Broken Wing - Aprendendo A Voar

11 Capítulo 11 - Drogas e Guerra


Notas iniciais
Olá, espero que gostem. Boa leitura :)

Sakura Haruno, você mal pode esperar pelo que te aguarda.

Sakura’s POV

Quarta-feira, 20 de julho. Esse era meu terceiro dia de trabalho para os Uchiha. Até agora, não havia acontecido muita coisa de interessante. Não havia falado muito com a família, só com Fugaku, já que ele me passava as ordens do que teria que fazer, que era praticamente tudo: além de acompanhá-lo na empresa e trabalhar lá como secretária, acompanhar naquelas reuniões chatas de negócios, fazer a vigília do local durante a noite e o dia (sim, até de segurança eles haviam me colocado para trabalhar), cuidar do dinheiro (sem roubar, é claro, apesar de ser a minha vontade) e enfim, ajudá-lo a tomar conta dos negócios da família, eu ainda tinha que ajudar na casa, como empregada, cozinheira, segurança, jardineira, e tudo o que ele conseguiu imaginar.

Tudo bem que eu não tinha escolha, essa havia sido uma missão passada diretamente por Tsunade, provando ter me aceitado de volta como Wing, e eu ainda devia um milhão de yens aos Uchiha que tinha que pagar através desses trabalhos, mas eu sentia que minha vida iria começar a ficar insuportável. Afinal, trabalhar para essa família significava que também teria que seguir as ordens dele: e eu tinha medo do que Sasuke pensou quando se viu sendo meu “chefe”. Eu tinha certeza de que ele me faria pagar pelo que fiz com ele, e ia me torturar da maneira que podia enquanto eu era “empregada” dele. Ah meu Deus, eu não podia ter tido castigo pior.

– Então, Sakura. – começou Fugaku assim que Tsunade foi embora e minha mudança para a casa dele estava completamente feita. Toda a família estava lá, me observando, enquanto eu, de cabeça baixa, ficava de pé na frente deles esperando pelas ordens. Quando foi que eu me rebaixei tanto assim? – Bem, sei que começamos com o pé esquerdo, visto o que você fez. Então acho que um pedido de desculpas seu para começarmos a trabalhar juntos seria mais do que aceitável, em especial a Sasuke.

Sem muita opção, mas me remoendo por dentro, eu fiz o que ele pedia.

– Desculpe-me. Desculpe, sr. e sra. Uchiha, por ter-lhes roubado, desculpe sra. Uchiha, por ter lhe enganado no dia da festa, desculpe... Sasuke, por quase ter te matado. – eu sei que isso era humilhante, mas eu não podia fazer nada. Tsunade havia sido clara que os Uchiha estavam bem dispostos a me perdoar, por isso eu teria que me comportar. Mas o único pedido sincero de desculpas foi o direcionado a sra. Uchiha, que havia sido gentil comigo e não merecia ter sido envolvida naquele roubo.

– Ótimo, esse já é o primeiro passo. Pode levantar a cabeça e olhe-me enquanto terminamos de conversar. – eu fiz como Fugaku pedia. – Entenda que é difícil para nós trabalhar com uma pessoa que nos roubou e tentou matar um de nós. Mas entendo a vida que você levava com Tsunade e entendo que no fundo, você é uma boa pessoa que foi muito bem cuidada por ela. Por isso eu e minha família não teremos problemas em trabalhar com você. Espero que possamos ter uma boa convivência.

– Claro, senhor. Obrigada pela compreensão, e mais uma vez, me desculpe.

Depois disso, Fugaku me explicou todas as minhas obrigações como nova “ajudante” da família. Eu dormiria na casa, em um dos quartos de hóspede, comeria junto com as empregadas, poderia sair livremente – desde que não estivesse trabalhando – e também poderia receber visitas. Eu não seria tratada como ladra ou prisioneira, e eles me tratavam até bem demais. Confesso que não seria uma grande tortura. Exceto por ele. Eu não conseguia deixar de pensar no que ele tentaria fazer comigo enquanto eu estivesse sob suas ordens. Maldito Sasuke. Maldito. Maldito. Mil vezes maldito.

Enfim, aqui estava eu, encerando o chão da sala de visitas. Só a sra. Uchiha estava na casa, fora as empregadas. Os outros estavam na empresa trabalhando. Depois disso, um dos motoristas da família iria me buscar para me levar na empresa, onde eu terminaria meu trabalho.

