Broken Wing - Aprendendo A Voar
47 Capítulo 47 - Despertar
Notas iniciais
Talvez agora TenTen e Hinata também pudessem saber a verdade por trás da fuga de Ino, e juntas, torceríamos em silêncio pela felicidade de nossa amiga enquanto tentávamos alcançar nossa própria também.
Sakura’s POV
No dia seguinte, eu acordei bem. Depois da sincera conversa com Temari, estava me sentindo mais leve, como se agora eu não estivesse mais sozinha, como se Shikamaru não fosse inteligente o bastante para rastrear minha amiga fugitiva. A reunião de sempre não acontecia há dias. Da última vez, Shikamaru trouxera notícias de Wings investigando aeroportos, estações de trem e qualquer meio de transporte que poderia ser usado como fuga; mas a falta de pistas estava começando a deixar de ser uma tendência e já havia virado um padrão. Tsunade não fazia ideia do paradeiro de Ino, e agora ela parecia estar quase desistindo. Sua última esperança era Ino cometer algum erro ou ser motivo de algum crime, como eu havia sido quando invadi a casa de Sasuke, mas absolutamente nada havia acontecido, e segundo Shikamaru, o estado mental de Ino já deveria tê-la feito agir por impulso, mas o fato de as reuniões estarem estagnadas era prova do inevitável fracasso.
O alívio começava a tomar conta de mim. Ino estava longe de ser encontrada, e mesmo com a notícia de Gaara estar aqui por perto, eu não me incomodei muito em seus desaparecimentos serem conectados. Temari prometera não contar nada, e aquilo já seria de grande ajuda. Contamos à Hinata e TenTen a verdade por trás da fuga de Ino, e elas também prometeram cooperar. “Eu sabia!” TenTen havia dito, e Hinata deixou escapar uma lágrima de felicidade por saber que Ino estava bem. Pela primeira vez em meses, eu estava me sentindo esperançosa.
Pensando agora, eu deveria ter tomado mais cuidado, e nunca deveria ter ignorado meus instintos, ignorado o fato de Tsunade ser uma jogadora muito melhor que eu, ignorado minha filosofia pessimista de vida: estava bom demais para ser verdade. Por isso, dias depois da conversa com Temari, o mundo pareceu desmoronar. Eu estava em meu treino matinal, preparando-me para a próxima missão, quando fui chamada até a sala de Tsunade por Kurenai. Quando entrei na sala, todas as outras já estavam lá, e pela atmosfera pesada do ambiente, eu já sabia que a conversa não seria agradável. Sentei-me na última cadeira restante e Tsunade, sentada quieta em sua própria mesa, olhou-me com uma expressão suspeita.
– Por que as confusões aqui sempre parecem envolver vocês? – o olhar da Mestra percorreu todo o cômodo, passando por mim, Hinata, TenTen e Temari. Elas pareciam estar bem apreensivas, e o sentimento parecia ser contagiante.
– Tsunade-sama... – comecei a falar. Teorias estavam começando a se formar em minha mente, e no momento eu estava gritando silenciosamente para estar errada.
– Não precisa falar nada, Sakura. Já entendi muito bem a situação apesar de seus esforços, só as chamei aqui para avisá-las de que serão punidas em breve por omissão de informações e cumplicidade na quebra do Código de Conduta das Wings.
O que? Por que Tsunade estava falando conosco como se fosse uma policial nos prendendo, recitando todos os crimes? Claro, naquele momento eu sabia perfeitamente sobre o que ela estava falando, mas não conseguia acreditar. Não queria acreditar. Não parecia possível ela ter descoberto tudo. A não ser que...
– Não se preocupe, Temari não me contou nada. – Tsunade pareceu ler meus pensamentos quando me virei para Temari, suspeitando que ela pudesse ter contado, mas não parecia ser o caso – De fato, eu não teria descoberto nada se não fosse por uma incrível coincidência. Vocês foram muito espertas em esconder tudo, e corajosas também, admiro isso em vocês. Mas deveriam ter sido mais espertas, principalmente depois de tudo o que aconteceu. O que se passou pela cabeça de vocês quando pensaram que mentir sobre a paternidade do bebê de Ino seria a melhor escolha? Acharam que eu nunca descobriria? Acharam que poderiam esconder o caso de Ino com Gaara no Sabaku e que eu nunca conectaria os desaparecimentos?
O silêncio por parte de nós estava desesperado. Tsunade descobrira tudo. Não sei como, mas ela descobrira, e agora Ino e Gaara corriam grande perigo. Investiga-los separadamente era uma coisa, mas com essa revelação seria muito mais fácil rastreá-los. Naquela hora, eu nem conseguia pensar em como me defender. Meus pensamentos estavam focados unicamente em Ino.
– Como...? – Temari deu vida a meus pensamentos.
