Broken Wing - Aprendendo A Voar

12 Capítulo 12 - O Presente


Notas iniciais
Espero que gostem. Boa leitura :)

E com certeza, eu ganharia essa guerra. Ele que me aguardasse.

Sábado, 23 de Julho – 11 da manhã

Sasuke’s POV

Acordei com gritos. Aquilo não era legal. Eu havia passado o resto da semana só na farra, e ainda mais ontem, que foi sexta, fiz tudo o que havia direito, e cheguei em casa as 4 da manhã. Dá um desconto, hoje é meu aniversário. Mas eu já devia ter esperado por aqueles gritos. Ninguém te deixa em paz no seu aniversário. Principalmente quando você vem de uma família rica e poderosa.

– SASUKE! Parabéns, meu filho! Acorde, acorde! Como estou feliz por você, Sasuke! – os gritos eram de minha mãe. Claro, ela podia ser quietinha e discreta na maior parte do tempo, mas quando era para elogiar ou desejar parabéns, virava uma gralha. Eu acordei como um zumbi enquanto deixava ela me abraçar, já irritado.

Droga, era meu aniversário, deviam me deixar fazer o que eu quisesse! Se bem, que pela noite passada, eu já havia feito muitas coisas...

Primeiro que já havia falado ao meu pai que não queria aquelas festas chatas só para ele poder se exibir à mídia. Eu só iria curtir com alguns amigos. Fiz isso durante toda a semana, mas ontem foi pior. Acho que fomos a duas ou três baladas, bebi até ocupar todo o volume do meu estomago, experimentei alguns comprimidos e Karin, minha “amiga com benefícios” me deu um presente e tanto.

Mas é claro que depois daquilo, eu não iria acordar bem disposto, principalmente às 11 da manhã, por favor! Mãe, sai de cima de mim!

– Como estou feliz por você já ter 21 anos, filho! Vamos, desça, já que você não quis festa, preparamos um bolinho para você! Venha, todos estão lá embaixo! Itachi até voltou de viagem só pra te desejar parabéns!

– Mãe, me deixa dormir!

– Nada disso, eu sei que você deve estar cansado depois de se divertir com seus amigos ontem, mas aniversários também são feitos para serem celebrados com a família! Anda! – ela me jogou para fora da cama e me levou arrastado até a copa da mansão. Eu fui fazendo cara feia e tentando abrir meus olhos.

Lá, todos estavam me esperando. Me senti envergonhado por estar com uma calça de moletom e uma camiseta branca, que eu usava para dormir, enquanto eles me abraçavam e falavam tudo aquilo que se fala quando alguém faz aniversário. Até Itachi estava mais simpático. Devia ter arrumado alguma garota. Sério, ele precisava disso. Me esforcei para sorrir e agradecer, mas eu realmente estava um caco. Até as empregadas me cumprimentaram.

– Sakura, pode trazer o bolo! – minha mãe gritou. Logo eu vi Sakura entrar na copa carregando um bolo todo ornamentado, desse jeito eu parecia um aniversariante gay. Ela se vestia como as outras empregadas e entrou dando um sorriso falso.

Assim que a vi, não pude evitar de lembrar meu último contato com ela. Aquela brincadeira que eu havia feito realmente tinha ferido o orgulho dela. Depois disso, declaramos guerra. A diversão só tinha começado. Eu sabia que estava brincando com fogo, mas já havia me queimado várias vezes e não me importava com aquilo. O que eu queria era algo para quebrar o tédio, e Sakura estava sendo perfeita para isso: além de poder me vingar aos poucos dela, eu também estava me divertindo com os esforços dela para me “destruir”. Não que eu fosse deixar, é claro.

Também não pude deixar de lembrar a última coisa que eu havia feito com ela: na hora nem soube por que, mas eu a tinha beijado. Talvez eu só estivesse bêbado e excitado. Lembrei de quando enfiei a língua na boca dela e ela me correspondeu, mesmo que por alguns segundos, antes de me virar um tapa. Confesso que aquilo foi inédito, nenhuma outra garota tinha feito isso comigo. Se ela queria me atingir com aquilo, não funcionou. Ao contrário, só colocou mais combustível nesse fogo com o qual eu brincava agora. Só me incentivou a continuar atormentando-a.

E agora ali estava ela, colocando o bolo em cima da mesa, vindo me desejar “parabéns” também. Senti-a me abraçar e pude cheirar seu cabelo rosa, que exalava um aroma de flores do campo.

