Notas iniciais
Boa leitura :)

“Ela pode ter perdido o vôo ou desistido na última hora.”, tinha dito a aeromoça. Mas para mim era outra coisa. Para mim, aquilo havia sido uma fuga muito bem planejada. Para onde e por que, eu ainda não sabia. Mas já tinha uma suspeita e sentia que estava perto de descobrir.

Sasuke’s POV

Sim, eu me sentia frustrado. Frustrado pra caralho. Desperdicei um tempo do demônio para encontrar aquela mulher e ela consegue escapar. Mas o que me deixava puto era que eu não tinha uma explicação plausível para o porquê de estar procurando ela – a não ser pela diversão e porque eu queria ver se eu era amaldiçoado de alguma forma pra ela ter medo de até olhar para mim. Por falar em olhar, a imagem daqueles olhos verdes dela não saía da minha cabeça. Eu estava me esquecendo de alguma coisa.

E também não tinha explicação nenhuma para minha dedução anterior, sobre ela ter fugido. Fugido para onde? Por quê? Quando as pessoas fogem, é porque fizeram alguma coisa errada – um crime, geralmente – e querem ser esquecidas, querem permanecer no anonimato e principalmente, não querem de jeito nenhum ser encontradas por aqueles abandonados por elas. Eu não conseguia acreditar que Maya Stonem havia “perdido o vôo” ou “desistido na última hora”, porque os acontecimentos anteriores provavam o contrário. Eu tinha certeza que ela tinha planejado uma fuga discreta e inteligente, comprando a passagem no avião só para despistar alguém e depois ir para um outro lugar de um outro jeito.

Mas de quem ela estava fugindo? Por qual motivo teria feito tudo isso? Não tinha matado ninguém, não devia dinheiro ou outra coisa para ninguém... tinha um trabalho estável, tinha um namorado, que pelo jeito, gostava muito dela... então por quê, merda? Se bem que, lembrando de Matsumoto, começo a achar que não é coincidência o fato de ela ter namorado justamente o segurança do meu condomínio e depois, ter me evitado daquele jeito na festa, sem me jogar nem um olhar ou nenhuma palavra. Claro, Matsumoto tivera outras namoradas, mas essa última estava com ele na época da invasão do condomínio – cuja segurança era responsabilidade dele – e a mesma depois foge de mim quando me vê como se não quisesse ser vista por mim, porque com a minha mãe, por exemplo, ela pareceu muito amigável.

Ela escondia seus olhos de mim, escondia seu rosto, sua voz e agora havia fugido. Enquanto eu pensava nisso tudo, dirigia até a minha casa, mas meu celular de repente toca. Era Itachi.

– O que? – falei meio impaciente.

– Sasuke, aconteceu algo. Venha até a casa do papai imediatamente. É sobre o roubo. – a voz dele soava séria. Não perdi mais nenhum minuto. Desliguei o celular e dei meia volta, saindo de Konoha e pegando o caminho para a mansão.

Eu já tinha uma teoria formada, e ao que tudo indicava, meu irmão havia me chamado para confirmar essa teoria. Maya Stonem era esperta, admito. Mas eu também sou. Maya Stonem havia fugido, sim. Ela havia me evitado na festa, sim. Porque era de mim que ela estava fugindo. Ela virava seu rosto e não me deixava ver seus olhos porque eu já os tinha visto antes. Ela namorou Matsumoto para dar um jeito de chegar até mim. Eu tinha certeza que Maya Stonem – se esse fosse mesmo seu nome – era a vadia que havia me deixado com duas cicatrizes no pescoço e que tinha roubado 15 milhões de yens da minha família.

****

Cheguei na mansão e me dirigi direto ao salão de visitas, não sem antes notar um carro muito caro e muito luxuoso estacionado em uma das vagas da garagem. E aquele carro não era de ninguém da família. Visitas aparentemente importantes estavam aqui e Itachi tinha algo a me dizer sobre o roubo, sem contar que eu já tinha uma suspeita muito forte em mente. Isso estava ficando cada vez mais interessante. Eu sentia toda a adrenalina percorrer meu corpo de novo.

Entrei na sala e todos os olhares se viraram para mim. Meu pai indicou a poltrona vazia à sua frente. Os lugares estavam dispostos em forma de círculo no grande salão. Sentei-me e olhei para os presentes. Meu pai, minha mãe, meu irmão, meus tios estavam todos ali. Mas também havia pessoas que eu não conhecia. Uma mulher alta e magra estava sentada em uma das poltronas bebendo saquê. Seu cabelo era loiro e liso, preso em dois rabos baixos atrás; seus olhos eram de um castanho cor de mel. Parecia estar na meia-idade, e tinha uns peitos do tamanho do airbag do meu carro. A outra, ao contrário, era baixa, com cabelo curto e preto, olhos da mesma cor. Tinha o corpo meio sem graça e parecia só um pouco mais jovem do que a peituda.

