Broken Wing - Aprendendo A Voar
16 Capítulo 16 - Fogo na Chuva
Notas iniciais
E quem sabe, algo a mais os esperava...
Os trovões começaram a ficar mais intensos, e o vento mais forte. Definitivamente, uma chuva daquelas nunca tinha atingido Konoha. As pessoas na cidade não se atreviam a sair de casa e até as lojas do comércio fecharam devido ao temporal.
Para Sakura e Sasuke, a situação estava pior. Estavam os dois ali, lutando no meio da floresta, molhados e sujos de galhos, folhas e lama. O Uchiha principalmente, já que a rosada estava pegando pesado no treinamento.
Alguém me disse há muito tempo
Que há uma calmaria antes da tempestade
Ontem e nos dias anteriores
O sol estava frio, e a chuva estava quente
Foi assim em toda minha vida
Eu quero saber
Você já viu a chuva
Cair em um dia ensolarado?
– Levanta, seu bundão! Isso é tudo o que consegue fazer? – Sakura gritava, desgrudando seu cabelo do rosto, engolindo água conforme sua boca se abria. O Uchiha estava jogado em meio às raízes de uma árvore, sujo e sangrando em várias partes do rosto e dos braços.
Sasuke não queria reclamar. Tinha uma reputação, um orgulho masculino a ser preservado. Sakura parecia muito mais rígida do que Tsunade, talvez até porque estivesse com raiva dele. Não tinha dó de machucar e queria que ele percebesse sozinho onde estava errando, diferente de Tsunade, que o alertava em que poderia melhorar.
A rosada também não dera nenhuma chance de alguma conversa. Ela vinha para cima dele, com armas ou apenas com a mão, e Sasuke tinha que se virar em se defender e contra atacar. É claro que ele já havia perdido inúmeras vezes e sabia que não conseguiria vencer Sakura, visto que ela já era uma veterana no que fazia. Mas esperava que a garota pegasse mais leve com ele, pois naquele ritmo estava praticamente impossível. É claro que ele não admitiria isso, por isso só se levantou e se livrou de um pouco de terra molhada que sujava sua camisa branca.
Sasuke partiu para o ataque, empunhando sua espada. Estava muito cansado, respirando pesadamente. A chuva também atrapalhava sua visão e as gotas que caíam em seus olhos e deixavam o chão pegajoso não ajudavam.
Nada disso parecia ter efeitos negativos em Sakura, que atacava e corria como se estivesse em um campo aberto, com sol. Atracaram lâminas e o moreno tentou atacar Sakura do lado oposto ao qual ela costumava se defender. Deu certo, e ele finalmente conseguiu derrubar a rosada. Sakura não ficou contente com isso, pelo contrário, seus olhos verdes brilhavam com raiva ao perceber que fora quase derrotada por aquele filhinho de papai. Quase, porque ela, do chão, prendeu os pés de Sasuke, fazendo-o perder o equilíbrio, enquanto se levantava rapidamente para contra atacar com um soco.
O moreno conseguiu se reequilibrar a tempo de se defender do punho pesado da rosada, mas não foi rápido o suficiente para evitar o chute que ela já havia preparado e acertado em cheio em seu peito, fazendo-o voar para trás.
Sakura abaixou a perna direita com a qual havia acertado o Uchiha, dando um sorriso satisfeito, com seu orgulho de volta. Sasuke não ia conseguir vencê-la e ela não ia pegar leve, ainda mais se tratando dele. Já ia reclamar com o aprendiz, pois ele estava demorando muito para levantar, quando notou algo de errado. Sasuke se remexia no chão da floresta, ofegando. A rosada fez uma cara de preocupação, certa de que talvez tivesse exagerado na força. Correu até ele, abaixando-se para ver o que havia acontecido.
– Sasuke, você está bem? – apesar de não gostar de falar gentilmente com ele, não via outra opção agora. Sasuke tossia, tentando respirar, com a mão no peito vermelho atingido pela Wing.
Sakura fez ele se sentar no chão molhado coberto de folhas, enquanto batia de leve em suas costas, fazendo-o tossir mais forte e finalmente conseguir expulsar o ar que ficara preso em seus pulmões devido à pressão do golpe. Sasuke passou então a respirar ofegante, como se quisesse repor o ar que lhe faltava. Enquanto ele se recuperava, Sakura se sentia meio arrependida por não medir esforços ao machucá-lo. Mas é claro que não admitiria aquilo.
