueles olhos negros, deixando-se embriagar de novo por aquela cor tão dele.

– A Organização foi desfeita. Tsunade não tem mais nenhum poder sobre mim. Todas as Wings foram libertadas.

Sasuke sabia que deveria responder alguma coisa, mas a notícia era tão inesperada, que ele precisou de um tempo para digerir as informações. Então aquilo significava que Sakura não iria mais aceitar missões malucas, não iria mais precisar dever satisfações àquela velha peituda, não iria mais precisar voltar, não iria mais precisar abandoná-lo depois de um breve encontro que nunca era suficiente.

– Então você... realmente está livre. – concluiu aquele pensamento óbvio, mas ela parecia não se importar. Somente sorriu de novo e acenou afirmativamente com a cabeça – Então... Ino não corre mais perigo... você não precisa mais... obedecer a velha peituda... – as palavras pareciam estranhas saindo de sua boca, mas Sakura só continuava acenando “sim” com a cabeça – E... Meiko? O que aconteceu com ela?

– Ela está bem. As crianças foram levadas a orfanatos bem conceituados, não se preocupe. Eu sei onde ela está, então depois você pode visita-la quantas vezes quiser. Ela está ansiosa para te ver.

– Mas ela está... feliz? – era sua única preocupação. Sabia que a Gata era forte, mas ela ainda era uma criança.

– Sim. Leva-la conosco foi um erro, me desculpe por aquilo. Nós a enganamos, a dissemos que ela seria feliz lá, mas na verdade ninguém estava feliz. Mas agora eu sei que ela irá ficar bem, mesmo em um orfanato. Ela não está mais sozinha. Há outras crianças com ela, e ela também tem a você, não? – Sakura sorriu gentilmente.

Sasuke retribuiu o sorriso, sem tirar os olhos dos dela.

– Obrigado por cuidar dela. – Sakura não respondeu, esperando-o continuar – E agora, o que você... o que você pretende fazer? Se não precisa mais voltar para Tsunade...

– Não sei, para ser honesta. A maioria das Wings... quer dizer, ex-Wings, tinham sonhos, e saíram de lá para imediatamente realiza-los. Eu tenho uma amiga que foi realizar o sonho de virar detetive e outra, o de virar fotógrafa. Eu não sei o que quero fazer. Há tantas coisas que eu gosto, não conseguiria escolher tão rápido assim. Por isso eu... vim aqui. – ela parecia sem graça, mas resolveu continuar. Não poderia hesitar com as palavras agora – Eu posso não saber o que quero em um futuro distante, mas eu sei o que eu quero agora, Sasuke. E eu quero você.

O silêncio durou poucos segundos antes de ela se aproximar e beijá-lo. Ele não teve tempo de ficar surpreso pelas palavras dela, só conseguiu sentir um calor no peito antes de sentir os doces lábios dela nos seus. Achou-se um idiota por estar comemorando internamente o fato de ter escovado os dentes antes de vê-la. Mas esse pensamento inseguro logo foi substituído pelo aconchego nas mãos dela em seus cabelos. Agora ele entendia o que havia de diferente. Ela não tinha mais restrições. Ela era livre para poder fazer o que quisesse com sua vida, ir para onde quisesse. Agora ele entendia o porquê da mochila e de sua atitude solta. Ela poderia ter ido para qualquer lugar, mas ela escolheu a casa dele como seu primeiro destino. A primeira escolha que ela fez em sua livre vida foi ficar com ele.

Abraçou-a enquanto aprofundava o beijo. Já sabia que gostava dela há muito tempo, desde quando ela não tinha nada além de insultos a oferece-lo, desde quando ela voltou para ajudá-lo com Meiko. Gostava dela por mais tempo do que imaginava, e era muito bom vê-la finalmente correspondendo a esses sentimentos sem medo, sem restrições. Era bom ouvi-la dizer que gostava dele. Quando estavam sem fôlegos, ele rompeu o beijo sem afastar o rosto do dela.

– Sakura...

