Broken Wing - Aprendendo A Voar

7 Capítulo 7 - Treinamento


Notas iniciais
Avisando que este capítulo terá um breve hentai.. espero que gostem

Meu pai pensou um pouco. Itachi ainda tinha um olhar meio desconfiado, minha mãe estava um pouco confusa. Meu tio não havia falado nenhuma palavra desde que entrei, só escutando a conversa atentamente. Então, meu pai se levantou, foi até a peituda e lhe estendeu a mão.

Senju-san, você tem um acordo e a total colaboração de minha família. – ela sorriu antes de se levantar e apertar a mão dele.

Sasuke’s POV

Um mês havia se passado desde que aquela Tsunade ofereceu encontrar a ladra da família. Sakura era seu nome. Combinava. Segundo a mulher loira de olhos cor de mel com peitos de airbag, era uma de suas mais fiéis “recrutas”. Tsunade não revelava muito a meu pai e aos outros sobre sua organização. Eu só sabia que ela era a chefe, que comandava somente adolescentes e jovens mulheres, e que essas mulheres eram tipo espiãs multifuncionais. Tsunade também tinha o apoio de algumas outras organizações, assim como contatos por todo o continente. Os únicos que sabiam da existência da organização eram seus contatos (que eram muitos, mas estavam bem espalhados por aí), o Daimyō e agora, a família Uchiha.

Estávamos trabalhando juntos para descobrir o paradeiro de Sakura (é estranho dizer o nome de minha ladra), mas às escondidas, sem a ajuda da polícia ou do governo. Também não informamos à mídia o rosto da procurada, pois não era ela que iria levar a culpa, assim como Tsunade queria. Nessa última parte, eu fiquei frustrado. Queria que a vadia que tinha quase me matado recebesse alguma punição. Por isso estava decidido a fazê-lo com minhas próprias mãos quando a encontrasse. Por isso eu ajudava-os na “investigação”, sempre me colocando a par de tudo. Mas eu daria um jeito de encontrá-la antes deles. Assim que terminasse minha vingancinha pessoal, podiam fazer o que quisessem com ela.

Tsunade era muito eficiente no que fazia. Rapidamente colocou suas “Wings”, era esse o nome das meninas que “trabalhavam” pra ela? Sei lá, isso pouco importava. Como eu dizia, colocou suas Wings em vários pontos estratégicos do continente onde achava que Sakura poderia estar: nas capitais e principais vilas dos países, em alguma floresta, algum vilarejo mais escondido. As Wings eram rápidas e eficientes, e mandavam relatórios diários à Central de Comando, onde Tsunade, Shizune e Kurenai, uma outra subordinada dela gostosa pra caralho, analisavam e logo mandavam a resposta, pedindo às Wings para continuarem onde estavam ou partir para algum outro lugar.

A Central de Comando da “investigação” estava sendo na casa de meu pai, em um Grande Salão mais reservado, por isso, eu tinha me mudado para lá até tudo estar resolvido. Computadores, rádios e televisores foram instalados lá, assim como as escrivaninhas estavam sempre cheias de papeis, relatórios... pois afinal, Sakura era prioridade, mas não era a única. Tsunade resolveu “mudar-se” completamente para a mansão até a ladra ser encontrada. Várias vezes me deparei com algumas Wings entrarem lá sem que ninguém percebesse para receber uma nova “missão” ou informar alguma coisa. Nem todas iam lá, só as mais experientes, pelo que Shizune me informara.

Além disso, Tsunade havia contratado um detetive particular, que era “fiel” a ela há anos. Disseram que ele era mestre em bolar estratégias e deduzir situações, e que seu QI era acima de 200. Seu nome era Shikamaru Nara. Era um sujeito meio estranho, com um rabo de cavalo prendendo seus cabelos pretos arrepiados, olhos castanhos e uma cara de sono/tédio, que sempre reclamava quando tinha algo para fazer e fazia uma posição estranha com as mãos quando tinha que pensar. Mas era gente boa, apesar disso. Eu já tinha feito um tipo de amizade com ele, sempre trocávamos alguma ideia e ele me ensinava alguma coisa.

Apesar de todo esse trabalho, não éramos os únicos se esforçando. Parecia que a própria Sakura estava fazendo de tudo para não ser encontrada. Mais de uma vez as Wings haviam seguido pistas falsas deixadas pela rosada, que levavam a nada, outras vezes ela conseguia escapar quando menos se esperava. Estava difícil, não tinha como negar isso. O que me dava raiva era pensar em como ela estaria gastando todo aquele dinheiro roubado. Roupas, carros, viagens, mordomias... enquanto nós continuávamos aqui, penando para localizar essa vadia.

