Broken Wing - Aprendendo A Voar

37 Capítulo 37 - A Manhã Seguinte


Notas iniciais
Olá, consegui postar sem atrasos hehe. Mais nas notas finais, boa leitura :)

E nossos gemidos eram a canção mais maravilhosa naquela noite de verão.

Sakura’s POV

Acordei com uma brisa fresca soprando dentro do quarto. A cama era macia, e a sensação de uma noite bem dormida era maravilhosa. Abri os olhos lentamente, me espreguiçando na cama confortável. Eu estava exatamente no meio dela, com meus braços abertos e uma de minhas pernas dobradas. Eu estava nua.

A cama estava toda desarrumada, a fronha do colchão toda enrugada e os travesseiros, amarrotados. Um fino lençol me cobria até o umbigo. Levantei-me devagar, ainda sonolenta. Passei a mãos por meus cabelos e soltei um gemido de tristeza. Estavam rebeldes e embaraçados. Olhei pelo quarto, procurando um relógio, e o encontrei em um criado-mudo. Nove da manhã. Cedo. Joguei-me para trás na cama, caindo no colchão macio, sorrindo involuntariamente. Memórias da noite passada começaram a surgir em minha cabeça. Sorri mais ainda. Não queria sair dali.

Sasuke não estava no quarto e a porta estava encostada. Levantei-me novamente e fui ao banheiro de sua suíte. Fiz xixi e espero que ele não se importe de eu ter usado o chuveiro para uma rápida ducha, na qual molhei meus cabelos também. Estavam em um estado lastimável, e depois da noite passada, precisava eliminar o resto dos fluídos dele de meu corpo. Terminei a ducha, usei sua toalha para me enxugar e fui a pia, com um espelho médio em cima, procurando um pente. Ele tinha que ter um. Encontrei e comecei a pentear meus cabelos molhados e compridos, desembaraçando-os e tirando o excesso de umidade.

Voltei ao quarto, nua novamente. Onde estavam minhas roupas? Encontrei minha blusa jogada em um canto, toda amarrotada. Droga, eu teria que viajar com ela hoje, precisava dar um jeito. Encontrei meu short jeans em um estado parecido, assim como meu conjunto vermelho de lingerie. Vesti só a calcinha, pois o sutiã estava com uma das partes amassada. Sasuke devia ter mais cuidado ao tirar minhas roupas. Encontrei as roupas dele jogadas também, nem guarda-las ele sabia? Arrumei a cama e coloquei a calça jeans desbotada e dobrada em cima, assim como sua camisa azul marinho, que nem de longe estava tão amassada como a minha. Pensei por um momento e conlcuí que não era uma má ideia vestí-la. Confortável, macia, descia até esconder minha calcinha (mesmo por um triz) e tinha um cheiro delicioso de perfume amadeirado, misturado com o cheiro natural dele. Uma essência dele.

Deliciei-me com o cheiro, abrindo a porta do quarto, e descalça, descendo as escadas, procurando-o pela casa, até que ouvi sua voz vinda da copa.

– Não mãe, não preciso de ajuda. Tenho. Não, eu já sei o que comprar. Tudo bem. Avise ao papai que hoje eu envio o relatório de despesas do último trimestre. Tchau.

Entrei timidamente no cômodo, observando-o sentado em uma mesa a massagear a ponte do nariz de olhos fechados, como se estivesse tentando se desestressar. Ele abriu os olhos e imediatamente me viu ali, parada. Ele era tão lindo de manhã como era a noite. Seus cabelos rebeldes e seus olhos sonolentos deixavam-no inocente. Ele vestia uma camisa branca e uma bermuda de malha velha. Pude ver nitidamente em seu pescoço várias marcas roxas dos meus chupões ontem a noite. Sorri por dentro. Ao cair em mim, seu olhar estava surpreso, e depois ficou divertido. Me senti envergonhada, eu não devia estar decente com a camisa dele.

