Broken Wing - Aprendendo A Voar
2 Capítulo 2 - Sem Vestígios
Notas iniciais
Ele me olhava intensamente, mas também estava imóvel, acho que devido à minha faca pressionar perigosamente sua garganta, deixando até uma leve marca. Não, eu não iria pegar leve, nem teria piedade. Iria arrancar dinheiro dele nem que tivesse que mata-lo. E isso estava definitivamente nos meus planos.
Alguns segundos depois de me olhar assustado, a expressão do Uchiha mudou completamente. Ele agora aparentava, me atrevo a dizer, desprezo, indignação. Seu olhar havia se tornado menos severo e mais relaxado, sua boca havia se fechado e ele agora olhava para mim de maneira indiferente e fria, sem expressão nenhuma. Apenas me olhava.
– O que você quer? – ele disse em um tom calmo e baixo. Confesso que não esperava por isso. E claro, não podia me deixar abalar por aquilo. Eu tinha que mostrar que estava no comando ali.
– Aqui quem fala sou eu. – apertei um pouco mais a faca contra a garganta do moreno. Infelizmente minha voz saiu mais fina do eu esperava. Claro que ele já havia percebido que eu era mulher. Mesmo assim, me surpreendi quando percebi que ele estava rindo. – Você não está em condições de achar graça nessa situação. – apertei mais a faca. Eu sabia que estava doendo, pois apesar de tudo, ele não conseguia disfarçar a respiração pesada e a própria expressão de dor.
– Você não vai me matar. – ele disse com muita segurança. Coitado.
– Se você não me for útil, com certeza vou te matar. – respondi, não abaixando a guarda.
– E assim não vai conseguir o que quer. – pausa de 5 segundos – Se você se deu ao trabalho de vir aqui e não me matou ainda, é porque precisa de mim para alguma coisa. Se me matar, não vai conseguir o que procura, e ainda por cima terá um assassinato do qual fugir. – o tom dele permanecia baixo e calmo. Fora a dor pela faca no pescoço, ele não parecia estar com medo, e sua expressão se mantinha indiferente. Percebi que ele seria difícil de controlar e lidar, mas é claro que eu também não era fácil.
– Acredite, sei muito bem cometer um assassinato sem deixar pistas. E se eu não conseguir o que quero de você, posso conseguir de outro. Você não foi uma pessoa escolhida a dedo, foi uma dentre várias outras que eu poderia ter ido atrás. Se não me der o que quero do meu jeito, outros o darão. – eu respondi também calmamente, até porque tudo era verdade. Percebi ele franzir o cenho em uma expressão de preocupação – acho que havia acreditado.
Ele fechou os olhos, ainda com uma expressão preocupada. Deu um longo suspiro. Abriu-os novamente e fez a mesma pergunta de antes.
– O que você quer? – ótimo. Bom ver que estávamos nos entendendo.
Dei um leve puxão nos seus cabelos arrepiados e negros, puxando sua cabeça para trás com minha mão esquerda, enquanto colocava minha perna sobre seu braço direito para mantê-lo imobilizado. Com a mão direita, eu mantinha a faca contra sua garganta. Aproximei meus lábios de seu ouvido, ignorando seus movimentos em uma tentativa de fuga – eu era forte – e sussurrei:
– Quero aquilo que divide nosso mundo. Aquilo que as pessoas dizem não comprar felicidade, mas que não podem ser felizes enquanto não o tiverem, e que você e sua família têm de sobra. – percebi que ele deu uma leve estremecida assim que minhas ondas sonoras atingiram seus tímpanos. Afastei-me, sem soltar seu cabelo ou a faca.
Ele sorriu novamente. Parecia mais aliviado ao perceber que minha invasão era somente devido ao dinheiro.
– Quanto?
– O suficiente para nunca mais ter que trabalhar e ainda viver na mordomia.
– Fala um preço, não sou adivinha. – agora ele havia falado de um jeito rude, mas despreocupado. Claro, dar dinheiro, mesmo que aos milhões, não devia ser nada para ele. Sua expressão de medo também havia desaparecido. Parecia que agora ele só queria me liberar logo a grana para que eu sumisse da frente dele.
Mas eu não gosto que me tratem assim. Não mesmo.
Puxei novamente seus cabelos, dessa vez para frente, para depois chocar fortemente sua cabeça contra o piso duro de madeira. Ouvi o barulho do impacto e pude ver seu olhar de raiva para mim. Não pude notar que ele ficava mais atraente com essa expressão. Não que aquilo tivesse me abalado.