****

Bem, até que o dia não foi tão mal. Confesso que me perdi umas trocentas vezes dentro daquele prédio enorme que pertencia aos Uchiha. Hoje, tive que organizar a lista de dívidas pendentes dos sócios de Fugaku, além de atender a telefonemas irritantes de empresários importantes que me passavam mil recados para serem passados a Fugaku ou a Itachi. Apesar disso, eu dava graças a Deus por não ter encontrado com Sasuke nenhuma vez hoje, e estava de volta a casa, jantando sozinha, já que de sexta à noite, as empregadas iam embora, para só voltarem na segunda.

De repente, vejo a porta da cozinha se abrir e revelar a sra. Uchiha, com um sorriso gentil nos lábios. Ela se aproximou de mim delicadamente.

– Deve estar se sentindo sozinha aí, Sakura. Venha jantar com a gente, lá na copa. – ela continuava sorrindo para mim, enquanto esperava minha resposta. Mas eu não pensei muito antes de responder.

– Agradeço o convite, Uchiha-san, mas estou bem aqui. – tá bom que ia jantar com Sasuke e companhia limitada no mesmo lugar.

– Não precisa me chamar com tanta formalidade, Sakura, somente Mikoto já está bom. – é incrível como essa mulher nunca perdia a gentileza e a paciência, mesmo quando estava falando comigo. – Enfim, venha jantar conosco. Esse é um pedido diretamente vindo de mim e de Fugaku.

– O senhor Uchiha quer que eu os acompanhe no jantar? – não pude deixar de dizer isso em um tom sarcástico. Essa era boa. Ou melhor, hilária. O chefe da família Uchiha pedindo para a ladra-empregada juntar-se a uma refeição formal. Claro, isso era completamente normal e aceitável. Não.

– Obrigada novamente, Uchi..., quer dizer, Mikoto-san, mas estou bem aqui, mesmo.

– Querida, não vai recusar esse convite feito de tão boa vontade por mim e meu marido, não é? – era o que pretendia, mas ela não me deu tempo de continuar – Além do mais, essa pode ser uma chance de nos conhecermos melhor, já que agora você vai passar alguns meses conosco. Vamos, não aceito “não” como resposta.

– Mas...

– “Mas” também não é uma resposta aceitável. Vamos, Fugaku, Yusuke e meus filhos estão te aguardando. – ela disse se aproximando de mim, sem desfazer o sorriso gentil, enquanto me levantava do balcão da cozinha e me guiava até a copa, apesar de minhas súplicas para não o faze-lo. Sinceramente, eu me recusava a sentar na mesma mesa que Sasuke.

Mas todos os meus esforços foram em vão. Mikoto me arrastou desde a cozinha até a copa, onde havia um lugar disponível para mim. O lugar era bem na ponta de uma mesa retangular onde o resto dos Uchiha que viviam ali comiam, conversando calmamente sobre alguma coisa.

Sentei na mesa seguida pelo olhar de todos. A minha direita, estava Mikoto, e a minha esquerda, Yusuke, o irmão de Fugaku. Sasuke estava na outra ponta da mesa. Eu não estava do lado dele, mas sim de frente.

– Coma conosco esta noite. – Fugaku me disse enquanto eu observava um prato totalmente feito na minha frente. Bom, não tinha escolhas. Talvez, se eu ficasse calada pelo resto do jantar...

– Como você conheceu Tsunade, Sakura? – é, parece que meu plano não ia dar certo.

– Ah, bem... – tentei responder. TODOS me olhavam. – É uma história pessoal, desculpem. Mas se não fosse por Tsunade, eu provavelmente nem estaria... viva. – realmente não estava mentindo. Não gostava de falar disso para outras pessoas ao pensar no que poderia ter acontecido comigo se Tsunade não tivesse me encontrado.

– Então você é muito grata a ela. – Yusuke Uchiha continuou, bebendo um pouco de seu vinho.

– Pois é. – tentei ser curta sem ser grossa.

– Você tem amigas lá onde vive? – Mikoto perguntou.

– Bem, tenho algumas. Na verdade, todas nos conhecemos porque Tsunade acha que relacionamentos nos ajudam e nos deixam mais fortes. Mas há algumas de quem sou mais íntima. – com Mikoto, eu me sentia mais a vontade para responder as perguntas.