– Eu só estava pensando se... não poderia lavar minhas roupas porque hoje eu vou viajar com elas e... amarrotadas é um eufemismo para definir o estado delas. – tentei sorrir, levantando a blusa e o short, mais amassados agora em minhas mãos. Ele ainda me olhava sem dizer nada. – Eu coloquei sua camisa porque ela estava lá e... bem, minhas roupas estão amassadas e eu... – eu estava embaraçada com aquilo, droga. – Pode me deixar lavá-las, por favor? – terminei a frase tentando não me exaltar.

Sasuke sorriu e apontou na direção da porta dos fundos. Segui e encontrei uma máquina de lavar, e algumas roupas secando em um suporte na área descoberta que se conectava a garagem. Dava dó gastar água só por causa de duas peças de roupa, mas eu não queria o moreno caçoando de mim por lavá-las no tanque, a mão. Enfiei-as na máquina e coloquei na lavagem rápida, com a mínima quantidade de água. Voltei à cozinha e me coloquei ao seu lado.

– Obrigada. – falei baixo e notei que ele me encarava da cabeça aos pés com uma expressão curiosa, focando-se principalmente em minhas coxas nuas. Senti-me desconfortável e estiquei um pouco sua blusa. – Pare de olhar.

– Senta. – sentei-me na mesa e ele se servia de um pouco de café enquanto lia alguma notícia no grande jornal, ocupando metade da mesa. – Não vai comer? – ele me olhou com a mesma expressão, e eu, retardada, peguei um pão bobamente e comecei a passar manteiga, servindo-me de suco.

Sasuke fechou o jornal com desinteresse e voltou a me olhar.

– Já disse para parar de olhar. Acabei de colocar minhas roupas para lavar. – ele abriu um sorriso suspeito.

– Você fica bem com uma peça só. – fiz-lhe uma careta.

– Duas peças. Estou de calcinha. – provavelmente eu devia ter ficado quieta em relação a isso. Sasuke bebeu seu café, e eu mordi meu pão. Ele ainda me olhava, e eu atingi meu limite.

– Olha, se você quiser, eu tiro sua roupa encardida. – olhei-o ameaçadora.

– Não tem problema. Ficou bem em você. – fiz a cara mais assassina que consegui e ele desviou o olhar. Idiota. Não acredito que essa criatura me proporcionou três orgasmos ontem a noite. – Posso pedir um conselho?

Olhei-o surpresa. O que ele queria agora?

– Conselho? – tomei um gole de suco.

– Itachi vai se casar daqui a duas semanas e eu não comprei nada. Não sei o que dar de presente para o estúpido e a noiva dele.

– E por que acha que eu vou te ajudar? – falei divertida, e ele me olhou surpreso. Tanto que comecei a rir. – Calma, presentes de casamento não são difíceis.

– Eu sei que meus pais vão dar um jogo de chá de alguma porcelana cara e meus tios vão dar um conjunto de castiçais.

– Dê algo tradicional, tipo uma geladeira. – ele resmungou.

– Não quero dar uma geladeira. – suspirei e revirei os olhos. Exigente.

– O que você gostaria de ganhar se fosse se casar?

Se eu fosse me casar... não sei. – Sasuke parecia mais perdido do que cego em tiroteio. Achei esse fato divertido.

– Dê algo para ele se divertir com a esposa.

– Acho que não vai pegar bem um presente do sex shop. – ele me olhou e eu tentei ignorar o que ele disse.

– Não estou falando disso, tonto. Deixa eu pensar... – percorri os olhos pela cozinha de Sasuke, tentando pensar em algo. – Uma televisão ou um aparelho de som completo, um home theater...

– Ei, é uma boa ideia. – havia brilho em seus olhos escuros. – Mas é caro...

– Sim, como se você fosse pobre. – ironizei e terminei meu suco.

– Calada, Haruno. Sim, vou adotar sua ideia.

– Vou cobrar da próxima vez. – ele se levantou, recolhendo a louça da mesa.

– Vai comer mais?

– Não. Quer ajuda para lavar a louça?

– Pode ser. – levantei-me e me coloquei ao seu lado. Ele lavava e eu enxugava, mas na segunda vez que notei seu olhar em minhas pernas de novo, ameacei jogar o prato recém-seco em sua cabeça.

– Desculpe. – ele disse rindo.

– Posso ficar aqui até minhas roupas secarem?

