Broken Wing - Aprendendo A Voar

5 Capítulo 5 - Perseguição


Notas iniciais
Capítulo menor, mas eu prometo compensar nos próximos. Boa leitura :)

Alguma coisa estava errada naquilo. Sasuke tinha essa sensação enquanto continuava olhando para a garçonete de cabelos rosa agora com outra roupa, enquanto ela desviava o olhar do seu mais uma vez. Por que ela o evitava? Nunca tinham se conhecido. E não era normal uma mulher desviar-lhe o olhar.

Com certeza, alguma coisa estava errada naquilo, continuava pensando enquanto abria a porta para se juntar a festa novamente, seguido de sua mãe e da garçonete, e ele iria descobrir o quê.

Sakura’s POV

Aquela maldita festa havia acabado às 4 da manhã. Os funcionários de Ooki, eu inclusive, nem estávamos mais servindo nada a essa hora, mas tínhamos que ficar até o fim e arrumar as coisas depois que os convidados fossem embora. Se tudo aquilo não houvesse acontecido, eu até poderia ter me divertido um pouco, como Yumi, Suzuka e Ayame, que dançavam em um canto enquanto os convidados não se seguravam na pista de dança perto da piscina.

Eu só fiquei com cara de emburrada desejando que tudo acabasse logo e evitando pensar no que havia acontecido, queria fazer isso quando eu estivesse mais calma e sem que ele estivesse me olhando.

Sim. Aquele maldito Uchiha, vez e outra, me jogava algum olhar que eu não podia identificar, porque eu me desviava toda vez que ele o fazia. Merda, ele com certeza já devia ter notado algo de suspeito em mim. Como eu pude ser tão burra, meu Deus? Como?

Eu havia acabado de acordar, e eram duas da tarde. Minha partida estava próxima, pois eu já havia pedido a conta no emprego e não havia mais nada que me prendesse a Konoha, pelo contrário – se eu ficasse aqui por mais tempo, poderia me comprometer. Mas antes eu queria tirar mais algum tempo para pensar com calma sobre a noite passada.

Definitivamente, aquilo não podia ter acontecido. Já não bastava ter tido que evitar Sasuke, eu me mantinha longe dos fotógrafos e não chamava atenção. Mas aquela mulher... aquela mulher que mais parecia uma lombriga de maquiagem, me insultando daquela maneira tão ridícula me fez sair do sério. E o álcool teve uma pequena parcela de culpa nisso também. Quando percebi, já estava tentando matar a mulher afogada, e todos os olhares e flashes de câmeras estavam em mim. E então, tudo o que eu mais queria era virar o rosto e sair da mansão, nem que tivesse que pular o portão e ir embora pela floresta. Mas aquela desgraçada puxava meu cabelo e não me soltava de jeito nenhum!

Mas isso não foi o pior. O pior foi quando eu senti alguém pular na água e nos separar. “Acalmem-se, vocês duas!” Aquela voz era familiar. Aquela aparência e aquele braço forte me impedindo de avançar novamente na mulher me pegaram completamente de surpresa. Pensei que tudo estivesse perdido. Ele iria me reconhecer, minha cara estaria estampada nos jornais e Tsunade viria me procurar. Não sei se eu preferia ir para a cadeia ou voltar a fazer parte das Wings. Provavelmente a última opção, mas mesmo assim eu não queria aquilo! E então ele vira seu rosto molhado e seus olhos intensos em minha direção, me olhando fixamente. Eu já não podia esconder, ele já tinha visto meus olhos. Não sei se viu a cor, pois estava escuro, mas nesse ponto eu já estava tão desacreditada da merda que havia feito, que nem me importava mais. Já estava tudo acabado mesmo. Eu iria voltar à vida que eu tinha porque Tsunade descobriria meu paradeiro ou pior, iria ser acusada a não sei quantos anos de prisão. Não acredito que fiz aquilo. Não acredito que fui capaz de fazer todas as câmeras e olhares pousarem em mim!

