Broken Wing - Aprendendo A Voar
43 Capítulo 43 - Pedido Desesperado
Notas iniciais
Sakura precisaria trabalhar muito com seu poder de persuasão para impedir que Temari dissesse algo que poderia prejudicar Ino ou Gaara.
O sofrimento havia apenas começado, e Sakura duvidava que teria paz em breve.
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Sakura’s POV
Tentar dormir com minha cabeça gritando “Ino! Ino! Perigo!” não deu muito certo. Eu não sabia como Tsunade havia feito na época quando eu fugi, mas imagino que no caso de Ino ela seria bem mais fervorosa; afinal, a loira era a segunda Wing que conseguia fugir em tão pouco tempo. Tsunade não iria permitir que ela zombasse de sua Organização, nem que sua fuga deixasse os clientes relutantes em relação à qualidade do serviço das mulheres e meninas remanescentes. Por isso imaginei que ela faria de tudo para encontrar sua filha fugitiva.
Logo pela manhã, todas as Wings foram acordadas com o alarme. Aquele era o som para emergências, quando Tsunade demandava reuniões conjuntas no grande anfiteatro dos terrenos da Organização. Depois de soar o alarme, a voz de Tsunade se fez presente nos autofalantes dos corredores e alcançou os ouvidos de todas: Atenção, todas as Wings. Reunião em uma hora no Grande Salão. A mensagem se repetiu algumas vezes, e nesse tempo, já comecei a me arrumar feito louca. Eu precisava falar com TenTen, Hinata e Temari antes de elas irem para lá. Eu sabia que Tsunade falaria sobre a fuga de Ino e talvez entrevistasse cada uma de nós, suas amigas, separadamente. Eu não poderia deixar Temari suspeitar que sua fuga estava ligada a Gaara. Enquanto escovava os dentes, liguei a pequena televisão do meu quarto, passando pelos canais de notícias, esperando ouvir sobre o desaparecimento de Gaara, o filho do Senhor Feudal do País do Vento. Eu sempre visitava Ino em seu quarto à noite. Se ontem ela não estava lá, só posso pensar que ela escapou no dia de minha visita anterior, provavelmente na madrugada daquele dia. Se Gaara foi com ela, isso significa que eles já estavam desaparecidos há 24 horas. Não sei se já era tempo suficiente para levantar suspeitas em relação a uma pessoa de renome como Gaara, mas nenhuma notícia na TV o mencionava.
Também não encontrei nada no jornal deixado no correio das Wings. Isso significava então que ninguém ainda havia notado o desaparecimento de Gaara? Se assim fosse, então não iriam suspeitar que Ino estivesse com ele, certo? Com esses pensamentos inconstantes me distraindo, marchei para o quarto de Temari, mas hesitei em bater na porta. Se eu fosse falar com ela assim, de repente, ela me ouviria até o fim? Ela concordaria em ajudar? Desde que o relacionamento de Gaara e Ino veio à tona, ela nunca se mostrara a favor deles, e sempre deixou clara sua opinião de que eles deveriam cortar completamente seus laços. Franzindo minha testa, eu me encontrava perdida ali. Não havia planejado como contar à Temari, nem quais partes iria esconder ou destacar. Mas cortando meus pensamentos, escutei uma voz alegre vinda de minha esquerda.
– Sakura! – virei-me com o susto, mas era só TenTen, com Hinata logo atrás – Já se perdeu logo cedo? O anfiteatro é do outro lado! – de repente, desisti de contar a elas. Faltou-me coragem, e o medo me dominou. Elas ficariam ao meu lado? Ao lado de Ino?
– Veio chamar a Tema também? – Hinata me tirou de meus pensamentos com sua voz calma – Iríamos ao seu quarto logo depois, sabemos que vocês duas e Ino quase sempre se atrasam. Mas Ino nem respondeu quando batemos, acho que ela ainda não se sente pronta. – não adianta, eu tenho que dizer a verdade. Essas meninas são minhas melhores amigas e irmãs. Não posso esperar a confiança delas se eu mesma não confiar nelas.
Determinada, fechei o punho e bati na porta de Temari, ainda em silêncio. Eu diria tudo de uma vez. E se Temari não quisesse colaborar, eu a lembraria muito bem da felicidade de quem estava em jogo. Se mesmo assim ela não quisesse abrir mão das regras estúpidas dessa Organização e resolvesse contar a verdade à Tsunade, então seríamos inimigas. Eu já estava pronta para desistir de tudo quando fugi, e dessa vez estou pronta para desistir de tudo para ajudar minha amiga a ter sua merecida felicidade.
De dentro do quarto, veio a voz apressada de Temari:
– Já vou!
– Não disse? Vocês quase sempre se atrasam. – Hinata deu uma bronca materna – Espero que Kurenai não nos repreenda por isso.
– Relaxa, Hina. Ainda temos vinte minutos até a reunião começar. – TenTen abanou a mão em seu jeito despreocupado.
– Mas até chegarmos ao Grande Salão leva pelo menos dez minutos! Vamos chegar em cima da hora.
Temari abriu a porta abruptamente, assustando Hinata, que parou de falar de repente.
– Estou muito atrasada?
– Não, o mesmo de sempre. Hinata que é sempre toda certinha. – TenTen abriu um sorriso, cumprimentando a loira.
– Se eu não fosse, vocês sempre arranjariam problemas. – Hinata falou baixo, seu tom de voz gentil o bastante para todas percebermos que ela não estava com raiva.
– Tem razão, Hina, você sempre nos coloca na linha, não sei o que seria de nós sem você! Continue assim, tá? – Temari abriu um sorriso, e antes que eu pudesse desabafar, continuou tagarelando – Mas você sabe que eu não faço por querer. Só me atrasei hoje porque estava lendo uma carta de Gaara.