– Digamos que eu tenho um faro muito aguçado. Juntar a gravidez de Ino com o fato de ela fazer serviços para a família Sabaku e seus desaparecimentos terem sido bem próximos já me deixou com uma suspeita substancial. E pouco antes de seu desaparecimento, Ino foi vista indo até a Sala de Comunicações. Os registros telefônicos daquele dia mostravam uma ligação para o País do Vento. Não foi difícil juntar os pontos.
– E o que pretende fazer depois de encontra-los? – agora TenTen se pronunciou. Havia um resquício de raiva em sua voz, como se ela estivesse se segurando – Vai destruir a felicidade deles?
– Estamos aqui para cumprir missões, TenTen. – Tsunade respondeu com toda a calma. – Ino é uma fugitiva, por isso deve ser resgatada, e o Senhor Feudal do País do Vento nos deu a missão de encontrar seu filho desaparecido. Simples assim.
– E nos chamou aqui para jogar isso em nossa cara? – a voz de Temari aparentava estar normal. Eu não sabia se ela se sentia mais aliviada ou preocupada por Tsunade ter descoberto a verdade.
– Não, foi para decidir seus castigos. Vocês ajudaram Ino a mentir sobre a paternidade do bebê e esconderam informações valiosíssimas para essas missões. Não se preocupem, não será nada pesado. Apenas alguns afazeres chatos e a suspensão de alguns lazeres, como a piscina, por alguns meses. Não sou cruel com minhas filhas, vocês sabem disso.
– E o que fará com Ino quando a encontrar? – TenTen falou de novo. Ela realmente estava tentando segurar a raiva – O caso dela não seria o mesmo das outras? – ah, é mesmo. As outras pouquíssimas Wings deserdadas por quererem viver um amor proibido. Eu nunca mais ouvira falar de nenhuma delas depois de terem sido expulsas.
– Certamente, TenTen. – Tsunade ficou em silêncio por uns 30 segundos, parecendo pensar – Ino não me dá outra alternativa a não ser tomar a mesma atitude. Sim, ela será deserdada. Nunca pretendi que isso acontecesse, mas Ino cavou seu próprio buraco. Limparemos seu quarto, jogaremos suas coisas fora e ela poderá ser livre como sempre quis, pobre, abandonada e sozinha.
Tentei ignorar as últimas palavras de Tsunade, e antes que eu pudesse falar alguma besteira, TenTen expressou sua opinião novamente.
– Então por que persegui-la? Deixe-a como está, não precisa mais interferir. – agora além da raiva, havia um pedido.
– Não se faça de tonta, TenTen. – Tsunade a cortou, ríspida – Ino está junto com o alvo da missão dada a nós, Wings, pelo Senhor Feudal. Nossa missão é resgatá-lo em segurança. Estamos tratando Ino como inimiga agora, e se ela ficar em nosso caminho e tentar nos impedir de cumprir a missão, não hesitaremos em lutar também.
– Estaria disposta a matar uma das meninas que salvou, alimentou e amou? – minhas palavras poderiam parecer sem sentido, mas eu sabia que Ino sozinha não seria capaz de enfrentar um exército inteiro de Wings.
– Está falando como se eu a tivesse abandonado, Sakura. Não irei permitir que Wings fugitivas influenciem negativamente a Organização. Uma vez deserdada, essas mulheres não são mais nada minhas. Ino rejeitou meus cuidados, meu carinho e minha casa. E se eu precisar passar por cima dela para cumprir uma missão, então assim será. Sinto muito que ela seja amiga de vocês e entendo terem ajudado-a, mas tudo ficou para trás quando ela me rejeitou e resolveu ir contra mim. Sabem, é muito doloroso lutar para dar o melhor lar possível a vocês, meninas perdidas, para depois vocês agirem de modo ingrato e fugirem. Chamei-as aqui para também lhes dar esse conselho: não me rejeitem. Vocês nunca encontrarão outra pessoa que faça tudo isso por vocês, que as acolha e as trate com carinho, que as ame como eu as amei. Eu salvei vocês, eu amei vocês e ainda amo. Não virem as costas para mim. Ao invés disso, abandonem Ino, porque ela já abandonou vocês.
****
Saí daquela sala sentindo minha cabeça pesando vinte toneladas. Toda aquela conversa com Tsunade me deixou pensando em várias coisas, todas confusas e sem sentido nenhum. Eu não entendia muito de psicologia, mas por algum motivo, senti dó de Tsunade quando comecei a pensar nos motivos de suas atitudes ao ouvi-la desabafar daquele jeito para todas nós.
