Broken Wing - Aprendendo A Voar

38 Capítulo 38 - Grávidas e Casamento - Parte I


Notas iniciais
Olá, como estão? Espero que gostem do capítulo, façam uma boa leitura ;)

Ino, é bom você me contar a história inteira depois.

Sasuke’s POV

Bem, era isso. Comprei aos noivos um home theater por ideia da Sakura, assim eles poderiam assistir filminhos românticos abraçados no sofá. Eca. Enfim, faltavam só alguns dias para o casamento de Itachi, o que significava uma loucura dentro e fora da mansão de meus pais. Reuniões e viagens da empresa foram canceladas, e ao invés disso eu tinha acumulado trabalho para não ter que trabalhar antes e depois da festa.

Arrumei uma roupa social para ir e consegui impedir minha mãe de cortar meu cabelo. Não, deixe do jeito que está. O cabelo de Itachi era mais comprido, e ela não tentou cortar o dele. “Mas o seu é arrepiado!” ela me disse, mas eu não quis ouvir. No meu cabelo ninguém tocava.

Fora isso, o mundo inteiro já sabia que o filho mais velho e herdeiro das empresas e das fortunas Uchiha iria se casar. Bem, sendo um jovem empresário de sucesso, e considerado bonito pelas mulheres, Itachi chamava muita atenção de jornalistas e fotógrafos, como se fosse um artista se casando. Itachi apareceu em revistas ao lado de Konan, deu na televisão, e Konoha inteira desejava uma feliz vida ao casal sempre que andavam na rua.

Eu tinha de admitir que algo daquilo era engraçado, pois Itachi odiava essa publicidade. Sempre com sua cara fechada e seus olhos cansados, sorria raramente para alguma foto e sempre respondia do jeito mais formal que conseguia. Konan pelo menos mostrava entusiasmo, e acho que foi a única namorada do meu irmão que eu já gostei.

– Falta só você, Sasuke! – ouvi minha mãe dizer enquanto jantávamos em família quatro noites antes do casamento. Engasguei com o vinho.

– Pois é, filho, seu irmão já está pronto para assumir verdadeiramente os negócios de nossa família e criar sua própria. – meu pai continuou. – Eu sei que talvez você não goste da ideia, mas apareça de vez em quando com uma namorada aqui. Logo será sua vez. – ele ergueu sua própria taça e minha mãe sorriu como se estivesse em um sonho.

Não mencionei que nunca pretendia me casar, não ali, em um jantar de família a poucos dias do casamento de meu irmão. Ao invés disso, só sorri e continuei comendo.

– E ainda tem os meus filhos, eles são pequenos, mas também mal posso esperar para que um dia se casem e me deem netinhos. – Madoka entrou na conversa, olhando para sua filha mais velha, Sayuri, de 13 anos.

– Eu li em um livro que uma família costumava casar primo com prima para manter a linhagem pura da família. – Sayuri falou. Eu raramente conversava com ela, mas ela era uma boa menina. – Se Sasuke não se casar em alguns anos, eu poderia me casar com ele.

A mesa rompeu em risadas e eu quis me afogar em meu vinho. Talvez ela não seja tão boa assim.

– Do jeito que Sasuke parece animado em se casar, quem sabe não façamos isso mesmo? – disse o imponente Fugaku Uchiha.

– Pai... –como ele poderia incentivar aquela menina desse jeito? Eu era 8 anos mais velho do que ela.

– Não se preocupe, Sasuke, Sayuri ainda é muito nova para namorar. – meu tio Yusuke lançou a ela um olhar suspeito.

– Eu tenho uma namorada! – Satoshi, irmão de Sayuri, de 10 anos, entrou na conversa de repente.

– Viu só, Sasuke? Até meu sobrinho tem uma namorada e você não! – minha mãe falou fingindo uma indignação, arrancando risadas de todos na mesa. Todo mundo ali estava animado demais. – E você é tão bonito, tão educado e trabalha tanto!

– Acho que o problema de Sasuke é outro, mamãe. – Itachi entrou na conversa, também divertido. Eu não estava com paciência.

– E qual é então, Itachi? – olhei para meu irmão ameaçador, mas ele só riu de mansinho e colocou mais vinho em sua taça.

– Digamos que Sasuke não gosta muito de compromisso.

– Ora, mas qual é o problema, querido? – minha mãe virou-se para mim. Eu tinha de falar alguma coisa ou ela ia me encher os piquás até o outro dia.

– Não gosto de ninguém no momento, mãe. – foi a única coisa em que consegui pensar, bebendo outro gole da bebida vermelha como sangue.