– Como aquela loirinha que veio entregar suas coisas aqui ontem? – perguntou Madoka, esposa de Yusuke.

– Sim, aquela é a Ino. É uma de minhas melhores amigas.

– Quer um pouco de vinho, Sakura? – perguntou Itachi. Me surpreendi por aquilo. Itachi era o único da família que nunca havia falado comigo, acho que também era o único que não se importava com minha presença, mas lá estava ele, me oferecendo vinho.

– Não, obrigada, estou bem.

– Vamos, só uma taça. Todos estamos tomando. – bem, na verdade, acho que um pouco de álcool me faria bem. Relutante, estendi minha taça vazia para ele, que colocou um pouco da bebida vermelha nela.

Durante algum tempo, fez-se silêncio na mesa. A única coisa que se ouvia era o tinir dos talheres. Eu ficava de cabeça baixa o tempo todo, mas tinha constantemente a sensação de que Sasuke me observava. E então o silencio foi quebrado por Yusuke.

– Então, Sasuke, já sabe o que vai fazer no seu aniversário? É agora dia 23!

– Eu sei quando é meu aniversário, tio. – Sasuke respondeu com um pouco de ironia na voz. Yusuke riu, acompanhado por Fugaku, que continuou a conversa.

– Sim, mas ele tem razão, Sasuke. Você já vai fazer 21 anos, é uma idade importante, principalmente para essa família. Como pensa em comemorar? Talvez uma grande festa aqui em casa, ou podemos alugar aquele salão no centro da cidade e contratar os...

– Na verdade, pai, não pensei em nada disso. – Fugaku foi cortado pelo filho mais novo.

– Então no que pensou? Pode pedir qualquer coisa, filho. – que nojo, Fugaku parecia um rei e Sasuke, uma princesinha mimada. Aposto que iria pedir para chover dinheiro nele na hora do “parabéns”.

– Na verdade, eu estava pensando em algo mais... pessoal.

– Como assim?

– Bem, se pudéssemos evitar essa parte da festa, da mídia, dos fotógrafos e eu pudesse só fazer algo com meus amigos, já estaria de bom tamanho. – tá, aquela me surpreendeu. Sasuke Uchiha preferindo uma celebração comum à extravagância de sua vida?

– Mas filho, devemos fazer com que todos saibam que você já atingiu a gloriosa idade de 21 anos e está pronto para pegar o controle de uma das filiais Uchiha! Isso não pode ser passado em branco!

– Tá, então contrate um fotógrafo e publique a foto no jornal com uma nota.

– Sasuke, por que está querendo isso? Você pode chamar seus amigos aqui, contratamos uma banda, fotógrafos...

– Pai, o senhor mesmo disse que eu poderia pedir o que quisesse. Eu escolho uma celebração informal com alguns amigos mais íntimos. – senti um clima pesado se estabelecendo na mesa. Agora havia silêncio total. Fugaku e Sasuke se olhavam impassíveis. Mikoto tinha a cabeça baixa, e Yusuke deu um longo suspiro.

– Fugaku, se é o que o menino quer, deixe-o. Ele ainda vai fazer 21 anos do mesmo jeito. – disse o irmão de Fugaku, enquanto o mesmo desviava o olhar do filho e terminava seu jantar.

Depois disso, veio outro silencio constrangedor. Ninguém mais falava nada, e o clima estava meio pesado ainda.

– Sakura, querida, e quando é o seu aniversário? – tá, outra vez fiquei surpresa com mais uma pergunta para mim, e o modo quase puro com que ela foi feita.

– Ah, foi dia 28 de Março, Mikoto-san.

– Ah sim! E quantos anos você fez? Parece ter a idade de Sasuke.

– Fiz 20.

– Entendo. – e aquela foi a última conversa do jantar.

Depois que todos já haviam comido e se retirado, eu fiquei, lógico, para lavar a louça e arrumar a cozinha. Mikoto insistiu em ficar para me ajudar, mas eu brinquei dizendo que assim, nunca conseguiria pagar minha dívida. Depois disso, fui direto para o quarto que por enquanto era meu, naquela casa enorme, cheia de corredores, portas, quadros, peças de decoração e tudo o que o dinheiro podia comprar. Será que também havia alguma passagem secreta nela? Fiz uma divertida nota mental de tentar procurar depois. Nunca se sabe, né...

Mas não nego que seria bom viver em uma casa como essa. E eu quase teria conseguido isso, se não tivesse sido encontrada. É, mas nem sempre conseguimos o que queremos.