– Sasuke – meu pai começou – Acredito que já saiba o motivo de termos te chamado aqui.

– Descobriram alguma coisa sobre o roubo?

– Sim. – ele então olhou para as duas convidadas. A loira peituda colocou o copo com saquê na mesa de centro e me olhou demoradamente. Meu pai continuou falando. – Essas duas senhoritas nos procuraram hoje, um pouco depois que você saiu, e nos contaram uma história bem interessante.

– Eu assumo daqui, Uchiha-san. – a loira peituda se manifestou, ainda olhando para mim. Tinha a voz firme, acho que sabia mandar. Foi imponente o suficiente para mandar meu pai ficar quieto na própria casa, e ele nem reclamou.

Ela me olhou por mais algum tempo antes de começar a falar. A outra morena do seu lado estava com a expressão séria, mas estava claro que era subordinada da outra.

– Sou Tsunade Senju. – ela falou olhando para mim. – Esta é meu braço direito, Shizune. Acredito que nunca tenha ouvido falar de nós. – acenei negativamente com a cabeça e a loira deu um sorriso de lado. – Isso porque não podemos nos revelar por aí. Mas apesar disso, acredito que você teve um contato recente com uma de minhas... meninas. Fiquei sabendo... aliás, todos ficaram sabendo que ela te pegou direitinho e tirou 15 milhões de yens da sua família.

Não pude deixar de ficar com raiva. Quem ela pensava que era para me insultar assim? E outra... a ladra garçonete, subordinada dela? Como assim?

– Vá direto ao ponto. – eu disse. – Como tem certeza que quem fez isso foi uma de suas... “meninas”? – ela sorriu de lado de novo.

– Porque eu sei do que elas são capazes, afinal, sou a mestra delas. Me impressiono de ela ter te deixado vivo. Sakura não costumava ter piedade com outras pessoas. – agora fui eu quem sorri de lado.

– Então esse é o verdadeiro nome dela? – Sakura era um nome bem comum, mas não pude deixar de sorrir ao pensar nas flores de cerejeira e na cor de seus cabelos.

– Você a viu se apresentando com um falso?

– Não tenho absoluta certeza de que era ela... mas estou confiante nisso. Maya. Maya Stonem. – dessa vez minha mãe ficou com cara de choque.

– A funcionária do Ooki-san? A garçonete que caiu na piscina junto com a Tanaka-san e a quem depois eu emprestei uma troca de roupa? – ela disse em desespero, e em seguida olhou para mim. – Sasuke, por que você acha que aquela menina tão doce seja essa Sakura e a ladra?

– Posso estar errado, mas deduzi isso no caminho para cá. Maya... ou melhor, Sakura namorava Matsumoto, o segurança do condomínio. Ela me evitou na festa como o diabo evita a cruz, e descobri há pouco tempo que ela fugiu de Konoha, dando a desculpa de ter um pai doente em outra cidade.

– Como esperado da minha Sakura.

– Espere, como você sabe que foi essa tal de Sakura se nenhum detalhe da aparência da ladra foi dado? – perguntou Itachi para a tal de Tsunade, que olhou para Shizune. A morena tirou uma foto de dentro de uma pasta que carregava junto de si, e minha teoria se confirmou.

A foto, do tamanho de uma folha sulfite e colorida, mostrava desde o rosto até os ombros de uma menina que devia ter a minha idade. Seu rosto era belo e delicado. Seus cabelos eram róseos, iam até os ombros e eram levemente ondulados nas pontas. Seus olhos eram verde-claros brilhantes, assim como eu me lembrava na festa e no dia da invasão, quando seus óculos escuros caíram. Sua expressão era séria. Ela não sorria, não demonstrava nenhuma emoção. Parecia aquelas fotos de cadeia, mas não aparentava alguém que podia ter feito um roubo a sangue-frio, um quase assassinato e depois fugir de um jeito esperto. As aparências enganam mesmo, no fim das contas.

Tsunade notou meu sorriso de escárnio ao olhar para a foto, assim como a expressão de espanto de meus pais, de minha mãe principalmente.

– N-não pode ser! Ela serviu como garçonete na festa de ontem, eu fui gentil com ela e lhe emprestei uma roupa e todo esse tempo, ela era... ela era... ai meu Deus, o que eu fiz? – minha mãe colocava as mãos na cabeça, como se a culpa fosse dela por não ter reconhecido alguém que ela nunca vira. Meu pai estava furioso.

– E pensar que acolhemos o lobo junto dos cordeiros. – disse ele, abraçando minha mãe.