– Você planejava ir para onde de calcinha e com a minha blusa? – suspirei com raiva enquanto secava os últimos talheres. – Eu preciso verificar uns documentos da empresa agora, mas fique a vontade. – ele disse lançando-me um último olhar e indo ao escritório.

Suspirei ali, na cozinha. Passei pelo corredor e percebi que algo vibrava em cima do aparador. Era meu celular, nem me lembrava do coitado. Era Ino. Atendi, indo até a sala.

– Fala, porquinha.

– Sakurita, eu te ligo toda feliz e é assim que você me recebe? – dei uma leve risada, sentando em um dos sofás.

– Aconteceu algo?

– Bem, eu queria saber que horas você vai chegar na base. É aniversário da Lizzie, vai ter festinha.

– Oh. – Lizzie era uma Wing que havia acabado de receber o título, ou seja, não era mais aprendiz. Tsunade estava muito contente com o desempenho dela nas missões de invasão. – Acredito que estarei aí no fim da tarde.

– Bem, não se atrase muito. Você passou a noite na cidade da sua última missão?

– Sim, a renovação do contrato demorou mais do que pensei – aquela parte era verdade. – Não queria dirigir de noite e resolvi ficar.

– E por que você já não está voltando? – a voz dela era suspeita.

– Ah, minhas roupas sujaram. Vou lavá-las e quando elas secarem, já volto à estrada. – não era totalmente mentira, era 90% verdade.

– Testuda, eu sempre te digo para levar roupas extras nessas missões.

– Tá, não vai acontecer de novo, porquinha.

– Certo. – percebi um tom diferente na voz de Ino.

– Ei, aconteceu alguma coisa?

– Ah, não. Na verdade não aconteceu nada. – eu sabia o que ela queria dizer. Aquilo poderia ser um problema.

– Há quanto tempo você está atrasada, Ino?

– Duas semanas. – a voz dela mostrava uma preocupação abafada.

– Certo, acalme-se. Isso já aconteceu antes, não é?

– Sim, Sakura, mas não chegou a duas semanas! – Ino estava nervosa.

– Mas ainda é muito cedo para tirar qualquer conclusão, Ino! Pode ser o estresse, alguma infecção, troca de anticoncepcional...

– Mas e se não for, Sakura? Tenho certeza que não é infecção e é verdade que nesses dias eu estive muito estressada, mas nunca chegou a atrasar tanto assim! – Ino estava agora desesperada. Eu tinha que ajudar minha amiga, mas não podia fazer muita coisa agora.

– Ei, não adianta você ficar nervosa, certo? Vou passar na farmácia e comprar alguns testes para você. Até lá, tente não parecer tão nervosa na frente de Tsunade, Shizune e Kurenai. Ainda é muito cedo para tirar alguma conclusão.

– Certo. – Ino murmurava nervosa. – Obrigada, testuda. Vou desligar.

Afastei o celular da orelha e dei um longo suspiro. Se Ino estivesse mesmo grávida, isso poderia trazer uma série de problemas, e é claro que havia uma história muito mal contada aí, pois ela não me disse quem poderia ser o pai. Mas ainda era muito cedo para qualquer conclusão, e no momento eu não queria estressar minha amiga com perguntas demais. Ainda estava convencida de que tudo não passava de um mal entendido. Menstruações atrasavam por vários motivos, não somente gravidez.

Liguei a televisão e fiquei mudando de canal. Passei por um desenho animado, por um jornal, por um filme, por uma série e por um reality show. Voltei ao filme, que tinha acabado de começar. Abracei uma almofada e comecei a assistir, sem prestar atenção. Sasuke saiu do escritório e me encontrou na sala. O olhar dele estava diferente, de alguma forma.

– Ei, sabe o que eu comecei a pensar agora? – o tom de voz dele estava estranho. Franzi o cenho.

– O que?

– Nós não usamos proteção ontem. – oh Deus, ele havia ouvido o pouco de minha conversa com Ino e havia entendido tudo? Dei um longo suspiro.

– A não ser que você tenha DST, Sasuke, não tem com o que se preocupar. – falei irônica.

– Não tenho, e estou falando sério, Sakura. – revirei os olhos.