De repente, ouvi meu comunicador tocando. Todos da família Uchiha tem o seu próprio, e eu tinha recebido um para poder me comunicar com eles quando estivéssemos longe, para que eu pudesse atender às suas ordens. Mas agora já eram 10 da noite e eu já estava até de camisola. Quem iria querer alguma coisa a essa hora? Me surpreendi quando vi que o número era do comunicador de Sasuke. Justo ele, meu Deus? O que ele possivelmente poderia querer para me encher a essa hora?

– Sakura falando. Em que posso ajudar?

– Quero que você busque drogas para mim na cidade.

– O que? – como assim?

– É isso mesmo o que ouviu. Meu pai me chamou para uma reunião de emergência e não tenho como buscá-las agora, portanto, como agora você trabalha para mim, ordeno que vá buscá-las.

– Vai pro inferno, seu merda! Não vou buscar drogas para você merda nenhuma!

– Devo te lembrar de que está aqui para satisfazer nossos pedidos?

– Não sou sua escrava, seu merdinha. E não vai me obrigar a fazer isso porque posso informar seu pai de que o querido filhinho dele que está prestes a atingir a idade de ouro da família é um drogado. Realmente, Sasuke, não esperava que você fosse desse tipo. – eu falei a última frase dando uma risada de deboche. É, quem diria mesmo... Sasuke Uchiha, com uma carinha de anjinho e que gosta de cheirar umas quando ninguém está olhando. Bem, isso até era de se esperar. Mas se ele pensava que eu iria ceder a seus “vícios” de boa vontade, estava muito enganado.

– Vai até a cidade, em um bairro chamado Kusurugi, na primeira rua à direita da farmácia abandonada que tem lá. Você vai se encontrar com um cara chamado Shiro, alto, forte e que usa óculos escuros e um gorro. Diga que está lá em meu nome e peça pela “mercadoria”. O dinheiro do pagamento está dentro do cinzeiro na sala de estar. Vai agora.

– Você já tá drogado antes mesmo de cheirar? Ou é muito difícil entender que eu não vou pegar drogas nem a puta que o pariu pra você? – realmente, eu não ia mesmo.

– Então nós temos um grande problema. – eu senti a voz dele ficar assustadoramente suave. Tinha certeza que do outro lado da linha, ele tinha um sorriso sinistro no rosto. – Eu devo para Shiro há algum tempo, e já liguei a ele dizendo que hoje a noite iria alguém no meu lugar chamada Sakura Haruno, de cabelos rosa e olhos verdes pagar a dívida e comprar mais...

– Você o que? – ele não fez isso. Aquele desgraçado não tinha revelado meu nome verdadeiro em meio a drogados, não ele não tinha.

– E ele me disse que era bom essa pessoa aparecer senão ele mesmo a iria procurar.

– Você tem noção da merda que você fez, seu idiota? – ninguém, absolutamente NINGUÉM poderia saber a identidade de nós, Wings. Era a regra fundamental de Tsunade. Como assim ele agora tinha me dedurado para um bando de criminosos traficantes e ainda por cima, dito a eles para irem atrás de mim?

– Só vai virar merda se você não for lá. – a maldita voz dele ainda estava suave. – Se não for, Shiro vai te procurar e querer a grana. Você sabe como é perigoso dever para traficantes, não é? E uma vez que ele te encontrar, vai te matar se você não o pagar.

– Mas ele vai te matar também! – eu já nem fazia esforço para esconder o desespero da minha voz. O que ele pedia era loucura! Não podia esperar que eu fizesse aquilo!

– Errado. Shiro sabe muito bem quem eu sou e não arriscaria se expor ao mundo me matando. Mas você, por outro lado, ninguém sabe quem é. E ele não pega leve com mulheres, pelo contrário: é com elas que ele mais se diverte antes de eliminar. – a voz tinha um toque de malícia e serenidade. Eu sabia que esse tom de voz era perigoso entre pessoas de sangue-frio, principalmente Sasuke.

– Sasuke, você não pode estar falando sério. Não pode esperar que eu...

– Não, estou falando muito sério, Sakura. Por isso te peço, até pelo bem de sua vida, vá até lá, pegue minhas drogas e pague ao homem.

– Mas ele não pode me alcançar aqui. Sem falar que quem acabaria morto seria ele.