– Você consegue se levantar? – ela falou em um tom frio, enquanto ele ainda tentava pegar fôlego e dar a ela um olhar cansado com um resquício de irritação. A rosada fez menção de se levantar, mas Sasuke a segurou pelo braço.
– Sakura. – ele disse, ainda com a voz falha. – Me dê 5 minutos.
– O que? Claro que não, levante-se! Se quer levar esse treinamento a sério, então não pode descansar por nenhum minuto. Vamos! – ela se levantou, mas ele não. – Uchiha, se você não se levantar agora, nem precisamos continuar por hoje. – ela disse autoritária.
O moreno deu um suspiro e fez menção de se levantar também, mas acabou cambaleando e quase caindo, tendo que ser segurado pela rosada.
– Como você é fraco! Nem lutar contra mim aguenta? – ela disse em um tom zombeteiro, enquanto ele se sentava novamente. – Cinco minutos, e nada mais. – ela disse por fim. Afinal, admitia que já estavam há bastante tempo assim e ele já estava no limite.
Sentou-se ao lado dele, tentando ignorá-lo, apesar de ele não parar de olhá-la. Por um momento, só ouviram o assobio do vento, o barulho das folhas das árvores chacoalhando e o som da chuva caindo, juntamente com algum trovão. Sasuke pensava na possibilidade de serem pegos por um raio, debaixo daquelas árvores. Mas agora via a chance de falar com Sakura.
– Sakura. – ele começou, e ela o olhou surpresa, somente para desviar o olhar.
– O que? – a voz dela estava irritada agora, como se ele tivesse violado alguma regra que o proibia de falar com ela.
– Por que tudo isso? – ele falou por fim. A rosada corou um pouco, tentando não olha-lo nos olhos.
– Tudo isso o que? Você que escolheu esse treinamento, não tenho culpa se...
– Não estou falando do treinamento, estou falando de você! De... nós. – ele disse a última parte com incerteza, estava com medo de que ela interpretasse errado e lhe desse outro chute.
– Como assim? – o tom da voz dela era de irritação.
– Não se faça de desentendida, Sakura! Você de repente deu uma de louca e resolve se afastar de mim.
– É porque eu não gosto de você, cabeção. – ela respondia ríspida, seca. Ele não gostava daquele tom.
– Não foi isso o que pareceu na minha casa.
– O que?! – Sakura de repente estava curvada na direção dele, ameaçando um soco. Seu olhar verde estava com ódio. – O que você quer dizer com isso?
– Você sabe muito bem o que. – ele respondeu, abrindo um leve sorriso, feliz por finalmente tê-la feito se interessar em ouvi-lo, e continuou – Aquele beijo só durou mais do que deveria por sua causa. – ele então sentiu o punho de Sakura em seu nariz (mais uma vez). Mas nem por isso se deu por vencido. – Se está com tanta raiva, é porque isso te afeta. Ou seja, isso é verdade.
Sakura não queria mais ouvir aquilo. A chuva estava mais forte do que nunca e aquele moreno desgraçado a havia irritado, lembrando-a do beijo que ela havia correspondido e confundindo seus sentimentos mais uma vez. Para que aquilo não ficasse pior, Sakura decidiu sair dali. O que ele pretendia falando tudo aquilo, afinal? Se levantou e começou a ir embora, sem saber que estava adentrando ainda mais na floresta, e Sasuke a seguiu.
– Vai fugir de novo? Assim como fez com as fotos e com a guerra? – ele gritou atrás dela. Não iria desistir até obter uma resposta.
– Droga, Sasuke, vai se foder e me deixa em paz! – ela gritou de volta, sem se virar para trás.
– Só quero saber por que está fugindo de mim! Antes até queria me matar, agora faz de tudo para não me ver? – ele continuava atrás dela, aumentando o ritmo dos passos. – Foi alguma ordem ou está com receio de ficar perto de mim por algum motivo? – ele disse a última parte com malícia, o que não passou despercebido por Sakura, que se virou furiosa.