Huh?
– Huh? – bem, eu não consegui conter minha surpresa. Uma carta de Gaara? Mas Gaara deveria estar desaparecido, em algum lugar distante com Ino, como ele poderia ter enviado uma carta? Temari estranhou minha surpresa e questionamento, e continuou.
– Não é nada de mais, sempre conversamos assim. Não precisa me olhar como se eu fosse a assassina do crime, Sakura. – Pisquei duas vezes, tentando entender o significado por trás das atitudes de Temari e da carta de Gaara. Ela não parecia preocupada com o meio-irmão.
– Ah, eu também queria alguém do lado de fora para poder conversar! – TenTen fingiu fazer drama, sorrindo para Temari logo em seguida – E como seu irmão está?
– Está bem. Na verdade, ele está viajando com Kankuro e o pai deles. Estão no País do Ferro tentando fazer amizades políticas, todas aquelas coisas complicadas. – País do Ferro? Como Gaara poderia estar no País do Ferro ao mesmo tempo em que estava com Ino?
– Hum, eu me lembro de ter feito uma missão no País do Ferro. Quase falhei porque a neve me atrapalhou. Depois disso, nunca mais voltei àquele lugar! – TenTen continuou fazendo seu drama, enquanto começávamos a caminhar em direção ao anfiteatro. Dizer que eu estava confusa era um eufemismo, mas estava com medo de dizer qualquer coisa que pudesse contradizer Temari. Minha melhor opção então seria descobrir a veracidade por trás dessa carta.
– Sim, é um país de clima bem rigoroso no inverno. Mas Gaara disse que não tem nevado muito lá, o que é estranho, mesmo na estação de agora.
– Super estranho! Quando eu fui, era verão e eu ainda era atacada por uma tempestade de neve por dia! Acho que esse tal de aquecimento global realmente é verdade então, não?
– Pode ser, mas Gaara espera que continue assim até ele voltar para casa. Ele nunca gostou muito de frio.
– E por quanto tempo ele tem que ficar lá?
– Acho que por mais uma semana.
Obrigada, TenTen! Fiz bem em ficar quieta, pois TenTen descobriu tudo para mim com sua curiosidade. Mas isso só deixava as coisas ainda mais suspeitas: se Gaara ficaria no País do Ferro com o pai e o irmão por mais uma semana, como ele também poderia ter fugido com Ino? A não ser que de alguma forma ele tenha feito mitose ou que tenha se clonado, ou que esteja usando um dublê em seu lugar, ou qualquer outra explicação impossível, não tem como ele estar com Ino e ao mesmo tempo estar com a família em outro país! Temari é muito afiada, ela com certeza perceberia se seu irmão estivesse mentindo, mesmo através de cartas, e também não havia nenhuma notícia na mídia sobre o desaparecimento misterioso de uma pessoa importante como ele.
Então... ou Ino e Gaara haviam planejado a fuga de forma bem mais complexa do que pensei, ou, no pior dos casos, Ino realmente havia enlouquecido. Pensar nisso realmente me assustou. É verdade que Ino estava mal. Ela mal falava em todas as minhas visitas, sua condição física estava cada vez pior (ela não estava se alimentando direito) e não duvidava que a tristeza fosse tanta que a levasse a fazer alguma imprudência (como fugir) ou que isso de alguma forma mexesse demais com seu psicológico. Se esse fosse o caso, então a uma hora dessas, Ino estava sozinha e perdida. Nesse caso, eu precisava encontra-la. Mas se ela e Gaara tivessem planejado isso muito bem e Temari estava sendo enganada, então eu deveria fazer de tudo para que ela não fosse encontrada.
E qual dos dois seria verdade? Ino teria enlouquecido ou ela e Gaara já estavam juntos e bem longe daqui, aproveitando a adrenalina da fuga? Eu não tinha como saber. E não sabia o que fazer agora que essa nova possibilidade se mostrara. Com meus pensamentos a mil, nem percebi que já havíamos chegado ao Grande Salão, o anfiteatro onde seria a reunião. A reunião iria começar e eu não havia dito nada às meninas sobre a fuga de Ino, nem o motivo dela. Agora eu também já não tinha mais certeza de nada, e conforme cada Wing foi pegando seu lugar, meu desespero só aumentava. Como Temari reagiria? Como TenTen e Hinata reagiriam? Elas iriam dedurar Ino? Tsunade iria de fato persegui-la até os confins do mundo? Apertando minhas unhas compridas nas mãos, lutei contra a vontade de gritar e contra o suor frio ameaçando escorrer por minha testa. Eu só poderia rezar e torcer para Ino e Gaara terem de fato, enganado todo mundo.
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Um mês atrás – Agosto – Ino’s POV
Aos domingos, a Organização ficava um pouco mais quieta que de costume. Tsunade era uma mulher que adorava colocar suas jovens e lindas Wings para trabalhar e conseguir seu cachê de cada dia, mas também era uma mulher que adorava dias de folga. A uma hora dessas, ela provavelmente estava roncando em seu quarto depois de desmaiar de tanto tomar sakê, e provavelmente ninguém a veria até o dia seguinte. As Wings também tiravam o domingo para descansar e resolver assuntos pessoais. Algumas dormiam, outras saíam para passear, outras se fechavam em panelinhas para fofocar, mas raramente alguma saía para treinar ou resolver assuntos relacionados a missões ou questões internas, de forma que os corredores e salões da Base das Wings ficavam silenciosos. Essa seria a oportunidade perfeita.