Já era começo de julho, e como o País do Fogo ficava no hemisfério norte e já era conhecido por seu clima quente, esse mês era verão e o calor estava cada vez mais insuportável. Na primeira semana desse mês, Tsunade me chamou para uma conversa em particular em um dos quartos de hóspedes, que era ocupado por ela.

– O que deseja? Estou meio ocupado. – antes, eu estava analisando os dados da investigação, e ao mesmo tempo tentando jogar algum charme pra cima de Kurenai. Desde a festa eu não havia transado, e aquela subordinada de cabelos castanhos rebeldes e olhos vermelhos me fazia ter pensamentos um tanto quanto obscenos.

– Eu conheço seu tipo, Uchiha.

– E qual é meu tipo? – ela me olhou um pouco e deu um sorrisinho de lado.

– Não quer ser visto como filhinho de papai, mas adora a fama que tem graças a isso. Adora chamar a atenção e ser notado por quem é, mas deseja ser independente e tomar as próprias decisões. Típico cafajeste que conquista com olhares sedutores e palavras de poetas, para depois de se satisfazer, dispensar as mulheres como se fossem copos plásticos. Por causa disso, não deixa de ser um pouco machista, o que me leva a um de meus tópicos principais.

Ela tinha falado tudo aquilo de uma vez, me deixando um pouco surpreso e impressionado. Pode ser que tivesse razão em alguma coisa, mas se ela achava que ia me intimidar com joguinhos psicológicos, estava muito enganada.

– Fala logo.

– Você não é do tipo que deixaria uma mulher te machucar e te manipular, como Sakura fez. Deve estar se sentindo um merda por ela ter te rendido na sua própria casa, ter te roubado 15 milhões de uma vez e ainda por cima ter te deixado no hospital com cicatrizes, marcas de tiros e pontapés. Estou certa, Sasuke?

Franzi minha testa, pensando que talvez aquela mulher fosse um pouco mais inteligente do que eu pensava. Não gostei disso.

– Qualquer um se sentiria mal.

– Concordo – ela respondeu, sem tirar os olhos de mim – Mas mesmo assim, você, com essa popularidade e personalidade que esbanja e goza, não deixaria uma simples menininha de cabelos rosa sair vitoriosa em relação a você, não é? Seu pai quer recuperar o dinheiro roubado, mas você não se importa tanto com isso, não é? O que você mais quer é encontrar Sakura para fazê-la se arrepender por ter te proporcionado tamanha humilhação.

– Não sei, pode ser que...

– Não foi uma pergunta, Sasuke. – aquilo já estava me irritando. O pior é que ela estava certa.

– Não temos intimidade para eu ser chamado pelo primeiro nome por você, Senju.

– Eu te chamo como quiser. Afinal, eu e minhas subordinadas que estamos no comando aqui, Sasuke-kun. – tamanha era minha raiva que virei às costas e fui em direção a porta. Aquela mulher me estressava e não queria mais ouvi-la falando meus objetivos para mim mesmo.

– A porta está trancada. E eu ainda não acabei. – parei, dei um longo suspiro, e vendo-me sem alternativas, me virei de novo para ela.

Ela me olhou profundamente mais uma vez (já disse que odeio isso?) e depois continuou:

– Então você planeja, de alguma maneira, encontrar Sakura antes de nós para confrontá-la por seus atos.

– Ninguém vai me impedir disso. Ela quase me matou e eu...

– Não vou te proibir disso, pelo contrário. – o que? Fiz uma expressão de dúvida, ao que ela sorriu e continuou – “Uma vez uma Wing, sempre uma Wing”. Faço minhas meninas jurarem lealdade quando se juntam a mim. Sakura era uma das mais leais, se não a mais leal. Mas seu coração cresceu desinibido e atrevido. Quando viu que já tinha idade e competência suficientes para construir seu próprio mundo, ela resolveu me abandonar. Não a odeio nem nada por isso, mas ela é importante para mim e acho que ainda não sabe encarar o mundo como pensa que sabe. Prova disso é que você mesmo descobriu a identidade dela.

Não pude deixar de soltar um risinho de canto de lábio.

– Sim, isso mesmo. – continuou Tsunade – Mas Sakura não acredita nisso, por isso alguém tem que mostrar a ela. Ela me considera uma mãe, e sabe como filhos nunca acreditam nos conselhos de suas mães, certo? – não respondi, esperando que ela continuasse – Pois bem, já que você resolveu por conta própria ter sua “vingança”, resolvi me aproveitar disso. Por isso, preste atenção.