– Não precisa pressa, Mikoto – meu pai retomou a palavra, com um ar calmo e divertido. Ele devia estar mesmo orgulhoso de Itachi para estar até sorrindo. – Só não termine a vida como um solteirão, Sasuke.

– Konan, querida, posso terminar de encher sua taça? – minha tia Madoka perguntou, e Konan a olhou assustada.

– Não, obrigada, Madoka-san. Eu vou esvaziá-la primeiro. – a taça de Konan estava cheia até a metade, apesar de estarmos naquela mesa há uma hora, pelo menos.

– Mas você quase não bebeu, querida. – minha mãe pareceu notar também. – Algo não está de seu agrado ou você não está se sentindo bem?

– Não, estou ótima, Mikoto-san. Obrigada. – Konan respondeu sorrindo, mas a expressão de meu irmão estava diferente, ansiosa. Algo estava errado.

– Na verdade, mãe, pai, e todos aqui da família. – meu irmão começou a falar, e seu tom de voz estava sério e ansioso. – Eu e Konan temos um comunicado a fazer. Íamos esperar para depois do casamento, mas não vejo motivos para esconder isso de minha família.

– O que aconteceu, querido? – minha mãe estava preocupada e meu pai e tio olhavam para Itachi suspeitos. Aí vinha bomba. Coloquei os talheres em cima do prato e prestei atenção nos noivos.

Konan olhava para Itachi e parecia nervosa.

– Tem certeza, meu bem? – Konan murmurou.

– Sim, tenho. – Itachi se levantou. – Bem, nós descobrimos isso há alguns dias, e já que vamos nos casar não vejo problemas em contar. O fato é que Konan está grávida. – ele se sentou novamente.

Meu queixo caiu. A mesa entrou em silêncio. Todos olhando de Itachi para Konan e de Konan para Itachi. Não acreditei naquilo. Meu irmão todo certinho e responsável, engravidando a noiva antes do casamento? Isso era no mínimo divertido.

– De quanto tempo é a gravidez? – minha mãe perguntou baixo, o sorriso sumindo de seu rosto.

– Dois meses. – Konan respondeu, sorrindo envergonhada. Sua mão foi automaticamente à barriga.

– Bem, essa é certamente uma notícia e tanto. – meu pai pareceu ter recuperado a voz.

– A cegonha vai trazer? – Tomoyo, minha prima, filha mais nova de Yusuke, de 4 anos, perguntou animada.

– Sayuri-chan, por que você não pega seus três irmãozinhos e não vão brincar por aí? – Madoka falou baixo para Sayuri, que se levantou e levou as outras três crianças, incluindo Ken, de 7 anos, para algum outro cômodo da mansão, fechando a porta.

– Eu sei que isso foi repentino para vocês tanto quanto para nós – Itachi recomeçou – mas eu e Konan ficamos muito felizes com a notícia, e decidimos compartilhá-la com a família o quanto antes.

– Os pais dela já sabem? – Fugaku perguntou sério.

– Pretendemos contar amanhã, quando eles chegarem a Konoha.

– Meu filhinho – minha mãe começou – Não podia ter esperado mais um pouco? – o olhar dela ainda estava vago, como se não tivesse caído a ficha. Meu irmão lançou-lhe o olhar mais inocente que conseguiu. Eu não estava aguentando não rir – Mas mesmo assim, essa é uma notícia maravilhosa! – minha mãe terminou, voltando a sorrir – Meu filhinho mais velho, vai ser papai! – e agora havia lágrimas nos olhos dela.

– Certamente não esperávamos por essa, Itachi. – meu pai continuou – Mas também ficamos satisfeitos com a notícia. A família Uchiha vai aumentar com a chegada do novo herdeiro!

– Um brinde aos noivos! – minha mãe ergueu sua taça e todos fizemos o mesmo.

– Felicidade a vocês e ao bebê! – até Yusuke estava sorrindo, elevando sua taça. Konan estava vermelha de vergonha, mas estava sorrindo. Meu irmão a beijou timidamente nos lábios.

– Meu primeiro netinho! – lágrimas escorriam pelas bochechas de minha mãe. Incrível, tudo o que Itachi fazia era certo.

Mas de certa forma, não pude não ficar feliz por eles. Bem, se eles estavam felizes, o que eu poderia dizer? Certo, se fosse comigo, teria ficado desesperado, mas como era com o meu irmão, acho que eu também podia erguer uma taça e brindar o “futuro herdeiro” da família. Ou herdeira.

****

Sakura’s POV

Eu consolava Ino, que chorava compulsivamente em meu ombro. Estávamos em alta madrugada, no meu quarto. A noite estava quente, e meu quarto, abafado. Passava as mãos por seus longos cabelos loiros e batia de leve em suas costas, murmurando palavras vazias de ajuda.