Precisei de pelo menos uma hora para conseguir coragem e sair do meu quarto. Depois do infeliz incidente do aborto, estava me sentindo morta por dentro. Não queria mais viver, conversar, não queria mais ver o sol e observar a forma das nuvens, e não me importava em morrer ali mesmo. Sem Gaara e sem meu bebê, eu estava morta por dentro. Mas eu nunca fui de desistir. Já havia lutado tanto por outras coisas tão banais, por que agora eu não lutaria pela coisa mais importante da minha vida? Eu precisava de Gaara ao meu lado, e não iria desistir dele agora. Há uma semana, ele me mandou uma carta sob um nome falso, e nessa carta, dizia que não estava pronto para desistir de mim. Não demorou muito para que decidíssemos fugir. Eu já não tinha mais nada para me prender a esse lugar, e ele também não se importava em abandonar sua família e seu país para viver comigo. Decidimos, assim, fugir, como nos contos de fada. A diferença é que nossa história iria se realizar.
Eu precisava garantir isso. Só teria uma única chance de fazer isso por nós. Relembrando agora a vez que Sakura fugiu, percebi que não seria nada fácil. Sakura era mais habilidosa que eu, e até ela havia sido pega depois de um tempo. E seria muito mais difícil para nós dois, porque além de toda a Organização das Wings para nos preocupar, ainda teríamos que lidar com a importância política de Gaara em seu país e no que seu desaparecimento acarretaria. Ele com certeza seria procurado, talvez até mais do que eu. E com sua aparência ruiva e conhecida, ele poderia ser facilmente identificado. Precisávamos de um plano perfeito, sem falhas. Precisávamos de todo o cuidado do mundo. Precisávamos ser rápidos. Eu não poderia fingir um estado vegetativo para sempre. Logo Tsunade me tiraria do período de repouso e me colocaria de volta nas missões, e eu não teria nem tempo nem liberdade para mais nada. Eu precisava bolar um jeito para nossa fuga ser perfeita e rápida.
Decidida a arriscar, fui até o espelho, e batendo em minhas duas bochechas, sussurrei palavras de coragem a mim mesma. O que eu estava prestes afazer poderia sair pela culatra. Mas era a alternativa mais segura e improvisada na qual eu conseguia pensar. Talvez minha mente estivesse cansada; talvez houvesse outras alternativas melhores e eu só não conseguia pensar com calma (afinal, eu estava mesmo desesperada), mas naquele momento o que eu estava prestes a fazer parecia o ideal.
Abri vagarosamente a porta do quarto, certificando-me de que realmente não houvesse ninguém nos corredores e salões. Se eu não fosse agora, talvez nunca mais encontrasse outra chance dessas. Andei o mais rápido que pude em passos hesitantes, indo até o cômodo de comunicações. Lá era onde as Wings se comunicavam com clientes. Cada cabine era à prova de som. Entrei em uma delas, fechei a porta e disquei um número que eu sabia de cabeça, torcendo para ele atender.
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Narração em terceira pessoa
– Alô? – a loira quase riu de tanta felicidade. Aquilo ainda não significava nada, mas para alguém que já havia perdido toda a esperança, qualquer resquício de luz já era uma comemoração.
– Sasuke! – o moreno percebeu a porção de alívio na voz dela.
– Ino? É você mesmo? – Sasuke estava no mínimo surpreso pela ligação. Da última vez que ele vira a loira, fora no casamento de Itachi. Ela não parecia bem naquele dia, e ele se lembrava das histórias de Sakura sobre a gravidez de sua melhor amiga. Achou melhor não perguntar nada para não invadir a privacidade da moça.
– Sim, Sasuke! Você não sabe como estou aliviada agora... – o volume da voz dela foi sumindo no decorrer da frase, e Sasuke estranhou aquilo.
– Você está bem? – ele sentiu o automático impulso de perguntar por Sakura e por Gata, principalmente por Sakura, pois nunca se sabe o que aquela louca poderia estar tramando, mas se segurou.
– Sinceramente, não. – foi uma resposta honesta demais para Sasuke, e apesar de não querer se intrometer nos problemas dela, achou falta de educação não perguntar quando ela não continuou.
– Aconteceu algo?
– A bruxa da Tsunade me fez abortar o bebê. – Ino parecia estar falando mais consigo mesma do que com o moreno, e parecia haver muito ressentimento em sua voz. Na verdade, ela parecia estar bêbada, fazendo confissões sem sentido. Mas Sasuke sabia uma parte dessa história, então o que Ino estava dizendo fazia sentido – E eu... não consigo mais viver assim. – ao ouvir a última frase, um alarme começou a apitar na cabeça de Sasuke.
– Ino, acalme-se. Você ligou para mim por um motivo, não? Diga qual é o problema, peça para Sakura te ajudar... – não havia muito o que ele poderia fazer por telefone, Sakura seria a pessoa mais indicada para lidar com a melhor amiga. Mas a frase de Ino assustara-o. Ela não poderia estar pensando em suicídio... poderia?
– Sakura não pode me ajudar, Sasuke. Ela gostaria, com certeza, eu vejo como ela sofre ao me ver sofrendo. Ela se sente inútil por não poder fazer nada concreto por mim, e esse sentimento é o pior dentre todos que ela poderia sentir. Você conhece aquela testuda cabeça dura, sempre tentando fazer mais do que o necessário, se preocupando e tentando controlar situações incontroláveis... infelizmente, ela não pode me ajudar dessa vez, Sasuke, mas você pode! – Sasuke arregalou os olhos do outro lado da linha. Ino já não soava bem no começo da conversa, mas agora parecia estar completamente doida. Se Sakura, que estava ali ao lado, não poderia ajuda-la, o que diabos ele poderia fazer?