– É falta de educação ouvir a conversa dos outros, sabia? Mesmo por telefone.

– Não tenho culpa. O escritório é perto da sala e a porta estava aberta. – bufei e voltei meu olhar ao filme. Ele se sentou ao meu lado.

– Você tem que fingir que não ouviu minha conversa com Ino. – falei simplesmente.

– Ela está mesmo grávida?

– Não, é muito cedo para tirar alguma conclusão. Por isso você tem que ficar de boca fechada. – olhei para ele, séria.

– E para quem eu iria contar? – ele respondeu em tom defensivo. – Se com Ino pode acontecer, por que com você não pode? Não usamos proteção.

– Você já disse isso, criatura. – olhei-o, nervosa. Como ele era chato. – Eu tomo pílula, não precisa se preocupar.

– Bem, ao que parece, Ino também tomava.

– Sasuke, quando eu digo que não houve chance de você me engravidar ontem a noite, simplesmente acredite.

– Mas...

– Mas nada, criatura. Eu não estou em período fértil. Entendeu ou preciso desenhar para você? – ele ergueu as mãos, vencido.

– Certo, não se estresse.

– É só que Ino está realmente preocupada. – me vi desabafando para ele.

– Isso já aconteceu antes?

– Não com ela nem ninguém de quem sou muito próxima. Mas já aconteceu com outras. – joguei a cabeça para trás, lembrando-me daquelas vezes.

Não era permitido a nenhuma Wing se casar. Portanto, naturalmente também não era permitido a nenhuma delas engravidar. Quando isso acontecia, Tsunade sempre perdia o controle. Foram poucas vezes que vi essa situação, mas em todas ela ficou puta da vida. Geralmente colocava a culpa nas próprias Wings. Bem, em alguns casos poderia até ser. Havia algumas recrutas que gostavam de dar “escapadinhas” como estou fazendo com Sasuke agora (ai Deus, não é hora de pensar nisso) e acabavam engravidando. Na maioria dos casos, a culpa era colocada no preservativo que falhou. Algumas das Wings engravidavam dos clientes.

Todas nós éramos obrigadas a tomar a pílula e usar camisinha; contávamos também com a ajuda do diafragma e do DIU algumas vezes, mas o obrigatório eram somente os dois primeiros. Tsunade não era piedosa. Essa era provavelmente o lado mais inumano e cruel dela. Bem, quando alguma gravidez era descoberta, ela ordenava o aborto do feto. Shizune e outras Wings especialistas em medicina cuidavam dos casos, e a Wing era punida severamente. A maioria ficava com trauma depois do aborto e tinha de passar por tratamentos psicológicos. Outras escondiam pelo maior tempo que conseguissem, mas é claro que eram descobertas, e a mesma punição vinha de qualquer jeito, e esses casos eram os piores. Uma Wing chegou a morrer na cirurgia quando Tsunade ordenou o aborto de um feto de 5 meses, e a Wing já não era muito forte de saúde.

Lembro-me de um caso em particular de uma Wing que se recusou a fazer o aborto. Ela e Tsunade tiveram uma briga horrível. No fim, ela foi deserdada. Uma das únicas três mulheres deserdadas da organização até hoje. Tsunade lhe disse “Então vá viver com seu bebê longe daqui” e ela se foi. Nunca mais a vi.

As desculpas de Tsunade por ser tão rígida em relação a isso era que a gravidez impossibilitava a Wing de fazer missões por um longo tempo, e depois que o bebê nacesse, não havia o que fazer com ele, principalmente se fosse menino, fora as despesas trazidas por ele. Então a opção mais rápida que ela via para eliminar o problema antes que ele se desenvolvesse era cortar o mal pela raiz... se Ino estivesse mesmo grávida, não quero nem pensar em que...

– Sakura! – levantei minha cabeça de repente. Sasuke me chamava, e acho que havia me perdido em pensamentos.

– Desculpe, o que?

– Nada, você parecia preocupada.

– Bem, ela é minha amiga. Mas as chances ainda são pequenas.

– E não há perigo de você... – ele ainda insistia naquilo?

– Sasuke, se disser isso mais uma vez... – preparei o punho.