– O que eu vou fazer, Sakura? – Ino chorava descontroladamente, molhando meus ombros.

– Calma, Ino, se você explicar à Tsunade-sama, ela vai entender...

Entender?! – ela desencostou de mim, com os olhos inchados e vermelhos, o nariz escorrendo. – Ela vai me mandar abortar! E serei punida por meses! – ela recomeçou a chorar mais alto, e eu a abracei forte.

Sim, os testes de gravidez de Ino confirmaram a suspeita. Ela fez um assim que cheguei à base depois de voltar de Konoha há quase duas semanas, e deu negativo. Fez outro três dias depois, e esse deu positivo. Fez todos os outros nos dias seguintes e todos deram positivo. A menstruação dela nunca veio, os seios já estavam um pouco inchados e ela tinha pequenas cólicas.

– Ino, Tsunade confia em você, ela sabe que isso não foi de propósito e que você tomou todas as medidas contraceptivas. – falei gentil. – Ela sabe que você nunca iria querer se desonrar.

– Mas Sakura! – ela olhou para mim, e seus olhos azuis estavam vermelhos. – Não importa se foi o espírito santo quem me engravidou, ela vai me fazer abortar! E todas as Wings irão saber! Vou ser motivo de fofocas, e ela vai querer saber quem é o pai! Ela não pode saber quem é, Sakura, nunca! – ela fazia aqueles apelos a mim, desesperada. Nem eu sabia quem era o pai, ela nunca me contou.

– Ino, acalme-se. – dei a ela um copo com calmante dissolvido em água. – Vamos resolver isso com calma. Tome água e respire fundo. Eu estou aqui com você. Você pode confiar em mim. Juntas nós vamos resolver isso.

Ino bebeu todo o líquido do copo e ficou sentada na cama, suspirando e fungando, enquanto se acalmava.

– Sakura... – ela voltou a falar – Eu não quero abortar. Não posso ficar com o bebê, mas também não quero abortar. Você já conversou com alguma das Wings que fez esse processo?

– Não... – falei timidamente.

– Eu já. Com a Eru. Sakura, ela me disse que é horrível. – Ino estava se exaltado de novo.

– Calma, Ino, tenho certeza que Shizune lhe dará anestesia e...

– Não é horrível por causa da dor! Mas você sabe como ela ficou depois daquilo! Você fica acordada durante todo o processo, até começar a sentir algo sair de você. E você está sozinha, não tem ninguém apertando sua mão lá. – ela apertou a minha, com lágrimas ainda saindo dos olhos. – E depois vem o peso na consciência: saber que tinha uma vida dentro de você e agora não tem mais; sentir que a vida que você nutria morreu dentro de você. Eru me disse que é um desespero silencioso. É um terror mental. Sakura, não me obrigue a fazer isso. – ela negava com a própria cabeça enquanto chorava. – Não quero ficar daquele jeito, como Eru! Você se lembra dela logo depois da operação? Ela não falava, não comia, o olhar dela estava morto do tanto que aquilo a abalou. Eu não quero ficar daquele jeito, Sakura, não quero! Por favor! – ela se curvou para mim, molhando meu lençol com suas lágrimas.

Não queria mais ver Ino chorando daquele jeito, mas eu não podia ignorar a realidade. Ino teria que enfrentar isso. Eu poderia parecer cruel agora, mas era melhor acabar com tudo do que ficar sofrendo por mais tempo.

– Ino. – chamei-a gentilmente, levantando sua cabeça e a encarando. – Eu sei que isso é difícil. Mas você confia em mim, não é?

– Sim, Sakura. Você é a única que sabe disso. Nem à Hinata eu contei!

– Certo, então você sabe que eu só quero te ajudar. – ela acenou com a cabeça. – Então para nós resolvermos o melhor jeito de lidar com isso, você vai ter que me contar como aconteceu, Ino. – ela fez uma cara assustada. – Eu não vou te julgar, mas preciso saber como tudo aconteceu!

Ela olhou para os lados, nervosa.

– Sakura, não me julgue, por favor! – ela implorou, e eu assenti com a cabeça.

– Foi algum cliente quem fez isso? – perguntei e ela assentiu timidamente. – Então não precisa se preocupar tanto, Tsunade sabe que preservativos falham, ela não será tão dura com você...

– Não é assim tão simples! – Ino começou a respirar profundamente, até que as lágrimas pararam de vir e ela se sentiu confortável o suficiente para me contar.