– Você pode me dar mais essa chance, Sasuke? – ela o cortou – Pode me aceitar na sua vida mesmo depois de tudo o que eu fiz de errado na minha?

– Eu já disse antes, não disse? – ele parecia estar restringindo a voz, prendendo-a em seu olhar – Eu sempre vou estar aqui por você, Sakura. E eu sempre vou te aceitar inteira. Não importa o que você carregue do seu passado, não importa o que você fez enquanto Wing, eu consigo aceitar, Sakura. – ela riu nostálgica, e ele estranhou aquilo – O que é tão engraçado?

– Você mudou, Sasuke. – ele levantou uma sobrancelha, confuso – Ou você simplesmente está me mostrando um lado seu que as outras pessoas não conhecem. – ela parou de rir, e seu semblante se tornou gentil. Envolvendo uma das bochechas dele com as mãos, ela continuou – Você está me deixando entrar, Sasuke? – ela passou o dedão delicadamente por baixo do olho dele, acariciando a pele – Você está me deixando te conhecer? Está se abrindo para mim, como nunca fez com nenhuma outra pessoa?

Ele acenou brevemente com a cabeça. No final, era isso mesmo, não era? Sakura talvez seja a única pessoa que o conheça de verdade. Ela sabe de todos os seus defeitos, todas as suas características detestáveis, e todas as suas inseguranças também. Para todos os outros, Sasuke só mostrava a casca de quem era, nunca se sentira confortável o suficiente para compartilhar seus verdadeiros sentimentos e pensamentos. Era difícil confiar nos outros. Mas com Sakura, era diferente. Ele se permitiu deixa-la conhece-lo, deixou que ela conhecesse seu verdadeiro eu, o Sasuke cheio de falhas e inseguranças. E isso havia sido porque ela também se entregara a ele. Gradualmente, ambos foram se sentindo confortáveis com a presença do outro. Talvez porque sabiam que nenhum deles ali era perfeito; talvez porque sabiam que havia neles mais falhas do que virtudes, e tentaram se ajudar com isso. Sakura ensinou-o que um pouco de confiança na pessoa certa pode não ser de todo ruim.

Quanto à rosada, ela finalmente percebera que Sasuke sempre quis alcança-la, conhece-la, desvendar o mistério por trás dela, e inconscientemente, ela o deixou. Por que será que ela o permitiu entrar? Por que ela aceitou deixa-lo olhar o fundo de seu coração? Talvez pelo mesmo motivo dele. Ambos eram cheios de falhas e estavam perdidos no mundo. Ambos estavam presos a correntes, ambos não conseguiam voar. E rapidamente, Sakura percebeu que havia mais dento dele, e ela queria descobri-lo. Ela queria conhece-lo, queria fazer parte dele. E demorou muito para entender que ele também queria ajuda-la. Sasuke sempre esteve com sua mão estendida, e ela finalmente a pegara. Se ele confiava nela ao ponto de deixa-la conhecer seu verdadeiro eu, então ela também poderia deixa-lo entrar em seu coração. Juntos, eles conseguiriam descobrir um caminho que os permitisse ir aonde quisessem. E toda vez que houvesse pedras e um deles caísse, o outro ajudaria a levantar.

E ela finalmente aceitara isso. Finalmente aceitara-o em sua vida, finalmente aceitara seus sentimentos por ele, essa coisa estranha que todos diziam ser “amor”, apesar do forte significado que essa palavra tinha. Quando se libertou como Wing, Sakura também libertou seus medos de amar. O que havia de errado nisso, afinal? Ela nunca conseguiria voar se não superasse o medo de cair no chão. E ela nunca conseguiria amar se não se permitisse confiar nele. E confiar era difícil, ambos sabiam disso. Mas esse era um caminho gradual que construiriam juntos. Começariam com passos pequenos, voando por distâncias pequenas, até a confiança aumentar e pudessem verdadeiramente se entregar ao outro, correr de mãos dadas e pular de um penhasco seguros de que não se machucariam. E esse caminho começaria a ser trilhado agora.