– Você não tem mais o que fazer? Seu treinamento acabou!
– Então você sente receio de ficar perto de mim! – ele disse com um sorriso, ignorando-a. – Por quê? Não aguentou meu charme? Se apaixonou perdidamente e é muito orgulhosa para admitir? – ele continuou, se aproximando perigosamente dela, que só ficou parada ouvindo o que ele tinha a dizer, sem conseguir pensar em uma boa resposta.
– Vai pro inferno. – ela disse por fim, com a voz controlada e com o olhar fulminante, virando-se de costas para ele novamente.
– Não sozinho. – ele a puxou pelo braço e a virou, obrigando-a a finalmente olhá-lo nos olhos.
Eles ficaram ali, se encarando, deixando a chuva cair violentamente por seus corpos enquanto se perdiam um no olhar do outro. A primeira menção de Sakura foi de dar outro chute no peito dele, mas não conseguiu forças para reagir quando se viu presa naquele olhar escuro e penetrante do moreno.
Sasuke esperava prendê-la e fazê-la admitir o que sentia, ele sabia que isso tinha a ver com ele. Mas assim como ela, também ficou sem palavras ao ver aquele rosto feminino tão delicado e ao mesmo tempo tão cheio de raiva próximo a ele. Sakura era muito bonita e estava muito tentadora naquela roupa elástica, com seu corpo esbelto colado ao dele.
Sasuke então sentiu desejo. Dessa vez tinha certeza. Da outra vez, em sua casa, quando ele a beijara do nada, não sabia por que tinha feito aquilo, só ficara com vontade. Mas agora era diferente, ele queria beijá-la, queria provar dela, estava cheio de desejo e luxúria, repentinamente aparecendo assim que ele a tomou em seus braços.
Então, sem hesitar, ele a tomou pelos lábios violentamente. Sakura nem teve tempo para reagir, novamente. Só se viu inundada pelo sabor do moreno de novo, enquanto involuntariamente, abria sua boca para dar passagem à língua dele. Sakura nem tentou mais resistir, sabia que seria inútil. A sensação era muito boa para ser desperdiçada. O vento estava frio, mas o corpo de Sasuke era quente. Sakura também sentia que pegaria fogo em breve.
Os dois se beijavam arduamente, com desejo, luxúria e paixão. Os lábios dele eram possessivos, deixavam-na sem alternativa a não ser acompanhá-los. Suas línguas se entrelaçavam e se chocavam, quase como em uma dança rítmica. Suas bocas eram ambas exploradas. A chuva parecia só ser combustível para aumentar o desejo dos dois. Sentiam seus corpos colados, e queriam também sentir um ao outro. Sasuke a segurava fortemente pela cintura, deixando-a o mais próximo possível dele. Ela o puxava pela nuca com uma das mãos, enquanto a outra o acariciava por debaixo da camisa.
Sakura tentou ir para trás, talvez em uma tentativa de se afastar dele, mas acabou tropeçando em um galho e caiu, levando Sasuke junto. Isso pareceu só ter estimulado o moreno, que não a largava e não estava disposto a isso.
– Tentando fugir de mim de novo? – ele sussurrou no ouvido dela, fazendo-a estremecer com a suavidade da voz masculina.
Ele, porém, não deu a ela tempo de reação. Seu corpo prendia-a no chão, e ele não hesitou em descarregar seu peso sobre ela. Sabia que ela aguentaria. Agora tinha certeza de que ela o evitara todo esse tempo porque estava gostando dele, e provavelmente era orgulhosa demais para admitir. Mas ele não via problema em transparecer seu desejo por ela, e tudo o que queria era possuí-la, ali, na chuva, no chão, sujos e molhados. E sabia que ela também o queria.
Sendo assim, voltou a beijá-la, que agora o correspondia de maneira mais ousada. Sakura não se importava com mais nada agora, só estava entregue àquela sensação embriagante do sexo. E ao pensar que era com Sasuke a deixava ainda mais excitada, mais estimulada. Seria isso o que chamavam de “sexo com amor”? Se fosse, era a melhor sensação do mundo.