– É verdade que esse bebê é de alguém cuja família é nossa cliente. É uma família importante, rica, poderosa e influente. Eu entrei em contato várias vezes com essa família, e o conheci lá.

– Ino, qual é a família? – interroguei, séria.

– Eles moram no País do Vento. É a família dos Sabakus.

– Oh Ino... – aquilo era um problema. O líder da família dos Sabakus, governante do País do Vento, era casado, com filhos e tinha o triplo da idade de Ino. – Os Sabakus nunca te chamaram para esse tipo de missão, por que foi se envolver justo com o Senhor Feudal do...

– Não foi com ele. – ela falou rápido. Arregalei os olhos. – Foi com o filho dele.

– Oh Ino... como?

– Eu não sei, simplesmente aconteceu! Eu faço serviços de espionagem, escoltagem e entrega de documentos para os Sabakus desde que me tornei Wing. E nesses vários serviços, conheci o filho do Senhor Feudal. Gaara. – eu não acredito que ela havia feito isso. – Eu não quis que acontecesse! Mas nós ficamos amigos e...

– Foi só uma vez que isso aconteceu? – Ino olhou para baixo.

– Não... já faz uns dois anos.

Dois anos? E enquanto isso você me dava bronca por causa de Sasuke?

– Sakura, por favor! Você prometeu que não me julgaria! – ela me olhou piedosa e eu resolvi pegar mais leve com ela. Mas eu não podia acreditar!

Ino era uma das que sempre seguiam o código de conduta de não se apaixonar e não ter relacionamentos amorosos. Na época da missão de Meiko, ela ficou em cima de mim e de Sasuke nos proibindo de ter alguma relação, dizendo que isso era errado! E por que ela havia feito o mesmo com outro garoto? Não fazia sentido.

– Desculpe, continue.

– Nós ficamos amigos e um dia simplesmente aconteceu. Ele é gentil, educado, não é pretensioso, tem um bom trabalho e sempre ajudava outras pessoas. Eu não sei o que deu em mim, mas eu me vi atraída por ele! Um dia nós... fizemos. E eu jurei a mim mesma que isso nunca aconteceria de novo, não poderia acontecer! Mas começamos a marcar encontros às escondidas e eu não conseguia me libertar dele, ele me faz sentir bem, como nenhum outro homem já me fez sentir. Ele me fazia sentir desejada não só como um pedaço de carne, mas como uma mulher. Me fazia sentir amada. Nossas conversas eram sempre divertidas, filosóficas, cheias de conteúdo, bobo ou sério. Eu adorava passar o tempo com ele, eu não conseguia me desprender!

“Mas ele nunca me contatou para uma missão de sexo. Disse que não queria que eu ficasse com ele apenas por causa de um contrato, queria ficar comigo porque gostava de mim. E eu gostava dele. Gosto dele. Eu o desejava, não conseguia mais controlar. E apesar de sempre sermos cuidadosos, não adiantou dessa vez! Sakura, o que vou fazer?”

Aquilo era um problemão. O pai do bebê era de uma família com quem Tsunade tinha um contrato, e Ino estava tendo relações ilegais com ele. Se isso vazasse para qualquer um dos lados, seja de Tsunade ou dos Sabakus, a situação ia ficar horrível.

– Ino, acalme-se. Você não pode esconder isso por muito mais tempo.

– Mas se Tsunade souber o que fiz, vai me deserdar! Eu não tenho para onde ir!

– Calma, vamos pensar. Houve algum cliente com quem você se encontrou oficialmente antes ou depois de sua última noite com... Gaara? – Ino pareceu pensar um pouco.

– Sim, houve. Cinco dias antes de eu me encontrar com Gaara, o secretário do Senhor Feudal do País do Fogo pediu meus serviços.

– Bem, para amenizar sua situação, você podia dizer que o filho é dele! E como você tem certeza se não é dele mesmo?

– Eu tomei a pílula do dia seguinte depois da noite com ele, e também usamos camisinha.

– Ele viu você tomando a pílula?

– Não.

– Certo. Se Tsunade pensar que o filho é dele, você não será punida.

– Mas...

– Ino, é melhor do que causar um escândalo com outra família e cliente nossa cujo filho você sai às escondidas. Tsunade terá que saber dessa gravidez, você não pode esconder por muito tempo nem tentar um aborto por conta própria, é perigoso.

– Mas eu não quero abortar, não me faça abortar!

– Ei, ei, tenho certeza de que Shizune tornará o procedimento o mais confortável possível para você. E eu estarei lá, segurando sua mão. Você não vai ficar sozinha.