– Escuta aqui, seu playboyzinho de merda. – falei me aproximando de seu ouvido de novo. Minha voz estava fria. – Não gosto que me respondam. Se não quiser se machucar ou morrer, é melhor abaixar seu ego e me obedecer. – E pra ele ver que eu não estava brincando, deixei que a faca fizesse um pequeno corte em sua já marcada garganta. E nem por isso afrouxei a lâmina de lá.
Todo corte, por mais que não seja profundo, dói. Arde. Sangra. Queima. Principalmente em um lugar tão sensível como o pescoço. Percebi que ele deu um gemido de dor, enquanto me xingava baixo. Se meu capuz não cobrisse meus lábios, eu teria lambido as gotas de sangue que agora estavam na faca. Era estranho, mas eu apreciava o gosto de ferro que aquele líquido vermelho tinha. Afinal, depois de tanto prova-lo (sem a intenção, claro) eu tinha aprendido a, de certa forma, apreciar seu sabor. E o gosto do sangue daquele menino agora sob o meu controle parecia muito bom.
– Vinte milhões. – respondi por fim.
– Sem chance. – ele disse dando um riso de escárnio. – Puxei-o novamente para frente e bati sua cabeça contra o piso. A expressão dele agora misturava dor e raiva.
– Dez. – ele disse com a voz meio rouca.
– Quinze. – respondi – Oferta final.
– Não posso entregar essa quantia toda do nada.
– Nem que sua vida dependesse disso? – eu respondi aprofundando o corte em sua garganta, que começava a sangrar mais. – Acho que 5 milhões não fazem tanta diferença para você. Deve ser isso que gasta mensalmente com prostitutas de luxo.
Agora eu realmente não podia dizer se a expressão dele era de dor ou de raiva. Percebi que ele começava a suar.
– Tá. – ele disse por fim. Ótimo. Ele poderia ser frio ou difícil de lidar, mas eu senti que o havia domado.
É claro que ele não guardava essa quantia (e todo o resto dela) dentro de casa ou em um esconderijo qualquer. Isso com certeza estava protegido a sete chaves em um dos bancos mais seguros do mundo. Quinze milhões era muito dinheiro MESMO, e com certeza não seria fácil ter acesso a eles mesmo que o proprietário tivesse permitido. Mas eu não poderia desistir agora, tinha que pegar o dinheiro ainda essa noite e fugir o mais rápido possível. E já eram 3 da manhã.
– Como eu faço? – perguntei pela enésima vez em minha vida. Isso mais uma vez me trouxe memórias de quando eu era uma “recruta” de Tsunade e ela sempre queria que eu aprendesse técnicas de luta, sobrevivência e de relações pessoais.
– O dinheiro está guardado no Banco Central de Konoha. Só eu ou alguém da minha família estamos autorizados a fazer depósitos ou retiradas. – ele disse a última parte com um sorriso, olhando para mim – Como vai fazer, espertinha?
Percebi que ele ainda estava me subestimando e não estava entendendo com quem estava lidando.
– Você vai ligar para o responsável pelo cofre ou sei lá quem e vai pedir o dinheiro. Diga que teve que fazer uma viagem de emergência e precisa do dinheiro, sei lá. Pede pra ele vir entregar o dinheiro aqui, agora.
– Não acha muito arriscado fazer isso? – o sorriso dele não havia desaparecido completamente. Mais uma vez, ele teve que sentir a cara contra o chão para voltar a me olhar com raiva e dor, mas também submissão. Gostei disso.
– Como eu disse antes, eu dito as regras aqui.
Tirei brevemente a mão de seu cabelo e a usava para procurar o celular que devia estar em um dos bolsos de sua calça.
– No bolso esquerdo da frente. – ele disse com tédio. Ótimo. Não precisei fazer muito esforço para pega-lo.
– Fala o número. – acho que ele resolveu usar a chance de ter sua cabeça livre e tentou soltar-se do resto de meus membros que ainda o prendiam, mas eu não baixei a guarda. Rapidamente fiz outro corte com a faca em seu pescoço, dessa vez mais profundo e maior. Eu o ouvi dar um pequeno grito grave de dor. Sim, doeu até em mim. Mas ele havia se acalmado de novo. – O número!
Ele, hesitante, ditou os dígitos e eu os coloquei no visor do celular muito caro e moderno que era dele. Antes de chamar, eu o instruí a falar de acordo com meus planos.
