Broken Wing - Aprendendo A Voar

28 Capítulo 28 - Sasuke


Notas iniciais
Uau, nesse cap tem a conversa Sasuke/Sakura mais difícil que já escrevi, espero que agrade... boa leitura ^^

Vamos terminar aquela conversa agora Sakura. Eu disse que não havia acabado.

Narração em terceira pessoa

Why should I feel ashamed?

Feeling guilty at the mention of your name

Por que eu deveria me sentir envergonhada?

Sentindo-me culpada quando menciono seu nome

A rosada não acreditava em seus olhos, mesmo que conseguisse ver o moreno perfeitamente a sua frente. Ele realmente havia invadido sua casa de novo à meia-noite? E, no entanto, parecia ser isso mesmo. Sasuke Uchiha havia sido obrigado a adiar sua conversa com a moça depois de uma ligação urgente de seu irmão relacionada a um problema interno na empresa. Sasuke ajudou a resolver o problema, mas saiu de lá tarde, e foi direto à casa de Sakura.

Ela observava a expressão determinada que ele tinha no rosto, assim como seus dois punhos vermelhos de tanto bater na porta. Ele, decidido a não deixa-la escapar, olhava-a agora mais calmo. Ela usava um pijama fino e curto, branco com desenhos de ursinhos em vermelho. Sem sutiã, o pijama marcava os mamilos da rosada e deixava a maior parte de suas coxas a mostra. E ela devia estar com o pé gelado de andar descalça. Não conseguiu evitar um sorriso de canto e um pensamento um tanto obsceno depois de vê-la daquele jeito, o que ela percebeu.

– Pare de me olhar, pervertido! – ela cobriu a parte dos seios e desviou o olhar. – E já disse que não te quero aqui. Eu já estava indo dormir e não estou com paciência para a sua conversa. Volte amanhã.

– Não. Vamos resolver isso agora, Sakura. – vendo que ela não conseguiria convencer o moreno, Sakura escondeu o rosto com as palmas das mãos e abafou um suspiro de raiva. O moreno estranhou esse gesto.

– Amanhã eu vou terminar sua estúpida missão. Preciso descansar. – foi a última tentativa dela.

– Quanto mais cedo terminarmos essa conversa, mais tempo terá para descansar. – ela o olhou derrotada e cruzou os braços.

– Certo, vamos acabar logo com isso então.

– Ótimo. Primeiro me chame pelo primeiro nome.

– Não.

– Sakura, não é um nome tão difícil. Você já disse antes. Vai, repete comigo: Sasuke.

– Vai a merda, imbecil, não quero falar seu nome idiota. Que diferença isso faz?

– Se não faz diferença, me chame pelo jeito certo.

– Não. – ele viu que seria inútil continuar naquilo e resolveu pular para outra questão.

– Por que esteve me evitando esse tempo inteiro? Por que me tratou como uma merda de pessoa sem nenhum motivo, quando eu te tratei bem? – ele começou, bombardeando-a.

– Porque eu te queria distante. – ela resolveu encarar a si mesma. Falou a resposta com o tom mais firme que conseguiu. – Porque eu não queria repetir o que aconteceu da outra vez.

– Repetir?

– Eu não queria me envolver com você de novo. Pronto, ta aí a sua resposta.

– Eu não ia te pedir para se envolver comigo.

– Como se você tivesse a boa vontade de pedir alguma coisa para alguém, Uchiha. – ele começou a pensar na resposta dela com mais calma.

– Estava com medo de se envolver comigo de novo? – ela sabia o que ele queria insinuar, mas não respondeu nada. – Estava com medo da possibilidade de ficarmos juntos de novo, Sakura?

Por aquela resposta ele não esperava. Estava se preparando para ouvir coisas terríveis a respeito de si mesmo e a respeito da relação que os dois um dia tiveram. Mas nunca esperou ouvir da própria boca da rosada que ela estava com receio de sucumbir aos próprios sentimentos.

– Bem, se ficamos uma vez, poderíamos ficar de novo. – ela tentou se justificar, mas estava nervosa, as palavras não saíram tão firmes como queria. E o Uchiha a estava provocando.