– Ino, eu não quero invadir sua privacidade, mas tente falar minha língua. Não sei como posso te ajudar. – Na verdade, Sasuke não queria nenhum problema para seu lado. Ino havia sido de grande ajuda em todo o incidente com Meiko e ele nutria grande simpatia pela Wing loira, mas nesse momento sua vida estava de cabeça-para-baixo. Problemas familiares e com a empresa o estavam estressando além do que ele conseguia imaginar, e se envolver com as Wings nunca se provaria uma experiência pacífica e tranquila. O que quer que Ino estivesse planejando, não acabaria bem.
– Eu quero fugir.
– Fugir?
– Fugir daqui. Como Sakura fez daquela vez. – memórias enterradas voltavam à Sasuke como uma avalanche. Se Sakura nunca tivesse tentado fugir das asas de Tsunade, ele não teria esses sentimentos confusos dentro de si.
– Sakura falhou. Tsunade a levou de volta. Devo dizer que minha família ajudou a captura-la. Tem certeza de que quer a minha ajuda?
– Sim, você é o único em que consigo pensar para isso. Por favor, Sasuke, me ajude. – a voz dela parecia fraca, prestes a desabar em lágrimas, mas ao mesmo tempo parecia forte. Sasuke resolveu pelo menos ouvi-la.
– Do que você precisa? – um longo silêncio seguiu-se. Ino tentou escolher as palavras certas, decidir como se abriria àquela pessoa por quem rapidamente desenvolvera simpatia. Por fim, decidiu ser honesta.
– Eu amo alguém. Mas enquanto estiver presa aqui, nunca poderei ficar com ele. Nunca poderei ser livre nem feliz da forma que sempre desejei. E ele sente o mesmo. – Sasuke ouvia tudo cuidadosamente, ainda incerto sobre onde tudo isso o levaria; mas ele se lembrava do ruivo no casamento, e de certa forma entendia a ânsia de Ino de querer ficar com ele. Afinal, ele temia sentir o mesmo por Sakura – Por isso resolvemos fugir juntos. Mas você sabe o que aconteceu com Sakura, ela logo foi capturada. Mas isso só aconteceu porque ela estava sozinha, sem ninguém para ajuda-la.
– E você quer que eu te auxilie nessa fuga? – Sasuke coçou a parte de trás da cabeça, sentando-se na mesa do escritório em sua casa. Isso com certeza cheirava problemas – Como, exatamente?
– Sakura foi esperta na fuga dela, mas ela foi pega por deixar rastros mínimos por todo lugar que passava. Eventualmente, ela foi avistada em uma cidade qualquer e levada de volta. Se eu e Gaara simplesmente sumíssemos sem deixar nenhum vestígio, nenhuma indicação de que estivemos em tal lugar, eles não terão nenhuma pista sobre nossa localização e não conseguirão nos encontrar. Eu sei que estou dizendo isso de supetão, sei que é muito egoísta de minha parte e sei que é muito para te pedir assim, de repente, sem falar na quantidade de problemas que iríamos te causar... mas eu estou sem alternativas, Sasuke. Você é minha última esperança, então, por favor... deixe-nos nos esconder em sua casa por um tempo.
Aquilo fora uma bomba. Sasuke já esperava por algum pedido como aquele, mas o que Ino queria estava além de sua capacidade. Sua casa era pequena, visitas sempre vinham incomodá-lo e ele não se sentiria confortável abrigando um casal de pombinhos apaixonados por um tempo indeterminado.
– Ino... – coçou a cabeça de novo, tentando pensar em uma resposta educada, mas Ino o cortou.
– Eu sei que seremos um grande incômodo, mas prometo que agiremos como se não existíssemos. Ninguém irá suspeitar que estamos em sua casa, Tsunade irá se concentrar em traçar rotas de fuga, como fez com Sakura, irão procurar em lugares distantes, longínquos, por pistas falsas, traçarão caminhos que nunca fizemos e no final não encontrarão nenhum resquício nosso se simplesmente ficarmos parados sem dar sinal de vida. Quando nos sentirmos seguros, faremos nosso próprio caminho. Eu sei que parece loucura agora, e talvez seja, mas é nossa única chance, e eu preciso arriscar, Sasuke! Por favor...
– Ino, acalme-se. – Sasuke até conseguia encontrar alguma lógica no plano da loira, mas ainda conseguia encontrar várias falhas também – Não acha que Tsunade pode suspeitar que você esteja escondida em algum lugar? Ela pode procurar nos últimos lugares que você esteve, e bem... minha casa é um deles.
– Eu sei que essa possibilidade existe. Sei que esse plano está mais suscetível a falhas do que a sucessos. Mas eu preciso arriscar, Sasuke, e você é o único contato confiável que possuo fora da base das Wings. Se o pior cenário acontecer, eu assumirei toda a responsabilidade e farei de tudo para não ser capturada nem te prejudicar.
– Ino, eu quero te ajudar. Entenda isso. Você talvez seja a única pessoa que consiga lidar com Sakura, e me ajudou muito com ela e quando os problemas envolvendo Meiko apareceram. Acredite, quero muito te ajudar. Mas esse seu plano realmente parece muito arriscado. E eu dificilmente poderei te ajudar caso algum imprevisto aconteça. Minha casa não é tão segura quanto você imagina.