Ela foi até a cômoda ao lado de sua cama, pegou uma garrafa de saquê e bebeu um pouco, no bico mesmo. Que mulher mais acomodada. Virou-se para mim de novo e continuou.

– Quando nós a encontrarmos, você será o primeiro a confrontá-la...

– Isso é algum tipo de plano...? – falei desconfiado.

– É uma ordem. Sei que não está acostumado a isso, mas comigo é diferente. Se não colaborar, está fora. – fiquei incomodado com o tom de voz dela, que me lembrava muito a própria Sakura, na noite que invadiu minha casa. O mesmo jeito de falar, o mesmo tom autoritário. Tsunade era mesmo mestra dela.

– Certo, continue.

– Como eu dizia, você será o primeiro a confrontá-la. Vai fazer ela pensar que a encontrou por conta própria, dizendo que ela não era tão esperta quanto pensava. Então, pode ter sua vingancinha. Claro, não vou permitir que a mate nem que a machuque ou maltrate de modo sério. Eu ia dar uma punição assim que ela voltasse à sede de minha organização, mas vou deixar isso com você. Mostre que ela ainda não está pronta para agir por conta própria. Depois, o resto é conosco. – isso era ótimo. Agora, além de poder me vingar oficialmente da vadia, ainda contava com o apoio da mestra dela.

Dei um sorriso de lado, pensando no que poderia fazer com a rosada sem matá-la ou machucá-la gravemente. Torturas psicológicas pareciam ser uma boa alternativa.

– Pode tirar esse sorriso do rosto. Não terminei ainda. Chegamos a meu outro tópico. – olhei-a confuso. – Pensa que mesmo depois de a encontrarmos, vai ser fácil lidar com ela? Pensa que só por ser homem, vai ter alguma vantagem física sobre ela? Não, querido. Sakura foi treinada – e muito bem – por mim. Eu sei o que é capaz de fazer. Não vai conseguir puni-la pelo roubo só ficando de frente para ela. Ela vai te fazer em pedaços, como da última vez. – fiquei com raiva nessa última parte.

– E o que eu faço então? – Tsunade deu um sorrisinho.

– Vocês até que são parecidos, você e Sakura. Querem independência, acham que podem contra o mundo, e sempre estão dispostos a melhorar em algum aspecto. Você acabou de fazer a mesma pergunta que Sakura me fez inúmeras vezes quando ainda estava aprendendo. “E o que eu faço então?”. – ela fez uma imitação de menininha e em seguida olhou para o nada – Desculpe, Sasuke, estava me lembrando dela. Quero tê-la de volta. Das meninas, foi a que mais me apeguei e a que mais considero como filha. – ficou em silêncio de novo.

– Mas e eu? O que eu faço pra poder “competir” com ela? – ela pareceu voltar a si e me olhou de forma estranha, e me atrevo a dizer, maliciosa.

– Na minha organização, só treino mulheres. Mas vou abrir uma exceção e passar a você algumas táticas, apenas para que possa combatê-la frente a frente. Amanhã, me encontre ao lado da piscina, às 8 da manhã. Não se atrase. Vamos à floresta treinar. – ela abriu um sorriso. – Quero ver o que o filhinho e futuro herdeiro do Uchiha pode fazer. – Igualmente, abri um sorriso. Aquilo estava ficando cada vez mais excitante.

– Combinado.

– Agora saia, preciso pensar um pouco.

Saí do quarto dela, me direcionando a Sala de Comando. Confesso que eu estava excitado. Mal via a hora de encontrar de novo aqueles olhos verdes e obrigá-los a me encarar enquanto eu a punisse pelo que me fez.

Passando por um dos corredores, ouvi um “psiu”. Alguém me chamava para dentro de outro quarto de hóspedes. Era o de Kurenai. Entrei e a mesma estava lá, me encarando de uma maneira curiosa.

– Feche a porta. – me pediu. Ela se virou para mim. – Você me deseja, Sasuke-kun? – ela perguntou. Confesso que fiquei meio surpreso. Sim, eu a desejava, muito. Ela podia ser uns dez anos mais velha, mas eu não me importava. Ela era uma mulher muito atraente e eu já era maior de idade. Mesmo assim, não entendi o que ela pretendia com isso.

– Como assim?

– Pensa que não notei o jeito que você me olha todos esses dias? Eu percebo quando um homem me deseja. E percebo também quais valem a pena. – ela me olhou dos pés até a cabeça, dando um sorriso malicioso, se aproximando de mim. – Você parece cansado por estar se focando demais na investigação. Diga, não quer relaxar um pouco comigo? – aqueles olhos vermelhos dela me hipnotizavam. Ela passava a mão no cabelo e lambia os próprios lábios sensualmente, enquanto colocava o braço em volta do meu pescoço. – Não quer... fazer alguma coisa comigo?