O fato era que nenhuma de nós sabia nada sobre nossa Mestra. Como havia sido sua infância e sua transição à vida adulta? Por que ela decidira formar uma Organização como a das Wings e resgatar meninas perdidas, sozinhas e quebradas, como todas nós ali? O que era possível de se deduzir é que Tsunade não tinha família nem amigos fora da Base. Nenhuma pessoa amada, nenhum filho ou filha. Nós, suas Wings, éramos literalmente tudo para ela. Talvez Tsunade seja como nós: sozinha e perdida. Talvez ela só tenha criado as Wings para preencher um vazio em si própria, talvez nós fôssemos sua esperança, a concretização de algum desejo de formar uma família. Talvez Tsunade não tenha feito nada disso por mal. Era fato que ela amava todas as meninas e mulheres ali, e nos tratava com carinho e cuidado. Era verdade que ela nos amava. Por isso ela não conseguia encarar a rejeição. Tsunade era como uma mãe que não aceita deixar seu filho ir embora quando chega a maioridade, quando a faculdade é em outra cidade. Talvez Tsunade tenha passado por muito sofrimento e muita rejeição na vida, muito mais do que nós, e por isso havia se apegado tanto a nós. Então ela não conseguia nos deixar ir. Ela se sentia traída quando tentávamos abandoná-la.
Pensando desse jeito, Tsunade era uma criatura de se dar pena. Claro, infelizmente, muitas pessoas se sentem como ela, abandonadas, rejeitadas, e quando o único apoio de suas vidas resolve cair, essas pessoas perdem o controle e às vezes se perdem na própria solidão, desorientadas e tomando decisões erradas. Era assustador pensar naquilo só agora, mas esse fato ignorado por mim e por todas ali fazia muito sentido para não ser verdade: Tsunade também tinha suas asas quebradas. Ela também precisava consertá-las e voar plenamente. A solidão e o abandono a fizeram amarga e egoísta. E isso agora estava prejudicando a vida de outras pessoas, como a de Ino.
Eu não sabia como ajuda-las. Só sabia que não poderia deixar Tsunade se virar contra Ino. Eu sabia que se fossem encontrados, Ino e Gaara iriam lutar, e no pior dos casos, tirariam a própria vida. Era isso o que ela havia mencionado em sua carta. Eu não poderia deixar isso acontecer. Nenhuma de nós tinha culpa do passado de Tsunade. Diferente dela, Ino estava tentando mudar seu futuro seguindo em frente, e não se apegando a ilusões facilmente desmentidas, como Tsunade parecia estar fazendo. Eu precisava ajudar minha amiga. Tsunade iria caçá-la por causa de Gaara; ele era prioridade máxima agora, e era só coincidência eles estarem juntos. E para cumprir a missão e resgatar Gaara, Tsunade passaria por cima de sua filha rejeitada. E Ino também seria capaz de lutar contra todas as Wings, antes suas companheiras e agora inimigas, para conseguir defender sua felicidade e a de Gaara.
Ou seja, tudo estava uma bagunça. Incrível como a diferença de dias pode mudar completamente o destino e os sentimentos das pessoas. Se antes eu estava aliviada por tudo parecer estar indo nos eixos, agora o peso em minha cabeça e peito estava prestes a me esmagar. Ino e Gaara eram vítimas, assim como todas nós ali. Nós, Wings, tínhamos asas quebradas e não sabíamos como consertá-las. Precisávamos nos libertar. Tudo isso eu pensava andando em silêncio da sala de Tsunade até meu quarto, em um caminho longo e silencioso com minhas amigas atrás de mim. Chegando ao dormitório, TenTen não conseguiu mais aguentar e sua fala me tirou de meu estado de transe.
– Não podemos ficar sem fazer nada.
– Concordo. – me surpreendi por essa fala ter vindo de Temari. Antes, ela parecia muito propensa a encontrar os dois, mas agora parecia estar contra Tsunade – Não quero deixar Tsunade interferir na vida de meu irmão. Demorei muito para perceber isso.
Havíamos chegado em meu quarto. Por alguma razão, era sempre em meu quarto que essas conversas aconteciam. Abri a porta sem dizer nada e as meninas entraram automaticamente. Fechei a porta e elas encontraram lugares para sentar na minha cama, escrivaninha e almofadas no chão, todas olhando para mim, como se esperassem por alguma resposta.
– Eu também quero fazer alguma coisa. – falei automaticamente para aliviar a tensão, mas a verdade é que estava perdida em pensamentos.
– Então façamos! Não podemos deixar Tsunade ir atrás de Ino com a intenção de mata-la! – TenTen se levantou da cama e me olhou como se esperasse uma confirmação de seu recém-formado plano.
– Ino precisa de nossa ajuda... – Hinata, que até então havia se mantido quieta, finalmente se pronunciou com sua voz fraca – Sakura, por que tudo ficou assim? – ela me olhou com os olhos transparentes magoados.
– Não sei, Hina... – a verdade é que nosso coração nem sempre quer seguir o curso que a vida preparou, mas eu não disse isso à Hinata porque parecia uma frase retirada de uma peça dramática, e eu não queria mais drama.