– Você vai pedir os 15 milhões exatos por causa da sua “viagem de emergência” e vai pedir pra ele vir trazer aqui. Se ele não concordar, já que são 3 da manhã, oferece alguma quantia pra ele também. – percebi que ele não havia gostado muito dessa parte. – Fale normalmente. Se eu perceber qualquer falha na sua voz ou qualquer tentativa de me denunciar, você vai ver o inferno. Entendeu?
Eu forcei de novo a faca contra sua garganta que ainda estava sangrando e muito provavelmente, doendo, enquanto esperava pela resposta.
– Entendeu? – ele fez um breve movimento de “sim” com a cabeça.
Eu sabia que ia conseguir o que queria. Eu nunca falhava quando Tsunade me dava alguma missão, e ela sempre comentava o quanto eu a deixava orgulhosa. Agora que estou em uma missão por conta própria, pude sentir como o gosto da satisfação é doce.
O Uchiha (aliás, eu sabia seu primeiro nome, mas tinha me esquecido naquela noite. Só sei que era “Sa” alguma coisa...enfim) fez como eu havia pedido. A voz do outro lado da linha estranhou bastante a brusca retirada de dinheiro que estava para ser feita, mas eu não me importava com isso. Logo todos iriam saber que os Uchiha haviam sido roubados mesmo. Tudo o que eu queria era aquele dinheiro.
Depois de falar com o bancário e sócio, fiz o Uchiha ligar para a portaria do condomínio permitindo a entrada do homem que trazia a grana. Eu estava muito perto de conseguir. Só havia um pequeno problema.
– Quero ver como você vai fazer para pegar o dinheiro, já que não pode dar as caras lá fora. — ele disse, voltando ao seu tom calmo e indiferente.
Realmente, eu ainda não havia pensado nisso. Não poderia ir lá fora, o homem certamente deduziria que eu era uma ladra. Não podia mandar o Uchiha pegar lá fora, porque ele com certeza escaparia. Acho que ele percebeu que a faca em sua garganta havia afrouxado, já que eu havia me distraído um pouco pensando no que iria fazer em seguida, e não perdeu tempo.
E eu não esperava por aquilo. Ele percebeu que eu havia baixado a guarda, mesmo que por um instante, aproveitou e fez força para sair de cima de mim, segurando minha mão que continha a faca com sua mão esquerda livre e forçando seu corpo para cima. Eu cambaleei para trás, sentindo um aperto forte no pulso, e quando percebi, nossas posições haviam trocado: agora era eu que estava com as costas no piso frio de madeira e ele estava em cima de mim, segurando ambos os meus braços em cima da minha cabeça com sua mão direita, não sem antes ter conseguido pegar a faca para si e apontar contra minha garganta com sua mão esquerda.
De novo, se ele pudesse ver meus olhos, perceberia como eu estava impressionada e até um pouco assustada por ter sido pega de surpresa. Mas eu via os olhos dele, e de novo ele havia me paralisado com aquele olhar escuro e intenso. Seu rosto mostrava raiva e um pouco de satisfação por me ver daquele jeito, e estava muito próximo do meu, me obrigando a apreciar sua beleza. Por último, pude sentir as gotas quentes do sangue que caíam da garganta dele atingirem meu capuz. Eu só vi um sorriso malicioso se formar em seus lábios antes de ele dizer satisfeito:
– Quem dita as regras agora?
Apesar de estar com minhas mãos presas – ele era bem forte – e de ter minha própria faca já ensanguentada apontada para mim, não me desesperei. Calma e paciência são essenciais em uma vitória, Sakura. Por mais que eu não quisesse, continuava ouvindo a voz de minha ex-mestra Tsunade em minha mente. Eu sabia que ela estava certa. Devia quase tudo de minha vida a ela, e apesar de já não estar mais “presa” a ela, não podia simplesmente ignorar seus ensinamentos tão úteis.
Por isso, dei um pequeno suspiro, ainda olhando o rosto acima do meu. O lado direito de seu pescoço continuava sangrando, aquilo parecia incomodá-lo bastante. O lado esquerdo de sua testa e cabeça também estavam sangrando, resultado de minhas investidas de sua cabeça contra o chão. Tentei prestar atenção no sangue para não ser pega de novo por aquele olhar tão intenso que vinha de seus olhos cor de ônix. Eu precisava tirá-lo de cima de mim e voltar a ganhar o controle.