– Parabéns, Sasuke! – ela falou falsamente enquanto todos nos observavam. Mas só eu escutei o que ela me falou ao pé do ouvido. – Tenho um presente pra você mais tarde.

Tá, aquilo tinha me surpreendido e interessado. Coisa boa não podia ser. Eu observei ela se afastar de mim com um sorriso vitorioso e malicioso. O que será que essa maldita estava planejando?

O que quer que fosse, conseguiu me deixar curioso e com um pouco de medo, confesso. Mas nada do que Sakura tentasse fazer teria algum efeito negativo em mim. Eu sabia que podia ganhar essa guerra dela.

Consegui me manter até o fim da “festinha”, depois fui direto ao meu quarto terminar de dormir, e só levantei de novo as 3 da tarde. Então, pude abrir os olhos decentemente e agir como um “não-zumbi”.

Fui até a área dos fundos, onde meu pai conversava com Itachi e outro homem, que devia ser um de seus sócios, que eu reconheci da última festa. Ele me chamou e eu me aproximei deles.

– Este é meu filho Sasuke, Saito-san. Ele está fazendo 21 anos hoje. – disse meu pai cheio de orgulho, e o tal de Saito soltou uma exclamação.

– Mas que coisa! – ele falou me olhando entusiasmado, e depois para meu pai – Parabéns, Fugaku, tenho certeza de que esses dois jovens não vão decepcionar o nome Uchiha.

– Com certeza, Saito-san. – respondeu meu pai.

– Mas e então, Sasuke? Já está preparado para assumir uma das filiais Uchiha, assim como Itachi? – Saito continuou. Não pude deixar de reparar que ele tinha uma cara de rato.

– Acho que vou esperar mais algum tempo, Saito-san. Ainda preciso me acostumar a comandar uma empresa tão grande. – eu respondi. Mas na verdade, esperava que ainda demorasse um tempo para que meu pai resolvesse me passar uma das filiais. Ainda não me sentia bem em ter tanta responsabilidade sobre meus ombros e ter que me preocupar tão cedo só com trabalho.

– Sim, mas Sasuke tem o mesmo potencial de Itachi. – meu pai continuou. – Em pouco tempo, já vai ser um grande empresário. – eu realmente esperava que não. Apesar de já ser bem ocupado trabalhar na empresa, se eu assumisse uma, não iria ter mais tempo para nada, e eu gostava demais da parte despreocupada da minha vida para abandoná-la.

– Tenho certeza que sim, Fugaku. – respondeu Saito.

Ficamos mais um tempo conversando, e quando Saito foi embora, meu pai começou a me falar do meu futuro. Ele estava realmente depositando muitas expectativas em mim. Eu disse que não iria desapontá-lo, mas pedi para ele ter mais paciência.

Depois disso, ele quis me levar para beber. Chamou meu irmão e fomos. Queria um “momento de pai e filhos”. Acho que todo pai sonha em beber com seus filhos já adultos. E apesar de ter acabado de me recuperar de uma ressaca, eu não vi mal em deixar o velho contente enquanto ele pedia as bebidas e conversava alegremente comigo e com Itachi.

Só tinha uma coisa que eu não deixava de pensar. Tenho um presente pra você mais tarde. As palavras de Sakura e como ela as disse, de maneira maliciosa e sombria, ecoavam em minha cabeça.

Eu sabia que ela viria com artilharia pesada pra cima de mim uma vez que declaramos “guerra”, mas não pude deixar de me preocupar. Se eu fosse um zé-ninguém, estava pouco me fodendo, mas eu já tinha uma certa reputação e sabia que Sakura não hesitaria em destruí-la, mesmo que tivesse prometido lealdade a meu pai. Mas talvez ela só tenha falado aquilo para me deixar com medo. Talvez só queria me acovardar para me fazer desistir da vingança. Bem, ela estava enganada. Como eu disse antes, isso só me deixava mais excitado.

– Mas então, Sasuke, vai continuar morando na mansão? Sua mãe gosta muito que fique lá. – meu pai falou, me livrando de meus pensamentos.

– Até que eu gostaria, pai, mas acho que vou voltar a morar sozinho. – eu planejava ficar na mansão até quando Sakura fosse encontrada, mas depois que ela começou a trabalhar para nós, resolvi ficar mais um pouco para “aproveitar” a situação. Mas agora que eu podia vê-la todos os dias na empresa, não precisava morar na mesma casa que ela para importuná-la.

– Entendi. Eu também acho melhor, afinal você já é independente. Mas você sabe como são as mães, certo? Lembra quando você se mudou, Itachi?