– Eu já te protegi antes, Sasuke. Garanto que te protegerei novamente dessa vez, qualquer que seja a situação. Eu só quero minha felicidade e minha liberdade. Eu só quero viver em paz com a pessoa que amo. Por que eu não posso ter isso? O que me faz diferente das outras pessoas? Não é justo. Eu mereço amar também. Eu mereço ter quem eu amo ao meu lado. Eu já perdi muita coisa, Sasuke. Já perdi meus pais, minha terra natal, minha dignidade, meu bebê... eu não suportaria perde-lo também. Por favor, me ajude a não perdê-lo. Eu sei que você é muito mais gentil do que aparenta. Por favor, me ajude a ser livre.
Outro silêncio se manteve na linha depois da fala de Ino. Livre? Sasuke se perguntava o que de fato era isso. Sempre preso às tradições de sua família, tendo seu destino profissional decidido para si, nunca podendo verdadeiramente fazer o que sempre sonhou. Sasuke, assim como Sakura, Ino e Gaara, também não era livre. Por isso ele conseguia entender um pouco a dor da Wing. Ele sempre quis se ver livre de seu destino, e Ino agora estava lutando por isso. Ela era sem dúvidas corajosa, tanto quanto Sakura. Essas garotas sofriam e sofriam sem descanso, e mesmo assim não desistiam de lutar por seus ideais. O próprio Sasuke desistira há muito tempo, escolhendo ser levado pela maré dos Uchiha. Ele só conseguia admirar Ino, Sakura, e a coragem delas. E isso fora o suficiente para decidir, por fim, ajuda-la.
– Tudo bem. – Ino, antes com a cabeça abaixada, levantara-a rapidamente ao som daquelas palavras mágicas.
– “Tudo bem”... quer dizer que... você concorda? Você vai me ajudar, Sasuke? – a loira lutava para conter as lágrimas de alívio e alegria, como se um grande peso tivesse sido tirado de seu peito. Precisava que Sasuke confirmasse novamente só para não correr o risco de estar sonhando.
– Sim, vou te ajudar. – Sasuke percebeu a felicidade na voz dela, e ao mesmo tempo em que se sentiu feliz por poder ajuda-la, também se sentiu preocupado com as consequências disso. Não seria fácil – Mas você sabe que minha ajuda é limitada.
– Sim, estou ciente disso e dos riscos que eu e Gaara estamos correndo ao planejar tudo isso. Não sei como expressar minha gratidão por isso, Sasuke. Se por azar do destino, algo ruim acontecer, terei a certeza de não te arrastar para o buraco comigo. – enquanto dizia isso, Ino limpava as lágrimas de felicidade que de fato escorriam por suas bochechas.
– Bom, não pense no pior cenário. – de alguma forma, era muito estranho sentir Ino chorando do outro lado da linha. Para Sasuke, ela parecia ser alguém que sempre sorriria não importando a situação. Claro, ele também não sabia quase nada sobre ela para poder assumir coisas sobre seu comportamento e atitude – Mas como você fará para sair de... onde quer que você esteja?
– Quanto a isso, não se preocupe. Por enquanto, eu agradeceria se você pudesse se comunicar comigo aos domingos. É o único dia que não fica uma loucura por aqui. Estamos planejando a fuga para a data mais breve possível, mas ainda precisamos de um tempo para planejar com mais cuidado.
– Tudo bem, quando você me ligar, eu vou atender. Sabe todos os meus números, certo?
– Não poderia esquecer seu contato depois de tanto servir de mediadora entre você e aquela testuda teimosa. – Ino tentou sorrir para disfarçar a voz embargada.
– Por falar nisso... pode me dizer como ela está? – Ino sentia que aquela pergunta viria, e sentiu-se mal por ter tentado fazer com que Sasuke e Sakura se separassem depois de toda a sua história com Gaara. Fora a maior hipocrisia de sua parte, mas ela sabia que no fundo só não queria fazer a amiga passar pela situação que ela passava agora.
– Ela está... bem. Preocupada comigo, posso até cheirar isso nela. Continua teimosa e determinada. Mas... – Ino ponderou sobre dizer a próxima frase ou não, mas naquele momento só queria uma forma de agradecer Sasuke por sua ajuda, e revelar informações sobre Sakura parecia ser um bom começo – Eu sei que ela está triste. Por mim. Ela está se sentindo impotente por não poder me ajudar, e não é culpa dela, obviamente. Mas também sinto que ela também está triste em relação à própria situação.
– Como assim? – Saber que Sakura estava triste também era estranho. Ela nunca gostava de mostrar sentimentos de fraqueza, e Sasuke entendia ela estar se sentindo mal pela amiga, mas por si mesma?
– Por si mesma e por você, Sasuke. – silêncio do outro lado da linha. Ino suspirou, agora já sem mais lágrimas nos olhos – Eu consigo ver isso nela. Ela sente sua falta, e teme que a situação dela com você acabe como a minha.