Não foi muito difícil. Seu corpo não estava tão próximo ao meu, havia um pequeno espaço entre eles. Enquanto ele parecia pensar no que fazer comigo em seguida, usei uma das pernas para dar um chute certeiro em suas costelas e faze-lo se distanciar de mim, me levantando logo em seguida. Observei-o colocar a mão abaixo do peito tentando regular a respiração – eu tinha um chute bem forte de direita – enquanto tirava da minha cintura um revólver e o apontava na direção dele, para seu espanto. É lógico que não sou burra o suficiente de ter trazido só uma mísera faca.
– Você não vai atirar. – ele disse, ainda respirando pesado e falando com dificuldade pela falta de ar que o chute lhe havia proporcionado. Mas acho que eu já havia escutado palavras assim antes.
– Dê-me um motivo.
– Precisa de mim para pegar o dinheiro que está vindo. E se você puxar o gatilho, os vizinhos vão ouvir o barulho. Não vai ser nada bom para você. – senti confiança em sua voz. Mas tudo o que eu fiz foi dar um risinho de lado.
Apontei minha arma para a mesa do aparador que estava no corredor, ligando o hall de entrada em que estávamos até a cozinha. Em cima da mesa, havia um vaso de vidro, com algumas flores de plástico dentro. Mirei na direção do vaso e atirei.
O único barulho que se ouviu foi do vidro se partindo. Meu revólver não havia emitido som nenhum. Quem passasse por ali e só ouvisse o vaso se quebrando não tinha como saber que foi a consequência de um tiro.
– Desculpe por derrubar seu vaso. – eu falei vitoriosa. Ele agora mostrava uma expressão de extrema preocupação ao notar que eu poderia atirar quantas vezes quisesse nele que não haveria barulho nenhum.
Manipulação de armas. Mais um crédito à Tsunade, que havia me ensinado truques e artimanhas de como montar a “arma perfeita”.
Continuei apontando meu revólver ao Uchiha, que agora me olhava com raiva. Ele colocou a mão no pescoço onde estava sangrando. Percebi que eu havia exagerado um pouquinho nos cortes. Mesmo que não estivesse saindo muito sangue, já estava assim faz tempo. Se esses cortes não fossem tratados logo, ele poderia ter problemas. Mas isso não era minha prioridade no momento. Eu só queria pegar o dinheiro.
Avancei em sua direção de arma empunhada. Ele tentou se defender com a faca que ainda estava em sua mão, mas eu fui mais rápida. Quando ele percebeu, a faca estava no chão, suas mãos imobilizadas e meu revólver em sua cabeça. Ele tentou resistir. Não conseguiu, mas quando foi tentar me afastar de si, me acertou com um pequeno empurrão e meus óculos escuros, que já estavam meio soltos de meu rosto, caíram. Mesmo imobilizado por mim, ele chutou os óculos para longe, enquanto tentava ter um vislumbre de meu rosto. Não sei se ele conseguiu.
Só sei que nessa hora, ouvimos a campainha tocar. Era com certeza o homem sócio dos Uchiha trazendo os 15 milhões de dólares que logo seriam meus. O Uchiha tentou resistir e gritar, mas eu o calei com chutes em seu abdômen e costelas, fazendo-o ficar no chão tossindo e tentando respirar. A campainha tocou mais vezes e eu tinha que agir rápido. E é incrível como nas horas de desespero, o cérebro humano funciona melhor.
Peguei o Uchiha pelos cabelos arrepiados com a arma apontada para sua cabeça. Eu o fiz andar até onde estava o interfone, junto com uma câmera pela qual podia-se ver quem era a visita, e fui bem clara ao sussurrar as palavras:
– Diga que está ocupado, peça pra ele passar as maletas com o dinheiro pelos vãos do portão e pra ir embora imediatamente. Se não o fizer, te mato agora.
Acho que ele não acreditou, pois apenas ficou calado, tentando me olhar. Em resposta, dei um tiro que pegou muito de raspão em seu ombro e atingiu o chão, fazendo um pequeno barulho de “ploc” que eu sabia, era inaudível do lado de fora. Ele deu um pequeno grito e depois me obedeceu. Eu estava falando sério, estava disposta a matá-lo.
Ele apertou um dos botões e começou a falar com a voz falha, hesitante.
– Keitarou-san, estou ocupado. Pode por favor...passar a maleta pelo portão e deixar na varanda...
– Você está bem, Sasuke-san? – então esse era o nome dele! Eu não gostava de esquecer algo que havia aprendido, e o tal de Keitarou havia feito o favor de me lembrar o nome de meu alvo. – Parece que está passando mal...quer que eu chame ajuda?