– Então você admite que ainda sente algo por mim. Porque se ainda via alguma possibilidade de ficarmos juntos, é porque no fundo, você ainda torcia por isso.

– Claro que não, seu idiota! Por que você pensa que é irresistível para todas as pessoas do universo? Nem todo mundo gosta do seu tipo. – ela terminou de um jeito sarcástico.

– Não me importo com todo mundo. – ela deu um grande suspiro de raiva, arrependida por ter dito aquilo.

– Olha, não sinto nada por você, tá?

– Você não consegue mais mentir quanto a isso Sakura. Acabou de admitir o contrário há um minuto.

– Cala a boca! Eu só disse que não queria repetir a situação da outra vez.

– A situação em que você se apaixona por mim.

– Não, seu canalha, a situação em que transamos. – ele a olhou confuso.

– Você só transa com quem tem atração, Sakura.

– Isso mesmo, espertão. Para transar, não é obrigatório ter sentimentos. Você só é bonito.

– Estava com medo de transar comigo só porque sou bonito? Tem uma infinidade de outros caras lá fora mais bonitos do que eu. Você não tem medo de transar com nenhum deles.

– Está se esquecendo de um detalhe nessa história: você disse que gosta de mim. – ela tentou virar o jogo.

– Sim, eu disse. E daí?

– E daí que eu sei o quão safado e pervertido você é. Não tenho medo de transar com você, idiota, mas não quero que você se jogue em cima de mim e me obrigue a qualquer coisa.

– Eu nunca te obriguei a nada. E da última vez que eu mencionei fazer algo contra a sua vontade, você ameaçou enfiar minhas bolas no meu ânus. Sakura, admita: você me tratou como lixo porque ficou com medo de voltar a sentir por mim o que sentia antes.

Agora foi ela quem se viu pega de surpresa pelas palavras dele. E ele havia acertado na mosca. E havia dito aquilo em voz alta. No momento em que ele disse isso, ela sabia que estava derrotada. Pois era isso mesmo, era isso o que vinha fazendo esse tempo todo. Depois de finalmente tê-lo esquecido, não queria voltar a amá-lo. Não podia voltar a amá-lo. Não era permitida. Ouvir o Uchiha dizer aquela verdade em voz tão alta e clara a fez acreditar muito mais do que quando dizia a mesma coisa em seus pensamentos.

E era verdade. Não tentou negar. Não tentou responder. Não havia argumentos que o convenceriam do contrário. Somente desviou o olhar do dele, passando a encarar o nada. Pois não queria encará-lo agora que ele sabia da verdade.

– Sakura... – ele a chamou, e ela ignorou. Ele sabia o quão orgulhosa ela era, por isso essa reação foi mais do que suficiente para ele.

Esperava que ela fosse gritar o contrário, espanca-lo e obriga-lo a retirar as palavras ditas, mas o que recebeu em troca foi o silêncio dela, confirmando a história. E o olhar triste banhando os olhos verdes dela o lembraram de uma coisa: talvez ela não quisesse despertar aqueles sentimentos por ele porque sabia que não poderia mantê-los. Ora, eles se separariam de novo daqui a alguns dias. E ele já sabia: a relação deles nunca poderia durar. Ao pensar nisso, sentiu-se mal e culpado por causar isso na rosada. Por obriga-la a vê-lo de novo, por tentar se reaproximar dela.

– Bom, agora que tudo foi esclarecido... – ela recomeçou a falar, ele a olhou surpreso. O olhar dela estava firme e impassível. – Podemos ir logo ao que interessa. – ela o olhou com os olhos de diamante, e ele, pego de surpresa, não conseguiu se desviar deles. – Uchiha...

– Sakura, eu...

– Cala a boca e me escuta. Sabemos que a única relação que podemos ter é a profissional. Eu não sinto mais nada por você e você não sente mais nada por mim...

– Não é verdade! – ela o encarou perigosamente e fechou o punho. Ele se calou de imediato.