Sasuke ficou sem palavras. Ele não sabia exatamente como estava a situação de Ino com o ruivo, mas pelas conversas com Sakura e essa ligação da loira implorando sua ajuda, conseguia adivinhar que estava muito ruim. Se Ino e o garoto do País do Vento realmente se amavam tanto a ponto de quererem desistir de tudo para ficarem com o outro, isso significava que eles verdadeiramente se amavam. E acima de tudo, confiavam um no outro. Para Sasuke, amar era mais fácil do que confiar, e ele sabia que Sakura sentia o mesmo em relação a isso. Confiar sua felicidade, seu destino, sua vida inteira a uma única pessoa requeria muita coragem. Nesse mundo cruel, cheio de pessoas mesquinhas, egoístas, mentirosas e que fariam tudo somente para benefício próprio, era extremamente difícil encontrar alguém em quem realmente confiar. Era assim no mundo dos negócios, nas relações familiares, nas relações amistosas e amorosas. Filhos traíam pais, amantes traíam amantes, amigos traíam amigos, patrões traíam empregados, e isso acontecia em um ritmo frenético. Era assustador. Sasuke não confiava em ninguém. Aprendera essa lição desde cedo, quando pessoas se aproximavam de si somente pelo seu status, quando ouvia as conversas entre seu pai e seu tio sobre algum sócio que roubara-lhes dinheiro. As próprias Wings eram pessoas treinadas a enganar e roubar. Nesse mundo, ninguém era verdadeiramente confiável. Nem o próprio Sasuke, e ele sabia disso. Ele também já havia enganado, mentido, desconsiderado alguém. A maioria das pessoas já fez isso, de formas graves ou brandas. Mesmo assim, Meiko Okazaki, a Gata, havia confiado plenamente nele, apesar de sua aparência e atitude suspeita. Seu pai confiava nele o suficiente para lhe passar sua herança. Ino estava confiando nele agora para ajudar-lhe na etapa mais difícil e importante de sua vida. E Sakura... Sakura não confiava plenamente nele. Nem ele confiava plenamente nela. Mas ainda havia um resquício de alívio quando se encontravam. Ela fora a única com quem ele se sentira confortável o suficiente para se abrir, para desabafar, para se deixar levar, para confessar sentimentos que nunca achou ser capaz de expressar. E com ela, havia sido o mesmo. Mesmo Sakura sendo teimosa em admitir, mesmo sabendo que ela negaria até a morte, ele sabia que ela sentia o mesmo por ele. Eles confiavam um no outro até onde seus limites pessoais permitiam. E Sasuke confiava em Sakura a ponto de lhe dizer “eu gosto de você, eu quero ficar com você, nem que essa seja a última vez”. Já haviam feito isso antes, por isso ele sabia que ela também confiava nele até esse ponto. E ele não podia negar que queria vê-la de novo, queria ouvir a voz dela, tocá-la, descobrir mais sobre sua força, sua história, seus sentimentos, alegrias e tristezas. Todos os dias ele sentia uma estranha ânsia de encontra-la, e já havia perdido a conta de quantas vezes relera o livro favorito dela; queria encontra-la para discutir com elas suas partes favoritas daquela história, queria encontra-la somente para se certificar de que ela ainda era real. E sabia que ela sentia o mesmo.
Mas...
Será que depois de tudo pelo qual passaram juntos, seriam plenamente capazes de confiar um no outro? Sasuke não sabia se conseguiria arrancar seu coração do peito e entrega-lo a Sakura se ela assim lhe pedisse, e sabia muito bem que ela também não o entregaria o seu. Afinal, tratava-se de Sakura, e dentro dela existiam várias Sakuras: a Sakura assassina, a Sakura inocente, a Sakura sonhadora, a Sakura ladra, a Sakura sedutora, a Sakura criança, a Sakura sarcástica, a Sakura sádica. E ele não conseguia entender nenhuma delas. Ele seria capaz de sangrar pela Sakura sonhadora, mas nunca queria confrontar a Sakura assassina, e se ele não conseguisse confiar em todas as Sakuras, então não poderia confiar plenamente nela. Será que ela também o via desse jeito? Para ela, se fosse assim, com certeza existiriam o Sasuke idiota, o Sasuke mais idiota ainda, o Sasuke irritante, o Sasuke infantil, o Sasuke filhinho de papai... será que para ela, também existiria o Sasuke sedutor? O Sasuke gentil? Ele não sabia. E se todos esses Sasukes existissem para ela, então ela também não conseguiria confiar em todos eles. Ambos não se conheciam o suficiente para poderem afirmar a plenos pulmões: “Eu confio plenamente nela e ela confia plenamente em mim; eu desistira de toda a minha vida por ela e ela faria o mesmo por mim”. Não. Ainda existia medo. Hesitação. Ainda existia a possibilidade de ele traí-la de várias formas, e ela também. E assim que a traição se concretiza, que o espelho da confiança se quebra, não há mais conserto. Se algum dia, um deles fizesse algo mínimo, mas considerado imperdoável pelo outro, eles se perderiam para sempre. A confiança, antes fraca, deixaria de existir. E Sasuke não queria que isso acontecesse. Por isso tinha medo de aprofundar sua relação com ela. Mesmo sem as complicações físicas (a distância entre eles, a ocupação dela e dele, a chatice de Tsunade...), ele não sabia se conseguiria manter uma relação estável com ela. Não confiava completamente nem em si mesmo para não machuca-la. Gostava dela, disso tinha certeza, e sabia que ela gostava dele, ambos já haviam admitido isso em meio a brigas e lençóis. Mas não sabia se tinha coragem suficiente para entregar sua vida a ela, e ela a ele.
Por isso ficou sem saber o que dizer quando Ino lhe disse aquilo. Ino era diferente dele. A relação que ela tinha com o ruivo parecia muito mais profunda e sentimental do que a dele com Sakura. Eles amavam-se plenamente e não tinham vergonha nem arrependimento de admitir isso para o mundo ouvir. E eles também confiavam um no outro plenamente, a ponto de abandonarem suas vidas anteriores para viverem juntos, somente os dois, tendo somente um ao outro para se ajudar e se apoiar. Eles se confiavam a ponto de saber que nenhum abandonaria o outro nos momentos mais difíceis. Sasuke sentiu extrema inveja de Ino naquele momento. Esse era um sentimento ao qual não estava acostumado, raramente sentia inveja de alguém. Mas essa relação tão complexa e pura entre a loira e o ruivo o fizeram perceber como ele e Sakura estavam para trás nisso, e talvez nunca conseguissem avançar. E por isso não soube o que dizer quando Ino lhe disse que Sakura temia que essa mesma situação acontecesse com ela.