– Tudo bem, já entendi. Mas é certeza, não é? – olhei-o mortalmente e levantei-me do sofá.

– Vou checar minhas roupas. – como eu coloquei na lavagem rápida, a máquina já devia ter terminado.

Cheguei ao fundo e peguei minhas roupas, arrumando um local livre para deixa-las secando. O sol estava forte naquele dia, iriam secar rápido. Ótimo. Voltei à sala e Sasuke via televisão.

– Ei, preciso falar com você. – ao meu chamado, ele me olhou e desligou a TV.

– Fale. – fiquei de pé, de frente para ele, encarando-o sentado.

– Olha, eu sei o que aconteceu ontem a noite. – comecei falando – E aquilo não pode acontecer de novo. – falei com o tom mais sério que consegui.

– Certo. – foi a simples resposta dele.

– “Certo”? É só isso? Não vai tentar me convencer de que eu te amo, não vai tentar arrumar uma desculpa para me ver...?

– Não, eu entendo. – aquilo era muito estranho. O olhar de Sasuke era impenetrável e não havia segundas intenções em suas respostas. Por isso aquilo era estranho.

– Sasuke. Estou falando sério. – só para ter certeza.

– Eu também. Eu sei que isso pode dar problemas para você.

– Olha, se for por causa do que você ouviu de Ino...

– Não é por causa da suposta gravidez dela.

– Não repita isso.

– Certo. Não é por causa de Ino. Eu sabia desde ontem a noite.

– Então posso ir embora tranquila? – Sasuke riu.

– Sakura, está esperando que eu lhe peça para voltar? – ele respondeu, divertido. Corei.

– Não, idiota. É só para ter certeza de que você não me causará problemas de novo. – ele se levantou e se aproximou de mim. Muito perto.

– Não vou causar. Mas saiba que se você quiser voltar, estarei disponível. – arh, como ele me irritava.

– Não se preocupe quanto a isso.

– Isso é um “sim, eu voltarei algum dia”? – ele disse, sugestivo, rindo de canto.

– Só quando você estiver prestes a se casar. Vou voltar e ter uma longa conversa com sua pobre noiva. – respondi sarcástica, olhando-o com raiva. Ele riu.

– Sinto te decepcionar ou te alegrar, mas não prentedo ter uma noiva. Pelo menos enquanto não me obrigarem. – arqueei uma sobrancelha.

– Vai morrer sem ninguém para deixar sua herança? Quão mesquinho você é?

– Ah, não se preocupe. Meus primos e futuros sobrinhos podem ficar com minha herança. – dei de ombros e fiz menção de me afastar dele. Queria água. – Sakura. – virei-me ao seu chamado.

– O que foi agora?

– Obrigado. – estranhei aquelas palavras.

– Por que está me agradecendo? – ele sacudiu os ombros e revirou os olhos.

– Por... não sei. Por não ter me matado quando invadiu minha casa. – eu ri com aquela afirmação.

– Bem, obrigada por não guardar rancor de mim.

– Você sucumbindo à humildade e me agradecendo?

– Bem, aproveitando isso, desculpe por quase ter te matado naquela vez. – eu estava me sentindo bondosa e não estava mais tão hostil com Sasuke quanto eu costumava ser. Talvez sejam as consequências da noite passada, de nossa conversa e nossos momentos íntimos, ou talvez seja simplesmente o fato de sermos dois adultos tendo uma conversa adulta.

– Ei Sakura. – ele me chamou de novo. Eu realmente estava com sede. – Passe aqui de vez em quando.

– Mas eu acabei de falar que...

– Eu sei, eu entendo. Mas... – e ele me puxou pela cintura para um beijo.

Fiquei sem reagir por um tempo, espantada com sua repentina ação, mas por incrível que pareça, não resisti. Ele não estava possessivo nem agressivo, e foi um beijo bom. Profundo. Quase saudosista, apesar de isso não fazer muito sentido. Coloquei meus braços em volta de seu pescoço, e ele, em volta de minha cintura. A blusa azul marinho dele começou a subir por meu corpo. Eu estava me deixando levar, e aquilo não podia acontecer.