Depois só senti que ele me carregou para fora da piscina e eu fui levada até a cozinha, para me secar e provavelmente ser expulsa da casa depois. Sem contar que isso deveria ter trazido um grande problema a Ooki. Ah, merda, merda, merda. Eu nunca quis voltar no tempo para consertar alguma cagada que havia feito, exceto nessa noite. Tudo estava perdido.

As meninas tentavam conversar comigo e ver se eu estava bem. Suzuka até xingou a madame Tanaka e disse que “se o gostosão do Sasuke não tivesse apartado de maneira tão sexy a briga” eu teria vencido. Isso não me animava em nada. Eu queria afastar aqueles pensamentos de mim. De repente, pensei ter visto Sasuke entrar naquela cozinha e se aproximar de mim. Mas Sasuke não tinha cabelos compridos nem estava usando vestido. Claro que não, idiota, aquela só podia ser a mãe dele. Mas dá um desconto, eles eram parecidos, e eu já nem estava pensando direito naquele ponto. Me surpreendi com o jeito simples e gentil de como ela me tratava, e mais ainda quando pediu para que não me preocupasse com Ooki ou com a briga, porque “tudo havia sido um acidente”. Não entendi muito bem, mas deviam ter feito alguma coisa para amenizar o escândalo. Se fosse isso, ótimo.

Depois de trocar de roupa, eu já estava mais calma, principalmente por causa da Sra. Uchiha, me chamando de “querida” e dizendo que eu não precisava me preocupar com nada. Nunca gostei de apelidos e nomes carinhosos, o máximo que eu permitia à Ino e Hinata era que me chamassem de “Sakura-chan”. Mas ouvindo da boca daquela mulher me fez sentir mais calma, como se realmente não houvesse nada com o que me preocupar. Mas de novo, fui pega de surpresa. De novo, eu me vi de encontro com aquela estrutura de homem e aquele par de olhos ônix me encarando, me analisando, como se pudessem ler meus pensamentos, ver minha alma, descobrir o que quisessem sobre mim. E eu senti que ele fazia isso. Sabia que só iria levantar mais suspeitas se desviasse de novo meu olhar do dele, mas eu me recusava a ser “estudada” daquela maneira. Tenho certeza de que ele suspeita de algo. Por isso preciso ir embora daqui. Agora.

Não demorei muito para me aprontar. Coloquei todo o dinheiro dentro de minha grande mochila, por incrível que pareça, coube tudo. Fechei a conta naquele hotelzinho e bem discretamente, comecei a sair de Konoha, esperando que minhas lembranças desse lugar desaparecessem. Pena que isso não aconteceria tão cedo.

****

Sasuke’s POV

Eu havia acordado há meia hora. Tinha dormido na casa dos meus pais porque estava bêbado para dirigir de volta a Konoha. Fui até a cozinha e a copeira já foi me servindo o almoço. Meu pai chegou na copa, seguido de meu irmão, meu tio Yusuke e minha mãe. Eles me mostraram o Diário de Konoha, o principal jornal da cidade, que tinha como manchete e notícia principal a festa de ontem, claro.

– Eu disse que iria funcionar. – meu pai falou, jogando o jornal em cima da mesa.

Eu peguei o jornal e comecei a ler.

DEPOIS DE ROUBO DE 15 MILHÕES DE YENS POR UMA MULHER AINDA FORAGIDA, OS UCHIHA MOSTRAM QUE AINDA MANDAM EM SEU TERRITÓRIO

Ontem à noite, grandes empresários, seus parentes, homens de negócios e de grande influência se reuniram na maior festa do ano até agora – cortesia da Família Uchiha. Há quase um mês, o continente se chocou quando foi anunciado o roubo de 15 milhões de yens da conta da poderosa e tradicional família, dona das Empresas Uchiha e importantes do cenário econômico, político e social do País do Fogo e entre as Cinco Grandes Nações.