– Eu disse para calar a boca. Enfim, sendo assim, eu peço desculpas pelos momentos em que deixei meus sentimentos pessoais atrapalharem a missão e declaro que agora eu o tratarei normalmente, com o respeito de um cliente e sócio da organização de Tsunade. – ela terminou de falar e ele não sabia o que responder. Ela queria mesmo acabar assim e ignorar os sentimentos dos dois daquele jeito? Como se fosse uma declaração por escrito lida em voz alta? Ele não podia aceitar isso.

– Sakura, isso não está certo.

– Uchiha, já sabíamos o final disso. Eu acabei de dizer que nossa relação deve ser profissional. A partir de agora, nos trataremos normalmente e não sentiremos mais nada um pelo outro.

– Sim, porque é tão fácil deixar de amar alguém... – ele falou sarcástico.

– Eu não te amo. – ela respondeu impassível.

– Você me entendeu. Não pode simplesmente dizer algumas palavrinhas e esperar que isso resolva o que você sente por mim. E eu não quero fazer isso com o que sinto por você.

– Uchiha, por favor! Já discutimos isso! Não tem essa de “sentimentos” entre nós, não pode ter! Se tiver, ignore-os.

– Não sou bom nisso. – ela o encarou, incrédula. Ele não estava facilitando as coisas.

– Mas o que você sente por mim, afinal? Você não me ama e não está apaixonado por mim. Fala que gosta de mim, mas não passa disso. Onde estão seus argumentos?

Argumentos? Não acredita quando digo que gosto de você? – ele perguntou arqueando uma sobrancelha.

– Não. A meu ver, você só me usa como passatempo.

– Sakura, não é verdade. – ela era impossível! O moreno não acreditava naquelas palavras. – Depois de tudo o que eu disse aqui, você ainda acha que eu te uso? – ela não respondeu, só revirou os olhos. Ele suspirou. – Certo, quer saber o que eu gosto em você? – ela o olhou surpresa. Não esperava por aquela.

– Não quero ouvir. – ela disse simplesmente.

– Você me pediu argumentos. Vou usá-los. Vai contradizer sua própria pergunta? – ela o olhou derrotada mais uma vez, esperando o que estava por vir. – Você é diferente das outras. De todas as outras. Tem essa fúria dentro de você que te deixa viva, que te destaca dos outros.

– É só o meu cabelo.

– Cala a boca e me escuta. – ela foi pega de surpresa por ter as próprias palavras usadas contra si. Calou-se e deixou-o continuar. – Eu gosto de você, Sakura. Gosto do seu jeito corajoso de resolver as coisas, gosto da sua força de vontade. Você tem um sabor de desafio que eu quero provar, eu nunca me senti tão vivo com outra pessoa em comparação a você. Você me assusta mais do que qualquer outra coisa, e ao mesmo tempo me intriga. Eu não consigo ter 100% de certeza do que você está pensando, e você me atrai por isso. Você é diferente. E provavelmente foi a única que tentou pegar meu dinheiro sem tentar transar comigo. Você nunca mostrou por mim interesse do jeito que outras demonstravam. Você apenas... – ele procurava as palavras certas – me fez querer estar com você, e nunca foi sua intenção fazer isso. E eu me perguntei como você tinha conseguido isso sem esforço nenhum. E foi aí que eu percebi que não dependia da sua vontade, porque tudo o que eu falei antes já foi o suficiente para me fazer querer ficar com você.

Ele terminou de falar, sentindo-se mais exposto do que nunca. Jamais havia falado sobre seus sentimentos abertamente daquela maneira. Sempre foi calado, reservado, nunca precisou se expressar. Ninguém pedia explicação quando ele mostrava interesse, ninguém questionava, todo mundo só aproveitava a chance. Mas não ela. Ela era diferente. Ela sentia algo verdadeiro por ele e queria ter a certeza de que ele se sentia daquele jeito também.