– Mas vamos fazer alguma coisa, não é? – era estranho ver Hinata querendo desobedecer uma ordem direta de Tsunade, principalmente com seu jeito todo correto de viver. Ver Hinata com aquela atitude fez com que a força dormindo profundamente em mim se remexesse. Talvez com um pouco mais de incentivo, ela finalmente acordasse.
– Na última reunião, Shikamaru tinha as Wings posicionadas no oeste do País do Fogo e no do Vento. Se não houve nenhum avanço, talvez ainda estejam procurando nessas áreas. – comecei a dizer tudo o que sabia sobre o caso para estimular a mim mesma – Mas eu não sei para onde Ino foi. Ela não me deu nenhuma pista na carta. Se quisermos fazer alguma loucura, teremos que atrapalhar as investigações de alguma forma. Só não sei como...
Ali estávamos nós, sem aprender a lição. Conspirar contra Tsunade logo após receber ameaças dela não era algo muito sensato de se fazer, mas era exatamente o que estávamos fazendo. Talvez fosse só a tensão e adrenalina do momento nos impelindo a fazer algo, mas todas ali pareciam mais do que dispostas a ajudar Ino e Gaara a serem felizes.
Acontece que tudo aquilo era demais para mim. A fuga de Ino, as investigações, a descoberta de Tsunade, tudo isso estava me estressando além da conta. Minha amiga corria perigo, e a fuga dela havia acordado em mim esse desejo nunca cumprido. De repente, meu quarto se tornou claustrofóbico para mim, eu não conseguia mais ficar lá.
Tudo estava errado. A vida de Tsunade estava errada, a nossa vida estava errada, não era para ser assim. Meus pensamentos em turbilhões gritavam que eu nunca deveria ter voltado para a Base das Wings, que deveria ter fugido de novo na primeira chance que encontrei. Foi preciso Ino cometer uma loucura para eu perceber de novo que aquele não era meu lugar, e também não era lugar de ninguém. Não era lugar para minhas amigas, para Kurenai, Shizune, Meiko, nem para a própria Tsunade. E sem conseguir verbalizar isso, eu me sentia perdida. Muito depois de as meninas terem saído do meu quarto, quando a lua já brilhava alto no céu, levantei da cama, com a única necessidade de me descarregar.
O que eu deveria fazer dali em diante? Fugir também? Sabotar Tsunade? Somente ajudar minha amiga e esperar as coisas se acalmarem? E quais seriam as consequências disso tudo? Perceber que eu nunca havia sido feliz em minha vida, que nunca havia conseguido conquistar nada sozinha, por mim mesma, era tão depressivo que até chegava a ser engraçado. Como nós, Wings, conseguíamos fingir sermos tão fortes quando na verdade estávamos tão quebradas? E qual seria meu futuro a partir dali? Como eu deveria continuar, sendo que eu nunca havia tido um começo apropriado? Em quem eu deveria me apoiar? Com quem deveria falar, desabafar? A quem eu deveria pedir ajuda?
E então uma luz se acendeu em minha mente. Ele. A única pessoa que já me fez sentir como se eu não fosse eu. A única pessoa que me deixava confusa e ao mesmo tempo, leve. A única pessoa que me fazia sentir livre mesmo me prendendo a suas memórias. Sasuke estava esperando outra ligação minha. Poderia parecer inútil e degradante, mas eu sentia que ele era o mais próximo que eu tinha de uma salvação. Ele era a única pessoa para a qual eu poderia voltar. Mesmo eu não querendo me aproximar muito dele, meus medos eram infundados. Sasuke era o mais próximo de liberdade que eu tinha, e não o contrário. Me afastar dele só faria me aproximar de Tsunade e meus deveres como Wing. Como eu pude ter sido tão cega até agora, rejeitando a ajuda de Sasuke para voar? Quantas vezes ele disse que gostava de mim? Quantas vezes me estendeu a mão, quantas vezes tentou consertar minhas asas, me fazer abrir os olhos? E em todas essas vezes, eu o rejeitei. Mesmo assim, ele nunca desistiu de mim. Por que eu só estava percebendo isso agora, na calada da noite, depois de tudo ter dado errado? Depois de ser quase tarde demais?
Quase... essa se transformou em minha palavra favorita naquela noite. Quase. Ainda não era tarde demais. Ainda havia tempo de aceitar a mão de Sasuke e me levantar do chão para tentar voar de novo.
Eu sabia que estava agindo por impulso e talvez me perdendo em uma nova ilusão, mas entre ficar definhando na cama esperando pelo pior e tentar de novo, eu escolhi tentar de novo. Eu tinha ciência de que Sasuke não poderia me ajudar a encontrar Ino, na verdade ele não poderia fazer nada prático por mim, mas só falar com ele talvez me desse forças. Antes, eu estava sozinha, sem ninguém. Mas agora eu tinha alguém. Ele estava bem distante de mim, física e espiritualmente, mas essa fraca conexão já era o suficiente para mudar alguma coisa. Tinha que ser.