Empurrei-o para o sofá e ele me levou junto. Isso não pode acontecer de novo, não ficou satisfeita com ontem a noite, Sakura? Sim, fiquei. Mas parecia não ser o suficiente. Ele ficou por cima de mim no espaço apertado, e retirou sua blusa de mim, enquanto eu levantava a sua. Ele voltou a me beijar, mas algo o impediu de continuar.

– Isso não deveria estar acontecendo. – ele disse.

– Não. – concordei, e imediatamente puxei seus cabelos para frente, e recomeçamos o beijo. Abri o botão e o zíper de sua bermuda às cegas, enquanto ele abaixava minha calcinha.

Desceu os beijos por meu pescoço e eu arranhava suas costas, que já deviam estar vermelhas e marcadas da noite passada.

– Essa é a última vez. – falei ofegante.

– Por enquanto. – ele sussurrou, sorrindo. Tive de concordar com ele. Maldito.

Ele afastou minhas pernas e me penetrou. Gemi alto. Ele apoiou uma das mãos no braço do sofá onde minha cabeça também estava apoiada, e começou movimentos intensos e profundos. Mas o que era aquilo? Eu não podia estar fazendo aquilo. Minha amiga Ino estava passando por uma crise, eu tinha que voltar à base das Wings ainda hoje e tinha que me desligar completamente de Sasuke. E havia prometido há minutos que isso não poderia mais se repetir! Wings engravidaram desse jeito, meu pai amado, por que você é tão burra, estúpida, idiota, Sakura Haruno?

– Aaa... hmmm... hmmmm... – trinquei os dentes e tentei manter os lábios fechados, para tentar me conter. Sasuke não ajudava.

Sasuke começava agora a se movimentar circularmente dentro de mim, explorando minha intimidade, tocando nos meus pontos de prazer.

– Hmmm... aí não... hmmm... aí sim...

– O que você disse? – ele sussurrou ao meu ouvido, mordendo o lóbulo de minha orelha. Desgraçado.

Arranhei-o com a maior força possível, enquanto ele gemia. De dor ou de prazer, mas espero que seja de dor também. Ele não podia me fazer voltar com minhas palavras assim tão fácil.

Sasuke começou a alternar entre dois tipos de movimentos, penetrando-me repetidas vezes com força e de repente apenas se mexendo com todo o pênis em meu interior, e meus gemidos o seguiam.

– Ah! Ah! Ah! AAAh!

Ele apertou meio seio esquerdo enquanto aprofundava as estocadas, em um ritmo mais devagar, mas também mais intenso.

– Aaaaa... eu vou... – e pronto, quatro orgasmos em menos de 12 horas. Maravilhoso por um lado, preocupante por outro.

Sasuke deu mais algumas estocadas antes de eu sentir seu gozo dentro de mim de novo, e um gemido abafado chegou ao meu ouvido. Ele me deu um último beijo antes de sair de cima de mim e se vestir de novo. Tentei regular minha respiração de volta ao normal, e me cobri com sua camisa azul marinho que teve a sorte de não parar longe de mim.

– Sasuke, não pode ficar fazendo isso comigo quando bem entender. – falei nervosa. Ele não respondeu. – E não era você quem estava todo preocupado sobre proteção e gravidez minutos atrás? Da próxima vez que me agarrar desse jeito, vou te castrar.

– Você não resistiu.

– Não era motivo para você continuar. – ele arqueou uma sobrancelha. – Não torne isso mais difícil. – coloquei sua camisa e saí da sala nervosa.

Maldito, aquilo tinha que parar, eu prometi isso a mim mesma noite passada! Voltei aos fundos da casa dele. Minha roupa ainda estava um pouco molhada, e o jeans era mais difícil de secar. Merda. Ouvi passos, virei-me e ele estava parado na porta, me olhando. Estava sem camisa.

– Desculpe por aquilo. Eu só queria...

– Só não faça aquilo de novo. – cortei-o, seca. – Hoje eu volto para Konoha, ajudo minha amiga com o problema dela e vamos ficar um bom tempo sem nos ver.

– Não vem mesmo ao casamento?