Quinze milhões de yens é com certeza muito dinheiro – mas a família mostrou que mesmo assim, não perdeu seu poder e sua fama, como mostrado na festa de ontem, na casa do chefe da família e dos negócios Fugaku Uchiha. A festa privada contou com a presença de figuras importantes assim como a própria família, e teve eventos inesperados que provaram que os 15 milhões parecem não estar fazendo muita falta a eles.

A decoração leve e elegante ficou por conta da Baloons’ & Cia, os comes e bebes, por conta da equipe de serventes, cozinheiros e barmans de Yoshio Ooki, dono também do restaurante Yoshio’s no Shopping Central de Konoha. A música também não decepcionou, com a Grande Orquestra de Konoha e a popular banda de rock Hands and Knees.

Os membros da família Uchiha se mostraram atenciosos e elegantes para com todos os convidados. O jovem Sasuke Uchiha, vítima da ladra para conseguir o dinheiro do grande roubo, apesar de exibir cicatrizes no pescoço, parecia muito bem e animado ao confraternizar com os presentes.

E como toda boa festa tem algum acontecimento surpresa, a de ontem não deixou a desejar, envolvendo o próprio Sasuke-san, de apenas 20 anos. Ao que parece, uma garçonete desatenta, ao servir os convidados, pisou em falso e acabou caindo na piscina, não sem antes tentar se segurar em uma das convidadas e a levar junto para dentro da água. A garçonete e funcionária de Ooki-san, Maya Stonem, chamou a atenção de todos no evento quando caiu na grande piscina iluminada, ainda mais quando levou a madame Megumi Tanaka-san junto. Sim, bem, imprevistos acontecem, mas parecia que as duas mulheres não sabiam nadar e estavam prestes a se afogar. Por sorte, o jovem Sasuke, mostrando-se um verdadeiro herói, pulou na piscina e resgatou as duas de uma vez, sendo aplaudido pelos convidados em seguida. Depois do susto, a festa seguiu normalmente e ficou até mais animada, tendo acabado por volta das três e meia da manhã.

Isso nos prova que o poder da família Uchiha pode estar muito além do que imaginamos...

Eu não tinha terminado de ler a notícia, mas só até aquela parte havia sido o suficiente. Pousei o jornal na mesa e soltei um riso para meu pai.

– Se alguma coisa daí fosse verdade...

– Bem, para nós, ter mais de um escândalo em menos de um mês seria demais. Uma manipulação dos fatos não vai nos fazer nenhum mal, pelo contrário. Pelo menos você será agora considerado um herói, e não mais uma vítima. Devia me agradecer por isso. – meu pai, como sempre, seco e direto.

– Certo. Obrigado, pai.

Terminando de almoçar, me despedi de meus pais e fui dirigindo de volta a Konoha. Enquanto eu passava pela floresta de nossas propriedades, não pude deixar de pensar no que havia acontecido ontem: aquelas inúmeras fotos, aquela transa sem compromisso com a... bem, esqueci o nome agora. E aquela garçonete de cabelos róseos que havia, sem motivo aparente, evitado meu olhar na fila da comida, e depois a mesma garçonete que caiu na piscina e de novo ficou em transe quando eu fui “salvá-la”. E ainda me evitou uma terceira vez, quando nos encontramos por acidente depois de trocarmos as roupas. Parecia que se ela olhasse para mim, iria virar pedra ou coisa do tipo. Eu não conseguia entender. Alguma coisa naquilo estava errada.