– E você, Sakura? – a voz dele despertou-a desses pensamentos assustadores, mas confortáveis ao mesmo tempo – Está disposta a me aceitar também?

Encarando os olhos negros dele, ela sentia como se o estivesse vendo pela primeira vez. Aquele rosto tão bonito, tão perfeito e tão apático, mas que na verdade escondia tanta coisa... escondia paixão, escondia insegurança, escondia cansaço, desejos, alegrias, tristezas. Ela havia testemunhado tudo aquilo. Ela o conhecia o suficiente para enxergar por trás daquelas írises escuras. Antes, ela tinha medo daqueles olhos que lhe pareciam frios. Tinha medo de encará-lo e se perder ali, tinha medo da escuridão que estava por trás deles, medo de encará-lo e não conseguir mais voltar atrás, se afogar naquele mar escuro e denso, tinha medo de ficar presa ali para sempre.

Mas ela estava livre agora, e sabia muito bem que aqueles olhos não escondiam nada de hostil, pelo contrário; não eram frios, eram aconchegantes. E eram lindos, brilhantes. Eles revelavam o que havia por trás de cada gesto de Sasuke, de cada palavra. Eles deduravam raiva, alegria, tristeza e amor. Agora, ela conseguia facilmente encará-los e não tinha medo de se perder ali, pois agora já conhecia todos os caminhos dentro dele. Ela conseguira, enfim, enxergar por trás da escuridão daquelas írises. E o que a esperava não era rejeição. Aqueles olhos nunca quiseram afastá-la, e sim convidá-la a se perder neles, com o intuito de conhece-la também, de desvendá-la, de amá-la. E ela os deixaria fazer aquilo.

Sakura sorriu e acenou positivamente com a cabeça. Uma, duas, três vezes, até estar sorrindo como uma criança boba que acaba de ganhar o melhor presente do mundo no Natal.

– Sim. Sim, Sasuke, eu te aceito. Desculpe por te rejeitar por tanto tempo.

– Você me aceitou agora, isso é tudo o que importa.

– E eu não vou mais embora. Eu não vou mais te abandonar.

– Que bom, porque depois disso eu também não te deixaria mais ir.

Ela se permitiu rir com toda a alegria e sinceridade do mundo. Ela estava ali, e ele estava bem ao lado dela. E eles haviam se aceitado. Aceitado que já estavam presos um ao outro, que a liberdade de um começava junto com a liberdade do outro. Depois de tantas sacudidas e tempestades, finalmente estavam estáveis, e não pretendiam mudar aquilo.

Beijaram-se mais uma vez calorosamente. Nada poderia atrapalhar aquele momento, pois o tempo havia parado para os dois ali. Sakura libertara-se de sua vida por ele, e ele sempre esteve disposto a fazer de tudo para dar a ela um espaço em seu coração. Parecia haver algo de errado em uma relação que começou com ameaças de morte e terminou com promessas de felicidade, mas se não fosse desse jeito, tudo teria sido muito chato. O perigo os atraíra até o outro, o desejo de escaparem de suas vidas fingidas, de tirarem suas máscaras para se permitirem conhecer o mundo, a adrenalina de levantar voo sem medo de cair, sem medo de segurar na mão um do outro. Era isso o que essa relação significava, e eles finalmente haviam encontrado essa emoção nos braços do outro, e não pretendiam mais se soltar.

Havia sido difícil admitir. Sakura sempre teve medo de encarar o que não conhecia, e Sasuke certamente era um enigma. Mas agora já sabia exatamente o tom da cor de seus olhos, e ele já não lhe era mais estranho. Sabia que poderia confiar seu coração a ele, assim como ele fazia com ela. Por isso não se arrependia nem um pouco. Não se arrependia de ter abandonado sua vida, não se arrependia de tê-lo conhecido, nem de ter se apaixonado por ele. Não se arrependia de estar ali com ele agora, beijando-o, tocando-o e deixando-o tocá-la. Não se arrependia de ter aberto seu coração a ele. E não se arrependia por ter decidido ficar. Ficar ali, ficar com ele, descobri-lo, conhece-lo e explorar o mundo ao seu lado. Nada mais importava. Nada mais importava além dele. Não sabia o que o futuro tinha reservado para si, para os dois... só sabia que por enquanto, o queria ao seu lado. E não teria medo de expressar isso. Não teria mais medo de chama-lo pelo nome, de abraça-lo e dizer para ele o quanto ele era bonito, o quanto ele conseguia acalmá-la, o quanto gostava dele, e o quanto ele significava para ela.