– Não estou tão certo disso. Veja, Shiro tem uma história parecida com a sua. Ele também sabe lidar com pessoas indesejáveis. E como você sempre sai de casa para fazer compras para minha mãe ou qualquer outra porcaria, vai ser fácil te achar. E nem mesmo você conseguiria escapar dele. Então sugiro que se apresse, Sakura. Eu disse que você estaria lá as 11.

– Sasuke, seu desgraçado, você vai...

– Tá, preciso ir à reunião – quem ele pensava que era para me cortar, além de tudo? – Ah, e quando voltar, abra a porta do meu quarto e deixe as drogas no chão mesmo. Adeus, Sakura. – e antes que eu pudesse dizer algo, ele desligou.

Ótimo. Simplesmente ótimo. Além de tudo, eu ainda teria que ser intermediária entre um traficante e um riquinho drogado. Tenho certeza de que isso não estava na lista de coisas que eu tinha que fazer.

Mas bem, eu já tinha alguma noção de que algo assim aconteceria. Sasuke faria de tudo para tornar minha vida um inferno, e eu sentia que isso era só o começo.

Pensei em não ir. Eu não iria me deixar ser apanhada por um traficante. Se bem que eu sabia como eles eram. Realmente, gente desse tipo é capaz de tudo para conseguir o que quer. E já que Sasuke havia me dedurado inteira, até a cor dos meus olhos, se eu não fizesse o que ele queria, com certeza seria procurada, e se não fosse morta, não sairia de lá inteira. Também pensei que isso fosse só alguma mentira de mau gosto de Sasuke, mas não podia ser. As informações eram muito acuradas para não ser verdade.

Merda. Merda. Merda. Então era isso.

Realmente, Sakura, você se rebaixou muito. Lá vai você, com uma calça jeans escura, tênis e um casaco também jeans escuro, com uma porrada de dinheiro no bolso pegar drogas para um filhinho de papai que decidiu que iria se vingar de você por ele ser tão frouxo a ponto de se deixar ser roubado. Maravilha. Ótimo.

Maldita família que você foi escolher para mexer.

Lá está você agora, saindo às escondidas e indo até Konoha negociar com um traficante. Isso

não ia acabar bem. Não ia acabar NADA bem.

****

Eu já estava dentro de Konoha. Eram quase onze da noite, a hora em que aquele desgraçado do Sasuke tinha combinado. Aquele bairro onde ele havia me mandado ir, Kusurugi, era bem estranho. Era afastado do centro da cidade. Pelo tempo que morei aqui, ouvi algumas pessoas dizerem sobre esse lugar, que tinha uma fama não muito boa.

As casas eram pobres e mal cuidadas, as ruas rachadas. Aqui devia morar o pessoal menos favorecido da cidade. Não havia muita iluminação. Encontrei a farmácia abandonada à qual Sasuke se referia, virando a esquina e entrando em uma rua totalmente escura. Eu só queria acabar logo com aquilo e poder voltar para casa.

Caminhei por aquela rua escura, sempre alerta. Segundo Sasuke, era ali que eu iria encontrar os traficantes. Eu andei, andei, andei até chegar ao final, que era um beco sem saída. Como assim?

Onde estavam os latões de lixo incendiados, a música pesada e os traficantes desse lugar? Onde estava aquele tal de Shiro? Onde estavam as drogas? Onde estava tudo? Não era possível aquilo ter sido só uma brincadeira de mau gosto. Porque se fosse, Sasuke Uchiha estaria bem morto quando eu voltasse à mansão. Me havia feito completamente de idiota. Palavras e meros xingamentos não podem expressar agora a tamanha raiva e intenção assassina que eu sentia por ele.

Dei um longo suspiro, tentando me acalmar. Se Sasuke achava que eu iria aceitar ser feita de palhaça, estava muito enganado. Me preparei para voltar, mas de repente senti uma luz intensa atrás de mim e sirenes. Não podia ser... polícia?

– Atenção, você aí! Vire-se lentamente com as mãos na cabeça! Um movimento em falso e atiraremos! – não, aquilo não era brincadeira, era um policial. Me virei e vi uma viatura com a sirene ligada emitindo uma luz em minha direção.

Sasuke não tinha ideia de como ele estava morto.

****

Sasuke’s POV

– O que estava pensando ao andar por aquela rua sozinha? Não sabia que aquela área é proibida? – eu ouvia meu pai gritar com Sakura assim que nos vimos em casa depois de ele pagar a fiança dela.