– Claro. Mamãe ficou chorando no aeroporto enquanto eu me despedia. – falou Itachi com um tom divertido.

Ficamos mais um tempo conversando, e quando já era mais ou menos 6 da tarde, voltamos à mansão.

– Quando você vai se mudar então, filho? – meu pai perguntou ao entrarmos na mansão.

– Acho que esse final de semana mesmo, para dar tempo de organizar as coisas. Acho que vou começar agora mesmo, para já voltar ao meu condomínio amanhã.

– Certo, então. Se precisar de ajuda com as malas, é só falar. Não esqueça de avisar sua mãe depois.

– Tá.

Subi para meu quarto para começar a fazer as malas. Realmente, estava com saudades da minha casa naquele condomínio silencioso. Apesar de ter sido lá que eu havia sido roubado. Mas isso não importava agora. Porque eu ia colocar Sakura em seu devido lugar com o tempo.

Abri a porta de meu quarto, lembrando da noite em que a rosada me esperava em minha cama, e depois disso revelamos o certo “ódio” que sentíamos um pelo outro e eu a beijei. A cara dela de surpresa com aquilo foi hilária, devo admitir. Mas hoje ela não estava me esperando.

Fui abrir a porta do closet, quando notei uma coisa nela. Uma não. Muitas coisas. Mas não eram coisas. Eram fotografias. Inúmeras fotografias coladas na porta exterior e – para meu desespero – em todo o interior do meu closet. Fotografias minhas. Fotografias da noite passada, que mostravam o que eu havia feito enquanto celebrava meu aniversário com alguns amigos. Fotografias das quais eu não tinha dado consentimento para serem tiradas. Fotografias que nunca poderiam ser mostradas ao público. Mas o que...

Claro. Só podia ser. Embaixo de uma delas, que me mostrava consumindo algumas pílulas, estava um cartaz que dizia: Feliz Aniversário.

Tentei me acalmar. Tentei respirar fundo. Tentei não me desesperar. Olhei as outras fotos que me mostravam beijando duas garotas ao mesmo tempo, virando uma garrafa de vodka, ingerindo outra pílula, e outras que nem tenho coragem de descrever aqui. Ela não tinha feito isso. Não, não tinha.

– SAKURAAAAA! – ela não tinha feito aquilo, pelo bem da vida dela.

Voltei ao meu quarto correndo, soltando fogo por todos os poros do meu corpo. Palavras não são capazes de expressar o ódio que eu sentia por aquela maldita. Peguei o comunicador e a contatei. A maldita demorou a atender, eu sabia que era de propósito.

– Sakura Haruno faland...

– Sua filha de uma puta, VOCÊ TEM NOÇÃO DO QUE FEZ?

– Precisa de alguma coisa, Sasuke-san? – aquela voz falsamente inocente me irritou em um tanto que quase quebrei o comunicador com a mão. Aquela vadia tinha conseguido.

– Venha ao meu quarto AGORA! – gritei e arremessei o comunicador longe, enquanto olhava na direção do closet e começava a tirar todas as fotos pregadas lá.

Tenho um presente pra você mais tarde. Então era isso o que ela estava planejando. Eu bem imaginava o que aquela puta pretendia com aquilo. Só não sabia como tinha conseguido essas fotos e o que eu ia fazer para impedir que ela as usasse contra mim.

Escutei uma batida pretensiosa na porta, e não contive minha raiva.

– Entra logo! – eu vi enquanto ela entrava no meu quarto com a cara de inocente mais falsa que eu já havia visto. Depois de fechar vagarosamente a porta, ela ergueu o rosto para mim, com um sorriso malicioso ali. Eu estava muito puto, e não me contive. Fui pra cima dela e a prensei na parede, como ela tinha feito comigo no dia que eu mandei ela para aquela área proibida de Konoha.

– Opa, calminha, garanhão. – ela me olhava debochadamente, enquanto o sorriso não saía de seu rosto. Isso só me deixava mais irritado. Ela tinha escolhido o brinquedo errado. Eu a olhava de modo assassino, prendendo com mais força o pescoço dela na parede.

– Como? – foi a única coisa em que consegui pensar, em meio a tantas outras que me passavam pela cabeça. A palavra saiu baixa, porém rouca, carregando toda a raiva que eu sentia por ela. Me continha para não sufoca-la. Ela só deu um risinho.

– Você não achou que eu ia pegar leve, não é?

– Como... você... conseguiu... aquelas fotos? – eu fechava os olhos e apertava meu punho para não soca-la.