Nem respondi, já a peguei pela cintura, puxando-a de encontro a meu corpo. Beijei-a com vontade, e ela retribuiu. Passou uma das mãos por meus cabelos enquanto com a outra erguia minha camisa e percorria meu abdômen e meu peito. Deitei-a na cama, ficando por cima dela. Tirei seu vestido vermelho, observando-a só de lingerie igualmente vermelha. Eu já estava muito excitado. Comecei a beijá-la de novo, descendo pelo seu pescoço, enquanto ela afagava meus cabelos. Subi a mão por suas coxas, chegando até seus seios. Fiz menção de tirar o sutiã, mas ela começou a dar risada. Para minha surpresa, ela me virou e ficou em cima de mim, meio que me “prendendo”. Eu não reclamei, óbvio. Agora era ela quem beijava meu pescoço e passava as mãos por todo o meu peito e abdômen. Eu soltei um gemido baixo, e ela pareceu notar. Deu umas mordidas no meu pescoço, no lado contrário às minhas cicatrizes. Tirou minhas calças, meu pênis já estava duro e eu queria me sentir dentro dela. Ela também não perdeu tempo, abaixou um pouco a calcinha e deixou que eu a penetrasse. Começou a cavalgar em cima de mim, com a mão no meu peito. Eu com as mãos em suas coxas, dava um gemido ou outro, não conseguia me segurar. Kurenai só ria de canto de lábio e perguntava “Está gostando?”

Ela começou a cavalgar mais rápido e mais intensamente, eu sentia que logo ia gozar. Observava enquanto ela fazia uma cara de safada e tirava as mãos de meu peito para passá-las pelo próprio corpo. Tocou-se nos seios, ainda cobertos pelo sutiã, mexeu nos cabelos, na barriga e soltou um gemido ou outro. Eu não aguentei e finalmente cheguei ao ápice, dando um gemido mais alto. Ela parou de cavalgar, deitando-se ao meu lado. Ficamos por um momento tentando recuperar o fôlego. Alguns segundos depois, ela se levantou, colocou a calcinha e o vestido, arrumando o cabelo. Eu me levantei também e comecei a me trocar. Engraçado que tinha ficado completamente nu, enquanto ela nem ficou com os seios à mostra. Além disso, eu é quem costumava ficar por cima das mulheres, dessa vez foi diferente. Mas admito, foi a melhor transa da minha vida. O que aquela mulher tinha de especial?

Quando terminei de me vestir, ela se aproximou novamente, me deu um rápido beijo e sussurrou algo muito estranho em meu ouvido: “Primeira lição. Você falhou.” Fiquei com cara de merda me perguntando que diabos aquilo significava. Como assim, “você falhou”?

– N-não foi bom pra você? – perguntei cauteloso. Eu nunca havia perguntado isso a nenhuma outra mulher, porque – sem querer me exibir – todas sempre ficavam satisfeitas. Nunca me senti tão inseguro quanto agora. Ela só me olhou com um sorriso de canto, bem parecido com os que Tsunade me dava, me olhou de novo dos pés a cabeça e disse:

– Não, querido. Foi muito bom.

– Então por que...

– Amanhã você irá entender. Pode sair de meu quarto agora, preciso me preparar para uma missão em nome de Tsunade hoje a noite. – saí do quarto, mais confuso do que antes. Abri a porta, ela ainda me deu um tapa na bunda e uma piscadela, e depois fechou a porta, me deixando com a maior cara de tapado naquele corredor vazio.

“Primeira lição. Você falhou”. Eu não entendi porra nenhuma daquilo, era pra significar alguma coisa importante ou pra me fazer lembrar de algo? Porque só de uma coisa eu tinha certeza: Tsunade e suas aprendizes eram meio loucas e perigosas. Também eram imprevisíveis. Mas acho que isso é bom em uma mulher, até certo ponto.

Fui para minha suíte tomar banho e pensar um pouco. Kurenai era aprendiz de Tsunade, assim como Sakura. Era ótima de cama também, sem dúvidas. Também falava parecido como Tsunade, e vez e outra mostrava os mesmos sorrisos de canto de lábio. Acho que Sakura também devia ser assim. Deixei meus pensamentos me levarem um pouco, enquanto a água escorria por meu corpo. (Sasuke’s POV OFF)

****

Já eram 11 da noite na mansão Uchiha. Kurenai estava se preparando para sua próxima missão. Escutou uma batida em seu quarto e permitiu a entrada de Tsunade.

– Tudo pronto para a missão de hoje a noite?

– Sim. Vai ser fácil pegar os ladrões. Estarei de volta antes das 2.