Tentei me lembrar dela. Não era muito alta, um pouco mais baixa que eu. Tinha o rosto bonito, mas não consegui reparar muito em seu corpo, pois ou ele estava debaixo d’água ou ela se escondia atrás da minha mãe para, tenho certeza, me evitar. De cara reparei na cor incomum de seus cabelos róseos, que eu nunca havia visto. Seus olhos eram verdes, reparei neles quando ela tinha ficado em uma espécie de “transe” depois que apartei a briga. Das outras vezes que olhei para ela, ela sempre desviava esses olhos. Parece que não queria que eu os visse, mas não entendo por que. E sua voz... bem, agora que eu percebi, não havia escutado sua voz. Que menina esquisita. Eu também nunca a tinha visto na vida, deveria ser moradora nova de Konoha, e trabalhava com o tal Ooki. Segundo o jornal, seu nome era Maya Stonem. Um nome bem incomum também.

Havia chegado em Konoha e meus pensamentos ainda estavam nela. Agora eu havia ficado curioso. Afinal, que direito ela tinha de me evitar e de me olhar – ou melhor, de não me olhar – como se eu fosse algum tipo de demônio ou pudesse ter alguma doença. Ninguém fazia isso comigo, pelo contrário, todos queriam me olhar e me conhecer. Principalmente mulheres. Que motivo ela teria? Se tinha voz e olhos para brigar com a lombriga da Tanaka, por que nem se incomodou de me olhar e me agradecer por tê-la salvado daquele escândalo que poderia destruir seu emprego? Até parece que ela estava com medo de que eu a olhasse e conhecesse. Mas eu não conseguia encontrar um motivo para isso.

Estava indo em direção a minha casa, mas dei a volta no meio do percurso. Eram 3 da tarde, o restaurante do Ooki com certeza estava aberto apesar da festa de ontem, era um dos mais frequentados e ele não era do tipo que daria dia de folga a seus empregados, ainda mais sendo sábado. Essa Maya Stonem devia estar fazendo seu turno lá agora. Eu iria lá e esclareceria essa história. Ou diretamente com ela ou com Ooki, e iria perguntar o que eu tinha de “errado” para ser evitado daquela maneira.

****

O Shopping estava lotado. Mais que de costume. Talvez porque fosse começo de mês, talvez porque fosse sábado, mas aquilo não importava. Não me importava também a quantidade de cabeças que se viravam na minha direção por onde quer que eu passasse. Com certeza tinham lido no jornal aquela notícia mentirosa manipulada por meu pai sobre meu “ato heroico” salvando duas indefesas mulheres. Não que eu não gostasse de ser notado, mas agora eu tinha outros objetivos em mente.

Como sempre, o restaurante de Ooki estava lotado. Garçons e garçonetes iam e vinham. Eu reconheci algumas da noite passada. Mas tentava encontrar uma de cabelos róseos, sabia que era a única assim lá. Mas não a vi. Passei por entre as mesas e fui até o balcão, onde o gerente me encarou.

– Sim...? – ele disse com uma voz de tédio, mas assim que viu quem era, mudou completamente. – Oh, Uchiha-san, que prazer em vê-lo. O que posso fazer pelo s...

– Seu chefe está? – eu estava com pressa.

Ele se distanciou prontamente do balcão fazendo uma reverência e entrou na cozinha. Um minuto depois, sai de lá Ooki, gordo e com a cara de bulldog de sempre, mas aparentemente, feliz.

– Boa tarde, Uchiha-san. Estou às suas ordens.

– Em particular.

– Claro, me acompanhe. – eu o segui até a cozinha, depois até uma sala pequena, mas com ar condicionado, cheia papéis e caixas. Ele se sentou em uma cadeira de madeira e me convidou a fazer o mesmo. – Então, em que posso ajudá-lo?

– Quero falar sobre uma de suas garçonetes. – eu disse me sentando.

– Algum problema da festa de ontem? Quer dizer, tirando aquela briga que...

– É sobre essa sua funcionária mesmo. Maya Stonem, certo?

– Sim. – respondeu ele, hesitante. – Uchiha-san, seu irmão me disse que não havia nada com o que me preocupar...

– Não vim aqui reclamar ou repreendê-la, Ooki-san. Só que precisava conversar com ela sobre um assunto particular, e não a vi atendendo as mesas junto com as outras. – Ooki pareceu pensar um pouco e então fez uma cara de decepcionado.