Ela o ouviu palavra por palavra, e ficou surpresa a cada declaração. Não sabia se tudo isso não passava de uma mentira bem ensaiada, mas se fosse, ele poderia largar os negócios e virar o melhor ator do mundo. Não sabia o que responder. Encarava-o e encarava seus orbes negros, como se pudesse ler sua alma, como se a verdade para aqueles sentimentos estivesse escondida nos olhos dele. E os olhos dele não mentiam. Eles a sugavam para dentro de sua alma e diziam que tudo aquilo era verdade.

Ela tentou se recompor daquelas palavras, tentou se manter impassível, como se não tivesse sido atingida pelo significado delas.

– Bem... – ela começou – Obrigada por me contar isso. – ele estava um pouco decepcionado com a resposta dela. Havia falado aquilo do fundo de sua alma e tudo o que ela disse em troca foi “obrigada”? – Mas vamos fingir que isso nunca aconteceu, tá? Eu não gosto de você e você não gosta de mim. Somos dois profissionais. Eu sou uma Wing, você vai herdar os negócios da sua família. Vamos nos despedir aqui e fingir que nada disso ou daquilo aconteceu, certo?

– É isso mesmo o que você quer fazer, Sakura? – ele perguntou, não acreditando na rosada. Ela demorou a responder.

– Não. Mas não podemos fazer mais nada. E eu já disse que não sinto aquilo por você. E mesmo que sentisse, ficaria impotente do mesmo jeito. Não podemos ficar juntos.

– E eu já disse que você não consegue mais mentir para mim, Sakura. Primeiro porque já admitiu o contrário, e depois porque seus olhos são tão claros como seus sentimentos.

– Tá bom, seu idiota, e daí se eu gosto de você? Já disse que é inútil, e você não vai me ajudar a superar isso se não sumir da minha frente! – ela bombardeou-o com aquelas palavras.

– Pronto, foi tão difícil admitir? – ela não acreditava no que estava ouvindo. Ele estava brincando com ela.

– A única coisa que importa para você é uma “confissão” minha? – ela disse irritada. – Não percebe que só está tornando isso mais difícil, seu idiota?

– Eu quero ficar com você, Sakura. Não falei tudo aquilo para você me mandar embora.

– Você tem que ir. – ela praticamente implorou. – Por favor. Não quero repetir tudo aquilo.

– Ninguém precisa saber. – ela sorriu debochadamente.

– Como se fosse simples esconder. Vai embora, Uchiha.

– É impossível mesmo?

– É. – aquilo havia doído mais nela do que nele. Ele a olhou decepcionado, dirigindo-se até a porta.

– Tem certeza? – tentou uma útima vez.

– Tenho, Uchiha. – ela disse cansada.

– Então pelo menos diga o meu nome.

– Vai à merda, não vou dizer.

– Não saio daqui até dizer. – ela o olhou indignada. Ele com certeza não estava facilitando a situação.

– Vai à merda, não vou dizer. Já disse que quero distância de você, não quero sentir tudo aquilo de novo só para depois ter que ir embora.

– Sakura...

– Uchiha, você já dificultou muito isso.

– Ninguém escolhe de quem vai gostar. – ele não queria desistir.

– Eu não tenho escolha. – ela disse impaciente. – Tsunade não pode saber.

– Ela não vai saber. E eu não me importo se ela souber.

Eu me importo. Se você tem alguma consideração por mim, vá embora. – ela abriu a porta, convidando-o a se retirar.

– Sakura, não é errado.

– É errado.

– Não dá para ignorar o que você sente.

– Eu vou me esforçar ao máximo.

– Não vai conseguir.

– Já consegui uma vez. – ele a olhou, suplicante. – Não, não me dê esse olhar de cachorro perdido. – ela desviou o rosto para não ter de encará-lo. Ele começou a rir. – Qual é a graça?

– Você me comparou a um cachorro.

– É uma expressão, seu tonto. Significa parar de olhar com cara de dó. – ela falava séria e brava, mas ele continuava rindo. – Para de rir, não teve graça. Você está me irritando! – ela deu-lhe um tapa no ombro, e mais outro e mais outro.

– Isso é tudo que consegue fazer, Sakura?