– E hoje a tarde, como foi? – Kurenai virou-se para sua mestra com um olhar malicioso.

– Fiz como me ordenou. Ele não hesitou em nenhum segundo.

– E...?

– Ele falhou. – ao dizer isso, Tsunade deu um sorrisinho, seguido de sua subordinada. Já esperava isso. – Mas é muito bom de cama. – Kurenai completou com outro risinho malicioso.

– Certas coisas eu não precisava saber, Kurenai. – a mestra respondeu – Mas obrigada. Como sempre, você nunca me decepciona. Amanhã ele vai aprender certas coisas. Preciso me reunir com Shikamaru agora, parece que ele tem um novo plano. Sucesso na missão.

– Sempre. – Kurenai terminou de falar com um sorriso, enquanto Tsunade saía do quarto.

****

Sasuke’s POV

Acordei de madrugada com um sonho muito estranho. Nele, Sakura, a ladra, se aproximava de mim de maneira provocante, parecida com Kurenai. Seus olhos verdes brilhantes me deixavam em transe, enquanto ela sensualmente tirava minhas roupas. Antes de eu poder transar com ela, o sonho acabou. Fiquei um tempo acordado, imaginando se Sakura seria tão boa de cama quanto Kurenai e se seus olhos verdes poderiam me prender como os da outra haviam feito.

****

Depois do sonho de ontem, não consegui mais dormir direito. Eu ficava pensando nele, depois nos olhos vermelhos e sensuais de Kurenai, mas de repente, eram os olhos verdes de Sakura que eu via. Tentei deixar de lado essas imagens, pensar em outra coisa, não pensar em nada... o resultado disso é que acordei 8 e meia, sendo que era para eu ter me encontrado com Tsunade as 8.

Quando vi a hora e percebi que eu estava ferrado, incorporei o Flash*. Nem tomei banho, vesti a primeira roupa que encontrei, escovei os dentes, nem lembrei de lavar o rosto, dei uma ajeitada no cabelo sem olhar no espelho e desci correndo para a piscina. Tsunade não estava lá, somente Jade, uma das empregadas.

– Jade, você viu aquela mulher loira e peituda? – perguntei desesperado, não gostava de falar o nome de Tsunade com educação para outras pessoas. Ela só riu enquanto limpava a piscina e respondeu sem me olhar.

– Estava aqui há uma meia hora atrás. Disse que se o senhor aparecesse, era pra ir na floresta da propriedade que ela estaria lá esperando.

– Mas a floresta é enorme! Como vou encontrá-la lá? – essa mulher só podia estar de brincadeira.

– Ela só disse isso, Sasuke-sama. E também que se você não chegasse até ás 9 horas, ela não ia mais treiná-lo. – era só o que faltava. Agradeci Jade e me virei correndo, enquanto ela dizia “ao seu dispor” e continuava limpando a piscina.

Era impossível encontrar Tsunade naquela floresta. Estava dentro de nossas propriedades, mas mesmo assim era muito grande. Sem contar que tinha uma estrada no meio, então tecnicamente, eram duas florestas. Ótimo. Escolhi uma das duas, ciente de que se ela estivesse na outra, não haveria jeito. Comecei a andar por entre as árvores, galhos caídos e alguns animaizinhos que tinha lá. Eu só tinha entrado naquelas florestas uma vez, quando eu tinha uns 7 anos. Meu irmão me ensinou a caçar, e depois brincamos de esconde-esconde. Andei, andei, corri e arranhei minha bochecha esquerda em um galho pontudo e perdido por aí. Não dava mais tempo. Merda. Parei, ofegante, respirando pesadamente, coloquei as mãos nos joelhos xingando aquela mulher mentalmente. Me preparei para voltar.

– Já vai desistir, Uchiha? – ouço uma voz vinda de cima. Olho e vejo a própria Tsunade em cima do galho de uma das árvores, sentada calmamente. Como eu não tinha notado ela ali?

E antes que eu pudesse dizer algo ou pensar em algo para dizer, ela caiu. Bom, pelo menos, foi o que achei a princípio, mas depois deu alguns saltos no ar e caiu de pé. Acho que nem preciso mencionar que meu queixo estava caído.

– Está... 1 hora e 20 minutos atrasado. – ela disse olhando no relógio e se aproximando de mim.

– Jade disse... que você disse... – tentei falar, ainda cansado.

– Eu sei o que eu disse. Pensei que você nem ia se dar ao trabalho de vir me procurar. Mas estou contente que o tenha feito, porque me mostrou sua vontade de aprender. Mas poderia ter me chamado, eu teria vindo na hora.