O mundo pertencia aos dois. Depois de tantas dificuldades, haviam conseguido se levantar juntos. E agora iriam aproveitar a vitória. Juntos.

Antes de perceberem, já estavam compensando os toques por todo o tempo perdido. Sem restrições, esse jogo se tornava ainda mais perigoso, mas eles sabiam que o perigo maléfico já passara. Sakura era livre agora, portanto não deveria se sentir culpada por estar se sentindo tão bem. Não deveria sentir culpa por tê-lo ali consigo, tirando suas roupas, clamando seu corpo, gemendo com ela.

Não havia se esquecido de como era bom ficar com ele. De como essa sensação a fazia sentir como se realmente estivesse voando. Seus corpos pareciam se encaixar de maneira perfeita, e seus gemidos eram a música mais bela de todas. Estavam livres para se entregar um ao outro sem medo. Sakura se perguntou se era assim que Ino se sentia com Gaara. Se fosse, sentia-se feliz pela amiga. A sensação era maravilhosa. Amar e deixar-se ser amada eram sensações maravilhosas.

Não percebeu que estavam no sofá, dançando com seus corpos sincronizados. Sasuke não se importava muito com o lugar, e certamente era impaciente demais para se segurar até alcançarem seu quarto. Aquele desejo era urgente demais para esperar de qualquer forma. Totalmente nus, entregavam-se ao outro, afogavam-se no outro, tentando se conhecerem melhor, tentando compensar por todas as vezes que algo os atrapalhou, tentando colocar os sentimentos em dia. Os braços de Sasuke eram fortes ao redor do corpo dela, e as unhas dela marcavam o corpo dele como se dizendo desesperadamente “não se vá”. O sexo era bom, era verdade, mas a consciência de estarem ali, na companhia um do outro, e somente um do outro, era melhor ainda.

Atingiram o clímax juntos, como sempre acontecia. Era incrível como estavam sincronizados em tudo. Sasuke deixou-se cair em cima da rosada enquanto ela recuperava o fôlego, abraçando-o forte de novo. Ele era dela e ela era dele. E nada iria mudar aquilo.

– Sasuke... – ela falou em um sussurro, depois de um breve silêncio. Conseguia ouvir a respiração ofegante dele próxima a seu ouvido. Como não houve resposta, acariciou seus cabelos e tentou de novo – Sasuke...

– Hmm... – a voz dele saiu abafada enquanto ele se afundava no pescoço dela, tentando ficar confortável, exalando o doce cheiro dela.

– E agora?

– E agora o quê? – a voz dele estava fraca e inocente. Ela o achou bonito naquele momento.

– Como vai ser? – ele finalmente ergueu a cabeça para encará-la, com uma das sobrancelhas levantadas em sinal de confusão.

– Como vai ser o quê?

– Isso... nós. – ela estava hesitante.

– Achei que quisesse ficar comigo. – ele estava cada vez mais confuso.

– Eu quero, eu quero... mas... como vai ser isso? Nós vamos ser o que as pessoas chamam de... “namorados”? – ela fez uma careta ao som daquela palavra. Diferente do que ela esperava, Sasuke começou a rir. Alto.

A risada logo se transformou em gargalhada enquanto ele saía de cima dela e procurava suas roupas pela sala. Sakura sentou-se no sofá, cobrindo-se com uma das almofadas, confusa e levemente irritada. É, não importa o quanto ela gostasse ele, ele ainda poderia ser irritante.

– Qual é a graça?