Ino pareceu se acalmar, enxugando as últimas lágrimas e me abraçando. Minha amiga merecia uma bronca por ter violado as regras, encontrando-se com o filho de um dos clientes mais importantes de Tsunade às escondidas. Mas não seria eu quem iria julgá-la. Eu não podia julgá-la, pois fiz a mesma coisa com Sasuke. E Ino parecia realmente amar Gaara. Comecei a me lembrar de quando ela me disse para terminar minha relação com o Uchiha, sempre sendo gentil. Parecia que uma parte dela queria que nos reconciliássemos, e a outra parte parecia querer que terminássemos a relação.

Nessa época ela já mantinha seu relacionamento secreto há muito tempo. Será que estava preocupada em me ver sentir por Sasuke o mesmo que ela sentia por Gaara e não poder mais resistir ao sentimento de amor? Poderia ela ter pensado em Gaara e em si mesma enquanto me via junto com Sasuke? Ela via o começo de sua própria relação com o ruivo dos Sabakus no modo como eu e Sasuke agíamos? Ela me mandou terminar a relação com ele para que eu não acabasse me apaixonando de verdade, como ela?

Pode ser. Mas no momento eu não estava aqui para questionar isso. Não podia brigar com Ino ou julgá-la. Eu apenas iria ajuda-la a passar por isso. A revelação, o aborto, a punição que viesse de Tsunade.

– Sakura. – olhei para ela, que já não chorava mais. – Eu ainda preciso de um tempo para contar a verdade à Tsunade. Eu sei que devo contar e irei, só me dê mais um tempo. E obrigada por ficar ao meu lado.

Sorri gentilmente e a abracei. Não tinha mais palavras para dizer a ela, apenas a embalei e a deixei dormir ao meu lado. Oh Ino, de todas as outras, justo você foi se apaixonar por quem não devia? Será que isso aconteceria comigo também? Sasuke, o que você faria se descobrisse algo assim sobre mim? E o que você estaria fazendo agora, a essa hora da noite? O casamento de seu irmão seria daqui a alguns dias. Você decidiu qual presente comprar? Será que está pensando em mim, assim como eu estou pensando em você?

****

Era cedo naquela manhã, mas Tsunade me chamou em sua sala do mesmo jeito. Depois de uma noite mal dormida preocupada com Ino e sua gravidez indesejada, eu precisava descansar. Bati três vezes na porta e a voz de Tsunade me mandou entrar. Ela analisava alguns documentos, sempre com seu copo de sakê à mão.

– Bom dia, Sakura. Como está?

– Bem, Tsunade-sama. E a senhora?

– Normal. Sente-se.

Sentei-me e aguardei cinco minutos enquanto ela carimbava papéis e fazia últimas anotações sobre alguma missão.

– Dormiu bem, Sakura? Você parece cansada. – Ino me fez prometer não contar nada a ninguém, pois ela o faria assim que estivesse pronta.

– Ah, só fui dormir um pouco tarde. Está tudo bem. – Tsunade bebeu de seu copo.

– Bem, eu te chamei aqui por um motivo. Sei que você está de folga, mas... eu agradeceria muito se me ajudasse em uma missão. – oh não, uma missão era o que eu menos precisava agora.

– Tudo bem.

– Não será nada cansativo, não se preocupe, e você ainda poderá ficar com suas amigas. Bem, você sabe que Itachi Uchiha vai se casar daqui a alguns dias, e a família entrou em contato conosco no último mês requerindo nossos serviços. Eles contraram uns poucos seguranças, mas como Fugaku Uchiha teme pela segurança da família uma vez que a cerimônia será realizada em sua própria casa, com fotógrafos, jornalistas, convidados importantes e até cobertura do jornal local para ser transmitida ao vivo na televisão, ele pediu nossa ajuda também.

– Sim, eu me lembro. – tomara que isso não dê onde eu pensava que daria. – Eles querem algumas Wings para avaliar a festa, ver se tudo está em ordem e se não há nenhum penetra ou alguém que ameace estragar o dia, e ao mesmo tempo não querem que a mídia saiba desse passo cauteloso.

– Sim, isso mesmo. A lista de Wings para trabalhar nesse dia estava pronta, mas houve dois imprevistos. Mahou recebeu um pedido de um cliente também muito importante e eu a transferi para essa nova missão; e Julie pegou alguma ifnecção depois da missão no País dos Redemoinhos. E já que a família Uchiha já pagou por tudo, não podemos enviar duas Wings a menos do que prometemos. – Tsunade me olhou, eu já suspeitava.

– Posso perguntar por que eu, Tsunade-sama?

– Bem, primeiro porque você já conhece a mansão e também já tem uma certa concordância com os membros da família. E depois porque essa é uma ótima chance para você compensar pelo deslize da outra missão, não é?