– Acredite, se eu fosse te bater de verdade, você já estaria com metade dos ossos quebrados.

– Você não faria isso com a pessoa que ama.

– Quer me testar? – só depois ela percebeu a afirmação que havia respondido, e calou-se de imediato. Ele não deixou passar.

– Viu? Você nem consegue mais esconder que me ama.

– Eu não te amo. Você me irrita!

– E o que é o amor sem algumas brigas?

– Não me teste, Uchiha, estou com o punho pronto. – ele ficou de frente para ela, olhando-a, enquanto ela colocou o punho perigosamente fechado à sua frente. Ele tocou na mão fechada dela gentilmente.

O toque dele, depois de tanto tempo, era macio e quente. Aos poucos a tensão foi desaparecendo dela, e ele a persuadiu a abrir a mão com o toque apenas, entrelaçando seus dedos nos dela depois daquilo. Ela não conseguia reagir de outro jeito.

– Não vai ser simples assim, Sakura. – ele disse com a voz rouca e gentil. – Eu não quero que seja simples o fato de você poder me esquecer.

– Isso é problema seu. – ela disse com o tom de voz embargado, relutante, como se não acreditasse no que estava dizendo.

– Deixe-me dificultar para você.

– Não. Vai só dificultar para você também.

– Acredite, não há nada mais difícil agora do que te encarar sem te beijar. – ele não podia dizer aquelas coisas a ela, não com aquela voz, aquele rosto, aquele toque em sua mão.

– Está perto demais, Uchiha. – ela encontrou voz para dizer.

– Então se afaste. – ela não conseguia se afastar. Os olhos dele não deixavam, eles a mantinham presa ali, imóvel, e sugavam toda a energia que ela tinha para recusá-lo.

– Já dificultou o bastante para mim. – ela tentou uma última vez.

– Não quero me despedir de você.

– Não podemos ficar assim.

– Uma última vez.

– Não me peça isso. Por favor. Você não está me ajudando nisso.

– Diga meu nome.

– Não.

– Por favor, Sakura. – ele não costumava pedir “por favor” às pessoas, ela sabia disso.

– Não. Pare de me tentar. Pare de se aproximar. – ela percebia o rosto dele mais próximo, mas ainda assim não conseguia se afastar. – Pare de me provocar. Você é como um capeta querendo minha alma, me arrastando para o inferno.

– Mas você sabe sobre o que dizem, não é? – ele estava a milímetros dela.

– Não. – ela respondeu em um sussurro. Sentia que não havia mais volta.

– Se já está no inferno, não custa nada abraçar o capeta.

Come on let me hold you,

Touch you, feel you, always

Kiss you, taste you,

All night, always

Venha, deixei-me te abraçar

Te tocar, te sentir, sempre

Te beijar, te provar,

A noite toda, sempre

E ele selou seus lábios nos dela. Depois de meses afastados, aquela sensação era indescritível, era deliciosa, era quase um crime de tão perfeita. Ela não ofereceu resistência, já previa aquilo. E por mais que uma voz em sua cabeça a alertasse do perigo, ela não queria ouvi-la. Tudo o que importava para ela naquele momento era ele, e tudo o que importava para ele naquele momento era ela.

Sakura sabia que aquilo só iria dificultar seus sentimentos em relação a ele. Mas sentia que era muito mais errado recusar ao desejo de tê-lo ao seu lado, pelo menos essa noite. E sentia que seria muito mais cruel partir sem terem feito isso. Sentia que se arrependeria mais ainda se voltasse para casa sem o cheiro dele. E o cheiro dele era muito bom. Sabia que no dia seguinte, não haveria mais nada disso, e a relação se resumiria a ser profissional. Por isso queria aproveitar esse último momento.