– Você. – ele ainda ria, vestindo a calça de moletom, virando-se para encará-la no sofá, o corpo coberto com uma das almofadas.

– E o que tem de engraçado em zombar de mim? – ele percebeu que ela estava começando a ficar brava.

– Sakura, não achei que você se importasse com o que as pessoas diriam de você.

– Eu não me importo! Só... não quero mais viver escondida, já fiquei assim minha vida toda. E... se eu for ficar com você, também não quero que seja um segredo. Bom, não quero exatamente sair por aí revelando para todo mundo, porque não é da conta de ninguém, mas... pare de rir, criatura idiota! Eu não sei como lidar com essa situação! Acabei de sair de uma prisão e estou tentando me acostumar às regras da sociedade, então me ajude ao invés de ficar cacarejando como uma galinha!

Enquanto ela dizia aquilo, ele se aproximava dela, ainda rindo. E quando terminou de falar, ele a surpreendeu com um simples beijo na testa, como se aquele gesto fosse feito para acalmá-la. Ele então olhou-a profundamente nos olhos, com um sorriso determinado. Quando ele finalmente começou a falar, ela não o interrompeu.

– A vida é sua, Sakura. Você pode fazer o que quiser agora, não precisa ter medo. Onde você quiser morar, eu vou te visitar. O que você quiser fazer, eu vou te ajudar. E... eu também não estou exatamente acostumado a ter relacionamentos, então... acho que essa parte podemos descobrir juntos. Ninguém precisa ficar sabendo, e não precisamos esconder também. Se souberem, problema deles. O que importa somos nós. E você sabe que não precisamos agir de acordo com as leis da sociedade, nunca fizemos isso mesmo. Não precisamos nos rotular só por causa de uma regra social. Não importa do que nos chamem, não importa se você tenha um anel no dedo, não importa o rótulo que a sociedade nos impõe. Você não precisa ser Sakura, minha namorada. Você é simplesmente a Sakura por quem eu me apaixonei e com quem eu quero ficar. Só isso já é suficiente para estarmos juntos.

Por algum motivo, ela sentiu os olhos ficarem molhados. Não sabia que ele era capaz de dizer todas as aquelas coisas com tamanha sinceridade. E era verdade. De agora em diante, não importava o que ela desejasse fazer em sua vida, ele estaria com ela. E não importa se os outros os vissem, não importa se ninguém soubesse ou se saísse nas primeiras páginas do jornal; para eles não importava.

Ela se levantou do sofá em um impulso, deixando a almofada cair, e o beijou fervorosamente de novo, envolvendo os braços em seu pescoço. Rompeu o beijo com uma leve mordida no lábio inferior dele e ficaram o rosto a centímetros do outro.

– Você sabe ser irritante quando quer, Sasuke... mas até que você é bom com as palavras. – ele riu.

– E o que pretende fazer agora? – ela torceu os lábios, e franziu o cenho, para parecer que estava pensando.

– Acho que o mais importante é encontrar um lugar para morar. Talvez em Konoha tenha algum bom apartamento que eu possa pagar com o dinheiro que trouxe da Base, até eu arrumar algum emprego... se você me quiser tão perto, é claro.

– E por que eu não iria querer? Já fiquei muito tempo afastado de você, Sakura. Não quero mais te perder de vista. – ela corou com aquelas palavras, desviando o olhar e abaixando a cabeça. Ele achou aquilo fofo.

– Depois... – ela tentou mudar de assunto – ... estou pensando em estudar. Me formar em alguma faculdade, e... seguir a profissão que eu escolher. – ele ergueu as sobrancelhas em sinal de surpresa e aprovação.

– E qual seria?

– Algo relacionado a Ciências Humanas, não pensei muito bem sobre isso ainda.

– Você trabalhando com humanos? – ele pareceu achar aquilo engraçado – Só rezo para que nenhum deles desperte sua fúria.

– Do que está falando? Eu sou uma pessoa adorável! – ela fingiu inocência e ele riu, aproximando-se para outro beijo rápido – E você, Sasuke? O que vai fazer comigo aqui? – ele deu de ombros.