– Oh, que pena. Creio que seja um pouco tarde, meu jovem.

– Como assim? Ela morreu ou algo do tipo? – eu estava impaciente, não via motivos para não poder encontrá-la.

– Não, nada disso. Mas a querida Maya não trabalha mais aqui. Na verdade, ela tinha pedido demissão antes mesmo da festa de ontem, e só foi à mesma como um favor a mim. A partir de hoje, ficou combinado que ela não trabalha mais aqui.

– E onde ela está agora?

– Na verdade, em uma hora dessas, nem deve mais estar em Konoha. Ela disse que teve que se mudar para a casa dos pais, em alguma cidade longe porque o pai estava doente e ela iria cuidar dele. – merda.

– Em qual cidade?

– Não sei meu jovem, ela não falou.

– Não deu nenhuma referência, nada?

– Temo que não.

– Algum número para contato?

– Também não.

– Nome dos pais?

– Não faço ideia, Uchiha-san.

Não era possível. Como assim essa mulher aparece e some do nada? Acho que Ooki percebeu que eu estava com uma expressão de raiva e frustração no rosto.

– Se quiser tentar, esse é o hotel e o apartamento em que ela estava hospedada. – escreveu um endereço em um pedaço de papel e me entregou. – Mas não lhe garanto que ela ainda esteja lá.

Peguei o papel e pensei por um instante.

– Uma última pergunta, Ooki-san.

– Claro.

– Eu nunca tinha visto essa Stonem por Konoha antes. Nem aqui no seu restaurante, nem em outras festas nas quais o sr. havia sido contratado. Sabe me dizer desde quando ela mora aqui? Algum relacionamento que tinha aqui: amigos, namorado...

– Sei que ela se mudou para cá há meses, e logo veio aqui me pedindo por um emprego. Aliás, suplicando, se me permite dizer. Pelo que percebi, ela não tinha quase nada quando se mudou para cá. Também não sei nada de seu passado. Era uma menina de ouro, apesar disso. Bela, simpática, atenciosa, gentil, esforçada e talentosa. Merecia até ter um emprego melhor, devo confessar. Encantou a todos com aqueles cabelos de fada e aqueles olhinhos tão verdinhos. Amigas mesmo, acho que mais as colegas de trabalho. Pelo que soube, não era muito de sair. Agora, namorado... acho que não tinha nenhum.

– Obrigado, Ooki-san. Vou até esse endereço que me passou. – Eu disse me levantando e me direcionando até a porta. Havia girado a maçaneta, quando ele me chama de novo.

– Espere! Que falha a minha, acabo de me lembrar. – eu me virei interessado – Ela tinha um namoradinho sim, mas terminou com ele pouco antes de partir.

– Quem?

– Pelo que ouvi as garotas comentarem com ela, um tal de Tomoya Matsumoto.

– Obrigado, Ooki-san.

– Por nada, Uchiha-san, volte sempre.

Nem deixei o homem terminar de falar e saí apressado do Shopping. Queria chegar àquele prédio o mais rápido possível, sorte que eu já sabia onde era. Tudo estava ficando cada vez mais estranho. Tomoya Matsumoto é o segurança noturno do condomínio onde moro. Ele jurou de pés juntos que ninguém havia invadido o condomínio, caso contrário ele teria notado. Será que era só uma coincidência ele ser o namorado dessa Maya?

E, além disso, que mulher estranha. Ninguém sabia nada dela, seu passado, sua família... isso estava ficando cada vez mais confuso e excitante ao mesmo tempo. Eu estava sentindo a mesma corrente de adrenalina passar por meu corpo, como quando recebi alta no hospital, depois do roubo, quando jurei encontrar a ladra por meus próprios meios.

Cheguei ao endereço. Era um prédio simples, não muito alto, pintado de verde claro. Entrei e a recepcionista pareceu me reconhecer.