– Sim, Tsunade-sama.

– Sei que anunciei de repente e que você está de folga, Sakura, mas não poderia fazer essa missão para mim? Será recompensada quando voltar. Também pretendo colocar Ino para a outra substituição, o que acha?

– Acho ótimo, Tsunade-sama. – tentei sorrir. Era só o que me faltava, encontrar aquele moreno de novo! Ele não me dava sossego!

– Por falar em Ino, notei que ela está um pouco desanimada esses dias. Soube de algo? – opa. Não sei de nada. Não sei de nada.

– Deve ser o cansaço. – falei distraidamente, e tentei mudar de assunto. – Poderia me passar a lista das outras Wings que irão comigo e com Ino à mansão?

– Oh sim, claro. Aqui está. – Tsunade me estendeu um papel e eu li os nomes, sentindo alívio, pois além de Ino, Hinata, Ten Ten e Temari também iriam. Pelo menos Ino estaria em boa companhia.

Doze Wings em uma festa enorme de casamento. Daria para observar bem o perímetro e nem seríamos notadas. Além disso, eu estaria com Ino, Hinata, Ten Ten e Temari. Poderíamos nos divertir no meio daquela gente.

– A festa é daqui a quatro dias, você tem folga até lá. Partirão daqui na manhã da festa e chegarão como convidadas. Tenho certeza que o vestido de Julie servirá em você. Converse com Ino sobre isso e informe às outras. Eu avisarei a família sobre as mudanças.

– Certo.

– Obrigada, Sakura. Pode se retirar.

Saí da sala de Tsunade, sentindo-me estranha. Eu não estava com raiva por voltar a ver Sasuke, e não estava triste, nem feliz. Estava normal. Normalmente eu teria recusado a missão, xingando o Uchiha mais novo mentalmente, mas eu não sentia raiva dele por ter que encontra-lo de novo. Certo, isso poderia ser perigoso.

Encontrei Ino sentada em um banco no pátio aberto, olhando para baixo, balançando as pernas.

– Ei, há uma missão para nós duas. – aproximei-me gentilmente.

– Você não está de folga?

– Bem, duas Wings que íam a uma missão não podem mais ir e Tsunade nos chamou para substituí-las. Hinata, Ten Ten e a Tema também irão. – tentei parecer animada.

– Se for com vocês, tudo bem. – Ino sorriu, mas seu olhar estava triste. – Qual é a missão?

– Garantir a ordem na festa de casamento de Itachi Uchiha. – Ino sorriu novamente.

– Que legal, você poderá ver o Sasuke de novo.

– É, não estou tão empolgada assim.

– Você o ama, Sakura?

– Não. – minha fala saiu mais insegura do que eu pretendia.

– Sorte sua. – aproximei-me mais de Ino e a abracei. Senti suas lágrimas de novo. – Mesmo que tudo se resolva depois de algum tempo, não sei se poderei voltar a me encontrar com ele. – abracei Ino com mais força, sem saber o que dizer.

– Tudo vai dar certo, Ino. Eu estou do seu lado. – ela se afastou e limpou as lágrimas.

– Você estava certa ao tentar me julgar ontem. Eu agi como uma hipócrita com você e Sasuke quando pedi para terminarem o relacionamento, enquanto amava outro às escondidas.

– Ino...

– Não sei como poderei encará-lo depois do que estou prestes a fazer. Como poderei esconder isso dele? E como poderei deixar de vê-lo? Não consigo, Sakura. Não consigo. Eu o amo.

Queria que ela não tivesse dito a última frase. Só tornaria as coisas mais difíceis. Abracei-a novamente, enquanto ela chorava em silêncio. O pátio começou a ficar movimentado de Wings, então eu e Ino fomos ao banheiro para ela lavar o rosto, e depois ao quarto de Ten Ten, avisar sobre a mudança na missão.

****

Sasuke’s POV

Minha mãe estava deixando todo mundo louco. Casamento e gravidez ao mesmo tempo eram assuntos demais para ela. Ela estava drogada, em overdose de felicidade.

“É amanhã!”

“Vocês acham que é menino ou menina? Talvez um casal de gêmeos! Há gêmeos por parte da minha família, não seria mágico?”

“As cadeiras precisam estar devidamente arrumadas!”

“Sasuke, vá buscar a escultura de gelo para mim!”

“Konan, como estão seus enjoos? Seria deselegante se vomitasse no meio da cerimônia.”

“Filho, experimente o terno para eu te ver!”

“Sasuke, deixe-me cortar seu cabelo!”