– Tenho meus contatos. – o sorriso dela aumentou – Eles te seguiram durante a noite e registraram cada momento. Você teve um aniversário e tanto, hem? – agora ela começava a rir. Não me agüentei, levei o punho até seu rosto, mas ela agilmente desviou, e ficamos frente a frente. Esqueci que ela era uma Wing.

Ela olhou para as fotos que eu havia tirado, amassado e jogado no chão, ao lado da cama. Fez uma cara infantil de reprovação, como se fosse explicar a uma criança que não se deve por o dedo na tomada.

– Sasuke, levei tanto tempo para organizar as fotos e te fazer uma surpresa...

– Escuta aqui, sua vadia – falei me aproximando dela.

– Uh, não diga isso, você me ofende assim, Sasuke.

Ela realmente estava me testando. E minha paciência já tinha passado do limite faz tempo. Mas eu não podia me descontrolar. Não podia deixar ela pensar que havia me derrotado. Afinal, a guerra só havia começado. Ela podia ter vencido a primeira batalha, mas muitas outras ainda estavam por vir. Por fim, dei um longo suspiro enquanto ela me olhava vitoriosa, engoli minha raiva e a olhei do jeito mais indiferente que pude.

– Certo. Você venceu. – ela abriu ainda mais o sorriso.

– Pensei que fosse um mau perdedor.

– Isso ainda não acabou, você sabe que não vai ficar assim. – agora ela deu uma gargalhada de deboche.

– Mas não vai mesmo! – ela respondeu – Por que agora você está na palma da minha mão, não é, Sasuke-kun? – vadia.

Não respondi enquanto ela ria mais e começava a pegar as fotos do chão e desamassa-las, me olhando de forma sedutora e vingativa. Eu ia fazer de tudo para que aquilo não me afetasse, mas não conseguia esconder minha preocupação.

– O que vai fazer com essas fotos?

– Depende de você. – ela respondeu olhando para as fotos que desamassava. – Eu posso guardar essas pérolas muito bem, ou posso fazer com que todo o mundo saiba que o tão elogiado filho dos Uchiha, prestes a assumir a empresa do pai é, na verdade, um drogado festeiro e bêbado. Você não quer isso, não é?

– Você sabe que eu posso acabar com essa sua palhaçada. – tentei reverter a situação, mesmo sabendo que ela estava com toda a vantagem.

– Fazendo o que? Contando ao seu papaizinho que a Sakura malvada te flagrou enquanto você estava... se drogando? – ela falou olhando para uma das fotos. – Ou que você estava... beijando um homem? – o que?

– O que?! Eu não beijei porra de homem nenhum ontem a noite!

– Eu sei, mas o que um photoshop não faz, heim? – não era possível. Não, não era. Além de tirar aquelas fotos comprometedoras de mim, ela ainda tinha manipulado algumas? Essa vadia tinha ido longe demais.

– Sakura, você não pode de jeito nenhum colocar essas fotos em público. – eu sei, era uma humilhação, eu estava admitindo que ela havia vencido. Mas a minha reputação era mais importante do que uma competição com aquela vadia.

– O que? O todo-poderoso já está arregando? – ela disse em um tom divertido e sarcástico. Cara, como eu odiava ela. – Tá com medinho?

– Droga, Sakura, é sério! Se alguém vir essas fotos, vai ser a ruína do meu nome e da minha família. – eu falava sério, ameaçador, mas ela só parecia se divertir mais e mais com aquilo.

– Devia ter pensado nisso antes de sair por aí fazendo essas coisinhas feias, Sasuke. – ela riu mais ainda. Percebendo meu silêncio, ela continuou, agora séria. – Eu disse que você não sabia com quem estava lidando. Agora você está na minha mão. Uma atitude em falso, alguma tentativa contra mim, e eu mando essas fotos direto para a primeira página de todos os jornais.

– Você não pode fazer isso. Sua missão é para com a minha família, não contra ela! – eu apelava a qualquer coisa para fazê-la desistir daquilo.

– Ninguém precisa saber que fui eu. E mesmo que acreditem em você, sem provas não há como seu pai fazer nada. Sem contar que o mundo vai estar mais interessado nessas pérolas do que em quem as mandou, concorda? – ela havia voltado a sorrir, e eu não via mais nada que podia ser feito. Realmente, ela havia vencido. – Vai admitir sua derrota, Sasuke? Ou precisa de outro empurrãozinho?

Eu não conseguia responder. Estava imaginando quantas outras cópias ela tinha de todas aquelas fotos e onde poderia tê-las guardado. Estava pensando no que eu poderia fazer para reverter aquela situação, sem nada vir a minha cabeça. Estava tentando pensar em algo para convencê-la a não publicar aquelas fotos.