Por isso, saindo descalça e andando pelos corredores vazios, fui até a Sala de Comunicações, a mesmo onde Ino havia ido para conversar secretamente com Gaara. Dessa vez não havia medo nem hesitação na hora que disquei seu número. Nem me preocupava o fato de já ser tarde da noite, eu não tinha dúvidas de que ele iria atender.
– Alô? – sorri ao ouvir sua voz fraca e sonolenta. Sorrir era algo que eu não fazia muito nesses últimos tempos, mas só de imaginá-lo de pijamas com o cabelo todo bagunçado depois de ter acabado de acordar despertou em mim um senso de inocência.
– Boa noite, Uchiha. – diferente da última vez, eu sabia exatamente o que dizer.
– Sakura? – e exatamente como da última vez, ele pareceu ficar surpreso ao ouvir minha voz.
– Por que o susto? Eu não disse que ligaria de novo? – eu sentia minha voz sair com muito mais facilidade, sem falhas. Por que eu estive me sentindo culpada por falar com ele até agora, se eu me sentia melhor somente por ouvi-lo dizer meu nome?
– Disse... mas... – e exatamente como da última vez, ele estava estranho. Eu conseguia perceber em seu tom que algo o estava incomodando, que ele estava desconfortável com algo. Dei um suspiro para fingir indignação enquanto o tirava de sua miséria de tentar dizer algo.
– Fiz todo esse esforço para te ligar de novo e é assim que você me recebe? Da próxima vez, vou pensar melhor antes de fazer isso...
– Não, não foi isso! – por que eu nunca havia prestado atenção em quão divertido era quando ele ficava preocupado por um motivo tão banal? – É só o cansaço. – consegui ouvir um suspiro seu – Fale comigo, Sakura.
– Bom, como você deve ter imaginado, eu estava me sentindo entediada de novo. – ele riu do outro lado da linha, e eu não esperava por aquilo.
– E que melhor forma de tirar seu tédio senão me ligando às duas da manhã?
– Exatamente, Uchiha. Fico feliz que estejamos nos entendendo. – ele riu de novo, uma risada baixa e curta, mas sincera.
– Fale comigo, Sakura. – ele disse mais uma vez, em um tom cansado, como se fosse algum tipo de conselheiro meu, como se estivesse acostumado com todos os problemas que causei e só estivesse esperando por outra confissão de minha rebeldia.
Mas ao som daquelas palavras, fiquei muda. Falar com ele? Sim, era exatamente isso o que eu viera fazer ali. Desabafar, pedir ajuda. Mas como eu poderia fazer isso? Como confessar todos os problemas sem parecer uma louca desesperada? Como ser completamente sincera, confiar plenamente nele para não esconder nada? Confiar plenamente que ele me ajudaria com palavras também sinceras? Eu ainda não conseguia fazer isso. Tudo havia acontecido muito rápido, e eu não estava pronta para aquilo ainda.
– Sakura? – a voz dele mais alta e preocupada atingiu meus ouvidos novamente. Contar a verdade era muito difícil. Mas eu não podia ser essa pessoa fraca para sempre.
– Ah... na verdade, eu... te liguei porque...
– Sim? – esqueci como ele era impaciente.
– Porque eu não tenho mais ninguém para conversar. – senti a atmosfera pesada, mesmo do outro lado da linha. Depois de uns trinta segundos de silêncio, eu já estava começando a me arrepender dessa decisão quando nenhuma resposta vinha.
– Eu estou aqui. Pode falar comigo. – desde quando a voz dele era tão gentil? Mesmo estando em uma cabine fria e apertada, sozinha, o calor dele parece ter me alcançado, e contar a verdade já não parecia mais tão difícil.
– As coisas estão meio loucas aqui. – depois de finalmente conseguir dizer essa única frase, ele ficou em silêncio, me esperando continuar – Ino fugiu. E eu... estou sozinha aqui. Na verdade, eu não te liguei para matar o tédio. Foi porque eu não... queria mais me sentir sozinha. – minha voz falhava, mas não era por hesitação de contar a ele qualquer coisa, era porque eu realmente estava sentindo a tristeza daqueles acontecimentos.
– O que aconteceu? Nem parece a mesma Sakura que me ligou antes, me insultando como nos velhos tempos. – ele tentou deixar a frase humorada, mas consegui sentir apreensão em seu tom.
– Você prefere a outra Sakura? – não sei por que perguntei aquilo daquela forma tão depressiva. Eu só queria ter a certeza de que ele não me rejeitaria também. Sasuke demorou bastante antes de responder.
– Não tenho preferência. No fim, todas as Sakuras respondem a você.
– “Todas” as Sakuras? – por acaso havia mais de mim?