Deixou que o moreno a beijasse possessivamente enquanto prensava os braços em suas costas. Fazia menção de levantar a camisa dele, mas por causa da chuva achou melhor não. Ao invés disso, só explorou o corpo dele com as mãos, como ele fazia com as coxas dela. As mãos dele a apertavam com força, fazendo-a soltar um gemido ou outro. Já as mãos dela passavam pelo abdômen e peito dele, arranhando-o. Sasuke mordia-a no lábio inferior. Ela já estava com as pernas abertas e ele se encaixava nela.
Ele começou a abaixar a calça elástica da rosada, e apesar da preocupação que Sakura sentiu naquele momento, não queria parar agora. Sasuke sorriu malicioso ao perceber que ela estava tão cheia de desejo quanto ele, e voltou a beijá-la. Ela passava a as mãos pelos cabelos rebeldes e macios dele, embaraçados por causa da água. Arranhava suas costas por cima da camisa e estimulava o quadril dele. Queria tê-lo dentro dela, não importava o que, e a última coisa que se passava pela cabeça dela era que se arrependeria profundamente depois.
Sasuke entendeu a mensagem, tirando suas mãos das costas dela para abaixar a calça e a cueca o suficiente para aproximar seu membro ereto dela. Então, de uma vez, ele a penetrou.
Ela soltou um gemido alto, enquanto ele fechava os olhos se deliciando com a voz dela e com a sensação de estar dentro dela pela primeira vez. Seus corpos estavam grudados, entrelaçados, ele com todo o peso em cima dela, ela só ficando mais e mais estimulada, talvez sem total consciência do ato que realizavam.
Ele começou com movimentos de vai e vem, rápidos e profundos. Ela apertava um dos quadris dele com uma das mãos, intensificando a profundidade das estocadas. Com a outra, não parava de arranhar suas costas. O som da chuva se misturava ao som dos gemidos deles. Sasuke não acreditava no que fazia, estava definitivamente transando com a mulher que o roubara e tentara matá-lo. Não havia algo de errado naquilo? Com certeza sim, já que dizem que tudo o que é proibido é mais gostoso.
Queria atingir o ápice, mas não queria parar de penetrá-la e estimulá-la. Tudo aquilo era muito bom. Sakura não conseguia mais se segurar, gritava toda vez que o sentia dentro dela. As estocadas não diminuíram de intensidade, e só pararam quando Sasuke soltou um gemido alto, e soltou-se em cima dela, ofegante. Ele havia chegado ao ápice. Ela mesma então empurrou o quadril do moreno contra sua intimidade mais uma vez, permitindo-se também ter um orgasmo.
A chuva não parara, e os dois continuavam ali, embriagados com a sensação pós-sexo. Sakura não acreditara no que fizera. Havia sido seduzida e sentido um prazer no ato sexual que nunca sentiu com nenhum outro homem. Talvez seja porque dessa vez, ela realmente quisesse sentir um homem dentro de si. Por enquanto não se arrependera, não enquanto estava no céu. Ele continuava dentro dela, enquanto as respirações se acalmavam.
A chuva parecia estar acalmando e Sasuke deu na rosada um último, porém possessivo beijo. Suas línguas não haviam perdido a sincronia, e eles se devoravam. Sasuke finalizou seu ato dando nela uma leve mordida no pescoço, que deu um último gemido. Ele se levantou e fechou sua calça, oferecendo a Sakura ajuda para se levantar. Ela aceitou e os dois ficaram se olhando, enquanto o barulho da água que caía do céu diminuía. Nenhum dos dois tinha certeza do que dizer ou fazer agora.
****
– EU VOU MATAR AQUELA TSUNADE! – Sasuke estava surpreso. Era a primeira vez que via sua mãe daquele jeito. Ela nunca tinha gritado tão alto desde que se lembrava, nunca havia ameaçado alguém e muito menos de morte. Ele tentava esconder um riso, e percebia que Sakura, a seu lado, fazia o mesmo.
Mas aqui está o que aconteceu: a chuva deu uma breve pausa quando Sakura decidiu interromper o treinamento de Sasuke para continuarem na manhã seguinte. Sim, isso havia acontecido logo depois que eles... bem, você sabe. Logo depois, a chuva começou de novo, dessa vez mais fraca, mas não a ponto de ser só um chuvisqueiro.