– O-olá, Uchiha-san. O que posso fazer para ajudá-lo?

– Maya Stonem, quarto 42. – ela digitou algo no computador e em seguida me encarou, um pouco corada. Percebi que o Diário de Konoha, estampando a festa de ontem na primeira página, estava em sua mesa.

– Maya Stonem fechou a conta há aproximadamente 40 minutos. – Merda, ela já tinha ido.

– Sabe para onde ela foi?

– Não, mas me disse que ia para outro país cuidar do pai doente...

– De ônibus, carro, avião, submarino...

– Acho que de avião...

Mais uma vez deixei alguém falando sozinho, me dirigindo ao aeroporto. Nem sabia se ela estava lá ou se tinha estado. Também não sei por que eu estava dando tanta importância a isso. Essa mulher poderia ter só um jeito estranho e talvez tenha se sentido intimidada comigo, não seria a primeira vez. Mas ainda, algo naqueles olhos verdes arregalados me deixava curioso, sem contar que eu estava me divertindo nessa busca. No caminho do aeroporto, disquei o número de Matsumoto, um número que eu só tinha para emergências. Não custava falar com ele.

– Alô?

– Matsumoto, aqui é o Sasuke.

– Boa tarde, Sasuke-san! Vejo que a festa de ontem foi boa!

Matsumoto era gente boa e eu confiava nele. Era humilde, mas sabia ser culto sem perder seu lado descontraído quando lidava com pessoas importantes, como, bem, eu. Não sabia nada dele, mas simpatizava com o mesmo. Consegui manter o emprego dele como segurança do condomínio depois do roubo, e ele tinha me prometido dívida eterna.

– Pois é. Matsumoto, desculpe a pergunta pessoal, mas você tinha uma namorada chamada Maya Stonem, certo? – Silêncio do outro lado da linha. Depois de 10 segundos, ele respondeu, com a voz um pouco abalada.

– Tinha, sim senhor.

– O que você pode me falar sobre ela? Desculpe, mas tenho um assunto pessoal para tratar com ela e não consigo encontrá-la. Pode me ajudar?

– Bem, sem problemas. Depois de ter salvado meu emprego, faço qualquer coisa pelo senhor. Bem, eu conheci Maya assim que ela se mudou para cá, há alguns meses. Era gentil, simpática e simples. Nós nos conhecemos no Parque Central de Konoha, e bem... ela disse que foi amor à primeira vista. – ele soltou um riso forçado, mas de desapontamento. – Um pouco antes de acontecer a festa de ontem, ela terminou comigo. Ela recebeu uma carta da mãe pedindo para voltar para casa, porque o pai estava muito doente. Então ela... terminou comigo.

– Ela disse se ia voltar se o pai melhorasse, ou para fazer uma visita...?

– Não, não disse. Sasuke-san, se me permite perguntar... qual é o seu interesse em Maya?

– Preciso resolver um assunto pessoal com ela, Matsumoto. Obrigado pela ajuda. – desliguei o celular e terminei meu caminho até o aeroporto. Ou ela já tinha embarcado, ou estava esperando seu vôo. Quer dizer, se ela ao menos estivesse lá. Mas já que a cidade onde os pais estavam era longe, o mais provável e rápido era ir de avião mesmo.

Entrei no aeroporto e fui conversar com uma das atendentes.

– Você viu uma mulher não muito alta, mais ou menos da minha idade, de cabelos rosa e olhos verdes por aqui? – perguntei apressado. A mocinha se virou para mim e tentou responder.

– Bem, eu... não me lembro de ter visto alguém assim aqui. Deixe-me ver com meu colega. – ela se afastou de sua cabine e foi até a do lado, perguntando para um homem. Pela expressão da cara dele, ela tinha estado aqui. Vi ele se levantar da cabine e vir falar comigo.