– Continuar minha vida monótona de sempre... exceto que agora acho que ela não vai ser tão monótona assim. – ele sorriu novamente.

– Você está feliz? – a pergunta repentina dela pegou-o de surpresa – Está feliz trabalhando com sua família, está feliz em levar essa vida?

– Não precisa se preocupar comigo, Sakura. Eu estou bem. – ela encarou o fundo daqueles olhos escuros, tentando detectar alguma mentira.

– Sabe, você também não precisa carregar tudo sozinho. – ela sabia que Sasuke também era tinha suas vulnerabilidades, principalmente quando se tratava de sua família.

– Eu estou bem, já disse. – ele tentou rir para aliviar o peso da conversa – Então, vai ficar aqui até conseguir um lugar para morar? – em uma clara tentativa dele de mudar de assunto, ela deixou-se levar, mas não iria deixar aquele assunto morto para sempre.

– Se você não se importar com minha ilustre companhia. – ele sorriu e a beijou de novo. Sakura não sabia que ele poderia ser tão carinhoso daquele jeito. Mas não tinha problema, afinal, teriam muito tempo para se conhecerem completamente.

– Não me importo.

Ficaram abraçados por mais alguns minutos, até Sakura se afastar ao perceber tarde demais que ainda estava nua. Vestiu-se enquanto Sasuke foi até a cozinha arrumar a mesa do café que não havia tomado. Ela o encontrou no cômodo guardando a cafeteira. Ainda não conseguia acreditar no rumo que sua vida tomara. Talvez só com o tempo percebesse o que essa mudança iria verdadeiramente acarretar. Por enquanto, já estava feliz por não estar mais presa à Tsunade e ao rótulo de Wing. Agora ela voaria com suas próprias asas, ao lado de Sasuke.

– Sasuke. – ele se virou quando ela o chamou, e o rosto dela estava confuso. Ela parecia estar pensando em algo. – Sasuke... Sasuke... Sasuke... kun? – e ela começou a rir enquanto ele estranhava o honorífico carinhoso – Não combina com você. – ela finalmente disse, olhando-o divertida.

– Não, não combina. O que está dizendo?

– Só estava entediada e comecei a pensar em coisas melosas que casais sempre fazem. Tipo colocar apelidos um no outro.

– Mal estamos juntos e já quer colocar um apelido em mim?

– Só para te irritar, você sabe.

– Ah, claro. Não seria você se não tentasse me irritar.

– Ei, Sasuke-kun... – ela imitou uma voz sedutora, aproximando-se dele.

– Sabe, a cozinha não é o lugar mais sexy para me seduzir.

– Sasuke-kuuun – ela afinou a voz até parecer a de uma criança, passando um dedo pelo peito nu do moreno. Em seguida, começou a rir de novo – É, realmente não combina. Se eu for te dar um apelido, vai ser “criatura irritante” mesmo.

– Estou lisonjeado. – ela sorriu enquanto voltava à sala para pegar sua mochila e guardar as roupas e pertences em algum lugar, que a essa altura já deveriam estar todos amarrotados.

Ela riu enquanto fazia isso, pensando que mesmo uma conversa boba e sem sentido a deixava se sentindo como uma adolescente apaixonada. Talvez seria agindo dessa forma despreocupada com Sasuke que eles realmente se sentiriam plenamente confortáveis ao lado do outro, e seria durante as conversas mais insignificantes que eles perceberiam a alegria de estarem juntos. Sasuke a encontrou no quarto de hóspedes, batendo na porta confuso.

– Não está pensando em dormir nesse quarto, está? – para Sasuke parecia mais do que óbvio que Sakura dormiria na mesma cama que ele.

– Só quero um lugar para guardar minhas coisas. – ela disse sem cerimônia – Não seja tão possessivo logo no começo, Sasuke-kun.

– Achei que meu apelido meloso fosse “criatura irritante”. – ela deu de ombros, sorrindo.

– “Sasuke-kun” significa “criatura irritante”.