“Senhor e Senhora Yahiko! É um prazer recebe-los!”

“A decoração está linda! Precisamos de mais vermelho desse lado!”

“O padre Yuji irá realizar a cerimônia, eu o convidei pessoalmente.”

Enfim, tudo isso e muito mais. Ela não parava de falar, de se emocionar, de sorrir... estava ansiosa demais. Era muita alegria para o coraçãozinho dela.

Eu, claro, tentei me manter longe daquilo o tanto quanto pude, mas na véspera, não teve jeito. Ela me fez dormir na mansão, dando a desculpa da família inteira já estar reunida quando os primeiros convidados chegassem. E seriam muitos convidados. Até na TV iria passar. Alguns dos meus amigos também viriam, incluindo Karin, Suigetsu e Juugo. O primo de meu pai, Madara, também viria, assim como convidados internacionais, incluindo o Senhor Feudal do País do Vento e sua família. Uma orquestra e banda do País do Som foram contratadas, e tudo estava lindo, perfeito e maravilhoso para minha mãe.

As Wings de Tsunade também viriam, e fiquei surpreso quando meu tio Yusuke disse que Sakura e Ino viriam como substitutas de duas outras. Sakura não devia estar muito contente com isso, ela me disse que nesse dia estaria de folga. Bem, eu poderia me divertir um pouco com ela, enfernizando-a discretamente.

E amanheceu um dia ensolarado e com poucas nuvens. Queria que chovesse, só para ficar mais divertido. Minha mãe entrou no quarto cantando, abrindo as janelas e jogando meu lençol no chão.

– Sasuke! Acorde! – resmunguei e olhei o relógio ao lado da cama.

– Mãe, são 7 horas!

– Isso mesmo, e a cerimônia começa às 10! Levante-se, coma alguma coisa, se troque, se arrume o mais rápido possível e desça à varanda. Temos que revisar os últimos detalhes da decoração e os fotógrafos e repórteres já estão aqui para registrar-nos antes da festa! Vamos, Sasuke! Sem reclamar.

Merda. Por que não fizeram o casamento no final da tarde?

Acordei de mau humor, tomei um banho gelado, vesti meu terno relaxadamente e peguei uma bala de menta da cozinha. Sayuri estava ajudando Tomoyo com o vestido. Elas seriam as damas de honra. Meu irmão estava completamente vestido e arrumado, com seu cabelo comprido preso em um rabo de cavalo baixo.

– Sasuke, até que enfim! – bom dia para você também, pai.

– Sasuke, ande logo, vamos começar uma sessão de fotos. – minha mãe andava apressada com seu vestido justo e comprido.

– Agora?

– Sim, agora! – ela me olhou por um longo tempo e fez uma cara feia. – Meu Deus, sua roupa está horrível! Venha aqui para eu ajeitar. – ela me puxou em um canto, abotoou o camisete até o pescoço, ajeitou as mangas, desamarrotou o paletó a mexeu no meu cabelo.

Não era por nada, mas eu não estava tão feliz assim como todos na casa. Só não via motivo para tanto estardalhaço por causa de um casamento. Itachi deveria estar chorando, não sorrindo. Ele é quem iria assinar um contrato infernal, e ainda por cima iria ser pai.

Apesar disso, me comportei como um bom filho. Sorri o tempo todos durante as fotos, cumprimentei pessoas, até dei uma pequena entrevista para qualquer rede de televisão.

“Como se sente sabendo que seu irmão vai agora se casar?”, ou “Podemos esperar isso de você daqui a algum tempo, Sasuke-san?” e mais um monte de baboseiras. A única coisa que eu esperava nessa festa era a comida e a banda.

Os convidados começaram a chegar a partir das 9 da manhã. A cerimônia iria começar pontualmente às 10 horas, e ninguém gostava de deixar um Uchiha esperando. Eu vi chegarem sócios e amigos de minha família, conhecidos e amigos de Itachi, parentes e convidados da noiva, meus amigos, o Senhor Feudal do País do Fogo com seus seguranças e seus filhos e assim por diante. Comecei a conversar com alguns amigos, alternando entre ir receber os convidados.

A primeira Wing chegou às 9 e meia. Era loira de olhos castanhos, com seios enormes, e usava um vestido azul bebê comprido e volumoso. Reconheci só pelo seu jeito de andar furtivo e seu olhar desconfiado. Então elas apareceriam como convidadas, não é? A segunda Wing chegou logo depois. Seus cabelos eram brancos e ondulados como as nuvens, e seus olhos azuis como o céu. Seu vestido era de um rosa choque bem chamativo.