Os dois jovens nem tinham visto como o tempo passara enquanto estavam na floresta. Ou tinham ficado tempo demais treinando ou se perderam enquanto exploravam as intimidades um do outro. O fato era que lá pelas seis e meia da tarde, Fugaku chegou com seu carro luxuoso na mansão e viu Sakura e Sasuke saindo da floresta, molhados, sujos e até sangrando um pouco. Rapidamente tratou de mandá-los entrar, e Mikoto ficou horrorizada ao ver que seu filho e sua mais nova amiga haviam sido obrigados a fazerem “qualquer coisa” naquela tempestade. Eles agora estavam na cozinha, com uma toalha cada um, secando-se enquanto uma das empregadas servia-lhes chocolate quente. Mikoto estava furiosa com Tsunade, a responsável por aquilo.
– Acalme-se, Mikoto! – Fugaku tentava acalma-la, mas sem sucesso.
– Não, Fugaku! Aquela mulher não tem o direito de obrigar meu filho a “treinar” ou sei lá o que na chuva! No meio da floresta! E se um raio tivesse sido atraído pelas árvores? E se eles pegarem alguma doença? – Mikoto era uma mulher calma e gentil, mas quando se tratava da saúde de seus entes queridos, a situação mudava. – E do que você está rindo, Sasuke? É bem provável que tenham pegado pneumonia, essas duas crianças perdidas por aí naquele temporal! – a Uchiha lamentava-se pela casa, oferecendo a Sakura um banho quente enquanto queria ligar para o médico da família.
– Calma, Uchiha-san. Não aconteceu nada. Eu e Sasuke estamos bem. Foi até divertido. – Sasuke não pode deixar de olhar para Sakura quando ela disse aquilo. Teria essa sido uma mensagem? Afinal, eles não tinham só treinado lá. O olhar do moreno foi captado pela rosada, que corou violentamente, tentando desviar-lhe o olhar.
Depois de Mikoto se acalmar, ela convenceu Sakura a tomar um relaxante e quente banho na banheira de hidromassagem em uma das suítes, enquanto Sasuke aproveitava a que tinha em sua própria. Os dois, um em cada cômodo, pensavam na mesma coisa.
Sasuke não conseguia acreditar que Sakura fosse capaz de lhe proporcionar tanto prazer, e ele nem tinha visto ela nua. Nem sequer tinha chegado a tocar em seus seios, mas só de beijá-la e sentir que ela o retribuía com tanta satisfação despertou nele um desejo único de tê-la. Transar com ela não era o plano original, até porque ele achou que ela fosse matá-lo só por tentar fazer algum movimento, mas no final ela mesma se mostrou apta àquilo. Não sabia como as coisas ficariam daqui pra frente.
Ele poderia ignorá-la, ou continuar falando com ela como se nada tivesse acontecido, como fez com outras, ou podia tentar mais uma vez (e ele queria muito isso) porque Sakura ainda era um mistério para ele. Mas não sabia como a rosada agiria, e isso o preocupava um pouco.
Enquanto Sasuke divagava sobre isso de sua suíte, Sakura fazia a mesma coisa no banheiro do andar de baixo, cedido gentilmente por Mikoto. Ela estava com raiva de si mesma. Como pode deixar que Sasuke a usasse daquela forma? Sim, porque aquilo não tinha sido nada além de uma transa para ele. Não era para ser daquele jeito, ela nunca se deveria deixar seduzir por homens, nunca havia acontecido aquilo com ela. Ela é quem seduzia e os levava a loucura, e isso porque eram ordens de Tsunade, satisfazer alguns clientes daquele jeito. Mas nunca tinha sido estimulada por um homem e tinha se entregado por livre e espontânea vontade, não aceitava que Sasuke causasse essas sensações nela. Sensações que ela nunca havia sentido antes, e que a faziam agir daquele jeito perto dele.
Então talvez fosse aquilo mesmo. Talvez era isso o que as pessoas chamavam de paixão. Tudo o que Sakura sentia quando estava perto de Sasuke e como ele a levava a agir fora de si, como ele a seduzia com tanta facilidade que ela se deixou levar por seu charme na floresta e acabou, sem querer, dando a ele e a ela a prova de que sentia algo por ele além de ódio e simples “companheirismo”. Não era amor, mas com certeza não era uma simples excitação. Então talvez, Sakura havia se apaixonado por aquele garoto. Talvez, só talvez. Ou talvez, só talvez, ela quisesse pensar daquele jeito. Porque não sabia mais o que fazer em relação a esse sentimento e aquele moreno dali em diante.