– Acho que ela não gosta tanto assim de mim para temer isso, Ino. – foi a única coisa que conseguiu dizer depois de um longo período em silêncio.
– Você acha? – Sasuke não sabia se era uma pergunta honesta, se Ino estava zombando dele ou se era alguma charada. Mas antes de conseguir responder, ela continuou – Eu só espero que vocês sejam mais espertos do que eu e Gaara fomos. Vocês merecem ser felizes. Você e Sakura. Assim como eu e Gaara. – ainda sem saber o que dizer, Sasuke achou melhor desviar levemente o assunto.
– E tem certeza de que Sakura não pode te ajudar? Eu sei que ela gostaria disso.
– Não quero arriscar, para o próprio bem dela. E não há muito o que ela possa fazer de dentro da Base. Como eu disse, minha única esperança está em me esconder enquanto eles procuram por rastros inexistentes. Por isso, Sasuke, você tem que me prometer, jurar, que não irá contar nada à Sakura. Não sei se vocês continuam se comunicando de alguma forma, mas por favor, não conte a ela nada sobre meu plano. Planejo me despedir dela do meu jeito e não quero arriscar nada.
Sasuke hesitou antes de responder, pensando que Sakura tinha o direito de saber que sua melhor amiga ficaria em segurança (ele esperava) na casa dele. Afinal, se o pior acontecesse, Sasuke não conseguiria fazer nada por Ino, e Sakura seria de grande ajuda. Mas achou melhor fazer como a loira dizia no momento. Sentia que Ino estava desesperada demais para aceitar alguma sugestão fora de seus próprios planos.
– Tudo bem. – após mais um breve silêncio na linha, Ino sentiu que era mais seguro terminar por aquele dia.
– Então mais uma vez, muito obrigada, Sasuke. Você não sabe o quanto irá nos ajudar, e eu espero te compensar de maneira apropriada depois.
– Não se preocupe com isso, você merece ser feliz. – dizer aquelas palavras fora estranho, e Sasuke já estava começando a se arrepender de ter aceitado se tornar cúmplice de um plano tão arriscado.
– Você também merece. Só tenha cuidado. E quanto ao resto do plano, vou entrar em contato com você de novo para te dar os detalhes. Desculpe por causar tantos problemas, mas você realmente é a única esperança que consigo enxergar.
– Sem problemas, Ino. Vou aguardar sua próxima ligação.
– Até mais, Sasuke.
– Até, loira.
Sasuke desligou o celular e suspirou longamente. No que ele havia acabado de se meter? Além de concordar em lidar com os problemas de Ino, essa conversa com a loira havia lhe despertado várias memórias e sentimentos, alguns que ele não queria admitir, outros que dormiam profundamente e que ele nunca esperou acordar. Amor e confiança eram palavras tão simples, mas com significados tão assustadores. Ao mesmo tempo em que eram sentimentos superestimados, também eram subestimados. Essas duas sensações faziam pessoas felizes e miseráveis. E quando se tratava de Sakura, tudo ficava ainda mais complicado. Sasuke não conseguia entende-la e não conseguia entender completamente seus sentimentos por ela. Depois daquela última ligação, não haviam se falado mais, e o trabalho começou a exigir bem mais de si do que ele imaginou possível. Itachi e Konan não haviam voltado da lua de mel, e seu pai estava começando a pressioná-lo em relação a seu futuro profissional e social. “Quando você pretende se casar?”, “Precisa de mais responsabilidade para assumir uma das filiais”, “Precisa mostrar que merece ter o sobrenome Uchiha”, “Precisa deixar descendentes”, essas e outras cobranças e insinuações pesavam em sua mente. Se Itachi não tivesse se casado agora, talvez sua família não estivesse tão chata em pressioná-lo a seguir logo os passos do irmão. Mas agora ele estava estressado. Sentia falta de sua vida de antes, despreocupada e irresponsável. E sentia falta de Sakura. Sentia muita falta de Sakura. Nos dias anteriores, estava com tanto trabalho e preocupação que conseguia esquecê-la por algumas horas, mas depois dessa conversa com Ino, a rosada não queria sair de sua mente. Ele precisava vê-la. Não sabia o que faria caso a encontrasse, nem o que diria, mas precisava vê-la. A saudade é um sentimento muito engraçado. Doloroso, e ao mesmo tempo, aconchegante. Sasuke queria vê-la. Mas saber que isso poderia levar muito tempo para acontecer, se é que fosse acontecer, doía. E ele não estava acostumado com esse tipo de dor.
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Terminada a ligação, Ino rapidamente esgueirou-se pelos corredores e voltou ao seu quarto. Estava muito mais aliviada agora que Sasuke concordara em ajudar. Seria difícil omitir tudo isso de Sakura, Hinata, TenTen e Temari, mas ela já havia colocado em ordem as prioridades de sua vida, e Gaara vinha em primeiro lugar. O ruivo havia feito o mesmo com ela, e escolheu abandonar sua terra natal e família, amigos, para ficar com ela. Isso deveria estar sendo tão difícil para ele quanto para ela. Mas já haviam escolhido, e não estavam dispostos a voltar atrás. Muitas coisas poderiam dar errado no meio do caminho – alguém poderia descobrir suas conversas com Sasuke, Gaara também poderia ser pego – mas estavam determinados a arriscar tudo. Ino sabia que valeria a pena.
Agora ela só precisava planejar a fuga com todo o cuidado possível. Se ela e o ruivo desaparecessem ao mesmo tempo, suas amigas, principalmente Temari, iriam suspeitar, e a meia-irmã de seu amado não hesitaria em contar a verdade à Tsunade. Para que isso desse certo, eles precisariam garantir que ninguém conectasse seus desaparecimentos.