– Boa tarde, Uchiha-san. É um prazer recebê-lo em nosso aeroporto. – tá, eu não tinha tempo para isso. – Apareceu uma mulher com essa descrição aqui há pouco tempo. Ela comprou uma passagem para Kumogakure (Vila da Nuvem) no País do Trovão. Acho que o vôo vai sair em 10 minutos.

– Obrigado. Veja, preciso encontrar essa mulher e estou com pressa, não tenho tempo de comprar uma passagem, mas preciso ir até a plataforma de embarque.

– Bem, claro, sem problemas. Afinal, é para o senhor, Uchiha-san. – ele me guiou até a plataforma de embarque. Se faltavam 10 minutos para o vôo, ela com certeza estaria lá, aguardando para já entrar no avião. – Espero que o senhor a encontre. Com licença. – ele fez uma reverência e saiu, me deixando com os outros passageiros na plataforma. As portas do avião ainda não tinham sido abertas. Comecei a procurá-la.

Vi muitos rostos. Alguns até reconheci da festa de ontem, iriam pegar o vôo de volta para suas cidades. Eu sabia que com a aparência exótica que ela tinha, não iria ser muito difícil de encontrá-la. Andei, andei, empurrei, esbarrei e nada. As portas do avião com destino a Kumogakure começaram a se abrir. Andei rapidamente para lá observando as pessoas que entrariam. Quando eu a avistasse, a impediria de ir e a obrigaria a falar comigo e a olhar nos meus olhos.

Eram muitos passageiros. A fila era enorme. Muitas pessoas me reconheciam, tentavam trocar uma palavra ou me olhavam admirados. Eu não gostava muito dessa fama de “herói” que meu pai tinha me dado. Quando me dei conta, a fila havia acabado. A aeromoça estava para fechar as portas do avião e eu não havia visto nenhuma cabeleira rosa entregar a passagem e entrar nele. Mas isso era impossível, eu devia ter me distraído.

– Precisa de ajuda, senhor... Uchiha? – perguntou-me a aeromoça, notando-me.

– Sim. Veja para mim se há uma mulher da minha idade com cabelos rosa e olhos verdes nesse avião. – eu sabia que ela não ia recusar um pedido de alguém com meu sobrenome. Ela prontamente se foi, e voltou depois de uns 7 minutos.

– Senhor Uchiha, desculpe a demora. Verifiquei todos os passageiros e não há nenhuma mulher com essa descrição. No entanto, há alguns lugares vagos. Ela pode ter perdido o vôo ou desistido na última hora. – fiz uma cara de merda. – Precisa de mais alguma coisa?

– Não, é só isso.

A porta do avião se fechou e eu o vi levantando vôo, e logo saí da plataforma.

– Encontrou-a, Uchiha-san? – o atendente me perguntou ao se encontrar comigo.

– Infelizmente, não. Mas obrigado.

Saí do aeroporto e entrei no carro, frustrado. Isso não era possível. Kumogakure era muito longe de Konoha, se o pai dela estava tão doente assim, o jeito mais rápido e seguro era o avião. Aquilo não fazia sentido.

“Ela pode ter perdido o vôo ou desistido na última hora.”, tinha dito a aeromoça. Mas para mim era outra coisa. Para mim, aquilo havia sido uma fuga muito bem planejada. Para onde e por que, eu ainda não sabia. Mas já tinha uma forte suspeita e sentia que estava perto de descobrir.

I let her slip away

They tell me everyday that it will be okay

She rocked my world

More than any other girl

Dude it's such a pity and I'm sorry that you lost that girl

Eu a deixei escapar

Me dizem todo dia que tudo ficará bem

Ela agitava meu mundo

Mais do que qualquer outra garota

Cara, é uma pena, sinto muito por você ter perdido aquela garota

McFly – That Girl

Notas finais
Novos personagens vão aparecer no próximo capítulo, e eu resolvi levar a história a um rumo diferente do que havia planejado antes, então deixe seu comentário para eu saber se estão gostando