– Ah, esquece... é coisa da minha cabeça. – não entendi o que ele quis dizer, mas tentar entende-lo não era a coisa mais fácil nesse mundo – Então, você está sozinha? E suas amigas?
– Ah, elas... não podem ajudar dessa vez. – por que minha voz começava a ficar embargada? – Isso está além do alcance delas também, e no momento só estamos andando em círculos. Eu não sei mais o que fazer, Sasuke...
– Sakura, você não está... chorando, está?
Sim, eu estava chorando. Notei as primeiras lágrimas enquanto falava, e não tentei fingir que não estavam lá. Quantos choros eu já havia segurado? Quantas vezes havia tentado esconder meus sentimentos de uma das únicas pessoas que havia tentado me entender?
– Difícil de acreditar, não? – disse com minha voz anasalada, com meu nariz já entupindo. Meus olhos já deveriam estar ficando vermelhos – Acho que eu só estive segurando isso por muito tempo.
– Parece uma eternidade desde que você chorou na minha frente pela última vez.
– Está tentando me fazer pior? – havia um resquício de raiva em minha voz, mas no momento eu não estava brava. Sasuke riu brevemente de maneira gentil antes de continuar.
– Só não estou acostumado. Você não é do tipo que deixa os outros te ver chorando. – ficamos em silêncio por alguns segundos – Não entenda errado o que vou dizer agora, mas fico feliz por você estar me deixando te ouvir chorar, Sakura. – eu entendia o que ele queria dizer.
– E eu estou feliz por ter te deixado me ouvir chorando, Sasuke. Eu já fugi de você por tanto tempo, mas nos momentos mais difíceis, foi sempre você a estar lá por mim. Acho que só estou grata por você ainda não ter me abandonado, mesmo depois de todas as cosias ruins que eu fiz a você.
– Não fale desse jeito, Sakura. Você nunca falou assim comigo, isso só me faz pensar que o que aconteceu realmente te afetou. Não estou acostumado a te ver quebrar. – a voz dele estava preocupada, e aquela conversa era uma das mais sinceras desde que havíamos nos conhecido. Eu não queria mais me esconder. Soltei um breve riso curto antes de responder.
– Eu sempre fui quebrada, Sasuke. Eu só conseguia esconder isso muito bem, inclusive de mim mesma. Mas eu não posso mais fugir, não é? Não depois de ter entrado em um beco sem saída.
– Não é um beco sem saída, Sakura. – a impaciência dele parecia ter evaporado. Eu nunca havia me sentido tão consolada por alguém antes – Eu não sei tudo sobre você, mas eu sei que você é muito forte, mesmo se dizendo quebrada. Todos são quebrados de alguma forma, Sakura. Mas eu sei que você tem coragem e forças para continuar, mesmo com esses buracos.
– Não sei sobre isso. – eu sorria tristemente, mas ele não conseguia me ver – Quando minha melhor amiga precisou de ajuda, eu não consegui fazer nada além de segurar sua mão. E agora que ela precisa da minha ajuda de novo, eu não posso fazer nada. E se fosse só ela que precisasse, então acho que eu até conseguiria dar um jeito. Mas descobri que eu também preciso de ajuda. E eu estou perdida, Sasuke. Eu não sei o que devo fazer agora.
– Não está pensando em desistir, está? – as palavras dele soaram como um desafio para mim. Como se eu estivesse de volta à sua casa, pagando minha dívida e tentando arruinar a vida dele enquanto ele tentava arruinar a minha. Eu sempre fui propensa a aceitar desafios, sempre quis me sentir em perigo para poder dar a volta por cima.
– Nunca. – minha voz saiu um pouco mais forte. Eu não iria deixa-lo me ver perder – Eu só estou desorientada agora. Talvez eu precise de um tempo para pensar com calma. Talvez eu tenha te ligado porque... você consegue me tranquilizar. Não sei o motivo, mas você consegue. Eu acho que eu só precisava da certeza de que você ainda estaria aí quando eu mais precisasse.
– Você sempre terá essa certeza, Sakura. Eu sempre vou estar aqui. Você sempre saberá onde me encontrar. – senti que eu iria chorar de novo, mas dessa vez de alívio. Desde que eu pudesse encontra-lo, tudo iria ficar bem. Eu não estava sozinha. Eu tinha um refúgio. Eu tinha Sasuke.
– Onde te encontrar... sim, eu sempre saberei onde te encontrar, Sasuke.
– Eu posso não ser útil para te ajudar, mas eu sempre vou estar aqui. Não precisa mais fugir, Sakura.
– Não vou fugir, Sasuke. – eram as palavras que eu precisava ouvir e as palavras que eu precisava dizer. Sasuke sempre estaria ali. Eu não iria mais fugir dele e dos problemas. Já era hora de consertar minhas asas e levantar voo. Não só as minhas, mas as de todas essas meninas e mulheres daqui.