O beijo começou gentil. Ela imediatamente entrelaçou os braços em volta do pescoço dele, e ele a abraçou pela cintura, colando seus corpos. Suas línguas dançavam uma dança sensual e calma, como se os dançarinos quisessem aproveitar todos os momentos com o maior cuidado possível. Uma das mãos dela pressionou a nuca dele, intensificando o beijo e bagunçando os cabelos negros e rebeldes. O beijo terminou quando eles sentiram falta de ar, mas não se desgrudaram em nenhum minuto. Assim que se recuperaram, seus lábios se encontraram novamente, e Sakura se sentia leve pela primeira vez em muitos meses, tão leve que Sasuke a levantou e começou a andar às cegas pelo apartamento, procurando o quarto. Quando trombou no sofá, ela começou a rir sem querer, e o pegou pela mão.

Foram até o único quarto dali, e ela fechou a porta, mesmo que não houvesse ninguém para interrompê-los. Começaram outro beijo, mais intenso dessa vez, e enquanto ele a guiava até a cama, Sakura desabotoava a camisa branca social dele, arrancando-a e deixando-a no chão, juntamente com a calça, abrindo-lhe o zíper. Apoiou a mãos no peito dele enquanto era deitada de costas na cama de solteiro do quarto. Não teriam muita liberdade para se mexer, mas ela não queria se libertar dos toques dele. Com ele por cima dela, Sakura mantinha uma mão afagando seus cabelos negros e a outra tocando até onde alcançava de suas costas e braços. Ele desceu os beijos ao pescoço, mordiscando a curvatura, e ela soltou um primeiro gemido baixo, mas o suficiente para ele escutar.

Uma parte de Sakura não queria deixa-lo continuar, mas a outra implorava por seu toque, por seus beijos. Quando se sentiu mais forte para pará-lo, ela fez menção de se levantar, empurrando-o para o lado, mas ele a arrastou junto de modo que as posições se inverteram: agora ela, em cima dele, presa pelos braços do moreno ao redor de sua cintura, havia se rendido novamente. Seus beijos não paravam, seus suspiros eram altos e seus toques, famintos. Sasuke levantou-se e finalmente retirou a parte de cima do pijama inocente dela em um só movimento, como se o tecido fosse feito de fumaça, tão fácil saiu. Ela voltou a cabeça dele ao travesseiro e distribuiu os beijos perto da orelha, enquanto ele passava as mãos em suas costas nuas e sentia seus seios se eriçarem contra seu peito. Sakura desceu os beijos na parte direita do pescoço, onde visualizou as cicatrizes que ela mesma havia lhe causado na primeira vez que o encontrou. Sentiu-se arrependida por ter-lhe causado essas marcas eternas, e começou a beijar gentilmente a extensão das cicatrizes, descendo depois ao seu peito nu onde lhe dava leves mordidas e depois até o abdômen do rapaz, onde aproveitou tanto com as mãos quanto com lábios.

Sasuke aproveitou aquele momento para retirar o shorts da rosada, deixando-a com uma calcinha totalmente branca. Antes que ele tivesse pensamentos obscenos, ela voltou a beijá-lo e ele inverteu as posições novamente, colocando-se entre as pernas dela, com uma das mãos subindo desde sua canela, passando pelas coxas macias dela, subindo pela lateral de seu abdômen até parar no seio direito, onde o envolveu delicadamente com a mão e o apertou, fazendo-a soltar um segundo gemido. Sakura sentia que não havia mais volta, tudo o que queria era o moreno todo para si. Passou a mão direita por cima de sua cueca boxer e sentiu o moreno arrepiar, bem como o volume formado debaixo da peça. Sasuke levantou-se para terminar de se despir, e enquanto Sakura admirava sua figura pálida e nua, ele também retirou a única peça que a rosada ainda vestia, posicionando-se novamente entre as coxas dela, que estava pronta para recebê-lo.

Soltando um longo gemido, ela deixou-o penetrar-lhe, e eles eram um só de novo. Há muito tempo não tinha essas sensações, há muito tempo não se sentia tão ousada, tão bem consigo mesma, tão viva. Sakura o abraçou, fincando as unhas em suas costas, enquanto ele escondia a cabeça na curvatura do pescoço dela. O ato sexual não foi selvagem, não foi desesperado, mas foi intenso. Eles queriam aproveitar cada momento, por isso Sasuke movimentava-se dentro dela de forma calma, mas ao mesmo tempo erótica, querendo explorar cada ponto de prazer dentro dela, cada área dentro de sua parte feminina, queria descobri-la por completo. Começou a surtir efeito, pois Sakura ansiava por mais. Arranhava as costas do moreno e desceu uma mão até seu quadril, conduzindo os movimentos dele através de todos os seus pontos de prazer. Sasuke estava ficando louco, aquela sensação era uma perdição. Soltou um gemido enquanto deixava escapar um sorriso de canto, o que estimulou a rosada a gemer também.