– Sakura... você já ganhou, admito isso. – senti meu orgulho ser esfaqueado e depois ralado no asfalto. Ela sorriu ainda mais vitoriosa. – Agora você vai guardar essas fotos, certo?

– Claro que não! – ela deu uma gargalhada como se dissesse “está louco?”. – Acha que eu iria te mostrar essas pérolas para depois guardar no fundo do baú? Não sei como ninguém te flagrou antes fazendo essas coisas, Sasuke, mas agora que tenho essas imagens em alta resolução, quem sabe o quanto me pagariam para tê-las ou como você ficaria depois que todos vissem quem você realmente é?

– Não está falando sério, não é? – eu me segurava mais uma vez para não avançar nessa mulher e mata-la antes que ela fizesse o que ameaçava.

– Como eu disse, tudo vai depender de você. Se se comportar direitinho, sua reputação e a da sua família estão a salvo. Caso contrário, a próxima parada dessas belezinhas fotográficas é a capa de todos os jornais existentes.

Ela começou a andar, indo em direção à porta. Chegou até onde eu estava e me deu um beijo na bochecha. Eu nem conseguia reagir de tanta raiva e frustração que sentia. Como eu pude me deixar ser pego daquela maneira? Por ela?

– Soube que vai voltar à sua casa em Konoha. Se precisar de mim é só chamar. – ela disse com uma gentileza falsa. – E mesmo assim, eu vou ficar de olho em você. Se tentar qualquer coisa contra mim... já sabe o que vai acontecer.

Ela retomou seu caminho até a porta, abriu-a e voltou a falar comigo.

– Ah é, antes que eu me esqueça. Acho que você não viu as fotos que estão dentro da sua gaveta de cuecas. – o que? – Até que a sua prostituta de ontem a noite era bonitinha. Mas não sei como ela conseguiu colocar as pernas naquela posição. Você é mesmo bem pervertido heim? – até com Karin ela tinha me fotografado? Olhei pra ela com o semblante surpreso e descrente. Vadia. – E mais uma vez, feliz aniversário, Sasuke-kun. – ela disse a última parte em um tom infantil que tanto me irritava.

E ela foi embora, me deixando sozinho, remoendo meus pensamentos, odiando a mim mesmo por ter sido tão descuidado, por achar que poderia contra ela e odiando-a mais ainda por ter feito aquela chantagem tão... ridícula.

Não dava para enganar ninguém. Aquelas fotos me mostravam perfeitamente fazendo coisas que alguém da minha família não deveria fazer em público. Tive até medo de abrir a gaveta e olhar as fotos que havia com a Karin lá dentro. E apesar de aquela chantagem ser ridícula, eu não podia deixar que aquelas fotos vazassem. Sei que muitos artistas já tinham sido flagrados em situações constrangedoras, mas aquilo não podia acontecer comigo.

Eu não me importava de farrear, de beber, de ficar um pouco chapado e de transar sem compromisso. Ninguém notava porque as pessoas só queriam se divertir, e nem prestavam atenção que era eu dançando ao lado delas. Algumas me reconheciam, lógico, mas pensavam que eu só estava usufruindo de minha liberdade como jovem de me divertir também.

Mas agora Sakura havia mudado tudo isso. Aquelas fotos eram comprometedoras, e se chegassem aos olhos do público, eu estaria fodido: com minha família, com minha reputação, com meu futuro nos negócios da empresa. Eu não podia deixar aquilo acontecer. Por mais difícil que seja, devo engolir meu orgulho e fazer como Sakura queria – pelo menos por enquanto. Não posso me precipitar agora, qualquer erro e eu sei que ela seria bem capaz de transformar suas ameaças em realidade.

Então, por ora, tenho que ser obediente como ela me pedia. Mas isso não quer dizer que eu tenha desistido. Assim que eu tivesse a chance, ela ia se arrepender amargamente por ter se achado boa o suficiente para fazer aquela chantagem comigo.

Got a secret, can you keep it?

Swear this one you'll save

If I show you, then I know you won't tell what I said

Cause two can keep a secret if one of them is dead

Tenho um segredo, você pode guardá-lo?

Jure que esse você irá guardar

Se eu te contar, é porque sei que você não o dirá a ninguém

Porque duas pessoas conseguem guardar um segredo se uma delas estiver morta

The Pierces — Secret

Notas finais
O que acharam? Talvez a partir de agora eu demore alguns dias a mais para postar, mas vou tentar manter o mesmo ritmo. :)