Um pequeno silêncio se fez, mas a atmosfera agora estava mais leve. De repente, os problemas pareciam mais possíveis de se resolver. Esse era o efeito de aceitar seus próprios sentimentos? Essa energia renovada, essa vontade de fazer tudo dar certo? Como Sasuke conseguia me causar tudo isso de uma vez? E por que eu nunca havia aceitado esse fato até agora?
– Sakura... – a voz dele me fez voltar ao mundo real. Eu conhecia aquele tom. Era o tom que ele usava quando estava prestes a me fazer uma pergunta da qual temia a resposta – Vou poder te ver de novo?
– Vai. – não hesitei por um segundo antes de responder. Eu não sabia como nem quando, mas eu sabia que iria vê-lo novamente. Eu precisava vê-lo – Afinal, eu preciso te agradecer.
– Pelo que? – a voz dele parecia repleta de surpresa.
– Por não ter desistido de mim. – falei com toda a sinceridade que tinha – Por me aceitar toda quebrada, por sempre me estender a mão mesmo quando eu te viro as costas. Eu só percebi agora o quanto você... parece fazer bem para mim... acho. – limpei as lágrimas que ainda caíam e esperei por sua resposta, que não demorou a vir.
– Eu já te disse isso várias vezes, Sakura, mas vou dizer de novo e quantas vezes mais forem necessárias: eu gosto de você. Eu só quero... ficar com você. Não precisa ser para sempre, não precisa ser todos os dias, mas eu quero você comigo de alguma forma. – agora Sasuke parecia estar falando de forma mais desesperada. Como se quisesse ter dito isso a mim há muito tempo e só agora havia tido coragem para fazê-lo – Esqueça sua vida como Wing, esqueça Tsunade e essa vida nas sombras, e... só diga que você gosta de mim também e venha me ver de novo. Eu sinto sua falta.
– Quanto tempo você poderia me esperar? – um silêncio se fez do outro lado da linha. Parece que Sasuke não esperava que eu literalmente fosse dizer “sim” ao seu último pedido.
– Você quer dizer que...
– Eu vou embora daqui, Sasuke. Ino tomou a decisão certa. Nenhuma das Wings é verdadeiramente feliz aqui. Isso precisa acabar, antes que mais tragédias aconteçam. Não sei quanto tempo irá demorar, mas eu vou sair daqui.
– Sakura... – ele parecia prestes a querer me contar algo, mas desistiu no meio do caminho.
– Sasuke?
– Ah eu... só queria dizer que realmente sinto sua falta. Quanto à Ino, pelo pouco que a conheci, diria que não precisa se preocupar. Algo me diz que ela está bem.
– Eu sei que está. – outro silêncio se fez entre nós – E eu também sinto sua falta, Sasuke, mais do que deveria. Mas eu não me sinto culpada por isso.
– Eu sei que não. Você não é do tipo que se remoeria por auto piedade. Você é a pessoa mais forte que conheço, Sakura.
– Obrigada, Sasuke. Eu estava precisando mesmo falar com você.
– Vai me ligar de novo?
– Talvez. – espere, por que agora eu estava sorrindo feito uma adolescente apaixonada?
– Vou te esperar, Sakura. E... antes de você desligar, eu só queria te lembrar... eu vou estar aqui, e eu sempre vou te aceitar inteira. Suas lágrimas, seus insultos, sua gentileza... mesmo que dizer isso seja brega e me faça parecer um idiota... eu estou aqui. – meu sorriso aumentou involuntariamente ao ouvir aquilo. Quem ele pensava que era para me fazer sentir tão segura daquela forma?
– Eu sei, Sasuke. – outro breve silêncio se fez, e eu não queria desligar. Queria continuar conversando com ele até o nascer do sol sobre qualquer coisa; mas eu sabia que ele começava a trabalhar bem cedo pela manhã – Boa noite.
– Boa noite, Sakura.
****
Acordei me sentindo outra pessoa. A insegurança, a aflição, a confusão dos últimos dias parecia ter se dissipado como fumaça. A voz de Sasuke deveria conter algum tipo de feitiço, pois me fez sentir revigorada. Me fez lembrar de quem eu era. Me fez lembrar por que era importante eu tentar fazer o queria fazer. Eu queria liberdade, eu queria paz. E eu iria conseguir.
Hoje eu teria uma missão. Achei que depois de toda a confusão de ontem, Tsunade retiraria a mim e as meninas de missões por um tempo, mas ao que parece ela ainda está disposta a confiar em mim para um de seus trabalhos.
– O cliente pediu especificamente por você. – ela disse enquanto me entregava os documentos. Eu conhecia o cliente, já havia feito vários serviços a ele, o suficiente para ele confiar em mim e em minhas habilidades – Mas devo lhe lembrar que só está sendo permitida a sair da Base e do castigo por hoje porque esse é um cliente muito importante. Cumpra a sua missão perfeitamente e volte imediatamente para cá. Não se desvie de seu caminho, não pense em fazer nenhuma gracinha, não pense em sair por aí procurando Ino. Você tem outras amigas aqui na Base, e acho que não ficaria contente se elas fossem punidas pelo seu erro.