– O que? Você sabia minha localização? – como assim?

– Claro, assim que você entrou na floresta, vim te seguindo discretamente.

– E por que não me avisou, sua velha ch... – antes que eu pudesse terminar de falar, senti uma dor muito forte no nariz. Fui para trás e percebi que ele estava sangrando. A vadia tinha me dado um soco!

– Não gosto que me chamem de velha. É por isso que mantenho minha aparência jovem.

– Meu nariz! – Tsunade só deu outro de seus sorrisos de canto de lábio e foi se afastando de mim.

– Vai voltar para casa com muito mais do que só um nariz sangrando, Sasuke. Eu não dou mole. – de repente, ela me jogou uma espada. Tipo, de repente mesmo. Se eu não tivesse pegado a tempo, provavelmente já estaria sem pescoço. Ela estava tentando me matar, é isso? – Boa pegada.

– Qual é o seu problema? Isso podia ter me matado! – gritei.

– Então que bom que você pegou a tempo. – antes que eu pudesse contra-argumentar, ela pegou outra espada que estava no chão e começou a falar. – Então é isso. Como começaremos seu treino com 1 hora e 20 minutos de atraso, também voltará para o almoço 1 hora e 20 minutos mais tarde. – ótimo, ainda bem que eu nem tinha tomado café-da-manhã, hem? Simplesmente ótimo. – Esse treino vai durar até que Sakura seja encontrada. Hoje, vou te ensinar algumas técnicas de ataque e defesa em luta corpo-a-corpo e com armas. Vamos começar por essa última. – ela deu um sorriso meio malicioso e começou a se aproximar de mim, empunhando sua espada. Eu nunca tinha usado uma na vida, nem sabia segurar direito. Fora que era mais pesada do que eu pensava.

– Segunda lição: defesa de ataques por uma espada. – terminando de dizer, ela veio subitamente em minha direção, eu só coloquei a espada na minha frente instintivamente, em um susto. Ouvi o choque entre as lâminas e fui jogado para trás. De repente, me dei conta de algo.

– Segunda lição? Não era para ser a primeira? – perguntei me levantando. Folhas haviam grudado em minha roupa.

– Sua primeira lição foi ontem, querido. – o quê?

“Primeira lição. Você falhou”. Lembrei-me subitamente da voz de Kurenai na minha cabeça. Como assim? Será que ela... Tsunade sabia... como? Notei que Tsunade começou a rir.

– Como foi ontem com Kurenai? – ela me olhou de um jeito malicioso. Eu não estava entendendo nada, como Tsunade sabia que eu e Kurenai... e por que ela estava rindo daquilo? E como assim, primeira lição? Antes que tivesse tempo de fazer alguma dessas perguntas, Tsunade partiu pra cima de mim de novo. Dessa vez nem deu pra revidar, ela me pegou completamente distraído. Merda, acho que ela estava tentando mesmo me matar.

Ela me empurrou para trás, e eu bati as costas em uma árvore. Minha camisa branca já estava marrom e cheia de folhas e galhinhos presos. Antes que pudesse me recuperar, ela prensou a espada no meu pescoço, quase me sufocando.

– Nunca deixe sua guarda baixa, Uchiha. Se eu fosse a Sakura, você já estaria sem cabeça. – ela me libertou e foi para trás, enquanto eu recuperava meu fôlego e me levantava, ainda tentando entender tudo aquilo.

– Como você... como você soube de...

– Eu mandei Kurenai fazer aquilo com você. – o quê? Fiz uma cara de dúvida e descrença. Tsunade riu e me explicou, finalmente – Eu trouxe Kurenai aqui por dois motivos: para me ajudar e para te testar.

– Testar o que? Quanto tempo eu levo para ter um orgasmo? – falei já puto da vida, como assim elas me usavam daquela forma e ainda me disseram que eu havia falhado? Tsunade riu de novo. Eu estava quase jogando minha espada na cara dela.

– Não. Queríamos testar sua subordinação. Sabe, Sasuke, você é um daqueles tipos que confiam no próprio poder de sedução. Eu sei que consegue muitas mulheres só lançando um olhar a elas. Mas acontece que minhas Wings não caem em cantadas e truques baratos de sedução. Mas você, mesmo considerando-se um “pegador” não consegue resistir a eles. Não só você, mas a maioria dos homens. Então minhas Wings usam isso a favor delas. Elas sabem que se provocarem, o homem não vai resistir. Assim Kurenai fez com você ontem, e eu queria ver se você conseguia resistir a ela e impor sua própria vontade.

– O que, então eu teria que ter recusado ela? Isso não faz sentido, o que você...