– Sim, Sakura mostrou tudo o que aprendeu comigo aqui. – Tsunade continuou assim que minha mãe se acalmou – Ela fugiu há alguns meses de nosso lar, e desde então estamos procurando por ela. Eu sabia que ela iria agir logo, pois precisava de dinheiro, então esperei no meu canto. Meses depois, a notícia do roubo de sua família me chamou atenção. Eu já suspeitava, pelo modo inteligente e voraz como isso havia sido feito, que era obra de Sakura. Depois, ela tinha que fugir, mas parece que não conseguiu escapar a meus olhos da festa de ontem. Nem dos seus. – disse essa última parte olhando para mim. – Como você a reconheceu, jovem?

– Pelos olhos. E outros fatos também, mas isso não importa agora. Temos que achá-la, a senhora, como mestra dela, é a responsável por isso! – eu disse elevando um pouco a voz. Ainda não havia aceitado o modo como ela havia falado comigo anteriormente.

– Com certeza, encontrar Sakura é uma prioridade, tanto minha, como de vocês. Por isso vim aqui propor um acordo.

Agora todos, principalmente meu pai e Itachi, olhavam a peituda com interesse e curiosidade. Ela continuou:

– Poderemos nos unir para encontrar Sakura. Quando o fizermos, vocês terão todo o dinheiro roubado de volta e ela voltará a viver comigo.

– Como assim, o lugar daquela ladra é na cadeia! E o seu também, já que foi você mesma que admitiu ter ensinado tudo a ela! – respondeu Itachi, se levantando exaltado da poltrona. A expressão séria das duas mulheres não mudou. Tsunade por fim, deu um sorrisinho e olhou para mim mais uma vez. Por que ela fazia tanto isso? Meu rosto não é tão difícil de guardar.

– Itachi-san, acho que não fui muito clara aqui. Pouquíssimas pessoas sabem sobre mim e minha... “irmandade”, se podemos assim chamar essa organização. Quando eu digo pouquíssimas, quero dizer que posso contá-las nos dedos. Uma dessas pessoas é nosso Daimyō, o Senhor Feudal do País do Fogo. Ele sabe de nossa existência ilegal, mas não faz nada para nos impedir de atuar pelas sombras nas esferas sociais, políticas e econômicas do país, porque sabe que se fizer qualquer coisa para nos reprimir, quem vai se arrepender é ele. Somos tão influentes quanto sua família, nosso poder é enorme e nossa determinação, maior ainda. Assim como vocês, temos negócios envolvendo dinheiro, pessoas e interesses. Eu tenho subordinadas que me ajudam a balancear essas tarefas, minhas queridas Wings. Elas são minhas filhas e minhas ajudantes, e em troca de casa, comida e carinho, fazem serviços para mim, que incluem desde ajudar uma velhinha a atravessar a rua até matar alguém. Sakura era uma dessas Wings, uma das melhores, e preciso dela para restabelecer o equilíbrio que tinha antes desse ato de rebeldia. Portanto, mesmo uma família tão poderosa quanto a sua não será suficiente para passar por cima de meus interesses. Encontrar Sakura é só uma questão de tempo, afinal, ela é ótima no que faz, mas eu ainda sou sua mestra e a conheço muito bem. Quando a encurralarmos, vocês terão todo o dinheiro de volta, farei com que alguma mulher criminosa assuma a culpa por ela e darei um jeito do prestígio da família Uchiha no país subir ainda mais. Em troca, só peço a aceitação para podermos encontrá-la.

Um silêncio se fez quando ela terminou de falar. Eu olhei para Itachi e meu pai, ambos estavam sem palavras. Voltei a olhar para a mulher peituda, que bebia mais um gole do saquê servido pela empregada.

– É certeza de que vão encontrá-la? – perguntou meu pai, em um tom de voz baixo.

– Pode demorar o quanto for, mas o sucesso é garantido. – ela deu mais um sorriso e olhou para mim de novo. Eu já estava ficando desconfortável com aqueles olhares.

– Mas ninguém ficará sabendo desse nosso “acordo”, certo? Por que não quero notícias sobre minha família envolvida com uma organização ilegal e mesmo assim, tão influente a ponto de intimidar o Daimyō.

– Dou a minha palavra, Uchiha-san. Somos uma organização ilegal, mas não necessariamente criminosa, e quando se trata de negócios, somos honestas, claras e precisas.

Meu pai pensou um pouco. Itachi ainda tinha um olhar meio desconfiado, minha mãe estava um pouco confusa. Meu tio não havia falado nenhuma palavra desde que entrei, só escutando a conversa atentamente. Então, meu pai se levantou, foi até a peituda e lhe estendeu a mão.

– Senju-san, você tem um acordo e a total colaboração de minha família. – ela sorriu antes de se levantar e apertar a mão dele.

Can we fast-forward to go down on me?

Stop there and let me correct it

I wanna live a life from a new perspective

Não podemos apressar isso até chegar a mim?

Pare e deixe-me corrigir isso

Quero viver a vida de uma nova perspectiva

Panic! At the Disco – New Perspective

Notas finais
O capítulo ficou menor porque eu o dividi, para não ficar muito grande, mas o próximo será maior. Espero que tenham gostado :)