– Uchiha-sama, se o senhor me deixar expli...

– Cale-se, Sakura! Tenho certeza que uma boa explicação você não tem para ter ido àquele lugar! Estava tentando fugir?

– Não!

– Estava tentando se encontrar com alguém?

– Eu...

– Chega! Pensei que poderíamos trabalhar juntos pacificamente, pensei que não faria mal lhe dar uma segunda chance, mas vejo que estava errado! Não posso confiar em você, ninguém aqui pode!

Eu via Sakura me dar alguns olhares mortais de canto de olho. Admito que pensei naquilo de última hora. Depois do jantar, percebi que minha noite iria ser tediosa. Então me deparei com o comunicador que eu tinha para contatar Sakura e pensei em fazer uma pequena brincadeirinha com ela.

Eu não era usuário de drogas, o máximo que fazia era tomar alguns comprimidos para ficar “animado” em alguma festa, mas nada que levasse ao vício. Eu sabia que se usasse as palavras certas, iria persuadir a rosada a me obedecer. Então inventei alguma coisa na hora e a mandei para uma área proibida de Konoha. A área em questão era pouco iluminada e tinha casas, mas ninguém mais morava lá. A área ficou proibida para qualquer um depois que um massacre aconteceu lá, vários anos atrás. Um cara louco matou todos que viu pelo caminho a queima-roupa, e desde então o bairro ficou isolado por conta de rumores de que os fantasmas das pessoas mortas ainda estavam lá, esse tipo de baboseira. Imaginei que Sakura não tivesse esse conhecimento e a mandei para lá. Lógico que depois liguei anonimamente para a polícia avisando que alguém havia entrado lá.

Ela tinha passado a noite na cadeia, provavelmente pensando em 1000 maneiras diferentes de me matar. Meu pai pagou a fiança dela e ela agora estava levando o maior sermão. É claro que ninguém iria acreditar nela, até porque ela não é burra para perceber que eu havia mentido em tudo, então só podia aguentar aquilo calada.

– ... e então resumindo, você não vai poder sair daqui sem autorização e também não vai poder receber visitas até que eu volte a confiar em você!

– Vou ser prisioneira agora?

– Cale-se! É incrível como você ainda tem essa atitude infantil. Não há desculpas para o que você fez, se metendo sem motivos onde não deveria ser chamada. Nos causou uma grande dor de cabeça! – meu pai continuava gritando, apesar de minha mãe pedir que ele se acalmasse e tentava defender Sakura. Sério, qual era o problema da minha mãe?

– Certo, Fugaku, acho que já foi o suficiente. – meu tio Yusuke entrou na conversa. – A garota provavelmente estava só tentando chamar atenção. Tenho certeza de que isso não irá se repetir, certo, Sakura? – outro que era tão gentil que até irritava.

– Senhores Uchiha, juro que não pensei que isso poderia lhes causar tanta confusão. Mil desculpas pelos meus atos, faço qualquer coisa para me redimir! – Sakura disse fazendo uma breve reverência a meu pai. Eu estava me divertindo com aquela cena, pena que tinha que esconder meus risos.

– Só queremos que fique longe de problemas, Sakura. – meu pai voltou a falar, agora com o tom de voz mais calmo. – Isso não é fácil para você, mas também não o é para nós.

– Entendo perfeitamente, Uchiha-san. Mais uma vez, me desculpe.

– Dessa vez deixarei passar. Vamos fingir que nada aconteceu. – o que? Não pai, você tinha que puni-la, e não “fingir que nada aconteceu”! – Não quero encrencas logo no começo. Mas se acontecer algo parecido com isso, não poderei mais ignorar. Está ciente disso, Sakura?

– Sim, Uchiha-san. Nada assim irá se repetir novamente.

– Então tudo bem. Agora pode voltar ao seu trabalho, acho que Jade está precisando de ajuda para limpar a piscina. Ventou muito ontem. – e assim meu pai deu o assunto como encerrado.

Sinceramente, eu estava decepcionado. Sim, havia sido divertido mandar Sakura para aquele lugar, fazer ela passar uma noite na cadeia e ainda levar bronca do meu pai, mas não tinha sido o suficiente.

Não pude pensar mais nisso, porque meu celular tocou. Era Juugo, um dos meus amigos mais próximos, me chamando para sair. Bem, já que não havia mais nada para fazer em casa, fui.