Sakura saiu do banheiro, depois de tirar de si qualquer vestígio da chuva e de Sasuke de seu corpo, com exceção do calor que ficava sempre que ela relembrava aquele momento na floresta. Se trocou, colocando uma roupa confortável de manga comprida e calça de moletom. Já tinha intimidade suficiente na casa para andar pelos cômodos com esse tipo de roupa. Mikoto a chamou para jantar. A chuva já havia parado quase totalmente, restando agora só um chuvisco pesado.
– Se Sasuke ou Sakura acordarem doentes amanhã por causa dessa chuva, aquela Tsunade vai se ver comigo! – Mikoto ainda reclamava com Fugaku, enquanto Sakura entrava na copa, pronta para jantar.
– Relaxe, Mikoto. Ninguém vai morrer por causa disso. – Fugaku respondia calmo, desinteressado, enquanto revirava os papéis da empresa.
– Assim espero. Querido, pare de trabalhar agora. Esse é o horário da janta. Oh, Sakura, querida, sente-se e coma. Deve estar com fome.
Sakura reparou que Sasuke não estava na mesa, com certeza devia ter ido embora para a casa dele. Ficou decepcionada e até com um pouco de raiva, que tentou esconder. Então era aquilo mesmo, eles transavam e agora ele ia fazer como tinha feito com as outras: ignorá-la, fingir que nada havia acontecido. Desse jeito, havia sido como só mais uma prostituta na vida dele. Pena que agora fosse tarde demais para reverter a situação.
****
Uma semana havia se passado desde aquela chuva, que havia deixado alguns estragos na cidade e nas pessoas. Assim como Mikoto suspeitava, Sasuke acordou com uma gripe terrível, tendo que ser hospitalizado e tudo. A Uchiha queria ir brigar pessoalmente com Tsunade, mas a chefe das Wings se encontrava no País do Som, negociando com um novo contato.
Depois de dois dias no hospital, Sasuke se recuperou e voltou a trabalhar normalmente na empresa do pai, deixando o treinamento de lado enquanto Tsunade não voltava. Sakura não havia acordado doente, seu corpo já estava acostumado com diferentes tipos de clima e temperaturas. Só o que conseguiu foi um nariz entupido na parte da manhã e só. Estava trabalhando mais agora, já havia pagado metade da dívida. Fugaku estava de bom humor por causa disso.
Devido a essas circunstâncias, Sasuke não teve tempo de contatar Sakura, apesar de querer. O hospital e o trabalho deixaram-no totalmente indisponível, assim como ela também ficou incomunicável. Mas Sasuke queria encontrá-la. Ele ainda não havia terminado seu assunto com a moça, deliciosamente interrompido por aquele momento tão quente na chuva. Duvidava que ela quisesse falar com ele, mas não iria desistir.
Novembro se aproximava, o que significa que o inverno também. No País do Fogo quase sempre nevava, e o tempo ficava fechado, chuvoso, ventava muito, e, portanto, fazia muito frio. Por isso, Sakura raramente saía da mansão Uchiha a não ser para trabalhar. Tsunade havia avisado que só poderia voltar à Konoha depois do ano novo, pois tinha assuntos pendentes a resolver em outros locais. Sakura não pode deixar de ficar aliviada com a partida da mestra, pois isso significava mais privacidade a ela no tocante a seus sentimentos por Sasuke, que não haviam desaparecido nem um pouco. Ao mesmo tempo, a rosada pensava que nunca mais iria ter nem mesmo uma conversa decente com ele. Mais uma vez, ela estava muito errada.
O tempo naquela sexta estava nublado, ameaçava chover, algo que estava acontecendo com certa frequência naquele mês. Sakura sempre gostou de chuva, mas agora sempre que a água do céu caía em seu rosto, sentia uma mistura de ódio e desejo, tudo por causa daquele moreno maldito. Por que justo ele? A rosada estava em uma loja de cosméticos de Konoha, comprando um presente para Madoka, esposa de Yusuke, já que era aniversário dela.