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Um mês depois – Setembro – Sakura’s POV
Como eu imaginei, Tsunade informou a todas sobre a fuga de Ino, e parecia muito determinada a encontra-la. Segundo ela, Ino estava “mentalmente frágil, por isso não podemos permitir que ela fique sozinha mundo afora”. Eu sei que havia uma parcela de genuína preocupação, mas Tsunade também estava pensando em si mesma e nos problemas que a fuga de Ino iria causar para a Organização e consequentemente, para ela. Por isso, todas as missões de pequena e média urgência haviam sido adiadas, e um time com Wings mais experientes foi formado. Shikamaru também foi chamado para ajudar nas estratégias de captura (o que era um grande problema, porque Shikamaru conseguia cheirar todas as pistas e encontrar mentiras e omissões nos rostos de cada uma de nós) e nós, amigas íntimas de Ino, fomos deixadas de fora da missão de “resgate” devido aos sentimentos pessoais conflituosos, e chamadas para conversar em particular com Tsunade, como eu também havia previsto.
Para meu alívio, Tsunade não fez nenhuma pergunta perigosa. Apenas como nos sentíamos em relação ao que havia acontecido e se havíamos notado algo de estranho no comportamento, estado mental ou saúde de Ino nos dias anteriores à sua fuga. No entanto, voltando ao dormitório juntas, eu conseguia perceber que minhas amigas estavam muito incomodadas, e depois de um tempo, Hinata não conseguiu mais se segurar:
– Meninas, vocês não acham que... Ino seria capaz de fazer alguma loucura, acham?
– Acho. É bem a cara da Ino, fazer o que dá na telha, se revoltar e rodar a baiana. Por isso estou muito preocupada, para dizer a verdade. Ela não estava nada bem em todos esses dias. – TenTen expressou sua opinião.
– Como Tsunade bem disse, precisamos nos concentrar em encontra-la e impedir que ela faça algo maléfico a si mesma. Precisamos ajuda-la. – Temari entrou na conversa, e naquele momento senti a raiva me inundando. Talvez Ino tivesse sofrido menos se Temari, a irmã de seu amado, tivesse ficado ao seu lado.
– Sim, mas... Tema, você não acha que... – TenTen abaixou a voz e olhou ao redor, certificando-se que ninguém ouviria – ...não acha que Ino pode ter ido atrás de Gaara, acha? – involuntariamente prendi a respiração. Eu sabia que elas iriam suspeitar disso alguma hora. Temari pareceu preocupada com a colocação de TenTen.
– Acho que é possível, afinal, estamos falando de Ino. Mas ela me prometeu terminar a relação com ele, e Gaara também me garantiu que iria parar de contatá-la. Ele até me disse em uma de suas cartas que nosso pai estava tentando arranjar seu casamento. Se Ino realmente foi tão imprudente a ponto de pensar que fugindo conseguiria ficar com Gaara, ela vai sofrer uma grande desilusão. Por isso mesmo precisamos encontra-la.
Uau, elas incrivelmente não pensaram na possibilidade de Ino e Gaara terem planejado isso juntos. Mas Temari parecia colocar muita confiança nas cartas que Gaara lhe enviava. Acho que ela ficaria desapontada se descobrisse que ele esteve mentindo para ela. Bom, isso se de fato Gaara estivesse mentindo. Temari poderia estar certa e Ino talvez só estivesse desequilibrada mentalmente, mas se eu conheço bem minha amiga, diria que isso faz parte de seu plano. Ela sabia que eu e as meninas ligaríamos sua fuga com Gaara, e deve ter planejado de tal modo que Temari pensasse que Gaara não estava com ela. Ou era nisso que eu queria acreditar. E justamente acreditando nisso e na carta de minha amiga, me determinei a fazer de tudo para atrapalhar as buscas por sua cabeça.
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Uma semana depois – segunda semana de setembro – Sasuke’s POV
Ouvi a campainha tocando e me coloquei em alerta. Eu já estava esperando por aquilo, mas mesmo assim não consegui conter minha preocupação. Ouvi passos descendo as escadas, e uma mulher alta, bonita e loira andava apressada. Sua ansiedade se mostrava em cada gesto de seu corpo. Quase trombei com ela no hall de entrada, e pedi que se acalmasse.
– É melhor eu atender. Você não pode ser vista, lembra?
– Ah, sim. É mesmo. – ela parecia um tanto desnorteada, como se temesse pelo pior tanto quanto eu.
Ino estava escondida em minha casa há uma semana. Ela conseguira escapar da prisão de Tsunade e chegar aqui com segurança, e estávamos esperando seu... amante chegar por todo esse tempo. E ele parecia já estar aqui. Fui atendê-lo rapidamente. Ele estava usando um agasalho que cobria seus cabelos ruivos, trazendo somente uma mala consigo. Uma vez dentro de casa, Ino e Gaara se abraçaram tão forte que me surpreendi por um não ter quebrado os ossos do outro.
A primeira parte do plano havia sido um sucesso.
Mas a parte mais difícil começaria agora: a espera interminável por uma chance de finalmente poderem se sentir seguros para saírem e trilharem o próprio caminho. E eu sentia que muita coisa iria acontecer antes que eles pudessem fazer isso.
The traces of blood always follow you home
Like the mascara tears from your getaway
You're walking with blisters and running with shears
So unholy
Sister of grace
Os traços de sangue sempre te seguem até em casa
Como as lágrimas de maquiagem da sua fuga
Você está andando com bolhas e correndo com tesouras
Tão profana
Irmã da graça
Green Day – Viva la Gloria? (Little girl)
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