****

Sakura’s POV

Aquele desgraçado ia me pagar. Ah, se ia. Ele mal podia esperar. Eu ia mostrar a ele que não se engana uma Wing.

Terminei de limpar a piscina com Jade, a outra empregada da casa. Fiz mais alguns servicinhos e depois me vi livre. Sasuke havia saído com alguns amigos, mas isso não era problema. Eu já havia provado a ele que sabia esperar.

Jantei novamente com a família na mesa, e Fugaku parecia estar bem disposto a esquecer o incidente que havia me deixado na prisão por uma noite. Aquilo era muito humilhante. Eu nunca havia sido presa na vida, e aquele playboy de merda havia me enganado direitinho. Desgraçado. Ele não merecia ter uma mãe tão gentil como Mikoto. Não mesmo.

Como nos últimos dias, lavei a louça e arrumei a cozinha, indo para meu quarto logo em seguida, pois precisava de um banho quente. Mas não coloquei minha camisola. Me vesti normalmente. Sasuke ainda não havia chegado, e todos já tinham se recolhido para seus respectivos quartos.

Assim, sem fazer barulho, eu saí do meu e atravessei aquela casa enorme. O quarto de Sasuke ficava no andar de cima ao meu. Precisei tomar cuidado para não abrir a porta errada, mas deu tudo certo. Entrei e comecei a esperar. Ele ia se arrepender por ter me feito de tonta.

Eu via no relógio de cabeceira do Uchiha mais novo que já era 1 da manhã. Me virei para a janela a tempo de ver o portão da mansão se abrir. Ótimo, ele havia chegado. Sentei-me em sua cama e esperei pacientemente enquanto ele entrava na casa. Vi a porta se abrir e ele logo acendeu a luz. Levou um susto ao me ver sentada ali na cama com uma cara nada amigável. Claro, pois agora ele ia ver o inferno.

– Que susto, sua louca! O que está fazendo aqui?

– Quem você acha que é para brincar comigo daquele jeito? – eu me levantei da cama de um salto, partindo para cima dele, que fez uma expressão de surpresa. Prensei-o na parede ao lado da porta, segurando seu pescoço.

Ficamos nos olhando por um tempo. Eu claro, tentando matá-lo com os olhos (eu tinha esperanças de que um dia ainda conseguiria essa proeza) e ele me olhando como se eu fosse louca. De repente, ele ficou mais relaxado e um sorriso – seria de deboche? – apareceu em seus lábios.

– Você quer dizer por aquilo? – ele disse em um tom de voz sarcástico. Eu já ia tirar esse sorriso do lindo rostinho dele.

– Ninguém brinca comigo daquele jeito, entendeu? – eu prensava mais o pescoço dele na parede, inclusive até fazendo com que sua cabeça batesse um pouco. Minha voz era baixa, claro, eu não podia acordar os outros.

– E o que você vai fazer? – o sorriso havia reaparecido. Realmente, eu não podia fazer nada com ele ali. De repente, o rosto dele ficou sério, e seu olhar, mais frio do que nunca o havia visto. – É melhor soltar meu pescoço e sair do meu quarto. Se não, vai ter problemas, Haruno.

Aproximei meu rosto do dele e o olhei de forma ameaçadora. O olhar dele já não tinha mais tanto efeito sobre mim. Senti o cheiro do álcool que exalava dele. Não era muito forte, mas ainda assim dava para sentir. Ainda apertando seu pescoço, sussurrei no seu ouvido:

– Isso ainda não acabou. Você não sabe com quem mexeu, Uchiha. – e então não pude resistir. Talvez porque eu estava com raiva, talvez porque quisesse intimidá-lo, ou talvez – só talvez – porque eu queria fazer aquilo: dei uma mordida leve no lóbulo de sua orelha, dando uma pequena risada em seguida.

Me afastei sem olha-lo de volta, pronta para sair. A mensagem estava dada. Se ele não se mantivesse quietinho na dele, iríamos começar uma guerra.

Antes de sair, porém, ele me segurou pelo braço, me puxando para si e aproximando nossos rostos de novo. Sua expressão estava séria, mas depois ele mostrou seu sorriso. Um sorriso malicioso. E então, com seu rosto a centímetros do meu que até me causava uma sensação estranha de perigo ou tentação, respondeu, sem desgrudar seus olhos de mim:

– Digo o mesmo para você.