– Não precisava tê-la recusado, Sasuke. Mas para que não tivesse falhado, tinha que se mostrar no controle. Tinha que enganá-la. Você começou o ato sexual, mas foi Kurenai quem o conduziu. Ela te deixou completamente nu, enquanto você nem conseguiu faze-la tirar o sutiã. Ela ficou em uma posição superior o tempo todo, conduzindo os movimentos. Você só esperou que ela fizesse tudo para te dar prazer. Se ela quisesse ter te matado enquanto isso, podia fazê-lo sem problemas, porque você estava distraído de êxtase. Você estava vulnerável. Por isso falhou. – ouvir aquela velha chata falar tudo aquilo para mim foi a coisa mais vergonhosa e estressante da minha vida. Saber que Kurenai tinha contado a ela cada passo daquela transa me fez sentir realmente muito vulnerável. Eu nunca tinha me visto numa situação dessas. Nunca tinha pensado em ontem como sendo um teste de controle. E o pior, é que eu sabia que tinha algum fundo de verdade naquilo. Eu sabia que não podia deixar Sakura comandar a situação caso eu me encontrasse com ela. Mas é claro que não queria admitir, pelo contrário, aquilo me deixava muito nervoso. Acho que Tsunade percebeu o olhar assassino que eu mandava para ela.

– Mas agora que você já sabe, não deixará que isso se repita em relação à Sakura, não é? – continuou ela. – Eu te avisei que pegaria pesado e não teria dó. Não adianta me olhar com essa cara de adolescente revoltado. Se não aguenta meus métodos e minhas críticas, pode voltar para sua casa agora. – juro que eu quase pensei em fazer isso. Mas eu não ia dar essa satisfação a essa peituda idiota.

Nem falei nada. Simplesmente saí correndo na direção dela, empunhando minha espada. Ela se assustou, pelo que percebi, e logo nossas lâminas se atracaram. Eu não ia deixar ela me tratar como um playboyzinho que não sabe lidar com mulheres. Então, começamos uma luta.

Bem, não era exatamente isso. Nossas espadas estavam cruzadas, uma impedindo a outra de escapar. Ficamos cara a cara, e Tsunade soltou outro riso de canto de lábio. Ela começou a dar alguns passos, tentando se desvencilhar de minha espada, mas eu não ia deixar. Imitei seus movimentos, sempre que ela tentava ir pra frente, eu fazia menção de empurrá-la para trás. Ela ainda sorria, mas meu rosto estava sério.

Ela quebrou o contato entre as espadas, indo para trás, mas agora eu já me sentia mais seguro para tentar revidar. Avancei novamente para cima dela, mas dessa vez tentei algo novo: quando estava prestes a atacar com a espada, joguei a arma para minha outra mão, tentando confundí-la quanto à direção do ataque. Mas a falta de prática era um empecilho: Tsunade conseguiu se recuperar da distração e logo nossas lâminas estavam atracadas novamente, uma exercendo pressão sobre a outra.

– Você tem bastante força na mão esquerda também. É ambidestro?

– Sei lá, no que isso importa? Existe uma regra que proíbe isso também? – dizendo isso sarcasticamente, me virei rapidamente e me coloquei atrás dela, ao que ela se virou também e voltamos a atracar lâminas.

– Não, pode segurar a espada com a mão que quiser. Só é interessante. Podemos usar isso a seu favor. Com seus movimentos de esquerda, você pode fazer investidas em um lugar que Sakura não está acostumada a se defender. – agora foi a vez dela de se virar e ir pra trás de mim. Me virei também, mas ela foi mais rápida e me passou uma rasteira. Eu caí e ela colocou a espada em meu pescoço de novo. Que mulherzinha baixa. – Ganhei. De novo. – ela me estendeu a mão, mas eu recusei, dei um olhar de raiva para ela e me levantei sozinho. – Hum, orgulhoso. Precisamos melhorar isso. Seus reflexos ainda estão lentos e precisa de mais malícia nos ataques.