Sei que Sasuke havia considerado seriamente essa alternativa. Pressionei mais a arma contra sua cabeça enquanto segurava seus cabelos e ele percebeu que seria inútil. Se começasse a falar, seria seu fim.
– Estou bem...só cansado. E como disse, ocupado. Deixe as maletas na varanda e pode ir, Keitarou.
– Tem certeza?
– Estou com pressa, Keitarou. Ande logo. – ele havia voltado ao seu tom frio e firme.
Observei pela câmera o homem do lado de fora do portão pegar 3 maletas médias e passa-las através das aberturas do portão de barras de ferro. Em seguida ele voltou ao interfone.
– Pronto, Sasuke-san. Deseja mais...
– Pode ir embora, já vou pega-las. – O Uchiha o cortou, com um tom de desespero na voz. Observamos o homem ir embora, e depois a câmera não pegava mais nenhum vestígio de pessoas na rua.
– Obrigada. – sussurrei em seu ouvido. Eu podia ser ladra, assassina, trapaceira, até prostituta, mas não era mal-agradecida. Tive aulas de etiqueta também, viu? Percebi ele estremecer de novo com o som de minha voz, e não dei a ele tempo de fazer mais nada.
Rapidamente dei um golpe certeiro no abdômen de Sasuke e em seguida outro em seu nervo do ombro, fazendo-o desmaiar. Peguei seu corpo inconsciente, levei até a escada, no meio do corredor, tirei um par de algemas da cintura e prendi suas mãos nas colunas do corrimão da escadaria. Deixei a chave em cima da mesma mesa que antes havia o vaso de vidro agora quebrado por mim. Procurei uma vassoura e juntei os cacos de vidro em um canto. O que? Não gosto de ver coisas jogadas pelo chão, tenho um certo defeito de ser “perfeccionista”.
Considerei mata-lo, mas vi que não seria necessário, e até poderia piorar as coisas. Não me dei ao trabalho de limpar o sangue nos vários pontos do chão, só enrolei um pano com gaze em volta do pescoço do Uchiha para diminuir o fluxo de sangue. Bem, se eu tinha decidido não mata-lo, não poderia deixá-lo morrer também. Peguei meus óculos jogados no chão e o pus novamente em meu rosto.
Dei uma olhada geral na casa para ver se não tinha deixado nenhuma pista que me incriminasse depois. Olhei por uma das janelas e notei que a rua estava deserta. Silenciosamente abri a porta e recolhi as três maletas deixadas sob o chão da varanda, perto de um dos canteiros. Entrei na casa de novo. Tranquei novamente a porta, e saí por onde havia entrado no começo: pela porta dos fundos.
Uma vez fora da casa, me esgueirei entre as casas e árvores que havia ao redor, evitando o olhar do guarda noturno ou de outro alguém que estivesse passando por ali. Chegando perto da cabine do segurança principal, a quem eu fazia o papel de namorada e que vigiava a entrada do condomínio fechado, fiz um alto barulho, obrigando-o a sair de lá de dentro e ir olhar. Peguei minha chave-cópia, abri o portão rapidamente e fugi dali.
Eu estava certa de que não tinha deixado impressões digitais nem nada que me incriminasse pelo caminho. Havia feito um trabalho perfeito. Agora eu iria esconder o dinheiro em meu pequeno apartamento e aguardar. Não poderia sair de imediato de Konoha e simplesmente sumir, pois com certeza traria suspeitas, já que a notícia do grande roubo estaria na mídia logo pela manhã: “Jovem descendente Uchiha é roubado. Segurança noturno, responsável pela vigia do portão, alega que sua namorada, Maya Stonem, desapareceu pouco antes do crime. Coincidência?”
Então eu iria esperar os policiais procurarem sem sucesso pelo “ladrão”. Depois diria a meu “namorado” que teria que me mudar para a casa de meus parentes em uma cidade longe. Fugiria dali e ninguém nunca haveria ouvido falar de Sakura Haruno, meu nome verdadeiro, uma das Wings, ex-aprendiz de Tsunade que agora começaria a conquistar seu próprio mundo.
Só o que eu não sabia era que meus olhos verdes me trairiam mais tarde.
I don't know who you think you are,
But before the night is through,
I wanna do bad things with you
Não sei quem voce pensa que é,
Mas antes de a noite terminar
Quero fazer coisas más com você
Jace Everett – Bad Things
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