O tom de voz de minha Mestra não estava nem um pouco severo, mas a ameaça daquelas palavras estava clara como a luz do sol. Eu não era burra o bastante para cometer um erro daqueles, até porque não sabia onde Ino poderia estar. No entanto, eu tinha outros planos após o término dos meus afazeres.
Essa missão seria fácil. O cliente era Tarou Taneguchi. Ele era um empresário muito importante no País da Terra, e nos últimos anos, esse país estava passando por uma crise política. Aquilo não era da responsabilidade de Taneguchi, mas ele começou a investigar políticos corruptos que estavam tentando dar um golpe de estado e roubar o poder para si mesmos. Hoje, minha missão seria abordar um desses políticos e confiscar documentos ultraconfidenciais que ele carregava consigo – sem mata-lo. Taneguchi era um dos poucos seres humanos hoje em dia ainda bondosos e honestos. Ele iria revelar a farsa dos corruptos e propor um novo modelo de eleições à população geral. Acho que eu sentiria falta dele quando abandonasse a Base – mais uma vez. Ele sempre me oferecia um delicioso cappuccino quando eu o visitava para cumprir sua próxima missão.
Hoje não havia sido diferente. Como sempre, cumpri a missão sem maiores dificuldades. Roubei os tais documentos e entreguei-os ao importante cliente, antes de ele me agradecer com seu cappuccino e me desejar uma segura viagem de volta à Base.
No entanto, eu não planejava voltar à Base. Não ainda. E eu não tinha uma explicação plausível para o que estava prestes a fazer agora a não ser: eu queria vê-lo, e precisava ser agora. Eu não queria deixa-lo esperando eternamente, não queria passar mais tanto tempo sem tocá-lo. Eu queria seu abraço, seus lábios, seu consolo. Eu queria vê-lo pessoalmente porque eu precisava de forças. Vê-lo me faria sentir bem. Me estimularia a continuar. Me tentaria a fazer de tudo para um próximo encontro.
Eu sei que era loucura o que eu estava prestes a fazer. Talvez ele não estivesse em casa, talvez estivesse em alguma reunião chata e importante, talvez estivesse em um jantar de família, talvez até estivesse com outra mulher, ou talvez simplesmente estivesse cansado e não iria querer me ver. Mas eu precisava ir até lá, mesmo que somente para ter certeza, para voltar para a Base (que se tudo desse certo, logo deixaria de ser minha casa) sentindo-me leve e determinada. Aposto que ele teria a mesma reação que teve no telefone quando me visse, parada na frente do portão, esperando-o me convidar para dentro da casa que eu conhecia muito bem.
Não estava me sentindo nervosa, apenas ansiosa. Enquanto eu corria até Konoha, a grande capital cheia de habitantes ocupados, pensava no que diria quando o visse. Já fazia meses desde nosso último contato cara a cara. Não sei por que demorei tanto tempo para vir vê-lo novamente. Não sei por que restringi meus sentimentos até agora, não sei por que estive com medo até agora. Sasuke não seria minha ruína, não seria o fim de minha liberdade. Seria o começo dela.
Pensando assim, cheguei até os portões do luxuoso condomínio onde ele ainda morava. Não menti ao porteiro sobre meu nome e deixei-o informar Sasuke de que eu estava ali. Depois de cinco minutos, o porteiro permitiu minha entrada. Enquanto eu andava pelas ruas até sua casa, me perguntava o que ele estava pensando enquanto me esperava chegar e tocar a campainha. Estaria surpreso por me ver tão cedo? Talvez confuso? Estaria ansioso ou quem sabe, indiferente? Pensando em todas essas possibilidades, logo me vi em frente à sua casa. Toquei a campainha, aguardando sua voz no interfone ou o momento em que ele abriria a porta e viria até mim.
Estava com a estranha sensação de que seria surpreendida por essa visita, e no momento em que ouvi a porta se abrindo e o vi descer as escadas e ir até o portão, meu coração começou a saltar desesperadamente em meu peito, querendo sair. Talvez no fim da noite, saísse mesmo, visto que eu não fazia ideia do que esperar desse encontro. Só o fato de eu poder vê-lo de novo já seria o suficiente.
It's a quarter after one
I'm all alone and I need you now
Said I wouldn't call
But I lost all control and I need you now
And I don't know how I can do without
I just need you now
São uma e quinze
Estou sozinha e preciso de você agora
Eu disse que não ligaria
Mas perdi todo o controle e preciso de você agora
E não sei como posso viver sem isso
Eu só preciso de você agora
Lady Antebellum – Need you Now
Fale com o autor