– Em qual idioma?

– No meu. – ela sentiu-o lhe abraçar pela cintura por trás, beijando seu pescoço gentilmente.

– Ainda não acredito que você está aqui, Sakura.

– Nem eu.

– Você realmente não vai embora, não é? – ele falou em um sussurro, sua voz séria.

– Não, Sasuke. Eu não vou embora. – ela respondeu no mesmo tom, para dar a ele certeza, para fazê-lo confiar plenamente naquelas palavras – Obrigada por me deixar ficar aqui enquanto não encontro um lugar.

– Você sempre terá um lugar aqui. – ela colocou seus braços por cima dos dele, que a envolviam pela cintura.

– Precisamos avisar sua família. – ele pareceu surpreso.

– Minha família? Por quê? – havia um pequeno tom de pânico na voz dele, mas Sakura decidiu não rir ainda.

– Porque eu voltei, ué. E voltei para ficar; com você. Não acha que eles tem o direito de saber?

– Não sou mais criança. E não é como se tivéssemos um relacionamento normal e oficial. Meus pais não precisam saber de nada.

– Sasuke, não seja assim! Seus pais se importam com você.

– Eu sei disso, a questão não é essa. – ela suspirou fundo. Tinha uma ideia de qual seria a questão, e como não queria magoá-lo, resolveu não se aprofundar no assunto.

– Mas eu sinto que devo cumprimenta-los. Afinal, eles me trataram muito bem durante o tempo que trabalhei aqui. Sua mãe sempre foi tão gentil comigo... não preciso falar que estou com você, se você não quiser. – agora foi a vez de Sasuke suspirar.

Ele não queria que seus pais interpretassem seu relacionamento com Sakura de forma errada. E sabia que se ficassem sabendo, seu pai, principalmente, ficaria relutante, pois Sakura não tinha um passado exatamente limpo. Aquilo não importava para Sasuke e não o faria se afastar dela, mas não queria brigar com sua família nem fazer Sakura se sentir mal por causa daquilo.

– Faça como preferir. – ficaram em silêncio novamente, e Sakura queria quebrar o clima levemente tenso que se formara.

– E o que planeja fazer nesse domingo tão emocionante?

– Sei lá. – ela riu com a resposta.

– Podemos começar pelo almoço.

– Acabei de arrumar a cozinha.

– Mas eu estou com fome. – ele suspirou divertido no ombro dela.

Seguiram para a cozinha e passaram o resto do dia daquele jeito, fazendo coisas relativamente desimportantes, rindo das coisas mais bobas, falando baboseiras e não se importando com o dia seguinte.

Quando a noite chegou, fizeram amor até de madrugada, incansáveis, indo dormir suados e abraçados. Sakura tinha certeza de que nunca se sentira tão feliz assim. Ela sabia que ainda havia muitas coisas para fazer, e precisaria se esforçar muito para começar a construir uma vida nova a partir de agora. Mas sabia que com TenTen, Temari, Hinata e até Ino felizes em algum lugar mundo afora, e com a promessa de voltar a encontra-las em um dia já marcado, poderia seguir em frente em busca de sua própria felicidade, sem se arrepender. E também sabia que com Sasuke ao seu lado, o mundo lá fora estava apenas aguardando sua chegada. E ela iria levantar voo nesse mundo sem medo de onde sua liberdade poderia leva-la.

And I've always lived like this

Keeping a comfortable distance

And up until now I had sworn to myself that I'm content with loneliness

But darling, you are the only exception

And I’m on my way to believing

E eu sempre vivi assim

Mantendo uma distância confortável

Até agora eu havia jurado que estava contente com a solidão

Mas querido, você é a única exceção

E eu estou começando a acreditar

Paramore – The Only Exception

Notas finais
Consegui terminar esse capítulo mais cedo do que previ, acho que eu só estava inspirada. Adiantei um pouco o dia da postagem porque não sei se terei internet semana que vem nem na outra. Então esperem o próximo capítulo nessa sexta XD Espero que tenham gostado, e até o próximo (e último!)