A porta da loja se abriu e por ela entrou uma garota ruiva, com um corte de cabelo diferente, todo repicado, mas muito comprido. Usava óculos, tinha os olhos em um tom vermelho, mascava um chiclete e andava um pouco prepotente nas botas negras de cano alto que usava.
– Com licença, você é Sakura, não é? Disseram que seria a única de cabelo rosa por aqui. – Karin chamou por Sakura, que se virou surpresa. Não conhecia aquela mulher.
– Sou sim. – a rosada respondeu hesitante. – Desculpe, você é...
– Sou Karin, amiga de um de seus chefes, Sasuke Uchiha. – ela disse em um tom seco e superior. Sakura não tinha nada contra a moça, mas só por ela ter falado o nome de Sasuke, fechou a cara.
– Ah. Precisa de algo?
– Sim, caso contrário não estaria aqui. – Karin riu em tom de deboche, enquanto Sakura começava a se irritar. Karin remexeu na bolsa de couro preta e tirou de lá alguns papéis, entregando-os a Sakura, que a olhou confusa.
– Isso seria...?
– Esses papéis devem ser entregues a Sasuke. – Karin disse, cortando-a. – Não sei o que acontece, nunca consigo falar com ele. Ou ele está no hospital, ou está trabalhando, ou está viajando, ou dá alguma desculpa para não me encontrar. Enfim, como você é empregada dele, com certeza deve vê-lo por aí. Então, entregue esses papéis e ele. Ele sabe o que são, e também diga que o prazo está acabando.
Enquanto Karin falava, Sakura sentia raiva crescer dentro dela. Pensou em cortar a ruiva inúmeras vezes, tentando dizer que não era empregada de Sasuke, que não tinha obrigação de entregar aqueles papéis a ele e que não ia fazê-lo. Mas a ruiva falava sem parar, e se despediu antes mesmo de a rosada a chance de contra-argumentar.
E Sakura foi deixada ali na loja, com uma pasta cheia de papéis, com a obrigação de entregá-los a Sasuke. Só podia ser brincadeira. Nunca iria até ele, mesmo que fosse seu dever para com a família inteira. Pediria gentilmente a Itachi que o fizesse, afinal, deveriam ser assuntos da empresa, se bem que nunca tinha visto a tal de Karin como funcionária ou sócia. Não queria encarar Sasuke nos olhos, sentir aquela onda de sensações quentes provocadas nela só por ele e ver como ele estava satisfeito em ignorá-la depois de tê-la usado.
Ao sair da loja, pensou melhor. Ela ia sim, entregar a ele aqueles papéis pessoalmente. Ela era uma Wing, não uma menininha covarde. Já tinha feito coisa pior e muito mais perigosa. É claro que podia encarar um homem nos olhos com indiferença, e faria questão de mostrar e ele que também nada tinha significado aquele momento na floresta. Não iria bancar a vítima. Não iria deixar transparecer seus sentimentos. Não a Sasuke.
Chegou ao condomínio onde o moreno morava, dizendo ao segurança o nome do dono da casa que gostaria de visitar, dizendo seu nome. Não sabia qual seria a reação de Sasuke quando o segurança lhe informasse que ela estava ali para vê-lo, mas isso pouco importava, pois ela teria que se manter indiferente. Ajeitou o cabelo rosa, passando os dedos por ele para alisá-lo e ajeitou a franja para o lado esquerdo. Vestia uma blusa vermelha de manga comprida, e calça jeans escura. Não tinha maquiagem visível, só seu olhar de determinação.
O porteiro permitiu a entrada da rosada no condomínio de luxo. Sakura se dirigiu até a casa de Sasuke, sabia muito bem onde era. Tocou a campainha e esperou o moreno atender o portão. Por mais que seu olhar estivesse sério, seu estômago se revirava. Seria aquilo medo, ansiedade ou só o desejo de vê-lo novamente?
I'm up in the woods
I'm down on my mind
I'm building a still
To slow down the time
Estou na floresta
Estou em minha mente
Estou me mantendo em silêncio
Para atrasar o tempo
Creedence Clearwater Revival – Have You Ever Seen the Rain?
Bon Iver — Woods
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