E o resto do dia foi assim. Nem almoçamos. Tsunade pediu a Jade para trazer um lanche na hora do almoço, mas só me deixou comê-lo depois que eu conseguisse derrotá-la de algum modo. Depois da rasteira que ela me deu, largamos as espadas e ela me treinou em conceitos básicos de ataques e defesas. Depois voltamos às espadas, depois nas táticas de fuga, luta corpo-a-corpo, corrida para testar a velocidade e a resistência, enfim, tudo o que ela achasse que seria útil contra Sakura. Confesso que quase desisti. Estava um calor dos infernos, mesmo em meio às sombras das árvores. Como eu disse antes, Tsunade só me deixou comer depois de conseguir derrotá-la. Eu estava tentando isso desde as 9 e 20 da manhã, mas só fui conseguir as 3 da tarde, com 4 horas e meia tentando. Puta merda, e eu nem tinha comido nada desde que havia acordado. Sério, acho que quase desmaiei. Tsunade não dava mole em nenhum momento, sempre chamava minha atenção, dava um jeito de eu me sujar ou me machucar com seus ataques, soltava indiretas e fazia questão de contar as vezes que me derrotava. Segundo ela, se nosso treino fosse um combate real, eu já teria morrido 26 vezes. Não sei se ela agia igual com as Wings, mas se fosse, já sabia por que elas eram tão boas no que faziam. Às 7 horas, Tsunade deu o treino como encerrado. Eu dei um grande suspiro de alívio e me deixei cair no chão, entre as folhas e galhos. Já tinha sido derrubado lá tantas vezes, mais uma não ia fazer diferença. Estava todo suado e sujo de terra, folhas, grama e sangue. Não conseguia respirar direito e estava morrendo de calor. Tsunade foi até mim e de novo me estendeu a mão, mas dessa vez eu não recusei.

– Seu rendimento foi bom, Sasuke. Claro, foi só o primeiro dia, por isso peguei mais leve. Você ainda tem muito o que aprender, mas com o tempo, acho que vamos conseguir. – ela disse me dando um sorriso e colocando meu braço ao redor dela, já que, confesso, estava quase caindo de novo de cansaço.

Mas aquilo que ela falou, era pra me animar? Porque se fosse, tinha feito um péssimo trabalho. Mas eu fiquei quieto, tentando fazer minha respiração voltar ao ritmo normal. Andamos um pouco, quer dizer, ela andou por ela e por mim, já que eu ia me arrastando e me apoiando nela.

– Parece que não peguei tão leve quanto pensei. Você está bem? Nem respondeu e reclamou do que eu falei antes. Ainda por cima, nem consegue andar e respirar direito.

– Fica quieta, você quase me matou hoje. – foi só o que respondi. Não me estendi muito, afinal, nem estava dando conta de puxar o ar direito.

Saímos da floresta e entramos na mansão de novo, mas pelos fundos, se não minha mãe ia ter um ataque quando me visse entrando em casa todo sujo e suado.

– Bom trabalho. – Tsunade me disse depois me tirar meu braço ao redor dela, me dando um sorriso. Mas não era de canto de lábio nem um sorriso irônico. Era mais de satisfação. Parecia que ela estava contente por mim. Mas não discuti isso.

Fui direto tomar um banho gelado. Meu corpo estava todo dolorido e ralado. Sangue escorria de meu rosto, minhas costas e minhas mãos. Arranhões também estavam por todo lado. A água passava por eles e ardia, mas parece que também tirava um pouco da minha canseira. Coloquei uma roupa confortável e minha mãe chamou a todos para jantar.

– Nossa, você está péssimo, querido! O que aconteceu? – ela perguntou preocupada enquanto eu me sentava à mesa. Provavelmente deve ter notado meus machucados e minha cara de cansaço e sofrimento.

– Eu estava ensinando a Sasuke algumas técnicas das Wings. – Tsunade respondeu. Todos na mesa olharam para ela surpresos. – Pode ser útil quando formos confrontar Sakura. Mas não se preocupe, Uchiha-san. Sasuke é resistente, ele ficará bem.

No resto do jantar, detalhes sobre a investigação foram discutidos. Não havia nenhuma trégua naquilo. Até que, quando todos já haviam acabado de comer e estavam se retirando, Shikamaru entrou na copa com uma cara de expectativa.

– Deu certo, Tsunade, Uchiha-san – ele disse. Tsunade, meu pai e Itachi abriram um sorriso de orelha a orelha.

– O que deu certo? – eu perguntei. Nem tinha acompanhado a investigação hoje.

– O plano de Shikamaru. Descobrimos o paradeiro de Sakura. – meu tio falou, também abrindo um sorriso. Parece que eu não teria muito mais tempo para treinar com Tsunade.

*Flash: super-herói da Liga da Justiça, que tem o poder de correr muito rápido.

I'm gonna burn it all down, I'm gonna rip it out

Well, everything that you employ was meant for me to destroy

So don't you fuck me around, because I'll shoot you down

I'm gonna drink, fight and fuck and pushing my luck

All the time now

Vou fazer tudo pegar fogo, vou destruir tudo

Bem, tudo o que você usa foi feito para que eu destrua

Então não tente me foder, ou então te matarei

Vou beber, lutar e foder, testando minha sorte

Em tempo integral agora

Green Day – Horseshoes and Handgrenades

Notas finais
E então, o que acharam? :)