Logo depois, vieram mais duas juntas, também acompanhadas de um homem cada. Uma era uma ruiva ardente, seus cabelos compridos pareciam estar pegando fogo, e seu vestido preto e justo refletia seu corpo esculturalmente desenhado e seus olhos castanhos mostravam força. Já a outra era pequena, com cabelos azuis e curtos, e olhos castanho-esverdeados. Seu vestido era de um simples amarelo ouro.

E todas as outras chegaram de repente, sempre lindas, atentas e discretas. Não se misturavam à multidão. Se eu não soubesse que elas viriam, nunca as teria notado, apesar de só a aparência delas já marcar presença. Mas elas estavam se passando por convidadas e nada mais. O real perigo que cada uma poderia representar estava bem disfarçado.

Faltavam dez minutos para as 10 horas, e eu finalmente vi Sakura chegando, junto com Ino e outras três. Ino estava com seu habitual rabo de cavalo espesso e um vestido roxo escuro, que caía muito bem nela. Ao seu lado havia uma que possuía longos cabelos negro-azulados e lisos, e olhos muito claros, chegando a serem transparentes. Ela tinha um jeito meigo e tímido, e seu vestido era de um lilás delicado. A outra possuía os cabelos castanhos presos em dois coques laterais, com um vestido diferente, cheio de cortes e dobras, meio vermelho, meio prateado e com várias estampas em preto. A última possuía os cabelos loiros arrepiados presos em quatro partes. O vestido dela era de um verde escuro, combinando com seus olhos.

E Sakura estava... simplesmente linda. Tinha os cabelos rosados presos em um coque alto, com algumas tranças embutidas juntando-se à parte presa. Seu vestido era vermelho-sangue, de um ombro só, e possuía um racho até um pouco acima do joelho em uma das pernas. Não posso descrever o desejo que senti por ela ao vê-la se aproximando.

– Vai destruir os bolos dessa festa também? – falei diverido, me aproximando, e ela sorriu desafiadora. Olhei para Ino ao seu lado, que continha um olhar triste e um sorriso falso. – Olá Ino. – tentei ser genti.

– Oh, olá Sasuke. É... bom te ver de novo. – Sakura não sorria mais e acompanhou as amigas para um dos cantos da festa.

Lembrei-me então da conversa entre Sakura e Ino, e da suspeita que a loira tinha de estar grávida. A essa altura, ela já deveria saber o resultado, e pela cara dela, acho que não era o que ela queria. Seu vestido roxo não era justo, então eu não poderia julgar pela aparência se ela estava ou não com um bebê.

Os convidados e a família juntaram-se no local da cerimônia, ao ar livre. Várias cadeiras dispostas de dois lados, separadas por um corredor com um tapete vermelho. No fim do corredor, Itachi esperava, sorrindo com seu terno negro, junto do padre. Estavam envoltos por um suporte de ferro decorado com flores. Devia ser coisa da minha mãe. Fiquei de pé ao lado de meu pai, e a música orquestrada começou, anunciando a chegada da noiva.

Sayuri e Tomoyo entraram primeiro, jogando pétalas de rosas brancas pelo tapete. Uma outra menininha, acredito que irmã ou prima de Konan entrou atrás carregando as alianças. Logo depois, surgiu a noiva e seu pai. Konan estava muito bonita. Seu vestido era completamente branco, com bordados e rendas. Possuía um véu não muito longo e estava sorrindo. Eu não entendia nada de vestidos de casamento, mas até eu sabia que aquele ficou muito bom nela. Yahiko-san entregou a filha ao meu irmão, e o padre começou a cerimônia.

****

– E eu vos declaro marido e mulher. – finalmente, aquela parte terminou, e com uma salva de palmas, várias fotos e filmagens, Itachi beijou Konan, e os convidados seguiram para o outro lado da mansão. A festa havia só começado.

When july became december

Their affection fought the cold

But they couldn't quite remember

What inspired them to go

And it was so beautifully depressing

Like a streetcar named desire

They were fighting for their love

That start going tired

Quando julho virou dezembro

O afeto deles lutou contra o frio

Mas não conseguiam se lembrar

O que os inspirou a continuar

Foi tão lindamente depressivo

Como um carro de rua chamado “desejo”

Eles lutavam por um amor

Que começou a ficar cansado

Panic at the Disco – Memories

Notas finais
O que acharam? Espero que não tenha ficado estranho o fato do Sasuke ter descrito as Wings, porque eu gosto de descrever aparências e roupas hehe. Acabei de descobrir que eu talvez tenha gosto em escrever barracos em festas, visto o que estou planejando para o próximo capítulo XD. Bem, espero que tenham gostado e até o próximo ^^