– Estou falando sério. – respondi, tentando me manter impassível diante daquela aproximação e daquele olhar escuro tão... penetrante. – Não me importa se sua família está aqui ou qualquer outra porcaria. Se você quer guerra, é o que vai ter.

– Então prepare seu batalhão. – ele terminou de dizer aquilo com um sorriso ainda maior.

E antes que pudesse responder, ele teve a audácia de selar sua boca na minha. Não acreditei naquilo. Ele estava bêbado mesmo, só podia. Me segurava forte pelo braço enquanto minha boca era calada pela dele. Aqueles lábios nojentos, sujos, repulsivos, ásperos, possessivos, macios, carnudos, tentadores, gostosos... espera, que merda eu estava dizendo? Aquilo não era pra ter acontecido, como eu pude deixar ele me pegar desprevenida?

Tentei me afastar dele, mas parece que já era tarde. Para minha surpresa, ele tentou abrir caminho pelos meus lábios com sua língua. Que cara atrevido, desde quando tínhamos intimidade a ponto de ele ousar fazer isso?

Senti a língua dele dentro da minha boca, e seus lábios tomarem completamente os meus. Eu sabia que aquilo não era bom. Não podia deixá-lo pensar que podia me manipular tão fácil. Usei meu braço livre para dar-lhe um tapa no rosto, enquanto limpava minha boca. Ele mais uma vez, só sorriu.

– Então a guerra está declarada, Sakura. Que vença o melhor. – ele abriu a porta de seu quarto me convidando a sair, sem tirar o sorriso malicioso dos lábios... e que lábios...

Espera, para de pensar nisso, para de pensar nisso! Você é uma Wing, Sakura! É você quem seduz e manipula os homens, não o contrário!

Fiz uma cara desafiadora para ele, também dando meu melhor olhar gelado e minha melhor risada sarcástica.

Nem precisei falar nada, eu sabia que ele já havia entendido. Então era isso. Saí do quarto dele, enquanto ele me olhava sorrindo daquele jeito. Ele realmente não tinha noção do perigo que corria agora.

Ouvi ele fechando a porta do quarto e me dirigi ao meu silenciosamente. É claro que eu não ia deixar aquilo barato. Ele estava se achando muito, mas eu ia acabar com o ego dele logo, logo.

Ele pensava o que, que poderia simplesmente usar seu charme que ganharia tudo o que quisesse? Ah não, isso não funcionaria comigo. Tsunade, além de tudo, havia me treinado a resistir às tentações masculinas e fazer eles caírem aos meus pés no final. Era isso que ia acontecer com Sasuke. Se ele havia tentado ganhar de mim com um simples beijo, eu o mostraria o que era tentação. Ele mal podia esperar.

Se bem que... apesar de por pouco tempo em que sua língua esteve em contato com a minha, não havia sido uma sensação ruim, pelo contrário. Bom, mas o que mais eu poderia esperar? Beijos são feitos para serem prazerosos. Mas não de alguém que você odeia e repudia. Mas então por que eu tive aquela onda de calor por meu corpo quando aquele moreno maldito enfiou a língua na minha boca?

Eu passava as pontas dos dedos pelos meus lábios, e em seguida, lambi-os. O gosto dele ainda estava ali. Era bom. Não entendi exatamente por que ele fizera aquilo. Às vezes só estava bêbado e na tensão de nosso momento, havia se precipitado. Ou talvez ele fosse só um vagabundo que se aproveitava de qualquer situação a sua frente.

Mas e o que eu havia pensado em retribuir, mesmo que por pouco tempo, aquele beijo? Talvez eu também, no final das contas, queria só aproveitar. Afinal, ele era bonito e atraente, eu não podia negar isso. Mas também não podia me sujeitar a ele. Não deixaria mais ele tomar aquela atitude. Não deixaria ele pensar que podia fazer o que quisesse comigo.

E com certeza, eu ganharia essa guerra. Ele que me aguardasse.

We like having fun at other people’s expense and,

Cutting people down is just a minor offence then,

It's none of your concern, I guess I'll never learn

I'm sick of being told to wait my turn

Gostamos de nos divertir à custa dos outros

Aprontar com as pessoas é só uma pequena ofensa

Não é da sua conta, acho que nunca vou aprender

Estou cansado de esperar minha vez

Sum 41 – Fat Lip

Notas finais
O que acharam do capítulo? :)