Ficaram ali, naquela dança entre seus corpos, tocando-se e explorando as intimidades de cada um.

– Aah... aah... – o prazer de Sakura estava se intensificando, e os movimentos de Sasuke também. As unhas delas fincavam-se nas costas dele, enquanto a outra mão dela estimulava seu quadril e ele acelereva os movimentos. – Aah... aah... aaah...

Sasuke aproveitou a passagem livre pelas pernas abertas da rosada e levantou seu corpo levemente, com as mãos apoiadas em cada lado do rosto dela, e enquanto não parava com os movimentos, observou seus cabelos rosados jogados no travesseiro onde a cabeça dela estava apoiada e seus olhos fechados enquanto sua boca se abria para gemer. Deu um sorriso e abaixou-se novamente, colocando os lábios ao pé do ouvido dela.

– Sakura, diga meu nome... – ele sussurrou baixinho após um gemido, e aquilo a arrepiou.

– Ah... não... – sentindo as unhas dela fincadas nas suas costas, ele não desistiu.

– Sakura, diga meu nome... diga...

– ...não... pare... – ela sussurrava ofegante, quase não discernia o que estava dizendo.

– Sakura... diga... Sasuke... diga...

– Não... ah... aah...

– Diga, Sakura... – ele conseguiu elevar a voz, ao mesmo tempo começando a dar estocadas mais fortes.

– Pare de... me confundir... Sasuk...

– O que? – ele estava quase conseguindo. Mordeu o lóbulo da orelha dela. – O que você disse?

– Eu... huum...

– O que disse, Sakura?

– Aaah, Sasuke... – o sussurro quase inaudível não foi o suficiente para ele.

– Não te ouvi...

– Sasuke... – ela repetiu um pouco mais alto.

– Como? – ele a provocava.

– Aah, Sasuke... Sasuke... aaaah, aaah, aah... Sasuke, Sasuke! – ela reuniu toda a energia que lhe restara.

Ouvir a voz dela tão ofegante, tão sexy e tão cheia de desejo dizer seu nome ali, várias vezes, havia sido um grande estímulo para ele. Sasuke não aguentava mais, agarrou a fronha do colchão com uma das mãos que não tocavam a rosada na tentativa de se reprimir, mas o gemido que soltou no ouvido dela indicando seu orgasmo saiu mais alto do que planejara. E aquele som havia despertado Sakura também, pois logo após senti-lo gozar dentro dela, também soltou um último gemido e relaxou seus músculos, sentindo os segundos mais prazerosos do ato sexual com ele em cima dela.

Agora que parava para pensar, eles sempre haviam chegado ao ápice juntos, ela sempre tinha os orgasmos mais poderosos quando fazia sexo com o moreno. Esperou sua respiração voltar ao normal e deixou que ele a abraçasse, embalando-a com seu cheiro, seu toque e suas sensações compartilhadas. Adormeceram encolhidos um contra o outro na estreita cama de solteiro, nus e satisfeitos.

I swear to God

I'd never heard a better sound coming out

Than when you're whimpering my name from your mouth

Juro por Deus

Que eu nunca ouvi melhor som saindo

Do que quando você está gemendo meu nome da sua boca

Pixie Lott – Mamma Do

Blink 182 – Always

Panic at the Disco – Kaleidoscope Eyes

Notas finais
Ok, esse é o cap mais "ousado" que já escrevi, então não sei se a "cena" deles ficou boa ou se ficou muito nada a ver hehe. O que acharam? Espero que tenham gostado XD. Até o próximo ^^