– Não, vou estar de folga nesse dia. Não vamos nos encontrar tão cedo, Sasuke.

– Tarde é melhor do que nunca. – ele era impossível! Contei até 5 mentalmente para me impedir de xingá-lo. – O que está esperando aí?

– Não é óbvio? Minha roupa.

– Não está muito estressada para quem acabou de transar? – suspirei longamente. Eu devia ter aproveitado mais aqueles segundos.

– Já disse que aquilo não pode voltar a acontecer. Mesmo em segredo, como ontem. Não vou voltar aqui tão cedo.

– Mas vai voltar.

– Não prometo. Pare de me encher com isso. Você não tem que trabalhar hoje?

– É sábado, não tem reunião com nenhum sócio e o trabalho que tenho posso começar e acabar a tarde. Sua roupa não vai secar mais rápido mesmo se ficar olhando.

Lembrei-me que estava com sede. Fui até a cozinha passando por ele e bebi um cheio copo de água gelada. Sasuke me olhava.

– Desculpe por aquilo. – ele disse de repente.

– Não se desculpe. Só não faça de novo.

– Vou sentir sua falta. – me permiti sorrir brevemente.

– Quem sabe eu não passe aqui algum dia... – falei baixinho, mas ele escutou, e ouvi seu riso por trás de mim.

Fiquei na casa de Sasuke por mais algumas horas. Almocei qualquer coisa lá e minha roupa finalmente secou. Vesti-me e devolvi sua camiseta cheirosa e confortável.

– Obrigada. – estendi a peça de roupa a ele.

– Fique. – soltei um riso.

– Não, idiota. Se alguém achar, estou ferrada.

– Então não deixe ninguém achar. – ele sorriu maroto. Pensei por um momento. Não seria ruim manter aquela camiseta para mim, com o cheiro dele, que parecia não sair tão facilmente.

– Pode ser útil como um pijama ou uma roupa de TPM. – respondi sarcástica. – Tem certeza?

– Oh sim. De outro jeito, como poderia se lembrar de mim antes de dormir? – dei-lhe um tapa no braço e enrolei a camiseta, segurando-a com uma mão. Eu devia devolvê-la.

Peguei meu celular e mais algum pertence meu em sua casa e ele me acompanhou até o portão. Verifiquei se não havia gente na rua, mas antes de ir para o carro, me virei uma última vez para ele.

– Ontem a noite foi legal, eu realmente não sabia nada sobre você até fazer aquelas perguntas. – falei sinceramente. – Bom ver que tem mais em você do que aparenta. – sorri gentilmente e ele ficou me encarando.

– Sempre que precisar. – ele respondeu, e acho que não estava se referindo só às perguntas.

– Ah, e por favor, finja que não sabe sobre Ino.

– Não tenho ninguém para contar isso, Sakura. E mesmo que tivesse, não contaria.

– Obrigada. Bem, eu já vou. Até algum dia. Obrigada pela camisa.

– Até algum dia.

Andei rapidamente até meu carro, dando a partida sem olhar para trás. Tudo isso pode ter sido um erro, e posso ter agido por impulso, mas eu me sentia diferente. Diferente em relação a ele e em relação a mim. Não sei se isso era bom ou ruim, mas eu não me importaria em ficar um tempo sem descobrir. Agora eu tinha que me concentrar em outras coisas. Como por exemplo, no possível problema de Ino. Dirigi-me até o centro, entrei em alguma farmácia e comprei os testes de gravidez. Ino, é bom você me contar a história inteira depois.

How can I decide what's right

When you're clouding up my mind?

I can't win your losing fight

All the time

Do you see what we've done?

We're gonna make such fools of ourselves

Como posso decider o que é certo

Quando você está confundindo minha mente?

Não posso ganhar sua luta perdida

O tempo todo

Você vê o que fizemos?

Nós só vamos nos fazer de bobos

Paramore – Decode

Notas finais
Aviso! Só para evitar algum mal entendido que possa aparecer, o sexo nesse capítulo foi consensual. A Sakura ficou mais irritada consigo mesmo por ter se deixado levar. Bom carnaval para todos que gostam e pra todos que não gostam (como eu) também ^^ E até o próximo ^^